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Consumo

08/10/2026

Mercado pet da Argentina ganha força com retomada do consumo e premiumização  

A recuperação do mercado pet argentino começa a abrir espaço para expansão do varejo, maior variedade de produtos e avanço das categorias premium, mesmo com o poder de compra das famílias ainda pressionado. A flexibilização das importações desde 2024 ampliou a oferta de acessórios e brinquedos, enquanto alimentos naturais e úmidos ganharam participação nas vendas.
  A inflação, que chegou a 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, desacelerou, mas continua afetando o consumo. Em julho de 2026, a inflação interanual estava em 33,8%, segundo o INDEC, com alta mensal de 2,1%.
  Para Sebastián Dates, diretor-geral da Câmara Argentina de Empresas de Nutrição Animal (CAENA), o cenário atual traz maior previsibilidade para empresas e consumidores. 'Os salários, porém, ainda não acompanharam integralmente a recuperação, mantendo restrições ao poder de compra', destaca.
  Varejo amplia presença e oferta
A Argentina tem entre 75% e 80% dos lares com animais de companhia, segundo estimativas citadas no levantamento, e o mercado pet movimenta mais de US$ 3,2 bilhões por ano, de acordo com a Kantar.
  A retomada também aparece na expansão das redes especializadas. A Puppis possui 42 lojas na Argentina, enquanto a Natural Life mantém presença em Buenos Aires, na província e em cidades como Mar del Plata, Mendoza e Rosário.
  A abertura parcial às importações ajudou principalmente categorias como acessórios e brinquedos, ampliando a variedade disponível no varejo.   Nutrição premium ganha espaço
A mudança no mix de consumo aparece com mais clareza na alimentação. Na Puppis, os alimentos naturais passaram de 4% para 9% do volume total de vendas ao longo do ano. Os alimentos úmidos também apresentaram crescimento.
  A Natural Life identifica movimento semelhante em produtos de maior valor agregado e associados à saúde preventiva. Em 2025, suas vendas cresceram em um dígito em valores corrigidos pela inflação.
  A comparação regional indica espaço adicional para premiumização. Na operação da Puppis na Colômbia, os alimentos naturais representam 25% das vendas, enquanto produtos congelados e úmidos têm maior penetração que na Argentina.   E-commerce cresce, mas lojas físicas lideram
O comércio eletrônico argentino ganhou escala, impulsionado por plataformas como Mercado Livre e PedidosYa, mas ainda apresenta desempenho inferior ao varejo físico no segmento pet, segundo executivos ouvidos pela GlobalPETS.
  Dados da Câmara Argentina de Comércio Eletrônico (CACE) mostram que as vendas online cresceram 55% em valor em 2025, chegando a ARS 34 trilhões. O número de compradores alcançou 25,1 milhões, enquanto as unidades vendidas avançaram 28%, para 645 milhões.
  No primeiro semestre de 2026, o comércio eletrônico registrou alta de 28% no volume de negócios, com crescimento de 21% nos pedidos e de 22% nas unidades vendidas. Fonte: Panorama Pet&Vet

Consumo

07/10/2026

Mercado de ração para cães e gatos supera 1 milhão de toneladas em 2026  

A indústria de alimentos industrializados para cães e gatos alcançou a marca de pouco mais de 1 milhão de toneladas consumidas no primeiro trimestre de 2026.
  O resultado integra a primeira prévia do setor divulgada pelo Sindirações, que aponta um crescimento geral de 5,4% na produção nacional de nutrição animal, totalizando 22,6 milhões de toneladas de rações produzidas entre janeiro e março.
  Para o acumulado de 2026, a estimativa do Sindirações para o segmento de cães e gatos é atingir aproximadamente 4,15 milhões de toneladas de alimentos processados, consolidando a nutrição pet como uma das cadeias mais estratégicas da indústria no país.   Faturamento bilionário e gargalos no setor pet
O desempenho do setor reflete a força da nutrição no ecossistema de animais de estimação. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABEMPET) mostram que o segmento de pet food encerrou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 41,4 bilhões, valor que representa 53% de todo o mercado pet nacional.
  Apesar do volume expressivo de consumo e das projeções otimistas para 2026, empresários do setor enfrentam desafios para expandir o potencial de mercado. Fatores como a alta carga tributária incidentes sobre os alimentos industrializados, a volatilidade do câmbio para matérias-primas e a desaceleração do consumo das famílias continuam limitando uma expansão ainda maior.

  Produção de rações (milhões de toneladas) (Foto: Divulgação / Sindirações)
Panorama geral da nutrição animal no Brasil
No cenário macro da nutrição animal, o avanço total do setor no trimestre foi impulsionado principalmente pelas cadeias de proteína animal, lideradas pela avicultura de corte (10 milhões de toneladas) e pela suinocultura (5,5 milhões de toneladas).
  Para Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, o desempenho do setor demonstra resiliência, ancorado em ganhos de produtividade e no avanço da nutrição de precisão.
  No total de todas as espécies, o Sindirações prevê fechar o ano de 2026 superando as 98 milhões de toneladas produzidas. Fonte: Cães&Gatos

Notícias do setor

06/10/2026

VIII SINPET debate aplicação da ciência na clínica e na indústria de pet food

A proposta é promover o intercâmbio entre profissionais de diferentes áreas, aproximando o conhecimento produzido na pesquisa das demandas da indústria de pet food e da clínica. Segundo Luciano Trevizan, professor da UFRGS e coordenador do simpósio, o objetivo é discutir como os resultados científicos podem contribuir diretamente para a saúde dos animais e para o desenvolvimento de soluções nutricionais.

'O principal objetivo neste evento é que a gente discuta como a ciência que é gerada dentro dos nossos laboratórios e com a pesquisa pode ser transferida para o benefício direto do animal ou para dentro da indústria, para que sejam geradas soluções nutricionais para animais de companhia', explica.

Em sua oitava edição, o SINPET mantém uma proposta de educação continuada, reunindo profissionais e pesquisadores do Brasil e do exterior para compartilhar conhecimentos e discutir possibilidades de aplicação prática da ciência. Realizado bienalmente, o simpósio também possui caráter itinerante, alternando sua realização entre universidades da região Sul do país.
Programação estratégica para a nutrição de cães e gatos
Ao longo dos dois dias, a agenda abordará diferentes aspectos da nutrição de animais de companhia, com discussões sobre saúde intestinal, microbiota, ingredientes funcionais, digestibilidade, processamento de alimentos e novas tecnologias aplicadas à pesquisa.

No primeiro dia, 15 de outubro, a programação começa com uma discussão sobre a aplicação da ciência na prática, conduzida por Luciano Trevizan. Na sequência, Tânia Miltenburg, coordenadora de formulações da Royal Canin, abordará a transformação das evidências científicas em aplicações técnicas.

Entre os demais destaques estão as apresentações sobre o uso de polifenóis derivados de Acacia mearnsii em dietas para cães, métodos in vitro para determinação da digestibilidade total em cães e gatos e o potencial imunomodulador do colostro. A agenda também contempla os desafios científicos e regulatórios envolvidos no desenvolvimento de novos aditivos para a alimentação animal.

A saúde intestinal terá espaço relevante nas discussões da tarde, com apresentações sobre microbioma, gastroenterologia clínica e aplicações da microbiota fecal na medicina de cães e gatos. A professora Maria Chiara Sabetti, da Universidade de Parma, na Itália, participará de atividades sobre evidências científicas em formulação nutricional e protocolos clínicos para o transplante de microbiota fecal.

No segundo dia, 16 de outubro, a programação terá início com uma abordagem sobre o uso da inteligência artificial na pesquisa em nutrição animal. Outros temas incluem os riscos associados ao transporte de matérias-primas, a conservação de dietas sem aditivos artificiais e a estabilidade de aminas biogênicas durante o processo de extrusão.

As tecnologias de embalagens também estarão entre os assuntos discutidos, considerando a contribuição de suas diferentes camadas para a conservação dos alimentos. Na sequência, a agenda avançará para temas como nutrição e expectativa de vida de cães e gatos, proteínas unicelulares bacterianas, ingredientes funcionais e soluções nutricionais voltadas à saúde intestinal.

O encerramento científico contará com uma apresentação sobre as exigências nutricionais após a adoção de novos métodos de estimativa de aminoácidos, conduzida por Lucas Scarpim, da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Integração entre pesquisa e indústria
A diversidade de assuntos reforça a proposta do SINPET de aproximar diferentes áreas do conhecimento e ampliar as possibilidades de aplicação dos resultados científicos no desenvolvimento de alimentos e soluções nutricionais para animais de companhia.

Para Luciano Trevizan, a reunião de profissionais da indústria e da clínica favorece a discussão sobre como as inovações produzidas na pesquisa podem chegar à prática e contribuir para a alimentação saudável de cães e gatos.

Voltado a estudantes e profissionais de Medicina Veterinária, Zootecnia, Agronomia, Engenharia de Alimentos e áreas relacionadas à nutrição e ao metabolismo de animais de companhia, o VIII SINPET terá carga horária de 16 horas. O evento será realizado presencialmente no Salão de Atos da UFRGS, localizado na Avenida Paulo Gama, 110, em Porto Alegre. 

Mais informações sobre inscrições e programação estão disponíveis no site oficial da Funep. Fonte: All Pet Food

Consumo

01/10/2026

Principais gastos dos tutores nos EUA  

Dados da American Pet Products Association (APPA) mostram que 71 milhões de lares americanos, equivalentes a 53% do total, possuíam ao menos um cão em 2025, enquanto diferentes categorias passaram a registrar comportamentos distintos de consumo. O levantamento apresenta indicadores referentes a 2025 e não informa o número de respondentes ou o período de coleta.   Penetração dos cães nos lares americanos em 2025
  Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Consumidor busca mais valor, sem abandonar o cuidado
Os dados apontam para um comportamento mais orientado à percepção de valor. Em vez de reduzir os cuidados com os animais, os consumidores estão alterando hábitos de compra e avaliando com mais atenção o retorno obtido em cada categoria.
  53% dos lares – americanos possuíam pelo menos um cão em 2025.
  Alimentação seca mantém liderança
A ração seca continua como a base da alimentação dos cães: 72% dos tutores utilizam principalmente alimentos secos, sendo que 60% alimentam seus animais exclusivamente com esse formato e 12% o combinam com outras opções.
  Ao mesmo tempo, cresce a busca por uma alimentação mais flexível. A participação das compras de ração seca básica aumentou de 26% para 30%, enquanto os tutores também incorporam complementos, misturas, caldos e alimentos classificados como human-grade (qualidade humana) à rotina dos animais.   Hábitos de alimentação dos cães Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Gasto com snacks cai, mas frequência de compra aumenta
O comportamento dos consumidores de petiscos revela uma mudança relevante entre valor e volume. Os gastos com snacks caíram 11%, mesmo com aumento na frequência de compra, sinalizando uma seleção mais criteriosa dos produtos adquiridos.
  Por outro lado, o número de tutores que compraram 11 ou mais embalagens de petiscos aumentou 10% no conjunto dos consumidores. Entre os integrantes da geração Z, o crescimento chegou a 56%, indicando maior intensidade de compra dentro desse grupo.
  Mudanças no consumo de petiscos Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Produtos mastigáveis mantêm relevância
Os produtos mastigáveis aparecem entre as categorias com desempenho mais consistente. 65% dos tutores compraram mordedores, enquanto as aquisições cresceram 5% no total.
  Entre os consumidores da geração Z, o avanço nas compras chegou a 16%. Os dados reforçam a presença desses produtos na rotina de consumo, mesmo em um ambiente de maior seletividade na cesta de compras.   Indicadores do mercado de produtos mastigáveis Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Lenços de grooming registram o maior avanço
Entre os indicadores apresentados, os lenços destinados ao grooming concentram as maiores taxas de crescimento. A presença do produto nas casas dos EUA aumentou 108%, enquanto as compras cresceram 129%.
  A intenção de compra também avançou de forma expressiva, com alta de 200% nas compras planejadas. Os dados indicam uma expansão acelerada da categoria dentro das tendências observadas pela APPA.
  Crescimento dos lenços de grooming Fonte: American Pet Products Association (APPA) Fonte: Panorama Pet&Vet

Consumo Mercado pet nos EUA atinge US$ 46 bilhões impulsionado pelo crescimento dos gatos
 

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Mercado pet nos EUA atinge US$ 46 bilhões impulsionado pelo crescimento dos gatos  

O mercado norte-americano para produtos e serviços voltados a gatos alcançou a marca de US$ 46,2 bilhões, representando 30% de todo o setor pet no país.
  De acordo com o relatório Cats: US Pet Market Trends and Opportunities, da Packaged Facts (Freedonia Group), o número de lares com felinos segue crescendo nos EUA, impulsionado por mudanças demográficas e custos de vida que favorecem a escolha por gatos em detrimento dos cães.
  Entre as razões do avanço estão o aumento de moradores em imóveis alugados e o menor custo de manutenção dos felinos, citado por 25% dos responsáveis como fator decisivo.   O que impulsiona o crescimento e os gastos do setor?
Com responsáeis enxergando os gatos como membros da família, os gastos com alimentação premium, cuidados preventivos, saúde na velhice e controle de ansiedade ganharam força. Além da nutrição especializada, o mercado vê alta demanda por produtos de higiene — como areias sanitárias e controle de odor — e dispositivos tecnológicos para a rotina diária.
  A pesquisa revelou ainda que, pela primeira vez em anos, o número de lares que adotaram gatinhos superou o de filhotes de cães, garantindo um forte impulso de consumo para os próximos anos.   Novas oportunidades e mercado de futuro
O estudo aponta grandes oportunidades para fabricantes e serviços voltados a gatos idosos, nutrição funcional e soluções comportamentais.
  Com a transição do mercado para produtos de maior valor agregado, marcas que investirem em saúde e inovação para felinos estarão bem posicionadas para liderar o setor.   Sobre o mercado pet felino nos EUA
Quanto o mercado de gatos movimenta nos Estados Unidos?
O mercado de produtos e serviços para gatos movimenta aproximadamente US$ 46,2 bilhões anuais, o que equivale a 30% de toda a indústria de animais de estimação nos EUA.
  Por que a posse de gatos superou a de cães em crescimento?
A alta nos custos de moradia e a busca por animais de manutenção mais prática levaram mais consumidores jovens, idosos e inquilinos a optarem por felinos.
  Quais são as principais prioridades de compra dos responsáveis de gatos?
Os responsáveis priorizam a saúde e a longevidade dos pets, investindo em nutrição premium, cuidados preventivos, produtos para gatos idosos e itens de higiene e bem-estar. Fonte: Cães&Gatos

Consumo Alimentos frescos para cães superam ração seca em ritmo de expansão
 

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Alimentos frescos para cães superam ração seca em ritmo de expansão  

O segmento de alimentos frescos e congelados para cães registrou uma taxa de crescimento anual de 24,5% entre 2021 e 2025 — quase quatro vezes superior aos 5,7% da categoria total de alimentos e petiscos para cães no mesmo período. Os dados são de um novo relatório do Cascadia Pet Industry Insights sobre o mercado dos Estados Unidos.
  O avanço ocorre apesar da maior sensibilidade dos tutores a preço, o que reforça a resiliência da premiumização mesmo em um cenário de orçamento familiar mais apertado.   Avanço ocorre às custas dos alimentos úmidos
Segundo o relatório, os ganhos de participação dos frescos e congelados vêm principalmente da queda na fatia dos alimentos úmidos de prateleira, segmento em perda consistente de espaço.
  Dentro do levantamento, a categoria de alimentos e petiscos para cães está dividida em quatro segmentos:
  Alimentos frescos e congelados: 11% das vendas de alimentos e 8% da categoria total, com faturamento de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,16 bilhões) Alimentos úmidos de prateleira: 22% das vendas de alimentos e 15% da categoria, com US$ 2,4 bilhões (R$ 12,31 bilhões) Petiscos: 31% das vendas da categoria, movimentando US$ 4,9 bilhões (R$ 25,14 bilhões) em 2025 Alimentos secos de prateleira (kibble): 67% das vendas de alimentos e 46% da categoria total, com US$ 7,1 bilhões (R$ 36,42 bilhões)   Humanização e inovação sustentam a curva de crescimento
A Cascadia atribui o desempenho da categoria aos mesmos vetores que impulsionam a premiumização em outros segmentos pet: a humanização dos animais de companhia, a entrada de um número crescente de marcas inovadoras e a conscientização dos tutores sobre os benefícios de alimentos menos processados.
  O relatório destaca ainda a baixa penetração nos lares como principal oportunidade de expansão. Em 2025, apenas 10% das famílias compraram alimentos frescos para cães, contra 61% que adquiriram algum tipo de alimento para cães no período — uma lacuna significativa de mercado ainda a ser explorada.   Preço premium não reduz a demanda
Os alimentos frescos e congelados podem custar mais que o dobro por quilo em comparação à ração seca. Ainda assim, o preço elevado não reduziu a demanda, mesmo diante da pressão econômica sobre os orçamentos familiares.
  De acordo com o Cascadia, 96% dos consumidores pretendem manter ou aumentar os gastos com alimentos frescos para pets no futuro próximo. O banco de investimentos explica essa resiliência pelo perfil de maior renda dos consumidores do segmento e pelo alto custo de substituição associado à troca do alimento principal dos cães. Fonte: Panorama Pet&Vet


Os nossos editores

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Tendências

Sustentabilidade

29/09/2026

O futuro do pet food será mais eficiente

Hoje, as estratégias mais eficazes não dependem necessariamente de grandes mudanças, mas de melhorias inteligentes na formulação, eficiência nutricional e utilização de recursos. De  ingredientes  upcycled a micronutrientes altamente biodisponíveis, o futuro do pet food sustentável está sendo construído em pequenas soluções com grandes impactos.

Tradicionalmente, a sustentabilidade na ração para pets estava associada apenas à embalagem reciclável ou à redução do plástico, mas o verdadeiro impacto ambiental começa muito antes, nos ingredientes, em sua origem e na eficiência com que o animal utiliza cada nutriente.

Uma fórmula nutricionalmente eficiente pode reduzir o uso de matérias-primas, resíduos metabólicos, emissões associadas à produção e a quantidade total de ração necessária. Essa possibilidade levou as marcas a repensar a formulação a partir de uma lógica de precisão nutricional.

A questão não é mais quanto ingrediente um alimento contém, mas quanto valor funcional ele realmente oferece. Uma das estratégias mais importantes em sustentabilidade é o uso de  ingredientes upcycled, o que significa, materias primas recuperados de outras cadeias alimentares que antes acabavam como resíduos. Esses ingredientes mantêm alto valor nutricional e podem ser reincorporados de forma eficiente em formulações para pets.

Alguns exemplos incluem proteínas recuperadas de processos da indústria de alimentos, coprodutos da ricos em fibra e proteína, polpas vegetais com propriedades funcionais, leveduras provenientes de fermentação, óleos reaproveitados sob controle de qualidade e frutas ou vegetais descartados por padrões estéticos, mas passíveis de valorização como ingredientes para nutrição animal.

O benefício ambiental é evidente: menos desperdício, menor pressão agrícola, redução de emissões e melhor uso dos recursos existentes.

Além disso, há uma vantagem econômica importante. Ingredientes reciclados  normalmente oferecem maior estabilidade de custo em comparação com matérias-primas tradicionais, sujeitas à volatilidade global. Isso faz da economia circular uma estratégia tanto ambiental quanto financeira.

No entanto, a verdadeira revolução silenciosa ocorre nos microingredientes funcionais. Esses componentes atuam em pequenas concentrações, mas geram melhorias significativas na digestibilidade, saúde intestinal, absorção e desempenho metabólico. Graças a isso, permitem que dietas mais eficientes sejam formuladas usando menos recursos globais. Por exemplo, microalgas se tornaram uma alternativa estratégica ao óleo de peixe e fornecem DHA, antioxidantes, pigmentos naturais e proteínas funcionais. Além disso, sua produção exige menos terra e reduz a pressão sobre os ecossistemas marinhos.

Outro exemplo são os minerais inorgânicos tradicionais, que apresentam perdas significativas porque grande parte deles não é devidamente absorvida. Nesse sentido, minerais quelados têm maior biodisponibilidade, o que permite o uso de doses menores, redução das excreções e diminuição da carga ambiental. É um exemplo claro de como a eficiência nutricional também é sustentável. Minerais quelados desempenham um papel central porque maximizam o rendimento sem aumentar proporcionalmente o uso de recursos. 

Dessa forma, uma formulação precisa permite que perfis proteicos sejam complementados por aminoácidos específicos e peptídeos bioativos. Isso reduz a necessidade de superformular a proteína total, diminuindo o impacto ambiental associado a ingredientes de alto custo ecológico. Em outras palavras, mais nutrição com menos proteína.

Uma das mudanças mais importantes do setor é o surgimento de novos indicadores de sustentabilidade. Não basta mais medir a pegada de carbono de um ingrediente; A digestibilidade, conversão nutricional, absorção real e eficiência metabólica também são agora avaliadas. Uma ração mais digestível requer menos volume para oferecer o mesmo benefício nutricional. Isso reduz o impacto do transporte, produção, desperdício e pressão sobre matérias-primas. A sustentabilidade futura será cada vez mais uma questão de eficiência biológica. 

Em especial, as proteínas, que continuam sendo o principal ingrediente para o dono do animal, são o principal foco ambiental da ração para pets. Por essa razão, soluções híbridas que combinam diferentes fontes de proteína para otimizar o desempenho e reduzir o impacto estão crescendo. Entre os mais relevantes estão: 
  Proteína de insetos por sua alta digestibilidade, baixo consumo de água e menores emissões. Produção de compostos funcionais sem a necessidade de pecuária intensiva. Otimização de proteínas vegetais.
  O objetivo não é eliminar proteína animal, mas sim construir sistemas mais resilientes e eficientes.

Um termo que estará mais presente na fabricação de ração para pets é ter a LCA (do inglés Life Cycle Assessment) de cada uma de nossas matérias-primas. LCA é uma metodologia que avalia o impacto ambiental associado a todas ou algumas etapas do ciclo de vida de um produto, desde a extração da matéria-prima até seu descarte ou um ponto final definido, como a fábrica.

Por anos, muitas empresas viam a sustentabilidade como um custo adicional. Hoje, ela é entendida como uma ferramenta de competitividade. Marcas capazes de otimizar formulações, reduzir desperdício, melhorar a eficiência digestiva e utilizar ingredientes funcionais de alta precisão podem, ao mesmo tempo, reduzir custos e gerar diferenciação premium, estabilidade de oferta e aumento do valor da marca.

A próxima geração pet food não será definida apenas pela porcentagem de proteína ou rótulos "naturais". A verdadeira liderança virá da capacidade de produzir nutrição funcional com a menor pegada de carbono possível. Nesse cenário, microingredientes, micronutrientes altamente biodisponíveis e  ingredientes upcycled  deixarão de ser tendências e se tornarão pilares estruturais da indústria. 

A inovação mais poderosa não será produzir mais alimentos, mas garantir que cada grama de nutrientes tenha o máximo impacto positivo com o mínimo impacto ambiental. Por MVZ Armando Enriquez de la Fuente Blanquet
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Armando Enriquez de la Fuente Blanquet

Sustentabilidade

08/09/2026

Repensando a sustentabilidade no pet food: ingredientes upcycled e renderizados como ferramentas estratégicas para as pessoas, os pets e o planeta

Para os fabricantes de alimentos para pets, os objetivos ambientais não podem ser abordados isoladamente da nutrição, custo, palatabilidade, segurança ou desempenho no processamento. Uma formulação pode parecer atraente do ponto de vista ambiental, mas se comprometer a digestibilidade, aceitação, eficiência de fabricação, confiabilidade do fornecimento ou acessibilidade do produto, ela terá dificuldades para competir no mercado. O desafio é reduzir o impacto ambiental mantendo o desempenho e a lucratividade.

Em última análise, um alimento sustentável deve equilibrar as necessidades dos tutores, animais de estimação e do planeta, oferecendo dietas seguras e nutritivas, enquanto promove o uso responsável dos recursos naturais e apoia sistemas alimentares economicamente viáveis. Isso está alinhado com o conceito mais amplo de sustentabilidade nutricional, que considera a adequação nutricional junto com as dimensões ecológicas, sociais e econômicas do sistema alimentar (Swanson et al., 2013).

Ingredientes upcycled e renderizados merecem atenção renovada porque contribuem para a redução de resíduos, recuperação de nutrientes, eficiência de recursos e as realidades econômicas da produção de alimentos para pets.
Repensando o conceito de "subproduto"
Uma das principais e mais amplas barreiras para a aceitação desse tipo de ingredientes não é apenas técnica, mas também linguística. Termos como "subproduto", "farinha" ou "renderizado" podem ser mal interpretados pelos consumidores, mesmo quando os ingredientes são seguros, nutritivos e funcionais.

Um subproduto não é, por definição, um material de baixa qualidade. A AAFCO define subprodutos como "subprodutos gerados além do produto principal" (AAFCO, s.d.). Na ração para pets, muitos subprodutos vêm do sistema alimentar humano. Elas podem incluir órgãos, ossos, gorduras, tecidos conjuntivos, aparas ou outras frações ricas em nutrientes que não são comumente consumidas em certos mercados, mas ainda contêm proteínas, gorduras, minerais e compostos funcionais valiosos.

Essa distinção é importante. Cães e gatos não precisam de ingredientes porque são atraentes para humanos; Eles precisam de nutrientes. Proteínas, aminoácidos, ácidos graxos essenciais, minerais, vitaminas e energia podem vir de múltiplas fontes de ingredientes. O papel do formulador é avaliar esses materiais com base em sua contribuição nutricional, segurança, digestibilidade, consistência e adequação ao produto-alvo.

Ao mesmo tempo, a percepção do consumidor é importante. Ingredientes renderizados ainda são usados em toda a indústria, mas nos segmentos premium e super premium, muitos consumidores associam carne fresca, carnes identificadas por espécie ou a presença de carne como o primeiro ingrediente de maior qualidade. Isso não torna os ingredientes renderizados menos valiosos, mas exige uma estratégia de posicionamento mais cuidadosa. A tarefa da indústria é comunicar como diferentes fluxos de ingredientes contribuem para nutrição, sustentabilidade, acessibilidade e desempenho, sem ignorar expectativas que influenciam as decisões de compra.
Ingredientes upcycled, derretidos e nutrição circular 
Nas conversas sobre sustentabilidade, os termos upcycled, "renderizado" e "circular" às vezes são usados como sinônimos. Eles são relacionados, mas não idênticos.
  Ingredientes upcycled  representam o conceito mais amplo. A Upcycled Food Association define  alimentos upcycled  como aqueles que utilizam ingredientes que, de outra forma, não seriam destinados ao consumo humano, produzidos por meio de cadeias de suprimentos verificáveis e com impacto ambiental positivo (Upcycled Food Association, s.d.). Na ração para pets, isso pode incluir fluxos secundários provenientes do processamento de alimentos, agricultura, fermentação, moagem de grãos, processamento de oleaginosas, produção de frutas e vegetais, processamento de frutas do mar, laticínios e produção de proteínas animais. Seu valor está em redirecionar nutrientes utilizáveis de resíduos ou aplicações de menor valor para produtos seguros e úteis. 
  Os ingredientes renderizados são mais específicos. A renderização  é o processo pelo qual materiais de origem animal, como carne, ossos e gorduras, são recuperados e transformados em gorduras e proteínas estáveis que podem ser usados para alimentos animais e de estimação, biocombustíveis e outras aplicações (North American Renderers Association, s.d.). Na ração para pets, esses ingredientes podem incluir farinha de aves, farinha de carne e osso, gordura animal, gordura de aves, palatabilizantes e farinhas proteícas especiais. Esses materiais geralmente são derivados de partes animais que não são consumidas em certos mercados, mas ainda assim são ricas em proteínas, gorduras, minerais e outros nutrientes. 

Portanto, os ingredientes renderizados podem fazer parte de uma estratégia nutricional circular ou upcycled  , pois permitem a recuperação de nutrientes dos sistemas alimentares e pecuários. No entanto, nem todos os ingredientes upcycled são renderizados. Esses materiais também podem incluir bagaço de cervejaria, residuos de frutas, fibras vegetais, farinhas oleaginosas, coprodutos de fermentação, aparas de frutos do mar e outras fontes ricas em nutrientes.
  A nutrição circular é a estrutura que conecta as duas categorias. A economia circular baseia-se na eliminação de desperdícios, na manutenção de produtos e materiais circulando em seu valor máximo e na regeneração de sistemas naturais (Fundação Ellen MacArthur, s.d.). Aplicada à alimentação para pets, a nutrição circular pode ser entendida como o uso intencional de fontes seguras e nutritivas provenientes dos sistemas alimentares e agrícolas existentes para reduzir desperdícios, melhorar a eficiência dos recursos e entregar valor nutricional. Sob essa abordagem, ingredientes upcycled e renderizados não são alternativas de segunda linha, mas ferramentas estratégicas para projetar alimentos que beneficiem pessoas, pets e o planeta.    A sustentabilidade deve andar lado a lado com o desempenho
O valor ambiental dos ingredientes upcycled e renderizados atinge seu máximo potencial quando combinado com forte desempenho nutricional e comercial. Um ingrediente responsável também deve demonstrar eficácia na formulação, processamento e alimentação.

No caso de farinhas derretidas e  fontes de proteína recicladas, envolve avaliar perfis de aminoácidos, digestibilidade, teor de cinzas, balanço mineral, qualidade da gordura, frescura, palatabilidade, compatibilidade de processamento, custo de uso e confiabilidade do fornecimento. Para gorduras e óleos, significa entender a densidade energética, o perfil de ácidos graxos, a estabilidade oxidativa e sua contribuição para a palatabilidade. Para hidrolisados e frações especiais, isso significa considerar o perfil peptídico, posicionamento funcional, solubilidade, sabor e suporte para alegações comerciais.

O objetivo não é substituir o desempenho pela sustentabilidade, mas identificar ingredientes onde os dois aspectos se reforçam mutuamente. Ingredientes renderizados e upcycled  podem contribuir para esse equilíbrio porque fornecem nutrientes concentrados, cadeias de suprimentos consolidadas, estruturas de custo favoráveis e grande utilidade na formulação.

Isso também está relacionado à sustentabilidade nutricional. Um sistema alimentar sustentável para pets deve fornecer nutrição adequada, segura e eficaz, equilibrando considerações ambientais, sociais e econômicas. Na prática, a sustentabilidade é determinada pelos ingredientes selecionados, pela eficiência com que os nutrientes são fornecidos, pelo grau de digestibilidade da dieta e pela quantidade de alimento que o animal de estimação consome (Swanson et al., 2013).
Cinco Estratégias para Repensar a Sustentabilidade no Pet Food Formule para entrega eficiente de nutrientes sem perder de vista o posicionamento de mercado. Os ingredientes devem ser avaliados de acordo com o que eles fornecem, tanto do ponto de vista nutricional quanto funcional. Ao mesmo tempo, produtos premium e super premium também devem atender às expectativas dos consumidores em relação à identidade dos ingredientes, apresentação do rótulo e valor percebido. A oportunidade é combinar ambas disciplinas: uma formulação criteriosa e um posicionamento de mercado respaldado por evidências.
  Use uma variedade de fontes de proteína. Nenhuma fonte única de proteína precisa assumir toda a carga nutricional, ambiental e comercial de um produto. Proteínas renderizadas podem ser combinadas com carnes frescas ou congeladas, proteínas vegetais, proteínas de levedura, ingredientes marinhos, hidrolisados, proteínas de insetos ou proteínas unicelulares para otimizar o equilíbrio de aminoácidos, custo, palatabilidade, apelo no rótulo e perfil ambiental.
  Meça a qualidade com mais precisão. Proteína e gordura bruta são pontos úteis de partida, mas não o suficiente. Uma avaliação mais completa deve incluir perfil de aminoácidos, digestibilidade de proteínas, qualidade da gordura, índice de peróxido, valor de anisidina, ácidos graxos livres, equilíbrio de cinzas e minerais, qualidade microbiológica e resposta palatável. Isso é especialmente importante para ingredientes, onde a frescura, o controle do processo e o manuseio de matérias-primas podem influenciar significativamente o rendimento.
  Incorporar a sustentabilidade na cadeia de suprimentos. A seleção de ingredientes deve incluir documentação sobre rastreabilidade, sistemas de segurança alimentar, controles de renderização, programas de qualidade dos fornecedores, eficiência energética e relatórios ambientais. A sustentabilidade deve fazer parte da seleção de fornecedores, desenvolvimento de especificações e garantia de qualidade, e não apenas uma declaração de marketing após a conclusão da formulação.
  Comunique cuidadosamente a nutrição circular. Os consumidores podem se interessar por sustentabilidade, mas também são sensíveis à linguagem utilizada. Alegações falsas podem prejudicar a confiança. Uma abordagem melhor é explicar que ingredientes upcycled e renderizados ajudam a recuperar nutrientes dos sistemas alimentares existentes, reduzem o desperdício, apoiam o uso eficiente dos recursos e contribuem para uma nutrição completa e equilibrada.   Meça a pegada e o impacto da formulação
A próxima etapa da sustentabilidade no pet food exigirá melhores sistemas de medição. Pegada de carbono, uso de água e solo, escassez de ingredientes, distâncias de transporte, digestibilidade e densidade de nutrientes podem fazer parte de decisões de formulação cada vez mais avançadas. Ferramentas de análise do ciclo de vida e dados específicos de fornecedores podem ajudar as empresas a comparar alternativas com mais precisão.

No entanto, ingredientes renderizados e upcycled  requerem uma avaliação cuidadosa porque muitos deles são co-produtos de sistemas já existentes. Seu valor ambiental está ligado à metodologia e ao fato de que recuperam nutrientes que poderiam ser descartados, compostados, enviados a aterros sanitários ou destinados a aplicações de menor valor. Reduzir a comparação a ingredientes de fontes "animais" e "vegetais" pode ocultar essas nuances.

A indústria precisa de ferramentas que considerem não apenas o impacto ambiental por quilograma de ingrediente, mas também o impacto ambiental por unidade de nutriente digerível fornecido. Isso é especialmente relevante para proteínas, gorduras e ingredientes ricos em minerais. Um material que fornece baixa nutrição pode não ser tão sustentável quanto uma opção densa em nutrientes que apoia a formulação e a eficiência alimentar.
Repensando a proteína e repensando o valor
O futuro sustentável do pet food não será construído apenas sobre ingredientes inovadores. A inovação não continuará apenas por meio de novas fontes de proteína, ingredientes derivados da fermentação, nutrição de precisão e melhores soluções de embalagem, mas também dependerá do uso mais inteligente dos fluxos de nutrientes já existentes.

Ingredientes upcycled e renderizados oferecem uma ponte entre responsabilidade ambiental, nutrição dos pets, acessibilidade e desempenho industrial. Eles podem ajudar a reduzir o desperdício, apoiar a nutrição circular e manter a qualidade nutricional e a viabilidade econômica exigidas pelo mercado.

Nesse sentido, repensar a proteína também significa repensar o valor. A questão não se baseia apenas em sua origem, mas em quão completamente, responsável e inteligentemente o utilizamos. Para a indústria pet food, essa pode ser uma das oportunidades de sustentabilidade mais importantes dos próximos anos. Por Juan Gomez-Basauri, Ph.D. – MAGELLAN LLC
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
AAFCO n.d. 'Byproducts.' Accessed June 17, 2026 (https://www.aafco.org/consumers/understanding-pet-food/byproducts/) 
Ellen MacArthur Foundation. n.d. "Circular Economy Introduction." Accessed June 17, 2026. https://www.ellenmacarthurfoundation.org/topics/circular-economy-introduction/overview.
Kelly S. Swanson, Rebecca A. Carter, Tracy P. Yount, Jan Aretz, Preston R. Buff. Nutritional Sustainability of Pet Foods. Advances in Nutrition. Volume 4, Issue 2, 2013. Pages 141-150, https://doi.org/10.3945/an.112.003335
North American Renderers Association. n.d. "Animal Rendering - What Is Rendering." Accessed June 17, 2026. https://nara.org/what-is-rendering/.
Upcycled Food Association. 2020. "About Upcycled Food." Accessed June 17, 2026. https://www.upcycledfood.org/upcycled-food.

Por Dr. Juan Gómez Basauri

Inteligência artificial

12/06/2026

 Utilizando Inteligência Artificial para Prever a Palatabilidade de Alimentos para Animais de Estimação

POR QUE ISSO IMPORTA
A palatabilidade é um dos principais fatores de sucesso de um produto na área de alimentos para animais de estimação. No entanto, prevê-la continua sendo um desafio. O desenvolvimento ainda depende muito de testes iterativos em animais, que são demorados, dispendiosos e, muitas vezes, identificam falhas tardiamente no processo.
  Na AFB, estamos mudando essa abordagem usando inteligência artificial (IA) para prever os resultados de palatabilidade antes dos testes. Ao combinar dados históricos com conhecimento de formulação, ajudamos a transformar o desenvolvimento de um processo de tentativa e erro para um processo mais direcionado e eficiente.
  O DESAFIO
A palatabilidade resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo ingredientes, níveis de inclusão, sistemas de gordura, processamento e variabilidade animal. Essas interações são complexas e não lineares, o que dificulta a previsão dos resultados.
  Devido a essa complexidade, as abordagens tradicionais têm dificuldade em explorar o espaço de formulações de forma eficiente e em fornecer soluções de alto desempenho de forma consistente.   UMA NOVA ABORDAGEM: DOS TESTES À PREVISÃO
Em vez de nos basearmos apenas em experimentos, integramos dados de diferentes ensaios e formulações para identificar padrões e prever resultados.
  Nossos modelos transformam dados de entrada, como composição da receita, níveis de ingredientes e condições de processamento, em orientações claras: quais soluções têm maior probabilidade de sucesso e quais apresentam maior risco.     DOS DADOS ÀS DECISÕES
Nossa abordagem converte conjuntos de dados complexos em insights práticos que orientam o desenvolvimento. Em vez de focarmos apenas no desempenho, também consideramos a confiabilidade de cada resultado.
  Ao combinar desempenho com confiança, geramos uma priorização clara do que testar em seguida. Isso permite que as equipes se concentrem nas formulações mais promissoras e evitem testes desnecessários.
    O QUE ISTO PERMITE

Essa abordagem preditiva nos permite:
  Identificar soluções de alto potencial mais cedo Reduzir a carga experimental Concentre-se nos ingredientes de maior impacto. Melhorar a consistência dos resultados
  Na prática, grandes espaços experimentais podem ser reduzidos a um conjunto menor de candidatos de alta confiança, acelerando o desenvolvimento e melhorando os resultados.   UMA MANEIRA MAIS INTELIGENTE DE DESENVOLVER PALATANTES
A inteligência artificial não substitui a experiência — ela a aprimora. O conhecimento científico continua sendo fundamental para a interpretação e validação, enquanto os modelos preditivos ajudam a orientar as decisões e a reduzir a incerteza.
  Ao combinar dados, ciência e IA, possibilitamos uma abordagem mais eficiente e confiável para o desenvolvimento da palatabilidade. Fonte: AFB International

Sustentabilidade

23/04/2026

Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food  

O uso de inteligência artificial (IA) na indústria pet food tem crescido rapidamente, impulsionado pela busca por eficiência, inovação e vantagem competitiva. 
  No entanto, especialistas alertam que a adoção indiscriminada da tecnologia pode comprometer a credibilidade das estratégias de sustentabilidade — um tema cada vez mais relevante para responsáveis e empresas do setor.

Embora a IA ofereça benefícios importantes, como otimização de formulações e melhoria na cadeia produtiva, seu impacto ambiental e social ainda é pouco discutido de forma transparente.   Infraestrutura da IA traz impactos ambientais relevantes
Por trás das soluções digitais, existe uma infraestrutura robusta que demanda alto consumo de energia, água e espaço físico. 
  Data centers — essenciais para o funcionamento da IA — exigem grande quantidade de eletricidade, muitas vezes proveniente de fontes não renováveis, além de sistemas intensivos de resfriamento.
  Esse cenário pode gerar impactos como aumento das emissões de carbono, pressão sobre recursos hídricos e alterações no uso do solo. 
  Em algumas regiões, comunidades próximas a essas estruturas também enfrentam consequências indiretas, como competição por recursos naturais.
  Além disso, a cadeia produtiva da tecnologia envolve questões sociais, incluindo condições de trabalho na construção e manutenção de infraestrutura e na extração de minerais para equipamentos.   Benefícios existem, mas exigem uso estratégico
Apesar dos desafios, a inteligência artificial também pode contribuir para práticas mais sustentáveis quando aplicada de forma direcionada. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento ambiental, otimizar o uso de recursos e aumentar a eficiência produtiva.
  No setor pet food, isso se traduz em aplicações como:
  redução de desperdício de ingredientes por meio de formulações mais precisas; manutenção preditiva de equipamentos, evitando perdas e consumo excessivo de energia; otimização logística, com potencial de reduzir emissões no transporte.
  No entanto, esses benefícios dependem de um uso estratégico. Quando adotada apenas por tendência ou pressão de mercado, a IA pode não gerar ganhos reais suficientes para compensar seus impactos.   Pressão por inovação pode distorcer decisões
A rápida adoção da IA em diferentes setores criou um ambiente competitivo em que empresas sentem necessidade de implementar a tecnologia para não ficarem para trás. Esse movimento, muitas vezes guiado pelo chamado 'fear of missing out' (FOMO), pode levar a decisões pouco fundamentadas.
  Pesquisas indicam que a IA melhora desempenho em tarefas dentro de sua capacidade, aumentando velocidade e qualidade. Por outro lado, pode reduzir a precisão em atividades mais complexas, especialmente quando utilizada sem critério.
  No setor pet, esse cenário pode incentivar uma 'corrida pela inovação', em que a adoção da tecnologia também funciona como sinal de modernidade para consumidores e investidores — nem sempre acompanhada de benefícios concretos.   Sustentabilidade exige olhar para impactos invisíveis
Um dos principais desafios é que grande parte dos impactos ambientais da IA não aparece diretamente nas operações das empresas que utilizam a tecnologia. 
  Esses custos ficam concentrados em provedores de nuvem, produção de hardware e sistemas energéticos — o que dificulta sua mensuração nos relatórios corporativos.
  Esse fenômeno, conhecido como externalidade, pode levar a uma percepção distorcida dos benefícios da IA. Enquanto os ganhos operacionais são visíveis, os impactos ambientais e sociais ficam diluídos na cadeia.
  Para um setor que cada vez mais aposta na sustentabilidade como posicionamento, ignorar esses fatores pode representar um risco reputacional. 
  Responsáveis estão mais atentos ao ciclo completo dos produtos, incluindo aspectos que vão além da formulação e embalagem.   Caminho está no uso consciente da tecnologia
Especialistas apontam que o caminho não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em adotá-la de forma criteriosa. 
  Priorizar aplicações que tragam ganhos mensuráveis — ambientais e operacionais — e evitar implementações motivadas apenas por tendência pode ser a chave para equilibrar inovação e responsabilidade.
  Além disso, reconhecer e incorporar os impactos indiretos da tecnologia nas estratégias de sustentabilidade tende a se tornar cada vez mais necessário para empresas que desejam manter credibilidade junto ao mercado.   FAQ sobre uso de IA no setor de pet food
A inteligência artificial pode ser sustentável no setor pet food?
Sim, desde que seja utilizada com objetivos claros, como reduzir desperdícios e otimizar processos produtivos.
  Quais são os principais impactos ambientais da IA?
Consumo elevado de energia, uso intensivo de água e impactos associados à infraestrutura de data centers.
  Por que o uso excessivo de IA pode ser um problema?
Quando adotada sem estratégia, a tecnologia pode gerar impactos ambientais que não são compensados por benefícios reais, além de comprometer a credibilidade das empresas. Fonte: Cães & Gatos

Sustentabilidade Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa
 

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Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa  

Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production, indica que rações premium para cães, especialmente as úmidas, cruas e com alto teor de carne, apresentam emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente superiores às da ração seca convencional. A pesquisa avaliou quase 1.000 produtos comerciais disponíveis no mercado do Reino Unido.
  De acordo com os pesquisadores, a produção de ingredientes para a alimentação canina no país responde por cerca de 1% das emissões totais de GEE. O levantamento também aponta que cães alimentados com dietas premium ricas em carne podem ter pegadas de carbono dietéticas maiores do que as de seus próprios tutores.   Cálculo da pegada de carbono
O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e Exeter (Inglaterra), que calcularam as emissões considerando os gases gerados durante a produção dos alimentos. As estimativas utilizaram informações de rotulagem de ingredientes e nutrientes, abrangendo rações secas, úmidas e cruas, além de opções à base de plantas e sem grãos.   Continua depois da publicidade
A análise revelou diferenças expressivas no impacto ambiental conforme a formulação e o método de processamento. Dietas com maior impacto podem emitir de 65 a mais de 160 vezes mais GEE do que aquelas com melhor desempenho ambiental.
  As rações secas convencionais, por utilizarem maior proporção de grãos e subprodutos, apresentaram o menor impacto, com emissões medianas inferiores a 1 kg de CO₂ equivalente por 1.000 calorias (kgCO₂eq/1.000 kcal). Em contrapartida, dietas úmidas e, sobretudo, cruas figuram entre as mais emissoras, com as cruas atingindo uma mediana de 4,7 kgCO₂eq/1.000 kcal.
  O maior impacto foi observado em dietas que incluem carne bovina, alcançando 25,36 kgCO₂eq, valor cerca de 70 vezes superior à média das rações secas.   Comparação com a alimentação humana
O estudo também comparou os impactos com diferentes padrões de alimentação humana. As emissões medianas para alimentar um cão de 20,1 kg com comida úmida ou crua superam as de uma dieta humana vegana, ficando abaixo apenas de dietas humanas muito ricas em carne. No caso de dietas cruas com cortes premium, o impacto pode exceder o de uma dieta humana carnívora.
  Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a população canina mundial fosse alimentada nos mesmos moldes e quantidades dos cães do Reino Unido, as emissões globais poderiam se equiparar às da aviação comercial mundial em um ano.   Papel dos ingredientes e desafios para o setor
O principal fator por trás das diferenças de emissão, segundo o estudo, é a substituição de subprodutos animais por cortes nobres de carne. Dietas premium, sem grãos ou cruas tendem a utilizar ingredientes que demandam mais recursos ambientais, enquanto rações secas convencionais aproveitam subprodutos, maximizando o uso do animal abatido.
  'Como cirurgião-veterinário que trabalha com sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de cães como 'lobos' carnívoros e o desejo de reduzir os danos ao meio ambiente', afirmou John Harvey, veterinário pesquisador da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. 'Nossa pesquisa mostra o quão grande e variável é o impacto climático da ração para cães', acrescenta.
  Para a indústria de pet food, Harvey aponta que o uso de cortes normalmente não consumidos por humanos e uma rotulagem clara podem ajudar a equilibrar saúde animal e redução da pegada ambiental, oferecendo informações mais transparentes para a tomada de decisão dos tutores. Fonte: Panorama Pet & Vet

Outros Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

6+ MIN

Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

O que são gêmeos digitais e em que usam atualmente?
Um gêmeo digital é uma réplica virtual dinâmica de um ativo físico, um processo ou um sistema de produção inteiro. Ao contrário de uma simulação estática, o gêmeo digital é continuamente alimentado com dados reais de sensores e sistemas de controle, permitindo que ele reflita o estado atual do processo e antecipe seu comportamento futuro.

Segundo a IBM, os  gêmeos digitais são atualmente usados na manufatura para melhorar a eficiência operacional, otimizar processos, reduzir falhas, acelerar o desenvolvimento de produtos e possibilitar manutenção preditiva. No campo industrial, sua aplicação abrange desde linhas de produção individuais até plantas completas, integrando variáveis de operação, consumo de energia, qualidade e desempenho de equipamentos, bem como no planejamento de plantas, testes virtuais de novos produtos, otimização de  layouts e controle de processos complexos, entre outros.
Da simulação à tomada de decisão preditiva
O avanço dos gêmeos digitais está intimamente ligado à convergência entre simulação de processos, sensores industriais, inteligência artificial e computação em nuvem. Essa integração permite que os fabricantes migrem de um modelo reativo, baseado em amostragem manual e ajustes subsequentes, para uma abordagem preditiva e preventiva.

De acordo com um artigo da StartUs Insights, o mercado de gêmeos digitais aplicados à manufatura pode atingir USD 714.000 milhões até 2032, impulsionado pela necessidade de otimizar processos complexos e reduzir ineficiências operacionais. O mesmo relatório indica que mais de 81% das empresas globais já estão explorando ativamente o metaverso industrial, e que 62% aumentaram seus investimentos nessas tecnologias no último ano.

Esses números refletem uma mudança estrutural: a simulação não se limita mais ao projeto, tornando-se uma ferramenta central para a gestão diária da planta.

O estudo Digital Twins applications in the food industry: a review identifica quatro principais abordagens para a aplicação dos digital twins na indústria alimentícia, definidas por sua função dentro do sistema de produção. Primeiro, gêmeos digitais com abordagem de previsão são usados para antecipar o comportamento futuro de processos ou equipamentos, com base na análise de dados históricos e condições atuais, permitindo que desvios, insuficiências ou falhas sejam previstos antes que ocorram. Segundo, modelos de simulação reativos permitem monitorar o processo em tempo real e responder de forma autônoma a desvios, ajustando variáveis operacionais e recomendando ações corretivas ou preventivas. Uma terceira abordagem é o comissionamento virtual, onde gêmeos digitais são usados para testar, validar e otimizar novas tecnologias, equipamentos ou configurações de plantas em um ambiente virtual antes de sua implementação física. Por fim, a abordagem de simulação baseada em sincronização mantém o gêmeo digital alinhado em tempo real ou quase em tempo real com o sistema físico, criando uma representação altamente precisa do processo, especialmente valiosa para analisar cenários, otimizar operações e melhorar a tomada de decisão em sistemas complexos.
Como os gêmeos digitais contribuem para a indústria de ração para pets?
Se focarmos estritamente na indústria de alimentos para pets, a variabilidade das matérias-primas é um dos principais fatores que impactam a qualidade final do produto. Ingredientes como cereais, farinhas proteicas, gorduras e subprodutos de origem animal apresentam flutuações naturais em umidade, teor proteico, gordura e granulometria.
De acordo com uma análise técnica publicada pela Haskell, essas variações afetam diretamente operações críticas como extrusão e secagem, influenciando atributos como textura, densidade, estabilidade nutricional e vida útil do produto. Métodos tradicionais de controle geralmente detectam essas variações quando o produto já foi fabricado, gerando retrabalho, desperdício e perdas de eficiência. Por outro lado, os gêmeos digitais permitem que você antecipe esses efeitos antes que impactem o produto final.

Em ração para pets, um gêmeo digital é construído a partir de modelos que representam o comportamento térmico, mecânico e dinâmico de cada operação de unidade: mistura, condicionamento, extrusão, secagem e resfriamento. Esses modelos são alimentados em tempo real com dados de sensores instalados na fábrica, como medições de umidade dos ingredientes, temperatura do canhão do extrusor, velocidade do parafuso, pressão, fluxo de ar e parâmetros do secador. Essa informação sincroniza o modelo virtual com o processo real, criando uma representação viva da planta em operação.

Em sistemas de controle em circuito fechado, os gêmeos digitais não apenas observam o processo, mas também preveem como uma variação da matéria-prima impactará o produto final e ajustam automaticamente os parâmetros operacionais para compensá-lo, mesmo antes do ingrediente entrar no extrusor.
Benefícios de sua implementação   A implementação dos gêmeos digitais traz benefícios concretos em múltiplos níveis. Primeiramente, melhora significativamente a consistência do produto, reduzindo a variabilidade de lote para lote, um fator chave para a confiança do consumidor e para a reputação da marca.
  Além disso, ao evitar a produção fora das especificações, diminui o desperdício de matérias-primas e energia. Essa abordagem também possibilita otimizar o consumo de energia e aumentar o desempenho sem comprometer a qualidade, impactando diretamente os custos operacionais.

Outro benefício estratégico é a aceleração do desenvolvimento de novos produtos. As formulações podem ser testadas virtualmente, avaliando seu comportamento no processo antes da realização dos testes físicos, o que reduz o tempo, riscos e custos associados aos testes industriais.

Além disso, há a possibilidade de integrar manutenção preditiva, usando gêmeos digitais para detectar desvios no desempenho dos equipamentos e antecipar falhas, evitando paradas não planejadas.
Gêmeos digitais, uma tecnologia chave para construir plantas verdadeiramente conectadas
A adoção dos gêmeos digitais marca um ponto de virada na forma como as fábricas de produção de ração para pets são gerenciadas. Não se trata mais apenas de automatizar, mas de entender o processo em profundidade, antecipar desvios e tomar decisões baseadas em dados reais e comparáveis.

Em um cenário onde eficiência, sustentabilidade e qualidade são cada vez mais decisivas, os gêmeos digitais são consolidados como uma ferramenta estratégica para fabricantes que buscam escalar, se diferenciar e construir plantas verdadeiramente conectadas e resilientes. Por Candelaria Carbajo – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
Gallagher, Nick (Actualizado el  17 de octubre del 2025) What is a Digital Twin? IBM
Prasser, David R. (July 21, 2025). Future of Manufacturing: 13 Trends Driving 2026-2035 Growth. StarUs Insights
Abdurrahman, Emadaldin Elfatih M. & Ferrari, Giovanna. (3 de abril de 2025). Digital Twin applications in the food industry: a review. Frontiers
Haskell. (19 de diciembre de 2025). A Process Engineering Perspective on Digital Twins in Pet Food Manufacturing.

Por Maria Candelaria Carbajo

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Ingredientes

Aditivos funcionais

08/10/2026

Greenox®: Blend sinérgico de antioxidantes naturais

A oxidação é uma reação em cadeia e os efeitos do consumo de uma ração oxidada chega ao sistema digestório desencadeando lesões nas células o que causa o estresse oxidativo. Esses danos perturbam a homeostase e consequentemente prejudicam o metabolismo e sistema imune refletindo negativamente na saúde e longevidade dos animais (Figura 1).   Figura 1. Estresse oxidativo e dados nas células   Dessa forma, controlar a oxidação com soluções antioxidantes requer a proteção de todas as etapas, preservando lipídios, proteínas, vitaminas e outros componentes da dieta contra os processos deletérios. O uso de compostos sinérgicos é imprescindível, uma vez que, engloba de forma eficaz todas as fases do processo oxidativo.

Existem diferentes formas de ação dos antioxidantes, sendo representadas por três níveis de defesa, dentre elas, atuando como agente quelante interferindo nos estágios iniciais da oxidação, iniciação e propagação; 'bloqueando' os radicais livres produzidos, sacrificando o próprio equilíbrio (agentes redutores) ou antioxidantes enzimáticos os quais agem eliminando radicais livres e espécies reativas antes que ataquem o sistema e componentes biológicos. Ainda, há aqueles que induzem a produção de antioxidantes enzimáticos endógenos (Figura 2).   Figura 2. Níveis de defesa dos antioxidantes   O desenvolvimento do produto Greenox® foi idealizado visando o efeito sinérgico entre compostos bioativos de alto potencial antioxidante com capacidade biológica. A associação de moléculas naturais potentes com o benefício de um veículo funcional potencializa a sinergia que previne a oxidação nas matérias primas e rações, prolongando o tempo de prateleira. Além disso, proporciona benefícios ao metabolismo do animal através da manutenção do estresse oxidativo.

Foram estudados diversos extratos de plantas e seus efeitos sinérgicos em metodologias como: DPPH1, ABTS2, FRAP3 e ORAC4 (metodologias científicas para avaliar o potencial antioxidante das matérias primas). Após um screening de matérias primas puras, avaliamos as possíveis sinergias com o objetivo de potencializar o poder antioxidante. O objetivo foi aproveitar ao máximo as associações já presentes na natureza e transferir a tecnologia para o produto final.

Posteriormente foram realizados testes em farinha de vísceras e de carne sem adição de nenhum antioxidante sintético previamente analisado via UHPLC. As amostras, em triplicata, foram submetidas a câmara climatizada acelerada (40ºC ± 2ºC/75 % ± 5% de UR) nos tempos 7 e 14 dias (sendo que para o tempo 7 equivale a 28 dias e o tempo 14 a 56 dias, aproximadamente). As análises de índice de peróxido foram realizadas no tempo 0, 7 e 14 dias de exposição seguindo a metodologia a frio do Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (Ed 2013). Observamos neste estudo uma redução de até 93% no índice de peróxidos em farinha de vísceras e de até 47% em farinha de carne (Gráficos 1 e 2).   Resultados
Gráfico 1. Índice de peróxidos (mEq/kg) em farinha de vísceras contendo ou não aditivo antioxidante natural Greenox®   Gráfico 2. Índice de peróxidos (mEq/kg) em farinha de carne contendo ou não aditivo antioxidante natural Greenox® ‡Dia 7 em câmara acelerada equivalente a 28 dias; §Dia 14 em câmara acelerada equivalente a 56 dias. Fonte: Safeseeds
  1DPPH = 2,2-difenil-1-picril-hidrazil; 2ABTS = 2,2'-azino-bis(3-ethylbenzothiazoline-6-sulfonic acid); 3FRAP = Ferric Reducing Antioxidant Power; 4ORAC = Oxygen Radical Absorbance Capacity.   Referências
Bera, D., Lahiri, D., & Nag, A. (2006). Studies on a natural antioxidant for stabilization of edible oil and comparison with synthetic antioxidants. Journal of Food engineering, 74(4), 542-545.
Brand-Williams, W., Cuvelier, M. E., & Berset, C. L. W. T. (1995). Use of a free radical method to evaluate antioxidant activity. LWT-Food science and Technology, 28(1), 25-30.
Brewer, M. S. (2011). Natural antioxidants: sources, compounds, mechanisms of action, and potential applications. Comprehensive reviews in food science and food safety, 10(4), 221-247.
Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. Ed 2013. Guia de Métodos Analíticos – Método Nº 32.
Gómez, X., Sanon, S., Zambrano, K., Asquel, S., Bassantes, M., Morales, J. E., & Caicedo, A. (2021). Key points for the development of antioxidant cocktails to prevent cellular stress and damage caused by reactive oxygen species (ROS) during manned space missions. npj Microgravity, 7(1), 1-19.
Wollinger, A., Perrin, E., Chahboun, J., Jeannot, V., Touraud, D., & Kunz, W. (2016). Antioxidant activity of hydro distillation water residues from Rosmarinus officinalis L. leaves determined by DPPH assays. Comptes Rendus Chimie, 19(6), 754-765.

Ingredientes à base de plantas

05/10/2026

Fosfatidilcolina Derivada de Plantas: uma Alternativa Natural ao uso do Cloreto de Colina em Alimentos para Cães e Gatos

Fontes vegetais: uma alternativa em ascensão
Apesar de sua eficiência nutricional, o cloreto de colina apresenta algumas limitações tecnológicas. Trata-se de uma substância química, altamente higroscópica, o que pode levar à perda de vitaminas hidrossolúveis nas pré-misturas, uma vez que o aumento do teor de água livre eleva o potencial reativo (FARINA et al., 2017). Além disso, sua utilização pode favorecer a formação de grumos, comprometendo a homogeneidade das misturas e ocasionando perdas nutricionais (LISBOA et al., 2014).

Diante desses desafios, as fontes de colina derivadas de plantas têm despertado crescente interesse da indústria de nutrição de cães e gatos. A fosfatidilcolina é a principal forma de colina encontrada em matérias-primas vegetais (National Nutrient Database for Standard Reference, 2008) e pode atuar como uma alternativa ao cloreto de colina em formulações destinadas a cães e gatos.
Fosfatidilcolina: diferenças na absorção e no metabolismo
Além das vantagens tecnológicas, as diferenças na forma química da colina podem impactar sua absorção e utilização. Quando consumida na forma livre ou como sais, como o cloreto de colina, sua utilização pelo organismo pode ser limitada, uma vez que aproximadamente dois terços da colina ingerida podem ser convertidos em trimetilamina pela microbiota intestinal antes de serem aproveitados pelo organismo, reduzindo potencialmente sua disponibilidade biológica (LEESON; SUMMERS, 2001; COMBS JR., 2008; RUTZ, 2008). 

Por outro lado, a fosfatidilcolina apresenta um comportamento distinto no trato gastrointestinal. Embora possa sofrer digestão parcial por enzimas digestivas, parte dessa molécula também pode ser absorvida de forma intacta, reduzindo sua exposição ao metabolismo promovido pelos microrganismos intestinais (COMBS JR., 2008). Essa característica pode contribuir para um melhor aproveitamento da colina pelo organismo, tornando as fontes de colina derivadas de plantas uma alternativa interessante para a suplementação desse nutriente.

Nos últimos anos, diversos estudos têm avaliado a viabilidade e segurança da substituição do cloreto de colina por fontes derivadas de plantas na nutrição de cães.
Evidências científicas em cães: segurança e eficácia da substituição
Nascimento (2020) avaliou cães adultos saudáveis alimentados com dietas contendo 0,28% de cloreto de colina ou 0,14% de colina derivada de plantas. Os resultados demonstraram que a substituição não alterou a digestibilidade dos nutrientes, a palatabilidade nem as características fecais dos animais. Além disso, os cães que receberam a fonte de colina derivada de plantas apresentaram menores concentrações séricas de colesterol, triglicerídeos e enzimas associadas à atividade hepática, sugerindo benefícios adicionais relacionados ao metabolismo lipídico e à saúde do fígado.

Mendoza-Martínez et al. (2021) também investigaram se a inclusão na dieta experimental de colina proveniente de fontes herbais, como a planta Azadirachta indica, conhecida pelo seu sabor amargo, poderia interferir na palatabilidade das dietas. Os resultados demonstraram que a inclusão de até 400 mg/kg de colina derivada de plantas não alterou a preferência alimentar dos cães, nem comprometeu a digestibilidade dos nutrientes ou as características fecais.

Mendoza-Martínez et al. (2022) conduziram um estudo que demonstrou que a inclusão de fosfatidilcolina (1,6%) e outros metabólitos metilados pode substituir completamente o cloreto de colina nas dietas para cães. Os pesquisadores utilizaram a relação proposta por Mallo e Paolella (2017), segundo a qual uma unidade de colina derivada de plantas pode substituir aproximadamente cinco unidades de cloreto de colina. 

Mais recentemente, FINARDI et al. (2026) avaliaram os efeitos da substituição total do cloreto de colina por colina derivada de plantas (CHOLMAX) em cães adultos saudáveis. O estudo comparou três dietas: uma dieta controle contendo cloreto de colina e duas dietas contendo colina derivada de plantas em diferentes níveis de inclusão. Os resultados demonstraram que a substituição do cloreto de colina não afetou a digestibilidade dos nutrientes nem a palatabilidade das dietas. Da mesma forma, não foram observadas alterações nos metabólitos de fermentação intestinal ou nos índices de diversidade da microbiota fecal. A microbiota intestinal variou entre dietas, com alterações em filos, famílias e gêneros, especialmente Firmicutes, ligados à produção de ácidos graxos e à saúde intestinal. Os autores concluíram que a colina derivada de plantas é uma alternativa segura e promissora para aplicação em alimentos para cães.
Novas perspectivas para a nutrição de gatos e para a indústria pet food
Em um estudo inédito conduzido com gatos adultos saudáveis, Juarez (dados não publicados, 2026) avaliou três dietas experimentais: uma dieta controle contendo cloreto de colina, uma dieta com substituição total do cloreto de colina por colina derivada de plantas (CHOLMAX) e uma terceira dieta contendo 50% mais colina derivada de plantas (CHOLMAX) do que a dieta de substituição. Os resultados preliminares demonstraram que não houve diferenças na digestibilidade dos nutrientes, na palatabilidade das dietas ou nos metabólitos de fermentação intestinal. Por outro lado, foram observadas alterações na composição da microbiota intestinal entre os tratamentos, incluindo mudanças em filos, famílias e gêneros bacterianos. Entre as alterações observadas, destacou-se a redução do gênero Helicobacter nos grupos que receberam colina derivada de plantas. Segundo Cesar (2024), algumas espécies desse gênero estão associadas a processos inflamatórios no trato gastrointestinal de felinos. Embora estudos adicionais sejam necessários para confirmar os mecanismos envolvidos, os resultados sugerem um possível efeito benéfico da colina derivada de plantas sobre o equilíbrio da microbiota intestinal de gatos.

Dessa forma, a colina derivada de plantas surge como uma alternativa interessante para a indústria de alimentos para cães e gatos, reunindo benefícios tecnológicos e nutricionais. Além de minimizar os desafios associados ao uso do cloreto de colina, as fontes vegetais demonstram potencial para manter o desempenho nutricional dos alimentos e contribuir para a saúde dos animais.

Com a crescente demanda por ingredientes de origem natural e tecnologias que agreguem valor às formulações, a colina derivada de plantas desponta como uma alternativa promissora para a indústria, reunindo benefícios tecnológicos, nutricionais e potencialmente funcionais para alimentos destinados a cães e gatos. Por Erika Stasieniuk y Hebert Silveira
Fonte: All Pet Food Magazine

*Erika Stasieniuk é Zootecnista, Doutora em Nutrição e Alimentação de Animais de Companhia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Possui mais de 16 anos de experiência na área de nutrição de cães e gatos, com atuação em pesquisa e desenvolvimento, formulação de alimentos, premixes e núcleos. É sócia fundadora da SFA Consultoria, empresa especializada em consultoria para indústrias de alimentos e ingredientes destinados à nutrição de cães e gatos, atuando no desenvolvimento de produtos, formulação e posicionamento técnico. Contato: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com

**Hebert Silveira é Engenheiro Agrônomo, Doutor em Nutrição Animal pela Universidade de Lavras (UFLA). Gerente técnico da Natural BR Feed. Contato: hebertsilveira@naturalbrfeed.com.br

Referências bibliográficas
BERTECHINI, A. G. Nutrição de monogástricos. 2. ed. Lavras: Editora UFLA, 2013.
CESAR, C. G. L. Efeitos da inclusão de farinha de inseto em alimento seco completo sobre variáveis de processamento, digestibilidade, palatabilidade, produtos de fermentação fecal e microbiota de gatos adultos. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Produção Animal) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, Pirassununga, 2024.
COMBS JR., G. F. The vitamins: fundamental aspects in nutrition and health. 3. ed. Burlington: Elsevier Academic Press, 2008.
FARINA, G.; KESSLER, A. M.; MAIORKA, A.; ROCHA, C. S. S.; VASCONCELLOS, R. S. Aspectos tecnológicos do uso de cloreto de colina em premixes vitamínicos. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS, 2017.
FERREIRA, W. M.; NETO, A. F. G. Nutrição animal: tópicos avançados. Belo Horizonte: FEPMVZ Editora, 2003.
FINARDI, G. L. F.; MARCHI, P. H.; SOUZA, J. M.; DIAS, L. S.; STASIENIUK, E. V. Z.; SILVEIRA, H.; BALIEIRO, J. C. C.; VENDRAMINI, T. H. A. Efeitos da inclusão de colina derivada de plantas em variáveis digestivas, hepáticas, lipídicas, fermentativas, microbiota fecal e palatabilidade em cães adultos. In: CONGRESSO CBNA PET, 25., 2026, São Paulo. Anais... São Paulo: CBNA, 2026.
JUAREZ, L. Efeitos da inclusão de colina de origem vegetal em variáveis digestivas, hepáticas, lipídicas, fermentativas, microbiota fecal, sérica e palatabilidade de gatos adultos. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Produção Animal) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, Pirassununga, 2026. Dados não publicados.
LEESON, S.; SUMMERS, J. D. Scott's nutrition of the chicken. 4. ed. Guelph: University Books, 2001.
LISBOA, M. M.; ALBINO, L. F. T.; ROSTAGNO, H. S. Aspectos tecnológicos relacionados ao uso de cloreto de colina em premixes vitamínicos. Revista Eletrônica Nutritime, v. 11, n. 4, p. 3607-3615, 2014.
MALLO, J. J.; PAOLELLA, M. Choline supplementation in pet nutrition: herbal sources as an alternative to choline chloride. In: PETFOOD FORUM, 2017.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D.; HERNÁNDEZ-MARTÍNEZ, C. A.; MARTÍNEZ-AYALA, A. L.; et al. Effect of the inclusion of herbal phosphatidylcholine on palatability, digestibility and metabolizable energy of the diet in dogs. Austral Journal of Veterinary Sciences, v. 53, p. 161-167, 2021.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D. et al. Herbal choline as a substitute for choline chloride in dog foods: effects on digestibility, fecal traits and palatability. Animals, v. 12, n. 9, 2022.
NASCIMENTO, R. C. Avaliação de fonte herbal de colina como alternativa ao cloreto de colina na dieta para cães. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). National Nutrient Database for Standard Reference. Release 21. Beltsville, 2008.
RUTZ, F. Colina e seus metabólitos na nutrição animal. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL ACAV DE NUTRIÇÃO, 2008.

Por Erika Stasieniuk

Aditivos funcionais

05/10/2026

Óleo de Krill: um sistema biológico de entrega de ômega-3

De aplicação versátil, podendo ser incorporado a alimentos, petiscos ou cápsulas, o óleo de krill se destaca por sua biodisponibilidade. Enquanto as fontes convencionais fornecem ômega-3 predominantemente na forma de triglicerídeos, que dependem de processos de emulsificação e de hidrólise durante a digestão, o óleo de krill é naturalmente rico em fosfolipídios, que apresentam natureza anfipática, ou seja, possuem afinidade tanto com a água quanto com lipídios, característica que favorece sua absorção, digestão e dispersão.

Essa estrutura diferenciada também pode favorecer a incorporação dos ácidos eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA) às membranas celulares. Em estudo realizado com cães da raça Alaskan Husky, a suplementação com ômega-3 proveniente de óleo de krill resultou em maior incorporação de EPA e DHA em determinados tecidos quando comparada a uma fonte fornecida predominantemente na forma de triglicerídeos.

Além dos ácidos graxos ômega-3, o óleo de krill destaca-se pela presença natural de outros componentes de interesse nutricional, entre eles a colina, principalmente na forma de fosfatidilcolina, e a astaxantina, um carotenoide com potente atividade antioxidante.
Colina e fosfatidilcolina
A colina é um nutriente essencial envolvido em diversos processos fisiológicos. Como precursora do neurotransmissor acetilcolina, a colina está envolvida em processos relacionados à memória, cognição e controle muscular, além de participar da síntese de fosfolipídios essenciais à estrutura das membranas celulares.

No metabolismo hepático, a colina é necessária para a síntese de fosfatidilcolina, componente fundamental das lipoproteínas responsáveis pelo transporte de triglicerídeos para fora do fígado, contribuindo para o adequado metabolismo e mobilização de lipídios.

No óleo de krill, uma parcela relevante da colina encontra-se naturalmente na forma de fosfatidilcolina. Estudos realizados em cães indicam que a suplementação com fontes ricas em fosfatidilcolina pode aumentar as concentrações circulantes de colina e de seus metabólitos, como betaína e dimetilglicina.
Astaxantina e proteção antioxidante
A astaxantina é um carotenoide conhecido por sua excelente atividade antioxidante. Sua estrutura molecular permite interação com diferentes regiões da bicamada lipídica das membranas celulares, contribuindo para a proteção contra danos oxidativos, neutralizando o estresse oxidativo tanto no ambiente intracelular quanto extracelular.

Na nutrição de cães e gatos, o estresse oxidativo sistêmico está associado ao envelhecimento, ao declínio cognitivo e ao desenvolvimento de patologias inflamatórias, como a osteoartrite e as dermatopatias alérgicas. Nesse contexto, a presença natural de astaxantina no óleo de krill agrega um componente antioxidante à matriz nutricional, complementando a oferta de EPA, DHA, fosfolipídios e colina.
Sustentabilidade: um atributo cada vez mais relevante
Além dos aspectos nutricionais, a sustentabilidade da matéria-prima tornou-se um critério cada vez mais importante para a indústrias de pet food e para os tutores.

O krill antártico ocupa uma posição próxima à base da cadeia alimentar no ecossistema do Oceano Austral e se alimenta principalmente de fitoplâncton. Essa posição trófica também tende a limitar a bioacumulação de determinados contaminantes ambientais quando comparado a espécies marinhas de maior porte e níveis tróficos superiores.

A pesca do krill na Antártica é rigorosamente regulamentada pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica (CCAMLR), responsável pelo estabelecimento de medidas de conservação e limites de captura com os objetivos de preservar o ecossistema marinho antártico. Além da regulamentação da pesca, tecnologias avançadas de captura, como os sistemas de captura contínua por bombeamento, contribuem para reduzir drasticamente a captura acidental de outras espécies.
Uma matriz nutricional diferenciada
Mais do que uma fonte de ômega-3, o óleo de krill reúne, em uma única matriz, EPA e DHA associados a fosfolipídios, fosfatidilcolina e astaxantina.

Essa combinação diferencia o ingrediente das fontes convencionais de óleo marinho e amplia seu potencial de aplicação em produtos destinados à nutrição de cães e gatos, especialmente em formulações que buscam aliar ácidos graxos ômega-3, fosfolipídios e componentes antioxidantes.

Em um mercado cada vez mais orientado para ingredientes funcionais, evidência científica e sustentabilidade, compreender não apenas quanto ômega-3 um ingrediente mfornece, mas também a forma como esses nutrientes são apresentados ao organismo, pode ser um importante diferencial na formulação de produtos para a nutrição de pets. Fonte: Kylios Nutrition

Palatabilizantes
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02/10/2026

 Como a migração de sabor influencia a palatabilidade da ração úmida para animais de estimação?  

Em formatos de matriz múltipla, como pedaços em molho (CIG, na sigla em inglês), um palatabilizante pode ser adicionado tanto aos pedaços quanto ao molho para realçar o sabor. No entanto, o efeito geralmente se estende além da matriz alvo, influenciando o perfil de sabor geral.   Entendendo a distribuição de sabores   Para melhor compreender como os palatabilizantes influenciam a percepção do sabor, seis palatabilizantes para ração úmida foram avaliados em um modelo de alimento para gatos com pedaços ao molho (CIG), gerando seis receitas que diferiam apenas no palatabilizante utilizado. Cada um dos palatabilizantes foi incluído em níveis iguais e aplicado somente à porção de molho das receitas.
  A espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) foi utilizada para comparar os pedaços, o molho e os produtos CIG completos antes da autoclavagem. Como a formulação dos pedaços permaneceu inalterada em todas as receitas, as amostras de pedaços apresentaram composição muito semelhante, como esperado. Os molhos, no entanto, continham cada um um palatabilizante diferente e, portanto, exibiram diferenças de composição claras. A análise dos produtos CIG completos mostrou um perfil intermediário, refletindo a contribuição de ambas as matrizes.
  Após a esterilização, os perfis de sabor do molho, dos pedaços e do produto final foram analisados ​​por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). Em seguida, foram realizados testes de alimentação para classificar os palatabilizantes de acordo com seu desempenho em palatabilidade. A análise OPLS-DA* mostrou que as amostras foram agrupadas de acordo com o desempenho em palatabilidade, e não pela matriz. Em outras palavras, os perfis de sabor característicos associados a palatabilizantes de alto desempenho estavam presentes tanto no molho quanto nos pedaços, apesar de os palatabilizantes terem sido adicionados apenas ao molho. Isso fornece fortes evidências de que compostos voláteis de sabor migram entre as matrizes durante o processamento e/ou armazenamento.   Criando palatabilidade além do molho   Embora ocorra migração de sabor entre o molho e os pedaços, o ponto de adição continua sendo crucial. Os palatabilizantes podem influenciar a estabilidade do gel, a textura dos pedaços e a aparência do produto, o que significa que sua localização tem implicações tanto funcionais quanto sensoriais. Uma avaliação criteriosa das interações com a matriz e das condições de processamento é, portanto, essencial para preservar a estrutura do produto e, ao mesmo tempo, otimizar a palatabilidade geral. Fonte: AFB International
  *Um gráfico de pontuação OPLS-DA (Análise Discriminante de Mínimos Quadrados Parciais Ortogonais) é uma visualização estatística usada para comparar perfis químicos complexos (compostos voláteis e semivoláteis) entre grupos predefinidos (alta e baixa palatabilidade).

Aditivos funcionais Levedura hidrolisada: a nova alternativa para a formulação de rações para pets

4+ MIN

Levedura hidrolisada: a nova alternativa para a formulação de rações para pets

As leveduras fazem parte da dieta humana desde, pelo menos, o Egito Antigo, quando já eram utilizadas para fermentar pão e vinho. Suas excepcionais propriedades fermentativas e nutricionais também tornam as leveduras nutrientes valiosos para os animais. Nem todas as leveduras são iguais. Existem cerca de 60 gêneros e aproximadamente 1.500 espécies de leveduras. Apenas algumas são utilizadas comercialmente. Saccharomyces cerevisiae é a principal levedura utilizada em alimentos, bebidas e panificação, bem como na nutrição animal.   Diferentes tipos de produtos à base de levedura
A levedura pode ser viva (probióticos) ou inativada. Existem diferentes tipos de produtos à base de levedura: leveduras inativadas de célula inteira, leveduras autolisadas, leveduras hidrolisadas e extratos de levedura, cada um com seu próprio processo de produção e propriedades nutricionais (figura 1). 
  Figura 1: Diferentes produtos à base de levedura e seus processos de produção.
  No caso das leveduras inativadas de célula inteira, as leveduras são inativadas por calor, mas não há etapa de lise. O produto final terá baixa digestibilidade e funcionalidade dos nutrientes. Para a levedura autolisada, as células de levedura são parcialmente lisadas por enzimas endógenas, o que aumenta a digestibilidade em comparação com uma levedura seca inativada comum. No entanto, esse processo de autólise é menos controlado que uma hidrólise.

A produção de levedura hidrolisada envolve a adição de enzimas especificamente selecionadas. Estas são escolhidas para orientar e controlar a lise, garantindo um nível específico de ingredientes funcionais e uma composição consistente do produto de lote para lote.

É por isso que a Lallemand tem se concentrado na triagem de diferentes biomassas de levedura para ração e na otimização de seus processos de produção, a fim de lançar no mercado uma levedura hidrolisada funcional projetada especificamente para ração animal: 'Yela Prosecure'.
 
Para criar esse produto, é aplicado um processo de hidrólise controlado com a adição de enzimas exógenas especificamente selecionadas à biomassa de levedura escolhida, garantindo alta digestibilidade dos nutrientes e funcionalidade, ao mesmo tempo em que proporciona confiabilidade em termos de qualidade e disponibilidade de volumes adequados.

A levedura hidrolisada Yela Prosecure é um ingrediente para ração que permite aos nutricionistas, 1) diversificar as fontes de proteína na dieta e, ao mesmo tempo, 2) conferir propriedades funcionais e melhorar a palatabilidade.
Modo de ação
O produto fornece nutrientes funcionais com dupla ação: no intestino delgado e no intestino grosso. No intestino delgado, a levedura hidrolisada fornece proteínas altamente digestíveis que oferecem um alto nível de aminoácidos livres digestíveis com uma cinética de absorção precoce e rápida.

Isso foi demonstrado por meio de estudos in vitro que compararam a cinética de digestibilidade do YelaProsecure com diferentes matérias-primas proteicas para ração (como farelo de soja, farinha de peixe e proteína de batata), bem como com outros tipos de produtos à base de levedura (fig. 2).

Essa vantagem está relacionada à especificidade do processo de produção, demonstrando a importância de uma hidrólise controlada que torna as proteínas mais acessíveis, uma vez que foram lisadas em aminoácidos funcionais livres e pequenos peptídeos que são prontamente e diretamente absorvidos.

Ao chegar ao intestino grosso, a parte restante da levedura hidrolisada consiste principalmente em carboidratos insolúveis fermentáveis, induzindo uma liberação tardia de energia que sustenta populações microbianas fibrolíticas, levando a uma melhoria na diversidade e atividade microbianas, com a liberação de valiosos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o butirato, e uma diminuição na produção de compostos microbianos proteolíticos, como a amônia.
  Figura 2: Cinética de digestão in vitro de diferentes matérias-primas proteicas  (resultados internos da Lallemand Animal Nutrition).
  Aumento da palatabilidade
Testes de palatabilidade em cães demonstraram o potencial do YelaProsecure para melhorar a palatabilidade de alimentos pet (figura 3), provavelmente devido ao alto teor natural de ácido glutâmico.   Figura 3: Avaliação de consumo com 40 cães adultos de porte médio, durante 4 dias. Dieta A: dieta controle com 1% de palatabilizante convencional no revestimento. Dieta B: dieta com YelaProsecure – o palatabilizante convencional foi substituído por 1% de YelaProsecure no revestimento. Os resultados demonstraram um consumo significativamente maior (P = 0,054) da dieta com 1% de YelaProsecure no revestimento.
Nutrientes de alta qualidade e altamente absorvíveis
A levedura é uma formidável fábrica de bioengenharia e uma fonte de nutrientes valiosos e moléculas funcionais. A levedura hidrolisada, produzida por meio de um processo de lise otimizado, permite que os formuladores aproveitem ao máximo essas propriedades nutricionais e funcionais.

Ela auxilia no bem-estar digestivo e melhora a palatabilidade dos alimentos para animais de estimação, ao mesmo tempo em que contribui para o equilíbrio proteico em um contexto de substituição parcial das fontes convencionais de proteína.
    
Para mais informações, por favor visite: www.lallemandanimalnutrition.com Fonte: Lallemand Animal Nutrition

Aditivos funcionais O papel da levedura na construção de sabores para pets

6+ MIN

O papel da levedura na construção de sabores para pets

Os benefícios da levedura
Com o avanço da biotecnologia, é possível produzir ingredientes seguros, sustentáveis e de alta qualidade a partir de leveduras, que também se destacam como alternativas proteicas diante da crescente demanda global. Além disso, atendem a tendências como produtos plant-based, naturais e sustentáveis.

A eficácia desses ingredientes depende diretamente do processo produtivo, desde a seleção das cepas até as condições de fermentação. Nesse contexto, a Biorigin utiliza tecnologia baseada na fermentação de Saccharomyces cerevisiae para desenvolver soluções que garantem qualidade, funcionalidade e consistência à indústria de pet food.   O que é palatabilidade na nutrição de pets
Assim como ocorre com os seres humanos, a apreciação da comida desempenha um papel importante na alimentação dos animais, garantindo que consumam a quantidade necessária de nutrientes.

A palatabilidade de um alimento envolve a combinação de diversos fatores, como textura, formato, odor, sabor e mouthfeel. Ela desempenha um papel fundamental na melhoria do sabor de alimentos destinados a dietas especiais, equilibrando a composição de nutrientes e de vitaminas essenciais com um sabor agradável aos animais.

Em outras palavras, a palatabilidade está relacionada ao quão apetitoso e desejável um alimento é. Afinal, cães e gatos têm suas preferências e podem rejeitar alimentos que não atendam aos seus gostos individuais.  
Por isso, a escolha adequada de ingredientes e realçadores de sabor na produção de alimentos para pets desempenha um papel essencial na diferenciação das marcas no mercado, aumentando as chances de aceitação pelos animais e, consequentemente, o sucesso do produto.
O papel do extrato de levedura na palatabilidade
Entre os realçadores naturais de sabor utilizados na alimentação pet, os extratos de levedura destacam-se pelo papel na estimulação do paladar de cães e gatos. Sua inclusão nas formulações contribui para tornar os alimentos mais atrativos, especialmente ao intensificar o sabor umami, conhecido como o quinto gosto básico e associado à percepção de 'saboroso'. Além disso, esses ingredientes favorecem a utilização de aminoácidos específicos e agregam notas de sabor que combinam nuances doces e salgadas.

Obtidos a partir do conteúdo intracelular solúvel das leveduras, os extratos de levedura constituem ingredientes funcionais ricos em peptídeos, aminoácidos, nucleotídeos e vitaminas do complexo B. Apresentam elevada digestibilidade, baixa alergenicidade e grande versatilidade de aplicação, podendo ser incorporados diretamente às formulações ou utilizados em revestimentos, em conjunto com palatabilizantes, em diferentes categorias de produtos, desde dietas secas extrusadas até soluções nutracêuticas.

Na indústria de alimentos para humanos, esses extratos são amplamente reconhecidos por sua capacidade de intensificar o sabor e mascarar notas indesejáveis, como amargor ou retrogostos metálicos. Esse mesmo princípio se aplica à nutrição pet, contribuindo para aprimorar o perfil sensorial dos alimentos, potencializar as características naturais dos ingredientes e suavizar sabores indesejados provenientes de componentes funcionais ou terapêuticos. Sob a ótica sensorial, são especialmente eficazes na valorização do umami, trazendo notas mais encorpadas, de caráter cárneo e maior persistência.

Esse aspecto é fundamental na alimentação de animais de estimação, pois a palatabilidade influencia diretamente a ingestão de nutrientes e a aceitação do produto. Entre os mecanismos responsáveis por esse efeito, destaca-se a interação sinérgica entre aminoácidos livres e nucleotídeos. Enquanto o glutamato isolado promove uma percepção umami mais suave, sua combinação com nucleotídeos intensifica significativamente a resposta gustativa, resultando em maior atratividade alimentar.

Pesquisa da Biorigin indica que cães e gatos demonstram preferência por alimentos com extrato de levedura em comparação aos que não o contêm. A taxa de consumo relativa para cães foi de 4:1 (ração testada vs. ração controle; Figura 1), enquanto para gatos foi de 2:1 (Figura 2), evidenciando a eficácia do ingrediente na aceitação alimentar. 

Esses ingredientes conferem ao alimento para animais de estimação notas carnudas, sem adição de carne à formulação. Seu uso como intensificador de sabor se deve ao perfil de aminoácidos livres, que o intensifica e prolonga na boca, conferindo uma nota umami.
 
  Figura 1. O PalaUp foi adicionado a uma ração premium para cães e avaliado em um teste de duas tigelas. Os resultados indicaram maior consumo relativo da dieta que contém PalaUp em comparação à dieta controle.   Figura 2. O PalaUp foi adicionado a uma ração premium para gatos e avaliado em um teste de duas tigelas. Os resultados indicaram maior consumo relativo da dieta que contém PalaUp em comparação à dieta controle.
  A palatabilidade é um fator essencial no desenvolvimento de alimentos para pets. No entanto, não se deve negligenciar os compostos bioativos e nutracêuticos. Ingredientes à base de levedura podem ser incorporados às formulações para promover a saúde intestinal e auxiliar no enfrentamento dos desafios do dia a dia, por meio de seus carboidratos funcionais.    Experiência alimentar e conexão emocional    A diversidade de sabores, texturas e formatos torna a alimentação dos pets mais atrativa e funcional, contribuindo para o prazer, o treinamento, o vínculo afetivo e a complementação nutricional. Esse movimento reflete a crescente humanização dos animais, com tutores em busca de qualidade, sabor e benefícios nos alimentos. Assim, produtos como snacks, toppers e alimentos úmidos vão além da nutrição, atuando também como formas de cuidado, afeto e conexão entre humanos e pets.

Dados mostram que 76% dos norte-americanos que compram petiscos para pets afirmam que esses produtos fortalecem o vínculo com seus animais de estimação¹. Enquanto 50% dos tutores brasileiros demonstram interesse em petiscos que entretenham seus animais².

O mercado de nutrição pet tem explorado diversas tendências para apoiar tutores na missão de manter seus animais entretidos, ativos e bem-comportados, sem renunciar à qualidade nutricional. A palatabilidade continua sendo um fator decisivo na escolha dos alimentos: para 37% dos tutores norte-americanos de gatos e cães, o sabor preferido do pet é o principal critério de compra³. 

Além do sabor, a saúde é um aspecto essencial no desenvolvimento de snacks para pets. Por isso, é fundamental que as fórmulas combinem ingredientes de alta qualidade com excelente palatabilidade. O alimento precisa agradar tanto ao paladar do pet quanto ao olhar e ao olfato do tutor, que busca opções saudáveis, saborosas e visualmente atraentes, reforçando o cuidado e o vínculo afetivo com seus animais de estimação. Por Thaila Putarov, Global Business Manager for Animal Nutrition & Health at Biorigin
Fonte: All Pet Food Magazine

Fontes
¹ Mintel - A year of innovation in pet food and products – 2024
² Mintel - Pet Food – Brazil – 2025
³ Mintel - Pet Food – US – 2025


Processo de fabrico

Embalagem

09/10/2026

Soluções integradas MULTIVAC para a indústria de pet food: eficiência, qualidade e competitividade da produção à embalagem

Nesse cenário, a integração dos equipamentos MULTIVAC entre processamento, embalagem, inspeção e automação tornou-se um diferencial competitivo fundamental. Empresas que investem em tecnologia conseguem aumentar a produtividade, garantir a qualidade dos produtos e reduzir custos operacionais, ao mesmo tempo em que fortalecem suas marcas perante o consumidor. As soluções apresentadas pela MULTIVAC para a indústria de pet food demonstram como essa abordagem integrada pode gerar valor em toda a cadeia produtiva.
 
A evolução do setor de alimentos para pets
Hoje, os consumidores esperam dos alimentos para cães, gatos e outras espécies os mesmos padrões de qualidade, segurança alimentar e conveniência encontrados nos alimentos destinados ao consumo humano. Essa tendência tem ampliado a procura por produtos úmidos, snacks funcionais, dietas especiais e alimentos premium. 

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com sustentabilidade, redução do desperdício e reciclabilidade das embalagens. Para atender a essas exigências, a MULTIVAC fornece processos capazes de preservar a qualidade do produto, aumentar sua vida útil e utilizar materiais mais sustentáveis sem comprometer a eficiência operacional. 
A importância da embalagem estratégica
Muito além da proteção do produto, a embalagem tornou-se uma ferramenta estratégica de diferenciação. Ela influencia a experiência do consumidor, valoriza a marca, facilita o transporte e contribui diretamente para a conservação dos alimentos.  
Tecnologias oferecidas pela MULTIVAC como embalagens a vácuo e sistemas com atmosfera modificada (MAP) permitem controlar com precisão as condições internas da embalagem, reduzindo a presença de oxigênio e prolongando a vida útil dos produtos. Essa característica é especialmente importante para alimentos úmidos, carnes cruas e snacks, que exigem condições específicas de conservação.

Outro fator relevante é a flexibilidade dos formatos. Embalagens termoformadas e bandejas, oferecem diferentes possibilidades de apresentação, permitindo que as marcas desenvolvam soluções alinhadas ao perfil do público-alvo e às características de cada produto. 

Além disso, a possibilidade de produzir embalagens unitárias e multipacks em uma mesma linha proporciona maior flexibilidade produtiva e reduz desperdícios, contribuindo para uma operação mais sustentável e rentável.
Linhas completas para máxima eficiência
A integração que a MULTIVAC fornece para os processos representa um dos principais avanços da indústria moderna de pet food. Em vez de operar com equipamentos isolados, fabricantes podem contar com nossas linhas completas que conectam processamento, dosagem, embalagem, rotulagem, inspeção e acondicionamento final.
Esse modelo reduz gargalos operacionais, simplifica a gestão da produção e aumenta a eficiência global dos equipamentos (OEE). Além disso, a integração minimiza falhas de comunicação entre processos, melhora a rastreabilidade e garante maior consistência dos resultados. 

Outro benefício importante é a escalabilidade. Linhas modulares MULTIVAC podem ser ampliadas conforme o crescimento do negócio ou adaptadas para novos produtos e formatos de embalagem, oferecendo maior segurança para investimentos de longo prazo. 
Controle de qualidade e segurança alimentar
A qualidade é um fator indispensável para o sucesso de qualquer fabricante de alimentos para pets. Por isso, os sistemas de inspeção MULTIVAC desempenham papel fundamental na prevenção de não conformidades.

Sistemas de inspeção por raios X, controladoras de peso e soluções de inspeção visual permitem monitorar continuamente os produtos durante o processo produtivo. 

Além de proteger o consumidor final, esses recursos reduzem perdas, fortalecem a reputação da marca e aumentam a confiabilidade da produção. 
Digitalização e suporte ao longo do ciclo de vida
A transformação digital também chegou às fábricas de pet food. Ferramentas inteligentes da MULTIVAC permitem monitorar indicadores de desempenho em tempo real, aumentar a transparência operacional e identificar oportunidades de melhoria contínua.

Soluções digitais da MULTIVAC Smart Services com monitoramento e assistência remota ajudam as empresas a maximizarem a disponibilidade dos equipamentos, reduzir paradas não programadas e otimizar custos de manutenção. Complementando essa estratégia, programas de pós-venda, contratos preventivos, treinamentos e suporte técnico especializado garantem maior segurança operacional durante todo o ciclo de vida dos sistemas instalados.
Preparando o futuro da indústria pet
O crescimento contínuo do mercado pet exige que fabricantes estejam preparados para responder rapidamente às mudanças de comportamento do consumidor. A combinação apresentada pela MULTIVAC entre automação, embalagem inteligente, sustentabilidade e digitalização tornou-se essencial para manter a competitividade.

Investir em soluções integradas MULTIVAC permite aumentar a produtividade, reduzir custos, fortalecer a qualidade e desenvolver produtos capazes de atender às expectativas de um mercado cada vez mais exigente. Mais do que uma tendência, trata-se de uma estratégia para construir operações eficientes, sustentáveis e preparadas para o futuro da indústria de alimentos para pets.   'O mercado de pet food exige cada vez mais eficiência, flexibilidade e qualidade. Na MULTIVAC, trabalhamos para entregar soluções integradas que conectam processamento, embalagem, inspeção e automação, ajudando nossos clientes a aumentar a produtividade e garantir a segurança dos produtos em toda a cadeia produtiva.'
Glauco Stella
Gerente de Vendas | MULTIVAC Brasil  Fonte: Multivac

Misturado

07/10/2026

Descarga em misturadores: menos retenção, menor risco de contaminação e menos paradas para manutenção

Em misturadores convencionais, a descarga geralmente ocorre por meio de comportas pneumáticas instaladas na parte inferior do equipamento. Embora seja uma solução amplamente utilizada na indústria, esses componentes acrescentam pontos de vedação e regiões que exigem atenção durante a limpeza e a manutenção.   Um novo conceito para a descarga   Uma alternativa é eliminar a necessidade de comportas e utilizar o próprio corpo do misturador para realizar a descarga do produto.
  Esse é o conceito aplicado no GIROMIX, misturador desenvolvido pela Inducompany. Durante a etapa de mistura, o tambor permanece parado enquanto um rotor de pás promove a movimentação e a homogeneização do produto.
  Ao término do ciclo, o próprio tambor realiza um giro completo de 360°. Esse movimento posiciona novamente a abertura utilizada na alimentação e permite que o produto seja descarregado pelo mesmo local por onde entrou.
  Após a descarga, o tambor retorna à posição inicial e o equipamento fica preparado para um novo ciclo.   Menos pontos críticos no processo   A eliminação das comportas de descarga simplifica a construção do equipamento e reduz componentes sujeitos a desgaste, problemas de vedação e intervenções de manutenção.
  O conceito também busca diminuir regiões de retenção de produto, um aspecto especialmente relevante em processos nos quais diferentes formulações passam pelo mesmo equipamento. Quanto menor a quantidade de produto residual entre os ciclos, menor o potencial de carregamento de material de uma formulação para outra.
  Além disso, reduzir pontos de difícil acesso pode contribuir para tornar os procedimentos de limpeza e inspeção mais simples.   Homogeneidade continua sendo fundamental   A solução de descarga precisa estar associada a um processo de mistura eficiente. No GIROMIX, a homogeneização é realizada por um rotor de pás, com Coeficiente de Variação (CV) inferior a 5% nas condições adequadas de processo.
  O objetivo é combinar uma mistura rápida e homogênea com um sistema de descarga que reduza a complexidade mecânica e os pontos críticos do equipamento.
  Disponível em capacidades de 500 a 10.000 litros, o GIROMIX foi desenvolvido para diferentes escalas de produção e aplicações na indústria de alimentação animal e Pet Food.
  O conceito de funcionamento e descarga do equipamento é protegido por patente e representa uma abordagem diferente para um ponto muitas vezes pouco discutido no processo de mistura: não apenas como obter uma mistura homogênea, mas também como retirar o produto do equipamento de forma eficiente, reduzindo retenções e simplificando a operação. Fonte: Inducompany

Segurança alimentar

28/09/2026

Biossegurança também faz parte da produção pet food  

A produção de Pet Food envolve uma cadeia ampla, que reúne fabricantes de alimentos e pré-misturas, fornecedores de ingredientes, laboratórios, veterinários, fabricantes de máquinas e equipamentos, distribuidores e profissionais especializados. Dentro dessa cadeia, laboratórios e setores responsáveis pelo controle de qualidade precisam adotar procedimentos que reduzam riscos de contaminação e assegurem maior confiabilidade às análises realizadas. A esterilização adequada dos materiais utilizados nessas rotinas, incluindo atividades de esterilização em laboratório veterinário, integra uma estratégia mais ampla de controle e padronização.
  A autoclave é um dos equipamentos utilizados nesse contexto por empregar vapor sob pressão para a esterilização de materiais compatíveis com o processo. Seu funcionamento permite estabelecer parâmetros controlados de temperatura, pressão e tempo, proporcionando maior repetibilidade entre os ciclos. Essa característica reduz a dependência de procedimentos manuais e contribui para uma rotina mais previsível, tornando o equipamento parte importante das práticas de biossegurança em laboratório de controle de qualidade.
  Outro aspecto relevante é a condução do processo de forma simples e segura. Sistemas que automatizam etapas do ciclo, como a despressurização, reduzem a necessidade de intervenção do operador e favorecem maior padronização operacional. Na linha de autoclaves SolidSteel, por exemplo, o sistema analógico inteligente foi desenvolvido para eliminar etapas manuais consideradas críticas durante a operação. A despressurização ocorre automaticamente e o vapor é liberado de maneira controlada por meio do pino de exaustão, contribuindo para maior estabilidade durante o ciclo.
  A padronização também depende da manutenção adequada do equipamento. Limpeza periódica, inspeções, manutenção preventiva e utilização correta ajudam a preservar o desempenho da autoclave e a garantir maior consistência nos ciclos de esterilização. Além disso, seguir os procedimentos recomendados reduz riscos de falhas decorrentes de uso inadequado.
  No ambiente de controle de qualidade da indústria Pet Food, essa atenção aos detalhes é fundamental. Materiais utilizados em análises e procedimentos laboratoriais precisam passar por processos compatíveis com sua finalidade e com os protocolos estabelecidos por cada operação. A escolha da autoclave deve considerar a aplicação, a capacidade necessária, os materiais a serem processados e os parâmetros definidos para cada procedimento. Dessa forma, tecnologia e protocolo atuam de forma complementar para fortalecer a confiabilidade dos resultados.
  A evolução da indústria Pet Food amplia a necessidade de soluções capazes de acompanhar operações cada vez mais profissionais e orientadas por dados. O crescimento da cadeia produtiva e a busca por maior eficiência tornam a confiabilidade dos processos um diferencial importante. Nesse cenário, equipamentos desenvolvidos para oferecer controle, repetibilidade e segurança operacional contribuem para uma infraestrutura mais preparada para as demandas atuais.
  Mais do que atender a uma necessidade específica de esterilização, a adoção de equipamentos adequados representa uma decisão relacionada à gestão de processos. Quando tecnologia, manutenção, operação correta e boas práticas trabalham de forma integrada, torna-se possível construir uma rotina mais organizada, segura e confiável.
  Para a SolidSteel, contribuir com essa realidade significa desenvolver equipamentos voltados à segurança, à padronização e à confiabilidade dos processos. Em uma indústria na qual cada etapa pode impactar a qualidade final, cuidar dos processos que acontecem antes, durante e depois das análises também é cuidar da qualidade.
  Biossegurança não deve ser vista como uma etapa isolada. Ela faz parte de uma cadeia de decisões que envolve equipamentos, procedimentos, manutenção e pessoas. Na indústria Pet Food, transformar esses elementos em processos mais controlados é um caminho para construir operações mais seguras, consistentes e confiáveis. Fonte: SolidSteel

Embalagem

16/09/2026

Uma análise de novos desenvolvimentos sustentáveis de materiais de embalagem para VFFS

Nos últimos anos, ocorreram inovações e novos desenvolvimentos no campo dos materiais de embalagem para aplicações em máquinas empacotadoras verticais do tipo VFFS (vertical form, fill, seal). Esses desenvolvimentos foram impulsionados pelos compromissos ambientais corporativos de grandes multinacionais e por requisitos de sustentabilidade e reciclagem específicos de cada país.
  Princípio de funcionamento de uma empacotadora VFFS: 1. Desbobinamento, 2. Formação, 3. Correias de tração do filme, 4. Selagem longitudinal, 5. Selagem horizontal, 6. Dosagem do produto, 7. Movimento do filme, 8. Corte, 9. Entrega da embalagem pronta 
Na América Latina, novas legislações sobre o tema vêm sendo implementadas. O Chile, por exemplo, tem estado na vanguarda da região com a Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor, conhecida como 'Lei REP'. Ela obriga empresas fabricantes e importadoras a organizar e financiar a gestão dos resíduos dos produtos que comercializam no país. Seu objetivo é incentivar a reciclagem, minimizar a geração de resíduos e promover a economia circular sob o princípio de que 'quem polui, paga'. Nos demais países da região, seguem-se caminhos semelhantes, cada um com suas particularidades.

Na Europa, a legislação avança, mas não sem contratempos, em grande parte relacionados à falta de conhecimento e de definições claras. Particularmente na Alemanha, há grande interesse por aplicações à base de papel. As embalagens que respeitam a proporção de 95% de papel podem aproveitar a infraestrutura existente de coleta e reciclagem. Nessa linha, foram desenvolvidos materiais com diversos tipos de barreiras de proteção contra umidade, gorduras etc. Essas soluções ficaram restritas a produtos secos, sem grande necessidade de proteção, como massas secas, farinhas, grãos e cereais. Nesse caso, propriedades inerentes ao papel, como sua capacidade isolante, sua tendência ao rasgo e sua falta de elasticidade, colocaram à prova a capacidade de adaptação dos fabricantes de máquinas e materiais.   Caso de sucesso   Quanto às soluções à base de polímeros, estas são, em geral, as mais adequadas aos interesses da indústria mundial de pet food. Oferecem as melhores propriedades de proteção ao produto, com impacto limitado na aparência da embalagem. Além disso, para diferentes exigências de barreira, já existem soluções à base de polímeros capazes de substituir até mesmo o alumínio como barreira ao oxigênio.

Nas soluções à base de polímeros, podemos distinguir duas correntes principais. 

Em primeiro lugar, estão aquelas que buscam utilizar monomateriais. Por exemplo, o uso de monofilmes ou laminados de um único tipo de polímero, como os à base de polietileno. Uma aplicação recente bem-sucedida no Brasil buscou manter as propriedades de uma camada externa com maior ponto de fusão, utilizando MDOPE (polietileno orientado), combinada a uma camada interna de polietileno com aditivos para reduzir o ponto de fusão. Nesse caso, surgiram desafios decorrentes dos coeficientes de atrito interno e externo do filme, que limitavam sua maquinabilidade, além de uma janela operacional muito estreita em relação às temperaturas de selagem. Por meio de trabalho conjunto com o fornecedor do filme, chegou-se a uma formulação que modificou os coeficientes de atrito, permitindo que o material fosse tracionado de forma eficaz pelas correias de tração, as quais precisaram ser modificadas para minimizar deslizamentos. A selagem pôde ser viabilizada graças a pressões de selagem monitoradas eletronicamente, geometrias e materiais especiais para os mordentes, além de tempos de selagem precisos.

Em segundo lugar, estão as soluções que buscam manter o laminado composto por polímeros da mesma família, como é o caso das poliolefinas, que permitem sua reciclagem em conjunto.

Uma aplicação típica é a utilização de camadas externas à base de polipropileno e camadas internas de polietileno. Aqui, as janelas de trabalho também se estreitam em comparação com um filme tradicional de PET/PE, mas geralmente são melhores do que nos monomateriais. O aspecto do filme também costuma ser melhor, com maior brilho, embora se deva considerar a maior tendência ao rasgo do polipropileno em comparação com o PET. Novamente, esses materiais exigem ajustes nas pressões, nos materiais dos mordentes e nos tempos de selagem, que não necessariamente são os mesmos utilizados em monomateriais.

Claramente, estamos diante de uma evolução permanente de novos materiais, que evidencia a necessidade de colaboração entre fabricantes de filme, fornecedores de equipamentos e marcas interessadas em aplicar essas novas tecnologias em prol da sustentabilidade.

Um capítulo à parte merece aquilo que, no fundo, é o maior obstáculo oculto do problema: a falta de infraestrutura em muitos países, especialmente na Ásia e na América Latina, para coletar e reciclar esses materiais. Isso transforma os esforços de governos e empresas em algo sem sentido. Apostamos que esse cenário mude e que consigamos colocar no mercado produtos sustentáveis que realmente contribuam para reduzir a pegada ambiental. Por Clivio Solutions
Fonte: All Pet Food Magazine

Packaging Circularidade sem comprometer o desempenho: Engenharia aplicada ao desenvolvimento de embalagens flexíveis para pet food

7+ MIN

Circularidade sem comprometer o desempenho: Engenharia aplicada ao desenvolvimento de embalagens flexíveis para pet food

Longe de serem objetivos concorrentes, circularidade e desempenho podem se reforçar mutuamente quando a embalagem é analisada como um sistema funcional integral, projetado para atender a requisitos técnicos específicos ao longo de toda a cadeia de valor, desde a embalagem até o consumo final.
Circularidade não é substituição: é redesenho
Ao falar sobre circularidade em embalagens flexíveis, diferentes ações possíveis geralmente são mencionadas: redução de espessura, redução de peso, incorporação de material reciclado, migração para estruturas de monomateriais, uso de processos mais eficientes ou menos desperdício. Todas essas são ferramentas válidas, mas insuficientes se aplicadas isoladamente.

Cada elemento que compõe uma embalagem flexível cumpre uma ou mais funções técnicas específicas. Portanto, qualquer modificação estrutural gera consequências técnicas que devem ser analisadas e compensadas. O erro mais frequente é tentar simplificar um pacote sem entender por que ele foi projetado assim em primeiro lugar.

No segmento pet food, onde o produto apresenta desafios particulares em termos de estabilidade, logística e uso, essa abordagem é especialmente crítica. O alimento para pets, especialmente o seco com alto teor de gordura, tem alta sensibilidade à oxidação, absorção de umidade e perda de aromas, fatores que impactam diretamente a aceitação do produto pelo consumidor final.
O ponto de partida: entender a função técnica da embalagem
Todo redesenho eficaz começa com um entendimento profundo da função principal da embalagem. Nesse tipo de produto, a embalagem desempenha um papel central na preservação da qualidade, da vida útil e da experiência do usuário.

Funções técnicas chave incluem:
  Barreira de oxigênio: essencial para prevenir a oxidação da gordura e a perda de palatabilidade.
  Barreira de vapor d'água: necessária para evitar formação de incrustações, degradação nutricional e desenvolvimento microbiano.
  Resistência mecânica: contra impactos, empilhamento e manuseio logístico intensivo.
  Integridade da selagem: essencial para assegurar a hermeticidade da embalagem e evitar entrada de ar durante toda a vida útil do produto.
  Funcionalidade de uso: contempla sistemas de abertura e fechamento que agregam praticidade ao consumidor e auxiliam na redução do desperdício do produto.
  O desempenho final da embalagem não depende de um único material, mas do equilíbrio entre essas funções. É justamente neste ponto que a inovação tecnológica desempenha um papel decisivo.
Proteção de Produto: Novas Arquiteturas para Desafios Antigos
Em termos de barreiras e proteção de produtos, avanços nas tecnologias de coextrusão possibilitaram o desenvolvimento de estruturas à base de polietileno com características funcionais avançadas capazes de reduzir significativamente a migração de gordura, a passagem de oxigênio e a troca de aromas. Essas soluções são suportadas por arquiteturas multicamadas, onde diferentes resinas cumprem funções específicas dentro da estrutura.

A incorporação de copolímeros barreira, como o EVOH, mesmo em pequenas proporções, possibilita alcançar níveis de proteção comparáveis aos das estruturas tradicionais multimateriais. Historicamente, materiais como BOPET ou BOPA eram usados para fornecer rigidez e barreira, mas precisam ser laminados com polietileno para obter selabilidade e resistência mecânica. Essas combinações, embora tecnicamente eficazes, apresentam limitações significativas do ponto de vista da reciclagem.

Hoje, as estruturas de polietileno multicamada possibilitam integrar barreira, resistência mecânica, vedação, óptica e funções de processabilidade no mesmo sistema, avançando para configurações mono-material mais compatíveis com esquemas de reciclagem mecânica e com as diretrizes de projeto para circularidade promovidas por muitas marcas globalmente.

Da mesma forma, o desenvolvimento de processos de orientação monoaxial (MDO- Machine Direction orientation) aplicados ao polietileno de alta densidade abriu caminho para a substituição de filmes tradicionalmente orientados, como o BOPP, mantendo níveis adequados de rigidez e favorecendo, mais uma vez, a circularidade da embalagem.
Resistência mecânica e integridade da selagem: além da espessura
A redução de espessura é frequentemente uma das primeiras estratégias consideradas ao falar de sustentabilidade. No entanto, reduzir micrômetros sem redesenhar a estrutura é uma receita certa para o fracasso. Nas embalagens pet food, a resistência a rasgos, perfurações e deformações é fundamental para garantir a integridade da embalagem durante toda a sua vida útil.

O fenômeno conhecido como dimpling, ou seja, a deformação do recipiente causada pela pressão da ração, especialmente nos sacos localizados no fundo do palete, requer estruturas capazes de absorver cargas sem comprometer a integridade do recipiente ou da vedação. Esses tipos de tensões nem sempre são reproduzidos em testes laboratoriais padrão, por isso é essencial considerar as condições reais de armazenamento e distribuição.

Isso significa não apenas filme robusto, mas também vedações confiáveis, capazes de suportar condições exigentes de empilhamento, transporte e manuseio. Por sua vez, durante o armazenamento e distribuição, o coeficiente de atrito da superfície externa torna-se relevante para garantir um armazenamento estável e seguro, evitando deslocamentos e colapsos de paletes.

Arquiteturas de coextrusão multicamada permitem que funções sejam redistribuídas entre camadas, incorporando resinas de engenharia onde são necessárias, compensando reduções de espessura e otimizando custos sem sacrificar desempenho.
Funcionalidade de uso e redução de resíduos
A circularidade não se limita ao material da embalagem, ela também envolve sua interação com o consumidor. Nesse sentido, sistemas de abertura controlada e fechamento reutilizável desempenham um papel fundamental na redução do desperdício de alimento, permitindo melhor conservação do produto após abertura e prolongando sua vida útil no ambiente doméstico.

Hoje existem diferentes soluções de fechamento frontais, perimetral ou tradicionais, além de sistemas de fácil abertura, projetados para melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a hermeticidade ou o upcycling da embalagem. Integrar essas funcionalidades desde o projeto inicial, e não como uma adição subsequente, é essencial para alcançar um equilíbrio entre usabilidade, desempenho técnico e sustentabilidade.
Conclusão: circularidade como disciplina de engenharia
Nesse contexto, é fundamental que as decisões relacionadas ao redesenho das embalagens sejam tomadas de maneira interdisciplinar. A experiência industrial mostra que os melhores resultados surgem quando áreas como desenvolvimento, qualidade, produção, compras e comercialização trabalham de forma coordenada, alinhando objetivos técnicos, comerciais e ambientais desde as etapas iniciais do projeto.

Também é essencial validar as mudanças propostas por meio de testes técnicos e testes em condições reais de uso. Testes de barreira, selagem, resistência mecânica, estabilidade de armazenamento e comportamento durante a distribuição permitem antecipar desvios e ajustar o projeto antes de sua implementação industrial. Essa abordagem preventiva reduz riscos operacionais e evita desvios de custos.

Avançar para embalagens mais circulares na indústria pet food não é uma questão de moda ou marketing. É, acima de tudo, um desafio técnico que exige julgamento, conhecimento e uma compreensão sistêmica da embalagem. Quando o redesenho é abordado sob uma perspectiva de engenharia, analisando funções, interações e consequências, é possível alcançar soluções que protejam adequadamente o produto, acompanhem as demandas logísticas e, ao mesmo tempo, estejam alinhadas aos princípios da economia circular.

A boa notícia é que as ferramentas tecnológicas já existem. A verdadeira diferença está em como eles são usados. Por Pablo Petinatti, Petropack
Fonte: All Pet Food Magazine

Automação Automação da Paletização na Indústria de Pet Food: Produtividade, Segurança e Competitividade no Final de Linha

4+ MIN

Automação da Paletização na Indústria de Pet Food: Produtividade, Segurança e Competitividade no Final de Linha

É aqui que a automação da paletização surge como uma das respostas mais eficazes a esse desafio, transformando o final de linha em um ponto de eficiência e não de gargalo.
  A paletização manual ainda é realidade em grande parte dessa indústria no Brasil. Sacos de ração com peso entre 15 e 50 kg são movimentados centenas de vezes por turno, expondo os operadores a riscos ergonômicos significativos, como lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Um operador pode movimentar entre 5 e 8 toneladas de produto por turno, e o desgaste acumulado resulta em afastamentos frequentes, alta rotatividade na função e aumento do passivo trabalhista. Além disso, a fadiga natural ao longo do turno compromete a padronização dos pallets e pode gerar instabilidade na carga, com perdas por avaria no transporte e impacto direto na experiência do distribuidor e do cliente final.  
O que muda com à automação do final de linha   A célula de paletização robotizada oferece uma resposta direta a cada um desses desafios. Com capacidade de operar entre 300 e 800 sacos por hora, dependendo do modelo e da configuração, o robô executa ciclos contínuos com precisão constante, sem variação de rendimento. A repetibilidade é um dos atributos centrais da automação: cada pallet é montado com o mesmo padrão de empilhamento, definido por mosaico programado conforme o produto, o peso e as especificações logísticas do cliente. O resultado é uma carga mais estável, mais uniforme e adequada ao transporte, com redução de perdas por avaria e de reclamações na distribuição. A flexibilidade do sistema permite operar com diferentes tipos de embalagem, com troca entre configurações realizada diretamente na interface da célula, sem reprogramação técnica complexa, o que é especialmente relevante para linhas com múltiplos produtos e variações de gramatura.
  A automação redefine o papel do operador: de executor de uma tarefa fisicamente desgastante para supervisor de um processo automatizado. As células robotizadas modernas incorporam sistemas de segurança integrados, como cortinas de luz e sensores de presença, que permitem a intervenção do operador na área sem necessidade de desligar o equipamento. O sistema detecta a presença e reduz automaticamente a velocidade na zona de risco, garantindo segurança real sem impacto proporcional na produtividade. Para os gestores, a redução dos índices de afastamento por esforço físico tem valor mensurável: menos passivo trabalhista, menor custo com substituição de pessoal e uma equipe operacional mais estável no longo prazo.
  Um dos principais receios de quem avalia a automação da paletização é a necessidade de adequação da planta existente. Na prática, as células robotizadas modernas são projetadas para se integrar à infraestrutura já disponível: esteiras, transportadores e demais equipamentos da linha podem ser incorporados ao projeto, reduzindo o custo de implantação e o impacto operacional durante a instalação. A programação dos mosaicos e das configurações de produto é realizada pela equipe técnica do fornecedor durante a implantação, e o operador recebe treinamento para conduzir o processo sem necessidade de conhecimento técnico avançado. Isso encurta a curva de adaptação e viabiliza a transição com mínimo de interrupção na rotina produtiva.
Viabilidade econômica e competitividade no mercado   O retorno sobre investimento é, com frequência, o fator decisivo. O custo real da paletização manual inclui salários e encargos de dois a três operadores por turno, custo de afastamentos e substituição de pessoal, variação na qualidade do pallet e perdas por avaria no transporte. Quando esses valores são somados e comparados ao investimento na célula automatizada, o retorno projetado situa-se tipicamente entre 18 e 36 meses, variando conforme o volume da operação. Soluções desenvolvidas no Brasil, com componentes nacionais e arquitetura simplificada, podem ter custo significativamente menor do que equipamentos importados equivalentes, tornando a automação viável para indústrias de médio porte que anteriormente não se enquadravam nos modelos dos grandes fornecedores internacionais.
  Para as indústrias de pet food que estão crescendo e querem fazê-lo de forma estruturada, automatizar o final de linha deixou de ser questão de porte ou de orçamento excepcional. Com a consolidação de fornecedores nacionais que entregam a célula completa com projeto, instalação, treinamento e suporte em um único contrato, a automação da paletização tornou-se uma decisão acessível, previsível e com retorno demonstrável. 
    Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o final de linha eficiente deixa de ser um detalhe operacional para se tornar parte crucial da estratégia de crescimento. Fonte: Idealtec


Veterinária

Bem-estar animal

24/08/2026

Saúde das Articulações dos Cães e Gatos: O Papel do Colágeno na Prevenção da Osteoartrite

A artrite ou osteoartrite é uma doença degenerativa, progressiva e irreversível da cartilagem articular, caracterizada por inflamação, dor e perda gradual da funcionalidade articular. Embora geralmente esteja associado ao envelhecimento, agora se reconhece que seu desenvolvimento é multifatorial e envolve fatores genéticos, nutricionais, metabólicos e mecânicos.
  Estima-se que aproximadamente 20% dos cães e mais de 60% dos gatos com mais de seis anos tenham algum grau de osteoartrite. Em animais geriátricos, a prevalência pode ultrapassar 80–90%, tornando-se uma das principais causas da diminuição da qualidade de vida.   Figura 1. Cartilagem articular normal (esquerda) versus cartilagem (direita) afetada pela osteoartrite.   A doença afeta principalmente as articulações sinoviais ou diartródiais, onde a cartilagem hialina cumpre a função de amortecer cargas mecânicas e permitir movimentos suaves e eficientes.   Colágeno: o principal componente estrutural da cartilagem   O colágeno é a proteína mais abundante do corpo, representando aproximadamente 25% de todas as proteínas do corpo. Embora mais de 28 tipos de colágeno tenham sido descritos, os tipos I, II e III representam 80-90% do total no corpo.
  Na cartilagem articular, o colágeno tipo II representa 90-95% do total de colágeno. Sua função é fornecer resistência mecânica, elasticidade e suporte estrutural, além de manter os proteoglicanos imobilizados dentro da matriz extracelular.
  A cartilagem saudável é composta principalmente por água, colágeno, proteoglicanos e glicosaminoglicanos, todos produzidos pelos condrócitos, as células especializadas responsáveis pela manutenção desse tecido. A saúde das articulações depende de um equilíbrio delicado entre a síntese e a degradação desses componentes. Quando esse equilíbrio é perdido, começa o processo degenerativo característico da osteoartrite.   Como a osteoartrite se desenvolve   A osteoartrite não aparece de repente; É o resultado de um processo crônico onde múltiplos fatores intervêm.
  Sobrecarga mecânica, excesso de peso corporal, alterações na conformação, traumas e certas predisposições genéticas geram uma resposta inflamatória persistente. Essa inflamação estimula a produção de citocinas, como IL-1, IL-6 e TNF-α, além de enzimas degradativas, conhecidas como metaloproteases. Essas moléculas destroem progressivamente o colágeno e os proteoglicanos na cartilagem, causando apoptose dos condrócitos e perda da capacidade regenerativa dos tecidos. Como resultado, dor, rigidez, diminuição da mobilidade e formação de osteófitos aparecem, estabelecendo um verdadeiro círculo vicioso entre inflamação, dor e deterioração funcional.   Figura 2. Cachorro com mobilidade articular limitada.   Estar acima do peso agrava significativamente esse processo porque o tecido adiposo produz substâncias biologicamente ativas, como a leptina, capazes de manter um estado inflamatório crônico de baixo grau.   Figura 3. Diagrama do impacto negativo do excesso de peso, obesidade (tecido adiposo) e citocinas inflamatórias na articulação. Ativação de enzimas (síntase de óxido nítrico e metaloproteinases) e suas consequências na articulação e nos ossos.
O intestino também está envolvido na saúde das articulações   Nos últimos anos, surgiu um novo conceito que está mudando a compreensão de inúmeras doenças crônicas: o eixo intestino-articulação.
A microbiota intestinal é um ecossistema complexo composto por bactérias, vírus e fungos que vivem em estreita relação com o hospedeiro. Quando há equilíbrio (eubiose), contribui para a manutenção da homeostase imunológica e metabólica. No entanto, situações como estresse, mudanças repentinas na dieta, obesidade ou o uso irracional de antibióticos orais e sistêmicos podem gerar desequilíbrios (disbiose), ou seja, uma alteração da composição normal da microbiota.
  A disbiose aumenta a permeabilidade intestinal e promove a liberação sistêmica de mediadores inflamatórios (citocinas pró-inflamatórias). Esses sinais inflamatórios podem alcançar tecidos distantes, incluindo articulações, ajudando a acelerar processos degenerativos.
  Figura 4. Diagrama do mecanismo de ação do colágeno nativo tipo II (tolerância oral) no nível intestinal.   Atualmente, há evidências crescentes de que a saúde intestinal deve ser considerada um componente crítico de qualquer estratégia moderna de prevenção da osteoartrite.   Colágeno   O interesse científico pelo colágeno aumentou significativamente devido ao surgimento de novas formas de suplementação com mecanismos de ação diferentes e complementares. O colágeno hidrolisado fornece aminoácidos bioativos e peptídeos que são usados pelos condrócitos para sintetizar novo colágeno e componentes da matriz extracelular. Em outras palavras, fornece os materiais necessários para apoiar os processos de reparo de tecidos.
  Por outro lado, o colágeno nativo não desnaturado do tipo II age por meio de um mecanismo completamente diferente.
  Colágeno Nativo Tipo II: Uma Estratégia Imunológico Inovadora O colágeno nativo mantém sua estrutura tridimensional intacta e preserva regiões específicas conhecidas como epítopos. Quando ingeridos, esses epítopos são reconhecidos por células especializadas do tecido mucoso e do tecido linfoide associado ao intestino, especialmente no nível das manchas de Peyer. Esse reconhecimento induz um fenômeno chamado tolerância imune oral.
  Por meio desse mecanismo, células reguladoras capazes de produzir interleucina 10 (IL-10), uma citocina com atividade anti-inflamatória potente, são geradas. Como consequência, a resposta imune direcionada contra o colágeno presente na cartilagem articular diminui, reduzindo a atividade das colagênases e metaloproteases responsáveis pela degradação dos tecidos.
  Figura 4. Diagrama do mecanismo de ação do colágeno nativo tipo II (tolerância oral) no nível intestinal.
Esse mecanismo torna o colágeno nativo uma ferramenta particularmente interessante do ponto de vista preventivo, pois age antes que o dano estrutural seja irreversível.
  A osteoartrite continua sendo uma doença sem cura definitiva, tanto na medicina veterinária quanto na humana. No entanto, o conhecimento atual permite a implementação de estratégias preventivas cada vez mais eficazes.
  A combinação de colágeno nativo tipo II não desnaturado com colágeno hidrolisado representa uma alternativa particularmente promissora. Enquanto o primeiro ajuda a modular a resposta imune, o segundo fornece os componentes necessários para a síntese e reparo da matriz cartilaginosa. Quando essa estratégia nutricional é complementada com controle do peso corporal, exercícios adequados e manutenção de uma microbiota intestinal saudável, é possível atrasar significativamente o aparecimento dos sinais clínicos da osteoartrite e melhorar a qualidade de vida de cães e gatos ao longo de toda a vida. Por Prof. Alejandro L. Soraci MV., Dr. Cs Vet., Ph.D - Investigador Principal do CONICET
Fonte: All Pet Food Magazine

Gatos

11/08/2026

Sabores esquecidos? A Ciência por Trás da Percepção Doce e Umami  em Felinos

Sabor doce e umami em gatos: são aromas esquecidos?
Estamos realmente seguros de quais são os sabores que nossos cães e gatos percebem? Historicamente, o desenvolvimento dos sabores na indústria de alimentos para pets tem sido tratado como uma "área cinzenta", onde tudo parece possível. É comum imaginar a palatabilidade como um prato cheio de flores onde uma nota evoca carne, outra frango grelhado e, nesse cenário ideal, assumimos que todas as opções vão fascinar tanto cães quanto gatos.

No entanto, diante da realidade do consumo de alimentos, a percepção do gosto humano e dos animais de estimação acaba sendo mundos completamente distantes. Essa lacuna sensorial explica a quantidade exagerada na oferta de aromatizantes, saborizantes e palatabilizantes e, ao mesmo tempo, tantas dúvidas sobre o impacto real das matérias-primas e do processamento térmico na palatabilidade final.
Vamos voltar à base evolutiva
Todas as espécies animais dependem dos sentidos químicos (olfato e paladar) para sobreviver. Evolutivamente, essa dupla quimiossensorial permitiu que os ancestrais dos nossos pets detectassem quando um alimento estava se decompondo ou qual planta continha toxinas potencialmente letais, guiando uma escolha alimentar adequada.

Embora a ciência geralmente considere os humanos como referência universal, as diferenças em relação aos carnívoros domésticos são esmagadoras. Um cachorro, por exemplo, possui uma capacidade olfativa tão desenvolvida que consegue detectar partículas de odor de uma pessoa enterrada a vários metros de profundidade na neve ou no solo, guiada por correntes térmicas sutis. Por sua vez, o gato é um detector químico de precisão, capaz de perceber notas de oxidação lipídica na comida em concentrações mínimas que escapam completamente do cheiro humano, reagindo negativamente a indícios sutis de rancificação.

Todos os vertebrados compartilham uma estrutura neurobiológica básica para perceber as cinco qualidades do sabor: doce, umami, amargo, ácido e salgado. Respostas comportamentais, como a rejeição imediata da amargura, sugerem que mecanismos moleculares subjacentes são conservados entre espécies para prevenir envenenamentos. No entanto, variações genéticas e funcionalidades dos receptores foram forjadas sob a pressão da estratégia alimentar de cada animal. Como Paul T. Young (1966) apontou, a seleção da dieta não é aleatória: ela é determinada pelas condições orgânicas do sujeito, sua experiência prévia, sua constituição corporal e, crucialmente, pela estimulação periférica dos receptores cefálicos.
A percepção do gosto doce no felino: um caminho fechado
O gato é um carnívoro rigoroso. Em seu nicho ecológico natural, sua dieta consiste quase exclusivamente em tecido animal. Essa especialização extrema resultou em adaptações fisiológicas e metabólicas únicas: eles não possuem amilase salivar, e possuem uma dentição modificada exclusivamente para rasgar a carne e possuem a pseudogenização do gene que codifica o regulador da glicoquinase (GCKR), um elemento-chave no metabolismo dos carboidratos.

Um pseudogene é, essencialmente, uma sequência de DNA que já foi um gene funcional, mas, devido a mutações acumuladas ao longo da evolução, perdeu a capacidade de codificar proteínas. Há mais de setenta anos, pesquisas pioneiras de Ronald Kare e Charles Carpenter mostraram que os gatos não conseguiam distinguir entre água pura e soluções de sacarose, glicose, frutose ou lactose.

Foi em 2005 que a equipe de Xia Li descobriu a raiz molecular dessa indiferença: os felinos não possuem uma subunidade funcional no receptor de paladar doce chamado TAS1R2. A pressão evolutiva de uma dieta livre de açúcares vegetais tornou esse receptor desnecessário, transformando-o em um pseudogene não funcional. Assim, os gatos não "esqueceram" o gosto doce; simplesmente, sua história evolutiva anulou esse canal sensorial.
Gosto umami  em gatos: A redefinição da carne
Ao contrário do doce,  o gosto umami  é o eixo guia da palatabilidade felina. Nos humanos, está associado ao glutamato monossódico e sua principal característica é que é potenciado sinergicamente quando combinado com nucleotídeos purinos. Em 1975, White e Boudreau mostraram que certos compostos químicos eram capazes de ativar neurologicamente felinos em baixas concentrações, ditando sua preferência ou evitação.

Essas respostas são ativadas principalmente por aminoácidos livres e bases púricas (5′-ribonucleotídeos), componentes abundantes nos tecidos animais que sinalizam a presença de proteínas e ácidos nucleicos de alta qualidade. No entanto, na nutrição felina, detalhes moleculares importam. Embora tanto cães quanto gatos possuam um  receptor umami heterodimérico estruturalmente intacto, TAS1R1/TAS1R3, a especificidade dos ligantes (moléculas que se encaixam no receptor) varia drasticamente entre as espécies (Jiang & Beauchamp, 2025).
A Revolução dos Testes In Vitro: O Módulo de Venus Flytrap
Devido à complexidade e aos altos custos dos  testes in vivo  com painéis para pets, avaliar a afinidade exata dos aromatizantes tornou-se desafiador. É aqui que ensaios funcionais baseados em células e a biotecnologia molecular estão transformando a indústria por meio de duas ferramentas-chave:
  Ensaios funcionais de células: culturas de células vivas modificadas para expressar os receptores do paladar do gato, permitindo que sua resposta biológica a diferentes estímulos seja medida com precisão.
  O módulo recombinante de Venus Flytrap (VFTM): é uma estrutura proteica presente na porção extracelular dos receptores da classe C. Ele recebe esse nome por sua semelhança com a planta carnívora Venus flytrap, já que possui dois lóbulos que se fecham e "aprisionam" o ligante (o aminoácido ou nucleótido). Esse fechamento molecular ativa o receptor e desencadeia o sinal nervoso de sabor.
  Por meio dessas  tecnologias in vitro, pesquisadores como Toda (2021) demonstraram que o receptor TAS1R1/TAS1R3 em felinos responde diretamente aos 5′-ribonucleotídeos (como o IMP), mas, ao contrário dos humanos, não é ativado principalmente pelo isolamento de L-glutamato.

Da mesma forma, McGrane (2023) identificou que onze aminoácidos L atuam como potentes coativos, se e somente se forem previamente combinados com um nucleotídeo purino. Curiosamente, L-glutamato e L-aspartato — os reis do  umami humano — nem sequer funcionam como potenciadores para o receptor do gato. Isso confirma que o que é intensamente umami para um humano pode ser insípido para um gato. As evidências de Belloi (2017) usando VFTM recombinante confirmaram que a inosina (IMP) tem a capacidade única de se ligar ao receptor felino mesmo na ausência de aminoácidos livres.
Descobertas e Insights do Setor
Embora registros eletrofisiológicos tradicionais em nervos gustativos (como a corda do tímpano) mostrem que certos estímulos são intensificados ao combinar nucleotídeos com aminoácidos específicos, como L-cisteína e L-prolina. A sintonia exata do receptor umami felino continua a revelar surpresas.

Não podemos descartar que as metodologias in vitro atuais  ainda não replicam 100% da fisiologia complexa do paladar nativo no animal vivo. No entanto, entender que o sabor doce é inexistente para o gato e que sua percepção do umami obedece a um código de barras molecular estritamente adaptado ao seu nicho carnívoro é a verdadeira chave para a formulação de palatabilizantes de última geração no mercado moderno de alimentos para pets. Por Niyired Orozco Giraldo
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
•    Belloir, C., Savistchenko, J., Neiers, F., Taylor, A. J., McGrane, S., & Briand, L. (2017). Caracterização biofísica e funcional do domínio N-terminal do receptor do gosto umami do gato T1R1, expresso em Escherichia coli. PLoS ONE, 12(10), e0187051. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0187051
•    Cao, J., Huang, S., Qian, J., Huang, J., Jin, L., Su, Z., Yang, J., & Liu, J. (2009). A evolução dos módulos de atrapadores de Vênus classe C do GPCR envolveu divergência funcional selecionada positiva. BMC Biologia Evolutiva, 9(1), 67. https://doi.org/10.1186/1471-2148-9-67
•    Jiang, P., & Beauchamp, G. K. (2025). Receptores do paladar e seus nichos ecológicos: gatos, cachorros e outros vertebrados. Sentidos Químicos, 50, 1–10. https://doi.org/10.1093/chemse/bjaf052
•    Kare, M. R. (1961). Aspectos comparativos do sentido do paladar. Em M. R. Kare & B. P. Halpern (Eds.), Aspectos fisiológicos e comportamentais do paladar (pp. 6–15). University of Chicago Press.
•    Kare, M. R. (1971). Estudo comparativo do paladar. Em L. M. Beidler (Ed.), Manual de Fisiologia Sensorial: Vol. IV. Sentidos químicos (pp. 278–292). Springer-Verlag.
•    Kumazawa, T., Nakamura, M., & Kurihara, K. (1991). Respostas dos nervos do gosto canino a substâncias umami. Fisiologia & Comportamento, 49(5), 875–881. https://doi.org/10.1016/0031-9384(91)90193-G
•    Li, X., Li, W., Wang, H., Cao, J., Maehashi, K., Huang, L., Bachmanov, A. A., Reed, DR., Legrand-Defretin, V., Beauchamp, G. K., et al. (2005). A pseudogenização de um gene receptor de doce explica a indiferença dos gatos em relação ao açúcar. PLoS Genetics, 1(1), 27–35. https://doi.org/10.1371/journal.pgen.0010027
•    McGrane, S. J., Gibbs, M., Hernangómez de Alvaro, C., Dunlop, N., Winnig, M., Klebansky, B., & Waller, D. (2023). Percepção e preferências do gosto do Umami (Felis catus), um carnívoro obrigatório. Sentidos Químicos, 48, bjad026. https://doi.org/10.1093/chemse/bjad026
•    Nakamura, M., & Kurihara, K. (1990). Inibição não específica pela amilorídea das respostas nervosas da corda do tímpano canino a vários sais: Existem canais específicos de Na+ nas membranas receptoras do paladar canino? Brain Research, 524(1), 42–48. https://doi.org/10.1016/0006-8993(90)90489-7
•    Toda, Y., Hayakawa, T., Itoigawa, A., Kurihara, Y., Nakagita, T., Hayashi, M., Ashino, R., Melin, A. D., Ishimaru, Y., Kawamura, S., et al. (2021). Evolução do sensor de paladar de glutamato de primatas a partir de um sensor de nucleotídeos. Current Biology, 31(20), 4675–4676. https://doi.org/10.1016/j.cub.2021.08.059
•    White, T., & Boudreau, J. (1975). Preferências de gosto do gato para compostos neurofisiologicamente ativos. Psicologia Fisiológica, 3(4), 405–410. https://doi.org/10.3758/BF03326851
•    Young, P. T. (1966). A organização hedônica e regulação do comportamento. Revisão Psicológica, 73(1), 59–80. https://doi.org/10.1037/h0022891

Bem-estar animal

24/07/2026

Dietas terapêuticas para cães e gatos: quando são indicadas e como auxiliam no tratamento  

A alimentação desempenha papel fundamental na saúde de cães e gatos e, em determinadas situações, torna-se uma importante aliada do tratamento. É o que acontece com as dietas terapêuticas, formuladas para atender às necessidades nutricionais de pacientes com doenças específicas e contribuir para uma melhor resposta clínica.
  Segundo o médico-veterinário e zootecnista Vinicius Freire Monay, esses alimentos podem ser comerciais, secos ou úmidos, ou ainda dietas naturais formuladas exclusivamente para cada paciente e seu objetivo vai muito além de fornecer nutrientes.

'Além de nutrir, sua composição deve ser cuidadosamente ajustada para auxiliar no manejo da doença e contribuir para uma melhor qualidade de vida', explica.
  As dietas terapêuticas são indicadas para condições como doença renal crônica, obesidade, diabetes, doenças do trato urinário, alergias alimentares, distúrbios gastrointestinais e algumas enfermidades hepáticas. Nessas situações, a alimentação passa a atuar como uma aliada do tratamento clínico.
  'Cada dieta é formulada com um objetivo específico, como controlar determinados nutrientes, favorecer o funcionamento de um órgão ou ajudar no controle dos sinais clínicos', destaca Monay.   A escolha da dieta deve ser individualizada
Embora existam alimentos desenvolvidos para diferentes enfermidades, a definição da dieta não depende apenas do diagnóstico.
  O médico-veterinário avalia fatores como fase da vida, peso, escore corporal, presença de outras doenças, uso de medicamentos, aceitação do alimento e até a rotina da família, garantindo que o plano alimentar seja adequado tanto ao paciente quanto à realidade dos responsáveis.
  'O objetivo é escolher uma alimentação que atenda às necessidades nutricionais do cão ou gato e, ao mesmo tempo, auxilie no manejo da doença, contribuindo para uma melhor resposta ao tratamento', afirma.
  Contudo, o profissional alerta que a adoção de uma dieta terapêutica sem orientação pode trazer riscos.
  Como cada formulação é desenvolvida para uma condição específica, utilizá-la de forma inadequada pode comprometer a saúde do animal e até retardar o diagnóstico correto.
  'Cada dieta terapêutica é formulada para uma doença específica e, quando utilizada de forma inadequada, pode não trazer benefícios e até prejudicar a saúde', ressalta.
Resultados dependem da doença e do acompanhamento
Os benefícios variam conforme a enfermidade tratada. Entre os sinais positivos mais comuns estão melhora do apetite, da disposição, da consistência das fezes, da pele e da pelagem, redução de vômitos e controle do peso.
  No entanto, a evolução não deve ser avaliada apenas pela percepção dos responsáveis.
  O acompanhamento clínico, aliado a exames quando necessários, é fundamental para verificar se a estratégia nutricional está surtindo efeito.
  Em problemas gastrointestinais, a resposta pode surgir em poucos dias, enquanto doenças crônicas, como insuficiência renal e obesidade, costumam exigir semanas ou meses de acompanhamento.
  A duração da dieta também varia. Em algumas enfermidades ela será permanente; em outras, poderá ser substituída de forma gradual conforme a evolução do paciente.
Sucesso depende da adesão ao tratamento
Para que a dieta terapêutica alcance os resultados esperados, ela deve ser seguida corretamente.
  Um dos maiores desafios, segundo Monay, é adaptar o tratamento à rotina da família e evitar que petiscos, restos de comida ou outros alimentos comprometam o equilíbrio nutricional planejado.
  O médico-veterinário também reforça que a melhora clínica não significa que a alimentação possa ser interrompida sem orientação profissional, já que, muitas vezes, a evolução positiva é consequência da própria dieta associada ao tratamento.
  'Hoje sabemos que uma dieta adequada pode contribuir para o controle de diversas doenças, melhorar a qualidade de vida e, em muitos casos, aumentar a expectativa de vida de cães e gatos', conclui.
  Por isso, o acompanhamento de médicos-veterinários e zootecnistas que atuam com nutrição clínica é essencial para garantir uma estratégia nutricional segura, eficaz e ajustada às necessidades e à evolução clínica de cada animal. Fonte: Cães&Gatos

Bem-estar animal

10/07/2026

Recusa de alimento em cães e gatos pode indicar doenças silenciosas e avançadas  

Quando um cão ou gato começa a rejeitar a própria alimentação, muitos responsáveis tendem a interpretar o comportamento como simples seletividade, desinteresse ou até manha. Na prática clínica, porém, a recusa alimentar é tratada como um dos indicadores mais importantes do estado geral de saúde do animal.
Em ambientes de atendimento veterinário de alta complexidade, esse sinal é observado com atenção especial. Profissionais relatam que a maneira como o animal se comporta diante da comida pode funcionar como uma espécie de 'linguagem clínica', capaz de apontar desde dores dentárias escondidas até alterações sistêmicas graves.
  A relevância do tema aumenta diante da alta frequência de doenças que interferem diretamente no apetite. De acordo com a American Veterinary Medical Association (AVMA), cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos a partir dos três anos apresentam algum grau de doença periodontal. Essa condição costuma provocar dor ao mastigar e, consequentemente, redução ou recusa da alimentação, muitas vezes sendo um dos primeiros sinais percebidos pelos responsáveis.
  'O erro mais comum é o responsável esperar o pet ficar dois ou três dias sem comer para procurar ajuda. Na medicina veterinária, trabalhamos com o conceito de que o apetite é o maior termômetro de saúde que o animal possui. Quando ele cessa totalmente, o organismo está gastando uma energia preciosa para tentar combater alguma disfunção interna, deixando a alimentação em segundo plano. Não é birra, é biologia', explica Carollina Marques, médica-veterinária na WeVets.   A recusa alimentar pode indicar diferentes tipos de alterações clínicas
Segundo a profissional, a forma como o animal reage à comida pode ajudar a identificar a origem do problema.
  Em alguns casos, o pet demonstra interesse pelo alimento, se aproxima, cheira, mas hesita ou até deixa a comida cair da boca. Esse padrão geralmente está ligado a dores na região oral ou facial, como abscessos, fraturas dentárias subgengivais, gengivites avançadas ou problemas na articulação temporomandibular. O apetite existe, mas o ato de mastigar provoca dor.
  Outro comportamento observado é a rejeição imediata. O animal cheira a comida e vira o rosto, muitas vezes com lambedura excessiva dos lábios ou salivação intensa. Esse quadro pode indicar náuseas metabólicas, comuns em casos de insuficiência renal ou hepática, quando há acúmulo de toxinas no organismo.
  Já a apatia alimentar é considerada o sinal mais preocupante. Nessa situação, o animal ignora completamente qualquer estímulo relacionado à comida, mantém-se isolado e apresenta prostração. Esse padrão pode estar associado a quadros graves, como febre alta, dores abdominais intensas, infecções sistêmicas ou doenças oncológicas.
Gatos exigem atenção redobrada diante do jejum prolongado
A tolerância ao jejum varia entre as espécies. Em cães saudáveis, a ausência de uma refeição já merece observação, enquanto a perda de duas refeições consecutivas ou períodos prolongados sem ingestão alimentar já indicam necessidade de avaliação veterinária.
  Nos gatos, o risco é maior. Por conta do metabolismo particular da espécie, longos períodos sem alimentação podem levar ao desenvolvimento da Lipidose Hepática Felina, uma doença grave e potencialmente fatal.
  O cenário se agrava em animais com sobrepeso. Dados da Association for Pet Obesity Prevention (APOP) indicam que mais de 60% dos gatos domésticos estão acima do peso ou obesos, o que aumenta a mobilização de gordura durante o jejum e eleva o risco de complicações hepáticas.
  'Os gatos são animais metabolicamente extremamente sensíveis ao jejum prolongado. A janela de intervenção eficaz nesses casos é muito estreita. Se um felino passa de 24 a 48 horas sem ingerir calorias, o risco de desenvolver uma falência hepática secundária é altíssimo, o que transforma o caso em uma urgência médica absoluta de UTI', reforça a veterinária.
  Além disso, estudos internacionais apontam que a Doença Renal Crônica afeta entre 30% e 40% dos gatos acima de 10 anos de idade, sendo a perda de apetite um dos sinais clínicos mais frequentes da enfermidade. 'Quando um animal deixa de comer, a pergunta não deve ser qual alimento oferecer, mas por que ele parou de comer. A resposta para essa pergunta é o que realmente define o prognóstico do paciente', conclui Carollina.   FAQ sobre recusa de alimento em cães e gatos
Quando a recusa alimentar em cães e gatos deve preocupar?
Quando o animal deixa de comer por mais de uma refeição ou apresenta outros sinais associados, como apatia, dor ou alterações comportamentais, é indicado buscar avaliação veterinária.
  A recusa de comida pode estar ligada a quais doenças?
Pode estar relacionada a doenças periodontais, problemas renais ou hepáticos, dores orais, infecções sistêmicas, febre, entre outras condições clínicas.
  Por que gatos são mais sensíveis ao jejum?
Porque o metabolismo felino é mais vulnerável a períodos prolongados sem alimentação, podendo levar rapidamente à Lipidose Hepática Felina, uma condição grave e potencialmente fatal. Fonte: Cães&Gatos

Bem-estar animal Microbiota e doenças em cães e gatos: pesquisadores defendem o uso rotineiro da dieta para garantir a saúde desses animais

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Microbiota e doenças em cães e gatos: pesquisadores defendem o uso rotineiro da dieta para garantir a saúde desses animais

Tanto em humanos quanto em animais de companhia, a microbiota intestinal — a comunidade de microrganismos que habitam o intestino — está intimamente ligada à saúde , e alterações em sua composição têm sido associadas a diversas doenças crônicas.
  Nesse sentido, em animais de estimação, o fator mais crucial e controlável que influencia a microbiota intestinal é a dieta do animal , cuja modulação exerce forte influência sobre sua saúde.
  Para abordar a literatura sobre esta área crucial, uma equipe de pesquisadores publicou uma revisão científica que oferece uma síntese abrangente do impacto dos componentes e formatos da dieta na microbiota intestinal de cães e gatos.
  Além disso, analisa como essas alterações estão associadas aos efeitos na saúde e como a dieta pode auxiliar no tratamento de doenças , além de examinar criticamente as limitações atuais e propor futuras linhas de pesquisa.
  A revisão começa detalhando a composição do microbioma intestinal em cães e gatos, bem como a função da microbiota intestinal em animais de companhia, destacando as funções metabólicas, de regulação imunológica, digestivas e de proteção da barreira intestinal (suprimindo a adesão de patógenos por meio da competição por nutrientes e sítios de adesão no intestino).
  Em seguida, a revisão se concentra nos componentes nutricionais e seu impacto na microbiota intestinal, bem como nos formatos dos alimentos e seus efeitos, e então lista extensivamente as ligações entre a microbiota intestinal e doenças em cães e gatos , além de intervenções dietéticas e manejo da saúde intestinal.
  A nutrição é um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em animais de estimação
A revisão científica conclui que a nutrição atua como moduladora e mediadora da saúde da microbiota intestinal e que "constitui um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em cães e gatos".
  Entre os vários exemplos destacados nas conclusões, os pesquisadores apontam que, em doenças do trato gastrointestinal, metabolismo, rins, fígado e sistema imunológico, a nutrição individualizada tem demonstrado repetidamente equilibrar a microbiota e promover respostas clínicas positivas.
  'Os resultados gerais corroboram a ideia de que a modulação dietética não é apenas uma forma de cuidado paliativo, mas também uma abordagem terapêutica primária para otimizar a atividade do eixo intestino-órgãos', enfatizam os pesquisadores.
  No entanto, os pesquisadores acreditam que, para maximizar a eficácia das intervenções relacionadas à dieta e à microbiota , é necessário superar diversas limitações, como o fato de os estudos existentes serem frequentemente limitados e de curta duração, e a literatura relevante apresentar uma distribuição desigual, com lacunas mais significativas em estudos focados em felinos.
  'Em última análise, o desenvolvimento de orientações nutricionais baseadas no microbioma revolucionaria a saúde dos animais de estimação por meio da prática veterinária terapêutica, de modo que a dieta se torne um meio rotineiro e baseado em evidências para garantir e manter a saúde a longo prazo de cães e gatos', enfatizam os pesquisadores.   ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS: UMA MELHORIA NA SAÚDE AO ALCANCE DA SUA PATA
Veterinários e tutores de animais de estimação têm cada vez mais opções, e de melhor qualidade, para cuidar da saúde e do bem-estar de cães e gatos. De fato, o suporte nutricional para animais de estimação, sejam eles saudáveis ​​ou doentes , com uma abordagem preventiva, é mais do que possível graças às fórmulas disponíveis no mercado.
  Assim, para abordar os aspectos preventivos e terapêuticos da nutrição destacados no estudo, o setor oferece diversas inovações. Por exemplo, o Grupo Trixder , através da sua marca Josera , oferece a gama Josera Help , que, juntamente com a Josera Super Premium (focada em animais saudáveis), promove a saúde de cães e gatos, neste caso direcionada a animais adultos doentes.
  Com todas as garantias de qualidade da Josera, a principal característica da linha Help são os seus benefícios nutricionais . Tudo isso oferecido em receitas adaptadas a doenças e fases da vida específicas.
  Na verdade, essas dietas veterinárias são focadas em diferentes aspectos que podem ser melhorados com a nutrição, como intolerâncias e alergias alimentares ou problemas digestivos, ou para ajudar cães ou gatos com patologias como insuficiência cardíaca crônica, insuficiência hepática crônica ou insuficiência renal crônica. Fonte: Animal's Health

Cães Microbiota intestinal e imunidade em filhotes: como o início da vida define a saúde futura
 

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Microbiota intestinal e imunidade em filhotes: como o início da vida define a saúde futura  

Entre esses fatores, a microbiota intestinal tem ganhado destaque como um dos principais moduladores da saúde, atuando diretamente na regulação das respostas imunológicas (Ji et al., 2023; Yang & Wu, 2023).   O início de tudo: colonização microbiana
A colonização do trato gastrointestinal tem início imediatamente após o nascimento. 
  Filhotes oriundos de parto vaginal entram em contato direto com a microbiota materna, enquanto aqueles nascidos por cesariana tendem a apresentar um perfil microbiano inicial distinto, geralmente com menor diversidade (Zakošek et al., 2020). 
  Evidências recentes indicam que microrganismos podem ser detectados em fases muito precoces da vida, influenciando diretamente o desenvolvimento inicial do hospedeiro (Bertero et al., 2024).
  Nesse contexto, o colostro e o leite materno desempenham papel central, atuando não apenas como fontes de nutrientes, mas também como veículos de imunoglobulinas, compostos bioativos e microrganismos benéficos que contribuem para o estabelecimento de uma microbiota intestinal equilibrada (Wilson & Swanson, 2024).
  Janela crítica de desenvolvimento
O período neonatal é frequentemente descrito como uma 'janela crítica'. Durante essa fase, a microbiota intestinal sofre rápidas mudanças em composição e diversidade, sendo fortemente influenciada por fatores como ambiente, manejo, uso de antimicrobianos e, principalmente, dieta (Woolley et al., 2025).
  Alterações nesse processo podem gerar efeitos duradouros, impactando não apenas a saúde intestinal, mas também o equilíbrio sistêmico ao longo da vida.   Intestino: um centro imunológico
O sistema imunológico de cães atinge sua maturidade por volta dos seis meses de idade, período acompanhado por mudanças marcantes na composição da microbiota intestinal (Masuoka et al., 2016). 
  Ao longo desse processo, observa-se que as comunidades microbianas variam significativamente com a idade, refletindo o desenvolvimento fisiológico do hospedeiro (Woolley et al., 2025).
  Nesse cenário, o intestino se consolida como um dos principais órgãos imunológicos do organismo, abrigando o tecido linfoide associado ao intestino (GALT), responsável por concentrar grande parte das células de defesa. 
A interação contínua entre os microrganismos intestinais e o sistema imune é essencial para o desenvolvimento e a regulação das respostas imunológicas, tanto inatas quanto adaptativas (Ji et al., 2023).
  Bactérias comensais desempenham papel central nesse processo, promovendo a maturação do sistema imune, estimulando a produção de imunoglobulina A (IgA) e contribuindo para o equilíbrio entre respostas inflamatórias e mecanismos de tolerância (Yang & Wu, 2023).
  Adicionalmente, metabólitos produzidos pela microbiota, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), atuam diretamente na manutenção da integridade da barreira intestinal e na modulação da resposta inflamatória, reforçando a relevância do eixo microbiota–imunidade para a saúde do hospedeiro (Ji et al., 2023). Por Vanessa R. Olszewski, Lais M. Antunes, Danieli Z. Cypriano e Ananda P. Felix
Fonte: Cães&Gatos
  REFERÊNCIAS: BERTERO, A. et al. Meconium microbiota in naturally delivered canine puppies. BMC Veterinary Research, v. 20, n. 1, p. 363, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12917-024-04225-2 BAMBERGER, T. et al. Mapping the canine microbiome: insights from the dog aging project. 2024. DOI: https://doi.org/10.1101/2024.12.02.625632 JI, Y.; YANG, Y.; WU, Z. Programming of metabolic and autoimmune diseases in canine and feline: linkage to the gut microbiome. Microbial Pathogenesis, v. 185, p. 106436, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.micpath.2023.106436 MASUOKA, H. et al. Transition of the intestinal microbiota of dogs with age. Bioscience of Microbiota, Food and Health, v. 36, p. 27–31, 2016. DOI: https://doi.org/10.12938/bmfh.BMFH-2016-021 NEU, J. Developmental aspects of maternal-fetal and infant gut microbiota and implications for long-term health. Maternal Health, Neonatology and Perinatology, v. 1, p. 6, 2015. PEREIRA, A. M.; CLEMENTE, A. Dogs' microbiome from tip to toe. Topics in Companion Animal Medicine, v. 45, p. 100584, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tcam.2021.100584 SCHMID, S. M.; TOLBERT, M. K. Harnessing the microbiome: probiotics, antibiotics and their role in canine and feline gastrointestinal disease. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 13–25, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4915 STAVROULAKI, E. M.; SUCHODOLSKI, J. S.; XENOULIS, P. G. Effects of antimicrobials on the gastrointestinal microbiota of dogs and cats. The Veterinary Journal, v. 291, p. 105929, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2022.105929 WILSON, S. M.; SWANSON, K. S. The influence of 'biotics' on the gut microbiome of dogs and cats. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 2–12, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4914 WOOLLEY, C. S. C. et al. The gut microbiota of Labrador retriever puppies: a longitudinal cohort study. Animal Microbiome, v. 7, p. 108, 2025. YANG, B. et al. Dietary modulation of the gut microbiota in dogs and cats and its role in disease management. Microorganisms, v. 13, n. 12, p. 2669, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms13122669 YANG, Q.; WU, Z. Gut probiotics and health of dogs and cats: benefits, applications, and underlying mechanisms. Microorganisms, v. 11, n. 10, p. 2452, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms11102452  


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Consumo

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08/10/2026

El mercado argentino de mascotas cobra fuerza gracias a un consumo renovado y una mayor demanda de productos de alta gama  

La recuperación del mercado argentino de mascotas está abriendo nuevas oportunidades para la expansión del comercio minorista, una mayor variedad de productos y el crecimiento de categorías premium, incluso con el poder adquisitivo de las familias aún bajo presión. La flexibilización de las restricciones a la importación desde 2024 ha incrementado la oferta de accesorios y juguetes, mientras que los alimentos naturales y húmedos han ganado cuota de mercado.
  La inflación, que alcanzó el 211,4% en 2023 y el 117,8% en 2024, se ha ralentizado, pero sigue afectando al consumo. En julio de 2026, la inflación interanual se situó en el 33,8% , según el INDEC, con un incremento mensual del 2,1%.
  Según Sebastián Dates, director general de la Cámara Argentina de Empresas de Nutrición Animal (CAENA), el escenario actual brinda mayor previsibilidad tanto para las empresas como para los consumidores. "Sin embargo, los salarios aún no se han recuperado por completo, lo que mantiene las restricciones al poder adquisitivo", señala.   El sector minorista amplía su presencia y su oferta
Según las estimaciones citadas en la encuesta, entre el 75% y el 80% de los hogares en Argentina tienen mascotas, y el mercado de mascotas genera más de 3.200 millones de dólares anuales , según Kantar.
  La recuperación también se evidencia en la expansión de cadenas especializadas. Puppis cuenta con 42 tiendas en Argentina, mientras que Natural Life mantiene presencia en Buenos Aires, la provincia y ciudades como Mar del Plata, Mendoza y Rosario.
  La apertura parcial a las importaciones benefició principalmente a categorías como los accesorios y los juguetes, ampliando la variedad disponible en el comercio minorista.   La nutrición de alta gama está ganando terreno
El cambio en la composición de los consumidores se observa con mayor claridad en el sector alimentario. En Puppis, los alimentos naturales aumentaron del 4% al 9% del volumen total de ventas a lo largo del año. Los alimentos húmedos también experimentaron crecimiento.
  Natural Life identifica una tendencia similar en productos de mayor valor añadido relacionados con la salud preventiva . En 2025, sus ventas crecieron un solo dígito en términos ajustados a la inflación.
  Las comparaciones regionales indican que hay margen para una mayor segmentación del mercado. En la operación de Puppis en Colombia, los alimentos naturales representan el 25% de las ventas , mientras que los productos congelados y húmedos tienen una mayor penetración en el mercado que en Argentina.   El comercio electrónico está creciendo, pero las tiendas físicas siguen siendo líderes
El comercio electrónico argentino ha ganado envergadura, impulsado por plataformas como Mercado Libre y PedidosYa , pero aún tiene un rendimiento inferior al del comercio minorista físico en el segmento de mascotas, según ejecutivos entrevistados por GlobalPETS.
  Datos de la Cámara Argentina de Comercio Electrónico (CACE) muestran que las ventas en línea crecieron un 55% en valor en 2025 , alcanzando los 34 billones de pesos argentinos . El número de compradores llegó a 25,1 millones , mientras que las unidades vendidas aumentaron un 28%, hasta los 645 millones.
  En la primera mitad de 2026, el comercio electrónico registró un aumento del 28% en el volumen de negocio , con un crecimiento del 21% en los pedidos y un aumento del 22% en las unidades vendidas. Fuente: Panorama Pet&Vet

Novedades de la industria

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06/10/2026

CIPAL 2026 cierra su cuarta edición con 1.400 asistentes y un fuerte crecimiento de su alcance internacional

CIPAL 2026 reunió a 1.400 participantes entre los dos días, un 40% más que en la edición 2024. Contó con el apoyo de 57 sponsors, frente a los 45 de la edición anterior (un crecimiento del 27%), y 52 de ellos participaron como expositores. La demanda de espacios superó la capacidad disponible y dejó una lista de espera de más de 20 empresas.

Otro dato destacable fue el nivel de asistencia efectiva: el 91,5% de los profesionales registrados participó del evento. Para la organización, esta cifra muestra el alto nivel de interés y compromiso que generó la propuesta.
   Más fabricantes y más perfiles con capacidad de decisión
Además del crecimiento en asistencia, esta edición registró un aumento en la participación de fabricantes, en especial de perfiles vinculados a la toma de decisiones. Entre los asistentes hubo dueños y representantes de empresas fabricantes, CEOs, gerentes y responsables de áreas como Compras e I+D.

"Uno de los objetivos de CIPAL, además de brindar actualización técnica, es generar oportunidades concretas de negocio y vinculación. Por eso, la calidad y el perfil de los asistentes son aspectos fundamentales", señala Pablo Porcel de Peralta, CEO de All Pet Food, organizador del evento. 

La presencia de estos perfiles favorece el encuentro entre quienes desarrollan y producen alimentos para mascotas y las empresas proveedoras que ofrecen soluciones para acompañar esos procesos.  
Alcance internacional: expositores de 12 países
CIPAL sigue ampliando su proyección internacional: el 30,7% de los asistentes llegó desde el exterior, con profesionales de más de 25 países.

Las empresas expositoras representaron a 12 países, entre ellos Argentina, Brasil, Paraguay, Perú, Chile, México, España, Países Bajos, Alemania y Estados Unidos. Esta diversidad refleja la proyección internacional de CIPAL y el interés creciente de empresas de distintas regiones por el mercado latinoamericano de Pet Food.      Programa académico y nuevos formatos de vinculación
CIPAL 2026 se posiciona como una de las ediciones más sólidas del congreso, sobre todo por la calidad y diversidad del programa académico. El programa reunió a referentes nacionales e internacionales que abordaron temas de gran actualidad para la industria, con salas de alta participación durante las jornadas.

El congreso también estrenó nuevos formatos para potenciar el vínculo entre fabricantes y proveedores. La Sala de Innovación y Networking ofreció un espacio más distendido para facilitar reuniones y generar oportunidades de negocio. Por su parte, el precongreso, una jornada técnica auspiciada por JBT Marel, Wenger Manufacturing, LLC y Extru-Tech, sumó contenidos sobre nuevas tecnologías aplicadas a la producción de alimentos.
 2028: nueva sede para una nueva etapa
El crecimiento de esta edición trae también nuevos desafíos. "CIPAL necesita evolucionar junto con su audiencia y con las necesidades de las empresas que participan", explica Pablo Porcel de Peralta.

Por eso, la quinta edición se realizará en 2028 en una nueva sede, el Centro de Convenciones de Recoleta, en Buenos Aires. El cambio permitirá ampliar la capacidad, proponer una dinámica diferente y ofrecer más oportunidades y comodidad a asistentes, expositores y sponsors.

"El objetivo es seguir creciendo sin perder aquello que distingue a CIPAL: un programa técnico de calidad, la participación de los principales actores de la industria y, especialmente, la posibilidad de generar conexiones y oportunidades concretas de negocio", concluye. 

Para más información sobre la próxima edición: https://www.linkedin.com/company/congreso-de-la-industria-pet-food-latinoamérica/home/  Fuente: All Pet Food

Aditivos Funcionales

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06/10/2026

FibiraPets: equilibrio digestivo para mascotas

Muchas fibras utilizadas en pet food presentan ciertas limitaciones, como fermentaciones rápidas, producción de gases, baja tolerancia digestiva o presencia de azúcares simples. Esto puede impactar negativamente en la calidad de las heces, el confort digestivo y la estabilidad de la formulación.

Además, en la práctica, los desbalances en el aporte de fibra suelen manifestarse en problemas frecuentes como tránsito intestinal lento o irregular, fermentaciones bacterianas excesivas y trastornos digestivos como diarreas, estreñimiento, colitis o gastritis. En algunos casos, también se vuelve necesario trabajar con dietas libres de azúcares para reducir la exigencia pancreática.

Por eso, el foco ya no está solo en incluir fibra, sino en elegir una fuente más precisa y funcional.   Más que una fibra natural
FibiraPets, desarrollado para perros y gatos, combina fibra insoluble (lignocelulosa) con fibra soluble con efecto prebiótico (POS). Mientras la primera regula el tránsito intestinal, la segunda modula la microbiota, permitiendo actuar sobre distintos niveles del sistema digestivo y favoreciendo el equilibrio intestinal.  
A diferencia de otras fibras prebióticas, presenta una fermentación lenta y controlada, con baja producción de gases y alta tolerancia digestiva, incluso en animales sensibles. Además, contribuye a la producción de butirato, favoreciendo la salud de la mucosa intestinal y estimulando el desarrollo de la microbiota beneficiosa.

Más estabilidad, mejores resultados
FibiraPets no contiene sacarosa ni azúcares reductores, lo que mejora la tolerancia digestiva y la estabilidad de la formulación, especialmente en dietas sensibles. En mascotas, esto se traduce en:
  regulación del tránsito intestinal y la fermentación mejor consistencia fecal menor incidencia de trastornos digestivos mayor confort intestinal contribución a un entorno más limpio e higiénico
  Además, refuerza la integridad de la mucosa intestinal y aporta una fuente segura y funcional de fibra, con buena respuesta en uso continuo.  
Por lo tanto, la elección de fuentes de fibra deja de ser un aspecto secundario para convertirse en una decisión estratégica dentro de la formulación. Incorporar FibiraPets en alimentos balanceados permite abordar de manera más precisa los desafíos digestivos en mascotas, acompañando su bienestar desde la nutrición. Fuente: Adinnova Sobre Adinnova
Adinnova es una empresa argentina con presencia en mercados internacionales dedicada al desarrollo de aditivos naturales para nutrición animal. Cada solución integra ciencia e innovación aplicadas al bienestar y la productividad. Más información: adinnova.com.ar 

Ingredientes Vegetales

8 min de lectura

05/10/2026

Fosfatidilcolina de origen vegetal: una alternativa natural al uso de cloruro de colina en la comida para perros y gatos

Fuentes vegetales: una alternativa en crecimiento
A pesar de su eficiencia nutricional, el cloruro de colina presenta algunas limitaciones tecnológicas. Es una sustancia química altamente higroscópica, que puede provocar la pérdida de vitaminas solubles en agua en premezclas, ya que el aumento del contenido de agua libre incrementa el potencial reactivo (FARINA et al., 2017). Además, su uso puede favorecer la formación de bultos, comprometiendo la homogeneidad de las mezclas y causando pérdidas nutricionales (LISBOA et al., 2014).

Frente a estos desafíos, las fuentes de colina de origen vegetal han despertado un interés creciente en la industria de la nutrición canina y felina. La fosfatidilcolina es la principal forma de colina que se encuentra en materias primas vegetales (National Nutrient Database for Standard Reference, 2008) y puede actuar como alternativa al cloruro de colina en formulaciones destinadas a perros y gatos.
Fosfatidilcolina: diferencias en la absorción y el metabolismo
Además de las ventajas tecnológicas, las diferencias en la forma química de la colina pueden afectar su absorción y utilización. Cuando se consume en forma libre o como sal, como el cloruro de colina, su uso por parte del organismo puede estar limitado, ya que aproximadamente dos tercios de la colina ingerida pueden convertirse en trimetilamina por la microbiota intestinal antes de ser utilizada por el organismo, lo que podría reducir su disponibilidad biológica (LEESON; VERANOS DE 2001; COMBS JR., 2008; RUTZ, 2008). 

Por otro lado, la fosfatidilcolina tiene un comportamiento distintivo en el tracto gastrointestinal. Aunque puede sufrir una digestión parcial por enzimas digestivas, parte de esta molécula también puede ser absorbida de manera intacta, reduciendo su exposición al metabolismo promovido por microorganismos intestinales (COMBS JR., 2008). Esta característica puede contribuir a un mejor uso de la colina por parte del organismo, haciendo que las fuentes de colina de origen vegetal sean una alternativa interesante para la suplementación de este nutriente.

En los últimos años, varios estudios han evaluado la viabilidad y seguridad de la sustitución del cloruro de colina por fuentes de origen vegetal en la nutrición canina.
Evidencia científica en perros: seguridad y eficacia de la sustitución
Nascimento (2020) evaluó perros adultos sanos alimentados con dietas que contenían 0,28 % de cloruro de colina o 0,14 % de colina de origen vegetal. Los resultados mostraron que la sustitución no alteró la digestibilidad de los nutrientes, la palatabilidad ni las características fecales de los animales. Además, los perros a los que se les administró la fuente de colina de origen vegetal presentaron concentraciones séricas más bajas de colesterol, triglicéridos y enzimas asociadas a la actividad hepática, lo que sugiere beneficios adicionales relacionados con el metabolismo lipídico y la salud hepática.

Mendoza-Martínez et al. (2021) también investigaron si la inclusión en la dieta experimental de colina procedente de fuentes herbales, como la planta Azadirachta indica, conocida por su sabor amargo, podría interferir con la palatabilidad de las dietas. Los resultados mostraron que la inclusión de hasta 400 mg/kg de colina de origen vegetal no alteró la preferencia alimentaria de los perros, ni comprometió la digestibilidad de nutrientes ni las características fecales.

Asimismo, realizaron un estudio que demostró que la inclusión de fosfatidilcolina (1,6 %) y otros metabolitos metilados puede reemplazar completamente el cloruro de colina en las dietas de los perros (Mendoza-Martínez et al., 2022). Los investigadores utilizaron la relación propuesta por Mallo y Paolella (2017), según la cual una unidad de colina de origen vegetal puede reemplazar aproximadamente cinco unidades de cloruro de colina. 

Más recientemente, FINARDI et al. (2026) evaluaron los efectos del reemplazo total de cloruro de colina por colina de origen vegetal (CHOLMAX) en perros adultos sanos. El estudio comparó tres dietas: una dieta de control que contenía cloruro de colina y dos dietas que contenían colina de origen vegetal en diferentes niveles de inclusión. Los resultados mostraron que la sustitución del cloruro de colina no afectaba a la digestibilidad de los nutrientes ni a la palatabilidad de las dietas. De manera similar, no se observaron cambios en los metabolitos de la fermentación intestinal ni en los índices de diversidad de la microbiota fecal. La microbiota intestinal variaba según la dieta, con cambios en los filos, familias y géneros, especialmente los Firmicutes, relacionados con la producción de ácidos grasos y la salud intestinal. Los autores concluyeron que la colina de origen vegetal es una alternativa segura y prometedora para su aplicación en la comida para perros.
Nuevas perspectivas sobre la nutrición de los gatos y la industria de la alimentación para mascotas
En un estudio pionero realizado con gatos adultos sanos, Juárez (datos no publicados, 2026) evaluó tres dietas experimentales: una dieta de control que contenía cloruro de colina, una dieta con reemplazo total del cloruro de colina por colina de origen vegetal (CHOLMAX) y una tercera dieta que contenía un 50 % más de colina de origen vegetal (CHOLMAX) que la dieta de reemplazo. Los resultados preliminares mostraron que no había diferencias en la digestibilidad de los nutrientes, en la palatabilidad de las dietas ni en los metabolitos de la fermentación intestinal. Por otro lado, se observaron cambios en la composición de la microbiota intestinal entre tratamientos, incluyendo cambios en los filos, familias y géneros bacterianos. Entre los cambios observados, destacó la reducción del género Helicobacter en los grupos que recibieron colina de origen vegetal. Según Cesar (2024), algunas especies de este género están asociadas a procesos inflamatorios en el tracto gastrointestinal de los felinos. Aunque se necesitan estudios adicionales para confirmar los mecanismos implicados, los resultados sugieren un posible efecto beneficioso de la colina de origen vegetal sobre el equilibrio de la microbiota intestinal de los gatos.

De este modo, la colina de origen vegetal surge como una alternativa interesante para la industria de la comida para perros y gatos, combinando beneficios tecnológicos y nutricionales. Además de minimizar los desafíos asociados al uso de cloruro de colina, las fuentes vegetales demuestran potencial para mantener el rendimiento nutricional de los piensos y contribuir a la salud de los animales.

Con la creciente demanda de ingredientes de origen natural y tecnologías que aportan valor a las formulaciones, la colina de origen vegetal surge como una alternativa prometedora para la industria, combinando beneficios tecnológicos, nutricionales y potencialmente funcionales para alimentos destinados a perros y gatos. Por Erika Stasieniuk y Hebert Silveira
Fuente: All Pet Food Magazine
  Sobre los autores
*Erika Stasieniuk es zootecnica, doctora en Nutrición y Alimentación de Animales de Compañía, por la Universidad Federal de Minas Gerais (UFMG). Cuenta con más de 16 años de experiencia en el área de nutrición para perros y gatos, trabajando en investigación y desarrollo, formulación de alimentos, premezclas y núcleos. Es socia fundadora de SFA Consultoria, una empresa especializada en consultoría para las industrias alimentaria e ingrediente en nutrición para perros y gatos, trabajando en desarrollo de productos, formulación y posicionamiento técnico. Contacto: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com

**Hebert Silveira es agrónomo, doctor en Nutrición Animal por la Universidad de Lavras (UFLA). Director Técnico en Natural BR Feed. Contacto: hebertsilveira@naturalbrfeed.com.br
Referencias bibliográficas
BERTECHINI, A. G. Nutrición de los monogástricos. 2. ed. Lavras: Editora UFLA, 2013.
CESAR, C. G. L. Efectos de la inclusión de harina de insectos en la comida seca completa sobre variables de procesamiento, digestibilidad, palatabilidad, productos de la fermentación fecal y microbiota de gatos adultos. Tesis (Máster en Nutrición y Producción Animal) – Facultad de Medicina Veterinaria y Ciencias Animales, Universidad de São Paulo, Pirassununga, 2024.
COMBS JR., G. F. Las vitaminas: aspectos fundamentales en nutrición y salud. 3ª ed. Burlington: Elsevier Academic Press, 2008.
FARINA, G.; KESSLER, A. M.; MAIORKA, A.; ROCHA, C. S. S.; VASCONCELLOS, R. S. Aspectos tecnológicos del uso del cloruro de colina en premezclas vitamínicas. En: SIMPOSIO SOBRE NUTRICIÓN DE PERROS Y GATOS, 2017.
FERREIRA, W. M.; NETO, A. F. G. Nutrición animal: temas avanzados. Belo Horizonte: FEPMVZ Editora, 2003.
FINARDI, G. L. F.; MARCHI, P. H.; SOUZA, J. M.; DIAS, L. S.; STASIENIUK, E. V. Z.; SILVEIRA, H.; BALIEIRO, J. C. C.; VENDRAMINI, T. H. A. Efectos de la inclusión de colina de origen vegetal sobre variables digestivas, hepáticas, lípidas, fermentativas, microbiota fecal y palatabilidad en perros adultos. En: CONGRESSO CBNA PET, 25 de 2026, São Paulo. Anales... São Paulo: CBNA, 2026.
JUÁREZ, L. Efectos de la inclusión de colina de origen vegetal sobre las variables digestivas, hepáticas, lipídicas y fermentativas, la microbiota fecal y sérica y la palatabilidad de gatos adultos. Tesis (Máster en Nutrición y Producción Animal) – Facultad de Medicina Veterinaria y Ciencias Animales, Universidad de São Paulo, Pirassununga, 2026. Datos no publicados.
LEESON, S.; SUMMERS, J. D. Nutrición del pollo por parte de Scott. 4. ed. Guelph: University Books, 2001.
LISBOA, M. M.; ALBINO, L. F. T.; ROSTAGNO, H. S. Aspectos tecnológicos relacionados con el uso de cloruro de colina en premezclas vitamínicas. Revista Eletrônica Nutritime, v. 11, n. 4, p. 3607-3615, 2014.
MALLO, JUEZ JUEZ; PAOLELLA, M. Suplementación con colina en la nutrición de mascotas: fuentes herbales como alternativa al cloruro de colina. En: PETFOOD FORUM, 2017.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D.; HERNÁNDEZ-MARTÍNEZ, C. A.; MARTÍNEZ-AYALA, A. L.; y demás. Efecto de la inclusión de fosfatidilcolina herbal en la palatabilidad, digestibilidad y energía metabolizable de la dieta en perros. Austral Journal of Veterinary Sciences, vol. 53, p. 161-167, 2021.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D. et al. Colina herbal como sustituto del cloruro de colina en los alimentos para perros: efectos sobre la digestibilidad, los rasgos fecales y la palatabilidad. Animales, v. 12, n. 9, 2022.
NASCIMENTO, R. C. Evaluación de una fuente herbal de colina como alternativa al cloruro de colina en la dieta de perros. Tesis doctoral (Máster en Ciencias Animales) – Universidad Federal de Paraná, Curitiba, 2020.
DEPARTAMENTO DE AGRICULTURA DE LOS ESTADOS UNIDOS (USDA). Base de Datos Nacional de Nutrientes para Referencia Estándar. Lanzamiento 21. Beltsville, 2008.
RUTZ, F. La colina y sus metabolitos en la nutrición animal. En: SIMPOSIO INTERNACIONAL DE ACAV SOBRE NUTRICIÓN, 2008.

Por Erika Stasieniuk


English Section

Vegetable Origin

6 min reading

05/10/2026

Plant-Based Phosphatidylcholine: A Natural Alternative to Choline Chloride in Dog and Cat Food

Plant-Based Sources: A Growing Alternative
Despite its nutritional effectiveness, choline chloride presents several technological limitations. It is a highly hygroscopic compound that promotes the degradation of water-soluble vitamins in premixes, as increased free moisture enhances its reactive potential (FARINA et al., 2017). Its use may also contribute to caking, compromising mix homogeneity and potentially leading to nutrient losses (LISBOA et al., 2014).

In response to these challenges, plant-based sources of choline have attracted growing interest in canine and feline nutrition. Phosphatidylcholine is the primary form of choline found in plant-derived raw materials (National Nutrient Database for Standard Reference, 2008) and has emerged as a potential alternative to choline chloride in dog and cat food formulations.
Phosphatidylcholine: Differences in Absorption and Metabolism
Beyond its technological advantages, the chemical form of choline may influence its absorption and utilization. When consumed in its free form or as a salt, such as choline chloride, its utilization may be limited since approximately two-thirds of ingested choline can be converted into trimethylamine by the intestinal microbiota before it is absorbed, potentially reducing its biological availability (LEESON; SUMMERS, 2001; COMBS JR., 2008; RUTZ, 2008).

Phosphatidylcholine, however, behaves differently in the gastrointestinal tract. Although it undergoes partial digestion by digestive enzymes, part of the molecule can also be absorbed without alteration, reducing its exposure to microbial metabolism in the intestine (COMBS JR., 2008). This characteristic may improve the body's utilization of choline, making plant-based choline sources an attractive alternative for supplementation.

In recent years, several studies have investigated the feasibility and safety of replacing choline chloride with plant-based choline sources in canine nutrition.
Scientific Evidence in Dogs: Safety and Effectiveness of Replacement
Nascimento (2020) evaluated healthy adult dogs fed with diets containing either 0.28% choline chloride or 0.14% plant-based choline. The results showed that replacing choline chloride did not affect nutrient digestibility, palatability, or fecal characteristics. In addition, dogs receiving the plant-based choline source exhibited lower serum concentrations of cholesterol and triglycerides, as well as lower liver enzyme markers, suggesting additional benefits for lipid metabolism and liver health.
  Mendoza-Martínez et al. (2021) also investigated whether dietary supplementation with choline derived from herbal sources, including Azadirachta indica—a plant known for its bitter taste—could interfere with diet palatability. Results demonstrated that including up to 400 mg/kg of plant-based choline did not affect food preference, nutrient digestibility, or fecal quality in dogs.

The same research group later demonstrated that supplementing diets with phosphatidylcholine (1.6%) and other methylated metabolites can completely replace choline chloride in dog diets (Mendoza-Martínez et al., 2022). The researchers adopted the conversion ratio proposed by Mallo and Paolella (2017), which states that one unit of plant-based choline can replace approximately five units of choline chloride.

More recently, FINARDI et al. (2026) evaluated the effects of the complete replacement of choline chloride with plant-based choline (CHOLMAX) in healthy adult dogs. The study compared a control diet containing choline chloride with two plant-based choline diets at different inclusion levels. The results showed that replacing choline chloride did not affect nutrient digestibility or diet palatability. Likewise, no changes were observed in intestinal fermentation metabolites or fecal microbiota diversity indices. However, intestinal microbial composition varied among diets, with changes observed at the phylum, family, and genus levels, particularly among Firmicutes, a group associated with fatty acid production and intestinal health. The authors concluded that plant-based choline is a safe and promising alternative for use in dog food.
New Perspectives for Feline Nutrition and the Pet Food Industry
In a pioneering study involving healthy adult cats, Juárez (unpublished data, 2026) evaluated three experimental diets: a control diet containing choline chloride, a diet in which choline chloride was completely replaced by plant-based choline (CHOLMAX), and a third diet containing 50% more plant-based choline (CHOLMAX) than the replacement diet. Preliminary results showed no differences in nutrient digestibility, diet palatability, or intestinal fermentation metabolites. 

On the other hand, changes were observed in the composition of the intestinal microbiota among treatments, including shifts in bacterial phyla, families, and genera. Among the findings, a reduction in the genus Helicobacter was observed in the groups receiving plant-based choline. According to Cesar (2024), certain species within this genus have been associated with inflammatory processes in the feline gastrointestinal tract. Although additional research is needed to clarify the underlying mechanisms, these findings suggest that plant-based choline may have a beneficial effect on maintaining intestinal microbiota balance in cats.

Plant-based choline therefore represents an attractive alternative for the pet food industry, combining technological and nutritional advantages. In addition to minimizing the technological challenges associated with choline chloride, plant-derived sources have demonstrated the potential to maintain nutritional performance while supporting animal health.

As demand continues to grow for naturally sourced ingredients and technologies that add value to pet food formulations, plant-based choline is emerging as a promising solution for the industry, combining technological, nutritional, and potentially functional benefits for dog and cat food. By Erika Stasieniuk and Hebert Silveira
Source: All Pet Food Magazine

About the authors
**Erika Stasieniuk is a zootechnician with a doctorate in canine and feline nutrition from UFMG. Holding more than 16 years of experience in dog and cat nutrition, she works in Research and Development, food formulation, premixes and nuclei. She is the founder of SFA Consultoria and works as technical consultant in the development of pet food and ingredients. Contact: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com | Instagram: @erikastasieniuk

***Hebert Silveira is agronomist with a doctorate in Animal Nutrition from Universidad de Lavras (UFLA). He is Technical Director at Natural BR Feed. Contact hebertsilveira@naturalbrfeed.com.br
References
 BERTECHINI, A. G. Nutrición de los monogástricos. 2. ed. Lavras: Editora UFLA, 2013.
CESAR, C. G. L. Efectos de la inclusión de harina de insectos en la comida seca completa sobre variables de procesamiento, digestibilidad, palatabilidad, productos de la fermentación fecal y microbiota de gatos adultos. Tesis (Máster en Nutrición y Producción Animal) – Facultad de Medicina Veterinaria y Ciencias Animales, Universidad de São Paulo, Pirassununga, 2024.
COMBS JR., G. F. Las vitaminas: aspectos fundamentales en nutrición y salud. 3ª ed. Burlington: Elsevier Academic Press, 2008.
FARINA, G.; KESSLER, A. M.; MAIORKA, A.; ROCHA, C. S. S.; VASCONCELLOS, R. S. Aspectos tecnológicos del uso del cloruro de colina en premezclas vitamínicas. En: SIMPOSIO SOBRE NUTRICIÓN DE PERROS Y GATOS, 2017.
FERREIRA, W. M.; NETO, A. F. G. Nutrición animal: temas avanzados. Belo Horizonte: FEPMVZ Editora, 2003.
FINARDI, G. L. F.; MARCHI, P. H.; SOUZA, J. M.; DIAS, L. S.; STASIENIUK, E. V. Z.; SILVEIRA, H.; BALIEIRO, J. C. C.; VENDRAMINI, T. H. A. Efectos de la inclusión de colina de origen vegetal sobre variables digestivas, hepáticas, lípidas, fermentativas, microbiota fecal y palatabilidad en perros adultos. En: CONGRESSO CBNA PET, 25 de 2026, São Paulo. Anales... São Paulo: CBNA, 2026.
JUÁREZ, L. Efectos de la inclusión de colina de origen vegetal sobre las variables digestivas, hepáticas, lipídicas y fermentativas, la microbiota fecal y sérica y la palatabilidad de gatos adultos. Tesis (Máster en Nutrición y Producción Animal) – Facultad de Medicina Veterinaria y Ciencias Animales, Universidad de São Paulo, Pirassununga, 2026. Datos no publicados.
LEESON, S.; SUMMERS, J. D. Nutrición del pollo por parte de Scott. 4. ed. Guelph: University Books, 2001.
LISBOA, M. M.; ALBINO, L. F. T.; ROSTAGNO, H. S. Aspectos tecnológicos relacionados con el uso de cloruro de colina en premezclas vitamínicas. Revista Eletrônica Nutritime, v. 11, n. 4, p. 3607-3615, 2014.
MALLO, JUEZ JUEZ; PAOLELLA, M. Suplementación con colina en la nutrición de mascotas: fuentes herbales como alternativa al cloruro de colina. En: PETFOOD FORUM, 2017.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D.; HERNÁNDEZ-MARTÍNEZ, C. A.; MARTÍNEZ-AYALA, A. L.; y demás. Efecto de la inclusión de fosfatidilcolina herbal en la palatabilidad, digestibilidad y energía metabolizable de la dieta en perros. Austral Journal of Veterinary Sciences, vol. 53, p. 161-167, 2021.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D. et al. Colina herbal como sustituto del cloruro de colina en los alimentos para perros: efectos sobre la digestibilidad, los rasgos fecales y la palatabilidad. Animales, v. 12, n. 9, 2022.
NASCIMENTO, R. C. Evaluación de una fuente herbal de colina como alternativa al cloruro de colina en la dieta de perros. Tesis doctoral (Máster en Ciencias Animales) – Universidad Federal de Paraná, Curitiba, 2020.
DEPARTAMENTO DE AGRICULTURA DE LOS ESTADOS UNIDOS (USDA). Base de Datos Nacional de Nutrientes para Referencia Estándar. Lanzamiento 21. Beltsville, 2008.
RUTZ, F. La colina y sus metabolitos en la nutrición animal. En: SIMPOSIO INTERNACIONAL DE ACAV SOBRE NUTRICIÓN, 2008.

Por Erika Stasieniuk

Industry News

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05/10/2026

CPM Names Jeremy Patten Chief Executive Officer

Patten brings more than 20 years of leadership experience across global industrial, manufacturing and technology-driven businesses. Most recently, he served as President of Modine's Performance Technologies segment. Prior to Modine, he spent more than eight years with ATS Corporation, including serving as President of its Packaging and Food Technology Group. Earlier in his career, Patten held leadership roles with IDEX Corporation and Danaher Corporation.

'Jeremy brings the combination of operational leadership, commercial experience and focus on execution that makes him well suited to lead CPM,' said Simon Peckham, Chief Executive of Rosebank Industries. 'CPM has strong market positions, longstanding customer relationships and significant opportunities for growth. We are pleased to have Jeremy leading the business as we invest to build on those strengths, grow the aftermarket and improve performance across the organization.'

Patten joins CPM as the company continues to focus on growth, operational improvement and strengthening support for customers throughout the full lifecycle of their equipment.

'CPM has strong brands, deep engineering expertise, long-standing customer relationships and a significant global installed base,' said Patten. 'What attracted me to CPM is the opportunity to build on those strengths, grow the business and continue improving how we support our customers throughout the lifecycle of their equipment. I'm looking forward to getting to know our people, customers and businesses around the world.' Source: CPM
  About CPM
CPM is a leading global provider of process equipment, engineered technologies and aftermarket parts and services serving customers across the food, fuel and industrial markets. With a global installed base and portfolio of industry-leading brands, CPM supports customers from new equipment and process solutions through parts, service, upgrades and ongoing equipment support. For more information, visit onecpm.com.

Industry News

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02/10/2026

Global Pet Industry Gathers In Istanbul: Petzoo Eurasıa, The Largest Pet Faır In Eurasıa, Opens Its Doors!

The heart of the rapidly expanding global pet industry will beat in Istanbul through the organization of Ulusal Fuarcılık. Featuring hundreds of domestic and international brands, manufacturers, and distributors, PETZOO Eurasia unites trade, innovation, and entertainment under one roof, reinforcing Turkey's position as the primary sourcing hub and meeting point for the region.
Direct Exports and Partnerships via the Dedicated B2B Matchmaking Area
The international Hosted Buyer Program, alongside the dedicated B2B Matchmaking Area located on the show floor, connects professional buyers from Europe, Asia, the Middle East, North Africa, and the Americas directly with exhibiting companies. Participants will secure new export channels through face-to-face negotiations focused on distributorships, private label manufacturing, and wholesale partnerships.
Strong Commitment to Innovation Petzoo Next: Free Showcase Space for Start-ups
Committed to driving innovative solutions forward, PETZOO Eurasia provides free promotional space for start-ups developing pet-tech, novel nutrition, smart care technologies, and sustainable accessories. This gives emerging entrepreneurs direct access to global investors and thousands of professional buyers at zero promotional cost.
Complimentary Access for Veterinarians: Pillars of the Industry
Veterinarians, clinicians, and veterinary students can visit the exhibition free of charge. Practitioners will gain direct access to discover the latest clinical medical equipment, surgical tools, pharmaceuticals, vaccines, and wellness products, as well as engage in face-to-face dialogue with leading manufacturers.
A Visual Spectacle: Local and Global Pet Shows
Beyond being a leading trade platform, PETZOO Eurasia delivers dynamic experiences throughout the event. Featuring professional grooming showcases, dog training demonstrations, and specialized pet fashion shows with global and local experts, the fair offers a comprehensive industry spectacle.   Istanbul: The Strategic Trade Bridge Between East and West
With its geopolitical position, advanced logistics infrastructure, and seamless global accessibility, Istanbul serves as the ultimate crossroads for the global pet sector. Showcasing tens of thousands of product lines—from cat and dog nutrition to grooming supplies, aquatics, avian products, and advanced veterinary technologies—PETZOO Eurasia will host international trade professionals across four business days.
  Source: PETZOO Eurasia

Palatants

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02/10/2026

 How Does Flavor Migration Shape Palatability in Wet Pet Food?  

In multi-matrix formats such as chunks-in-gravy (CIG), a palatant may be added to either the chunks or the gravy to enhance its taste. However, the effect often extends beyond the targeted matrix, influencing the overall flavor profile.   Understanding flavor distribution   To better understand how palatants influence flavor perception, six wet pet food palatants were evaluated in a chunks-in-gravy (CIG) cat food model, generating six recipes that differed only in the palatant used. Each of the palatants was included at equal levels and applied only to the gravy portion of the recipes.
  Near-infrared (NIR) spectroscopy was used to compare the chunks, gravy, and complete CIG products before retort. Since the chunk formulation remained unchanged across all recipes, the chunk samples were compositionally very similar, as expected. The gravies, however, each contained a different palatant and therefore exhibited clear compositional differences. Analysis of the complete CIG products showed an intermediate profile, reflecting the contribution of both matrices.
  Following retort, flavour profiles of the gravy, chunks, and complete product were analysed using gas chromatography–mass spectrometry (GC–MS). Feeding trials were then used to classify the palatants according to palatability performance. OPLS-DA* analysis showed that samples were grouped according to palatability performance rather than by matrix. In other words, the characteristic flavour profiles associated with high-performing palatants were present in both the gravy and the chunks, despite the palatants being added only to the gravy. This provides strong evidence that volatile flavour compounds migrate between matrices during processing and/or storage.   Designing palatability beyond the gravy   Although flavor migration between gravy and chunks occurs, the point of addition remains critical. Palatants can influence gel stability, chunk texture, and product appearance, meaning their placement has functional as well as sensory implications. A deliberate evaluation of matrix interactions and processing conditions is therefore essential to preserve product structure while optimizing overall palatability. Source: AFB International
  *An OPLS-DA (Orthogonal Partial Least Squares–Discriminant Analysis) score plot is a statistical visualization used to compare complex chemical profiles (volatile and semi-volatile compounds) between predefined groups (high- and lower palatability).