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Probióticos x prebióticos x simbióticos
 
Nutrição

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Probióticos x prebióticos x simbióticos  

Diarreias agudas, enteropatias crônicas e gastroenterites são condições comuns na clínica médica de pequenos animais. Por afetarem o sistema gastrointestinal, muitas vezes, requerem o uso de produtos que possam ajudar a recompor a microbiota intestinal. 
  Dentre eles, é recorrente a prescrição de probióticos, prebióticos ou simbióticos, mas ainda existem muitas dúvidas quanto a diferença entre essas três alternativas, que possuem finalidade parecida, mas não são iguais. 

Segundo a médica-veterinária especializada em Gastroenterologia, Cuidados Intensivos e Emergências, membro da Equipe FeroGastro e diretora da Associação Brasileira de Gastroenterologia Animal (ABRAGA), Larissa Nonato, estes produtos possuem variadas indicações. 
  'Eles são recomendados para manutenção do bem-estar do animal. Podem ser usados como terapias adjuvantes em quadros de diarreia (gastroenterite), mudanças alimentares (adaptação intestinal) e outros estímulos para a imunidade em qualquer doença crônica. Inclusive, há evidências recentes de probióticos com ação positiva no tratamento de doença oral, prurido, convulsões e outras alterações, a princípio, muito longe dos intestinos', relata. 
  Além disso, Larissa comenta que nos últimos anos os estudos da microbiota intestinal foram melhorando consideravelmente. Dessa forma, hoje é possível entender as particularidades da microbiota do cão e do gato, e também as diferenças entre filhotes e adultos. Com isso, os produtos indicados para auxiliar o seu bom funcionamento vêm sendo aprimorados.   As diferenças na prática  
Não é difícil de entender a função dos probióticos, prebióticos e simbióticos. A especialista esclarece que os probióticos contém bactérias consideradas desejadas para a microbiota intestinal, sendo esses microrganismos responsáveis por regular a imunidade e a qualidade da saúde dos intestinos.
  Os probióticos começaram a ser fornecidos aos animais no início dos anos 70 com o Lactobacillus acidophilus. Eles são mais comuns e eficientemente usados em ocasiões estressantes, como o período de desmame, durante mudanças na alimentação, em falhas na ingestão do colostro e após tratamentos com antibióticos, por exemplo. 
  'Já os prebióticos são elementos que nutrem e alimentam a microbiota. Ou seja, fornecem substrato para a microbiota presente nos intestinos. Geralmente, são compostos por ou açúcares de baixa caloria', cita.
  Basicamente, os prebióticos exercem um efeito osmótico no trato gastrointestinal, enquanto não são fermentados. Os mais utilizados em animais são os mananoligossacarídeos (MOS), os frutooligossacarídeos (FOS) e os galactooligossacarídeos (GOS). 
  Por outro lado, os simbióticos são produtos que contém probióticos e prebióticos na mesma formulação, sendo considerados mais completos.
  'Geralmente, o mesmo paciente pode receber tanto um prebiótico, quanto um probiótico ou um simbiótico. Qual alternativa escolher depende da demanda daquele animal e da praticidade para o manejo', afirma Nonato.  
  Inclusive, o uso de prebióticos em associação aos probióticos apresenta ações benéficas superiores aos antibióticos promotores de crescimento. Dentre os principais motivos para isso estão o fato de não serem metabolizados ou absorvidos durante a passagem pelo trato digestivo superior, servirem como substrato a uma ou mais bactérias intestinais benéficas e possuírem a capacidade de alterar a microbiota intestinal de maneira favorável.   Como prescrever
De acordo com a especialista, uma grande vantagem dessas soluções é que elas podem ser utilizadas desde o desmame de cães e gatos, pois após este período os animais passarão a ter uma microbiota intestinal mais definida.
  Com relação às contraindicações, até o momento não existem evidências científicas que não indiquem o seu uso. Porém, há maior confirmação de eficácia do papel terapêutico dos prebióticos em comparação aos probióticos.
  No que diz respeito às apresentações, como hoje existem opções em pó, pasta e comprimido, Larissa informa que não há indicações quanto a qual é a melhor. 
  'Os produtos mais tradicionais e estudados na saúde humana são aqueles em apresentações em pó ou em cápsulas. Contudo, na Medicina Veterinária a apresentação mais popular é a pasta oral, que facilita a administração em casa devido a maior palatabilidade', cita. 
  Outro ponto importante é que não há evidências apontando para o melhor horário ou a necessidade de jejum para que os probióticos, prebióticos e simbióticos tenham mais eficácia.
  'Os estudos são heterogêneos e os resultados são variados. Portanto, fica a critério do médico-veterinário a indicação de um horário para administrar o produto. Entretanto, acredita-se que o período noturno, especialmente após a refeição, seja o momento mais adequado para que os probióticos permaneçam mais tempo no trajeto da luz gastrointestinal (oro-fecal). Porém, tudo isso é apenas uma teoria', conclui. Fonte: Cães e Gatos

Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa
 
Sustentabilidade

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Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa  

Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production, indica que rações premium para cães, especialmente as úmidas, cruas e com alto teor de carne, apresentam emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente superiores às da ração seca convencional. A pesquisa avaliou quase 1.000 produtos comerciais disponíveis no mercado do Reino Unido.
  De acordo com os pesquisadores, a produção de ingredientes para a alimentação canina no país responde por cerca de 1% das emissões totais de GEE. O levantamento também aponta que cães alimentados com dietas premium ricas em carne podem ter pegadas de carbono dietéticas maiores do que as de seus próprios tutores.   Cálculo da pegada de carbono
O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e Exeter (Inglaterra), que calcularam as emissões considerando os gases gerados durante a produção dos alimentos. As estimativas utilizaram informações de rotulagem de ingredientes e nutrientes, abrangendo rações secas, úmidas e cruas, além de opções à base de plantas e sem grãos.   Continua depois da publicidade
A análise revelou diferenças expressivas no impacto ambiental conforme a formulação e o método de processamento. Dietas com maior impacto podem emitir de 65 a mais de 160 vezes mais GEE do que aquelas com melhor desempenho ambiental.
  As rações secas convencionais, por utilizarem maior proporção de grãos e subprodutos, apresentaram o menor impacto, com emissões medianas inferiores a 1 kg de CO₂ equivalente por 1.000 calorias (kgCO₂eq/1.000 kcal). Em contrapartida, dietas úmidas e, sobretudo, cruas figuram entre as mais emissoras, com as cruas atingindo uma mediana de 4,7 kgCO₂eq/1.000 kcal.
  O maior impacto foi observado em dietas que incluem carne bovina, alcançando 25,36 kgCO₂eq, valor cerca de 70 vezes superior à média das rações secas.   Comparação com a alimentação humana
O estudo também comparou os impactos com diferentes padrões de alimentação humana. As emissões medianas para alimentar um cão de 20,1 kg com comida úmida ou crua superam as de uma dieta humana vegana, ficando abaixo apenas de dietas humanas muito ricas em carne. No caso de dietas cruas com cortes premium, o impacto pode exceder o de uma dieta humana carnívora.
  Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a população canina mundial fosse alimentada nos mesmos moldes e quantidades dos cães do Reino Unido, as emissões globais poderiam se equiparar às da aviação comercial mundial em um ano.   Papel dos ingredientes e desafios para o setor
O principal fator por trás das diferenças de emissão, segundo o estudo, é a substituição de subprodutos animais por cortes nobres de carne. Dietas premium, sem grãos ou cruas tendem a utilizar ingredientes que demandam mais recursos ambientais, enquanto rações secas convencionais aproveitam subprodutos, maximizando o uso do animal abatido.
  'Como cirurgião-veterinário que trabalha com sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de cães como 'lobos' carnívoros e o desejo de reduzir os danos ao meio ambiente', afirmou John Harvey, veterinário pesquisador da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. 'Nossa pesquisa mostra o quão grande e variável é o impacto climático da ração para cães', acrescenta.
  Para a indústria de pet food, Harvey aponta que o uso de cortes normalmente não consumidos por humanos e uma rotulagem clara podem ajudar a equilibrar saúde animal e redução da pegada ambiental, oferecendo informações mais transparentes para a tomada de decisão dos tutores. Fonte: Panorama Pet & Vet

Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo
Tecnologia

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Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

Por Maria Candelaria Carbajo

O que são gêmeos digitais e em que usam atualmente?
Um gêmeo digital é uma réplica virtual dinâmica de um ativo físico, um processo ou um sistema de produção inteiro. Ao contrário de uma simulação estática, o gêmeo digital é continuamente alimentado com dados reais de sensores e sistemas de controle, permitindo que ele reflita o estado atual do processo e antecipe seu comportamento futuro.

Segundo a IBM, os  gêmeos digitais são atualmente usados na manufatura para melhorar a eficiência operacional, otimizar processos, reduzir falhas, acelerar o desenvolvimento de produtos e possibilitar manutenção preditiva. No campo industrial, sua aplicação abrange desde linhas de produção individuais até plantas completas, integrando variáveis de operação, consumo de energia, qualidade e desempenho de equipamentos, bem como no planejamento de plantas, testes virtuais de novos produtos, otimização de  layouts e controle de processos complexos, entre outros.
Da simulação à tomada de decisão preditiva
O avanço dos gêmeos digitais está intimamente ligado à convergência entre simulação de processos, sensores industriais, inteligência artificial e computação em nuvem. Essa integração permite que os fabricantes migrem de um modelo reativo, baseado em amostragem manual e ajustes subsequentes, para uma abordagem preditiva e preventiva.

De acordo com um artigo da StartUs Insights, o mercado de gêmeos digitais aplicados à manufatura pode atingir USD 714.000 milhões até 2032, impulsionado pela necessidade de otimizar processos complexos e reduzir ineficiências operacionais. O mesmo relatório indica que mais de 81% das empresas globais já estão explorando ativamente o metaverso industrial, e que 62% aumentaram seus investimentos nessas tecnologias no último ano.

Esses números refletem uma mudança estrutural: a simulação não se limita mais ao projeto, tornando-se uma ferramenta central para a gestão diária da planta.

O estudo Digital Twins applications in the food industry: a review identifica quatro principais abordagens para a aplicação dos digital twins na indústria alimentícia, definidas por sua função dentro do sistema de produção. Primeiro, gêmeos digitais com abordagem de previsão são usados para antecipar o comportamento futuro de processos ou equipamentos, com base na análise de dados históricos e condições atuais, permitindo que desvios, insuficiências ou falhas sejam previstos antes que ocorram. Segundo, modelos de simulação reativos permitem monitorar o processo em tempo real e responder de forma autônoma a desvios, ajustando variáveis operacionais e recomendando ações corretivas ou preventivas. Uma terceira abordagem é o comissionamento virtual, onde gêmeos digitais são usados para testar, validar e otimizar novas tecnologias, equipamentos ou configurações de plantas em um ambiente virtual antes de sua implementação física. Por fim, a abordagem de simulação baseada em sincronização mantém o gêmeo digital alinhado em tempo real ou quase em tempo real com o sistema físico, criando uma representação altamente precisa do processo, especialmente valiosa para analisar cenários, otimizar operações e melhorar a tomada de decisão em sistemas complexos.
Como os gêmeos digitais contribuem para a indústria de ração para pets?
Se focarmos estritamente na indústria de alimentos para pets, a variabilidade das matérias-primas é um dos principais fatores que impactam a qualidade final do produto. Ingredientes como cereais, farinhas proteicas, gorduras e subprodutos de origem animal apresentam flutuações naturais em umidade, teor proteico, gordura e granulometria.
De acordo com uma análise técnica publicada pela Haskell, essas variações afetam diretamente operações críticas como extrusão e secagem, influenciando atributos como textura, densidade, estabilidade nutricional e vida útil do produto. Métodos tradicionais de controle geralmente detectam essas variações quando o produto já foi fabricado, gerando retrabalho, desperdício e perdas de eficiência. Por outro lado, os gêmeos digitais permitem que você antecipe esses efeitos antes que impactem o produto final.

Em ração para pets, um gêmeo digital é construído a partir de modelos que representam o comportamento térmico, mecânico e dinâmico de cada operação de unidade: mistura, condicionamento, extrusão, secagem e resfriamento. Esses modelos são alimentados em tempo real com dados de sensores instalados na fábrica, como medições de umidade dos ingredientes, temperatura do canhão do extrusor, velocidade do parafuso, pressão, fluxo de ar e parâmetros do secador. Essa informação sincroniza o modelo virtual com o processo real, criando uma representação viva da planta em operação.

Em sistemas de controle em circuito fechado, os gêmeos digitais não apenas observam o processo, mas também preveem como uma variação da matéria-prima impactará o produto final e ajustam automaticamente os parâmetros operacionais para compensá-lo, mesmo antes do ingrediente entrar no extrusor.
Benefícios de sua implementação   A implementação dos gêmeos digitais traz benefícios concretos em múltiplos níveis. Primeiramente, melhora significativamente a consistência do produto, reduzindo a variabilidade de lote para lote, um fator chave para a confiança do consumidor e para a reputação da marca.
  Além disso, ao evitar a produção fora das especificações, diminui o desperdício de matérias-primas e energia. Essa abordagem também possibilita otimizar o consumo de energia e aumentar o desempenho sem comprometer a qualidade, impactando diretamente os custos operacionais.

Outro benefício estratégico é a aceleração do desenvolvimento de novos produtos. As formulações podem ser testadas virtualmente, avaliando seu comportamento no processo antes da realização dos testes físicos, o que reduz o tempo, riscos e custos associados aos testes industriais.

Além disso, há a possibilidade de integrar manutenção preditiva, usando gêmeos digitais para detectar desvios no desempenho dos equipamentos e antecipar falhas, evitando paradas não planejadas.
Gêmeos digitais, uma tecnologia chave para construir plantas verdadeiramente conectadas
A adoção dos gêmeos digitais marca um ponto de virada na forma como as fábricas de produção de ração para pets são gerenciadas. Não se trata mais apenas de automatizar, mas de entender o processo em profundidade, antecipar desvios e tomar decisões baseadas em dados reais e comparáveis.

Em um cenário onde eficiência, sustentabilidade e qualidade são cada vez mais decisivas, os gêmeos digitais são consolidados como uma ferramenta estratégica para fabricantes que buscam escalar, se diferenciar e construir plantas verdadeiramente conectadas e resilientes. Por Candelaria Carbajo – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
Gallagher, Nick (Actualizado el  17 de octubre del 2025) What is a Digital Twin? IBM
Prasser, David R. (July 21, 2025). Future of Manufacturing: 13 Trends Driving 2026-2035 Growth. StarUs Insights
Abdurrahman, Emadaldin Elfatih M. & Ferrari, Giovanna. (3 de abril de 2025). Digital Twin applications in the food industry: a review. Frontiers
Haskell. (19 de diciembre de 2025). A Process Engineering Perspective on Digital Twins in Pet Food Manufacturing.

Mix feeding: a mistura de secos e úmidos no manejo nutricional de cães e gatos
Mix feeding

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Mix feeding: a mistura de secos e úmidos no manejo nutricional de cães e gatos

Nas prateleiras de lojas especializadas no segmento pet é possível encontrar uma ampla variedade de alimentos para cães e gatos. Dentre eles, alternativas secas e úmidas, que podem ser utilizadas em conjunto ou separadas. 
  O mix feeding consiste na oferta dos dois formatos de alimento na rotina do animal, geralmente, misturando alimento seco e alimento úmido, seja ele em lata, sachê ou comida caseira. 

'Essa prática ganhou força porque une o melhor dos dois mundos: a praticidade do seco com a maior hidratação e palatabilidade do úmido. Em gatos, especialmente, o úmido ajuda a aumentar o consumo de água — algo muito relevante para saúde urinária', explica Carla Maion, médica-veterinária pós-graduada em Nutrição de cães e gatos. 
  Esse modelo também é adotado por muitos responsáveis pelos animais, graças à procura por mais variedade e qualidade sensorial na alimentação de cães e gatos. 
  Dentre as vantagens do mix feeding pode-se citar: maior ingestão de água, principalmente para gatos, melhora do apetite em animais mais seletivos e a possibilidade de fracionar adequadamente as calorias ao longo do dia e tornar a refeição mais atrativa.Já as desvantagens, segundo a especialista, surgem quando não há cálculo adequado das calorias ou quando as dietas não estão balanceadas, citando especificamente as dietas caseiras. 
  'O erro mais comum é o excesso calórico. Muitas vezes, o alimento úmido é incluído na alimentação como 'extra' e não substitui parte da ração. Outro ponto é que alguns alimentos úmidos são apenas complementares e não completos. Isso pode desbalancear a dieta se não houver atenção ao rótulo', cita.   Avaliar os rótulos é fundamental 
De modo geral, os alimentos secos são completos e balanceados para fornecer a nutrição adequada a cães e gatos. 
  No entanto, ao optar pelo mix feeding é essencial verificar se as opções escolhidas são adequadas para a fase de vida e o gasto energético atual do pet. 
  A veterinária explica que há muitas opções de alimentos secos e úmidos completos para manutenção nutricional e até versões indicadas como coadjuvantes em tratamentos de determinadas doenças. 
  'O ponto principal é conferir no rótulo se o alimento é completo e balanceado. Produtos chamados de 'topper' ou 'complementares' não devem substituir parte relevante da caloria sem orientação. Porém, podem ser oferecidos como veículos de água ou coberturas para aumentar o interesse pela refeição em casos de animais mais seletivos', pontua. 
  Também é importante calcular a necessidade calórica diária e dividir corretamente as quantias entre alimento seco e úmido. 
  Além disso, Maion esclarece que deve-se considerar a condição corporal, presença de doenças ou particularidades, rotina do responsável e comportamento alimentar do pet ao optar por esse tipo de dieta.   Quando implementar a técnica    Alguns animais podem se beneficiar mais com o mix feeding do que outros. Citando espécies, os felinos são os que mais aproveitam a técnica, especialmente devido às suas restrições com relação à hidratação. 
  'Eles naturalmente bebem pouca água, então o alimento úmido ajuda bastante. Já os cães também se adaptam bem, mas o impacto fisiológico do mix feeding costuma ser mais significativo nos felinos', explica a profissional. 
  Outro ponto importante é que os gatos não se adaptam tão bem a dietas caseiras como cães. Logo, na alimentação deles é indicado dar preferência aos sachês e alimentos enlatados em mousse.
  A mistura de secos e úmidos também pode ser uma ótima estratégia para aumentar a palatabilidade dos alimentos, mas exige atenção. 
  Carla explica que em casos como doença renal, alergias alimentares ou problemas urinários os dois alimentos precisam ser compatíveis com a condição clínica. 
  Já em dietas de eliminação, por exemplo, não se deve misturar alimentos diferentes, pois isso compromete o diagnóstico. 
  'O mix feeding deve ser evitado quando o responsável pelo animal não consegue controlar porções com precisão, quando não se adapta a rotina da família ou quando há a possibilidade de o alimento úmido ficar exposto por muito tempo', pontua.   Qualidade associada a porções corretas 
A partir do momento que o animal está ingerindo alimentos secos e úmidos em sua dieta ele já está realizando o mix feeding. No entanto, não é o formato que determina qualidade nutricional e, sim, a formulação de ambas as escolhas.
  De acordo com a especialista, a base dessa técnica é calcular as calorias diárias necessárias ao animal e dividi-las corretamente entre os dois alimentos. 
  'O úmido não pode ser 'acréscimo', ele deve substituir parte da ração. Também é importante incluir petiscos no cálculo total. O acompanhamento do peso e do escore corporal deve ser regular e eu geralmente peço retorno em três semanas para ver se tudo correu bem e como foram as mudanças naquela família', esclarece.
  Dessa forma, primeiramente, é indicado verificar se ambos os alimentos são completos e adequados para a fase de vida do animal. Em seguida, deve-se observar a densidade energética (quantas calorias por grama ou por lata). 
  Para definir as porções é preciso calcular a necessidade energética diária do pet e determinar a proporção entre alimento seco e úmido (por exemplo, 50% das calorias de cada). 
  Logo depois, segundo Maion, convertem-se as calorias em gramas de ração e quantidade de lata/sachê, conforme a informação do fabricante. Já os ajustes devem ser feitos conforme a resposta do pet e de acordo com a rotina da família. Também é fundamental deixar as quantidades bem claras para evitar erros. 
  Inclusive, todo o cálculo alimentar do animal deve ser definido junto com o médico-veterinário. 
  'A introdução do mix feeding deve ser gradual, substituindo pequenas quantidades do alimento atual ao longo de alguns dias (geralmente, entre quatro e cinco dias são suficientes). Em gatos mais sensíveis, a adaptação pode precisar de um período maior (de sete a 12 dias). Mudanças bruscas aumentam risco de êmese e disbiose e não são indicadas em nenhum momento, a não ser em casos de internação ou urgências', conclui. Fonte: Cães e Gatos

Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina
Nutrição

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Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina

A osteoartrite (OA) é uma doença articular crônica, de caráter progressivo e degenerativo, frequentemente diagnosticada em cães de raças grandes, obesos, idosos, bem como naqueles com predisposição genética, como os Labradores Retrievers e os Pastores Alemães. Os sinais clínicos mais comumente observados incluem dor articular, limitação de movimento, crepitação e inflamação, resultando em restrição da atividade física e recusa à realização de atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, comprometendo significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais acometidos.

Dentre as opções de tratamento convencionais, estão incluídas as cirurgias das articulações afetadas e o controle da dor com administração de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), cujos benefícios clínicos em termos de analgesia e melhora funcional são amplamente reconhecidos. No entanto, o uso prolongado desses medicamentos pode ser associado a eventos adversos relevantes, incluindo toxicidade renal e hepática, bem como complicações gastrointestinais. Além disso, a eficácia terapêutica depende não apenas da farmacodinâmica do princípio ativo, mas também da adesão ao tratamento, que está diretamente ligada à palatabilidade e facilidade de administração do medicamento. Diante dessas limitações, cresce o interesse por tratamentos complementares e menos invasivos, como a utilização de nutracêuticos e suplementos alimentares.

Os nutracêuticos são produtos bioativos com potencial terapêutico, amplamente utilizados no manejo da OA em cães. Entre os compostos estudados como alternativas terapêuticas destacam-se a glucosamina, o sulfato de condroitina, o colágeno tipo II não desnaturado, os ácidos graxos ômega-3 e os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD). Esses agentes são utilizados com o objetivo de modular processos inflamatórios, estimular a regeneração e manutenção da cartilagem articular, reduzir a dor e melhorar a função locomotora.

Diante desse cenário, os petiscos funcionais surgem como um veículo eficaz para a administração desses compostos, sobretudo porque oferecem maior aceitação pelos cães e facilitam o manejo por parte dos tutores, já que regularmente são oferecidos como reforços positivos em treinamentos e/ou como expressões de afeto dos tutores para com seus animais de estimação. Estudos como o de Costa et al. (2025), ao avaliarem a aceitação de diferentes formas farmacêuticas para administração de medicamentos de uso contínuo em cães, com base na percepção dos tutores, demonstraram elevada taxa de aceitação para o biscoito funcional (95%) e para a pasta palatável (90%), seguidos pelo sachê em pó (75%), suspensão oral (60%) e cápsula (35%). As apresentações associadas diretamente à alimentação exibiram desempenho superior em termos de adesão, ao passo que cápsulas apresentaram menor aceitabilidade, sobretudo entre cães de pequeno porte. A palatabilidade elevada, característica natural dos petiscos, contribui para uma adesão terapêutica superior quando comparada à suplementação tradicional em cápsulas ou pós, que frequentemente é rejeitada pelos animais ou esquecida pelos tutores. Outro benefício relevante está na padronização das doses: cada unidade do petisco pode ser formulada para conter concentrações exatas de bioativos, garantindo precisão na ingestão e facilitando o acompanhamento terapêutico. 

Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e processamento de petiscos funcionais enfrenta também desafios e exige atenção a aspectos tecnológicos e nutricionais uma vez que a eficácia dos bioativos depende fortemente dos ingredientes utilizados e do processamento utilizado ao longo da sua fabricação.

A matriz alimentar do petisco pode influenciar positivamente ou negativamente a biodisponibilidade dos nutrientes. Formulações com teores adequados de lipídios, por exemplo, auxiliam na absorção de compostos lipossolúveis como EPA e DHA. Da mesma forma, ingredientes funcionais adicionais (fibras fermentáveis, prebióticos, antioxidantes) podem exercer efeitos complementares à função articular e inflamatória.

Muitos compostos utilizados no manejo da OA são sensíveis ao calor, oxidação e umidade, ou seja, diferentes métodos de fabricação influenciam diretamente a integridade, a estabilidade e a biodisponibilidade dos ingredientes nutracêuticos adicionados. 

A extrusão, principal método na indústria pet food, expõe os ingredientes a altas temperaturas e pressões que podem degradar compostos essenciais para a eficácia terapêutica. O assamento prolongado, por sua vez, intensifica reações de Maillard e oxidação lipídica, reduzindo a funcionalidade de ativos sensíveis. A moldagem a frio surge como uma alternativa atraente, mas apresenta limitações relacionadas à vida útil, segurança microbiológica e custos operacionais. Dessa forma, o desafio está em adaptar tecnologias tradicionais de fabricação para minimizar a degradação dos bioativos, sem prejudicar textura, palatabilidade e segurança.

Para minimizar perdas funcionais, a indústria adota tecnologias como microencapsulação, coating pós-processamento e controle rigoroso de atividade de água e oxidação. Fábricas modernas utilizam extrusoras de baixa temperatura, linhas híbridas de produção, NIR em linha para monitoramento contínuo e embalagens inteligentes que prolongam a vida útil dos nutracêuticos. A modelagem computacional também otimiza parâmetros industriais, garantindo maior preservação dos ativos.

As inovações industriais aplicadas às fábricas de pet food têm desempenhado papel central na viabilização dos petiscos terapêuticos destinados ao manejo da osteoartrite. A integração entre tecnologia avançada, processos industriais otimizados e saúde animal garante não apenas a estabilidade dos compostos bioativos como também a eficácia dos mesmos, representando uma estratégia nutricional segura, prática e altamente aderente para tutores e profissionais veterinários, contribuindo de maneira significativa para o controle da dor, inflamação e progressão da doença.

Esse movimento acompanha o crescimento acelerado do mercado pet premium, impulsionado por tutores que procuram soluções de saúde preventiva e produtos com maior valor agregado. 

Dessa forma, os petiscos funcionais deixam de ser apenas snacks palatáveis e passam a ocupar posição estratégica como parte de tratamentos complementares, enquanto as fábricas beneficiam-se de tecnologias que promovem eficiência operacional, redução de perdas e inovação contínua, tornando-se protagonista no desenvolvimento de soluções nutricionais mais sustentáveis, rastreáveis e personalizadas. Por Flávia Lavach
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências bibliográficas
ALEXANDRU, C. B.; SORANA, D.; ADRIAN, M. The science of snacks: a review of dog treats. Frontiers in Animal Science, v. 5, 2024.
COSTA, M. B. F.; CHAMELETE, M. O.; MARTINEZ, M. S. de S. S.; ANDRADE, T. U. de. Palatability test of different pharmaceutical forms for administration of continuous-use medications in dogs: evaluation by owners. Observatório de la Economia Latinoamericana, [S. l.], v. 23, n. 9, p. e11390, 2025.
DE GODOY, M. R. C. et al. In vitro disappearance characteristics of selected categories of commercially available dog treats. Journal of Nutritional Science, v. 3, p, 47, 2014. 
GAMBLE, L. J. et al. Pharmacokinetics, Safety, and Clinical Efficacy of Cannabidiol Treatment in Osteoarthritic Dogs. Frontiers Veterinary Science, v. 23, p. 5-16, 2023.
KHAN, S. A. e MCLEAN, M. K. 2012. Toxicology of frequently encountered nonsteroidal anti inflammatory drugs in dogs and cats. Veterinary Clinics North America Small Animal Practice , v. 42(2), p. 289-306, 2012.
KIM, J. et al. Effect of microencapsulation on viability of probiotic in functional dog treats. Veterinary Research Communications, v. 43, n. 2, p. 91-101, 2019.
MATA, F. e DORMER, L. The efficacy of neutraceuticals to alleviate dog osteoarthritis symptoms, a meta analysis of case-control trials. Veterinary Archive Science, v. 93, p. 351-360, 2023.
OBA, P. et al. Nutrient and Maillard reaction product concentrations of commercially available pet foods and treats. Journal of Animal Science, v. 100, p. 11, 2022.
 


A base de insetos

A base de insetos Estudo aponta boa aceitação de alimentos úmidos à base de insetos por cães

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Estudo aponta boa aceitação de alimentos úmidos à base de insetos por cães

Ingredientes derivados de insetos vêm sendo explorados como fontes alternativas de proteína na nutrição pet.    Além do potencial funcional, essas matérias-primas têm despertado interesse da indústria por sua versatilidade em formulações úmidas e secas.
  Um estudo recente avaliou a aceitação de alimentos úmidos para cães contendo ingredientes à base de insetos comercializados sob as marcas PureeX e ProteinX, desenvolvidas pela Protix. 
  Os resultados indicaram que tanto a dieta totalmente à base de insetos quanto a formulação híbrida — combinando inseto e frango — foram prontamente consumidas pelos animais participantes.   Como o estudo foi conduzido
O ensaio incluiu 170 cães de pequeno e médio porte, todos domiciliados. Segundo o resumo técnico, essas categorias foram selecionadas por serem frequentemente consideradas mais seletivas em relação à alimentação.
  Foram avaliadas duas dietas. A primeira era composta exclusivamente por ingredientes derivados da larva de mosca-soldado-negra (Hermetia illucens), combinando PureeX — descrito como ingrediente minimamente processado — e ProteinX, uma farinha de inseto. 
  A segunda era uma formulação híbrida que unia os mesmos ingredientes de inseto a frango fresco.
  Cada responsável ofereceu uma das dietas por dois dias consecutivos e, em seguida, realizou a troca para a outra formulação por mais dois dias. 
  Durante o período do teste, os participantes não foram informados sobre a composição dos produtos.
  Ao final de cada etapa, os responsáveis avaliaram o consumo dos cães. Segundo o relatório, ambas as formulações foram consideradas altamente aceitas, sem diferença estatisticamente significativa na ingestão entre a dieta 100% inseto e a híbrida.   Avaliação comportamental e percepção sensorial
Além do volume consumido, o estudo analisou o comportamento dos cães antes, durante e após as refeições. 
  Entre as respostas associadas à aceitação positiva estavam abanar o rabo antes da oferta do alimento, consumir toda a porção e lamber os lábios após a refeição. Esses comportamentos foram registrados em ambas as dietas.
  Os responsáveis também avaliaram atributos sensoriais como textura, aroma e aparência. As duas formulações receberam nota média sete, em uma escala de zero a dez, para esses critérios.
  Quando questionados sobre recomendação, 82% afirmaram que indicariam a dieta totalmente à base de insetos, enquanto 81% disseram que recomendariam a formulação híbrida com frango.
  Segundo a fabricante, o PureeX é indicado para aplicações em alimentos úmidos e também pode ser incluído em formulações extrusadas secas, estando disponível nas versões fresca e congelada. Já o ProteinX é comercializado como ingrediente protéico em forma de farinha.   Proteína alternativa em expansão
Proteínas de insetos têm sido estudadas como alternativas às fontes tradicionais, com potencial para contribuir em formulações que buscam diversificação de ingredientes. 
Além do perfil nutricional, fabricantes destacam aspectos funcionais e de sustentabilidade como diferenciais desse tipo de matéria-prima.   FAQ sobre alimentos úmidos com proteína de inseto
Cães aceitam bem alimentos com proteína de inseto?
Segundo o estudo, tanto a formulação 100% inseto quanto a híbrida com frango foram prontamente consumidas.
  Houve diferença de consumo entre as dietas testadas?
Não. O relatório aponta que não foi observada diferença significativa na ingestão.
  Proteína de inseto pode substituir proteínas tradicionais?
Ela vem sendo estudada como fonte alternativa, mas a escolha da dieta deve sempre considerar orientação durante consulta veterinária. Fonte: Cães & Gatos

A base de insetos Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

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Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

Acontece que seu instinto de sentir nojo pode estar ultrapassado. Insetos não são mais apenas petiscos acidentais. Eles estão aparecendo como ingrediente principal em rações para cães. Ração à base de grilos. Receitas à base de larvas. E não, isso não é um experimento marginal. Ração para cães à base de insetos está se tornando uma opção legítima para donos de animais de estimação nos EUA e no Canadá.
  Mas será que é seguro? Será que o seu cão realmente receberá os nutrientes de que precisa? E, mais importante ainda, será que ele vai sequer comer?   O que é, de fato, a ração para cães à base de insetos?
Para que fique claro: você não está despejando um monte de grilos vivos na tigela do seu cachorro. A ração para cães à base de insetos utiliza grilos ou larvas como principal fonte de proteína, processados ​​e formulados para atender às necessidades nutricionais dos cães em diferentes fases da vida.
  Os filhotes precisam de cerca de 22% de proteína na dieta. Os adultos precisam de cerca de 18%. Proteína em excesso, acima de 30%, pode causar problemas. Os insetos são ricos em proteínas o suficiente para atingir essas metas, mas a alimentação ainda precisa ser balanceada com gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais. Um grilo sozinho não é uma refeição completa. Uma ração seca bem formulada à base de grilos pode ser.   A proteína de insetos é realmente segura?
Sim, com uma ressalva. Estudos sugerem que grilos e larvas fornecem proteína de alta qualidade que os cães conseguem digerir e com a qual se desenvolvem bem. Para a maioria dos cães, a proteína de insetos é uma alternativa viável à carne bovina, de frango ou de cordeiro.
  A ressalva? As pesquisas de longo prazo ainda estão em andamento. Ainda não temos décadas de dados sobre o que acontece quando os cães se alimentam com dietas à base de insetos durante toda a vida. Mas, com base no que sabemos agora, a proteína de insetos é geralmente segura e nutricionalmente adequada para cães saudáveis.
Por que as pessoas estão optando por alimentos à base de insetos?
O apelo vai além de simplesmente "funciona". Existem alguns motivos pelos quais a proteína de insetos está ganhando popularidade.
  É muito mais sustentável. A criação de insetos requer uma fração da água, da terra e dos recursos necessários para a criação de gado ou aves. Se o impacto ambiental é importante para você, esta é uma das fontes de proteína mais ecológicas disponíveis.
  Isso contorna as preocupações éticas. Alguns donos de animais de estimação não se sentem confortáveis ​​com as práticas convencionais de criação de animais. Os insetos oferecem uma maneira de alimentar seus cães sem apoiar esses sistemas.
  Funciona para cães com alergias. Cães alérgicos a carne bovina, frango ou peixe podem tolerar a proteína de insetos sem problemas. É uma proteína verdadeiramente nova — o que significa que a maioria dos cães nunca foi exposta a ela antes, reduzindo a probabilidade de desencadear uma reação.
  Resumindo, a ração para cães à base de insetos pode ser mais amigável ao planeta e menos agressiva para estômagos sensíveis.   As desvantagens que você precisa conhecer
A ração para cães à base de insetos não está isenta de desvantagens. Para começar, é cara e nem sempre fácil de encontrar. Muitas marcas só estão disponíveis online e são vendidas em embalagens menores, o que aumenta o custo em comparação com a ração tradicional.
  Seu cachorro também pode detestar. Cães têm preferências, e alguns vão rejeitar alimentos à base de insetos, não importa o quão nutritivos sejam. O paladar importa, e nem todos os cachorros vão gostar.
  Também existe uma preocupação potencial para cães com alergia a frutos do mar. As proteínas dos insetos compartilham algumas semelhanças com as proteínas dos frutos do mar, portanto, reações alérgicas são possíveis. Se o seu cão tem histórico de sensibilidade a frutos do mar, proceda com cautela e consulte o veterinário primeiro.
  Por fim, ainda estamos aprendendo sobre os riscos a longo prazo. Questões relacionadas à contaminação bacteriana, resistência a antibióticos e outros impactos na saúde ainda não foram totalmente respondidas. Isso não significa que o alimento seja inseguro — significa apenas que a pesquisa está em andamento.
Como mudar a alimentação do seu cão para uma dieta à base de insetos
Se você decidir experimentar, não troque a ração do seu cachorro de uma hora para outra. Mesmo cães saudáveis ​​podem ter problemas estomacais com mudanças repentinas na dieta. A abordagem mais segura é uma transição gradual ao longo de 5 a 7 dias.   Comece devagar: No primeiro dia, misture 25% de alimento à base de insetos com 75% da ração atual do seu cão.
  Aumente gradualmente: Nos próximos dias, aumente lentamente a proporção de alimentos à base de insetos até que seu cão esteja consumindo 100% deles.
  Fique atento às reações: Monitore a energia, a qualidade das fezes e o apetite do seu cão durante todo o período de transição.
  E antes de fazer qualquer alteração na dieta, especialmente se o seu cão tiver problemas de saúde ou histórico de sensibilidade alimentar, consulte primeiro o seu veterinário.   É adequado para o seu cão?
A proteína de insetos faz parte de uma categoria crescente de proteínas inovadoras que também inclui carne de veado, bisão e até mesmo jacaré. É particularmente útil para cães com alergias alimentares, mas tem um preço mais elevado.
  Se você está pensando em mudar para uma ração diferente, procure marcas que sigam as diretrizes da AAFCO ( Associação Americana de Oficiais de Controle de Alimentos para Animais ). Esses padrões garantem que o alimento atenda às necessidades nutricionais básicas dos cães. Faça a transição gradualmente. E converse com seu veterinário, principalmente se tiver alguma dúvida sobre as necessidades de saúde específicas do seu cão.
  Muitos cães se adaptam muito bem a dietas à base de insetos. É seguro, sustentável e, para alguns filhotes, resolve problemas que as proteínas tradicionais não conseguiam solucionar.   Conclusão
Alimentos para cães à base de insetos podem parecer estranhos à primeira vista, mas são uma opção legítima e aprovada por veterinários para muitos cães. Com a orientação adequada, uma introdução gradual e atenção à qualidade, seu cão pode desfrutar de uma dieta rica em proteínas e que também é benéfica para o planeta.

Experimentar algo novo não precisa ser arriscado. Às vezes, é apenas o próximo passo para descobrir o que funciona melhor para o seu cão e para o mundo em que ele vive.
  Fonte: dogster


Sustentabilidade

Sustentabilidade Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food
 

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Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food  

O uso de inteligência artificial (IA) na indústria pet food tem crescido rapidamente, impulsionado pela busca por eficiência, inovação e vantagem competitiva. 
  No entanto, especialistas alertam que a adoção indiscriminada da tecnologia pode comprometer a credibilidade das estratégias de sustentabilidade — um tema cada vez mais relevante para responsáveis e empresas do setor.

Embora a IA ofereça benefícios importantes, como otimização de formulações e melhoria na cadeia produtiva, seu impacto ambiental e social ainda é pouco discutido de forma transparente.   Infraestrutura da IA traz impactos ambientais relevantes
Por trás das soluções digitais, existe uma infraestrutura robusta que demanda alto consumo de energia, água e espaço físico. 
  Data centers — essenciais para o funcionamento da IA — exigem grande quantidade de eletricidade, muitas vezes proveniente de fontes não renováveis, além de sistemas intensivos de resfriamento.
  Esse cenário pode gerar impactos como aumento das emissões de carbono, pressão sobre recursos hídricos e alterações no uso do solo. 
  Em algumas regiões, comunidades próximas a essas estruturas também enfrentam consequências indiretas, como competição por recursos naturais.
  Além disso, a cadeia produtiva da tecnologia envolve questões sociais, incluindo condições de trabalho na construção e manutenção de infraestrutura e na extração de minerais para equipamentos.   Benefícios existem, mas exigem uso estratégico
Apesar dos desafios, a inteligência artificial também pode contribuir para práticas mais sustentáveis quando aplicada de forma direcionada. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento ambiental, otimizar o uso de recursos e aumentar a eficiência produtiva.
  No setor pet food, isso se traduz em aplicações como:
  redução de desperdício de ingredientes por meio de formulações mais precisas; manutenção preditiva de equipamentos, evitando perdas e consumo excessivo de energia; otimização logística, com potencial de reduzir emissões no transporte.
  No entanto, esses benefícios dependem de um uso estratégico. Quando adotada apenas por tendência ou pressão de mercado, a IA pode não gerar ganhos reais suficientes para compensar seus impactos.   Pressão por inovação pode distorcer decisões
A rápida adoção da IA em diferentes setores criou um ambiente competitivo em que empresas sentem necessidade de implementar a tecnologia para não ficarem para trás. Esse movimento, muitas vezes guiado pelo chamado 'fear of missing out' (FOMO), pode levar a decisões pouco fundamentadas.
  Pesquisas indicam que a IA melhora desempenho em tarefas dentro de sua capacidade, aumentando velocidade e qualidade. Por outro lado, pode reduzir a precisão em atividades mais complexas, especialmente quando utilizada sem critério.
  No setor pet, esse cenário pode incentivar uma 'corrida pela inovação', em que a adoção da tecnologia também funciona como sinal de modernidade para consumidores e investidores — nem sempre acompanhada de benefícios concretos.   Sustentabilidade exige olhar para impactos invisíveis
Um dos principais desafios é que grande parte dos impactos ambientais da IA não aparece diretamente nas operações das empresas que utilizam a tecnologia. 
  Esses custos ficam concentrados em provedores de nuvem, produção de hardware e sistemas energéticos — o que dificulta sua mensuração nos relatórios corporativos.
  Esse fenômeno, conhecido como externalidade, pode levar a uma percepção distorcida dos benefícios da IA. Enquanto os ganhos operacionais são visíveis, os impactos ambientais e sociais ficam diluídos na cadeia.
  Para um setor que cada vez mais aposta na sustentabilidade como posicionamento, ignorar esses fatores pode representar um risco reputacional. 
  Responsáveis estão mais atentos ao ciclo completo dos produtos, incluindo aspectos que vão além da formulação e embalagem.   Caminho está no uso consciente da tecnologia
Especialistas apontam que o caminho não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em adotá-la de forma criteriosa. 
  Priorizar aplicações que tragam ganhos mensuráveis — ambientais e operacionais — e evitar implementações motivadas apenas por tendência pode ser a chave para equilibrar inovação e responsabilidade.
  Além disso, reconhecer e incorporar os impactos indiretos da tecnologia nas estratégias de sustentabilidade tende a se tornar cada vez mais necessário para empresas que desejam manter credibilidade junto ao mercado.   FAQ sobre uso de IA no setor de pet food
A inteligência artificial pode ser sustentável no setor pet food?
Sim, desde que seja utilizada com objetivos claros, como reduzir desperdícios e otimizar processos produtivos.
  Quais são os principais impactos ambientais da IA?
Consumo elevado de energia, uso intensivo de água e impactos associados à infraestrutura de data centers.
  Por que o uso excessivo de IA pode ser um problema?
Quando adotada sem estratégia, a tecnologia pode gerar impactos ambientais que não são compensados por benefícios reais, além de comprometer a credibilidade das empresas. Fonte: Cães & Gatos

Sustentabilidade Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa
 

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Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa  

Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production, indica que rações premium para cães, especialmente as úmidas, cruas e com alto teor de carne, apresentam emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente superiores às da ração seca convencional. A pesquisa avaliou quase 1.000 produtos comerciais disponíveis no mercado do Reino Unido.
  De acordo com os pesquisadores, a produção de ingredientes para a alimentação canina no país responde por cerca de 1% das emissões totais de GEE. O levantamento também aponta que cães alimentados com dietas premium ricas em carne podem ter pegadas de carbono dietéticas maiores do que as de seus próprios tutores.   Cálculo da pegada de carbono
O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e Exeter (Inglaterra), que calcularam as emissões considerando os gases gerados durante a produção dos alimentos. As estimativas utilizaram informações de rotulagem de ingredientes e nutrientes, abrangendo rações secas, úmidas e cruas, além de opções à base de plantas e sem grãos.   Continua depois da publicidade
A análise revelou diferenças expressivas no impacto ambiental conforme a formulação e o método de processamento. Dietas com maior impacto podem emitir de 65 a mais de 160 vezes mais GEE do que aquelas com melhor desempenho ambiental.
  As rações secas convencionais, por utilizarem maior proporção de grãos e subprodutos, apresentaram o menor impacto, com emissões medianas inferiores a 1 kg de CO₂ equivalente por 1.000 calorias (kgCO₂eq/1.000 kcal). Em contrapartida, dietas úmidas e, sobretudo, cruas figuram entre as mais emissoras, com as cruas atingindo uma mediana de 4,7 kgCO₂eq/1.000 kcal.
  O maior impacto foi observado em dietas que incluem carne bovina, alcançando 25,36 kgCO₂eq, valor cerca de 70 vezes superior à média das rações secas.   Comparação com a alimentação humana
O estudo também comparou os impactos com diferentes padrões de alimentação humana. As emissões medianas para alimentar um cão de 20,1 kg com comida úmida ou crua superam as de uma dieta humana vegana, ficando abaixo apenas de dietas humanas muito ricas em carne. No caso de dietas cruas com cortes premium, o impacto pode exceder o de uma dieta humana carnívora.
  Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a população canina mundial fosse alimentada nos mesmos moldes e quantidades dos cães do Reino Unido, as emissões globais poderiam se equiparar às da aviação comercial mundial em um ano.   Papel dos ingredientes e desafios para o setor
O principal fator por trás das diferenças de emissão, segundo o estudo, é a substituição de subprodutos animais por cortes nobres de carne. Dietas premium, sem grãos ou cruas tendem a utilizar ingredientes que demandam mais recursos ambientais, enquanto rações secas convencionais aproveitam subprodutos, maximizando o uso do animal abatido.
  'Como cirurgião-veterinário que trabalha com sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de cães como 'lobos' carnívoros e o desejo de reduzir os danos ao meio ambiente', afirmou John Harvey, veterinário pesquisador da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. 'Nossa pesquisa mostra o quão grande e variável é o impacto climático da ração para cães', acrescenta.
  Para a indústria de pet food, Harvey aponta que o uso de cortes normalmente não consumidos por humanos e uma rotulagem clara podem ajudar a equilibrar saúde animal e redução da pegada ambiental, oferecendo informações mais transparentes para a tomada de decisão dos tutores. Fonte: Panorama Pet & Vet


Nutrição

Nutrição Mercado de alimentação natural para pets deve mais que dobrar até 2033
 

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Mercado de alimentação natural para pets deve mais que dobrar até 2033  

O mercado global de alimentação natural para pets vive um processo acelerado de expansão e consolidação. Impulsionado pela crescente humanização dos animais de estimação e pela busca dos tutores por produtos alinhados às tendências da alimentação humana, o segmento deve saltar de US$ 12,5 bilhões (R$ 61,7 bilhões) em 2024 para US$ 28,7 bilhões (R$ 141,7 bilhões) até 2033, com crescimento anual composto de 9,6%, segundo levantamento da consultoria Marketintelo.
  O estudo aponta que a alimentação natural deixou de ocupar apenas um nicho premiumpara se tornar um segmento estruturalmente relevante dentro da indústria pet. A pesquisa destaca que mais de 60% dos moradores de áreas urbanas já consideram os pets como membros da família, movimento que vem aproximando o comportamento de compra dos tutores das escolhas feitas para a própria alimentação. Conceitos como 'clean label', ingredientes orgânicos e nutrição funcional passaram a ser vistos como diferenciais importantes no setor.
  'Além do aspecto nutricional, o mercado também passa por uma mudança estratégica importante. Os alimentos naturais estão sendo posicionados cada vez mais como ferramentas preventivas de saúde e bem-estar animal, deixando de ser tratados apenas como commodities dentro do varejo pet', relata Ashish Kolte, executivo de marketing da consultoria.
  Apesar do avanço acelerado, o estudo mostra que ainda existe uma distância significativa entre o interesse declarado pelos consumidores e o consumo efetivo desses produtos. Embora mais de 70% dos tutores afirmem preferir alimentos naturais para os pets, a adoção permanece próxima de 40% em escala global.
  Entre os principais obstáculos estão o preço elevado e a dificuldade de fidelização. Segundo o levantamento, os alimentos naturais podem custar entre 30% e 80% mais do que as opções convencionais, fator que limita o consumo recorrente em diferentes mercados. Além disso, aproximadamente um terço dos consumidores volta a utilizar produtos tradicionais poucos meses após testar a alimentação natural.   Outro ponto destacado pela consultoria é a ausência de uma padronização global para o termo 'natural', o que gera confusão entre os consumidores e compromete a confiança no segmento. Para os analistas, muitas vezes o discurso de marketing cresce mais rapidamente do que a diferenciação real dos produtos disponíveis no mercado.   Jovens lideram interesse, mas preço ainda pesa
A pesquisa aponta que millennials e integrantes da geração Z lideram o interesse por produtos premium e de rótulo limpo. Cerca de 65% a 70% dos jovens tutores afirmam estar dispostos a pagar mais por esse tipo de alimentação, mas apenas 35% a 40% mantêm ciclos contínuos de recompra.
  O comportamento revela uma tensão entre aspiração e capacidade financeira, especialmente em mercados emergentes. Mesmo em economias desenvolvidas, muitos consumidores alternam entre alimentos naturais e convencionais conforme o orçamento disponível. O estudo também identifica desafios ligados à adaptação dos animais às novas dietas, já que entre 20% e 25% dos tutores relatam dificuldades na transição alimentar.   E-commerce e sustentabilidade impulsionam expansão
Entre os fatores estruturais que sustentam o crescimento do segmento estão a expansão do comércio eletrônico, a maior preocupação dos tutores com saúde preventiva e o avanço da pauta sustentável no consumo pet.
  O levantamento destaca que o e-commerce de produtos premium cresce acima de 20% e vem ampliando o acesso dos consumidores à alimentação natural. Paralelamente, critérios ligados à sustentabilidade, rastreabilidade e origem ética dos ingredientes passaram a influenciar diretamente a escolha das marcas, sobretudo em mercados mais maduros.
  Segundo a Marketintelo, o consumo da categoria ainda acontece de forma gradual. Muitos tutores começam utilizando os produtos naturais como complemento alimentar ou solução específica para determinadas condições de saúde dos pets, migrando apenas posteriormente para o uso contínuo.   Mercado aposta em nutrição funcional e personalização
O relatório também mostra uma mudança importante no perfil das inovações do setor. Se anteriormente o diferencial estava concentrado em claims como 'orgânico' ou 'grain free', agora o foco passa a ser a nutrição funcional, com produtos direcionados para saúde digestiva, imunidade e dietas específicas.
  Com o aumento da concorrência e a popularização de promessas semelhantes entre diferentes marcas, confiança, transparência e consistência operacional passaram a ser elementos centrais para diferenciação competitiva.
  O estudo ainda aponta que o futuro do mercado deve ser marcado por maior personalização, uso de dados de consumo e modelos baseados em assinaturas. Segundo a consultoria, o crescimento da próxima década dependerá menos da expansão do número de consumidores e mais da capacidade das empresas em reter clientes de maneira sustentável e financeiramente viável.
  Entre as principais empresas citadas no levantamento estão Mars Petcare, Nestlé Purina PetCare, Hill's Pet Nutrition, Freshpet e Wellness Pet Company. Fonte: Panorama Pet&Vet

Nutrição Ingredientes premium impulsionam avanço da nutrição pet
 

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Ingredientes premium impulsionam avanço da nutrição pet  

Em plena expansão, o mercado pet food na América Latina pode gerar um volume de cerca de US$40 bilhões, de acordo com um estudo da Triplethree International. 
  Acompanhando esse crescimento, o Brasil tem se destacado por sua forte capacidade produtiva. Contando com empresas que operam em larga escala, o país se consolida como um dos principais polos globais de produção de alimentos para pets do mundo. É dentro deste mercado que os ingredientes premium ganham um espaço de destaque. 
'Contendo nutrientes melhores, eles geram alta digestibilidade, têm maior densidade nutricional e controle de qualidade mais rigoroso', explica Marjorrie Augusto de Souza, médica-veterinária e professora de nutrição animal do Arnaldo Centro Universitário, de Belo Horizonte. 
  Escolhidos por cuidadores que buscam mais longevidade e saúde para seus pets, as dietas premium utilizam, principalmente, proteínas de origem animal, como carne de frango, boi e porco, além de cordeiro, peixe, ovos, farinhas de vísceras e de carne e ossos. 
  Em alguns casos, os alimentos seletos incluem proteínas vegetais, como farelos de glúten, de milho e de trigo, e proteínas alternativas, que vêm da ervilha, da lentilha e dos insetos. 
  'Essas proteínas possuem alto valor biológico, são mais fáceis de digerir e melhor aproveitadas pelo organismo. Isso ajuda a manter a massa muscular, eleva a condição corporal e reduz o volume de alimento ingerido e do odor das fezes', diz Marjorrie. 
  'Temos também outros ótimos ingredientes premium, como prebióticos frutooligossacarídeos e mananoligossacarídeos, fibras e antioxidantes naturais, que ajudam no equilíbrio intestinal, promovem a modulação da microbiota, reduzem o estresse oxidativo e fortalecem a imunidade e a saúde da pele e da pelagem', completa.
Ascensão do segmento premium
Com o crescimento deste mercado, a preocupação com uma maior seleção de ingredientes tem sido bastante observada nas indústrias de pet food. 
  'É comum agora que os ingredientes usados dentro da nutrição premium usem menos corantes artificiais e conservantes artificiais, sejam funcionais e nutracêuticos', conta a médica-veterinária. 
  Todo esse investimento tem sido justificado por estudos que comprovam que os animais alimentados com dietas de qualidade elevada podem apresentar melhor digestão, fezes de melhor qualidade, além do progresso da microbiota intestinal, da pele, da pelagem e da condição corporal. 
  Apesar das comprovações, ainda existem mitos quando falamos de ingredientes premium. 
  'É comum achar que subprodutos são sempre ruins quando muitos têm bom valor nutricional. As vísceras, por exemplo, são altamente nutritivas, ricas em vitaminas e minerais. Também existe a ideia de que proteína vegetal é inferior, o que nem sempre é verdade. Se for associada a proteína animal, é possível manter o perfil de aminoácidos necessário à síntese proteica do animal', explica a docente.     A importância da prescrição adequada
Enquanto a indústria tem buscado mais transparência nos rótulos, preocupação com sustentabilidade e produtos específicos às demandas dos animais, o médico-veterinário surge com um papel importante: ajudar o responsável a escolher a melhor alimentação, interpretando os rótulos com base em critérios técnicos e não apenas em marketing. 
  'Indicar dieta conforme espécie, idade e condição clínica do animal, e educar os cuidadores também faz parte do papel do profissional da veterinária', conclui Marjorrie.    FAQ sobre ingredientes premium 
Quais são os principais benefícios de dietas com maior qualidade?
Esses alimentos ajudam a melhorar a digestão e a microbiota intestinal, e ainda favorecem a saúde da pele, da pelagem e a manutenção da massa muscular. 
  O que caracteriza um ingrediente premium na alimentação de cães e gatos?
É aquele com maior qualidade nutricional, alta digestibilidade e controle rigoroso de qualidade. 
  Proteínas vegetais e subprodutos são sempre inferiores nas dietas premium?
Não. Subprodutos, como vísceras, podem ser altamente nutritivos, ricos em vitaminas e minerais. Já as proteínas vegetais, quando associadas às de origem animal, podem garantir o perfil adequado de aminoácidos necessário para o organismo do animal. Fonte:  Cães & Gatos


Tecnologia

Tecnologia Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

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Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

O que são gêmeos digitais e em que usam atualmente?
Um gêmeo digital é uma réplica virtual dinâmica de um ativo físico, um processo ou um sistema de produção inteiro. Ao contrário de uma simulação estática, o gêmeo digital é continuamente alimentado com dados reais de sensores e sistemas de controle, permitindo que ele reflita o estado atual do processo e antecipe seu comportamento futuro.

Segundo a IBM, os  gêmeos digitais são atualmente usados na manufatura para melhorar a eficiência operacional, otimizar processos, reduzir falhas, acelerar o desenvolvimento de produtos e possibilitar manutenção preditiva. No campo industrial, sua aplicação abrange desde linhas de produção individuais até plantas completas, integrando variáveis de operação, consumo de energia, qualidade e desempenho de equipamentos, bem como no planejamento de plantas, testes virtuais de novos produtos, otimização de  layouts e controle de processos complexos, entre outros.
Da simulação à tomada de decisão preditiva
O avanço dos gêmeos digitais está intimamente ligado à convergência entre simulação de processos, sensores industriais, inteligência artificial e computação em nuvem. Essa integração permite que os fabricantes migrem de um modelo reativo, baseado em amostragem manual e ajustes subsequentes, para uma abordagem preditiva e preventiva.

De acordo com um artigo da StartUs Insights, o mercado de gêmeos digitais aplicados à manufatura pode atingir USD 714.000 milhões até 2032, impulsionado pela necessidade de otimizar processos complexos e reduzir ineficiências operacionais. O mesmo relatório indica que mais de 81% das empresas globais já estão explorando ativamente o metaverso industrial, e que 62% aumentaram seus investimentos nessas tecnologias no último ano.

Esses números refletem uma mudança estrutural: a simulação não se limita mais ao projeto, tornando-se uma ferramenta central para a gestão diária da planta.

O estudo Digital Twins applications in the food industry: a review identifica quatro principais abordagens para a aplicação dos digital twins na indústria alimentícia, definidas por sua função dentro do sistema de produção. Primeiro, gêmeos digitais com abordagem de previsão são usados para antecipar o comportamento futuro de processos ou equipamentos, com base na análise de dados históricos e condições atuais, permitindo que desvios, insuficiências ou falhas sejam previstos antes que ocorram. Segundo, modelos de simulação reativos permitem monitorar o processo em tempo real e responder de forma autônoma a desvios, ajustando variáveis operacionais e recomendando ações corretivas ou preventivas. Uma terceira abordagem é o comissionamento virtual, onde gêmeos digitais são usados para testar, validar e otimizar novas tecnologias, equipamentos ou configurações de plantas em um ambiente virtual antes de sua implementação física. Por fim, a abordagem de simulação baseada em sincronização mantém o gêmeo digital alinhado em tempo real ou quase em tempo real com o sistema físico, criando uma representação altamente precisa do processo, especialmente valiosa para analisar cenários, otimizar operações e melhorar a tomada de decisão em sistemas complexos.
Como os gêmeos digitais contribuem para a indústria de ração para pets?
Se focarmos estritamente na indústria de alimentos para pets, a variabilidade das matérias-primas é um dos principais fatores que impactam a qualidade final do produto. Ingredientes como cereais, farinhas proteicas, gorduras e subprodutos de origem animal apresentam flutuações naturais em umidade, teor proteico, gordura e granulometria.
De acordo com uma análise técnica publicada pela Haskell, essas variações afetam diretamente operações críticas como extrusão e secagem, influenciando atributos como textura, densidade, estabilidade nutricional e vida útil do produto. Métodos tradicionais de controle geralmente detectam essas variações quando o produto já foi fabricado, gerando retrabalho, desperdício e perdas de eficiência. Por outro lado, os gêmeos digitais permitem que você antecipe esses efeitos antes que impactem o produto final.

Em ração para pets, um gêmeo digital é construído a partir de modelos que representam o comportamento térmico, mecânico e dinâmico de cada operação de unidade: mistura, condicionamento, extrusão, secagem e resfriamento. Esses modelos são alimentados em tempo real com dados de sensores instalados na fábrica, como medições de umidade dos ingredientes, temperatura do canhão do extrusor, velocidade do parafuso, pressão, fluxo de ar e parâmetros do secador. Essa informação sincroniza o modelo virtual com o processo real, criando uma representação viva da planta em operação.

Em sistemas de controle em circuito fechado, os gêmeos digitais não apenas observam o processo, mas também preveem como uma variação da matéria-prima impactará o produto final e ajustam automaticamente os parâmetros operacionais para compensá-lo, mesmo antes do ingrediente entrar no extrusor.
Benefícios de sua implementação   A implementação dos gêmeos digitais traz benefícios concretos em múltiplos níveis. Primeiramente, melhora significativamente a consistência do produto, reduzindo a variabilidade de lote para lote, um fator chave para a confiança do consumidor e para a reputação da marca.
  Além disso, ao evitar a produção fora das especificações, diminui o desperdício de matérias-primas e energia. Essa abordagem também possibilita otimizar o consumo de energia e aumentar o desempenho sem comprometer a qualidade, impactando diretamente os custos operacionais.

Outro benefício estratégico é a aceleração do desenvolvimento de novos produtos. As formulações podem ser testadas virtualmente, avaliando seu comportamento no processo antes da realização dos testes físicos, o que reduz o tempo, riscos e custos associados aos testes industriais.

Além disso, há a possibilidade de integrar manutenção preditiva, usando gêmeos digitais para detectar desvios no desempenho dos equipamentos e antecipar falhas, evitando paradas não planejadas.
Gêmeos digitais, uma tecnologia chave para construir plantas verdadeiramente conectadas
A adoção dos gêmeos digitais marca um ponto de virada na forma como as fábricas de produção de ração para pets são gerenciadas. Não se trata mais apenas de automatizar, mas de entender o processo em profundidade, antecipar desvios e tomar decisões baseadas em dados reais e comparáveis.

Em um cenário onde eficiência, sustentabilidade e qualidade são cada vez mais decisivas, os gêmeos digitais são consolidados como uma ferramenta estratégica para fabricantes que buscam escalar, se diferenciar e construir plantas verdadeiramente conectadas e resilientes. Por Candelaria Carbajo – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
Gallagher, Nick (Actualizado el  17 de octubre del 2025) What is a Digital Twin? IBM
Prasser, David R. (July 21, 2025). Future of Manufacturing: 13 Trends Driving 2026-2035 Growth. StarUs Insights
Abdurrahman, Emadaldin Elfatih M. & Ferrari, Giovanna. (3 de abril de 2025). Digital Twin applications in the food industry: a review. Frontiers
Haskell. (19 de diciembre de 2025). A Process Engineering Perspective on Digital Twins in Pet Food Manufacturing.

Por Maria Candelaria Carbajo

Tecnologia Processamento de alimentos para cães e gatos: desafio “nosso” de cada dia

7+ MIN

Processamento de alimentos para cães e gatos: desafio “nosso” de cada dia

Atualmente, os alimentos para cães e gatos são classificados em três categorias: completos, coadjuvantes e específicos, podendo ser seco ou úmido. Dentro de cada uma delas, as empresas desenvolvem subcategorias para atender diferentes perfis de animais, como sêniores, atletas, obesos entre outras. Tem crescido de forma consistente a busca por alimentos alternativos, ingredientes funcionais e soluções mais sustentáveis. Esse movimento tem impulsionado pesquisas intensas para que os alimentos ofereçam não apenas nutrição adequada, mas também benefícios adicionais à saúde, maior qualidade de vida e menor impacto ambiental.

Para entregar tudo isso, a indústria já não depende apenas de equipamentos robustos ou somente formulações genéricas para cães e gatos. Agora, mais do que nunca, a empresa precisa estar conectada em tempo real a cada etapa do processo, com cada setor responsável pela elaboração daquele alimento. Assim, máquinas, sensores, softwares e pessoas precisam operar de forma integrada para que a produção seja ajustada ao processo e melhore continuamente. Com isso, ao combinar automação, dados e conhecimento técnico, uma fábrica automatizada transforma a produção em um processo dinâmico, inteligente e capaz de evoluir continuamente.   Inovação que se fabrica todos os dias   Um exemplo prático de como isso se aplica à produção de alimentos secos para cães e gatos está no ganho de precisão em cada etapa do processo, como extrusão, secagem e recobrimento. Um sistema automatizado permite:
  Dosagem precisa e automática de microingredientes, especialmente em alimentos coadjuvantes, que exigem alto nível de precisão. Controle automático e inclusão de carne fresca, farinhas e óleos. Laboratórios altamente tecnificado permitindo análise de todos as matérias-primas no recebimento. NIRs em linha com resultados just in time, permitindo ajustes imediatos quando necessário. Minimização de variações que afetam digestibilidade e palatabilidade. Rastreabilidade completa e digital, desde o recebimento até o produto acabado. Indicadores automáticos de eficiência (OEE), ajudando a identificar gargalos e oportunidades de melhoria.
  Na extrusão, etapa central na fabricação de kibbles, é profundamente otimizada com a automação:
  Controle de temperatura e pressão em cada zona do extrusor. Controle de velocidade da rosca. Adição de vapor e água conforme necessidade. Maior consistência no cozimento, impactanto positivamente a digestibilidade, textura e durabilidade do kibble. Densidade e expansão do kibble mais homogêneos, com melhor gelatinização do amido e redução de desperdícios. Registro automático dos parâmetros do processo, garantindo rastreabilidade e padronização entre lotes.
A etapa de secagem é essencial para a retirada de água e o controle da atividade de água, fatores que contribuem diretamente para a segurança microbiológica do produto. Além disso, a umidade interfere na palatabilidade: cães tendem a preferir alimentos ligeiramente mais úmidos, enquanto gatos costumam aceitar melhor alimentos mais secos. Por isso, a integração de sensores e softwares inteligentes nos secadores é fundamental, evitando o sub ou super processamento e garantindo que cada lote atinja exatamente a umidade desejada. Esse controle preciso assegura estabilidade, segurança e a palatabilidade adequada ao perfil de cada espécie.
  Outra etapa importante é o recobrimento, etapa sensível na fabricação de alimentos secos. Hoje, o mercado conta com sistemas de recobrimento muito mais modernos, como os equipamentos batelada com vácuo, que permitem uma aplicação altamente precisa dos ingredientes. Esse nível de controle influencia diretamente a palatabilidade, a estabilidade oxidativa e a aceitação final do produto, garantindo maior desempenho sensorial e qualidade ao alimento.
  Além disso, a automação permite uma rastreabilidade muito mais robusta e acessível. Com sistemas integrados, é possível acompanhar cada lote, desde a matéria-prima até o produto acabado, o que garante:
  Identificação rápida de não conformidades. Respostas mais eficientes em casos de recall. Maior transparência para o consumidor. Histórico completo e auditável de cada etapa do processo.
  Essa rastreabilidade é especialmente crítica na produção de alimentos coadjuvantes e terapêuticos, onde qualquer variação nutricional pode comprometer a eficácia do produto. Com controles digitalizados, a indústria assegura precisão, consistência e total segurança do lote ao consumo pelos cães e gatos.
A importância da rotulagem   Outra etapa igualmente essencial é a elaboração da rotulagem do produto, fundamental para garantir que todas as informações obrigatórias estejam presentes e corretas, conforme a legislação de cada país.
  Nessa etapa, é essencial envolver representantes de todas as áreas da cadeia produtiva, como: Regulatório, Garantia da Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos e Embalagem e Marketing. Essa integração assegura que a rotulagem e a embalagem sejam construídas de maneira segura, eficiente e sem retrabalhos, sendo compatível com a linha de envase e atraente para o consumidor final. A tecnologia também tem um papel cada vez mais relevante nesse processo. Atualmente, muitas empresas utilizam softwares especializados que realizam a conferência automática das descrições dos rótulos a cada versionamento, comparando informações, destacando inconsistências e reduzindo significativamente o risco de erros humanos. Essa automação traz maior segurança documental, agilidade na revisão e confiabilidade na aprovação final da rotulagem.
  Outro assunto que ganha cada vez mais espaço dentro da indústria pet food e que impacta diretamente toda a cadeia produtiva é a sustentabilidade. Mais do que uma tendência, ela se tornou um pilar estratégico que orienta decisões desde a escolha de matérias-primas até o desenvolvimento de embalagens e o desenho dos processos industriais. Implementar sustentabilidade na indústria pet food é desafiador porque envolve equilibrar eficiência produtiva, custos, regulamentações e, ao mesmo tempo, atender às expectativas de consumidores cada vez mais atentos ao impacto ambiental dos produtos que compram. A cadeia é complexa: depende de ingredientes de origem animal e vegetal, exige grande volume de água e energia e utiliza embalagens com alta barreira, muitas vezes difíceis de reciclar.
  Ainda assim, o setor tem avançado de forma consistente. Cada vez mais empresas incorporam matérias-primas inovadoras, como as chamadas super proteínas entre elas as farinhas de larvas de insetos que possuem pegada ambiental reduzida e excelente valor nutricional. Paralelamente, cresce o movimento interno de reduzir o consumo de água e energia, reaproveitar recursos, monitorar e mitigar emissões de CO₂ e desenvolver embalagens monomateriais 100% recicláveis, que facilitam a reinserção no ciclo produtivo e diminuem o impacto ambiental.
  Um passo ainda mais estratégico é a adoção da Avaliação do Ciclo de Vida (AVC), uma ferramenta que quantifica os impactos ambientais de um produto desde a origem dos ingredientes até o destino final. Empresas que já realizam esse estudo se destacam por tomar decisões baseadas em dados reais, identificando pontos críticos e direcionando esforços de forma assertiva, seja na escolha de matérias-primas, na eficiência dos processos ou na sustentabilidade das embalagens. A ACV é vista como uma das principais tendências para o futuro da indústria pet food, e um diferencial competitivo das organizações que realmente se comprometem com a redução de impactos ambientais em todas as etapas da cadeia.
  Com isso, ao reunir inovação, responsabilidade e visão de longo prazo, a indústria Pet Food demonstra que sustentabilidade não é apenas um discurso, mas um caminho sem volta e uma oportunidade concreta de construir produtos melhores, processos mais eficientes e um futuro mais equilibrado para o planeta e para as próximas gerações. Isso mostro que o desafio de produzir alimentos para cães e gatos vai muito além da formulação ou da escolha dos ingredientes. Ele envolve uma cadeia complexa que depende de tecnologia, integração, controle rigoroso e inovação contínua.
  Por Josiane Volpato e Juliana Soares Brazorotto
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Josiane Volpato

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