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Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina
Nutrição

7+ MIN

Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina

A osteoartrite (OA) é uma doença articular crônica, de caráter progressivo e degenerativo, frequentemente diagnosticada em cães de raças grandes, obesos, idosos, bem como naqueles com predisposição genética, como os Labradores Retrievers e os Pastores Alemães. Os sinais clínicos mais comumente observados incluem dor articular, limitação de movimento, crepitação e inflamação, resultando em restrição da atividade física e recusa à realização de atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, comprometendo significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais acometidos.

Dentre as opções de tratamento convencionais, estão incluídas as cirurgias das articulações afetadas e o controle da dor com administração de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), cujos benefícios clínicos em termos de analgesia e melhora funcional são amplamente reconhecidos. No entanto, o uso prolongado desses medicamentos pode ser associado a eventos adversos relevantes, incluindo toxicidade renal e hepática, bem como complicações gastrointestinais. Além disso, a eficácia terapêutica depende não apenas da farmacodinâmica do princípio ativo, mas também da adesão ao tratamento, que está diretamente ligada à palatabilidade e facilidade de administração do medicamento. Diante dessas limitações, cresce o interesse por tratamentos complementares e menos invasivos, como a utilização de nutracêuticos e suplementos alimentares.

Os nutracêuticos são produtos bioativos com potencial terapêutico, amplamente utilizados no manejo da OA em cães. Entre os compostos estudados como alternativas terapêuticas destacam-se a glucosamina, o sulfato de condroitina, o colágeno tipo II não desnaturado, os ácidos graxos ômega-3 e os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD). Esses agentes são utilizados com o objetivo de modular processos inflamatórios, estimular a regeneração e manutenção da cartilagem articular, reduzir a dor e melhorar a função locomotora.

Diante desse cenário, os petiscos funcionais surgem como um veículo eficaz para a administração desses compostos, sobretudo porque oferecem maior aceitação pelos cães e facilitam o manejo por parte dos tutores, já que regularmente são oferecidos como reforços positivos em treinamentos e/ou como expressões de afeto dos tutores para com seus animais de estimação. Estudos como o de Costa et al. (2025), ao avaliarem a aceitação de diferentes formas farmacêuticas para administração de medicamentos de uso contínuo em cães, com base na percepção dos tutores, demonstraram elevada taxa de aceitação para o biscoito funcional (95%) e para a pasta palatável (90%), seguidos pelo sachê em pó (75%), suspensão oral (60%) e cápsula (35%). As apresentações associadas diretamente à alimentação exibiram desempenho superior em termos de adesão, ao passo que cápsulas apresentaram menor aceitabilidade, sobretudo entre cães de pequeno porte. A palatabilidade elevada, característica natural dos petiscos, contribui para uma adesão terapêutica superior quando comparada à suplementação tradicional em cápsulas ou pós, que frequentemente é rejeitada pelos animais ou esquecida pelos tutores. Outro benefício relevante está na padronização das doses: cada unidade do petisco pode ser formulada para conter concentrações exatas de bioativos, garantindo precisão na ingestão e facilitando o acompanhamento terapêutico. 

Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e processamento de petiscos funcionais enfrenta também desafios e exige atenção a aspectos tecnológicos e nutricionais uma vez que a eficácia dos bioativos depende fortemente dos ingredientes utilizados e do processamento utilizado ao longo da sua fabricação.

A matriz alimentar do petisco pode influenciar positivamente ou negativamente a biodisponibilidade dos nutrientes. Formulações com teores adequados de lipídios, por exemplo, auxiliam na absorção de compostos lipossolúveis como EPA e DHA. Da mesma forma, ingredientes funcionais adicionais (fibras fermentáveis, prebióticos, antioxidantes) podem exercer efeitos complementares à função articular e inflamatória.

Muitos compostos utilizados no manejo da OA são sensíveis ao calor, oxidação e umidade, ou seja, diferentes métodos de fabricação influenciam diretamente a integridade, a estabilidade e a biodisponibilidade dos ingredientes nutracêuticos adicionados. 

A extrusão, principal método na indústria pet food, expõe os ingredientes a altas temperaturas e pressões que podem degradar compostos essenciais para a eficácia terapêutica. O assamento prolongado, por sua vez, intensifica reações de Maillard e oxidação lipídica, reduzindo a funcionalidade de ativos sensíveis. A moldagem a frio surge como uma alternativa atraente, mas apresenta limitações relacionadas à vida útil, segurança microbiológica e custos operacionais. Dessa forma, o desafio está em adaptar tecnologias tradicionais de fabricação para minimizar a degradação dos bioativos, sem prejudicar textura, palatabilidade e segurança.

Para minimizar perdas funcionais, a indústria adota tecnologias como microencapsulação, coating pós-processamento e controle rigoroso de atividade de água e oxidação. Fábricas modernas utilizam extrusoras de baixa temperatura, linhas híbridas de produção, NIR em linha para monitoramento contínuo e embalagens inteligentes que prolongam a vida útil dos nutracêuticos. A modelagem computacional também otimiza parâmetros industriais, garantindo maior preservação dos ativos.

As inovações industriais aplicadas às fábricas de pet food têm desempenhado papel central na viabilização dos petiscos terapêuticos destinados ao manejo da osteoartrite. A integração entre tecnologia avançada, processos industriais otimizados e saúde animal garante não apenas a estabilidade dos compostos bioativos como também a eficácia dos mesmos, representando uma estratégia nutricional segura, prática e altamente aderente para tutores e profissionais veterinários, contribuindo de maneira significativa para o controle da dor, inflamação e progressão da doença.

Esse movimento acompanha o crescimento acelerado do mercado pet premium, impulsionado por tutores que procuram soluções de saúde preventiva e produtos com maior valor agregado. 

Dessa forma, os petiscos funcionais deixam de ser apenas snacks palatáveis e passam a ocupar posição estratégica como parte de tratamentos complementares, enquanto as fábricas beneficiam-se de tecnologias que promovem eficiência operacional, redução de perdas e inovação contínua, tornando-se protagonista no desenvolvimento de soluções nutricionais mais sustentáveis, rastreáveis e personalizadas. Por Flávia Lavach
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências bibliográficas
ALEXANDRU, C. B.; SORANA, D.; ADRIAN, M. The science of snacks: a review of dog treats. Frontiers in Animal Science, v. 5, 2024.
COSTA, M. B. F.; CHAMELETE, M. O.; MARTINEZ, M. S. de S. S.; ANDRADE, T. U. de. Palatability test of different pharmaceutical forms for administration of continuous-use medications in dogs: evaluation by owners. Observatório de la Economia Latinoamericana, [S. l.], v. 23, n. 9, p. e11390, 2025.
DE GODOY, M. R. C. et al. In vitro disappearance characteristics of selected categories of commercially available dog treats. Journal of Nutritional Science, v. 3, p, 47, 2014. 
GAMBLE, L. J. et al. Pharmacokinetics, Safety, and Clinical Efficacy of Cannabidiol Treatment in Osteoarthritic Dogs. Frontiers Veterinary Science, v. 23, p. 5-16, 2023.
KHAN, S. A. e MCLEAN, M. K. 2012. Toxicology of frequently encountered nonsteroidal anti inflammatory drugs in dogs and cats. Veterinary Clinics North America Small Animal Practice , v. 42(2), p. 289-306, 2012.
KIM, J. et al. Effect of microencapsulation on viability of probiotic in functional dog treats. Veterinary Research Communications, v. 43, n. 2, p. 91-101, 2019.
MATA, F. e DORMER, L. The efficacy of neutraceuticals to alleviate dog osteoarthritis symptoms, a meta analysis of case-control trials. Veterinary Archive Science, v. 93, p. 351-360, 2023.
OBA, P. et al. Nutrient and Maillard reaction product concentrations of commercially available pet foods and treats. Journal of Animal Science, v. 100, p. 11, 2022.
 

Estratégias para sustentabilidade no mercado pet food
Sustentabilidade

4+ MIN

Estratégias para sustentabilidade no mercado pet food

O que torna um alimento para pets sustentável?
Atributos de soluções sustentáveis
  Minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e os animais Proteger os ecossistemas e as economias locais Reduzir a geração de resíduos
  Ao discutir sustentabilidade, consideramos uma série de questões ambientais, sociais e econômicas. O objetivo é atender às necessidades do presente sem limitar a capacidade das futuras gerações de suprir suas próprias necessidades. Embora não exista uma definição abrangente de ingrediente ou prática sustentável, podemos usar a tabela acima para orientar nossas decisões.
Uso de ingredientes sustentáveis
A sustentabilidade começa dentro da embalagem do alimento para pets. Cada vez mais, os ingredientes utilizados em alimentos para animais de companhia são obtidos por meio de métodos de produção sustentáveis, com o objetivo de minimizar impactos negativos sobre o equilíbrio ecológico, o meio ambiente e o bem-estar humano.
Abastecimento Sustentável e Agronomia
Fabricantes de alimentos para pets podem estabelecer parcerias com fornecedores que adotam práticas de abastecimento sustentável. A Kemin Industries é um dos fornecedores mais verticalmente integrados de ingredientes de origem vegetal. Ao longo de toda a cadeia produtiva, a empresa controla etapas como melhoramento genético, seleção de plantas, cultivo, colheita e extração de suas culturas especiais. As culturas de alecrim e hortelã-verde da Kemin são produzidas de acordo com alguns dos mais rigorosos padrões operacionais do mundo. Essas culturas são utilizadas na produção dos antioxidantes naturais da empresa.
Proteínas Sustentáveis
O uso de proteínas alternativas pode reduzir a dependência de fontes proteicas tradicionalmente destinadas à alimentação humana. Opções de proteínas de origem sustentável incluem certas variedades de peixes, nozes e sementes, que também fornecem ácidos graxos ômega-3 benéficos para pets. O uso de espécies invasoras como fonte proteica também pode trazer benefícios ambientais, ao contribuir para o controle dessas populações nos ecossistemas onde são removidas. Muitos fabricantes de alimentos para pets também vêm explorando proteínas de insetos, que representam uma fonte proteica para animais sem competir diretamente com a cadeia alimentar humana.
Produtos de Rendering Outra fonte de proteínas sustentáveis, frequentemente pouco reconhecida, são os produtos provenientes de rendering. O processo de rendering gera gorduras e proteínas valiosas, ricas em vitaminas e minerais importantes para os pets. O rendering pode ser considerado uma forma de reciclagem, pois aproveita cerca de 56 bilhões de libras de matérias-primas por ano nos Estados Unidos e no Canadá que, de outra forma, seriam descartadas em aterros sanitários.
Embalagens Sustentáveis
Grande parte do que consumimos vem embalado, e a maioria das embalagens plásticas pode levar de 10 a 1.000 anos para se decompor. No entanto, novas soluções inovadoras podem ser utilizadas para economizar espaço em aterros sanitários. Algumas soluções de embalagens sustentáveis na indústria de alimentos para pets incluem:
  Papelão, papel ou plástico reciclados Opções biodegradáveis inovadoras, como bioplásticos Recipientes reutilizáveis para transporte a granel
  A tendência de pequenas porções de alimento para pets embaladas individualmente não é tão sustentável quanto incluir múltiplas porções em uma única embalagem. Fabricantes de alimentos para pets podem otimizar os tamanhos de porção utilizando antioxidantes e ingredientes de segurança alimentar para ajudar a manter a vida útil de embalagens maiores de alimento para pets.
Certificações de Qualidade
A indústria de alimentos para pets é constantemente impactada por novas tendências e mudanças na percepção dos consumidores. Por isso, os consumidores estão atentos a práticas de 'greenwashing', quando empresas tentam parecer sustentáveis sem comprovação de práticas verificadas ou certificadas. Há uma variedade de certificações que os fabricantes de alimentos para pets podem utilizar para certificar como seus produtos são produzidos, incluindo:
  Certificações para ingredientes Frutos do mar sustentáveis (MSC – certificado – Marine Stewardship Council) Cultivo Sustentável (SCS Global) RSPO ou RTRS (Roundtable for Sustainable Palm Oil & Roundtable for Responsible Soy) Não OGM Orgânico USDA   Certificações dentro da produção e operações: Certificações de cadeia de suprimentos que avaliam rastreabilidade, integridade dos ingredientes e abastecimento ético e transparente Certificação de Bem-Estar Animal Energia renovável e emissões líquidas zero Embalagens sustentáveis e recicláveis Certificado vegano
Sustentabilidade na Kemin
A sustentabilidade é uma área-chave de foco na Kemin, conforme refletido em sua declaração de visão. Além de práticas agronômicas sustentáveis, a Kemin possui iniciativas de sustentabilidade voltadas para energia, resíduos, conservação e biodiversidade. Saiba mais sobre sustentabilidade na Kemin aqui: https://www.kemin.com/na/en-us/company/sustainability
  Fonte: Kemin Nutrisurance

Processamento de alimentos para cães e gatos: desafio “nosso” de cada dia
Tecnologia

7+ MIN

Processamento de alimentos para cães e gatos: desafio “nosso” de cada dia

Por Josiane Volpato

Atualmente, os alimentos para cães e gatos são classificados em três categorias: completos, coadjuvantes e específicos, podendo ser seco ou úmido. Dentro de cada uma delas, as empresas desenvolvem subcategorias para atender diferentes perfis de animais, como sêniores, atletas, obesos entre outras. Tem crescido de forma consistente a busca por alimentos alternativos, ingredientes funcionais e soluções mais sustentáveis. Esse movimento tem impulsionado pesquisas intensas para que os alimentos ofereçam não apenas nutrição adequada, mas também benefícios adicionais à saúde, maior qualidade de vida e menor impacto ambiental.

Para entregar tudo isso, a indústria já não depende apenas de equipamentos robustos ou somente formulações genéricas para cães e gatos. Agora, mais do que nunca, a empresa precisa estar conectada em tempo real a cada etapa do processo, com cada setor responsável pela elaboração daquele alimento. Assim, máquinas, sensores, softwares e pessoas precisam operar de forma integrada para que a produção seja ajustada ao processo e melhore continuamente. Com isso, ao combinar automação, dados e conhecimento técnico, uma fábrica automatizada transforma a produção em um processo dinâmico, inteligente e capaz de evoluir continuamente.   Inovação que se fabrica todos os dias   Um exemplo prático de como isso se aplica à produção de alimentos secos para cães e gatos está no ganho de precisão em cada etapa do processo, como extrusão, secagem e recobrimento. Um sistema automatizado permite:
  Dosagem precisa e automática de microingredientes, especialmente em alimentos coadjuvantes, que exigem alto nível de precisão. Controle automático e inclusão de carne fresca, farinhas e óleos. Laboratórios altamente tecnificado permitindo análise de todos as matérias-primas no recebimento. NIRs em linha com resultados just in time, permitindo ajustes imediatos quando necessário. Minimização de variações que afetam digestibilidade e palatabilidade. Rastreabilidade completa e digital, desde o recebimento até o produto acabado. Indicadores automáticos de eficiência (OEE), ajudando a identificar gargalos e oportunidades de melhoria.
  Na extrusão, etapa central na fabricação de kibbles, é profundamente otimizada com a automação:
  Controle de temperatura e pressão em cada zona do extrusor. Controle de velocidade da rosca. Adição de vapor e água conforme necessidade. Maior consistência no cozimento, impactanto positivamente a digestibilidade, textura e durabilidade do kibble. Densidade e expansão do kibble mais homogêneos, com melhor gelatinização do amido e redução de desperdícios. Registro automático dos parâmetros do processo, garantindo rastreabilidade e padronização entre lotes.
A etapa de secagem é essencial para a retirada de água e o controle da atividade de água, fatores que contribuem diretamente para a segurança microbiológica do produto. Além disso, a umidade interfere na palatabilidade: cães tendem a preferir alimentos ligeiramente mais úmidos, enquanto gatos costumam aceitar melhor alimentos mais secos. Por isso, a integração de sensores e softwares inteligentes nos secadores é fundamental, evitando o sub ou super processamento e garantindo que cada lote atinja exatamente a umidade desejada. Esse controle preciso assegura estabilidade, segurança e a palatabilidade adequada ao perfil de cada espécie.
  Outra etapa importante é o recobrimento, etapa sensível na fabricação de alimentos secos. Hoje, o mercado conta com sistemas de recobrimento muito mais modernos, como os equipamentos batelada com vácuo, que permitem uma aplicação altamente precisa dos ingredientes. Esse nível de controle influencia diretamente a palatabilidade, a estabilidade oxidativa e a aceitação final do produto, garantindo maior desempenho sensorial e qualidade ao alimento.
  Além disso, a automação permite uma rastreabilidade muito mais robusta e acessível. Com sistemas integrados, é possível acompanhar cada lote, desde a matéria-prima até o produto acabado, o que garante:
  Identificação rápida de não conformidades. Respostas mais eficientes em casos de recall. Maior transparência para o consumidor. Histórico completo e auditável de cada etapa do processo.
  Essa rastreabilidade é especialmente crítica na produção de alimentos coadjuvantes e terapêuticos, onde qualquer variação nutricional pode comprometer a eficácia do produto. Com controles digitalizados, a indústria assegura precisão, consistência e total segurança do lote ao consumo pelos cães e gatos.
A importância da rotulagem   Outra etapa igualmente essencial é a elaboração da rotulagem do produto, fundamental para garantir que todas as informações obrigatórias estejam presentes e corretas, conforme a legislação de cada país.
  Nessa etapa, é essencial envolver representantes de todas as áreas da cadeia produtiva, como: Regulatório, Garantia da Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos e Embalagem e Marketing. Essa integração assegura que a rotulagem e a embalagem sejam construídas de maneira segura, eficiente e sem retrabalhos, sendo compatível com a linha de envase e atraente para o consumidor final. A tecnologia também tem um papel cada vez mais relevante nesse processo. Atualmente, muitas empresas utilizam softwares especializados que realizam a conferência automática das descrições dos rótulos a cada versionamento, comparando informações, destacando inconsistências e reduzindo significativamente o risco de erros humanos. Essa automação traz maior segurança documental, agilidade na revisão e confiabilidade na aprovação final da rotulagem.
  Outro assunto que ganha cada vez mais espaço dentro da indústria pet food e que impacta diretamente toda a cadeia produtiva é a sustentabilidade. Mais do que uma tendência, ela se tornou um pilar estratégico que orienta decisões desde a escolha de matérias-primas até o desenvolvimento de embalagens e o desenho dos processos industriais. Implementar sustentabilidade na indústria pet food é desafiador porque envolve equilibrar eficiência produtiva, custos, regulamentações e, ao mesmo tempo, atender às expectativas de consumidores cada vez mais atentos ao impacto ambiental dos produtos que compram. A cadeia é complexa: depende de ingredientes de origem animal e vegetal, exige grande volume de água e energia e utiliza embalagens com alta barreira, muitas vezes difíceis de reciclar.
  Ainda assim, o setor tem avançado de forma consistente. Cada vez mais empresas incorporam matérias-primas inovadoras, como as chamadas super proteínas entre elas as farinhas de larvas de insetos que possuem pegada ambiental reduzida e excelente valor nutricional. Paralelamente, cresce o movimento interno de reduzir o consumo de água e energia, reaproveitar recursos, monitorar e mitigar emissões de CO₂ e desenvolver embalagens monomateriais 100% recicláveis, que facilitam a reinserção no ciclo produtivo e diminuem o impacto ambiental.
  Um passo ainda mais estratégico é a adoção da Avaliação do Ciclo de Vida (AVC), uma ferramenta que quantifica os impactos ambientais de um produto desde a origem dos ingredientes até o destino final. Empresas que já realizam esse estudo se destacam por tomar decisões baseadas em dados reais, identificando pontos críticos e direcionando esforços de forma assertiva, seja na escolha de matérias-primas, na eficiência dos processos ou na sustentabilidade das embalagens. A ACV é vista como uma das principais tendências para o futuro da indústria pet food, e um diferencial competitivo das organizações que realmente se comprometem com a redução de impactos ambientais em todas as etapas da cadeia.
  Com isso, ao reunir inovação, responsabilidade e visão de longo prazo, a indústria Pet Food demonstra que sustentabilidade não é apenas um discurso, mas um caminho sem volta e uma oportunidade concreta de construir produtos melhores, processos mais eficientes e um futuro mais equilibrado para o planeta e para as próximas gerações. Isso mostro que o desafio de produzir alimentos para cães e gatos vai muito além da formulação ou da escolha dos ingredientes. Ele envolve uma cadeia complexa que depende de tecnologia, integração, controle rigoroso e inovação contínua.
  Por Josiane Volpato e Juliana Soares Brazorotto
Fonte: All Pet Food Magazine

Conectando nutrientes sensíveis para uma nutrição de precisão
Nutrição

4+ MIN

Conectando nutrientes sensíveis para uma nutrição de precisão

Por Armando Enriquez de la Fuente Blanquet

Um ponto importante e frequentemente subestimado é: como a digitalização pode melhorar a parte nutricional dos micronutrientes da ração para pets, mesmo quando esses nem sempre são vistos como "tecnologia". Ao ter controle preciso dos parâmetros de extrusão (temperatura, umidade, pressão, tempo de cozimento), a qualidade de nutrientes sensíveis , como vitaminas, minerais e aminoácidos, pode ser melhor preservada, prevenindo sua degradação pelo calor ou pela umidade excessiva. A consistência entre os lotes também ajuda a garantir níveis homogêneos de micronutrientes. O controle durante o processo permite verificar a densidade, umidade, tamanho e formato da ração, o que influencia a digestibilidade, textura, absorção de nutrientes e palatabilidade; Fatores-chave quando falamos de dietas específicas (alta digestibilidade, controle de peso, saúde digestiva). Rastreabilidade e registro digital facilitam auditorias nutricionais, controle de fórmulas, conformidade com normas e/ou regulamentos, e documentação dos micronutrientes por lote; especialmente importante diante das demandas por transparência, qualidade, saúde animal ou dietas especiais. Com dados históricos e suporte analítico, os fabricantes podem otimizar receitas para eficiência nutricional e de custos. Por exemplo, otimizar a combinação de ingredientes, fontes de proteína, aditivos, vitaminas, minerais, para alcançar melhor equilíbrio nutricional sem sacrificar economia ou escalabilidade. 

Além disso, vitaminas e minerais traço (zinco, ferro, cobre, manganês, selênio, iodo, entre outros) desempenham papéis essenciais no metabolismo energético, saúde imunológica, desenvolvimento ósseo e muscular, integridade da pele e da pelagem, regulação da oxidação celular, reprodução, crescimento, etc.

Os micronutrientes, por outro lado, enfrentam desafios tecnológicos durante a fabricação de alimentos: 
  Sensibilidade ao calor, umidade e oxigênio: As vitaminas são altamente termolábeis e podem se degradar durante a extrusão e secagem. É essencial usar produtos com tecnologias de microencapsulamento que protejam as vitaminas das altas temperaturas e reduzam a oxidação e as interações químicas com minerais.
  Interações químicas: os minerais traço podem oxidar ou inativar vitaminas se não forem adequadamente protegidos (por exemplo, ferro e cobre). O uso de minerais quelados e/ou em formas orgânicas não só proporciona maior biodisponibilidade e estabilidade dos oligoelementos durante o processo térmico, mas também reduz a interação negativa com outros nutrientes.
  Dificuldade em dosar pequenas quantidades: os pré-misturados são aplicados em microdoses, então uma pequena variação afeta o valor nutricional do lote. Hoje estamos falando de mistura inteligente, onde o software de controle monitora os tempos ótimos, velocidade de mistura, sequência de incorporação e homogeneidade final, para garantir uma distribuição uniforme de vitaminas e minerais.
  Problemas de distribuição na mistura: a homogeneidade deve ser muito alta para garantir que cada ração contenha a mesma proporção de nutrientes. Fabricantes de pré-misturas produzem misturas precisas e consistentes que minimizam erros de dosagem, garantem consistência de lote para lote e facilitam o registro e auditoria nutricional.
Esses desafios estão impulsionando uma forte demanda por tecnologias avançadas de formulação, automação inteligente e sistemas de monitoramento digital. A incorporação precisa de vitaminas e oligoelementos não depende mais apenas do conhecimento nutricional, mas hoje exige processos automatizados, sensores inteligentes, controle digital e manutenção preditiva. Assim, a planta de ração para pets se torna um ambiente onde a inovação nos ingredientes se combina com a transformação tecnológica para garantir produtos mais seguros, estáveis, nutritivos e confiáveis. 
Conclusão 
A digitalização das plantas de ração para pets não é uma tendência do futuro distante, é uma realidade com várias conquistas concretas já implementadas. Automação, sensores, controle digital, IA e tecnologias de análise de dados estão transformando a forma como a ração para pets é produzida, melhorando eficiência, qualidade, consistência, rastreabilidade, sustentabilidade e flexibilidade.
  Por MVZ Armando Enriquez de la Fuente Blanquet
Fonte: All Pet Food Magazine

ANDRITZ: tecnologia para alimentar o futuro
Tecnologia

6+ MIN

ANDRITZ: tecnologia para alimentar o futuro

Nos últimos anos, algo mudou nos corredores das fábricas de produção de ração para pets: a indústria de alimentos para pets não é mais movida apenas pelo volume, mas pela inovação. E nesse campo, a ANDRITZ Feed & Biofuel se estabeleceu como um parceiro tecnológico chave.

A transformação é evidente à medida que a humanização dos pets aumentou a demanda dos consumidores: aqueles que antes compravam "ração para cães" agora buscam produtos funcionais com benefícios digestivos, hipoalergênicos ou feitos com proteínas alternativas. Nos pontos de venda, a embalagem destaca conceitos como ômega 3, antioxidantes, proteína de insetos ou fórmulas premium sem aditivos artificiais. Por trás dessa nova narrativa de bem-estar, há uma mudança profunda na forma como produzimos.'O consumidor atual busca para seus animais de estimação o mesmo que para si próprio: bem-estar, variedade e sustentabilidade', destacam na ANDRITZ Chile. 'Isso obriga as plantas a serem mais flexíveis,  inovar com maior eficiência e a incorporar tecnologias que permitam responder rapidamente às tendências do mercado'.

A equipe resume uma revolução silenciosa: a da ração para pets como produto tecnológico. Um extrusor potente ou um secador eficiente não são mais suficientes; Hoje, são necessárias linhas completas capazes de garantir rastreabilidade, controle energético, precisão nutricional e, acima de tudo, consistência.
Soluções abrangentes e tecnologia de precisão
Na indústria de ração para pets, cada detalhe conta. Moer, misturar, cozinhar e recobrir determinam não só o sabor ou a textura, mas também a digestibilidade e o valor nutricional. Por esse motivo, a ANDRITZ não oferece equipamentos isolados, mas soluções abrangentes turnkey que cobrem todo o processo, desde a recepção das matérias-primas até a embalagem final.

O equipamento é tão diversificado quanto os produtos processados: o Moinho de Martelos Multimill garante uma moagem precisa e homogênea; Misturadores Optimix garantem a uniformidade de cada fórmula; Secadores Combi-Zone proporcionam texturas estáveis e vida útil mais longa; e extrusores da série EX combinam baixo custo operacional com a capacidade de se adaptar a diferentes tipos de alimentos, desde ração seca até petiscos funcionais.

"Buscamos ser um fornecedor abrangente que garante total compatibilidade entre os equipamentos. O cliente não precisa se preocupar em ajustar interfaces ou desempenhos: tudo é projetado para funcionar em harmonia", explicam os especialistas da ANDRITZ.

O resultado é um processo mais limpo, eficiente e confiável, uma planta onde cada fase está conectada à próxima, sem perdas ou falta de coordenação, um ecossistema tecnológico no qual energia, qualidade e produtividade estão alinhadas a partir do projeto.

"Cada máquina que desenvolvemos é projetada para operar com o menor consumo de energia possível e com máxima confiabilidade. Sustentabilidade não é uma opção: faz parte do design." 

A inovação da ANDRITZ também se manifesta no controle inteligente de seus processos. Seu  sistema FLEXTEX permite monitoramento e ajuste em tempo real da energia mecânica específica (EME) aplicada durante a extrusão, sem interromper a linha ou modificar as configurações. Isso permite que o operador ajuste a densidade do produto, textura ou expansão com precisão milimétrica enquanto a planta ainda está em operação.

"O controle da EME é fundamental para a qualidade do produto final. O FLEXTEX oferece ao operador uma ferramenta precisa e dinâmica para inovar sem afetar a estabilidade do processo." 

Graças a essas tecnologias, os fabricantes podem desenvolver alimentos específicos para cada segmento: desde kibbles leves para raças pequenas, até petiscos energéticos para cães esportivos, ou fórmulas digestivas para gatos idosos.
Inovação e sustentabilidade como motores de crescimento
A ração para pets também reflete as preocupações sociais de uma era marcada pela sustentabilidade. Hoje, os donos de pets exigem rastreabilidade, ingredientes naturais e processos limpos. O que antes era um valor agregado agora é uma condição essencial.

As tendências mais recentes apontam para proteínas alternativas, como insetos ou leguminosas; lanches funcionais com propriedades digestivas ou odontológicas; e fórmulas vegetais altamente digeríveis. Em todos eles, a tecnologia de processamento desempenha um papel decisivo.

"O desafio não é mais apenas produzir mais, mas produzir melhor. As plantas precisam ser capazes de se adaptar rapidamente a novas receitas e matérias-primas sem perder eficiência ou qualidade", diz a equipe da ANDRITZ.

Nesse contexto, a tecnologia ANDRITZ atua como uma ponte entre a criatividade do formulador e a realidade industrial. Ela permite que uma ideia, um novo snack odontológico ou ração vegetariana, seja transformada em um produto escalável, seguro e consistente.

Além disso, a empresa possui uma rede global de suporte e um serviço local próximo. Na América Latina, sua equipe trabalha ao lado dos produtores, fornecendo manutenção preditiva, peças de reposição originais e treinamento contínuo.

"A proximidade com o cliente faz parte do nosso DNA. Trabalhamos lado a lado com os produtores, garantindo que cada planta mantenha seu desempenho ideal ao longo do tempo." 

O compromisso da ANDRITZ com a sustentabilidade vai além da eficiência energética. Suas plantas integram automação, monitoramento remoto e soluções de rastreabilidade digital que permitem controlar cada parâmetro do processo e reduzir o desperdício de matérias-primas.

"As plantas do futuro serão mais inteligentes, eficientes e sustentáveis. Nossa missão é que cada cliente esteja preparado para esse salto tecnológico" (sem mudança atribuível).     Expertise Global, Suporte Local
Com mais de 180 anos de experiência industrial e presença estabelecida nos principais mercados mundiais, a ANDRITZ Feed & Biofuel combina engenharia de precisão, suporte global e conhecimento local para impulsionar os fabricantes de alimentos para pets em uma nova era produtiva.

A empresa não apenas entrega máquinas: compartilha conhecimento, experiência e apoio. Também participa do projeto das plantas até a operação diária, adaptando cada solução às particularidades do mercado e do meio ambiente.

A indústria de alimentos para pets está vivenciando um dos momentos mais dinâmicos de sua história. Impulsionada por consumidores mais exigentes e conscientes, está caminhando para um modelo onde tecnologia e sustentabilidade são inseparáveis. Nessa jornada, ANDRITZ não é apenas mais um fornecedor: é um parceiro que entende que, por trás de cada kibble, cada snack  e cada fórmula inovadora, há mais do que apenas engenharia, há ciência, compromisso e visão de futuro.

"Na ANDRITZ não fabricamos apenas equipamentos; Ajudamos a construir uma indústria mais eficiente, sustentável e pronta para alimentar o futuro."

ANDRITZ: Inovação, sustentabilidade e precisão industrial para uma nova era na produção de alimentos para pets. Por ANDRITZ
Fonte: All Pet Food Magazine


A base de insetos

A base de insetos Estudo aponta boa aceitação de alimentos úmidos à base de insetos por cães

3+ MIN

Estudo aponta boa aceitação de alimentos úmidos à base de insetos por cães

Ingredientes derivados de insetos vêm sendo explorados como fontes alternativas de proteína na nutrição pet.    Além do potencial funcional, essas matérias-primas têm despertado interesse da indústria por sua versatilidade em formulações úmidas e secas.
  Um estudo recente avaliou a aceitação de alimentos úmidos para cães contendo ingredientes à base de insetos comercializados sob as marcas PureeX e ProteinX, desenvolvidas pela Protix. 
  Os resultados indicaram que tanto a dieta totalmente à base de insetos quanto a formulação híbrida — combinando inseto e frango — foram prontamente consumidas pelos animais participantes.   Como o estudo foi conduzido
O ensaio incluiu 170 cães de pequeno e médio porte, todos domiciliados. Segundo o resumo técnico, essas categorias foram selecionadas por serem frequentemente consideradas mais seletivas em relação à alimentação.
  Foram avaliadas duas dietas. A primeira era composta exclusivamente por ingredientes derivados da larva de mosca-soldado-negra (Hermetia illucens), combinando PureeX — descrito como ingrediente minimamente processado — e ProteinX, uma farinha de inseto. 
  A segunda era uma formulação híbrida que unia os mesmos ingredientes de inseto a frango fresco.
  Cada responsável ofereceu uma das dietas por dois dias consecutivos e, em seguida, realizou a troca para a outra formulação por mais dois dias. 
  Durante o período do teste, os participantes não foram informados sobre a composição dos produtos.
  Ao final de cada etapa, os responsáveis avaliaram o consumo dos cães. Segundo o relatório, ambas as formulações foram consideradas altamente aceitas, sem diferença estatisticamente significativa na ingestão entre a dieta 100% inseto e a híbrida.   Avaliação comportamental e percepção sensorial
Além do volume consumido, o estudo analisou o comportamento dos cães antes, durante e após as refeições. 
  Entre as respostas associadas à aceitação positiva estavam abanar o rabo antes da oferta do alimento, consumir toda a porção e lamber os lábios após a refeição. Esses comportamentos foram registrados em ambas as dietas.
  Os responsáveis também avaliaram atributos sensoriais como textura, aroma e aparência. As duas formulações receberam nota média sete, em uma escala de zero a dez, para esses critérios.
  Quando questionados sobre recomendação, 82% afirmaram que indicariam a dieta totalmente à base de insetos, enquanto 81% disseram que recomendariam a formulação híbrida com frango.
  Segundo a fabricante, o PureeX é indicado para aplicações em alimentos úmidos e também pode ser incluído em formulações extrusadas secas, estando disponível nas versões fresca e congelada. Já o ProteinX é comercializado como ingrediente protéico em forma de farinha.   Proteína alternativa em expansão
Proteínas de insetos têm sido estudadas como alternativas às fontes tradicionais, com potencial para contribuir em formulações que buscam diversificação de ingredientes. 
Além do perfil nutricional, fabricantes destacam aspectos funcionais e de sustentabilidade como diferenciais desse tipo de matéria-prima.   FAQ sobre alimentos úmidos com proteína de inseto
Cães aceitam bem alimentos com proteína de inseto?
Segundo o estudo, tanto a formulação 100% inseto quanto a híbrida com frango foram prontamente consumidas.
  Houve diferença de consumo entre as dietas testadas?
Não. O relatório aponta que não foi observada diferença significativa na ingestão.
  Proteína de inseto pode substituir proteínas tradicionais?
Ela vem sendo estudada como fonte alternativa, mas a escolha da dieta deve sempre considerar orientação durante consulta veterinária. Fonte: Cães & Gatos

A base de insetos Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

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Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

Acontece que seu instinto de sentir nojo pode estar ultrapassado. Insetos não são mais apenas petiscos acidentais. Eles estão aparecendo como ingrediente principal em rações para cães. Ração à base de grilos. Receitas à base de larvas. E não, isso não é um experimento marginal. Ração para cães à base de insetos está se tornando uma opção legítima para donos de animais de estimação nos EUA e no Canadá.
  Mas será que é seguro? Será que o seu cão realmente receberá os nutrientes de que precisa? E, mais importante ainda, será que ele vai sequer comer?   O que é, de fato, a ração para cães à base de insetos?
Para que fique claro: você não está despejando um monte de grilos vivos na tigela do seu cachorro. A ração para cães à base de insetos utiliza grilos ou larvas como principal fonte de proteína, processados ​​e formulados para atender às necessidades nutricionais dos cães em diferentes fases da vida.
  Os filhotes precisam de cerca de 22% de proteína na dieta. Os adultos precisam de cerca de 18%. Proteína em excesso, acima de 30%, pode causar problemas. Os insetos são ricos em proteínas o suficiente para atingir essas metas, mas a alimentação ainda precisa ser balanceada com gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais. Um grilo sozinho não é uma refeição completa. Uma ração seca bem formulada à base de grilos pode ser.   A proteína de insetos é realmente segura?
Sim, com uma ressalva. Estudos sugerem que grilos e larvas fornecem proteína de alta qualidade que os cães conseguem digerir e com a qual se desenvolvem bem. Para a maioria dos cães, a proteína de insetos é uma alternativa viável à carne bovina, de frango ou de cordeiro.
  A ressalva? As pesquisas de longo prazo ainda estão em andamento. Ainda não temos décadas de dados sobre o que acontece quando os cães se alimentam com dietas à base de insetos durante toda a vida. Mas, com base no que sabemos agora, a proteína de insetos é geralmente segura e nutricionalmente adequada para cães saudáveis.
Por que as pessoas estão optando por alimentos à base de insetos?
O apelo vai além de simplesmente "funciona". Existem alguns motivos pelos quais a proteína de insetos está ganhando popularidade.
  É muito mais sustentável. A criação de insetos requer uma fração da água, da terra e dos recursos necessários para a criação de gado ou aves. Se o impacto ambiental é importante para você, esta é uma das fontes de proteína mais ecológicas disponíveis.
  Isso contorna as preocupações éticas. Alguns donos de animais de estimação não se sentem confortáveis ​​com as práticas convencionais de criação de animais. Os insetos oferecem uma maneira de alimentar seus cães sem apoiar esses sistemas.
  Funciona para cães com alergias. Cães alérgicos a carne bovina, frango ou peixe podem tolerar a proteína de insetos sem problemas. É uma proteína verdadeiramente nova — o que significa que a maioria dos cães nunca foi exposta a ela antes, reduzindo a probabilidade de desencadear uma reação.
  Resumindo, a ração para cães à base de insetos pode ser mais amigável ao planeta e menos agressiva para estômagos sensíveis.   As desvantagens que você precisa conhecer
A ração para cães à base de insetos não está isenta de desvantagens. Para começar, é cara e nem sempre fácil de encontrar. Muitas marcas só estão disponíveis online e são vendidas em embalagens menores, o que aumenta o custo em comparação com a ração tradicional.
  Seu cachorro também pode detestar. Cães têm preferências, e alguns vão rejeitar alimentos à base de insetos, não importa o quão nutritivos sejam. O paladar importa, e nem todos os cachorros vão gostar.
  Também existe uma preocupação potencial para cães com alergia a frutos do mar. As proteínas dos insetos compartilham algumas semelhanças com as proteínas dos frutos do mar, portanto, reações alérgicas são possíveis. Se o seu cão tem histórico de sensibilidade a frutos do mar, proceda com cautela e consulte o veterinário primeiro.
  Por fim, ainda estamos aprendendo sobre os riscos a longo prazo. Questões relacionadas à contaminação bacteriana, resistência a antibióticos e outros impactos na saúde ainda não foram totalmente respondidas. Isso não significa que o alimento seja inseguro — significa apenas que a pesquisa está em andamento.
Como mudar a alimentação do seu cão para uma dieta à base de insetos
Se você decidir experimentar, não troque a ração do seu cachorro de uma hora para outra. Mesmo cães saudáveis ​​podem ter problemas estomacais com mudanças repentinas na dieta. A abordagem mais segura é uma transição gradual ao longo de 5 a 7 dias.   Comece devagar: No primeiro dia, misture 25% de alimento à base de insetos com 75% da ração atual do seu cão.
  Aumente gradualmente: Nos próximos dias, aumente lentamente a proporção de alimentos à base de insetos até que seu cão esteja consumindo 100% deles.
  Fique atento às reações: Monitore a energia, a qualidade das fezes e o apetite do seu cão durante todo o período de transição.
  E antes de fazer qualquer alteração na dieta, especialmente se o seu cão tiver problemas de saúde ou histórico de sensibilidade alimentar, consulte primeiro o seu veterinário.   É adequado para o seu cão?
A proteína de insetos faz parte de uma categoria crescente de proteínas inovadoras que também inclui carne de veado, bisão e até mesmo jacaré. É particularmente útil para cães com alergias alimentares, mas tem um preço mais elevado.
  Se você está pensando em mudar para uma ração diferente, procure marcas que sigam as diretrizes da AAFCO ( Associação Americana de Oficiais de Controle de Alimentos para Animais ). Esses padrões garantem que o alimento atenda às necessidades nutricionais básicas dos cães. Faça a transição gradualmente. E converse com seu veterinário, principalmente se tiver alguma dúvida sobre as necessidades de saúde específicas do seu cão.
  Muitos cães se adaptam muito bem a dietas à base de insetos. É seguro, sustentável e, para alguns filhotes, resolve problemas que as proteínas tradicionais não conseguiam solucionar.   Conclusão
Alimentos para cães à base de insetos podem parecer estranhos à primeira vista, mas são uma opção legítima e aprovada por veterinários para muitos cães. Com a orientação adequada, uma introdução gradual e atenção à qualidade, seu cão pode desfrutar de uma dieta rica em proteínas e que também é benéfica para o planeta.

Experimentar algo novo não precisa ser arriscado. Às vezes, é apenas o próximo passo para descobrir o que funciona melhor para o seu cão e para o mundo em que ele vive.
  Fonte: dogster


Sustentabilidade

Sustentabilidade Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food
 

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Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food  

O uso de inteligência artificial (IA) na indústria pet food tem crescido rapidamente, impulsionado pela busca por eficiência, inovação e vantagem competitiva. 
  No entanto, especialistas alertam que a adoção indiscriminada da tecnologia pode comprometer a credibilidade das estratégias de sustentabilidade — um tema cada vez mais relevante para responsáveis e empresas do setor.

Embora a IA ofereça benefícios importantes, como otimização de formulações e melhoria na cadeia produtiva, seu impacto ambiental e social ainda é pouco discutido de forma transparente.   Infraestrutura da IA traz impactos ambientais relevantes
Por trás das soluções digitais, existe uma infraestrutura robusta que demanda alto consumo de energia, água e espaço físico. 
  Data centers — essenciais para o funcionamento da IA — exigem grande quantidade de eletricidade, muitas vezes proveniente de fontes não renováveis, além de sistemas intensivos de resfriamento.
  Esse cenário pode gerar impactos como aumento das emissões de carbono, pressão sobre recursos hídricos e alterações no uso do solo. 
  Em algumas regiões, comunidades próximas a essas estruturas também enfrentam consequências indiretas, como competição por recursos naturais.
  Além disso, a cadeia produtiva da tecnologia envolve questões sociais, incluindo condições de trabalho na construção e manutenção de infraestrutura e na extração de minerais para equipamentos.   Benefícios existem, mas exigem uso estratégico
Apesar dos desafios, a inteligência artificial também pode contribuir para práticas mais sustentáveis quando aplicada de forma direcionada. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento ambiental, otimizar o uso de recursos e aumentar a eficiência produtiva.
  No setor pet food, isso se traduz em aplicações como:
  redução de desperdício de ingredientes por meio de formulações mais precisas; manutenção preditiva de equipamentos, evitando perdas e consumo excessivo de energia; otimização logística, com potencial de reduzir emissões no transporte.
  No entanto, esses benefícios dependem de um uso estratégico. Quando adotada apenas por tendência ou pressão de mercado, a IA pode não gerar ganhos reais suficientes para compensar seus impactos.   Pressão por inovação pode distorcer decisões
A rápida adoção da IA em diferentes setores criou um ambiente competitivo em que empresas sentem necessidade de implementar a tecnologia para não ficarem para trás. Esse movimento, muitas vezes guiado pelo chamado 'fear of missing out' (FOMO), pode levar a decisões pouco fundamentadas.
  Pesquisas indicam que a IA melhora desempenho em tarefas dentro de sua capacidade, aumentando velocidade e qualidade. Por outro lado, pode reduzir a precisão em atividades mais complexas, especialmente quando utilizada sem critério.
  No setor pet, esse cenário pode incentivar uma 'corrida pela inovação', em que a adoção da tecnologia também funciona como sinal de modernidade para consumidores e investidores — nem sempre acompanhada de benefícios concretos.   Sustentabilidade exige olhar para impactos invisíveis
Um dos principais desafios é que grande parte dos impactos ambientais da IA não aparece diretamente nas operações das empresas que utilizam a tecnologia. 
  Esses custos ficam concentrados em provedores de nuvem, produção de hardware e sistemas energéticos — o que dificulta sua mensuração nos relatórios corporativos.
  Esse fenômeno, conhecido como externalidade, pode levar a uma percepção distorcida dos benefícios da IA. Enquanto os ganhos operacionais são visíveis, os impactos ambientais e sociais ficam diluídos na cadeia.
  Para um setor que cada vez mais aposta na sustentabilidade como posicionamento, ignorar esses fatores pode representar um risco reputacional. 
  Responsáveis estão mais atentos ao ciclo completo dos produtos, incluindo aspectos que vão além da formulação e embalagem.   Caminho está no uso consciente da tecnologia
Especialistas apontam que o caminho não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em adotá-la de forma criteriosa. 
  Priorizar aplicações que tragam ganhos mensuráveis — ambientais e operacionais — e evitar implementações motivadas apenas por tendência pode ser a chave para equilibrar inovação e responsabilidade.
  Além disso, reconhecer e incorporar os impactos indiretos da tecnologia nas estratégias de sustentabilidade tende a se tornar cada vez mais necessário para empresas que desejam manter credibilidade junto ao mercado.   FAQ sobre uso de IA no setor de pet food
A inteligência artificial pode ser sustentável no setor pet food?
Sim, desde que seja utilizada com objetivos claros, como reduzir desperdícios e otimizar processos produtivos.
  Quais são os principais impactos ambientais da IA?
Consumo elevado de energia, uso intensivo de água e impactos associados à infraestrutura de data centers.
  Por que o uso excessivo de IA pode ser um problema?
Quando adotada sem estratégia, a tecnologia pode gerar impactos ambientais que não são compensados por benefícios reais, além de comprometer a credibilidade das empresas. Fonte: Cães & Gatos

Sustentabilidade Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa
 

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Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa  

Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production, indica que rações premium para cães, especialmente as úmidas, cruas e com alto teor de carne, apresentam emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente superiores às da ração seca convencional. A pesquisa avaliou quase 1.000 produtos comerciais disponíveis no mercado do Reino Unido.
  De acordo com os pesquisadores, a produção de ingredientes para a alimentação canina no país responde por cerca de 1% das emissões totais de GEE. O levantamento também aponta que cães alimentados com dietas premium ricas em carne podem ter pegadas de carbono dietéticas maiores do que as de seus próprios tutores.   Cálculo da pegada de carbono
O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e Exeter (Inglaterra), que calcularam as emissões considerando os gases gerados durante a produção dos alimentos. As estimativas utilizaram informações de rotulagem de ingredientes e nutrientes, abrangendo rações secas, úmidas e cruas, além de opções à base de plantas e sem grãos.   Continua depois da publicidade
A análise revelou diferenças expressivas no impacto ambiental conforme a formulação e o método de processamento. Dietas com maior impacto podem emitir de 65 a mais de 160 vezes mais GEE do que aquelas com melhor desempenho ambiental.
  As rações secas convencionais, por utilizarem maior proporção de grãos e subprodutos, apresentaram o menor impacto, com emissões medianas inferiores a 1 kg de CO₂ equivalente por 1.000 calorias (kgCO₂eq/1.000 kcal). Em contrapartida, dietas úmidas e, sobretudo, cruas figuram entre as mais emissoras, com as cruas atingindo uma mediana de 4,7 kgCO₂eq/1.000 kcal.
  O maior impacto foi observado em dietas que incluem carne bovina, alcançando 25,36 kgCO₂eq, valor cerca de 70 vezes superior à média das rações secas.   Comparação com a alimentação humana
O estudo também comparou os impactos com diferentes padrões de alimentação humana. As emissões medianas para alimentar um cão de 20,1 kg com comida úmida ou crua superam as de uma dieta humana vegana, ficando abaixo apenas de dietas humanas muito ricas em carne. No caso de dietas cruas com cortes premium, o impacto pode exceder o de uma dieta humana carnívora.
  Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a população canina mundial fosse alimentada nos mesmos moldes e quantidades dos cães do Reino Unido, as emissões globais poderiam se equiparar às da aviação comercial mundial em um ano.   Papel dos ingredientes e desafios para o setor
O principal fator por trás das diferenças de emissão, segundo o estudo, é a substituição de subprodutos animais por cortes nobres de carne. Dietas premium, sem grãos ou cruas tendem a utilizar ingredientes que demandam mais recursos ambientais, enquanto rações secas convencionais aproveitam subprodutos, maximizando o uso do animal abatido.
  'Como cirurgião-veterinário que trabalha com sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de cães como 'lobos' carnívoros e o desejo de reduzir os danos ao meio ambiente', afirmou John Harvey, veterinário pesquisador da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. 'Nossa pesquisa mostra o quão grande e variável é o impacto climático da ração para cães', acrescenta.
  Para a indústria de pet food, Harvey aponta que o uso de cortes normalmente não consumidos por humanos e uma rotulagem clara podem ajudar a equilibrar saúde animal e redução da pegada ambiental, oferecendo informações mais transparentes para a tomada de decisão dos tutores. Fonte: Panorama Pet & Vet


Nutrição

Nutrição Probióticos x prebióticos x simbióticos
 

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Probióticos x prebióticos x simbióticos  

Diarreias agudas, enteropatias crônicas e gastroenterites são condições comuns na clínica médica de pequenos animais. Por afetarem o sistema gastrointestinal, muitas vezes, requerem o uso de produtos que possam ajudar a recompor a microbiota intestinal. 
  Dentre eles, é recorrente a prescrição de probióticos, prebióticos ou simbióticos, mas ainda existem muitas dúvidas quanto a diferença entre essas três alternativas, que possuem finalidade parecida, mas não são iguais. 

Segundo a médica-veterinária especializada em Gastroenterologia, Cuidados Intensivos e Emergências, membro da Equipe FeroGastro e diretora da Associação Brasileira de Gastroenterologia Animal (ABRAGA), Larissa Nonato, estes produtos possuem variadas indicações. 
  'Eles são recomendados para manutenção do bem-estar do animal. Podem ser usados como terapias adjuvantes em quadros de diarreia (gastroenterite), mudanças alimentares (adaptação intestinal) e outros estímulos para a imunidade em qualquer doença crônica. Inclusive, há evidências recentes de probióticos com ação positiva no tratamento de doença oral, prurido, convulsões e outras alterações, a princípio, muito longe dos intestinos', relata. 
  Além disso, Larissa comenta que nos últimos anos os estudos da microbiota intestinal foram melhorando consideravelmente. Dessa forma, hoje é possível entender as particularidades da microbiota do cão e do gato, e também as diferenças entre filhotes e adultos. Com isso, os produtos indicados para auxiliar o seu bom funcionamento vêm sendo aprimorados.   As diferenças na prática  
Não é difícil de entender a função dos probióticos, prebióticos e simbióticos. A especialista esclarece que os probióticos contém bactérias consideradas desejadas para a microbiota intestinal, sendo esses microrganismos responsáveis por regular a imunidade e a qualidade da saúde dos intestinos.
  Os probióticos começaram a ser fornecidos aos animais no início dos anos 70 com o Lactobacillus acidophilus. Eles são mais comuns e eficientemente usados em ocasiões estressantes, como o período de desmame, durante mudanças na alimentação, em falhas na ingestão do colostro e após tratamentos com antibióticos, por exemplo. 
  'Já os prebióticos são elementos que nutrem e alimentam a microbiota. Ou seja, fornecem substrato para a microbiota presente nos intestinos. Geralmente, são compostos por ou açúcares de baixa caloria', cita.
  Basicamente, os prebióticos exercem um efeito osmótico no trato gastrointestinal, enquanto não são fermentados. Os mais utilizados em animais são os mananoligossacarídeos (MOS), os frutooligossacarídeos (FOS) e os galactooligossacarídeos (GOS). 
  Por outro lado, os simbióticos são produtos que contém probióticos e prebióticos na mesma formulação, sendo considerados mais completos.
  'Geralmente, o mesmo paciente pode receber tanto um prebiótico, quanto um probiótico ou um simbiótico. Qual alternativa escolher depende da demanda daquele animal e da praticidade para o manejo', afirma Nonato.  
  Inclusive, o uso de prebióticos em associação aos probióticos apresenta ações benéficas superiores aos antibióticos promotores de crescimento. Dentre os principais motivos para isso estão o fato de não serem metabolizados ou absorvidos durante a passagem pelo trato digestivo superior, servirem como substrato a uma ou mais bactérias intestinais benéficas e possuírem a capacidade de alterar a microbiota intestinal de maneira favorável.   Como prescrever
De acordo com a especialista, uma grande vantagem dessas soluções é que elas podem ser utilizadas desde o desmame de cães e gatos, pois após este período os animais passarão a ter uma microbiota intestinal mais definida.
  Com relação às contraindicações, até o momento não existem evidências científicas que não indiquem o seu uso. Porém, há maior confirmação de eficácia do papel terapêutico dos prebióticos em comparação aos probióticos.
  No que diz respeito às apresentações, como hoje existem opções em pó, pasta e comprimido, Larissa informa que não há indicações quanto a qual é a melhor. 
  'Os produtos mais tradicionais e estudados na saúde humana são aqueles em apresentações em pó ou em cápsulas. Contudo, na Medicina Veterinária a apresentação mais popular é a pasta oral, que facilita a administração em casa devido a maior palatabilidade', cita. 
  Outro ponto importante é que não há evidências apontando para o melhor horário ou a necessidade de jejum para que os probióticos, prebióticos e simbióticos tenham mais eficácia.
  'Os estudos são heterogêneos e os resultados são variados. Portanto, fica a critério do médico-veterinário a indicação de um horário para administrar o produto. Entretanto, acredita-se que o período noturno, especialmente após a refeição, seja o momento mais adequado para que os probióticos permaneçam mais tempo no trajeto da luz gastrointestinal (oro-fecal). Porém, tudo isso é apenas uma teoria', conclui. Fonte: Cães e Gatos

Nutrição Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina

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Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina

A osteoartrite (OA) é uma doença articular crônica, de caráter progressivo e degenerativo, frequentemente diagnosticada em cães de raças grandes, obesos, idosos, bem como naqueles com predisposição genética, como os Labradores Retrievers e os Pastores Alemães. Os sinais clínicos mais comumente observados incluem dor articular, limitação de movimento, crepitação e inflamação, resultando em restrição da atividade física e recusa à realização de atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, comprometendo significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais acometidos.

Dentre as opções de tratamento convencionais, estão incluídas as cirurgias das articulações afetadas e o controle da dor com administração de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), cujos benefícios clínicos em termos de analgesia e melhora funcional são amplamente reconhecidos. No entanto, o uso prolongado desses medicamentos pode ser associado a eventos adversos relevantes, incluindo toxicidade renal e hepática, bem como complicações gastrointestinais. Além disso, a eficácia terapêutica depende não apenas da farmacodinâmica do princípio ativo, mas também da adesão ao tratamento, que está diretamente ligada à palatabilidade e facilidade de administração do medicamento. Diante dessas limitações, cresce o interesse por tratamentos complementares e menos invasivos, como a utilização de nutracêuticos e suplementos alimentares.

Os nutracêuticos são produtos bioativos com potencial terapêutico, amplamente utilizados no manejo da OA em cães. Entre os compostos estudados como alternativas terapêuticas destacam-se a glucosamina, o sulfato de condroitina, o colágeno tipo II não desnaturado, os ácidos graxos ômega-3 e os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD). Esses agentes são utilizados com o objetivo de modular processos inflamatórios, estimular a regeneração e manutenção da cartilagem articular, reduzir a dor e melhorar a função locomotora.

Diante desse cenário, os petiscos funcionais surgem como um veículo eficaz para a administração desses compostos, sobretudo porque oferecem maior aceitação pelos cães e facilitam o manejo por parte dos tutores, já que regularmente são oferecidos como reforços positivos em treinamentos e/ou como expressões de afeto dos tutores para com seus animais de estimação. Estudos como o de Costa et al. (2025), ao avaliarem a aceitação de diferentes formas farmacêuticas para administração de medicamentos de uso contínuo em cães, com base na percepção dos tutores, demonstraram elevada taxa de aceitação para o biscoito funcional (95%) e para a pasta palatável (90%), seguidos pelo sachê em pó (75%), suspensão oral (60%) e cápsula (35%). As apresentações associadas diretamente à alimentação exibiram desempenho superior em termos de adesão, ao passo que cápsulas apresentaram menor aceitabilidade, sobretudo entre cães de pequeno porte. A palatabilidade elevada, característica natural dos petiscos, contribui para uma adesão terapêutica superior quando comparada à suplementação tradicional em cápsulas ou pós, que frequentemente é rejeitada pelos animais ou esquecida pelos tutores. Outro benefício relevante está na padronização das doses: cada unidade do petisco pode ser formulada para conter concentrações exatas de bioativos, garantindo precisão na ingestão e facilitando o acompanhamento terapêutico. 

Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e processamento de petiscos funcionais enfrenta também desafios e exige atenção a aspectos tecnológicos e nutricionais uma vez que a eficácia dos bioativos depende fortemente dos ingredientes utilizados e do processamento utilizado ao longo da sua fabricação.

A matriz alimentar do petisco pode influenciar positivamente ou negativamente a biodisponibilidade dos nutrientes. Formulações com teores adequados de lipídios, por exemplo, auxiliam na absorção de compostos lipossolúveis como EPA e DHA. Da mesma forma, ingredientes funcionais adicionais (fibras fermentáveis, prebióticos, antioxidantes) podem exercer efeitos complementares à função articular e inflamatória.

Muitos compostos utilizados no manejo da OA são sensíveis ao calor, oxidação e umidade, ou seja, diferentes métodos de fabricação influenciam diretamente a integridade, a estabilidade e a biodisponibilidade dos ingredientes nutracêuticos adicionados. 

A extrusão, principal método na indústria pet food, expõe os ingredientes a altas temperaturas e pressões que podem degradar compostos essenciais para a eficácia terapêutica. O assamento prolongado, por sua vez, intensifica reações de Maillard e oxidação lipídica, reduzindo a funcionalidade de ativos sensíveis. A moldagem a frio surge como uma alternativa atraente, mas apresenta limitações relacionadas à vida útil, segurança microbiológica e custos operacionais. Dessa forma, o desafio está em adaptar tecnologias tradicionais de fabricação para minimizar a degradação dos bioativos, sem prejudicar textura, palatabilidade e segurança.

Para minimizar perdas funcionais, a indústria adota tecnologias como microencapsulação, coating pós-processamento e controle rigoroso de atividade de água e oxidação. Fábricas modernas utilizam extrusoras de baixa temperatura, linhas híbridas de produção, NIR em linha para monitoramento contínuo e embalagens inteligentes que prolongam a vida útil dos nutracêuticos. A modelagem computacional também otimiza parâmetros industriais, garantindo maior preservação dos ativos.

As inovações industriais aplicadas às fábricas de pet food têm desempenhado papel central na viabilização dos petiscos terapêuticos destinados ao manejo da osteoartrite. A integração entre tecnologia avançada, processos industriais otimizados e saúde animal garante não apenas a estabilidade dos compostos bioativos como também a eficácia dos mesmos, representando uma estratégia nutricional segura, prática e altamente aderente para tutores e profissionais veterinários, contribuindo de maneira significativa para o controle da dor, inflamação e progressão da doença.

Esse movimento acompanha o crescimento acelerado do mercado pet premium, impulsionado por tutores que procuram soluções de saúde preventiva e produtos com maior valor agregado. 

Dessa forma, os petiscos funcionais deixam de ser apenas snacks palatáveis e passam a ocupar posição estratégica como parte de tratamentos complementares, enquanto as fábricas beneficiam-se de tecnologias que promovem eficiência operacional, redução de perdas e inovação contínua, tornando-se protagonista no desenvolvimento de soluções nutricionais mais sustentáveis, rastreáveis e personalizadas. Por Flávia Lavach
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências bibliográficas
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COSTA, M. B. F.; CHAMELETE, M. O.; MARTINEZ, M. S. de S. S.; ANDRADE, T. U. de. Palatability test of different pharmaceutical forms for administration of continuous-use medications in dogs: evaluation by owners. Observatório de la Economia Latinoamericana, [S. l.], v. 23, n. 9, p. e11390, 2025.
DE GODOY, M. R. C. et al. In vitro disappearance characteristics of selected categories of commercially available dog treats. Journal of Nutritional Science, v. 3, p, 47, 2014. 
GAMBLE, L. J. et al. Pharmacokinetics, Safety, and Clinical Efficacy of Cannabidiol Treatment in Osteoarthritic Dogs. Frontiers Veterinary Science, v. 23, p. 5-16, 2023.
KHAN, S. A. e MCLEAN, M. K. 2012. Toxicology of frequently encountered nonsteroidal anti inflammatory drugs in dogs and cats. Veterinary Clinics North America Small Animal Practice , v. 42(2), p. 289-306, 2012.
KIM, J. et al. Effect of microencapsulation on viability of probiotic in functional dog treats. Veterinary Research Communications, v. 43, n. 2, p. 91-101, 2019.
MATA, F. e DORMER, L. The efficacy of neutraceuticals to alleviate dog osteoarthritis symptoms, a meta analysis of case-control trials. Veterinary Archive Science, v. 93, p. 351-360, 2023.
OBA, P. et al. Nutrient and Maillard reaction product concentrations of commercially available pet foods and treats. Journal of Animal Science, v. 100, p. 11, 2022.
 


Tecnologia

Tecnologia Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

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Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

O que são gêmeos digitais e em que usam atualmente?
Um gêmeo digital é uma réplica virtual dinâmica de um ativo físico, um processo ou um sistema de produção inteiro. Ao contrário de uma simulação estática, o gêmeo digital é continuamente alimentado com dados reais de sensores e sistemas de controle, permitindo que ele reflita o estado atual do processo e antecipe seu comportamento futuro.

Segundo a IBM, os  gêmeos digitais são atualmente usados na manufatura para melhorar a eficiência operacional, otimizar processos, reduzir falhas, acelerar o desenvolvimento de produtos e possibilitar manutenção preditiva. No campo industrial, sua aplicação abrange desde linhas de produção individuais até plantas completas, integrando variáveis de operação, consumo de energia, qualidade e desempenho de equipamentos, bem como no planejamento de plantas, testes virtuais de novos produtos, otimização de  layouts e controle de processos complexos, entre outros.
Da simulação à tomada de decisão preditiva
O avanço dos gêmeos digitais está intimamente ligado à convergência entre simulação de processos, sensores industriais, inteligência artificial e computação em nuvem. Essa integração permite que os fabricantes migrem de um modelo reativo, baseado em amostragem manual e ajustes subsequentes, para uma abordagem preditiva e preventiva.

De acordo com um artigo da StartUs Insights, o mercado de gêmeos digitais aplicados à manufatura pode atingir USD 714.000 milhões até 2032, impulsionado pela necessidade de otimizar processos complexos e reduzir ineficiências operacionais. O mesmo relatório indica que mais de 81% das empresas globais já estão explorando ativamente o metaverso industrial, e que 62% aumentaram seus investimentos nessas tecnologias no último ano.

Esses números refletem uma mudança estrutural: a simulação não se limita mais ao projeto, tornando-se uma ferramenta central para a gestão diária da planta.

O estudo Digital Twins applications in the food industry: a review identifica quatro principais abordagens para a aplicação dos digital twins na indústria alimentícia, definidas por sua função dentro do sistema de produção. Primeiro, gêmeos digitais com abordagem de previsão são usados para antecipar o comportamento futuro de processos ou equipamentos, com base na análise de dados históricos e condições atuais, permitindo que desvios, insuficiências ou falhas sejam previstos antes que ocorram. Segundo, modelos de simulação reativos permitem monitorar o processo em tempo real e responder de forma autônoma a desvios, ajustando variáveis operacionais e recomendando ações corretivas ou preventivas. Uma terceira abordagem é o comissionamento virtual, onde gêmeos digitais são usados para testar, validar e otimizar novas tecnologias, equipamentos ou configurações de plantas em um ambiente virtual antes de sua implementação física. Por fim, a abordagem de simulação baseada em sincronização mantém o gêmeo digital alinhado em tempo real ou quase em tempo real com o sistema físico, criando uma representação altamente precisa do processo, especialmente valiosa para analisar cenários, otimizar operações e melhorar a tomada de decisão em sistemas complexos.
Como os gêmeos digitais contribuem para a indústria de ração para pets?
Se focarmos estritamente na indústria de alimentos para pets, a variabilidade das matérias-primas é um dos principais fatores que impactam a qualidade final do produto. Ingredientes como cereais, farinhas proteicas, gorduras e subprodutos de origem animal apresentam flutuações naturais em umidade, teor proteico, gordura e granulometria.
De acordo com uma análise técnica publicada pela Haskell, essas variações afetam diretamente operações críticas como extrusão e secagem, influenciando atributos como textura, densidade, estabilidade nutricional e vida útil do produto. Métodos tradicionais de controle geralmente detectam essas variações quando o produto já foi fabricado, gerando retrabalho, desperdício e perdas de eficiência. Por outro lado, os gêmeos digitais permitem que você antecipe esses efeitos antes que impactem o produto final.

Em ração para pets, um gêmeo digital é construído a partir de modelos que representam o comportamento térmico, mecânico e dinâmico de cada operação de unidade: mistura, condicionamento, extrusão, secagem e resfriamento. Esses modelos são alimentados em tempo real com dados de sensores instalados na fábrica, como medições de umidade dos ingredientes, temperatura do canhão do extrusor, velocidade do parafuso, pressão, fluxo de ar e parâmetros do secador. Essa informação sincroniza o modelo virtual com o processo real, criando uma representação viva da planta em operação.

Em sistemas de controle em circuito fechado, os gêmeos digitais não apenas observam o processo, mas também preveem como uma variação da matéria-prima impactará o produto final e ajustam automaticamente os parâmetros operacionais para compensá-lo, mesmo antes do ingrediente entrar no extrusor.
Benefícios de sua implementação   A implementação dos gêmeos digitais traz benefícios concretos em múltiplos níveis. Primeiramente, melhora significativamente a consistência do produto, reduzindo a variabilidade de lote para lote, um fator chave para a confiança do consumidor e para a reputação da marca.
  Além disso, ao evitar a produção fora das especificações, diminui o desperdício de matérias-primas e energia. Essa abordagem também possibilita otimizar o consumo de energia e aumentar o desempenho sem comprometer a qualidade, impactando diretamente os custos operacionais.

Outro benefício estratégico é a aceleração do desenvolvimento de novos produtos. As formulações podem ser testadas virtualmente, avaliando seu comportamento no processo antes da realização dos testes físicos, o que reduz o tempo, riscos e custos associados aos testes industriais.

Além disso, há a possibilidade de integrar manutenção preditiva, usando gêmeos digitais para detectar desvios no desempenho dos equipamentos e antecipar falhas, evitando paradas não planejadas.
Gêmeos digitais, uma tecnologia chave para construir plantas verdadeiramente conectadas
A adoção dos gêmeos digitais marca um ponto de virada na forma como as fábricas de produção de ração para pets são gerenciadas. Não se trata mais apenas de automatizar, mas de entender o processo em profundidade, antecipar desvios e tomar decisões baseadas em dados reais e comparáveis.

Em um cenário onde eficiência, sustentabilidade e qualidade são cada vez mais decisivas, os gêmeos digitais são consolidados como uma ferramenta estratégica para fabricantes que buscam escalar, se diferenciar e construir plantas verdadeiramente conectadas e resilientes. Por Candelaria Carbajo – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
Gallagher, Nick (Actualizado el  17 de octubre del 2025) What is a Digital Twin? IBM
Prasser, David R. (July 21, 2025). Future of Manufacturing: 13 Trends Driving 2026-2035 Growth. StarUs Insights
Abdurrahman, Emadaldin Elfatih M. & Ferrari, Giovanna. (3 de abril de 2025). Digital Twin applications in the food industry: a review. Frontiers
Haskell. (19 de diciembre de 2025). A Process Engineering Perspective on Digital Twins in Pet Food Manufacturing.

Por Maria Candelaria Carbajo

Tecnologia Processamento de alimentos para cães e gatos: desafio “nosso” de cada dia

7+ MIN

Processamento de alimentos para cães e gatos: desafio “nosso” de cada dia

Atualmente, os alimentos para cães e gatos são classificados em três categorias: completos, coadjuvantes e específicos, podendo ser seco ou úmido. Dentro de cada uma delas, as empresas desenvolvem subcategorias para atender diferentes perfis de animais, como sêniores, atletas, obesos entre outras. Tem crescido de forma consistente a busca por alimentos alternativos, ingredientes funcionais e soluções mais sustentáveis. Esse movimento tem impulsionado pesquisas intensas para que os alimentos ofereçam não apenas nutrição adequada, mas também benefícios adicionais à saúde, maior qualidade de vida e menor impacto ambiental.

Para entregar tudo isso, a indústria já não depende apenas de equipamentos robustos ou somente formulações genéricas para cães e gatos. Agora, mais do que nunca, a empresa precisa estar conectada em tempo real a cada etapa do processo, com cada setor responsável pela elaboração daquele alimento. Assim, máquinas, sensores, softwares e pessoas precisam operar de forma integrada para que a produção seja ajustada ao processo e melhore continuamente. Com isso, ao combinar automação, dados e conhecimento técnico, uma fábrica automatizada transforma a produção em um processo dinâmico, inteligente e capaz de evoluir continuamente.   Inovação que se fabrica todos os dias   Um exemplo prático de como isso se aplica à produção de alimentos secos para cães e gatos está no ganho de precisão em cada etapa do processo, como extrusão, secagem e recobrimento. Um sistema automatizado permite:
  Dosagem precisa e automática de microingredientes, especialmente em alimentos coadjuvantes, que exigem alto nível de precisão. Controle automático e inclusão de carne fresca, farinhas e óleos. Laboratórios altamente tecnificado permitindo análise de todos as matérias-primas no recebimento. NIRs em linha com resultados just in time, permitindo ajustes imediatos quando necessário. Minimização de variações que afetam digestibilidade e palatabilidade. Rastreabilidade completa e digital, desde o recebimento até o produto acabado. Indicadores automáticos de eficiência (OEE), ajudando a identificar gargalos e oportunidades de melhoria.
  Na extrusão, etapa central na fabricação de kibbles, é profundamente otimizada com a automação:
  Controle de temperatura e pressão em cada zona do extrusor. Controle de velocidade da rosca. Adição de vapor e água conforme necessidade. Maior consistência no cozimento, impactanto positivamente a digestibilidade, textura e durabilidade do kibble. Densidade e expansão do kibble mais homogêneos, com melhor gelatinização do amido e redução de desperdícios. Registro automático dos parâmetros do processo, garantindo rastreabilidade e padronização entre lotes.
A etapa de secagem é essencial para a retirada de água e o controle da atividade de água, fatores que contribuem diretamente para a segurança microbiológica do produto. Além disso, a umidade interfere na palatabilidade: cães tendem a preferir alimentos ligeiramente mais úmidos, enquanto gatos costumam aceitar melhor alimentos mais secos. Por isso, a integração de sensores e softwares inteligentes nos secadores é fundamental, evitando o sub ou super processamento e garantindo que cada lote atinja exatamente a umidade desejada. Esse controle preciso assegura estabilidade, segurança e a palatabilidade adequada ao perfil de cada espécie.
  Outra etapa importante é o recobrimento, etapa sensível na fabricação de alimentos secos. Hoje, o mercado conta com sistemas de recobrimento muito mais modernos, como os equipamentos batelada com vácuo, que permitem uma aplicação altamente precisa dos ingredientes. Esse nível de controle influencia diretamente a palatabilidade, a estabilidade oxidativa e a aceitação final do produto, garantindo maior desempenho sensorial e qualidade ao alimento.
  Além disso, a automação permite uma rastreabilidade muito mais robusta e acessível. Com sistemas integrados, é possível acompanhar cada lote, desde a matéria-prima até o produto acabado, o que garante:
  Identificação rápida de não conformidades. Respostas mais eficientes em casos de recall. Maior transparência para o consumidor. Histórico completo e auditável de cada etapa do processo.
  Essa rastreabilidade é especialmente crítica na produção de alimentos coadjuvantes e terapêuticos, onde qualquer variação nutricional pode comprometer a eficácia do produto. Com controles digitalizados, a indústria assegura precisão, consistência e total segurança do lote ao consumo pelos cães e gatos.
A importância da rotulagem   Outra etapa igualmente essencial é a elaboração da rotulagem do produto, fundamental para garantir que todas as informações obrigatórias estejam presentes e corretas, conforme a legislação de cada país.
  Nessa etapa, é essencial envolver representantes de todas as áreas da cadeia produtiva, como: Regulatório, Garantia da Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos e Embalagem e Marketing. Essa integração assegura que a rotulagem e a embalagem sejam construídas de maneira segura, eficiente e sem retrabalhos, sendo compatível com a linha de envase e atraente para o consumidor final. A tecnologia também tem um papel cada vez mais relevante nesse processo. Atualmente, muitas empresas utilizam softwares especializados que realizam a conferência automática das descrições dos rótulos a cada versionamento, comparando informações, destacando inconsistências e reduzindo significativamente o risco de erros humanos. Essa automação traz maior segurança documental, agilidade na revisão e confiabilidade na aprovação final da rotulagem.
  Outro assunto que ganha cada vez mais espaço dentro da indústria pet food e que impacta diretamente toda a cadeia produtiva é a sustentabilidade. Mais do que uma tendência, ela se tornou um pilar estratégico que orienta decisões desde a escolha de matérias-primas até o desenvolvimento de embalagens e o desenho dos processos industriais. Implementar sustentabilidade na indústria pet food é desafiador porque envolve equilibrar eficiência produtiva, custos, regulamentações e, ao mesmo tempo, atender às expectativas de consumidores cada vez mais atentos ao impacto ambiental dos produtos que compram. A cadeia é complexa: depende de ingredientes de origem animal e vegetal, exige grande volume de água e energia e utiliza embalagens com alta barreira, muitas vezes difíceis de reciclar.
  Ainda assim, o setor tem avançado de forma consistente. Cada vez mais empresas incorporam matérias-primas inovadoras, como as chamadas super proteínas entre elas as farinhas de larvas de insetos que possuem pegada ambiental reduzida e excelente valor nutricional. Paralelamente, cresce o movimento interno de reduzir o consumo de água e energia, reaproveitar recursos, monitorar e mitigar emissões de CO₂ e desenvolver embalagens monomateriais 100% recicláveis, que facilitam a reinserção no ciclo produtivo e diminuem o impacto ambiental.
  Um passo ainda mais estratégico é a adoção da Avaliação do Ciclo de Vida (AVC), uma ferramenta que quantifica os impactos ambientais de um produto desde a origem dos ingredientes até o destino final. Empresas que já realizam esse estudo se destacam por tomar decisões baseadas em dados reais, identificando pontos críticos e direcionando esforços de forma assertiva, seja na escolha de matérias-primas, na eficiência dos processos ou na sustentabilidade das embalagens. A ACV é vista como uma das principais tendências para o futuro da indústria pet food, e um diferencial competitivo das organizações que realmente se comprometem com a redução de impactos ambientais em todas as etapas da cadeia.
  Com isso, ao reunir inovação, responsabilidade e visão de longo prazo, a indústria Pet Food demonstra que sustentabilidade não é apenas um discurso, mas um caminho sem volta e uma oportunidade concreta de construir produtos melhores, processos mais eficientes e um futuro mais equilibrado para o planeta e para as próximas gerações. Isso mostro que o desafio de produzir alimentos para cães e gatos vai muito além da formulação ou da escolha dos ingredientes. Ele envolve uma cadeia complexa que depende de tecnologia, integração, controle rigoroso e inovação contínua.
  Por Josiane Volpato e Juliana Soares Brazorotto
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Josiane Volpato

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