Você poderia nos contar como foi sua trajetória ligada ao CENMA e o que significa para você estar à frente da instituição nesta etapa?
Sou diretora do Comitê Equatoriano de Nutrição de Animais de Companhia (CENMA), que faz parte da Associação de Produtores de Alimentos Balanceados do Equador (APROBAL), uma organização privada sem fins lucrativos que reúne empresas fabricantes de alimentos para animais; representamos e articulamos a indústria equatoriana de alimentos para animais de companhia.
Neste espaço, lidero uma agenda setorial que responde às necessidades do setor em termos de regulamentação, qualidade, competitividade, acesso a mercados internacionais e capacitação, tendo a nutrição e o bem-estar animal como eixos centrais.
Ingressei no CENMA em 2023 e, desde então, um dos principais desafios tem sido fortalecer o comitê como a instância técnica e representativa que articula e representa, de maneira organizada, a indústria equatoriana de pet food.
Estar à frente do CENMA significa representar uma indústria que cresce e se profissionaliza rapidamente, mas também impulsionar ações que gerem resultados concretos para o setor e para os tutores de pets. Nesses anos, fortalecemos a participação das empresas, construímos propósitos comuns e consolidamos um diálogo técnico com autoridades, academia e outros atores.
Para mim, estar à frente do CENMA também implica aproximar o conhecimento técnico daqueles que, finalmente, tomam decisões sobre a alimentação dos pets. Um dos desafios é levar a nutrição com propósito à prática: fazer com que médicos-veterinários e tutores disponham de informações para fazer melhores escolhas, que a leitura e a compreensão do rótulo antes de comprar um alimento se tornem um hábito e que possamos contribuir para derrubar mitos que persistem por falta de conhecimento.
O desafio é continuar fortalecendo uma indústria cada vez mais técnica, competitiva e comprometida com a qualidade, buscando fazer com que esse desenvolvimento também se traduza em mais conhecimento e melhores decisões sobre a nutrição dos nossos animais de companhia.
Na sua perspectiva, como o CENMA evoluiu ao longo dos últimos anos e quais você considera que foram as principais mudanças em seu papel dentro da indústria de pet food?
A evolução do CENMA foi marcada por uma participação cada vez mais ativa nos temas que influenciam o desenvolvimento da indústria de pet food no Equador. Fortalecemos a articulação com as autoridades e promovemos a atualização das normas por meio de propostas técnicas. Essa participação consolidou nossa contribuição em qualidade, nutrição e competitividade.
Ao mesmo tempo, ampliamos nossa atuação para outras áreas. Trabalhamos para que o espaço que os pets ocupam hoje nos lares e na sociedade também se reflita em decisões e ações concretas. Nesse caminho, fortalecemos as parcerias com a academia, as ações de formação, a geração de informações sobre o setor e uma agenda de comunicação voltada à promoção do conhecimento sobre a nutrição de pets.
Uma mudança importante foi fortalecer a qualidade e a nutrição como eixos da nossa agenda representativa. Representar o setor implica não apenas atender aos desafios da indústria, mas também promover conhecimento, boas práticas e padrões que acompanhem sua evolução e contribuam para gerar confiança.
A isso se soma o trabalho em educação. Por meio do CENMA, promovemos uma campanha para a leitura correta dos rótulos, com o objetivo de fazer com que os tutores saibam quais informações devem verificar ao escolher um alimento e tenham mais ferramentas para tomar decisões informadas. Essa iniciativa também busca aproximar o conhecimento técnico dos médicos-veterinários e contribuir para desconstruir mitos sobre a alimentação dos animais de companhia.
Outro marco que reflete essa evolução foi a iniciativa conduzida pelo CENMA para alcançar a alíquota de 0% de IVA para os alimentos para pets. Além do resultado tributário, isso significou avançar no reconhecimento de sua importância nos lares e contribuir para facilitar o acesso dos tutores a esses produtos. A esse avanço soma-se a inclusão de alimentos para animais de estimação na Cesta Básica de Consumo Familiar do Equador, o que reconhece sua presença nos gastos das famílias e confere visibilidade oficial ao setor.
Hoje, o CENMA desempenha um papel que combina representação, articulação e atuação técnica. A evolução consistiu em passar da identificação de necessidades comuns à promoção de iniciativas que contribuam para o conhecimento, a qualidade, a competitividade e o desenvolvimento responsável da indústria equatoriana de pet food.
A indústria de pet food passa por um processo constante de transformação. Quais são hoje os principais desafios que você observa em termos de formação, atualização e desenvolvimento profissional?
O dinamismo atual da indústria de pet food no Equador e na região exige que o desenvolvimento profissional deixe de ser um esforço isolado e se consolide como um pilar institucional contínuo. No Comitê Equatoriano de Nutrição de Animais de Companhia, identificamos que o principal desafio é traduzir o conhecimento científico em nutrição de animais de companhia e tecnologia de alimentos em ferramentas práticas e acessíveis para toda a cadeia de valor.
Paralelamente, é fundamental fortalecer o critério técnico diante da desinformação nutricional e das tendências sem embasamento científico que proliferam no ambiente digital. O grande desafio é promover uma educação e comunicação baseadas em evidências, que permitem compreender e comunicar, de forma dinâmica, a contribuição nutricional dos alimentos para pets.
O desafio é que essa atualização fortaleça o trabalho que as empresas realizam em formulação, produção, controle de qualidade e comunicação do produto, valorizando o conhecimento científico e a capacidade técnica que embasam os alimentos para pets.
Como o CENMA acompanha as novas necessidades da indústria e qual lugar a geração e a atualização de conhecimento ocupam em sua proposta?
A geração e a atualização de conhecimento são um dos eixos estratégicos do CENMA. Identificamos as necessidades comuns das empresas e articulamos espaços de capacitação e intercâmbio com especialistas e paceiros acadêmicos. Nosso objetivo é que o conhecimento se traduza em melhores práticas de produção, qualidade, segurança e nutrição, fortalecendo as capacidades técnicas e a competitividade da indústria equatoriana de alimentos para animais de estimação.
Paralelamente, firmamos convênios com a Universidade UTE) e a Universidade das Américas (UDLA) para construir uma relação acadêmica de longo prazo. Para o CENMA, conhecimento não significa acumular capacitações. Está relacionado ao objetivo de aprimorar o critério profissional, elevar os padrões e gerar confiança em torno dos alimentos para pets.
Quais oportunidades você identifica para o CENMA e quais são os principais objetivos estabelecidos para continuar acompanhando a evolução da indústria?
Uma das principais oportunidades é potencializar a articulação que construímos entre empresas, academia, comitês técnicos e autoridades para impulsionar iniciativas que fortaleçam a competitividade e consolidem as capacidades de uma indústria cada vez mais especializada.
Hoje, o Equador conta com informações setoriais que antes não estavam disponíveis. No CENMA, levantamos e consolidamos dados que permitem dimensionar a contribuição da indústria de alimentos para animais de estimação e compreender sua evolução. Nosso objetivo é ampliar essa base de conhecimento e transformá-la em uma ferramenta para identificar oportunidades de crescimento e embasar o diálogo técnico sobre o futuro do setor.
Continuaremos impulsionando programas de verificação e melhora contínua, capacitação especializada e parcerias estratégicas. Com essa agenda, buscamos fortalecer o posicionamento do pet food equatoriano, dar mais visibilidade às capacidades de nossas empresas e acompanhar sua projeção dentro e fora do país.
A partir da sua experiência, o que você considera fundamental para continuar fortalecendo a formação e o desenvolvimento de profissionais em uma indústria de pet food cada vez mais especializada?
Trabalhamos com uma formação contínua e especializada, conectada com os desafios reais da indústria.
Precisamos de espaços em que o profissional possa integrar teoria e prática: entender uma exigência nutricional, mas também o que acontece com os nutrientes durante um processo industrial; conhecer uma matéria-prima, mas também suas implicações na formulação, na qualidade e na estabilidade; interpretar um rótulo e, além disso, saber comunicar essas informações de maneira clara ao tutor. Por isso, nossa visão é manter uma agenda permanente com os diferentes parceiros que articulamos desde a criação do comitê.
O futuro do pet food estará cada vez mais ligado à ciência, à tecnologia e a consumidores que exigem mais informações. Para acompanhar esse futuro, precisamos de talentos preparados e de uma indústria disposta a compartilhar conhecimento. O CENMA articula e promove iniciativas para construir uma comunidade profissional integrada, com critério técnico e uma visão alinhada à importância da nutrição para a saúde e o bem-estar dos pets.
Obrigada, Pamela, por compartilhar sua experiência e visão sobre a representação setorial e o desenvolvimento da indústria pet food com a comunidade da All Pet Food!
Por Pamela Ruales
Fonte: All Pet Food Magazine
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São Paulo, Brasil
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