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Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina
Nutrição

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Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina

A osteoartrite (OA) é uma doença articular crônica, de caráter progressivo e degenerativo, frequentemente diagnosticada em cães de raças grandes, obesos, idosos, bem como naqueles com predisposição genética, como os Labradores Retrievers e os Pastores Alemães. Os sinais clínicos mais comumente observados incluem dor articular, limitação de movimento, crepitação e inflamação, resultando em restrição da atividade física e recusa à realização de atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, comprometendo significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais acometidos.

Dentre as opções de tratamento convencionais, estão incluídas as cirurgias das articulações afetadas e o controle da dor com administração de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), cujos benefícios clínicos em termos de analgesia e melhora funcional são amplamente reconhecidos. No entanto, o uso prolongado desses medicamentos pode ser associado a eventos adversos relevantes, incluindo toxicidade renal e hepática, bem como complicações gastrointestinais. Além disso, a eficácia terapêutica depende não apenas da farmacodinâmica do princípio ativo, mas também da adesão ao tratamento, que está diretamente ligada à palatabilidade e facilidade de administração do medicamento. Diante dessas limitações, cresce o interesse por tratamentos complementares e menos invasivos, como a utilização de nutracêuticos e suplementos alimentares.

Os nutracêuticos são produtos bioativos com potencial terapêutico, amplamente utilizados no manejo da OA em cães. Entre os compostos estudados como alternativas terapêuticas destacam-se a glucosamina, o sulfato de condroitina, o colágeno tipo II não desnaturado, os ácidos graxos ômega-3 e os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD). Esses agentes são utilizados com o objetivo de modular processos inflamatórios, estimular a regeneração e manutenção da cartilagem articular, reduzir a dor e melhorar a função locomotora.

Diante desse cenário, os petiscos funcionais surgem como um veículo eficaz para a administração desses compostos, sobretudo porque oferecem maior aceitação pelos cães e facilitam o manejo por parte dos tutores, já que regularmente são oferecidos como reforços positivos em treinamentos e/ou como expressões de afeto dos tutores para com seus animais de estimação. Estudos como o de Costa et al. (2025), ao avaliarem a aceitação de diferentes formas farmacêuticas para administração de medicamentos de uso contínuo em cães, com base na percepção dos tutores, demonstraram elevada taxa de aceitação para o biscoito funcional (95%) e para a pasta palatável (90%), seguidos pelo sachê em pó (75%), suspensão oral (60%) e cápsula (35%). As apresentações associadas diretamente à alimentação exibiram desempenho superior em termos de adesão, ao passo que cápsulas apresentaram menor aceitabilidade, sobretudo entre cães de pequeno porte. A palatabilidade elevada, característica natural dos petiscos, contribui para uma adesão terapêutica superior quando comparada à suplementação tradicional em cápsulas ou pós, que frequentemente é rejeitada pelos animais ou esquecida pelos tutores. Outro benefício relevante está na padronização das doses: cada unidade do petisco pode ser formulada para conter concentrações exatas de bioativos, garantindo precisão na ingestão e facilitando o acompanhamento terapêutico. 

Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e processamento de petiscos funcionais enfrenta também desafios e exige atenção a aspectos tecnológicos e nutricionais uma vez que a eficácia dos bioativos depende fortemente dos ingredientes utilizados e do processamento utilizado ao longo da sua fabricação.

A matriz alimentar do petisco pode influenciar positivamente ou negativamente a biodisponibilidade dos nutrientes. Formulações com teores adequados de lipídios, por exemplo, auxiliam na absorção de compostos lipossolúveis como EPA e DHA. Da mesma forma, ingredientes funcionais adicionais (fibras fermentáveis, prebióticos, antioxidantes) podem exercer efeitos complementares à função articular e inflamatória.

Muitos compostos utilizados no manejo da OA são sensíveis ao calor, oxidação e umidade, ou seja, diferentes métodos de fabricação influenciam diretamente a integridade, a estabilidade e a biodisponibilidade dos ingredientes nutracêuticos adicionados. 

A extrusão, principal método na indústria pet food, expõe os ingredientes a altas temperaturas e pressões que podem degradar compostos essenciais para a eficácia terapêutica. O assamento prolongado, por sua vez, intensifica reações de Maillard e oxidação lipídica, reduzindo a funcionalidade de ativos sensíveis. A moldagem a frio surge como uma alternativa atraente, mas apresenta limitações relacionadas à vida útil, segurança microbiológica e custos operacionais. Dessa forma, o desafio está em adaptar tecnologias tradicionais de fabricação para minimizar a degradação dos bioativos, sem prejudicar textura, palatabilidade e segurança.

Para minimizar perdas funcionais, a indústria adota tecnologias como microencapsulação, coating pós-processamento e controle rigoroso de atividade de água e oxidação. Fábricas modernas utilizam extrusoras de baixa temperatura, linhas híbridas de produção, NIR em linha para monitoramento contínuo e embalagens inteligentes que prolongam a vida útil dos nutracêuticos. A modelagem computacional também otimiza parâmetros industriais, garantindo maior preservação dos ativos.

As inovações industriais aplicadas às fábricas de pet food têm desempenhado papel central na viabilização dos petiscos terapêuticos destinados ao manejo da osteoartrite. A integração entre tecnologia avançada, processos industriais otimizados e saúde animal garante não apenas a estabilidade dos compostos bioativos como também a eficácia dos mesmos, representando uma estratégia nutricional segura, prática e altamente aderente para tutores e profissionais veterinários, contribuindo de maneira significativa para o controle da dor, inflamação e progressão da doença.

Esse movimento acompanha o crescimento acelerado do mercado pet premium, impulsionado por tutores que procuram soluções de saúde preventiva e produtos com maior valor agregado. 

Dessa forma, os petiscos funcionais deixam de ser apenas snacks palatáveis e passam a ocupar posição estratégica como parte de tratamentos complementares, enquanto as fábricas beneficiam-se de tecnologias que promovem eficiência operacional, redução de perdas e inovação contínua, tornando-se protagonista no desenvolvimento de soluções nutricionais mais sustentáveis, rastreáveis e personalizadas. Por Flávia Lavach
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências bibliográficas
ALEXANDRU, C. B.; SORANA, D.; ADRIAN, M. The science of snacks: a review of dog treats. Frontiers in Animal Science, v. 5, 2024.
COSTA, M. B. F.; CHAMELETE, M. O.; MARTINEZ, M. S. de S. S.; ANDRADE, T. U. de. Palatability test of different pharmaceutical forms for administration of continuous-use medications in dogs: evaluation by owners. Observatório de la Economia Latinoamericana, [S. l.], v. 23, n. 9, p. e11390, 2025.
DE GODOY, M. R. C. et al. In vitro disappearance characteristics of selected categories of commercially available dog treats. Journal of Nutritional Science, v. 3, p, 47, 2014. 
GAMBLE, L. J. et al. Pharmacokinetics, Safety, and Clinical Efficacy of Cannabidiol Treatment in Osteoarthritic Dogs. Frontiers Veterinary Science, v. 23, p. 5-16, 2023.
KHAN, S. A. e MCLEAN, M. K. 2012. Toxicology of frequently encountered nonsteroidal anti inflammatory drugs in dogs and cats. Veterinary Clinics North America Small Animal Practice , v. 42(2), p. 289-306, 2012.
KIM, J. et al. Effect of microencapsulation on viability of probiotic in functional dog treats. Veterinary Research Communications, v. 43, n. 2, p. 91-101, 2019.
MATA, F. e DORMER, L. The efficacy of neutraceuticals to alleviate dog osteoarthritis symptoms, a meta analysis of case-control trials. Veterinary Archive Science, v. 93, p. 351-360, 2023.
OBA, P. et al. Nutrient and Maillard reaction product concentrations of commercially available pet foods and treats. Journal of Animal Science, v. 100, p. 11, 2022.
 

Conectando nutrientes sensíveis para uma nutrição de precisão
Nutrição

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Conectando nutrientes sensíveis para uma nutrição de precisão

Por Armando Enriquez de la Fuente Blanquet

Um ponto importante e frequentemente subestimado é: como a digitalização pode melhorar a parte nutricional dos micronutrientes da ração para pets, mesmo quando esses nem sempre são vistos como "tecnologia". Ao ter controle preciso dos parâmetros de extrusão (temperatura, umidade, pressão, tempo de cozimento), a qualidade de nutrientes sensíveis , como vitaminas, minerais e aminoácidos, pode ser melhor preservada, prevenindo sua degradação pelo calor ou pela umidade excessiva. A consistência entre os lotes também ajuda a garantir níveis homogêneos de micronutrientes. O controle durante o processo permite verificar a densidade, umidade, tamanho e formato da ração, o que influencia a digestibilidade, textura, absorção de nutrientes e palatabilidade; Fatores-chave quando falamos de dietas específicas (alta digestibilidade, controle de peso, saúde digestiva). Rastreabilidade e registro digital facilitam auditorias nutricionais, controle de fórmulas, conformidade com normas e/ou regulamentos, e documentação dos micronutrientes por lote; especialmente importante diante das demandas por transparência, qualidade, saúde animal ou dietas especiais. Com dados históricos e suporte analítico, os fabricantes podem otimizar receitas para eficiência nutricional e de custos. Por exemplo, otimizar a combinação de ingredientes, fontes de proteína, aditivos, vitaminas, minerais, para alcançar melhor equilíbrio nutricional sem sacrificar economia ou escalabilidade. 

Além disso, vitaminas e minerais traço (zinco, ferro, cobre, manganês, selênio, iodo, entre outros) desempenham papéis essenciais no metabolismo energético, saúde imunológica, desenvolvimento ósseo e muscular, integridade da pele e da pelagem, regulação da oxidação celular, reprodução, crescimento, etc.

Os micronutrientes, por outro lado, enfrentam desafios tecnológicos durante a fabricação de alimentos: 
  Sensibilidade ao calor, umidade e oxigênio: As vitaminas são altamente termolábeis e podem se degradar durante a extrusão e secagem. É essencial usar produtos com tecnologias de microencapsulamento que protejam as vitaminas das altas temperaturas e reduzam a oxidação e as interações químicas com minerais.
  Interações químicas: os minerais traço podem oxidar ou inativar vitaminas se não forem adequadamente protegidos (por exemplo, ferro e cobre). O uso de minerais quelados e/ou em formas orgânicas não só proporciona maior biodisponibilidade e estabilidade dos oligoelementos durante o processo térmico, mas também reduz a interação negativa com outros nutrientes.
  Dificuldade em dosar pequenas quantidades: os pré-misturados são aplicados em microdoses, então uma pequena variação afeta o valor nutricional do lote. Hoje estamos falando de mistura inteligente, onde o software de controle monitora os tempos ótimos, velocidade de mistura, sequência de incorporação e homogeneidade final, para garantir uma distribuição uniforme de vitaminas e minerais.
  Problemas de distribuição na mistura: a homogeneidade deve ser muito alta para garantir que cada ração contenha a mesma proporção de nutrientes. Fabricantes de pré-misturas produzem misturas precisas e consistentes que minimizam erros de dosagem, garantem consistência de lote para lote e facilitam o registro e auditoria nutricional.
Esses desafios estão impulsionando uma forte demanda por tecnologias avançadas de formulação, automação inteligente e sistemas de monitoramento digital. A incorporação precisa de vitaminas e oligoelementos não depende mais apenas do conhecimento nutricional, mas hoje exige processos automatizados, sensores inteligentes, controle digital e manutenção preditiva. Assim, a planta de ração para pets se torna um ambiente onde a inovação nos ingredientes se combina com a transformação tecnológica para garantir produtos mais seguros, estáveis, nutritivos e confiáveis. 
Conclusão 
A digitalização das plantas de ração para pets não é uma tendência do futuro distante, é uma realidade com várias conquistas concretas já implementadas. Automação, sensores, controle digital, IA e tecnologias de análise de dados estão transformando a forma como a ração para pets é produzida, melhorando eficiência, qualidade, consistência, rastreabilidade, sustentabilidade e flexibilidade.
  Por MVZ Armando Enriquez de la Fuente Blanquet
Fonte: All Pet Food Magazine

Nutrição de cães e gatos idosos: o que podemos prevenir?
Nutrição

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Nutrição de cães e gatos idosos: o que podemos prevenir?

A longevidade dos cães e gatos tem aumentado de forma constante e inegável nos últimos anos, estando vinculada a aspectos que compreendem tanto o indivíduo, por meio da seleção de raças, quanto a evolução da Medicina Veterinária como um todo. Diante desse cenário, a Medicina Veterinária preventiva tem ganhado destaque, acompanhando o crescimento do número de animais de companhia, e também a maior disponibilidade de bens e serviços veterinários para pequenos animais, especialmente na Ásia e na América Latina.   Apesar da senilidade, por si, não ser considerada uma doença, mas um estágio natural da vida, ela envolve alterações fisiológicas que devem ser identificadas, manejadas e, quando possível, prevenidas. Atualmente, gatos são considerados sênior a partir dos 10 anos de idade, enquanto para cães essa classificação varia conforme o porte e a raça, de forma que cães de grande porte atingem a senilidade mais cedo quando comparados aos cães de pequeno porte. Uma das possíveis justificativas que correlacionam o maior porte dos cães à menor expectativa de vida é o maior tempo de exposição do animal ao Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1 (IGF-1), que promove o crescimento, porém potencialmente também reduz a longevidade.
  Alterações na capacidade de digestão e, consequentemente, do uso adequado dos nutrientes fornecidos pelo alimento, podem acontecer com o passar dos anos. Estudos sugerem que a adição moderada de fibras, em especial as fibras solúveis, melhora o aproveitamento do alimento tanto em cães quanto em gatos. Além da fibra, outro macronutriente estudado na senilidade é a gordura, cuja digestibilidade não aparenta decair significativamente em cães, mas sim em gatos idosos, o que reforça a importância de monitorar o emagrecimento progressivo nessa espécie, à medida que a idade avança, como pilar fundamental do manejo nutricional.
  Outro ponto importante no manejo preventivo dos animais de companhia diz respeito à saúde renal. Observa-se redução na taxa de filtração glomerular (TGF), sobretudo em cães de raças menores, alteração observada até mesmo em humanos com o avançar da idade. Nos gatos, existe uma forte relação entre o desenvolvimento da doença renal crônica e a idade (acima de 12 anos) associada, principalmente, à inflamação intersticial, atrofia tubular e fibrose. Um diferencial é que a proteinúria é rara nos estágios iniciais das glomerulopatias. 
  O entendimento sobre a classificação da doença renal crônica nos cães e gatos idosos de acordo com a International Renal Interest Society (IRIS) é fundamental, uma vez que, nos casos de idade avançada, a perda de massa magra é esperada, seja decorrente de doença prévia ou não. Assim, torna-se essencial ponderar vantagens e desvantagens da restrição proteica nessa faixa etária. 
  Entretanto, o cuidado com a ingestão elevada de fósforo na senilidade é uma medida segura e amplamente atendida pela maioria dos alimentos comerciais de qualidade.
  A adição de nutracêuticos na dieta também é uma questão relevante. Estudos com EPA e DHA avaliaram sua capacidade anti-inflamatória e o potencial de auxiliar no controle de doenças crônicas, como cardiopatias, dermatopatias, doença renal crônica, osteoartrites e distúrbios comportamentais, que são afecções comuns em cães e gatos senis. 
  É importante ressaltar que os efeitos estão relacionados não apenas à quantidade correta de EPA e DHA presentes nos produtos, mas também à oferta contínua do nutracêutico para manutenção dos benefícios. 
  Ainda sobre os nutracêuticos, sabe-se que o dano oxidativo celular que ocorre naturalmente com a idade está relacionado ao surgimento e piora de diversas afecções crônicas. Dessa forma, a adição de antioxidantes no manejo dos pacientes idosos também oferece vantagens. 
  Um dos antioxidantes naturais mais utilizados é o alfa-tocoferol (vitamina E), que atua interrompendo a cascata de oxidação ao impedir a propagação dos danos causados por radicais livres nas membranas biológicas. Um estudo realizado em 2004 indicou que a inclusão aumentada da vitamina E na dieta eleva sua concentração sérica e reduz a quantidade de subprodutos reativos gerados com a oxidação de lipídeos (chamados alkenais), quando comparado ao grupo de cães que não recebeu a suplementação. 
  Tanto os ácidos graxos da família ômega-3 (EPA e DHA), quanto a vitamina E podem ser incorporados diretamente na formulação dos alimentos sênior ou administrados por via oral separadamente. 
  Além dos benefícios já citados, também apresentam resultados positivos no suporte da disfunção cognitiva secundária à idade.
  Por fim, manifestações clínicas da Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC) são prevalentes na população de animais idosos, chegando a 28% dos casos em cães de 12 anos e aumentando para 68% em cães acima de 15 anos, segundo a percepção dos responsáveis. 
  Essa preocupação também se estende aos gatos idosos, estudos que avaliaram gatos acima de 11 anos relatam possível diagnóstico de SDC em 35% dos casos. Nos felinos acima de 15 anos, mais de 50% demonstraram clínica da doença. 
  A atenção aos sinais iniciais da SDC é essencial, partindo de alterações mais sutis, como alterações de comportamento e no ciclo sono-vigília, incluindo a inversão da atividade do dia para noite, até manifestações de desorientação e comprometimento de funções básicas, como alimentação e defecação. A intervenção precoce pode garantir melhor resposta terapêutica, retardar a progressão da doença e até promover melhora clínica do paciente. 
  Entre as estratégias mais promissoras, destaca-se o fornecimento de fontes energéticas capazes de gerar corpos cetônicos, uma vez que a eficiência do cérebro em utilizar glicose como fonte de energia diminui com a idade. 
  Em contrapartida, o aproveitamento de corpos cetônicos pode ocorrer de sete a nove vezes mais. A inclusão de triglicerídeos de cadeia média (TCM) na dieta constitui uma fonte viável para a geração desses corpos cetônicos, que atravessam a barreira hematoencefálica e a membrana mitocondrial, gerando ATP por meio do ciclo de Krebs e da fosforilação. 
  Os óleos TCM são as formas concentradas dos ácidos octanóico e decanoico, geralmente derivados do óleo de coco ou do óleo de palmiste. A concentração desses ácidos no óleo bruto dessas fontes é baixa, em torno de no máximo 12%, o que inviabiliza a suplementação eficaz apenas com óleo de coco ou palmiste na dieta. 
  Dessa forma, a adição de TCMs na dieta deve ser feita pela administração calculada de óleos purificados de TCM ou pelo uso de dietas comerciais que já contenham essa inclusão na dose adequada [20,24]. A suplementação correta de TCM têm demonstrado melhora clínica significativa nos pacientes diagnosticados com SDC, principalmente nos estágios iniciais.
  O avanço da Medicina Veterinária tem garantido maior sobrevida para nossos cães e gatos, tornando essencial o entendimento sobre as afecções mais frequentes e suas estratégias de prevenção e tratamento. A nutrição adequada, sobretudo em quantidades e com fontes ideais de proteína e fibra, além da adição de nutracêuticos específicos, podem proporcionar qualidade de vida não só para o paciente, mas também para os responsáveis que acompanham o envelhecimento de seus animais. 
  Contudo, o cálculo adequado das doses e a escolha correta das fontes são fundamentais para garantir a eficácia e a segurança desses suplementos. Por Erika Pereira, Monique Paludetti e Thais Ximenes
Fonte: Cães e Gatos

Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets
Nutrição

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Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets

No mercado de alimentos para pets, saúde deixou de ser um diferencial e passou a ocupar o centro da estratégia de produtos premium. 
  Tutores estão cada vez mais atentos à nutrição e buscam opções que tragam benefícios funcionais e contribuam para o bem-estar e a longevidade de seus animais.
  Esse movimento acompanha a constante evolução do setor, influenciada por mudanças no comportamento do consumidor, transformações na cadeia de suprimentos e novas demandas do mercado.   O que mudou no conceito de 'premium'
Durante muito tempo, o termo 'premium' esteve diretamente ligado ao preço. Um alimento era considerado premium por custar mais do que produtos básicos da mesma categoria. 
  No entanto, esse conceito começou a perder força à medida que marcas do varejo tradicional passaram a oferecer ingredientes e atributos semelhantes aos das linhas premium.
  A expansão das marcas próprias premium acelerou ainda mais esse processo, tornando o preço um critério menos determinante. 
  Hoje, o que define um produto premium é, sobretudo, o valor percebido — especialmente quando relacionado à saúde.   Saúde vira sinônimo de alimento premium
Segundo Sahiba Puri, gerente global de insights em pet care da Euromonitor, a saúde, incluindo a prevenção de problemas, tornou-se o principal pilar da premiumização. 
  Isso explica porque alegações funcionais e nutricionais aparecem em produtos de diferentes categorias e faixas de preço.
  Durante o Petfood Forum Asia 2025, Puri apresentou dados que mostram as principais alegações presentes em produtos pet vendidos online. 
  'Natural' e 'saudável' lideram o ranking, seguidas por claims mais específicos, como 'sem grãos', 'alto teor de proteína' e 'boa fonte de vitaminas'.   Reflexo de hábitos humanos
Essas alegações permanecem relativamente estáveis ao longo dos anos, o que indica familiaridade e satisfação dos tutores com os resultados percebidos. 
  Outro ponto relevante é que os claims mais valorizados em alimentos para pets refletem escolhas feitas pelos próprios consumidores em sua alimentação.
  Em pesquisas globais, a Euromonitor identificou que tutores de pets tendem a priorizar atributos de saúde e nutrição não apenas ao comprar ração, mas também ao escolher alimentos para si mesmos.
  O destaque para 'alto teor de proteína' exemplifica bem essa convergência entre alimentação humana e animal. 
  Claims como 'alto teor de carne' ou 'carne fresca' também funcionam como indicadores de qualidade nutricional para muitos tutores.
  Segundo especialistas do setor, há cerca de 20 anos, qualquer inclusão de carne fresca já era considerada premium. 
  Hoje, níveis em torno de 30% se tornaram padrão. Já dietas com mais de 50% ou 70% de carne fresca entram claramente na categoria premium, por envolverem formulações mais complexas e maior percepção de valor por parte do consumidor.
  Seja por meio de proteína elevada, carne fresca ou outros ingredientes funcionais, as alegações relacionadas à saúde devem continuar em alta. 
  Cada vez mais, os tutores enxergam a nutrição como base da saúde dos pets — e a saúde como o principal motor da premiunização no mercado.
  FAQ sobre saúde e premiunização dos alimentos pets
Por que a saúde se tornou central nos alimentos premium para pets?
Porque os tutores passaram a associar nutrição de qualidade à prevenção de doenças e ao bem-estar a longo prazo.
  O que hoje define um alimento pet como premium?
Mais do que o preço, pesam atributos como qualidade nutricional, ingredientes funcionais e benefícios à saúde.
Por que proteína e carne fresca são tão valorizadas?
Esses ingredientes refletem tendências da alimentação humana e são percebidos como sinônimo de qualidade e valor nutricional. Fonte: Cães & Gatos

Alimentação pet e saúde comportamental
Nutrição

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Alimentação pet e saúde comportamental

O cuidado com a saúde comportamental de cães e gatos vem ganhando um novo espaço dentro da indústria pet. 
  De acordo com a Purina, mais de 70% dos cães e até 50% dos gatos sofrem com estresse ou ansiedade, números que ajudam a explicar por que algumas marcas estão indo além do desenvolvimento de produtos e investindo em conexões diretas com especialistas em comportamento animal.
  Essa mudança aponta para um novo entendimento: o bem-estar emocional dos pets precisa ser tratado como uma questão clínica, baseada em evidências científicas — e não apenas como um diferencial no rótulo de alimentos ou suplementos.   Saúde emocional também é biológica
Para o veterinário e especialista em comportamento, Dr. Ezra J. Ameis, fundador da Paw Priority, a indústria passa por uma evolução necessária. 
  Segundo ele, assim como dietas já consideram articulações, pele e saúde intestinal, o equilíbrio emocional também deve fazer parte do raciocínio nutricional básico.
  Isso envolve pensar no chamado eixo intestino-cérebro, evitando ingredientes ou desequilíbrios nutricionais que possam agravar quadros de ansiedade. 
  Aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas do complexo B e minerais têm impacto direto na produção de neurotransmissores e na resposta ao estresse.
  Problemas nutricionais, segundo o especialista, não se manifestam apenas na aparência do animal, mas também no comportamento. 
  Inflamações crônicas ou alterações no microbioma intestinal podem tornar cães e gatos mais reativos e sensíveis.
  Algumas marcas já começam a refletir essa nova abordagem. A Omni Pet, por exemplo, contratou um comportamentalista canino interno para oferecer consultas gratuitas a tutores. 
  A iniciativa surgiu após a empresa registrar um aumento de 600% nas vendas de seus petiscos voltados ao estresse e à ansiedade. 
  O serviço orienta tutores sobre temas como ansiedade de separação, medo de fogos, estresse em viagens e reatividade a ruídos.
  Já a Purina Pro Plan Veterinary firmou parceria com a plataforma Ease, especializada em atendimento comportamental veterinário online. 
  A iniciativa faz parte do programa Pro Plan Veterinary Support Mission, lançado em 2024, e busca enfrentar um desafio importante: apenas 0,07% dos veterinários nos Estados Unidos são especialistas certificados em comportamento, apesar de os problemas comportamentais serem uma das principais queixas dos tutores, e uma causa frequente de abandono e eutanásia.
  A plataforma permite que veterinários encaminhem casos comportamentais para avaliação especializada, enquanto tutores recebem planos estruturados com vídeos, orientações personalizadas e suporte contínuo.
Nutrição, suplementos e abordagem integrada
Na prática clínica, o tratamento do estresse e da ansiedade é sempre multifatorial. Dr. Ameis explica que o primeiro passo envolve segurança e ambiente, seguido por modificação comportamental. 
  A nutrição entra como base constante, enquanto suplementos atuam como ferramentas de apoio, com objetivos específicos.
  Segundo ele, produtos calmantes não devem ser apresentados como soluções milagrosas. As marcas que têm maior aceitação entre veterinários são aquelas que se posicionam como parte de um plano completo, que inclui treino, rotina adequada, exercício e, quando necessário, medicação.
  Embora existam ingredientes com respaldo científico, como determinados probióticos, L-teanina, peptídeos do leite e perfis específicos de ômega 3, o especialista reforça que qualidade, dose e espécie importam. 
  Estudos precisam ser feitos em cães e gatos, com cepas e concentrações comprovadas, e não apenas extrapolados de pesquisas em humanos.
  Para que veterinários confiem nesses produtos, transparência e dados claros são essenciais. Menos promessas exageradas e mais ciência aplicada.
  As iniciativas recentes de marcas como Omni Pet e Purina indicam que a indústria começa a entender que cuidar da saúde comportamental dos pets exige mais do que novas fórmulas — exige conexão com quem realmente trata o problema.
  FAQ sobre alimentação e saúde comportamental
Por que a saúde comportamental dos pets ganhou destaque na indústria?
Porque o estresse e a ansiedade afetam grande parte de cães e gatos e estão ligados a abandono, problemas de saúde e queda no bem-estar.
  Qual é a relação entre nutrição e comportamento animal?
Desequilíbrios nutricionais podem afetar o cérebro, o intestino e a produção de neurotransmissores, influenciando diretamente o comportamento.
  Por que parcerias com especialistas são importantes?
Elas garantem abordagens baseadas em ciência, tratamento adequado dos casos e uso mais responsável de alimentos e suplementos.

  Fonte: Cães & Gatos