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Mercado de antioxidantes para pet food deve chegar a US$ 508 milhões
Crescimento da população pet e demanda por ingredientes naturais impulsionam a categoria, aponta relatório
16/07/2026
O mercado global de antioxidantes para alimentos para animais de estimação deve atingir US$ 508,7 milhões (R$ 2.583,5 milhões) até 2033, ante US$ 295,8 milhões (R$ 1.502,3 milhões) registrados em 2024. A projeção é da Growth Market Reports, que estima uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 6,2% entre 2025 e 2033.
Segundo o relatório, a expansão será impulsionada pelo aumento da população de animais de estimação, pela maior preocupação dos tutores com saúde e nutrição e pela demanda crescente por alimentos premium e naturais.
Os antioxidantes são utilizados para prevenir a oxidação de gorduras e óleos presentes nas formulações, contribuindo para a preservação do frescor, sabor e valor nutricional dos produtos.
De acordo com a consultoria, o avanço dos alimentos funcionais e das formulações com perfis nutricionais mais complexos tem ampliado a importância desses ingredientes na indústria de pet food. Produtos com maior teor de gordura e ingredientes especializados exigem sistemas antioxidantes mais eficientes para garantir estabilidade e vida útil.
O relatório também destaca a crescente preferência dos consumidores por ingredientes naturais. Nesse cenário, alternativas como tocoferóis e extratos vegetais vêm ganhando espaço em substituição aos conservantes sintéticos.
Para atender essa demanda, fabricantes têm investido no desenvolvimento de blends antioxidantes, tecnologias de encapsulamento e ingredientes de origem vegetal capazes de ampliar a proteção dos produtos e agregar benefícios funcionais à saúde animal.
Entre os desafios para o crescimento do mercado estão as restrições regulatórias relacionadas aos antioxidantes sintéticos, os custos mais elevados das alternativas naturais e as oscilações no fornecimento de matérias-primas vegetais.
O estudo cita entre os principais participantes do setor empresas como BASF, ADM, Cargill, Kemin Industries, DSM, DuPont, Nutreco, Camlin Fine Sciences, Perstorp Holding e Vitablend Nederland.
Fonte: Panorama Pet&Vet
07/07/2026
O MasterGroom Brasil, consolidado como um dos principais campeonatos de banho e tosa animal do mundo, completa 10 anos em 2026. A edição comemorativa será realizada na PET South America, a principal feira de negócios do mercado pet da América Latina, entre os dias 12 e 14 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Ela promete reunir centenas de profissionais e grandes nomes da estética animal em uma programação especial para celebrar uma década de evolução do setor.
Criado com o propósito de valorizar o groomer e elevar os padrões das competições de tosa no Brasil, o MasterGroom transformou o cenário nacional da estética animal ao longo dos últimos 10 anos. O campeonato ajudou a profissionalizar o segmento, atrair investimentos da indústria e posicionar o país entre as principais referências mundiais na atividade.
Segundo Luiz Renato Marques, idealizador e coordenador técnico da competição, o diferencial do MasterGroom sempre foi colocar o profissional no centro da experiência. "Desde a primeira edição, nosso objetivo foi destacar o groomer e oferecer uma experiência diferenciada. Ao longo dessa trajetória, nos tornamos a maior competição das Américas e conquistamos o respeito dos maiores juízes e profissionais do mundo. Ver o Brasil cada vez mais reconhecido internacionalmente dentro do grooming é motivo de muito orgulho", afirma.
A trajetória do campeonato acompanha o crescimento do mercado pet brasileiro e da própria profissão de groomer. O evento passou de uma iniciativa pioneira para uma competição reconhecida internacionalmente, recebendo jurados de diversos países e atraindo profissionais de todo o território nacional. Atualmente, cerca de 700 competidores participam das disputas ao longo dos três dias de programação, distribuídos em dezenas de categorias que avaliam técnica, criatividade, acabamento e bem-estar animal.
Para marcar os 10 anos, a organização preparou uma série de ações comemorativas. Entre as novidades está um jantar de gala que reunirá competidores, juízes, ex-campeões e representantes da indústria para homenagear os profissionais e empresas que contribuíram para a construção da história do MasterGroom. A cerimônia também reconhecerá groomers que se destacaram ao longo da última década, além de integrantes da chamada "velha guarda" da estética animal brasileira.
Outra novidade será a criação de uma competição por equipes regionais, promovendo uma disputa inédita entre representantes de diferentes partes do país. O objetivo é reforçar o espírito de integração e valorizar a diversidade técnica presente no mercado brasileiro.
A programação contará ainda com transmissão ao vivo durante os três dias, ampliando o acesso para profissionais que querem acompanhar o campeonato tanto de outras cidades do Brasil quanto do exterior. O podcast Papo Pet também retorna à arena para entrevistas em tempo real com vencedores e especialistas do setor.
Além das disputas, o MasterGroom se tornou uma vitrine para o desenvolvimento técnico da profissão. Nos últimos anos, o Brasil passou a ocupar posição de destaque em competições mundiais, contando com groomers reconhecidos e respeitados por especialistas de diversos países.
A competição é uma das atrações fixas da PET South America, que já está com o credenciamento para visitantes aberto no site da feira. Nesta edição, o evento adota um novo modelo com o objetivo de tornar a experiência ainda mais organizada e focada nos profissionais do setor. Até 27 de julho, o credenciamento de profissionais com atuação comprovada na área pode ser feito gratuitamente no site oficial da feira petsa.com.br. Após esse período, será necessário adquirir a entrada no mesmo canal.
Fonte: Serviço PET South America 2026
Data: 12 a 14 de agosto
Horário: das 11h às 20h
Local: Distrito Anhembi
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo - SP, 02012-021
Site: https://www.petsa.com.br/
Sobre a Pet South America
A Pet South America é a mais importante feira de negócios do setor pet da América Latina. Apresenta as principais inovações e lançamentos da indústria para o mercado. É o momento de fazer networking, firmar novas parcerias e se atualizar sobre o setor. O encontro reúne anualmente grandes varejistas, distribuidores e profissionais de todo o Brasil, além de empresários estrangeiros.
Sobre a NürnbergMesse Brasil
A NürnbergMesse Brasil é uma das três maiores empresas organizadoras de eventos e exposições do país. Subsidiária do Grupo NürnbergMesse, promove os mais importantes encontros de negócios da América Latina, onde reúne fornecedores, distribuidores e revendedores de diversos segmentos da economia. O propósito da companhia é ajudar no desenvolvimento da indústria nacional e na relevância do Brasil no mercado externo. Entre os principais eventos promovidos no país estão a Expo Revestir, Haus Decor Show, PET South America, PET VET, FCE Pharma, FCE Cosmetique, Analitica Latin America, Glass South America, E-squadria Show, ABRAFATI SHOW, Construlev Expo, Catarina Aviation Show e BFSHOW.
30/06/2026
As feiras PET South America e PET VET Expo anunciam a abertura oficial do credenciamento de visitantes para a próxima edição, realizada entre 12 e 14 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Os eventos são pontos de encontro obrigatórios para grandes varejistas, distribuidores e profissionais de todo o Brasil, além de empresários estrangeiros, médicos-veterinários, gestores de clínicas, hospitais, laboratórios e acadêmicos que buscam atualização técnica rigorosa e oportunidades estratégicas nos mercados pet e veterinário.
Ao garantir o acesso antecipado, o visitante assegura sua participação em uma jornada completa de imersão. Enquanto a PET VET Expo apresenta o que há de mais moderno em equipamentos e aprofunda conteúdos clínicos e científicos voltados à prática de cuidados com os animais de estimação, a PET South America amplia o olhar para o varejo, inovação e comportamento de consumo, reunindo as principais marcas da indústria com lançamentos em acessórios, higiene, nutrição e produtos para o dia a dia.
A programação contempla ainda conteúdos relevantes, tendências de mercado e oportunidades de conexão entre indústria, varejo e profissionais da área, refletindo a evolução e o dinamismo de um segmento em constante crescimento. Entre as novidades desta próxima edição, estão a ampliação do Pet Food Forum, que terá um dia completo de atividades, e a demonstração de cães de trabalho e agility em áreas dinâmicas projetadas para exibir a alta performance dos animais e o adestramento.
Já consagradas, também estão confirmadas nos eventos as tradicionais rodadas de negócios nacionais e internacionais, e o Mastergroom, a maior competição de tosa do mundo, que em 2026 completa 10 anos em uma edição comemorativa. Na PET VET Expo, o Hospital Design volta ao pavilhão, assim como o Congresso Pet Vet, com conteúdo, inclusive, sobre animais exóticos.
Para a edição de 2026, a PET South America passa a adotar um novo modelo de credenciamento para visitantes, com o objetivo de tornar a experiência ainda mais organizada e focada nos profissionais do setor. Até 27 de julho, o credenciamento de profissionais com atuação comprovada na área pode ser feito gratuitamente no site oficial da feira petsa.com.br. Após esse período, interessados em participar do evento poderão adquirir a sua entrada no mesmo canal. Já para a PET VET Expo, o acesso será realizado exclusivamente mediante aquisição de ingresso, disponível no site oficial do evento petvetexpo.com.br
Fonte: Pet South America
Serviço
PET South America e PET VET Expo
12 a 14 de agosto, das 11h às 20h
Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo
credenciamento@nm-brasil.com.br
Sobre a PET South America
A PET South America é a mais importante feira de negócios do setor pet da América Latina. Apresenta as principais inovações e lançamentos da indústria para o mercado. É o momento de fazer networking, firmar novas parcerias e se atualizar sobre o setor. O encontro reúne anualmente grandes varejistas, distribuidores e profissionais de todo o Brasil, além de empresários estrangeiros.
Sobre a PET VET Expo
A PET VET Expo é a principal feira de medicina veterinária da América Latina. É realizada simultaneamente à PET South America e traz todas as soluções, inovações, tecnologias e produtos focados na saúde, nutrição e bem-estar do animal. O acesso é exclusivo a veterinários e profissionais do mercado. O destaque no evento é o Congresso PET VET, que reúne apresentações e palestras dos mais renomados especialistas da área. O encontro é uma oportunidade para se atualizar, ficar por dentro das novas tecnologias e fazer networking com os principais representantes do segmento.
25/06/2026
As exportações brasileiras de produtos pet cresceram 12% em 2025, consolidando um movimento que vem ganhando força nos últimos anos e que tem levado cada vez mais empresas a buscar oportunidades fora do mercado doméstico. Em um cenário de desaceleração do ritmo de crescimento interno, a internacionalização passa a ser vista por fabricantes como uma importante estratégia para ampliar faturamento, diversificar mercados e fortalecer marcas.
O avanço ocorre em paralelo ao aumento da presença brasileira em feiras internacionais e programas de promoção comercial. Um dos principais exemplos foi a Interzoo 2026, realizada em Nuremberg, na Alemanha, que contou com participação recorde de mais de 60 empresas brasileiras.
Para Luiz Paulo Almeida, sócio da Commpazz, o interesse internacional pelos produtos brasileiros ficou evidente durante o evento. 'Devido à atual conjuntura comercial mundial, os compradores estão cada vez mais atentos a novos fornecedores e o Brasil entrou nesse radar. Com grande variedade de produtos e um mercado consolidado, o país soube captar a atenção nessa edição da Interzoo', afirma.
Entre as categorias que mais despertaram interesse dos compradores internacionais estão areias sanitárias para gatos, cosméticos pet com ingredientes naturais, produtos sustentáveis e snacks naturais.
Brasil ganha visibilidade internacional
Além do número recorde de expositores, a presença brasileira chamou atenção pela forma como as empresas foram distribuídas ao longo dos pavilhões da feira.
Segundo Almeida, diferentemente de edições anteriores, as marcas brasileiras não ficaram concentradas em uma única área, ampliando sua exposição aos visitantes internacionais.
'As empresas brasileiras ficaram presentes em praticamente todos os pavilhões. Os compradores tinham a sensação de estar sempre em contato com um produto brasileiro em qualquer parte da feira. Isso transmite credibilidade e reforça a força do país no cenário internacional', explica.
O executivo destaca ainda que a própria organização da Interzoo ampliou o protagonismo do Brasil na programação do evento, incluindo ações de networking, apresentações culturais e debates dedicados ao mercado pet nacional.
Tendência estrutural
Na avaliação do setor, o crescimento das exportações não representa um movimento pontual. O especialista indica que a indústria brasileira vem atuando no mercado internacional com cada vez mais força nos últimos cinco anos. O momento é muito propício para focar nas exportações, principalmente porque o mercado nacional vem ajustando suas taxas de crescimento e a inserção em mercados do Exterior surge como alternativa para diversificar fontes de receita.
Para ele, a consolidação desse avanço dependerá da capacidade das empresas de desenvolver projetos estruturados e de longo prazo. 'Se tivermos uma visão de médio e longo prazo, a tendência é uma consolidação cada vez mais forte dos produtos brasileiros no exterior', acrescenta.
Nos últimos anos, iniciativas como rodadas internacionais de negócios, missões comerciais e programas de apoio à exportação têm contribuído para aproximar fabricantes brasileiros de distribuidores e compradores de diferentes regiões do mundo.
Novos mercados entram no radar
Historicamente, a América do Sul foi a principal porta de entrada para empresas brasileiras interessadas em exportar. No entanto, esse cenário começa a se diversificar.
Segundo Almeida, a participação crescente em eventos internacionais tem ampliado a visibilidade do setor em regiões antes menos exploradas. 'Quando uma empresa expõe no Oriente Médio ou na Ásia, novos mercados passam a conhecer os produtos brasileiros e novos compradores chegam à mesa de negociação', explica.
Para empresas mais maduras, mercados fora do eixo tradicional Américas-Europa aparecem como as oportunidades mais promissoras. Já para organizações que estão iniciando sua jornada internacional, América do Sul, Estados Unidos e Europa continuam sendo os destinos mais recomendados.
PMEs ampliam presença
Outro movimento observado nos últimos anos é o aumento da participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior. De acordo com Almeida, programas desenvolvidos em parceria entre a Commpazz e a ApexBrasil têm contribuído para ampliar o acesso dessas empresas aos mercados internacionais.
'Os últimos dois anos têm sido fantásticos para as pequenas e médias empresas que buscam exportar. Os compradores internacionais estão em busca de novidades e inovação, e muitas vezes encontram isso justamente nas PMEs', afirma.
Além do apoio institucional, o executivo aponta que a reputação construída por grandes exportadores brasileiros tem ajudado a abrir portas para novos participantes. 'A marca Brasil contribui para que empresas iniciantes estabeleçam conexões mais rapidamente com potenciais clientes', destaca.
Segundo ele, a continuidade da participação em feiras internacionais também tem papel decisivo para consolidar relacionamentos e gerar confiança junto aos compradores.
Com crescimento consistente das exportações, maior visibilidade internacional e aumento da participação de empresas de diferentes portes, a internacionalização deixa de ser uma oportunidade pontual para se consolidar como um dos principais vetores de expansão da indústria pet brasileira.
Fonte: Panorama Pet&Vet
12/06/2026
POR QUE ISSO IMPORTA
A palatabilidade é um dos principais fatores de sucesso de um produto na área de alimentos para animais de estimação. No entanto, prevê-la continua sendo um desafio. O desenvolvimento ainda depende muito de testes iterativos em animais, que são demorados, dispendiosos e, muitas vezes, identificam falhas tardiamente no processo.
Na AFB, estamos mudando essa abordagem usando inteligência artificial (IA) para prever os resultados de palatabilidade antes dos testes. Ao combinar dados históricos com conhecimento de formulação, ajudamos a transformar o desenvolvimento de um processo de tentativa e erro para um processo mais direcionado e eficiente.
O DESAFIO
A palatabilidade resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo ingredientes, níveis de inclusão, sistemas de gordura, processamento e variabilidade animal. Essas interações são complexas e não lineares, o que dificulta a previsão dos resultados.
Devido a essa complexidade, as abordagens tradicionais têm dificuldade em explorar o espaço de formulações de forma eficiente e em fornecer soluções de alto desempenho de forma consistente.
UMA NOVA ABORDAGEM: DOS TESTES À PREVISÃO
Em vez de nos basearmos apenas em experimentos, integramos dados de diferentes ensaios e formulações para identificar padrões e prever resultados.
Nossos modelos transformam dados de entrada, como composição da receita, níveis de ingredientes e condições de processamento, em orientações claras: quais soluções têm maior probabilidade de sucesso e quais apresentam maior risco.
DOS DADOS ÀS DECISÕES
Nossa abordagem converte conjuntos de dados complexos em insights práticos que orientam o desenvolvimento. Em vez de focarmos apenas no desempenho, também consideramos a confiabilidade de cada resultado.
Ao combinar desempenho com confiança, geramos uma priorização clara do que testar em seguida. Isso permite que as equipes se concentrem nas formulações mais promissoras e evitem testes desnecessários.
O QUE ISTO PERMITE
Essa abordagem preditiva nos permite:
Identificar soluções de alto potencial mais cedo
Reduzir a carga experimental
Concentre-se nos ingredientes de maior impacto.
Melhorar a consistência dos resultados
Na prática, grandes espaços experimentais podem ser reduzidos a um conjunto menor de candidatos de alta confiança, acelerando o desenvolvimento e melhorando os resultados.
UMA MANEIRA MAIS INTELIGENTE DE DESENVOLVER PALATANTES
A inteligência artificial não substitui a experiência — ela a aprimora. O conhecimento científico continua sendo fundamental para a interpretação e validação, enquanto os modelos preditivos ajudam a orientar as decisões e a reduzir a incerteza.
Ao combinar dados, ciência e IA, possibilitamos uma abordagem mais eficiente e confiável para o desenvolvimento da palatabilidade.
Fonte: AFB International
23/04/2026
O uso de inteligência artificial (IA) na indústria pet food tem crescido rapidamente, impulsionado pela busca por eficiência, inovação e vantagem competitiva.
No entanto, especialistas alertam que a adoção indiscriminada da tecnologia pode comprometer a credibilidade das estratégias de sustentabilidade — um tema cada vez mais relevante para responsáveis e empresas do setor.
Embora a IA ofereça benefícios importantes, como otimização de formulações e melhoria na cadeia produtiva, seu impacto ambiental e social ainda é pouco discutido de forma transparente.
Infraestrutura da IA traz impactos ambientais relevantes
Por trás das soluções digitais, existe uma infraestrutura robusta que demanda alto consumo de energia, água e espaço físico.
Data centers — essenciais para o funcionamento da IA — exigem grande quantidade de eletricidade, muitas vezes proveniente de fontes não renováveis, além de sistemas intensivos de resfriamento.
Esse cenário pode gerar impactos como aumento das emissões de carbono, pressão sobre recursos hídricos e alterações no uso do solo.
Em algumas regiões, comunidades próximas a essas estruturas também enfrentam consequências indiretas, como competição por recursos naturais.
Além disso, a cadeia produtiva da tecnologia envolve questões sociais, incluindo condições de trabalho na construção e manutenção de infraestrutura e na extração de minerais para equipamentos.
Benefícios existem, mas exigem uso estratégico
Apesar dos desafios, a inteligência artificial também pode contribuir para práticas mais sustentáveis quando aplicada de forma direcionada. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento ambiental, otimizar o uso de recursos e aumentar a eficiência produtiva.
No setor pet food, isso se traduz em aplicações como:
redução de desperdício de ingredientes por meio de formulações mais precisas;
manutenção preditiva de equipamentos, evitando perdas e consumo excessivo de energia;
otimização logística, com potencial de reduzir emissões no transporte.
No entanto, esses benefícios dependem de um uso estratégico. Quando adotada apenas por tendência ou pressão de mercado, a IA pode não gerar ganhos reais suficientes para compensar seus impactos.
Pressão por inovação pode distorcer decisões
A rápida adoção da IA em diferentes setores criou um ambiente competitivo em que empresas sentem necessidade de implementar a tecnologia para não ficarem para trás. Esse movimento, muitas vezes guiado pelo chamado 'fear of missing out' (FOMO), pode levar a decisões pouco fundamentadas.
Pesquisas indicam que a IA melhora desempenho em tarefas dentro de sua capacidade, aumentando velocidade e qualidade. Por outro lado, pode reduzir a precisão em atividades mais complexas, especialmente quando utilizada sem critério.
No setor pet, esse cenário pode incentivar uma 'corrida pela inovação', em que a adoção da tecnologia também funciona como sinal de modernidade para consumidores e investidores — nem sempre acompanhada de benefícios concretos.
Sustentabilidade exige olhar para impactos invisíveis
Um dos principais desafios é que grande parte dos impactos ambientais da IA não aparece diretamente nas operações das empresas que utilizam a tecnologia.
Esses custos ficam concentrados em provedores de nuvem, produção de hardware e sistemas energéticos — o que dificulta sua mensuração nos relatórios corporativos.
Esse fenômeno, conhecido como externalidade, pode levar a uma percepção distorcida dos benefícios da IA. Enquanto os ganhos operacionais são visíveis, os impactos ambientais e sociais ficam diluídos na cadeia.
Para um setor que cada vez mais aposta na sustentabilidade como posicionamento, ignorar esses fatores pode representar um risco reputacional.
Responsáveis estão mais atentos ao ciclo completo dos produtos, incluindo aspectos que vão além da formulação e embalagem.
Caminho está no uso consciente da tecnologia
Especialistas apontam que o caminho não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em adotá-la de forma criteriosa.
Priorizar aplicações que tragam ganhos mensuráveis — ambientais e operacionais — e evitar implementações motivadas apenas por tendência pode ser a chave para equilibrar inovação e responsabilidade.
Além disso, reconhecer e incorporar os impactos indiretos da tecnologia nas estratégias de sustentabilidade tende a se tornar cada vez mais necessário para empresas que desejam manter credibilidade junto ao mercado.
FAQ sobre uso de IA no setor de pet food
A inteligência artificial pode ser sustentável no setor pet food?
Sim, desde que seja utilizada com objetivos claros, como reduzir desperdícios e otimizar processos produtivos.
Quais são os principais impactos ambientais da IA?
Consumo elevado de energia, uso intensivo de água e impactos associados à infraestrutura de data centers.
Por que o uso excessivo de IA pode ser um problema?
Quando adotada sem estratégia, a tecnologia pode gerar impactos ambientais que não são compensados por benefícios reais, além de comprometer a credibilidade das empresas.
Fonte: Cães & Gatos
09/04/2026
Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production, indica que rações premium para cães, especialmente as úmidas, cruas e com alto teor de carne, apresentam emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente superiores às da ração seca convencional. A pesquisa avaliou quase 1.000 produtos comerciais disponíveis no mercado do Reino Unido.
De acordo com os pesquisadores, a produção de ingredientes para a alimentação canina no país responde por cerca de 1% das emissões totais de GEE. O levantamento também aponta que cães alimentados com dietas premium ricas em carne podem ter pegadas de carbono dietéticas maiores do que as de seus próprios tutores.
Cálculo da pegada de carbono
O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e Exeter (Inglaterra), que calcularam as emissões considerando os gases gerados durante a produção dos alimentos. As estimativas utilizaram informações de rotulagem de ingredientes e nutrientes, abrangendo rações secas, úmidas e cruas, além de opções à base de plantas e sem grãos.
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A análise revelou diferenças expressivas no impacto ambiental conforme a formulação e o método de processamento. Dietas com maior impacto podem emitir de 65 a mais de 160 vezes mais GEE do que aquelas com melhor desempenho ambiental.
As rações secas convencionais, por utilizarem maior proporção de grãos e subprodutos, apresentaram o menor impacto, com emissões medianas inferiores a 1 kg de CO₂ equivalente por 1.000 calorias (kgCO₂eq/1.000 kcal). Em contrapartida, dietas úmidas e, sobretudo, cruas figuram entre as mais emissoras, com as cruas atingindo uma mediana de 4,7 kgCO₂eq/1.000 kcal.
O maior impacto foi observado em dietas que incluem carne bovina, alcançando 25,36 kgCO₂eq, valor cerca de 70 vezes superior à média das rações secas.
Comparação com a alimentação humana
O estudo também comparou os impactos com diferentes padrões de alimentação humana. As emissões medianas para alimentar um cão de 20,1 kg com comida úmida ou crua superam as de uma dieta humana vegana, ficando abaixo apenas de dietas humanas muito ricas em carne. No caso de dietas cruas com cortes premium, o impacto pode exceder o de uma dieta humana carnívora.
Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a população canina mundial fosse alimentada nos mesmos moldes e quantidades dos cães do Reino Unido, as emissões globais poderiam se equiparar às da aviação comercial mundial em um ano.
Papel dos ingredientes e desafios para o setor
O principal fator por trás das diferenças de emissão, segundo o estudo, é a substituição de subprodutos animais por cortes nobres de carne. Dietas premium, sem grãos ou cruas tendem a utilizar ingredientes que demandam mais recursos ambientais, enquanto rações secas convencionais aproveitam subprodutos, maximizando o uso do animal abatido.
'Como cirurgião-veterinário que trabalha com sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de cães como 'lobos' carnívoros e o desejo de reduzir os danos ao meio ambiente', afirmou John Harvey, veterinário pesquisador da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. 'Nossa pesquisa mostra o quão grande e variável é o impacto climático da ração para cães', acrescenta.
Para a indústria de pet food, Harvey aponta que o uso de cortes normalmente não consumidos por humanos e uma rotulagem clara podem ajudar a equilibrar saúde animal e redução da pegada ambiental, oferecendo informações mais transparentes para a tomada de decisão dos tutores.
Fonte: Panorama Pet & Vet
07/04/2026
O que são gêmeos digitais e em que usam atualmente?
Um gêmeo digital é uma réplica virtual dinâmica de um ativo físico, um processo ou um sistema de produção inteiro. Ao contrário de uma simulação estática, o gêmeo digital é continuamente alimentado com dados reais de sensores e sistemas de controle, permitindo que ele reflita o estado atual do processo e antecipe seu comportamento futuro.
Segundo a IBM, os gêmeos digitais são atualmente usados na manufatura para melhorar a eficiência operacional, otimizar processos, reduzir falhas, acelerar o desenvolvimento de produtos e possibilitar manutenção preditiva. No campo industrial, sua aplicação abrange desde linhas de produção individuais até plantas completas, integrando variáveis de operação, consumo de energia, qualidade e desempenho de equipamentos, bem como no planejamento de plantas, testes virtuais de novos produtos, otimização de layouts e controle de processos complexos, entre outros.
Da simulação à tomada de decisão preditiva
O avanço dos gêmeos digitais está intimamente ligado à convergência entre simulação de processos, sensores industriais, inteligência artificial e computação em nuvem. Essa integração permite que os fabricantes migrem de um modelo reativo, baseado em amostragem manual e ajustes subsequentes, para uma abordagem preditiva e preventiva.
De acordo com um artigo da StartUs Insights, o mercado de gêmeos digitais aplicados à manufatura pode atingir USD 714.000 milhões até 2032, impulsionado pela necessidade de otimizar processos complexos e reduzir ineficiências operacionais. O mesmo relatório indica que mais de 81% das empresas globais já estão explorando ativamente o metaverso industrial, e que 62% aumentaram seus investimentos nessas tecnologias no último ano.
Esses números refletem uma mudança estrutural: a simulação não se limita mais ao projeto, tornando-se uma ferramenta central para a gestão diária da planta.
O estudo Digital Twins applications in the food industry: a review identifica quatro principais abordagens para a aplicação dos digital twins na indústria alimentícia, definidas por sua função dentro do sistema de produção. Primeiro, gêmeos digitais com abordagem de previsão são usados para antecipar o comportamento futuro de processos ou equipamentos, com base na análise de dados históricos e condições atuais, permitindo que desvios, insuficiências ou falhas sejam previstos antes que ocorram. Segundo, modelos de simulação reativos permitem monitorar o processo em tempo real e responder de forma autônoma a desvios, ajustando variáveis operacionais e recomendando ações corretivas ou preventivas. Uma terceira abordagem é o comissionamento virtual, onde gêmeos digitais são usados para testar, validar e otimizar novas tecnologias, equipamentos ou configurações de plantas em um ambiente virtual antes de sua implementação física. Por fim, a abordagem de simulação baseada em sincronização mantém o gêmeo digital alinhado em tempo real ou quase em tempo real com o sistema físico, criando uma representação altamente precisa do processo, especialmente valiosa para analisar cenários, otimizar operações e melhorar a tomada de decisão em sistemas complexos.
Como os gêmeos digitais contribuem para a indústria de ração para pets?
Se focarmos estritamente na indústria de alimentos para pets, a variabilidade das matérias-primas é um dos principais fatores que impactam a qualidade final do produto. Ingredientes como cereais, farinhas proteicas, gorduras e subprodutos de origem animal apresentam flutuações naturais em umidade, teor proteico, gordura e granulometria.
De acordo com uma análise técnica publicada pela Haskell, essas variações afetam diretamente operações críticas como extrusão e secagem, influenciando atributos como textura, densidade, estabilidade nutricional e vida útil do produto. Métodos tradicionais de controle geralmente detectam essas variações quando o produto já foi fabricado, gerando retrabalho, desperdício e perdas de eficiência. Por outro lado, os gêmeos digitais permitem que você antecipe esses efeitos antes que impactem o produto final.
Em ração para pets, um gêmeo digital é construído a partir de modelos que representam o comportamento térmico, mecânico e dinâmico de cada operação de unidade: mistura, condicionamento, extrusão, secagem e resfriamento. Esses modelos são alimentados em tempo real com dados de sensores instalados na fábrica, como medições de umidade dos ingredientes, temperatura do canhão do extrusor, velocidade do parafuso, pressão, fluxo de ar e parâmetros do secador. Essa informação sincroniza o modelo virtual com o processo real, criando uma representação viva da planta em operação.
Em sistemas de controle em circuito fechado, os gêmeos digitais não apenas observam o processo, mas também preveem como uma variação da matéria-prima impactará o produto final e ajustam automaticamente os parâmetros operacionais para compensá-lo, mesmo antes do ingrediente entrar no extrusor.
Benefícios de sua implementação
A implementação dos gêmeos digitais traz benefícios concretos em múltiplos níveis. Primeiramente, melhora significativamente a consistência do produto, reduzindo a variabilidade de lote para lote, um fator chave para a confiança do consumidor e para a reputação da marca.
Além disso, ao evitar a produção fora das especificações, diminui o desperdício de matérias-primas e energia. Essa abordagem também possibilita otimizar o consumo de energia e aumentar o desempenho sem comprometer a qualidade, impactando diretamente os custos operacionais.
Outro benefício estratégico é a aceleração do desenvolvimento de novos produtos. As formulações podem ser testadas virtualmente, avaliando seu comportamento no processo antes da realização dos testes físicos, o que reduz o tempo, riscos e custos associados aos testes industriais.
Além disso, há a possibilidade de integrar manutenção preditiva, usando gêmeos digitais para detectar desvios no desempenho dos equipamentos e antecipar falhas, evitando paradas não planejadas.
Gêmeos digitais, uma tecnologia chave para construir plantas verdadeiramente conectadas
A adoção dos gêmeos digitais marca um ponto de virada na forma como as fábricas de produção de ração para pets são gerenciadas. Não se trata mais apenas de automatizar, mas de entender o processo em profundidade, antecipar desvios e tomar decisões baseadas em dados reais e comparáveis.
Em um cenário onde eficiência, sustentabilidade e qualidade são cada vez mais decisivas, os gêmeos digitais são consolidados como uma ferramenta estratégica para fabricantes que buscam escalar, se diferenciar e construir plantas verdadeiramente conectadas e resilientes.
Por Candelaria Carbajo – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências
Gallagher, Nick (Actualizado el 17 de octubre del 2025) What is a Digital Twin? IBM
Prasser, David R. (July 21, 2025). Future of Manufacturing: 13 Trends Driving 2026-2035 Growth. StarUs Insights
Abdurrahman, Emadaldin Elfatih M. & Ferrari, Giovanna. (3 de abril de 2025). Digital Twin applications in the food industry: a review. Frontiers
Haskell. (19 de diciembre de 2025). A Process Engineering Perspective on Digital Twins in Pet Food Manufacturing.
Por
15/07/2026
A carne cultivada, produzida a partir de células animais em ambiente controlado, pode representar uma alternativa promissora para a nutrição felina. Um estudo recente publicado na revista científica Frontiers in Veterinary Science apontou que gatos domésticos aceitaram bem uma dieta completa formulada com esse ingrediente e apresentaram índices de digestibilidade semelhantes aos observados em uma alimentação convencional à base de frango.
A pesquisa foi conduzida em parceria com a Universidade de Ghent, na Bélgica, e avaliou a aceitação alimentar e a digestibilidade de uma dieta contendo carne cultivada produzida pela empresa Bene Meat. Durante o teste, nove em cada dez gatos consumiram o alimento de forma satisfatória, deixando menos sobras em comparação com uma dieta controle formulada com carne de frango destinada ao consumo humano.
Boa aceitação entre os felinos
Além da boa aceitação, os pesquisadores observaram que a digestibilidade das proteínas e gorduras foi comparável entre as duas dietas. Ao longo do período de avaliação, também não foram registradas alterações relevantes na condição corporal, na massa muscular ou na consistência das fezes dos animais.
Segundo os autores, os resultados sugerem que a carne cultivada pode funcionar como um ingrediente nutricionalmente adequado, bem tolerado e palatável para gatos. No entanto, eles ressaltam que novas pesquisas serão necessárias para avaliar os efeitos do consumo a longo prazo e ampliar o conhecimento sobre o uso desse tipo de proteína na alimentação pet.
Alternativa para o futuro da nutrição pet
O estudo surge em um momento em que a indústria pet busca alternativas para diversificar as fontes de proteína e reduzir impactos ambientais associados à produção convencional de carne. Como os gatos são carnívoros obrigatórios, qualquer nova fonte proteica destinada a esses animais precisa demonstrar não apenas segurança, mas também elevada aceitação e capacidade de fornecer nutrientes de forma eficiente.
Embora a carne cultivada ainda enfrente desafios regulatórios e de escala produtiva em diversos mercados, os resultados da pesquisa representam um passo importante para o desenvolvimento de ingredientes inovadores voltados à nutrição animal. Especialistas acreditam que avanços tecnológicos e novas pesquisas poderão acelerar a adoção desse tipo de ingrediente nos próximos anos, especialmente em segmentos voltados à sustentabilidade e à inovação em pet food.
Fonte: Cães&Gatos
14/07/2026
Nos últimos anos, a discussão sobre proteínas tem se expandido. Na indústria alimentícia, os termos "proteínas alternativas", "proteínas novas" e "proteínas funcionais" são cada vez mais usados. Grande parte desse interesse se deve a preocupações com a sustentabilidade e à previsão de que a demanda global por proteína aumentará em grande escala à medida que a população mundial atinga dez bilhões de pessoas até 2050 (FAO, 2022; OCDE-FAO, 2023).
Assim, surge uma questão importante: é necessário ter novas fontes de proteína para alimentar nossos pets, ou devemos focar em melhorar o uso das fontes que já existem?
A resposta não é preto no branco. Fontes tradicionais de proteína são nutricionalmente adequadas, enquanto tecnologias emergentes e ingredientes alternativos oferecem oportunidades para impulsionar a sustentabilidade, a funcionalidade e os resultados de saúde, além de impactar a microbiota intestinal.
Demanda Global de Proteína e o Debate sobre Sustentabilidade
A previsão para 2050 sugere que a demanda por proteína aumentará rapidamente à medida que a população mundial atingirá dez bilhões. Além disso, espera-se que a demanda por alimentos aumente 60% (FAO 2018; FAO 2022; Henchion et al., 2017). Ao mesmo tempo, a população global de animais de estimação continua a crescer, estimando novecentos milhões de cães e gatos no mundo todo, dos quais 60% estão concentrados na Europa, Estados Unidos, China e Brasil.
Essas tendências levantaram preocupações se a pecuária tradicional sozinha será capaz de suprir as necessidades de proteína do futuro. Críticos apontam que alimentar animais de estimação com proteína de origem animal compete com a cadeia de suprimentos de alimentos e contribui para pressões ambientais, como uso do solo, emissões de gases de efeito estufa e consumo de água.
No entanto, o cenário é mais complexo. Grande parte dos derivados animais usados em alimentos para pets vem de coprodutos obtidos de alimentos humanos, por exemplo, resíduos de órgãos, aparas ou processamento de peixes. Esses ingredientes representam uma forma eficiente de reciclagem de nutrientes na cadeia de suprimentos de alimentos (Boland et al., 2013).
Avanços tecnológicos no processamento de alimentos estão melhorando a utilização de nutrientes, o que permite uma melhor recuperação de proteínas, peptídeos e compostos bioativos a partir de matérias-primas e subprodutos (Yuan et al., 2025). Melhorar o processamento e o uso das proteínas é tão importante quanto identificar novas fontes.
Necessidades de proteína em cães e gatos
Os requisitos de proteína em animais de companhia foram estabelecidos após décadas de estudos nutricionais. De acordo com a orientação da AAFCO (AAFCO 2026), a proteína mínima necessária para cães adultos é cerca de 18% em regime seco, enquanto filhotes precisam de 22,5%. Gatos, como carnívoros estritos, exigem uma ingestão maior, com um nível mínimo de 26%.
No entanto, dietas comerciais têm um nível mais alto de proteína. Algumas rações secas para cães contêm entre 22-32%, enquanto rações para gato contêm 30-40%. Como o teor de proteína está cada vez mais associado à percepção da qualidade da dieta, esses níveis refletem tanto as necessidades nutricionais quanto as expectativas dos consumidores.
Fontes convencionais de proteína continuam sendo a base
Graças ao seu perfil equilibrado de aminoácidos e alta digestibilidade, as proteínas de origem animal continuam sendo a base da nutrição dos pets. Ingredientes comuns são as farinhas de vísceras de frango, carne e cordeiro; proteínas de peixe; subprodutos de carne e órgãos. Esses ingredientes fornecem aminoácidos essenciais (lisina, metionina e taurina) e, dependendo dos ingredientes e do processamento, proporcionam aproximadamente 85-90% de digestibilidade.
As proteínas vegetais também desempenham um papel essencial nas formulações modernas. Farelo de soja, proteína de ervilha, lentilhas e grão-de-bico fornecem aminoácidos e, ao mesmo tempo, flexibilidade e custo-benefício na formulação.
As inovações mais recentes no processamento de alimentos melhoraram a funcionalidade das proteínas vegetais. Fermentação, hidrólise enzimática e moagem avançada apresentam maior digestibilidade e redução dos fatores antinutricionais, como lectinas e inibidores de protease.
Esses avanços destacam um ponto importante: inovação não exige novos ingredientes, mas melhora o processamento e o uso dos já existentes.
O Surgimento dos Ingredientes Frescos e Minimamente Processados
Nas décadas anteriores, o uso de carne fresca ou branca se espalhou na formulação de rações secas para pets. Hoje, muitos produtos premium incorporam frango, cordeiro ou peixe frescos em seu sistema proteico.
Em alguns casos, esses ingredientes frescos são obtidos a partir de carne desossada mecanicamente (CMS) ou do sistema de recuperação de carne, no qual tecido muscular comestível é recuperado das carcaças após o primeiro corte. Esses ingredientes não apenas fornecem proteínas altamente digestíveis, mas também melhoram a palatabilidade e a percepção do consumidor.
A comercialização de "ingredientes frescos" foi impulsionada pelo rápido crescimento dos formatos frescos e semi-cozidos. Estima-se que o mercado de alimentos frescos para pets nos Estados Unidos ultrapasse três bilhões de dólares e continua crescendo (Packaged Facts, 2023). Essa tendência ilustra como as expectativas estão influenciando cada vez mais a escolha de ingredientes e as estratégias de processamento na indústria de alimentos para pets.
O Crescimento de Proteínas Alternativas
Embora as proteínas convencionais possam dominar, muitas tecnologias emergentes estão atraindo atenção.
Proteínas de insetos
Larvas de mosca-soldado negra, Tenebrio molitor e grilos estão sendo estudadas como fontes sustentáveis de proteína. A farinha de insetos normalmente contém entre 40 e 60% de proteína e pode ser produzida em áreas menores gastando menos recursos de terra e água, em comparação com a produção tradicional de gado (van Huis, 2021).
As proteínas dos insetos contêm componentes bioativos, como peptídeos antimicrobianos e quitina, que impactam a função imunológica e a saúde intestinal (Gasco et al., 2020). No entanto, aumentar a produção e alcançar ampla aceitação dos consumidores continua sendo um desafio.
Proteínas fermentadas
As tecnologias de fermentação representam um cenário promissor. A fermentação microbiana produz proteínas unicelulares por meio de leveduras, bactérias, fungos e microalgas cultivadas em diferentes substratos (Matassa et al., 2016). Além disso, fornecem perfis favoráveis de aminoácidos e requerem uma área de cultivo relativamente pequena.
Métodos tradicionais, como a fermentação do koji com o fungo Aspergillus oryzae, transformam substratos vegetais em ingredientes mais digeríveis e nutritivos (Yuan et al., 2025). Avanços na biotecnologia permitem que bactérias geneticamente modificadas produzam peptídeos ou proteínas com propriedades funcionais específicas.
Cultura celular
A agricultura celular representa uma das abordagens tecnológicas mais ambiciosas na produção de proteínas. Eventualmente, ao cultivar células animais em ambientes monitorados, será possível produzir carne sem recorrer à criação tradicional de gado (Post, 2012). Embora pareça promissor, essa tecnologia está em estágios iniciais, especialmente em aplicações de ração para pets, e enfrenta desafios em custos, consumo de energia e estrutura regulatória.
Proteínas e o microbioma intestinal
Uma das áreas mais empolgantes da nutrição e da saúde proteica é o microbioma intestinal.
A microbiota intestinal é essencial para a digestão, função imunológica e saúde metabólica dos pets. A dieta, assim como as fontes de proteína e a digestibilidade, impactam significativamente a comunidade microbiana do trato gastrointestinal (Handl et al., 2013).
Proteínas altamente digeríveis reduzem a quantidade de nitrogênio não direcionado no cólon, diminuindo a produção de subprodutos fermentados indesejados, como amônia ou aminas biogênicas.
Em vez disso, certos peptídeos ou aminoácidos servem como substratos para algumas comunidades. Eles contribuem para a produção de ácidos graxos de cadeia curta e outros metabólitos que apoiam a saúde intestinal (Sandri et al., 2017).
Principais lições
Frequentemente, o debate sobre proteínas alternativas é enquadrado em seu uso como substituto das fontes tradicionais. Na realidade, o futuro da proteína na nutrição animal será mais integrado. Diversas conclusões importantes emergem desse debate:
Fontes tradicionais de proteína ainda são nutricionalmente eficientes. Proteínas de origem animal e vegetal continuam sendo uma fonte confiável de aminoácidos e continuarão sendo essenciais na ração para pets.
Proteínas alternativas diversificam ferramentas; insetos, fermentação microbiana e agricultura celular complementarão os sistemas existentes.
Tecnologias de processamento e avanços em fermentação, modificação enzimática e recuperação de ingredientes podem melhorar o uso de nutrientes, reduzir fatores antinutricionais e aumentar o valor funcional dos ingredientes proteicos.
As expectativas do consumidor remodelam os sistemas proteicos. A produção de ração fresca, semiprocessada e rica em proteínas mostra como as tendências do mercado influenciam a seleção e as tecnologias de processamento de nutrientes.
O objetivo não deve ser substituir fontes tradicionais por alternativas, mas desenvolver ecossistemas diferentes e eficientes que apoiem a sustentabilidade, a nutrição e a saúde dos pets. A questão principal não está nas proteínas que escolhemos, mas sim em como usá-las com sabedoria.
Por Juan Gomez-Basauri, Ph.D. – MAGELLAN LLC
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências
AAFCO 2026. Association of America Feed Control Officials. Official Publication
Boland, M., Rae, A., Vereijken, J., Meuwissen, M. P. M., Fischer, A. R. H., van Boekel, M. A. J. S., Rutherfurd, S. M., Gruppen, H., Moughan, P. J., & Hendriks, W. H. (2013). The future supply of animal-derived protein for human consumption. Trends in Food Science and Technology, 29(1), 62-73.https://doi.org/10.1016/j.tifs.2012.07.002
FAO. 2018. The future of food and agriculture – Alternative pathways to 2050. Summary version. Rome. 60 pp. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.https://openknowledge.fao.org/handle/20.500.14283/i8429en
FAO. 2022. The future of food and agriculture – Drivers and triggers for transformation. The Future of Food and Agriculture, no. 3. Rome.https://doi.org/10.4060/cc0959en
Gasco, L., Gabriele Acuti, Paolo Bani, Antonella Dalle Zotte, Pier Paolo Danieli, Anna De Angelis, Riccardo Fortina, Rosaria Marino, Giuliana Parisi, Giovanni Piccolo, Luciano Pinotti, Aldo Prandini, Achille Schiavone, Genciana Terova, Francesca Tulli & Alessandra Roncarati (2020) Insect and fish by-products as sustainable alternatives to conventional animal proteins in animal nutrition, Italian Journal of Animal Science, 19:1, 360-372.https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/1828051x.2020.1743209
Handl S., German AJ, Holden SL, Dowd SE, Steiner JM, Heilmann RM, Grant RW, Swanson KS, Suchodolski JS. Faecal microbiota in lean and obese dogs. FEMS Microbiol Ecol. 2013 May;84(2):332-43. Epub 2013 Jan 24. PMID: 23301868.https://doi.org/10.1111/1574-6941.12067
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Matassa, S., Boon N, Pikaar I, Verstraete W. Microbial protein: future sustainable food supply route with low environmental footprint. Microb Biotechnol. 2016 Sep;9(5):568-75. Epub 2016 Jul 8.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4993174/pdf/MBT2-9-568.pdf
OECD/FAO 2023. OECD-FAO Agricultural Outlook 2023-2032, OECD Publishing, Paris.https://doi.org/10.1787/08801ab7-en.
Post MJ. Cultured meat from stem cells: challenges and prospects. Meat Sci. 2012 Nov;92(3):297-301. doi: 10.1016/j.meatsci.2012.04.008. Epub 2012 Apr 11. PMID: 22543115.https://doi.org/10.1016/j.meatsci.2012.04.008
Sandri, M., Dal Monego S, Conte G, Sgorlon S, Stefanon B. Raw meat-based diet influences fecal microbiome and end products of fermentation in healthy dogs. BMC Vet Res. BMC Vet Res 2017; 13 (1):65.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5331737/
van Huis, A. Prospects of insects as food and feed. Org. Agr. 11, 301–308 (2021).https://doi.org/10.1007/s13165-020-00290-7
Yuan, Yi, Xinyao Wei, Yuhong Mao, Yuxue Zheng, Ni He, Yuan Guo, Ming Wu, Joseph Dumpler, Bing Li, Xu Chen, Xixi Cai, Jianping Wu, Yongqi Tian, Sihan Xie, Jeyamkondan Subbiah, Shaoyun Wang. Innovative Food Processing Technologies Promoting Efficient Utilization of Nutrients in Staple Food Crops, Engineering, Volume 50, 2025, Pages 229-244.https://doi.org/10.1016/j.eng.2025.04.014
Por
13/07/2026
Paralelamente, o avanço do conhecimento sobre a microbiota intestinal ampliou o papel das fibras prebióticas na nutrição animal. Mais do que contribuir para o trânsito intestinal, esses ingredientes passaram a ser reconhecidos por sua capacidade de modular seletivamente a microbiota, tornando-se componentes estratégicos no desenvolvimento de alimentos funcionais para cães e gatos.
Entre os prebióticos disponíveis, os frutooligossacarídeos de cadeia curta (sc-FOS) despertam interesse da indústria pet food.
Muito além do conceito de fibra
Embora frequentemente agrupadas na mesma categoria, nem todas as fibras prebióticas apresentam o mesmo comportamento fisiológico. A estrutura molecular influencia diretamente a velocidade de fermentação, a seletividade para bactérias benéficas e a produção de metabólitos de interesse nutricional.
Os frutooligossacarídeos de cadeia curta (sc-FOS) são fibras prebióticas solúveis pertencentes à família dos frutanos e produzidos por processo enzimático a partir da sacarose. Seu perfil fermentativo e sua versatilidade de aplicação tornam esse ingrediente uma alternativa de interesse para diferentes categorias de alimentos destinados a cães e gatos.
Por não serem hidrolisados pelas enzimas digestivas do estômago e do intestino delgado, os sc-FOS chegam intactos ao intestino grosso, onde são seletivamente fermentados pela microbiota intestinal. Esse processo favorece o crescimento de bactérias benéficas, especialmente dos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus, estimulando a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como acetato, propionato e butirato, metabólitos associados à manutenção da integridade da mucosa intestinal, ao equilíbrio do ambiente intestinal e à saúde digestiva.
Características que despertam o interesse da indústria
Além dos benefícios associados à modulação da microbiota intestinal, os sc-FOS apresentam características tecnológicas que atendem às necessidades da indústria pet food.
Ingredientes comerciais à base de sc-FOS podem apresentar elevado teor de fibra prebiótica e ser utilizados em baixas taxas de inclusão, conforme recomendação do fabricante, favorecendo sua incorporação em diferentes formulações.
Outro diferencial importante é a sua estabilidade durante o processamento industrial, o sc-FOS apresentam estabilidade sob as condições normalmente empregadas nos processos de extrusão e pasteurização, possibilitando sua aplicação em diferentes categorias de produtos, incluindo alimentos secos, alimentos úmidos, petiscos, suplementos nutricionais e dietas de suporte nutricional.
Perspectivas para a nutrição pet
O avanço do conhecimento sobre a microbiota intestinal modificou a forma como a saúde digestiva é abordada na nutrição de pet food. Atualmente, a microbiota é reconhecida como um importante modulador da homeostase intestinal, influenciando processos relacionados à digestão, à integridade da barreira intestinal, ao metabolismo e à resposta imunológica.
Esse entendimento amplia o interesse por ingredientes capazes de modular seletivamente a microbiota e contribuir para formulações nutricionalmente mais funcionais. Nesse contexto, os frutooligossacarídeos de cadeia curta representam uma alternativa que reúne características de interesse tanto do ponto de vista biológico quanto tecnológico.
Novas perspectivas para formulações pet
O avanço da ciência demonstra que o conceito de fibra evoluiu significativamente na nutrição pet. Mais do que contribuir para o trânsito intestinal, as fibras prebióticas passaram a desempenhar papel importante na modulação da microbiota e no desenvolvimento de formulações mais funcionais.
Nesse cenário, os frutooligossacarídeos de cadeia curta representam uma alternativa consistente para a indústria pet food. Sua rápida fermentação pela microbiota intestinal, associada à estabilidade durante o processamento industrial e à versatilidade de aplicação em diferentes categorias de alimentos, reforça seu potencial como ingrediente para formulações que buscam aliar funcionalidade nutricional e viabilidade tecnológica. O time de especialistas da Barentz, distribuidora global em soluções de ingredientes especiais, fica à disposição para esta e outras possibilidades de desenvolvimento de novos projetos junto a indústria: info-an.br@barentz.com | (11) 2974-7474.
Por Heloisa Brunetto, Account Executive da divisão de Animal Nutrition da Barentz no Brasil
Fonte: Barentz
08/07/2026
Hoje, à medida que os pets se humanizam e se elevam ao status de membros da família, a fiscalização sobre os ingredientes em suas refeições nunca foi tão intensa. Por isso, nesta edição, quis adotar uma abordagem diferente dos meus artigos anteriores e decidi escrever sobre o componente mais analisado, caro e dinâmico de qualquer fórmula de ração para pets: a proteína.
O verdadeiro valor de uma mercadoria não é mais ditado apenas pelo seu preço por tonelada, passando a ser definido por uma matriz complexa de eficácia nutricional, atratividade comercial e fabricabilidade. O universo dos ingredientes está crescendo rapidamente, introduzindo proteínas alternativas, extratos funcionais e novos aditivos. No entanto, para realmente entender como diferentes ingredientes agregam valor, precisamos examinar como o cardápio de opções, incluindo diferentes fontes de proteína, se complementa em três eixos: nutrição, tendências de consumo e gestão operacional da fábrica.
Nutrição: Como suplementar proteína?
Do ponto de vista estritamente nutricional, um pet não precisa de ingredientes específicos, mas de nutrientes específicos. O objetivo de qualquer formulador é oferecer um perfil completo e equilibrado de aminoácidos, junto com alta digestibilidade e biodisponibilidade (e palatabilidade... porque se o pet não consumir o produto, todo o esforço terá sido em vão). Alcançar isso raramente é feito de forma eficiente com uma única fonte de proteína. Na verdade, a formulação consiste em complementar diferentes ingredientes.
Fontes tradicionais de proteína animal, como frango, cordeiro, peixe e carne, há muito tempo são a base da indústria, oferecendo alta densidade proteica e excelente palatabilidade. No entanto, geralmente se complementam e também oferecem opções vegetais como ervilhas, soja, batatas ou farinha de glúten de milho.
Por que misturá-los? Porque o que falta a um ingrediente, outro fornece. Por exemplo, uma proteína vegetal pode ser altamente digestível e reduzir o teor total de cinzas da fórmula, mas pode ser limitada em aminoácidos essenciais como metionina ou precursores de taurina. Ao combinar estrategicamente esse tipo de proteína com uma fonte marinha, como farinha de salmão ou um extrato funcional como levedura, o formulador pode preencher essa lacuna de aminoácidos mantendo um certo preço e objetivo funcional.
Além disso, o surgimento de proteínas alternativas, como insetos, proteínas unicelulares e até carnes cultivadas, está mudando o cenário das formulações. Esses ingredientes não são apenas novidades: podem oferecer benefícios funcionais, como propriedades hipoalergênicas ou altos níveis de peptídeos antimicrobianos. Eles desempenham um papel importante dentro de uma fórmula como aditivos funcionais que enriquecem o perfil nutricional e o verdadeiro valor do produto final.
A Iniciativa de Marketing: Premiumização e Rótulos Limpos
Enquanto os formuladores focam em aminoácidos, digestibilidade, biodisponibilidade e palatabilidade, os departamentos de marketing e consumidores focam na lista de ingredientes e nas alegações do produto. Nos segmentos de alto valor de hoje, as tendências de comunicação influenciam profundamente o design de produtos, às vezes causando conflito com a lógica tradicional de formulação.
A demanda por produtos de "etiqueta limpa" e dietas com poucos ingredientes é um exemplo claro. Segmentos de maior valor exigem listas de ingredientes mais curtas, impulsionadas pela percepção do consumidor de que menos ingredientes equivalem a um produto mais natural, saudável e transparente. Isso representa um grande desafio: como alcançar um perfil de aminoácidos perfeitamente equilibrado quando o briefing de marketing restringe você a uma única fonte de proteína e um único carboidrato?
Essa restrição empurrou a indústria para novas proteínas. Esses novos ingredientes, como coelho, canguru, javali, arenque, cervo e pato, têm preços premium e cumprem dupla função. Por um lado, são muito eficazes para pets com suspeita de sensibilidade alimentar ou alergias; por outro, oferecem uma narrativa poderosa para marketing e comunicação. Uma proteína inovadora diferencia instantaneamente uma marca em uma prateleira saturada, transmitindo exclusividade e qualidade premium.
No entanto, o verdadeiro valor aqui também depende da rastreabilidade da origem. Os consumidores valorizam saber que o coelho foi obtido de forma sustentável ou que o salmão é selvagem.
Rastreabilidade evoluiu de uma palavra da moda na cadeia de suprimentos para se tornar uma exigência inegociável do consumidor e um pilar fundamental da proposta de valor de uma marca. A história por trás do ingrediente agora é tão importante quanto o próprio ingrediente.
Realidade operacional: desafios na produção
Uma receita pode parecer perfeita no papel (ou no Excel) e brilhar em grupos focais com os consumidores, mas deve ser possível fabricá-la dentro do processo existente. Gerenciar proteínas diversas e inovadoras em uma fábrica de alto volume cria uma série de desafios que questionam o conceito de "valor verdadeiro".
Um dos desafios mais persistentes é o gerenciamento da variabilidade natural das matérias-primas, especialmente as farinhas de subprodutos animais. Por exemplo, as farinhas de carne e osso podem variar muito de lote para lote, dependendo do processo de processamento e da origem. Um problema clássico na fábrica é a variação de cor; por exemplo, se um lote específico de farinha de carne e osso tiver uma concentração maior de sangue, ele ficará visivelmente mais escuro. Mesmo que o produto seja totalmente seguro e nutricionalmente correto, essa inconsistência visual pode gerar reclamações dos consumidores. Os tutores de pets esperam uniformidade absoluta e um lote escuro pode ser interpretado como ração queimada e fora de especificação. Para gerenciar isso, são necessárias especificações rigorosas de fornecedores, técnicas avançadas de mistura e, às vezes, o uso (relutante) de corantes para padronizar a aparência final.
Independentemente da cor, diferentes proteínas se comportam de forma diferente durante a extrusão. Proteínas vegetais geralmente requerem energias mecânicas específicas e entradas de umidade diferentes das proteínas animais. Altos níveis de carne fresca, embora muito atraentes no rótulo dos ingredientes, introduzem grandes quantidades de água na fórmula, que deve ser controlada para que a ração se expanda corretamente e possa ser seca até um nível seguro de umidade.
Conclusão: Redefinindo o Verdadeiro Valor
O universo dos ingredientes na ração para pets certamente está crescendo, mas o "verdadeiro valor" não é encontrado apenas adicionando a proteína mais nova e moderna a uma fórmula. O verdadeiro valor é alcançado na interseção de três disciplinas distintas.
Requer a capacidade do formulador de misturar perfis complementares de aminoácidos em busca da saúde ideal dos animais; exige a visão da equipe de marketing para selecionar ingredientes que respondam à demanda do consumidor por transparência e sustentabilidade; E, crucialmente, depende da expertise da fábrica para lidar com as realidades físicas, variações e desafios organolépticos do processamento de matérias-primas em larga escala.
À medida que a indústria continua inovando além do preço, as marcas que tiverem sucesso serão aquelas que dominarão essa matriz complexa, garantindo que cada matéria-prima justifique seu lugar na tigela do pet: nutricionalmente, comercialmente e operacionalmente.
Por Felipe Martínez R.
Fonte: All Pet Food Magazine
Por
30/06/2026
Hoje, o valor real de uma matéria-prima é construído a partir de múltiplos fatores que vão além de seu custo ou composição química. A rastreabilidade da origem e a capacidade de preservar suas propriedades durante o armazenamento e a produção tornaram-se variáveis determinantes para os fabricantes de alimentos para pets.
Nesse cenário, a relação entre ingredientes e tecnologia de processo ganha relevância crescente, pois a qualidade de uma matéria-prima depende não apenas de sua origem, mas também de como ela é gerenciada dentro da planta de produção.
Novos ingredientes, novas demandas para a indústria
A evolução do mercado pet food está impulsionando uma diversificação sem precedentes nos tipos de ingredientes usados nas formulações. Além das matérias-primas tradicionais, novas fontes de proteína, compostos funcionais e aditivos especializados estão sendo adicionados para atender a demandas nutricionais cada vez mais específicas.
Essa expansão do universo dos ingredientes introduz novos desafios para as plantas de produção. Cada matéria-prima possui características físicas particulares que influenciam seu comportamento durante o armazenamento, transporte e dosagem.
Quando o comportamento físico do ingrediente se torna crítico
Além do perfil nutricional, as matérias-primas usadas na indústria de alimentos para pets apresentam comportamentos físicos muito diversos. Variáveis, como tamanho das partículas, umidade, densidade a granel ou tendência de compactação, podem afetar significativamente o comportamento dos ingredientes nos sistemas de manuseio dos sólidos.
Ingredientes como farinhas de origem animal e vegetal, subprodutos proteicos, farinha de peixe ou alguns concentrados geralmente apresentam problemas de fluxo, gerando fenómenos como compactação, formação de arcos ou zonas mortas dentro de silos e/ou células de armazenamento.
Quando isso acontece, as consequências podem ir além de uma simples interrupção do processo de produção. A retenção prolongada do material armazenado pode levar à degradação dos ingredientes, contaminação cruzada entre lotes ou perda de rastreabilidade na cadeia de produção.
Em outras palavras, uma matéria-prima de alta qualidade pode perder parte de seu valor se não for gerenciada corretamente dentro da planta.
O Impacto do Armazenamento na Qualidade dos Ingredientes
Um dos aspectos menos visíveis na cadeia de valor pet food é o impacto que os sistemas de armazenamento e recuperação de matéria-prima têm na qualidade final do ingrediente.
Em muitos casos, silos tradicionais apresentam limitações no manuseio de matérias-primas com baixa fluidez. A formação de pontes internas ou túneis pode impedir o fluxo uniforme do produto, gerando áreas onde a matéria-prima permanece retida por longos períodos.
No caso de armazéns planos organizados em células, também existem desafios relevantes do ponto de vista operacional e de qualidade. A ausência de sistemas automatizados de extração dificulta o gerenciamento eficiente do fluxo de materiais, aumentando o risco de manuseio excessivo e, consequentemente, contaminação do produto. Da mesma forma, a impossibilidade de garantir uma rotação correta sob os critérios FIFO (First In, First Out) pode levar à permanência prolongada de certos lotes. Além disso, está o risco operacional associado ao armazenamento em altura, onde a pressão exercida pelo próprio material pode gerar compactação ou esmagamento, afetando as características físicas da matéria-prima e seu desempenho subsequente no processo.
Esse fenômeno não afeta apenas a eficiência operacional, mas também compromete a rotação correta do produto armazenado. Quando um fluxo controlado sob os princípios do FIFO não é garantido, é possível que matérias-primas mais antigas permaneçam no sistema enquanto novos lotes entram no processo de produção.
Para uma indústria que exige altos padrões de qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar, essas situações representam um desafio significativo.
Tecnologia para preservar o valor dos ingredientes
Diante desses desafios, a engenharia de processos e as tecnologias de manuseio de materiais desempenham um papel fundamental na preservação do valor real das matérias-primas dentro da planta.
Entre essas soluções estão os sistemas de extração desenvolvidos pela Laidig Systems, projetados para trabalhar com materiais e produtos de baixo fluxo que tendem a se compactar durante o armazenamento. Esses sistemas permitem que a matéria-prima armazenada seja recuperada de forma progressiva e uniforme, favorecendo sua rotação adequada.
Esse tipo de tecnologia contribui para manter condições de armazenamento mais estáveis, reduzindo a retenção e garantindo que os ingredientes sejam usados dentro de parâmetros controlados de tempo e qualidade.
Além disso, a automação do processo de descarga elimina a necessidade de intervenções manuais dentro dos silos, melhorando significativamente as condições de segurança operacional na planta.
Quando a Engenharia Passa a Fazer parte da Qualidade
A gestão eficiente da matéria-prima não depende apenas da qualidade do ingrediente ou do design dos equipamentos individuais. Ela exige uma visão abrangente que inclua toda a cadeia de gestão dentro da planta: desde a recepção inicial até sua incorporação nas etapas de mistura ou processamento.
Nesse contexto, as soluções de engenharia industrial possibilitam integrar sistemas de armazenamento, transporte interno, dosagem e controle de processos em uma arquitetura de produção coerente e eficiente.
Na Clivio Solutions, trabalhamos no desenvolvimento e implementação de soluções de engenharia para o manuseio eficiente de matérias-primas, adaptando tecnologias internacionais às necessidades específicas de cada planta. O objetivo é garantir que as matérias-primas mantenham sua qualidade, rastreabilidade e funcionalidade durante todo o processo de produção.
O verdadeiro valor da matéria-prima
A evolução do setor de ração para pets mostra que o conceito de valor associado aos ingredientes está mudando. Hoje, uma matéria-prima não é avaliada apenas por seu preço ou composição nutricional, mas também por sua capacidade de se integrar de forma eficiente em sistemas de produção cada vez mais sofisticados.
Nesse novo cenário, ingredientes, tecnologia e processos fazem parte do mesmo ecossistema industrial. A forma como uma planta gerencia suas matérias-primas pode influenciar diretamente a qualidade do produto final, a estabilidade do processo e a confiabilidade da cadeia de suprimentos.
Por essa razão, o verdadeiro valor de uma matéria-prima não está apenas em sua origem ou formulação, mas também na capacidade da indústria de preservá-la ao longo de todo o processo de produção.
Por Clivio Solutions
Fonte: All Pet Food Magazine
23/06/2026
Essa mudança não afeta apenas o desenvolvimento de produtos, mas também os processos industriais atrelados a ele. Quando as matérias-primas se tornam mais complexas e valiosas, cada etapa da produção deve garantir seu correto manuseio, preservação e rastreabilidade.
Nesse contexto, o ensacamento e o fim de linha estão assumindo um papel cada vez mais estratégico nas fábricas de produção.
Novos ingredientes, novos desafios de manuseio
As formulações atuais de alimentos para pets integram ingredientes com características físicas muito diversas: proteínas vegetais, farinhas funcionais, misturas com diferentes granulometrias ou ingredientes desidratados com alto valor nutricional.
Essas matérias-primas podem se comportar de forma muito diferente durante o manuseio e processamento, o que torna necessário adaptar soluções de ensacamento. Entre os fatores mais relevantes estão:
Variações na densidade global do produto.
Presença de partículas finas ou poeira durante o preenchimento.
Ingredientes frágeis ou sensíveis ao manuseio.
Nesses casos, o sistema de dosagem e pesagem deve garantir um fluxo controlado e manuseio cuidadoso do produto, evitando perdas, quebras ou segregações que possam afetar a qualidade final.
Ter equipamentos capazes de se adaptar a essas características é essencial para manter a eficiência do processo e proteger a integridade do produto.
Pesagem da precisão: proteção do valor do produto
À medida que as formulações incorporam ingredientes de maior valor agregado, a precisão no processo de ensacamento torna-se crítica.
Mesmo pequenas variações de peso podem representar perdas econômicas significativas ao trabalhar com matérias-primas de alto custo ou misturas nutricionais muito compactas. Portanto, as linhas de embalagem devem integrar sistemas dinâmicos de pesagem e controle digital para manter alta precisão mesmo em produção em alta velocidade.
Nessa área, a PAYPER se estabeleceu como uma das líderes mundiais em pesagem dinâmica de produtos sólidos a granel. Todas as suas máquinas automáticas de embalagem possuem o novo sistema de controle de pesagem MSX, desenvolvido para garantir níveis excepcionais de precisão em processos industriais exigentes.
Esse sistema permite otimizar a dosagem do produto, reduzir a variabilidade entre os sacos e maximizar o uso da matéria-prima, fatores especialmente relevantes ao trabalhar com ingredientes de alto valor.
Controle de Qualidade e Segurança do Produto
A qualidade e segurança dos alimentos são prioridades máximas no setor pet food, onde os padrões de produção estão cada vez mais próximos dos da indústria alimentícia.
Por esse motivo, as linhas de ensacamento atuais podem incorporar diferentes sistemas de inspeção e controle, como detectores de metais, pesadores de verificação ou sistemas automáticos de rejeição. Essas soluções possibilitam identificar possíveis desvios durante o processo e garantir que apenas sacos que atendam a todos os parâmetros de qualidade continuem na linha de produção.
No caso do PAYPER, essas tecnologias podem ser integradas a linhas completas de fim de linha, que vão desde dosagem e pesagem até embalagem, paletização e proteção final de pallets. Essa abordagem abrangente permite otimizar a coordenação entre equipes e garantir operações fluidas e eficientes em toda a linha.
Automação e Controle Avançados de Linhas
À medida que as fábricas aumentam em capacidade e complexidade, a gestão da linha de ensacamento exige ferramentas avançadas de controle e monitoramento.
Nesse contexto, a PAYPER desenvolveu o Pulsar, a plataforma digital completa projetada para centralizar o gerenciamento de toda a linha de ensacamento. Essa ferramenta permite monitorar a operação dos equipamentos, analisar dados de produção e otimizar a configuração da linha de forma simples e intuitiva.
Graças a esse sistema, os fabricantes podem obter uma visão global do processo, identificar possíveis desvios e melhorar a eficiência operacional.
Além disso, o Pulsar também facilita a gestão de manutenção e o acesso a informações técnicas essenciais, permitindo que você antecipe incidentes potenciais e planeje intervenções antes que ocorram períodos de inatividade não planejados.
Serviço técnico e continuidade operacional
Em instalações de alta produção, a continuidade operacional é um fator crítico. Qualquer paralisação inesperada pode ter impacto direto na eficiência da usina e na capacidade de fornecimento.
Por essa razão, contar com um serviço técnico especializado e ferramentas de manutenção preditiva tornou-se um elemento fundamental para os fabricantes.
Soluções digitais como o Pulsar possibilitam gerenciar o status dos equipamentos, consultar peças de reposição e facilitar tarefas de manutenção, ajudando a reduzir o tempo de inatividade e melhorar a disponibilidade da linha.
Essa abordagem combina tecnologia com suporte técnico especializado para garantir que as instalações operem com máxima confiabilidade.
Embalar diante dos novos desafios do mercado pet food
A evolução da indústria pet exige soluções cada vez mais precisas, flexíveis e automatizadas. Nesse contexto, a experiência no design e otimização de sistemas de embalagem torna-se um fator chave para responder a novas demandas do mercado.
Em um ambiente onde os ingredientes são cada vez mais inovadores e têm maior valor agregado, embalar não é mais apenas uma etapa logística, mas uma parte essencial do valor do produto. Garantir precisão, controle de qualidade, rastreabilidade e uma apresentação final correta permite preservar esse valor desde a produção até a distribuição.
Essa evolução, cada vez mais ligada à eficiência operacional e otimização da produção, também está muito presente nos principais encontros internacionais do setor. Nesse contexto, a PAYPER participa ativamente de feiras como Interpack (estande 12C06), Fenagra (estande C19) e Foro Mascotas (D6-B), onde apresenta suas soluções e estabelece contato direto com os principais players do setor.
Além disso, a empresa fortalece sua presença internacional em mercados-chave, como América Central e Brasil, onde possui uma estrutura local para oferecer um serviço próximo adaptado às necessidades específicas do setor.
Por PAYPER
Fonte: All Pet Food Magazine
03/06/2026
Na prática, o preço unitário raramente reflete o custo total de utilização de um ingrediente. Fatores como estabilidade, padronização, desempenho tecnológico e confiabilidade da cadeia de fornecimento exercem influência direta na eficiência industrial e na consistência do produto final. Ignorar essas variáveis pode gerar uma série de custos invisíveis que, ao longo do tempo, comprometem a rentabilidade da operação.
O limite da comparação baseada apenas em preço
Tradicionalmente, muitos processos de compra ainda se baseiam em comparações diretas de preço por quilo. Essa abordagem parte do princípio de que ingredientes equivalentes podem ser avaliados apenas pelo valor de aquisição. No entanto, matérias-primas aparentemente semelhantes podem apresentar diferenças relevantes em parâmetros como granulometria, teor de umidade, pureza, concentração do composto ativo ou comportamento funcional na formulação.
Essas diferenças frequentemente passam despercebidas na negociação comercial, mas tornam-se evidentes durante a produção. Quando um ingrediente apresenta variações entre lotes, a operação industrial precisa se adaptar constantemente para manter a estabilidade do processo. Ajustes de temperatura, pressão, umidade ou taxa de inclusão passam a ser necessários para compensar variações não previstas na formulação original.
Variabilidade: um dos principais custos invisíveis
A variabilidade é um dos principais custos ocultos associados a matérias-primas de menor preço. Em linhas de extrusão, por exemplo, pequenas diferenças na capacidade de absorção de água ou no comportamento físico de um ingrediente podem alterar a expansão do kibble, a textura do produto ou a densidade final. Esses efeitos exigem correções operacionais frequentes e reduzem a previsibilidade da produção.
Outro impacto comum está relacionado ao rendimento industrial. Ingredientes com menor padronização podem aumentar a formação de finos, reduzir a durabilidade do pellet ou gerar maior quantidade de material fora de especificação. Em alguns casos, isso implica reprocessamento ou descarte parcial da produção, aumentando o consumo de energia e reduzindo a eficiência da linha.
Quando o ingrediente mais barato exige maior inclusão
Exemplos desse fenômeno são frequentes na indústria. Fontes proteicas com menor digestibilidade podem exigir maior inclusão para atingir o mesmo nível nutricional, reduzindo a economia inicialmente percebida. Ingredientes minerais com menor concentração do composto ativo também podem demandar taxas mais altas de inclusão para fornecer o mesmo aporte nutricional. Da mesma forma, extratos funcionais ou aditivos tecnológicos que não apresentam padronização adequada podem oferecer desempenho inconsistente, exigindo ajustes frequentes na formulação ou na operação industrial.
Em casos mais evidentes, essas variações podem impactar a performance do produto final — seja na palatabilidade, na aparência ou na consistência do alimento — levando tutores a perceberem queda na qualidade e afetando diretamente a satisfação e a confiança na marca.
O custo técnico da formulação corretiva
Além dos impactos diretos no processo produtivo, existe também um custo técnico frequentemente subestimado: o tempo dedicado à formulação corretiva. Quando matérias-primas apresentam grande variabilidade, equipes de pesquisa, desenvolvimento e qualidade precisam investir mais horas em análises adicionais, testes internos e ajustes de especificação. Esse esforço raramente é contabilizado como parte do custo do ingrediente, mas representa uma alocação significativa de recursos especializados.
Rastreabilidade e segurança da cadeia de suprimentos
Outro fator cada vez mais relevante é a rastreabilidade da matéria-prima. A indústria de pet food enfrenta exigências crescentes relacionadas à transparência da cadeia de suprimentos, segurança alimentar e conformidade regulatória. Ingredientes com origem pouco clara ou documentação técnica limitada podem gerar dificuldades em auditorias, questionamentos regulatórios e incertezas na padronização de especificações.
Nesse contexto, a confiabilidade do fornecedor e o controle da cadeia produtiva passam a ter papel estratégico. Consistência entre lotes, disponibilidade de dados analíticos e clareza sobre a origem da matéria-prima contribuem para reduzir riscos operacionais e garantir maior previsibilidade no desempenho da formulação.
Redefinindo o conceito de valor
Essa realidade reforça a necessidade de ampliar o conceito de valor aplicado aos ingredientes utilizados na indústria de pet food. Durante muito tempo, o preço de aquisição foi considerado o principal critério de escolha. Hoje, torna-se cada vez mais evidente que o valor real de uma matéria-prima está diretamente ligado à sua capacidade de entregar estabilidade, funcionalidade e segurança ao longo de todo o processo produtivo.
Quando um ingrediente apresenta comportamento consistente, permite que a formulação seja executada com maior precisão e reduz a necessidade de ajustes operacionais. O resultado são linhas de produção mais estáveis, melhor aproveitamento da capacidade industrial e maior previsibilidade na qualidade do produto final.
Uma nova pergunta para a indústria
Diante desse cenário, cresce a importância de avaliar o custo total associado ao uso de um ingrediente — e não apenas o valor pago por ele. Em vez de perguntar quanto custa um ingrediente por quilo, talvez a pergunta mais relevante para a indústria seja: quanto custa a variabilidade que ele pode trazer ao processo?
Empresas que adotam essa visão mais ampla conseguem estruturar cadeias de suprimento mais estáveis, reduzir riscos operacionais e construir processos produtivos mais eficientes. No longo prazo, essa abordagem contribui para margens mais previsíveis e para o fortalecimento da confiança nas marcas.
Por Ludmila Barbi Trindade Bomcompagni – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine
Por
24/04/2026
Desenvolvida em colaboração com a Extru-Tech, líder reconhecida em tecnologia de extrusão, nossa Estação de Garantia de Qualidade (QAS) representa um avanço significativo na forma como os fabricantes realizam e documentam as verificações de qualidade durante o processo.
O QAS é um sistema semiautomatizado de medição e geração de relatórios que combina tecnologia de visão de ponta com um excelente design para orientar os operadores ao longo do processo de medição da densidade do produto e das dimensões das peças. Esses são dois dos indicadores de qualidade mais críticos para produtos alimentícios extrudados e rações para animais de estimação. Ele transforma um processo que, historicamente, dependia de medições manuais, técnicas individuais e registros em papel, tornando-o consistente, eficiente e com resultados imediatamente aplicáveis.
Implementação da tecnologia de visão
No centro da capacidade de medição dimensional do QAS está uma câmera de profundidade de nível industrial que leva imagens de alta precisão para o chão de fábrica. A equipe de desenvolvimento realizou extensos testes de precisão antes de encontrar uma solução que medisse com exatidão a partir da distância necessária e incorporasse um filtro infravermelho adequado ao ambiente operacional da estação.
O software da estação utiliza as bibliotecas RealSense existentes da Intel, proporcionando uma base de software estável e com amplo suporte. A câmera se conecta e se comunica exclusivamente por Ethernet.
A tecnologia de visão oferece resultados em duas frentes simultaneamente:
As imagens do sensor de cores capturam uma imagem visual da amostra do produto
Os sensores infravermelhos duplos fornecem dados detalhados, permitindo a medição dimensional precisa de cada peça individual do produto
O software da estação processa então esses dados combinados para identificar cada peça individualmente e calcular suas dimensões e valores de cor automaticamente, em questão de segundos.
Além das dimensões, a câmera captura a cor do produto e inclui uma imagem da ração diretamente no relatório de qualidade, proporcionando aos operadores e gerentes de qualidade um registro visual, além dos dados numéricos.
Medição da densidade
A densidade aparente é um indicador de qualidade fundamental para produtos extrudados e é notoriamente sensível às técnicas de medição. O QAS resolve essa questão com uma abordagem específica: uma distância de queda consistente e um método padronizado para limpar o recipiente estão integrados ao processo da estação, garantindo que as medições de densidade sejam repetíveis entre operadores, turnos e instalações.
Integração perfeita ao seu processo de qualidade
O QAS foi projetado para se integrar às suas operações atuais.
A estação pode operar no modo autônomo, no qual os operadores inserem manualmente as informações sobre o pedido e o produto, ou pode integrar-se diretamente a uma linha de produção por meio de uma conexão com o PLC para obter esses dados automaticamente. Após a medição das amostras, os resultados são enviados para o banco de dados e, opcionalmente, de volta ao PLC. O operador da extrusora verifica imediatamente, diretamente na máquina, se a amostra atende às especificações.
Recursos adicionais
Orientação integrada para o operador: as instruções exibidas na tela orientam o operador em cada etapa do processo de medição, reduzindo o tempo de treinamento e garantindo que o procedimento seja seguido corretamente em todas as ocasiões.
Gerenciamento de verificações de balança: As verificações de balança são solicitadas na tela em intervalos adequados, e os resultados são registrados no banco de dados e incluídos no relatório da web.
Visibilidade de tendências: os gráficos exibidos no aplicativo mostram aos operadores se as medições apresentam tendência de alta ou de baixa ao longo do tempo, permitindo ajustes proativos.
Lembretes de verificação programados: Um cronômetro na tela e um banner alertam o operador quando é hora de realizar a próxima verificação de qualidade. Isso garante a consistência dos intervalos de amostragem sem depender do operador para controlar o tempo manualmente.
Capacidade para várias linhas: Uma única estação QAS pode dar suporte a até 4 linhas de produção, tornando-a uma solução escalável para instalações de diversos tamanhos.
Relatórios acessíveis: Relatórios de qualidade estão disponíveis através de um navegador da web na mesma rede e podem ser exportados para o Excel. Isso torna os dados acessíveis a gerentes de qualidade, supervisores e a equipe de liderança sem a necessidade de software especializado ou intervenção do departamento de TI.
Conclusão
A garantia da qualidade sempre foi essencial na fabricação de alimentos e rações para animais de estimação. O que está mudando é o padrão de como isso é feito. Os processos manuais, dependentes do operador e baseados em papel estão dando lugar a sistemas mais inteligentes, consistentes e conectados.
A Estação de Garantia de Qualidade, desenvolvida em parceria com a Extru-Tech, foi projetada especificamente para esse momento. Ela oferece a precisão, a consistência e a visibilidade em tempo real que a fabricação moderna exige.
Quer saber mais sobre o QAS ou agendar uma demonstração? Entre em contato conosco para começarmos a conversar.
Fonte: NorthWind
10/07/2026
Quando um cão ou gato começa a rejeitar a própria alimentação, muitos responsáveis tendem a interpretar o comportamento como simples seletividade, desinteresse ou até manha. Na prática clínica, porém, a recusa alimentar é tratada como um dos indicadores mais importantes do estado geral de saúde do animal.
Em ambientes de atendimento veterinário de alta complexidade, esse sinal é observado com atenção especial. Profissionais relatam que a maneira como o animal se comporta diante da comida pode funcionar como uma espécie de 'linguagem clínica', capaz de apontar desde dores dentárias escondidas até alterações sistêmicas graves.
A relevância do tema aumenta diante da alta frequência de doenças que interferem diretamente no apetite. De acordo com a American Veterinary Medical Association (AVMA), cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos a partir dos três anos apresentam algum grau de doença periodontal. Essa condição costuma provocar dor ao mastigar e, consequentemente, redução ou recusa da alimentação, muitas vezes sendo um dos primeiros sinais percebidos pelos responsáveis.
'O erro mais comum é o responsável esperar o pet ficar dois ou três dias sem comer para procurar ajuda. Na medicina veterinária, trabalhamos com o conceito de que o apetite é o maior termômetro de saúde que o animal possui. Quando ele cessa totalmente, o organismo está gastando uma energia preciosa para tentar combater alguma disfunção interna, deixando a alimentação em segundo plano. Não é birra, é biologia', explica Carollina Marques, médica-veterinária na WeVets.
A recusa alimentar pode indicar diferentes tipos de alterações clínicas
Segundo a profissional, a forma como o animal reage à comida pode ajudar a identificar a origem do problema.
Em alguns casos, o pet demonstra interesse pelo alimento, se aproxima, cheira, mas hesita ou até deixa a comida cair da boca. Esse padrão geralmente está ligado a dores na região oral ou facial, como abscessos, fraturas dentárias subgengivais, gengivites avançadas ou problemas na articulação temporomandibular. O apetite existe, mas o ato de mastigar provoca dor.
Outro comportamento observado é a rejeição imediata. O animal cheira a comida e vira o rosto, muitas vezes com lambedura excessiva dos lábios ou salivação intensa. Esse quadro pode indicar náuseas metabólicas, comuns em casos de insuficiência renal ou hepática, quando há acúmulo de toxinas no organismo.
Já a apatia alimentar é considerada o sinal mais preocupante. Nessa situação, o animal ignora completamente qualquer estímulo relacionado à comida, mantém-se isolado e apresenta prostração. Esse padrão pode estar associado a quadros graves, como febre alta, dores abdominais intensas, infecções sistêmicas ou doenças oncológicas.
Gatos exigem atenção redobrada diante do jejum prolongado
A tolerância ao jejum varia entre as espécies. Em cães saudáveis, a ausência de uma refeição já merece observação, enquanto a perda de duas refeições consecutivas ou períodos prolongados sem ingestão alimentar já indicam necessidade de avaliação veterinária.
Nos gatos, o risco é maior. Por conta do metabolismo particular da espécie, longos períodos sem alimentação podem levar ao desenvolvimento da Lipidose Hepática Felina, uma doença grave e potencialmente fatal.
O cenário se agrava em animais com sobrepeso. Dados da Association for Pet Obesity Prevention (APOP) indicam que mais de 60% dos gatos domésticos estão acima do peso ou obesos, o que aumenta a mobilização de gordura durante o jejum e eleva o risco de complicações hepáticas.
'Os gatos são animais metabolicamente extremamente sensíveis ao jejum prolongado. A janela de intervenção eficaz nesses casos é muito estreita. Se um felino passa de 24 a 48 horas sem ingerir calorias, o risco de desenvolver uma falência hepática secundária é altíssimo, o que transforma o caso em uma urgência médica absoluta de UTI', reforça a veterinária.
Além disso, estudos internacionais apontam que a Doença Renal Crônica afeta entre 30% e 40% dos gatos acima de 10 anos de idade, sendo a perda de apetite um dos sinais clínicos mais frequentes da enfermidade.
'Quando um animal deixa de comer, a pergunta não deve ser qual alimento oferecer, mas por que ele parou de comer. A resposta para essa pergunta é o que realmente define o prognóstico do paciente', conclui Carollina.
FAQ sobre recusa de alimento em cães e gatos
Quando a recusa alimentar em cães e gatos deve preocupar?
Quando o animal deixa de comer por mais de uma refeição ou apresenta outros sinais associados, como apatia, dor ou alterações comportamentais, é indicado buscar avaliação veterinária.
A recusa de comida pode estar ligada a quais doenças?
Pode estar relacionada a doenças periodontais, problemas renais ou hepáticos, dores orais, infecções sistêmicas, febre, entre outras condições clínicas.
Por que gatos são mais sensíveis ao jejum?
Porque o metabolismo felino é mais vulnerável a períodos prolongados sem alimentação, podendo levar rapidamente à Lipidose Hepática Felina, uma condição grave e potencialmente fatal.
Fonte: Cães&Gatos
03/07/2026
Tanto em humanos quanto em animais de companhia, a microbiota intestinal — a comunidade de microrganismos que habitam o intestino — está intimamente ligada à saúde , e alterações em sua composição têm sido associadas a diversas doenças crônicas.
Nesse sentido, em animais de estimação, o fator mais crucial e controlável que influencia a microbiota intestinal é a dieta do animal , cuja modulação exerce forte influência sobre sua saúde.
Para abordar a literatura sobre esta área crucial, uma equipe de pesquisadores publicou uma revisão científica que oferece uma síntese abrangente do impacto dos componentes e formatos da dieta na microbiota intestinal de cães e gatos.
Além disso, analisa como essas alterações estão associadas aos efeitos na saúde e como a dieta pode auxiliar no tratamento de doenças , além de examinar criticamente as limitações atuais e propor futuras linhas de pesquisa.
A revisão começa detalhando a composição do microbioma intestinal em cães e gatos, bem como a função da microbiota intestinal em animais de companhia, destacando as funções metabólicas, de regulação imunológica, digestivas e de proteção da barreira intestinal (suprimindo a adesão de patógenos por meio da competição por nutrientes e sítios de adesão no intestino).
Em seguida, a revisão se concentra nos componentes nutricionais e seu impacto na microbiota intestinal, bem como nos formatos dos alimentos e seus efeitos, e então lista extensivamente as ligações entre a microbiota intestinal e doenças em cães e gatos , além de intervenções dietéticas e manejo da saúde intestinal.
A nutrição é um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em animais de estimação
A revisão científica conclui que a nutrição atua como moduladora e mediadora da saúde da microbiota intestinal e que "constitui um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em cães e gatos".
Entre os vários exemplos destacados nas conclusões, os pesquisadores apontam que, em doenças do trato gastrointestinal, metabolismo, rins, fígado e sistema imunológico, a nutrição individualizada tem demonstrado repetidamente equilibrar a microbiota e promover respostas clínicas positivas.
'Os resultados gerais corroboram a ideia de que a modulação dietética não é apenas uma forma de cuidado paliativo, mas também uma abordagem terapêutica primária para otimizar a atividade do eixo intestino-órgãos', enfatizam os pesquisadores.
No entanto, os pesquisadores acreditam que, para maximizar a eficácia das intervenções relacionadas à dieta e à microbiota , é necessário superar diversas limitações, como o fato de os estudos existentes serem frequentemente limitados e de curta duração, e a literatura relevante apresentar uma distribuição desigual, com lacunas mais significativas em estudos focados em felinos.
'Em última análise, o desenvolvimento de orientações nutricionais baseadas no microbioma revolucionaria a saúde dos animais de estimação por meio da prática veterinária terapêutica, de modo que a dieta se torne um meio rotineiro e baseado em evidências para garantir e manter a saúde a longo prazo de cães e gatos', enfatizam os pesquisadores.
ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS: UMA MELHORIA NA SAÚDE AO ALCANCE DA SUA PATA
Veterinários e tutores de animais de estimação têm cada vez mais opções, e de melhor qualidade, para cuidar da saúde e do bem-estar de cães e gatos. De fato, o suporte nutricional para animais de estimação, sejam eles saudáveis ou doentes , com uma abordagem preventiva, é mais do que possível graças às fórmulas disponíveis no mercado.
Assim, para abordar os aspectos preventivos e terapêuticos da nutrição destacados no estudo, o setor oferece diversas inovações. Por exemplo, o Grupo Trixder , através da sua marca Josera , oferece a gama Josera Help , que, juntamente com a Josera Super Premium (focada em animais saudáveis), promove a saúde de cães e gatos, neste caso direcionada a animais adultos doentes.
Com todas as garantias de qualidade da Josera, a principal característica da linha Help são os seus benefícios nutricionais . Tudo isso oferecido em receitas adaptadas a doenças e fases da vida específicas.
Na verdade, essas dietas veterinárias são focadas em diferentes aspectos que podem ser melhorados com a nutrição, como intolerâncias e alergias alimentares ou problemas digestivos, ou para ajudar cães ou gatos com patologias como insuficiência cardíaca crônica, insuficiência hepática crônica ou insuficiência renal crônica.
Fonte: Animal's Health
26/06/2026
Entre esses fatores, a microbiota intestinal tem ganhado destaque como um dos principais moduladores da saúde, atuando diretamente na regulação das respostas imunológicas (Ji et al., 2023; Yang & Wu, 2023).
O início de tudo: colonização microbiana
A colonização do trato gastrointestinal tem início imediatamente após o nascimento.
Filhotes oriundos de parto vaginal entram em contato direto com a microbiota materna, enquanto aqueles nascidos por cesariana tendem a apresentar um perfil microbiano inicial distinto, geralmente com menor diversidade (Zakošek et al., 2020).
Evidências recentes indicam que microrganismos podem ser detectados em fases muito precoces da vida, influenciando diretamente o desenvolvimento inicial do hospedeiro (Bertero et al., 2024).
Nesse contexto, o colostro e o leite materno desempenham papel central, atuando não apenas como fontes de nutrientes, mas também como veículos de imunoglobulinas, compostos bioativos e microrganismos benéficos que contribuem para o estabelecimento de uma microbiota intestinal equilibrada (Wilson & Swanson, 2024).
Janela crítica de desenvolvimento
O período neonatal é frequentemente descrito como uma 'janela crítica'. Durante essa fase, a microbiota intestinal sofre rápidas mudanças em composição e diversidade, sendo fortemente influenciada por fatores como ambiente, manejo, uso de antimicrobianos e, principalmente, dieta (Woolley et al., 2025).
Alterações nesse processo podem gerar efeitos duradouros, impactando não apenas a saúde intestinal, mas também o equilíbrio sistêmico ao longo da vida.
Intestino: um centro imunológico
O sistema imunológico de cães atinge sua maturidade por volta dos seis meses de idade, período acompanhado por mudanças marcantes na composição da microbiota intestinal (Masuoka et al., 2016).
Ao longo desse processo, observa-se que as comunidades microbianas variam significativamente com a idade, refletindo o desenvolvimento fisiológico do hospedeiro (Woolley et al., 2025).
Nesse cenário, o intestino se consolida como um dos principais órgãos imunológicos do organismo, abrigando o tecido linfoide associado ao intestino (GALT), responsável por concentrar grande parte das células de defesa.
A interação contínua entre os microrganismos intestinais e o sistema imune é essencial para o desenvolvimento e a regulação das respostas imunológicas, tanto inatas quanto adaptativas (Ji et al., 2023).
Bactérias comensais desempenham papel central nesse processo, promovendo a maturação do sistema imune, estimulando a produção de imunoglobulina A (IgA) e contribuindo para o equilíbrio entre respostas inflamatórias e mecanismos de tolerância (Yang & Wu, 2023).
Adicionalmente, metabólitos produzidos pela microbiota, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), atuam diretamente na manutenção da integridade da barreira intestinal e na modulação da resposta inflamatória, reforçando a relevância do eixo microbiota–imunidade para a saúde do hospedeiro (Ji et al., 2023).
Por Vanessa R. Olszewski, Lais M. Antunes, Danieli Z. Cypriano e Ananda P. Felix
Fonte: Cães&Gatos
REFERÊNCIAS:
BERTERO, A. et al. Meconium microbiota in naturally delivered canine puppies. BMC Veterinary Research, v. 20, n. 1, p. 363, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12917-024-04225-2
BAMBERGER, T. et al. Mapping the canine microbiome: insights from the dog aging project. 2024. DOI: https://doi.org/10.1101/2024.12.02.625632
JI, Y.; YANG, Y.; WU, Z. Programming of metabolic and autoimmune diseases in canine and feline: linkage to the gut microbiome. Microbial Pathogenesis, v. 185, p. 106436, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.micpath.2023.106436
MASUOKA, H. et al. Transition of the intestinal microbiota of dogs with age. Bioscience of Microbiota, Food and Health, v. 36, p. 27–31, 2016. DOI: https://doi.org/10.12938/bmfh.BMFH-2016-021
NEU, J. Developmental aspects of maternal-fetal and infant gut microbiota and implications for long-term health. Maternal Health, Neonatology and Perinatology, v. 1, p. 6, 2015.
PEREIRA, A. M.; CLEMENTE, A. Dogs' microbiome from tip to toe. Topics in Companion Animal Medicine, v. 45, p. 100584, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tcam.2021.100584
SCHMID, S. M.; TOLBERT, M. K. Harnessing the microbiome: probiotics, antibiotics and their role in canine and feline gastrointestinal disease. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 13–25, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4915
STAVROULAKI, E. M.; SUCHODOLSKI, J. S.; XENOULIS, P. G. Effects of antimicrobials on the gastrointestinal microbiota of dogs and cats. The Veterinary Journal, v. 291, p. 105929, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2022.105929
WILSON, S. M.; SWANSON, K. S. The influence of 'biotics' on the gut microbiome of dogs and cats. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 2–12, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4914
WOOLLEY, C. S. C. et al. The gut microbiota of Labrador retriever puppies: a longitudinal cohort study. Animal Microbiome, v. 7, p. 108, 2025.
YANG, B. et al. Dietary modulation of the gut microbiota in dogs and cats and its role in disease management. Microorganisms, v. 13, n. 12, p. 2669, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms13122669
YANG, Q.; WU, Z. Gut probiotics and health of dogs and cats: benefits, applications, and underlying mechanisms. Microorganisms, v. 11, n. 10, p. 2452, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms11102452
18/05/2026
O bem-estar animal tem se mostrado um fator mais determinante do que a sustentabilidade nas decisões de compra de alimentos para pets.
É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Colorado State University e publicado na revista Frontiers in Veterinary Science.
Segundo a análise, embora consumidores considerem ambos os aspectos importantes, o tratamento dado aos animais utilizados na produção dos alimentos exerce maior influência no momento da escolha.
Bem-estar animal tem maior peso na decisão de compra
De acordo com o estudo, 81,1% dos entrevistados consideram o bem-estar animal 'muito' ou 'extremamente' importante ao escolher um alimento para seus pets.
Já a sustentabilidade ambiental aparece logo atrás, com 70,1%.
Apesar da proximidade, o impacto do bem-estar animal é significativamente maior na decisão final de compra.
Esse comportamento está relacionado ao vínculo emocional que responsáveis têm com seus animais, o que tende a ampliar a empatia também em relação a outros animais.
Conexão emocional amplia impacto do tema
Durante discussões do setor, como no Pet Summit 2026, especialistas destacaram que a percepção dos consumidores vai além da distinção entre animais de companhia e de produção.
A representante da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, Maral Cavner, e a diretora de serviços veterinários da entidade, Ashley Eisenback, reforçaram que essa conexão emocional explica o maior peso do bem-estar animal.
'Não há muita diferença quando você olha nos olhos de cada um desses animais', afirmou Eisenback, ao comparar animais de companhia e aqueles utilizados na cadeia produtiva.
Sustentabilidade segue relevante, mas enfrenta barreiras
Apesar de importante, a sustentabilidade ambiental tende a ser impactada por fatores práticos no momento da compra, como preço, preferência do animal e necessidades médicas.
Ainda assim, especialistas destacam que bem-estar animal e sustentabilidade estão diretamente conectados, especialmente considerando o impacto da indústria de alimentos para pets.
Segundo Cavner, cães e gatos representam uma parcela significativa do consumo dentro do sistema alimentar global.
Consumidores demonstram intenção de mudança
O estudo também aponta que há disposição dos consumidores em mudar de marca com base em critérios éticos.
Dados apresentados no Pet Summit indicam que 90% dos entrevistados afirmam que considerariam trocar de marca caso soubessem que outra empresa utiliza práticas mais responsáveis no tratamento animal.
Por outro lado, a falta de informação ainda é um obstáculo: mais de 60% dos participantes desconhecem certificações relacionadas a bem-estar animal ou sustentabilidade.
Entre aqueles que conhecem, no entanto, esses selos têm influência direta na decisão de compra.
Comunicação pode ser diferencial competitivo
Os resultados reforçam que comunicar práticas relacionadas ao bem-estar animal pode ser uma estratégia relevante para empresas do setor, não apenas do ponto de vista ético, mas também comercial.
A combinação entre informação, transparência e conexão emocional tende a ser um fator-chave para influenciar o comportamento do consumidor.
FAQ sobre escolha de pet food
O que pesa mais na escolha de pet food?
Segundo o estudo, o bem-estar animal tem maior influência do que a sustentabilidade.
A sustentabilidade não é importante?
É relevante, mas pode ser impactada por fatores como preço e preferência do animal.
Consumidores mudariam de marca por esse motivo?
Sim. A maioria afirma que consideraria trocar por produtos com melhores práticas de bem-estar animal.
Fonte: Cães & Gatos
2 min reading
Pet Fair Asia will return to the Shanghai New International Expo Centre (SNIEC) from August 19 to 23, 2026, celebrating its 28th edition with another record-breaking scale of 320,000 sqm of exhibition space and welcoming more than 2,600 exhibitors.