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Informações de mercado

Consumo

08/10/2026

Mercado pet da Argentina ganha força com retomada do consumo e premiumização  

A recuperação do mercado pet argentino começa a abrir espaço para expansão do varejo, maior variedade de produtos e avanço das categorias premium, mesmo com o poder de compra das famílias ainda pressionado. A flexibilização das importações desde 2024 ampliou a oferta de acessórios e brinquedos, enquanto alimentos naturais e úmidos ganharam participação nas vendas.
  A inflação, que chegou a 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, desacelerou, mas continua afetando o consumo. Em julho de 2026, a inflação interanual estava em 33,8%, segundo o INDEC, com alta mensal de 2,1%.
  Para Sebastián Dates, diretor-geral da Câmara Argentina de Empresas de Nutrição Animal (CAENA), o cenário atual traz maior previsibilidade para empresas e consumidores. 'Os salários, porém, ainda não acompanharam integralmente a recuperação, mantendo restrições ao poder de compra', destaca.
  Varejo amplia presença e oferta
A Argentina tem entre 75% e 80% dos lares com animais de companhia, segundo estimativas citadas no levantamento, e o mercado pet movimenta mais de US$ 3,2 bilhões por ano, de acordo com a Kantar.
  A retomada também aparece na expansão das redes especializadas. A Puppis possui 42 lojas na Argentina, enquanto a Natural Life mantém presença em Buenos Aires, na província e em cidades como Mar del Plata, Mendoza e Rosário.
  A abertura parcial às importações ajudou principalmente categorias como acessórios e brinquedos, ampliando a variedade disponível no varejo.   Nutrição premium ganha espaço
A mudança no mix de consumo aparece com mais clareza na alimentação. Na Puppis, os alimentos naturais passaram de 4% para 9% do volume total de vendas ao longo do ano. Os alimentos úmidos também apresentaram crescimento.
  A Natural Life identifica movimento semelhante em produtos de maior valor agregado e associados à saúde preventiva. Em 2025, suas vendas cresceram em um dígito em valores corrigidos pela inflação.
  A comparação regional indica espaço adicional para premiumização. Na operação da Puppis na Colômbia, os alimentos naturais representam 25% das vendas, enquanto produtos congelados e úmidos têm maior penetração que na Argentina.   E-commerce cresce, mas lojas físicas lideram
O comércio eletrônico argentino ganhou escala, impulsionado por plataformas como Mercado Livre e PedidosYa, mas ainda apresenta desempenho inferior ao varejo físico no segmento pet, segundo executivos ouvidos pela GlobalPETS.
  Dados da Câmara Argentina de Comércio Eletrônico (CACE) mostram que as vendas online cresceram 55% em valor em 2025, chegando a ARS 34 trilhões. O número de compradores alcançou 25,1 milhões, enquanto as unidades vendidas avançaram 28%, para 645 milhões.
  No primeiro semestre de 2026, o comércio eletrônico registrou alta de 28% no volume de negócios, com crescimento de 21% nos pedidos e de 22% nas unidades vendidas. Fonte: Panorama Pet&Vet

Consumo

07/10/2026

Mercado de ração para cães e gatos supera 1 milhão de toneladas em 2026  

A indústria de alimentos industrializados para cães e gatos alcançou a marca de pouco mais de 1 milhão de toneladas consumidas no primeiro trimestre de 2026.
  O resultado integra a primeira prévia do setor divulgada pelo Sindirações, que aponta um crescimento geral de 5,4% na produção nacional de nutrição animal, totalizando 22,6 milhões de toneladas de rações produzidas entre janeiro e março.
  Para o acumulado de 2026, a estimativa do Sindirações para o segmento de cães e gatos é atingir aproximadamente 4,15 milhões de toneladas de alimentos processados, consolidando a nutrição pet como uma das cadeias mais estratégicas da indústria no país.   Faturamento bilionário e gargalos no setor pet
O desempenho do setor reflete a força da nutrição no ecossistema de animais de estimação. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABEMPET) mostram que o segmento de pet food encerrou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 41,4 bilhões, valor que representa 53% de todo o mercado pet nacional.
  Apesar do volume expressivo de consumo e das projeções otimistas para 2026, empresários do setor enfrentam desafios para expandir o potencial de mercado. Fatores como a alta carga tributária incidentes sobre os alimentos industrializados, a volatilidade do câmbio para matérias-primas e a desaceleração do consumo das famílias continuam limitando uma expansão ainda maior.

  Produção de rações (milhões de toneladas) (Foto: Divulgação / Sindirações)
Panorama geral da nutrição animal no Brasil
No cenário macro da nutrição animal, o avanço total do setor no trimestre foi impulsionado principalmente pelas cadeias de proteína animal, lideradas pela avicultura de corte (10 milhões de toneladas) e pela suinocultura (5,5 milhões de toneladas).
  Para Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, o desempenho do setor demonstra resiliência, ancorado em ganhos de produtividade e no avanço da nutrição de precisão.
  No total de todas as espécies, o Sindirações prevê fechar o ano de 2026 superando as 98 milhões de toneladas produzidas. Fonte: Cães&Gatos

Notícias do setor

06/10/2026

VIII SINPET debate aplicação da ciência na clínica e na indústria de pet food

A proposta é promover o intercâmbio entre profissionais de diferentes áreas, aproximando o conhecimento produzido na pesquisa das demandas da indústria de pet food e da clínica. Segundo Luciano Trevizan, professor da UFRGS e coordenador do simpósio, o objetivo é discutir como os resultados científicos podem contribuir diretamente para a saúde dos animais e para o desenvolvimento de soluções nutricionais.

'O principal objetivo neste evento é que a gente discuta como a ciência que é gerada dentro dos nossos laboratórios e com a pesquisa pode ser transferida para o benefício direto do animal ou para dentro da indústria, para que sejam geradas soluções nutricionais para animais de companhia', explica.

Em sua oitava edição, o SINPET mantém uma proposta de educação continuada, reunindo profissionais e pesquisadores do Brasil e do exterior para compartilhar conhecimentos e discutir possibilidades de aplicação prática da ciência. Realizado bienalmente, o simpósio também possui caráter itinerante, alternando sua realização entre universidades da região Sul do país.
Programação estratégica para a nutrição de cães e gatos
Ao longo dos dois dias, a agenda abordará diferentes aspectos da nutrição de animais de companhia, com discussões sobre saúde intestinal, microbiota, ingredientes funcionais, digestibilidade, processamento de alimentos e novas tecnologias aplicadas à pesquisa.

No primeiro dia, 15 de outubro, a programação começa com uma discussão sobre a aplicação da ciência na prática, conduzida por Luciano Trevizan. Na sequência, Tânia Miltenburg, coordenadora de formulações da Royal Canin, abordará a transformação das evidências científicas em aplicações técnicas.

Entre os demais destaques estão as apresentações sobre o uso de polifenóis derivados de Acacia mearnsii em dietas para cães, métodos in vitro para determinação da digestibilidade total em cães e gatos e o potencial imunomodulador do colostro. A agenda também contempla os desafios científicos e regulatórios envolvidos no desenvolvimento de novos aditivos para a alimentação animal.

A saúde intestinal terá espaço relevante nas discussões da tarde, com apresentações sobre microbioma, gastroenterologia clínica e aplicações da microbiota fecal na medicina de cães e gatos. A professora Maria Chiara Sabetti, da Universidade de Parma, na Itália, participará de atividades sobre evidências científicas em formulação nutricional e protocolos clínicos para o transplante de microbiota fecal.

No segundo dia, 16 de outubro, a programação terá início com uma abordagem sobre o uso da inteligência artificial na pesquisa em nutrição animal. Outros temas incluem os riscos associados ao transporte de matérias-primas, a conservação de dietas sem aditivos artificiais e a estabilidade de aminas biogênicas durante o processo de extrusão.

As tecnologias de embalagens também estarão entre os assuntos discutidos, considerando a contribuição de suas diferentes camadas para a conservação dos alimentos. Na sequência, a agenda avançará para temas como nutrição e expectativa de vida de cães e gatos, proteínas unicelulares bacterianas, ingredientes funcionais e soluções nutricionais voltadas à saúde intestinal.

O encerramento científico contará com uma apresentação sobre as exigências nutricionais após a adoção de novos métodos de estimativa de aminoácidos, conduzida por Lucas Scarpim, da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Integração entre pesquisa e indústria
A diversidade de assuntos reforça a proposta do SINPET de aproximar diferentes áreas do conhecimento e ampliar as possibilidades de aplicação dos resultados científicos no desenvolvimento de alimentos e soluções nutricionais para animais de companhia.

Para Luciano Trevizan, a reunião de profissionais da indústria e da clínica favorece a discussão sobre como as inovações produzidas na pesquisa podem chegar à prática e contribuir para a alimentação saudável de cães e gatos.

Voltado a estudantes e profissionais de Medicina Veterinária, Zootecnia, Agronomia, Engenharia de Alimentos e áreas relacionadas à nutrição e ao metabolismo de animais de companhia, o VIII SINPET terá carga horária de 16 horas. O evento será realizado presencialmente no Salão de Atos da UFRGS, localizado na Avenida Paulo Gama, 110, em Porto Alegre. 

Mais informações sobre inscrições e programação estão disponíveis no site oficial da Funep. Fonte: All Pet Food

Consumo

01/10/2026

Principais gastos dos tutores nos EUA  

Dados da American Pet Products Association (APPA) mostram que 71 milhões de lares americanos, equivalentes a 53% do total, possuíam ao menos um cão em 2025, enquanto diferentes categorias passaram a registrar comportamentos distintos de consumo. O levantamento apresenta indicadores referentes a 2025 e não informa o número de respondentes ou o período de coleta.   Penetração dos cães nos lares americanos em 2025
  Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Consumidor busca mais valor, sem abandonar o cuidado
Os dados apontam para um comportamento mais orientado à percepção de valor. Em vez de reduzir os cuidados com os animais, os consumidores estão alterando hábitos de compra e avaliando com mais atenção o retorno obtido em cada categoria.
  53% dos lares – americanos possuíam pelo menos um cão em 2025.
  Alimentação seca mantém liderança
A ração seca continua como a base da alimentação dos cães: 72% dos tutores utilizam principalmente alimentos secos, sendo que 60% alimentam seus animais exclusivamente com esse formato e 12% o combinam com outras opções.
  Ao mesmo tempo, cresce a busca por uma alimentação mais flexível. A participação das compras de ração seca básica aumentou de 26% para 30%, enquanto os tutores também incorporam complementos, misturas, caldos e alimentos classificados como human-grade (qualidade humana) à rotina dos animais.   Hábitos de alimentação dos cães Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Gasto com snacks cai, mas frequência de compra aumenta
O comportamento dos consumidores de petiscos revela uma mudança relevante entre valor e volume. Os gastos com snacks caíram 11%, mesmo com aumento na frequência de compra, sinalizando uma seleção mais criteriosa dos produtos adquiridos.
  Por outro lado, o número de tutores que compraram 11 ou mais embalagens de petiscos aumentou 10% no conjunto dos consumidores. Entre os integrantes da geração Z, o crescimento chegou a 56%, indicando maior intensidade de compra dentro desse grupo.
  Mudanças no consumo de petiscos Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Produtos mastigáveis mantêm relevância
Os produtos mastigáveis aparecem entre as categorias com desempenho mais consistente. 65% dos tutores compraram mordedores, enquanto as aquisições cresceram 5% no total.
  Entre os consumidores da geração Z, o avanço nas compras chegou a 16%. Os dados reforçam a presença desses produtos na rotina de consumo, mesmo em um ambiente de maior seletividade na cesta de compras.   Indicadores do mercado de produtos mastigáveis Fonte: American Pet Products Association (APPA)
Lenços de grooming registram o maior avanço
Entre os indicadores apresentados, os lenços destinados ao grooming concentram as maiores taxas de crescimento. A presença do produto nas casas dos EUA aumentou 108%, enquanto as compras cresceram 129%.
  A intenção de compra também avançou de forma expressiva, com alta de 200% nas compras planejadas. Os dados indicam uma expansão acelerada da categoria dentro das tendências observadas pela APPA.
  Crescimento dos lenços de grooming Fonte: American Pet Products Association (APPA) Fonte: Panorama Pet&Vet

Consumo Mercado pet nos EUA atinge US$ 46 bilhões impulsionado pelo crescimento dos gatos
 

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Mercado pet nos EUA atinge US$ 46 bilhões impulsionado pelo crescimento dos gatos  

O mercado norte-americano para produtos e serviços voltados a gatos alcançou a marca de US$ 46,2 bilhões, representando 30% de todo o setor pet no país.
  De acordo com o relatório Cats: US Pet Market Trends and Opportunities, da Packaged Facts (Freedonia Group), o número de lares com felinos segue crescendo nos EUA, impulsionado por mudanças demográficas e custos de vida que favorecem a escolha por gatos em detrimento dos cães.
  Entre as razões do avanço estão o aumento de moradores em imóveis alugados e o menor custo de manutenção dos felinos, citado por 25% dos responsáveis como fator decisivo.   O que impulsiona o crescimento e os gastos do setor?
Com responsáeis enxergando os gatos como membros da família, os gastos com alimentação premium, cuidados preventivos, saúde na velhice e controle de ansiedade ganharam força. Além da nutrição especializada, o mercado vê alta demanda por produtos de higiene — como areias sanitárias e controle de odor — e dispositivos tecnológicos para a rotina diária.
  A pesquisa revelou ainda que, pela primeira vez em anos, o número de lares que adotaram gatinhos superou o de filhotes de cães, garantindo um forte impulso de consumo para os próximos anos.   Novas oportunidades e mercado de futuro
O estudo aponta grandes oportunidades para fabricantes e serviços voltados a gatos idosos, nutrição funcional e soluções comportamentais.
  Com a transição do mercado para produtos de maior valor agregado, marcas que investirem em saúde e inovação para felinos estarão bem posicionadas para liderar o setor.   Sobre o mercado pet felino nos EUA
Quanto o mercado de gatos movimenta nos Estados Unidos?
O mercado de produtos e serviços para gatos movimenta aproximadamente US$ 46,2 bilhões anuais, o que equivale a 30% de toda a indústria de animais de estimação nos EUA.
  Por que a posse de gatos superou a de cães em crescimento?
A alta nos custos de moradia e a busca por animais de manutenção mais prática levaram mais consumidores jovens, idosos e inquilinos a optarem por felinos.
  Quais são as principais prioridades de compra dos responsáveis de gatos?
Os responsáveis priorizam a saúde e a longevidade dos pets, investindo em nutrição premium, cuidados preventivos, produtos para gatos idosos e itens de higiene e bem-estar. Fonte: Cães&Gatos

Consumo Alimentos frescos para cães superam ração seca em ritmo de expansão
 

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Alimentos frescos para cães superam ração seca em ritmo de expansão  

O segmento de alimentos frescos e congelados para cães registrou uma taxa de crescimento anual de 24,5% entre 2021 e 2025 — quase quatro vezes superior aos 5,7% da categoria total de alimentos e petiscos para cães no mesmo período. Os dados são de um novo relatório do Cascadia Pet Industry Insights sobre o mercado dos Estados Unidos.
  O avanço ocorre apesar da maior sensibilidade dos tutores a preço, o que reforça a resiliência da premiumização mesmo em um cenário de orçamento familiar mais apertado.   Avanço ocorre às custas dos alimentos úmidos
Segundo o relatório, os ganhos de participação dos frescos e congelados vêm principalmente da queda na fatia dos alimentos úmidos de prateleira, segmento em perda consistente de espaço.
  Dentro do levantamento, a categoria de alimentos e petiscos para cães está dividida em quatro segmentos:
  Alimentos frescos e congelados: 11% das vendas de alimentos e 8% da categoria total, com faturamento de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,16 bilhões) Alimentos úmidos de prateleira: 22% das vendas de alimentos e 15% da categoria, com US$ 2,4 bilhões (R$ 12,31 bilhões) Petiscos: 31% das vendas da categoria, movimentando US$ 4,9 bilhões (R$ 25,14 bilhões) em 2025 Alimentos secos de prateleira (kibble): 67% das vendas de alimentos e 46% da categoria total, com US$ 7,1 bilhões (R$ 36,42 bilhões)   Humanização e inovação sustentam a curva de crescimento
A Cascadia atribui o desempenho da categoria aos mesmos vetores que impulsionam a premiumização em outros segmentos pet: a humanização dos animais de companhia, a entrada de um número crescente de marcas inovadoras e a conscientização dos tutores sobre os benefícios de alimentos menos processados.
  O relatório destaca ainda a baixa penetração nos lares como principal oportunidade de expansão. Em 2025, apenas 10% das famílias compraram alimentos frescos para cães, contra 61% que adquiriram algum tipo de alimento para cães no período — uma lacuna significativa de mercado ainda a ser explorada.   Preço premium não reduz a demanda
Os alimentos frescos e congelados podem custar mais que o dobro por quilo em comparação à ração seca. Ainda assim, o preço elevado não reduziu a demanda, mesmo diante da pressão econômica sobre os orçamentos familiares.
  De acordo com o Cascadia, 96% dos consumidores pretendem manter ou aumentar os gastos com alimentos frescos para pets no futuro próximo. O banco de investimentos explica essa resiliência pelo perfil de maior renda dos consumidores do segmento e pelo alto custo de substituição associado à troca do alimento principal dos cães. Fonte: Panorama Pet&Vet


Os nossos editores

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Tendências

Sustentabilidade

14/10/2026

A pegada invisível do pet food: o custo ambiental das decisões tomadas sem inteligência de mercado

A indústria de alimentos para pets avançou significativamente em sustentabilidade. Fabricantes, fornecedores e varejistas estão investindo cada vez mais recursos para melhorar a eficiência energética, reduzir desperdícios, otimizar rotas logísticas e desenvolver alternativas de embalagem com menor impacto ambiental.

Essas são iniciativas necessárias e valiosas. No entanto, há uma questão que raramente surge nas conversas do setor. Qual o custo ambiental de uma decisão errada gera? A pergunta pode parecer estranha, mas se torna cada vez mais relevante em um setor que opera em ambientes de complexidade crescente, onde as decisões envolvem investimentos bilionários, cadeias de suprimentos internacionais, capacidades industriais de longo prazo e consumidores cujos hábitos estão em constante evolução.

Quando falamos de sustentabilidade, tendemos a focar no que acontece depois que uma decisão é tomada, ou seja, o que acontece dentro da fábrica, durante a distribuição ou no ponto de venda. É muito menos comum analisar o que acontece primeiro.
Muitas das pegadas mais caras são geradas na sala de reuniões
Há uma tendência natural de associar impacto ambiental à manufatura. No entanto, algumas das decisões com maiores consequências para a eficiência dos recursos são tomadas muito antes de uma fábrica produzir um único quilograma de ração.

Um investimento superdimensionado, uma expansão baseada em expectativas irreais ou uma leitura incorreta do mercado podem levar a anos de ineficiências operacionais difíceis de corrigir depois. Quando isso acontece, o problema não é mais apenas financeiro. Isso também se traduz em recursos mobilizados, capacidade instalada, estoques e esforços comerciais que acabam buscando uma oportunidade diferente daquela que realmente existia.

A sustentabilidade geralmente é medida após a produção. Talvez parte da conversa deva começar antes de investir.

Vamos pensar em uma empresa que decide expandir a capacidade de produção para uma categoria que aparentemente crescerá nos próximos anos. A decisão parece lógica. No entanto, se o crescimento real estiver concentrado em segmentos específicos, se houver capacidade sobrante suficiente no mercado ou se a demanda evoluir de forma diferente do esperado, a consequência pode ser um investimento subutilizado por anos. Isso é muito comum.

O mesmo vale para lançamentos. Diversos estudos sobre produtos de consumo em massa estimam que uma proporção significativa dos novos produtos não alcança os objetivos comerciais originalmente estabelecidos. Por trás de cada um desses projetos, havia matérias-primas, embalagens, capacidade industrial, transporte, armazenamento, tempo executivo e recursos financeiros que foram mobilizados para capturar uma oportunidade que acabou sendo menor do que o esperado.

Normalmente, analisamos esses casos sob uma perspectiva financeira. No entanto, eles também representam um uso ineficiente dos recursos que poderia ter sido evitado com uma compreensão mais profunda do mercado.
A indústria tem dados, mas nem sempre tem arquitetura
Nesse contexto, a maioria das empresas tem informações suficientes para entender seu próprio negócio: vendas, custos, clientes, estoques, margens, eficiência operacional e desempenho por canal. Embora isso geralmente não seja o problema central.

O desafio surge quando a decisão exige entender todo o sistema, ou seja, quando uma empresa precisa saber se o crescimento de uma categoria vem de maior consumo real ou apenas da inflação; se o volume adicional está sendo concentrado em poucos players ou abre espaço para novos concorrentes; se uma expansão regional justifica seu próprio investimento ou pode ser resolvida pela capacidade existente; se o canal de crescimento também capta valor;  Ou só movimenta volume com menos lucratividade. Respostas assim raramente permanecem em um único banco de dados. Geralmente, ele é fragmentado entre áreas comerciais, relatórios de mercado, distribuidores, fornecedores, plantas, clientes e conhecimento acumulado por equipes locais. Por essa razão, muitas decisões não falham por falta absoluta de informação, mas por falta de uma leitura integrada do mercado. A diferença é enorme. Uma empresa pode ter muitos dados e ainda assim não ter uma arquitetura clara para decidir.
O Verdadeiro Custo da Incerteza
Por anos, a indústria aprendeu a medir toneladas, participação de mercado, vendas e produtividade, indicadores fundamentais para gerenciar qualquer negócio. No entanto, há um custo que raramente aparece nos tabuleiros: a incerteza.

A incerteza se manifesta quando uma organização desenvolve mais SKUs do que o mercado realmente precisa. Da mesma forma, quando investe em categorias cuja lucratividade futura foi superestimada; quando leva meses para identificar o parceiro industrial certo; quando desenvolve capacidades que acabam operando abaixo do seu potencial, ou quando lança produtos cuja proposta de valor nunca foi suficientemente validada.

Cada um desses erros gera custos visíveis e invisíveis. Os visíveis aparecem nas demonstrações financeiras. Os invisíveis aparecem na forma de recursos, tempo, energia, transporte, materiais e esforços que poderiam ter sido alocados a oportunidades com maior probabilidade de sucesso.
A próxima vantagem competitiva será a qualidade das decisões
Ao longo da história da indústria de alimentos para pets, vantagens competitivas estiveram associadas a melhores plantas, melhores fórmulas, melhores processos de produção e melhores redes de distribuição.

Todos esses fatores continuarão a ser importantes. No entanto, a próxima vantagem competitiva da indústria provavelmente não virá de uma planta ou fórmula melhor, mas de uma melhor compreensão do sistema.

Os mercados não operam em compartimentos isolados; Nem as decisões. Assim como um investimento industrial afeta a estrutura competitiva, uma mudança nos canais modifica a lucratividade. Por outro lado, a disponibilidade de capacidade produtiva altera barreiras à entrada, enquanto a evolução do consumidor redefine categorias inteiras.

O desafio é entender como essas variáveis interagem antes de comprometer recursos. Em mercados cada vez mais complexos, os erros mais caros raramente vêm de uma má execução de uma estratégia; geralmente vêm de interpretar uma oportunidade ruim desde o início.
Otimizar decisões reduz a pegada de carbono e melhora nosso negócio
A indústria continuará inovando em ingredientes, embalagens e processos. No entanto, algumas das maiores oportunidades de melhoria não estão dentro das fábricas, mas antes que um investimento, lançamento ou expansão seja aprovado.

As empresas que enxergam além dos limites do próprio negócio e compreendem a dinâmica do mercado como um todo estarão melhor posicionadas para direcionar investimentos, reduzir riscos estratégicos e transformar oportunidades em crescimento sustentável. Por Iván Franco
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Iván Franco

Sustentabilidade

13/10/2026

Do campo à tigela: uma análise para maximizar os impactos na sustentabilidade

As multinacionais que lideram o setor já estão traçando o caminho e estabelecendo o padrão. A Nestlé assumiu fortes compromissos públicos para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e alcançar emissões líquidas zero, dando grande peso ao impulso pela agricultura regenerativa. A Mars Petcare busca uma redução de 50% em sua pegada de carbono em toda a sua cadeia e implementou metas agressivas para transformar suas embalagens em termos de economias circulares.
Por que os gigantes da categoria investem tantos recursos nisso?  
Como os consumidores exigem maior responsabilidade; os recursos naturais são finitos e a viabilidade financeira a longo prazo depende da capacidade de adaptação.

Para entender como podemos maximizar nossos impactos, vamos explorar a cadeia de suprimentos sob uma perspectiva holística: do campo à tigela. Como já mencionei em outras ocasiões, a fábrica pode parecer um mundo mágico onde matérias-primas entram e produtos embalados com valor agregado nascem, mas cada etapa, dentro e fora dessa magia, deixa uma pegada ambiental que a área comercial, junto com outras operações, deve saber gerenciar e comunicar.
O campo: aquisição de matérias-primas e ingredientes
O processo de fabricação de ração para pets é complexo. A qualidade do produto final depende, em grande parte, da qualidade dos ingredientes. No entanto, no ecossistema atual, essa "qualidade" também deve considerar a origem e o impacto no planeta. Agricultura e pecuária representam indiscutivelmente a maior parte da pegada de carbono do nosso setor.
  Agricultura regenerativa e pecuária: Devemos fazer a transição para fornecedores que apliquem práticas que melhorem a saúde do solo, otimizem o uso da água e capturem carbono atmosférico.
  Sustentabilidade nas proteínas: redesenhar a cadeia de suprimentos para evitar o risco de desmatamento em matérias-primas críticas e apostar em obter fontes 100% certificadas ou até mesmo avaliar o uso de proteínas alternativas com menor carga ambiental.
  O Processo: Operações e Manufatura
Dentro da planta de produção, cada etapa apresenta grandes oportunidades. Muitas vezes, as melhores ideias surgem da observação cuidadosa e de um entendimento profundo do processo de produção. O melhor de tudo é que a inovação sustentável nem sempre exige orçamentos milionários.
  Gestão de energia e água: a mudança progressiva para fontes de energia renovável nas usinas e a otimização radical no uso da água industrial são passos fundamentais para a descarbonização da produção.
  Inovação de baixo esforço e alto impacto: melhorar a digestibilidade da ração reduzirá o desperdício biológico dos pets. Da mesma forma, na ração seca, monitorar e criar parâmetros de pressão e temperatura mais eficientes durante a extrusão não é apenas vital para a qualidade do produto, mas também reduz drasticamente o consumo de energia.
  A embalagem: o rosto do produto
A embalagem protege o alimento da umidade, luz e oxigênio, e fornece informações vitais ao consumidor. No entanto, a dependência histórica de plásticos multicamada representa uma grande responsabilidade ambiental.
  Economia circular dos materiais: o uso de materiais de embalagem mais sustentáveis, como embalagens monomateriais recicláveis ou compostáveis, reduz o impacto ambiental e atrai consumidores cada vez mais conscientes. Isso não exige modificar a fórmula do alimento, mas gera um impacto extremamente positivo na imagem da marca.
  Eficiência logística: Do ponto de vista logístico, melhorar a porcentagem de enchimento ou redimensionar as embalagens para torná-las mais eficientes pode trazer economias operacionais em grande escala. Caixas e paletes otimizados  resultam em menos caminhões nas estradas, o que diminui o gasto e as emissões de combustíveis fósseis. Da mesma forma, aderir à revolução da eletromobilidade também contribuirá para o maior esforço de sustentabilidade.
  A tigela: merchandising e marketing
As áreas comerciais devem ser embaixadoras honestas da sustentabilidade da marca. A escolha do material da embalagem e o design do rótulo são decisões estratégicas, pois representam o primeiro elemento de comunicação nas prateleiras antes de chegar à tigela do pet.
  Marketing com substância: É vital que as áreas de negócio conheçam os detalhes sobre o impacto ambiental de certos ingredientes-chave e iniciativas operacionais da fábrica. Ao comunicar esses esforços com dados reais, a empresa fortalece sua posição no mercado.
  Transparência como vantagem competitiva: Compreender o processo "field to bowl" permite que a equipe de vendas responda com precisão a perguntas sobre métodos de fabricação, origens e controles de qualidade. Essa transparência constrói credibilidade, promove relacionamentos de longo prazo e nos afasta dos enormes riscos reputacionais do greenwashing.   Um chamado à ação através da cadeia
A inovação voltada para a sustentabilidade é uma estratégia vencedora de longo prazo na indústria de alimentos para pets. Ao compreender profundamente a cadeia de valor, a área comercial pode desencadear uma onda de ideias criativas que melhoram os produtos, otimizam custos e atendem a novas demandas do mercado.

No entanto, alcançar o objetivo de um modelo de negócios verdadeiramente responsável não é uma tarefa restrita ao departamento de qualidade ou meio ambiente; é um esforço sistêmico que vai desde compras agrícolas até a  pet shop do bairro.

Encerro este artigo com um convite genuíno a todos os atores do ecossistema (fabricantes, fornecedores de matérias-primas, veterinários e varejistas). Vamos parar um momento para examinar nossas próprias operações: onde podemos gerar menos desperdício? Que inovação silenciosa podemos implementar hoje? 

O sucesso sustentável da indústria dependerá da nossa capacidade de alimentasr os pets com a mesma dedicação com que preservamos o único planeta que temos para compartilhar com eles. Por Felipe Martínez R.
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Felipe Martínez R.

Sustentabilidade

29/09/2026

O futuro do pet food será mais eficiente

Hoje, as estratégias mais eficazes não dependem necessariamente de grandes mudanças, mas de melhorias inteligentes na formulação, eficiência nutricional e utilização de recursos. De  ingredientes  upcycled a micronutrientes altamente biodisponíveis, o futuro do pet food sustentável está sendo construído em pequenas soluções com grandes impactos.

Tradicionalmente, a sustentabilidade na ração para pets estava associada apenas à embalagem reciclável ou à redução do plástico, mas o verdadeiro impacto ambiental começa muito antes, nos ingredientes, em sua origem e na eficiência com que o animal utiliza cada nutriente.

Uma fórmula nutricionalmente eficiente pode reduzir o uso de matérias-primas, resíduos metabólicos, emissões associadas à produção e a quantidade total de ração necessária. Essa possibilidade levou as marcas a repensar a formulação a partir de uma lógica de precisão nutricional.

A questão não é mais quanto ingrediente um alimento contém, mas quanto valor funcional ele realmente oferece. Uma das estratégias mais importantes em sustentabilidade é o uso de  ingredientes upcycled, o que significa, materias primas recuperados de outras cadeias alimentares que antes acabavam como resíduos. Esses ingredientes mantêm alto valor nutricional e podem ser reincorporados de forma eficiente em formulações para pets.

Alguns exemplos incluem proteínas recuperadas de processos da indústria de alimentos, coprodutos da ricos em fibra e proteína, polpas vegetais com propriedades funcionais, leveduras provenientes de fermentação, óleos reaproveitados sob controle de qualidade e frutas ou vegetais descartados por padrões estéticos, mas passíveis de valorização como ingredientes para nutrição animal.

O benefício ambiental é evidente: menos desperdício, menor pressão agrícola, redução de emissões e melhor uso dos recursos existentes.

Além disso, há uma vantagem econômica importante. Ingredientes reciclados  normalmente oferecem maior estabilidade de custo em comparação com matérias-primas tradicionais, sujeitas à volatilidade global. Isso faz da economia circular uma estratégia tanto ambiental quanto financeira.

No entanto, a verdadeira revolução silenciosa ocorre nos microingredientes funcionais. Esses componentes atuam em pequenas concentrações, mas geram melhorias significativas na digestibilidade, saúde intestinal, absorção e desempenho metabólico. Graças a isso, permitem que dietas mais eficientes sejam formuladas usando menos recursos globais. Por exemplo, microalgas se tornaram uma alternativa estratégica ao óleo de peixe e fornecem DHA, antioxidantes, pigmentos naturais e proteínas funcionais. Além disso, sua produção exige menos terra e reduz a pressão sobre os ecossistemas marinhos.

Outro exemplo são os minerais inorgânicos tradicionais, que apresentam perdas significativas porque grande parte deles não é devidamente absorvida. Nesse sentido, minerais quelados têm maior biodisponibilidade, o que permite o uso de doses menores, redução das excreções e diminuição da carga ambiental. É um exemplo claro de como a eficiência nutricional também é sustentável. Minerais quelados desempenham um papel central porque maximizam o rendimento sem aumentar proporcionalmente o uso de recursos. 

Dessa forma, uma formulação precisa permite que perfis proteicos sejam complementados por aminoácidos específicos e peptídeos bioativos. Isso reduz a necessidade de superformular a proteína total, diminuindo o impacto ambiental associado a ingredientes de alto custo ecológico. Em outras palavras, mais nutrição com menos proteína.

Uma das mudanças mais importantes do setor é o surgimento de novos indicadores de sustentabilidade. Não basta mais medir a pegada de carbono de um ingrediente; A digestibilidade, conversão nutricional, absorção real e eficiência metabólica também são agora avaliadas. Uma ração mais digestível requer menos volume para oferecer o mesmo benefício nutricional. Isso reduz o impacto do transporte, produção, desperdício e pressão sobre matérias-primas. A sustentabilidade futura será cada vez mais uma questão de eficiência biológica. 

Em especial, as proteínas, que continuam sendo o principal ingrediente para o dono do animal, são o principal foco ambiental da ração para pets. Por essa razão, soluções híbridas que combinam diferentes fontes de proteína para otimizar o desempenho e reduzir o impacto estão crescendo. Entre os mais relevantes estão: 
  Proteína de insetos por sua alta digestibilidade, baixo consumo de água e menores emissões. Produção de compostos funcionais sem a necessidade de pecuária intensiva. Otimização de proteínas vegetais.
  O objetivo não é eliminar proteína animal, mas sim construir sistemas mais resilientes e eficientes.

Um termo que estará mais presente na fabricação de ração para pets é ter a LCA (do inglés Life Cycle Assessment) de cada uma de nossas matérias-primas. LCA é uma metodologia que avalia o impacto ambiental associado a todas ou algumas etapas do ciclo de vida de um produto, desde a extração da matéria-prima até seu descarte ou um ponto final definido, como a fábrica.

Por anos, muitas empresas viam a sustentabilidade como um custo adicional. Hoje, ela é entendida como uma ferramenta de competitividade. Marcas capazes de otimizar formulações, reduzir desperdício, melhorar a eficiência digestiva e utilizar ingredientes funcionais de alta precisão podem, ao mesmo tempo, reduzir custos e gerar diferenciação premium, estabilidade de oferta e aumento do valor da marca.

A próxima geração pet food não será definida apenas pela porcentagem de proteína ou rótulos "naturais". A verdadeira liderança virá da capacidade de produzir nutrição funcional com a menor pegada de carbono possível. Nesse cenário, microingredientes, micronutrientes altamente biodisponíveis e  ingredientes upcycled  deixarão de ser tendências e se tornarão pilares estruturais da indústria. 

A inovação mais poderosa não será produzir mais alimentos, mas garantir que cada grama de nutrientes tenha o máximo impacto positivo com o mínimo impacto ambiental. Por MVZ Armando Enriquez de la Fuente Blanquet
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Armando Enriquez de la Fuente Blanquet

Sustentabilidade

08/09/2026

Repensando a sustentabilidade no pet food: ingredientes upcycled e renderizados como ferramentas estratégicas para as pessoas, os pets e o planeta

Para os fabricantes de alimentos para pets, os objetivos ambientais não podem ser abordados isoladamente da nutrição, custo, palatabilidade, segurança ou desempenho no processamento. Uma formulação pode parecer atraente do ponto de vista ambiental, mas se comprometer a digestibilidade, aceitação, eficiência de fabricação, confiabilidade do fornecimento ou acessibilidade do produto, ela terá dificuldades para competir no mercado. O desafio é reduzir o impacto ambiental mantendo o desempenho e a lucratividade.

Em última análise, um alimento sustentável deve equilibrar as necessidades dos tutores, animais de estimação e do planeta, oferecendo dietas seguras e nutritivas, enquanto promove o uso responsável dos recursos naturais e apoia sistemas alimentares economicamente viáveis. Isso está alinhado com o conceito mais amplo de sustentabilidade nutricional, que considera a adequação nutricional junto com as dimensões ecológicas, sociais e econômicas do sistema alimentar (Swanson et al., 2013).

Ingredientes upcycled e renderizados merecem atenção renovada porque contribuem para a redução de resíduos, recuperação de nutrientes, eficiência de recursos e as realidades econômicas da produção de alimentos para pets.
Repensando o conceito de "subproduto"
Uma das principais e mais amplas barreiras para a aceitação desse tipo de ingredientes não é apenas técnica, mas também linguística. Termos como "subproduto", "farinha" ou "renderizado" podem ser mal interpretados pelos consumidores, mesmo quando os ingredientes são seguros, nutritivos e funcionais.

Um subproduto não é, por definição, um material de baixa qualidade. A AAFCO define subprodutos como "subprodutos gerados além do produto principal" (AAFCO, s.d.). Na ração para pets, muitos subprodutos vêm do sistema alimentar humano. Elas podem incluir órgãos, ossos, gorduras, tecidos conjuntivos, aparas ou outras frações ricas em nutrientes que não são comumente consumidas em certos mercados, mas ainda contêm proteínas, gorduras, minerais e compostos funcionais valiosos.

Essa distinção é importante. Cães e gatos não precisam de ingredientes porque são atraentes para humanos; Eles precisam de nutrientes. Proteínas, aminoácidos, ácidos graxos essenciais, minerais, vitaminas e energia podem vir de múltiplas fontes de ingredientes. O papel do formulador é avaliar esses materiais com base em sua contribuição nutricional, segurança, digestibilidade, consistência e adequação ao produto-alvo.

Ao mesmo tempo, a percepção do consumidor é importante. Ingredientes renderizados ainda são usados em toda a indústria, mas nos segmentos premium e super premium, muitos consumidores associam carne fresca, carnes identificadas por espécie ou a presença de carne como o primeiro ingrediente de maior qualidade. Isso não torna os ingredientes renderizados menos valiosos, mas exige uma estratégia de posicionamento mais cuidadosa. A tarefa da indústria é comunicar como diferentes fluxos de ingredientes contribuem para nutrição, sustentabilidade, acessibilidade e desempenho, sem ignorar expectativas que influenciam as decisões de compra.
Ingredientes upcycled, derretidos e nutrição circular 
Nas conversas sobre sustentabilidade, os termos upcycled, "renderizado" e "circular" às vezes são usados como sinônimos. Eles são relacionados, mas não idênticos.
  Ingredientes upcycled  representam o conceito mais amplo. A Upcycled Food Association define  alimentos upcycled  como aqueles que utilizam ingredientes que, de outra forma, não seriam destinados ao consumo humano, produzidos por meio de cadeias de suprimentos verificáveis e com impacto ambiental positivo (Upcycled Food Association, s.d.). Na ração para pets, isso pode incluir fluxos secundários provenientes do processamento de alimentos, agricultura, fermentação, moagem de grãos, processamento de oleaginosas, produção de frutas e vegetais, processamento de frutas do mar, laticínios e produção de proteínas animais. Seu valor está em redirecionar nutrientes utilizáveis de resíduos ou aplicações de menor valor para produtos seguros e úteis. 
  Os ingredientes renderizados são mais específicos. A renderização  é o processo pelo qual materiais de origem animal, como carne, ossos e gorduras, são recuperados e transformados em gorduras e proteínas estáveis que podem ser usados para alimentos animais e de estimação, biocombustíveis e outras aplicações (North American Renderers Association, s.d.). Na ração para pets, esses ingredientes podem incluir farinha de aves, farinha de carne e osso, gordura animal, gordura de aves, palatabilizantes e farinhas proteícas especiais. Esses materiais geralmente são derivados de partes animais que não são consumidas em certos mercados, mas ainda assim são ricas em proteínas, gorduras, minerais e outros nutrientes. 

Portanto, os ingredientes renderizados podem fazer parte de uma estratégia nutricional circular ou upcycled  , pois permitem a recuperação de nutrientes dos sistemas alimentares e pecuários. No entanto, nem todos os ingredientes upcycled são renderizados. Esses materiais também podem incluir bagaço de cervejaria, residuos de frutas, fibras vegetais, farinhas oleaginosas, coprodutos de fermentação, aparas de frutos do mar e outras fontes ricas em nutrientes.
  A nutrição circular é a estrutura que conecta as duas categorias. A economia circular baseia-se na eliminação de desperdícios, na manutenção de produtos e materiais circulando em seu valor máximo e na regeneração de sistemas naturais (Fundação Ellen MacArthur, s.d.). Aplicada à alimentação para pets, a nutrição circular pode ser entendida como o uso intencional de fontes seguras e nutritivas provenientes dos sistemas alimentares e agrícolas existentes para reduzir desperdícios, melhorar a eficiência dos recursos e entregar valor nutricional. Sob essa abordagem, ingredientes upcycled e renderizados não são alternativas de segunda linha, mas ferramentas estratégicas para projetar alimentos que beneficiem pessoas, pets e o planeta.    A sustentabilidade deve andar lado a lado com o desempenho
O valor ambiental dos ingredientes upcycled e renderizados atinge seu máximo potencial quando combinado com forte desempenho nutricional e comercial. Um ingrediente responsável também deve demonstrar eficácia na formulação, processamento e alimentação.

No caso de farinhas derretidas e  fontes de proteína recicladas, envolve avaliar perfis de aminoácidos, digestibilidade, teor de cinzas, balanço mineral, qualidade da gordura, frescura, palatabilidade, compatibilidade de processamento, custo de uso e confiabilidade do fornecimento. Para gorduras e óleos, significa entender a densidade energética, o perfil de ácidos graxos, a estabilidade oxidativa e sua contribuição para a palatabilidade. Para hidrolisados e frações especiais, isso significa considerar o perfil peptídico, posicionamento funcional, solubilidade, sabor e suporte para alegações comerciais.

O objetivo não é substituir o desempenho pela sustentabilidade, mas identificar ingredientes onde os dois aspectos se reforçam mutuamente. Ingredientes renderizados e upcycled  podem contribuir para esse equilíbrio porque fornecem nutrientes concentrados, cadeias de suprimentos consolidadas, estruturas de custo favoráveis e grande utilidade na formulação.

Isso também está relacionado à sustentabilidade nutricional. Um sistema alimentar sustentável para pets deve fornecer nutrição adequada, segura e eficaz, equilibrando considerações ambientais, sociais e econômicas. Na prática, a sustentabilidade é determinada pelos ingredientes selecionados, pela eficiência com que os nutrientes são fornecidos, pelo grau de digestibilidade da dieta e pela quantidade de alimento que o animal de estimação consome (Swanson et al., 2013).
Cinco Estratégias para Repensar a Sustentabilidade no Pet Food Formule para entrega eficiente de nutrientes sem perder de vista o posicionamento de mercado. Os ingredientes devem ser avaliados de acordo com o que eles fornecem, tanto do ponto de vista nutricional quanto funcional. Ao mesmo tempo, produtos premium e super premium também devem atender às expectativas dos consumidores em relação à identidade dos ingredientes, apresentação do rótulo e valor percebido. A oportunidade é combinar ambas disciplinas: uma formulação criteriosa e um posicionamento de mercado respaldado por evidências.
  Use uma variedade de fontes de proteína. Nenhuma fonte única de proteína precisa assumir toda a carga nutricional, ambiental e comercial de um produto. Proteínas renderizadas podem ser combinadas com carnes frescas ou congeladas, proteínas vegetais, proteínas de levedura, ingredientes marinhos, hidrolisados, proteínas de insetos ou proteínas unicelulares para otimizar o equilíbrio de aminoácidos, custo, palatabilidade, apelo no rótulo e perfil ambiental.
  Meça a qualidade com mais precisão. Proteína e gordura bruta são pontos úteis de partida, mas não o suficiente. Uma avaliação mais completa deve incluir perfil de aminoácidos, digestibilidade de proteínas, qualidade da gordura, índice de peróxido, valor de anisidina, ácidos graxos livres, equilíbrio de cinzas e minerais, qualidade microbiológica e resposta palatável. Isso é especialmente importante para ingredientes, onde a frescura, o controle do processo e o manuseio de matérias-primas podem influenciar significativamente o rendimento.
  Incorporar a sustentabilidade na cadeia de suprimentos. A seleção de ingredientes deve incluir documentação sobre rastreabilidade, sistemas de segurança alimentar, controles de renderização, programas de qualidade dos fornecedores, eficiência energética e relatórios ambientais. A sustentabilidade deve fazer parte da seleção de fornecedores, desenvolvimento de especificações e garantia de qualidade, e não apenas uma declaração de marketing após a conclusão da formulação.
  Comunique cuidadosamente a nutrição circular. Os consumidores podem se interessar por sustentabilidade, mas também são sensíveis à linguagem utilizada. Alegações falsas podem prejudicar a confiança. Uma abordagem melhor é explicar que ingredientes upcycled e renderizados ajudam a recuperar nutrientes dos sistemas alimentares existentes, reduzem o desperdício, apoiam o uso eficiente dos recursos e contribuem para uma nutrição completa e equilibrada.   Meça a pegada e o impacto da formulação
A próxima etapa da sustentabilidade no pet food exigirá melhores sistemas de medição. Pegada de carbono, uso de água e solo, escassez de ingredientes, distâncias de transporte, digestibilidade e densidade de nutrientes podem fazer parte de decisões de formulação cada vez mais avançadas. Ferramentas de análise do ciclo de vida e dados específicos de fornecedores podem ajudar as empresas a comparar alternativas com mais precisão.

No entanto, ingredientes renderizados e upcycled  requerem uma avaliação cuidadosa porque muitos deles são co-produtos de sistemas já existentes. Seu valor ambiental está ligado à metodologia e ao fato de que recuperam nutrientes que poderiam ser descartados, compostados, enviados a aterros sanitários ou destinados a aplicações de menor valor. Reduzir a comparação a ingredientes de fontes "animais" e "vegetais" pode ocultar essas nuances.

A indústria precisa de ferramentas que considerem não apenas o impacto ambiental por quilograma de ingrediente, mas também o impacto ambiental por unidade de nutriente digerível fornecido. Isso é especialmente relevante para proteínas, gorduras e ingredientes ricos em minerais. Um material que fornece baixa nutrição pode não ser tão sustentável quanto uma opção densa em nutrientes que apoia a formulação e a eficiência alimentar.
Repensando a proteína e repensando o valor
O futuro sustentável do pet food não será construído apenas sobre ingredientes inovadores. A inovação não continuará apenas por meio de novas fontes de proteína, ingredientes derivados da fermentação, nutrição de precisão e melhores soluções de embalagem, mas também dependerá do uso mais inteligente dos fluxos de nutrientes já existentes.

Ingredientes upcycled e renderizados oferecem uma ponte entre responsabilidade ambiental, nutrição dos pets, acessibilidade e desempenho industrial. Eles podem ajudar a reduzir o desperdício, apoiar a nutrição circular e manter a qualidade nutricional e a viabilidade econômica exigidas pelo mercado.

Nesse sentido, repensar a proteína também significa repensar o valor. A questão não se baseia apenas em sua origem, mas em quão completamente, responsável e inteligentemente o utilizamos. Para a indústria pet food, essa pode ser uma das oportunidades de sustentabilidade mais importantes dos próximos anos. Por Juan Gomez-Basauri, Ph.D. – MAGELLAN LLC
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
AAFCO n.d. 'Byproducts.' Accessed June 17, 2026 (https://www.aafco.org/consumers/understanding-pet-food/byproducts/) 
Ellen MacArthur Foundation. n.d. "Circular Economy Introduction." Accessed June 17, 2026. https://www.ellenmacarthurfoundation.org/topics/circular-economy-introduction/overview.
Kelly S. Swanson, Rebecca A. Carter, Tracy P. Yount, Jan Aretz, Preston R. Buff. Nutritional Sustainability of Pet Foods. Advances in Nutrition. Volume 4, Issue 2, 2013. Pages 141-150, https://doi.org/10.3945/an.112.003335
North American Renderers Association. n.d. "Animal Rendering - What Is Rendering." Accessed June 17, 2026. https://nara.org/what-is-rendering/.
Upcycled Food Association. 2020. "About Upcycled Food." Accessed June 17, 2026. https://www.upcycledfood.org/upcycled-food.

Por Dr. Juan Gómez Basauri

Inteligência artificial  Utilizando Inteligência Artificial para Prever a Palatabilidade de Alimentos para Animais de Estimação

3+ MIN

 Utilizando Inteligência Artificial para Prever a Palatabilidade de Alimentos para Animais de Estimação

POR QUE ISSO IMPORTA
A palatabilidade é um dos principais fatores de sucesso de um produto na área de alimentos para animais de estimação. No entanto, prevê-la continua sendo um desafio. O desenvolvimento ainda depende muito de testes iterativos em animais, que são demorados, dispendiosos e, muitas vezes, identificam falhas tardiamente no processo.
  Na AFB, estamos mudando essa abordagem usando inteligência artificial (IA) para prever os resultados de palatabilidade antes dos testes. Ao combinar dados históricos com conhecimento de formulação, ajudamos a transformar o desenvolvimento de um processo de tentativa e erro para um processo mais direcionado e eficiente.
  O DESAFIO
A palatabilidade resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo ingredientes, níveis de inclusão, sistemas de gordura, processamento e variabilidade animal. Essas interações são complexas e não lineares, o que dificulta a previsão dos resultados.
  Devido a essa complexidade, as abordagens tradicionais têm dificuldade em explorar o espaço de formulações de forma eficiente e em fornecer soluções de alto desempenho de forma consistente.   UMA NOVA ABORDAGEM: DOS TESTES À PREVISÃO
Em vez de nos basearmos apenas em experimentos, integramos dados de diferentes ensaios e formulações para identificar padrões e prever resultados.
  Nossos modelos transformam dados de entrada, como composição da receita, níveis de ingredientes e condições de processamento, em orientações claras: quais soluções têm maior probabilidade de sucesso e quais apresentam maior risco.     DOS DADOS ÀS DECISÕES
Nossa abordagem converte conjuntos de dados complexos em insights práticos que orientam o desenvolvimento. Em vez de focarmos apenas no desempenho, também consideramos a confiabilidade de cada resultado.
  Ao combinar desempenho com confiança, geramos uma priorização clara do que testar em seguida. Isso permite que as equipes se concentrem nas formulações mais promissoras e evitem testes desnecessários.
    O QUE ISTO PERMITE

Essa abordagem preditiva nos permite:
  Identificar soluções de alto potencial mais cedo Reduzir a carga experimental Concentre-se nos ingredientes de maior impacto. Melhorar a consistência dos resultados
  Na prática, grandes espaços experimentais podem ser reduzidos a um conjunto menor de candidatos de alta confiança, acelerando o desenvolvimento e melhorando os resultados.   UMA MANEIRA MAIS INTELIGENTE DE DESENVOLVER PALATANTES
A inteligência artificial não substitui a experiência — ela a aprimora. O conhecimento científico continua sendo fundamental para a interpretação e validação, enquanto os modelos preditivos ajudam a orientar as decisões e a reduzir a incerteza.
  Ao combinar dados, ciência e IA, possibilitamos uma abordagem mais eficiente e confiável para o desenvolvimento da palatabilidade. Fonte: AFB International

Sustentabilidade Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food
 

5+ MIN

Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food  

O uso de inteligência artificial (IA) na indústria pet food tem crescido rapidamente, impulsionado pela busca por eficiência, inovação e vantagem competitiva. 
  No entanto, especialistas alertam que a adoção indiscriminada da tecnologia pode comprometer a credibilidade das estratégias de sustentabilidade — um tema cada vez mais relevante para responsáveis e empresas do setor.

Embora a IA ofereça benefícios importantes, como otimização de formulações e melhoria na cadeia produtiva, seu impacto ambiental e social ainda é pouco discutido de forma transparente.   Infraestrutura da IA traz impactos ambientais relevantes
Por trás das soluções digitais, existe uma infraestrutura robusta que demanda alto consumo de energia, água e espaço físico. 
  Data centers — essenciais para o funcionamento da IA — exigem grande quantidade de eletricidade, muitas vezes proveniente de fontes não renováveis, além de sistemas intensivos de resfriamento.
  Esse cenário pode gerar impactos como aumento das emissões de carbono, pressão sobre recursos hídricos e alterações no uso do solo. 
  Em algumas regiões, comunidades próximas a essas estruturas também enfrentam consequências indiretas, como competição por recursos naturais.
  Além disso, a cadeia produtiva da tecnologia envolve questões sociais, incluindo condições de trabalho na construção e manutenção de infraestrutura e na extração de minerais para equipamentos.   Benefícios existem, mas exigem uso estratégico
Apesar dos desafios, a inteligência artificial também pode contribuir para práticas mais sustentáveis quando aplicada de forma direcionada. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento ambiental, otimizar o uso de recursos e aumentar a eficiência produtiva.
  No setor pet food, isso se traduz em aplicações como:
  redução de desperdício de ingredientes por meio de formulações mais precisas; manutenção preditiva de equipamentos, evitando perdas e consumo excessivo de energia; otimização logística, com potencial de reduzir emissões no transporte.
  No entanto, esses benefícios dependem de um uso estratégico. Quando adotada apenas por tendência ou pressão de mercado, a IA pode não gerar ganhos reais suficientes para compensar seus impactos.   Pressão por inovação pode distorcer decisões
A rápida adoção da IA em diferentes setores criou um ambiente competitivo em que empresas sentem necessidade de implementar a tecnologia para não ficarem para trás. Esse movimento, muitas vezes guiado pelo chamado 'fear of missing out' (FOMO), pode levar a decisões pouco fundamentadas.
  Pesquisas indicam que a IA melhora desempenho em tarefas dentro de sua capacidade, aumentando velocidade e qualidade. Por outro lado, pode reduzir a precisão em atividades mais complexas, especialmente quando utilizada sem critério.
  No setor pet, esse cenário pode incentivar uma 'corrida pela inovação', em que a adoção da tecnologia também funciona como sinal de modernidade para consumidores e investidores — nem sempre acompanhada de benefícios concretos.   Sustentabilidade exige olhar para impactos invisíveis
Um dos principais desafios é que grande parte dos impactos ambientais da IA não aparece diretamente nas operações das empresas que utilizam a tecnologia. 
  Esses custos ficam concentrados em provedores de nuvem, produção de hardware e sistemas energéticos — o que dificulta sua mensuração nos relatórios corporativos.
  Esse fenômeno, conhecido como externalidade, pode levar a uma percepção distorcida dos benefícios da IA. Enquanto os ganhos operacionais são visíveis, os impactos ambientais e sociais ficam diluídos na cadeia.
  Para um setor que cada vez mais aposta na sustentabilidade como posicionamento, ignorar esses fatores pode representar um risco reputacional. 
  Responsáveis estão mais atentos ao ciclo completo dos produtos, incluindo aspectos que vão além da formulação e embalagem.   Caminho está no uso consciente da tecnologia
Especialistas apontam que o caminho não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em adotá-la de forma criteriosa. 
  Priorizar aplicações que tragam ganhos mensuráveis — ambientais e operacionais — e evitar implementações motivadas apenas por tendência pode ser a chave para equilibrar inovação e responsabilidade.
  Além disso, reconhecer e incorporar os impactos indiretos da tecnologia nas estratégias de sustentabilidade tende a se tornar cada vez mais necessário para empresas que desejam manter credibilidade junto ao mercado.   FAQ sobre uso de IA no setor de pet food
A inteligência artificial pode ser sustentável no setor pet food?
Sim, desde que seja utilizada com objetivos claros, como reduzir desperdícios e otimizar processos produtivos.
  Quais são os principais impactos ambientais da IA?
Consumo elevado de energia, uso intensivo de água e impactos associados à infraestrutura de data centers.
  Por que o uso excessivo de IA pode ser um problema?
Quando adotada sem estratégia, a tecnologia pode gerar impactos ambientais que não são compensados por benefícios reais, além de comprometer a credibilidade das empresas. Fonte: Cães & Gatos

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Ingredientes

Aditivos funcionais

08/10/2026

Greenox®: Blend sinérgico de antioxidantes naturais

A oxidação é uma reação em cadeia e os efeitos do consumo de uma ração oxidada chega ao sistema digestório desencadeando lesões nas células o que causa o estresse oxidativo. Esses danos perturbam a homeostase e consequentemente prejudicam o metabolismo e sistema imune refletindo negativamente na saúde e longevidade dos animais (Figura 1).   Figura 1. Estresse oxidativo e dados nas células   Dessa forma, controlar a oxidação com soluções antioxidantes requer a proteção de todas as etapas, preservando lipídios, proteínas, vitaminas e outros componentes da dieta contra os processos deletérios. O uso de compostos sinérgicos é imprescindível, uma vez que, engloba de forma eficaz todas as fases do processo oxidativo.

Existem diferentes formas de ação dos antioxidantes, sendo representadas por três níveis de defesa, dentre elas, atuando como agente quelante interferindo nos estágios iniciais da oxidação, iniciação e propagação; 'bloqueando' os radicais livres produzidos, sacrificando o próprio equilíbrio (agentes redutores) ou antioxidantes enzimáticos os quais agem eliminando radicais livres e espécies reativas antes que ataquem o sistema e componentes biológicos. Ainda, há aqueles que induzem a produção de antioxidantes enzimáticos endógenos (Figura 2).   Figura 2. Níveis de defesa dos antioxidantes   O desenvolvimento do produto Greenox® foi idealizado visando o efeito sinérgico entre compostos bioativos de alto potencial antioxidante com capacidade biológica. A associação de moléculas naturais potentes com o benefício de um veículo funcional potencializa a sinergia que previne a oxidação nas matérias primas e rações, prolongando o tempo de prateleira. Além disso, proporciona benefícios ao metabolismo do animal através da manutenção do estresse oxidativo.

Foram estudados diversos extratos de plantas e seus efeitos sinérgicos em metodologias como: DPPH1, ABTS2, FRAP3 e ORAC4 (metodologias científicas para avaliar o potencial antioxidante das matérias primas). Após um screening de matérias primas puras, avaliamos as possíveis sinergias com o objetivo de potencializar o poder antioxidante. O objetivo foi aproveitar ao máximo as associações já presentes na natureza e transferir a tecnologia para o produto final.

Posteriormente foram realizados testes em farinha de vísceras e de carne sem adição de nenhum antioxidante sintético previamente analisado via UHPLC. As amostras, em triplicata, foram submetidas a câmara climatizada acelerada (40ºC ± 2ºC/75 % ± 5% de UR) nos tempos 7 e 14 dias (sendo que para o tempo 7 equivale a 28 dias e o tempo 14 a 56 dias, aproximadamente). As análises de índice de peróxido foram realizadas no tempo 0, 7 e 14 dias de exposição seguindo a metodologia a frio do Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (Ed 2013). Observamos neste estudo uma redução de até 93% no índice de peróxidos em farinha de vísceras e de até 47% em farinha de carne (Gráficos 1 e 2).   Resultados
Gráfico 1. Índice de peróxidos (mEq/kg) em farinha de vísceras contendo ou não aditivo antioxidante natural Greenox®   Gráfico 2. Índice de peróxidos (mEq/kg) em farinha de carne contendo ou não aditivo antioxidante natural Greenox® ‡Dia 7 em câmara acelerada equivalente a 28 dias; §Dia 14 em câmara acelerada equivalente a 56 dias. Fonte: Safeseeds
  1DPPH = 2,2-difenil-1-picril-hidrazil; 2ABTS = 2,2'-azino-bis(3-ethylbenzothiazoline-6-sulfonic acid); 3FRAP = Ferric Reducing Antioxidant Power; 4ORAC = Oxygen Radical Absorbance Capacity.   Referências
Bera, D., Lahiri, D., & Nag, A. (2006). Studies on a natural antioxidant for stabilization of edible oil and comparison with synthetic antioxidants. Journal of Food engineering, 74(4), 542-545.
Brand-Williams, W., Cuvelier, M. E., & Berset, C. L. W. T. (1995). Use of a free radical method to evaluate antioxidant activity. LWT-Food science and Technology, 28(1), 25-30.
Brewer, M. S. (2011). Natural antioxidants: sources, compounds, mechanisms of action, and potential applications. Comprehensive reviews in food science and food safety, 10(4), 221-247.
Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. Ed 2013. Guia de Métodos Analíticos – Método Nº 32.
Gómez, X., Sanon, S., Zambrano, K., Asquel, S., Bassantes, M., Morales, J. E., & Caicedo, A. (2021). Key points for the development of antioxidant cocktails to prevent cellular stress and damage caused by reactive oxygen species (ROS) during manned space missions. npj Microgravity, 7(1), 1-19.
Wollinger, A., Perrin, E., Chahboun, J., Jeannot, V., Touraud, D., & Kunz, W. (2016). Antioxidant activity of hydro distillation water residues from Rosmarinus officinalis L. leaves determined by DPPH assays. Comptes Rendus Chimie, 19(6), 754-765.

Ingredientes à base de plantas

05/10/2026

Fosfatidilcolina Derivada de Plantas: uma Alternativa Natural ao uso do Cloreto de Colina em Alimentos para Cães e Gatos

Fontes vegetais: uma alternativa em ascensão
Apesar de sua eficiência nutricional, o cloreto de colina apresenta algumas limitações tecnológicas. Trata-se de uma substância química, altamente higroscópica, o que pode levar à perda de vitaminas hidrossolúveis nas pré-misturas, uma vez que o aumento do teor de água livre eleva o potencial reativo (FARINA et al., 2017). Além disso, sua utilização pode favorecer a formação de grumos, comprometendo a homogeneidade das misturas e ocasionando perdas nutricionais (LISBOA et al., 2014).

Diante desses desafios, as fontes de colina derivadas de plantas têm despertado crescente interesse da indústria de nutrição de cães e gatos. A fosfatidilcolina é a principal forma de colina encontrada em matérias-primas vegetais (National Nutrient Database for Standard Reference, 2008) e pode atuar como uma alternativa ao cloreto de colina em formulações destinadas a cães e gatos.
Fosfatidilcolina: diferenças na absorção e no metabolismo
Além das vantagens tecnológicas, as diferenças na forma química da colina podem impactar sua absorção e utilização. Quando consumida na forma livre ou como sais, como o cloreto de colina, sua utilização pelo organismo pode ser limitada, uma vez que aproximadamente dois terços da colina ingerida podem ser convertidos em trimetilamina pela microbiota intestinal antes de serem aproveitados pelo organismo, reduzindo potencialmente sua disponibilidade biológica (LEESON; SUMMERS, 2001; COMBS JR., 2008; RUTZ, 2008). 

Por outro lado, a fosfatidilcolina apresenta um comportamento distinto no trato gastrointestinal. Embora possa sofrer digestão parcial por enzimas digestivas, parte dessa molécula também pode ser absorvida de forma intacta, reduzindo sua exposição ao metabolismo promovido pelos microrganismos intestinais (COMBS JR., 2008). Essa característica pode contribuir para um melhor aproveitamento da colina pelo organismo, tornando as fontes de colina derivadas de plantas uma alternativa interessante para a suplementação desse nutriente.

Nos últimos anos, diversos estudos têm avaliado a viabilidade e segurança da substituição do cloreto de colina por fontes derivadas de plantas na nutrição de cães.
Evidências científicas em cães: segurança e eficácia da substituição
Nascimento (2020) avaliou cães adultos saudáveis alimentados com dietas contendo 0,28% de cloreto de colina ou 0,14% de colina derivada de plantas. Os resultados demonstraram que a substituição não alterou a digestibilidade dos nutrientes, a palatabilidade nem as características fecais dos animais. Além disso, os cães que receberam a fonte de colina derivada de plantas apresentaram menores concentrações séricas de colesterol, triglicerídeos e enzimas associadas à atividade hepática, sugerindo benefícios adicionais relacionados ao metabolismo lipídico e à saúde do fígado.

Mendoza-Martínez et al. (2021) também investigaram se a inclusão na dieta experimental de colina proveniente de fontes herbais, como a planta Azadirachta indica, conhecida pelo seu sabor amargo, poderia interferir na palatabilidade das dietas. Os resultados demonstraram que a inclusão de até 400 mg/kg de colina derivada de plantas não alterou a preferência alimentar dos cães, nem comprometeu a digestibilidade dos nutrientes ou as características fecais.

Mendoza-Martínez et al. (2022) conduziram um estudo que demonstrou que a inclusão de fosfatidilcolina (1,6%) e outros metabólitos metilados pode substituir completamente o cloreto de colina nas dietas para cães. Os pesquisadores utilizaram a relação proposta por Mallo e Paolella (2017), segundo a qual uma unidade de colina derivada de plantas pode substituir aproximadamente cinco unidades de cloreto de colina. 

Mais recentemente, FINARDI et al. (2026) avaliaram os efeitos da substituição total do cloreto de colina por colina derivada de plantas (CHOLMAX) em cães adultos saudáveis. O estudo comparou três dietas: uma dieta controle contendo cloreto de colina e duas dietas contendo colina derivada de plantas em diferentes níveis de inclusão. Os resultados demonstraram que a substituição do cloreto de colina não afetou a digestibilidade dos nutrientes nem a palatabilidade das dietas. Da mesma forma, não foram observadas alterações nos metabólitos de fermentação intestinal ou nos índices de diversidade da microbiota fecal. A microbiota intestinal variou entre dietas, com alterações em filos, famílias e gêneros, especialmente Firmicutes, ligados à produção de ácidos graxos e à saúde intestinal. Os autores concluíram que a colina derivada de plantas é uma alternativa segura e promissora para aplicação em alimentos para cães.
Novas perspectivas para a nutrição de gatos e para a indústria pet food
Em um estudo inédito conduzido com gatos adultos saudáveis, Juarez (dados não publicados, 2026) avaliou três dietas experimentais: uma dieta controle contendo cloreto de colina, uma dieta com substituição total do cloreto de colina por colina derivada de plantas (CHOLMAX) e uma terceira dieta contendo 50% mais colina derivada de plantas (CHOLMAX) do que a dieta de substituição. Os resultados preliminares demonstraram que não houve diferenças na digestibilidade dos nutrientes, na palatabilidade das dietas ou nos metabólitos de fermentação intestinal. Por outro lado, foram observadas alterações na composição da microbiota intestinal entre os tratamentos, incluindo mudanças em filos, famílias e gêneros bacterianos. Entre as alterações observadas, destacou-se a redução do gênero Helicobacter nos grupos que receberam colina derivada de plantas. Segundo Cesar (2024), algumas espécies desse gênero estão associadas a processos inflamatórios no trato gastrointestinal de felinos. Embora estudos adicionais sejam necessários para confirmar os mecanismos envolvidos, os resultados sugerem um possível efeito benéfico da colina derivada de plantas sobre o equilíbrio da microbiota intestinal de gatos.

Dessa forma, a colina derivada de plantas surge como uma alternativa interessante para a indústria de alimentos para cães e gatos, reunindo benefícios tecnológicos e nutricionais. Além de minimizar os desafios associados ao uso do cloreto de colina, as fontes vegetais demonstram potencial para manter o desempenho nutricional dos alimentos e contribuir para a saúde dos animais.

Com a crescente demanda por ingredientes de origem natural e tecnologias que agreguem valor às formulações, a colina derivada de plantas desponta como uma alternativa promissora para a indústria, reunindo benefícios tecnológicos, nutricionais e potencialmente funcionais para alimentos destinados a cães e gatos. Por Erika Stasieniuk y Hebert Silveira
Fonte: All Pet Food Magazine

*Erika Stasieniuk é Zootecnista, Doutora em Nutrição e Alimentação de Animais de Companhia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Possui mais de 16 anos de experiência na área de nutrição de cães e gatos, com atuação em pesquisa e desenvolvimento, formulação de alimentos, premixes e núcleos. É sócia fundadora da SFA Consultoria, empresa especializada em consultoria para indústrias de alimentos e ingredientes destinados à nutrição de cães e gatos, atuando no desenvolvimento de produtos, formulação e posicionamento técnico. Contato: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com

**Hebert Silveira é Engenheiro Agrônomo, Doutor em Nutrição Animal pela Universidade de Lavras (UFLA). Gerente técnico da Natural BR Feed. Contato: hebertsilveira@naturalbrfeed.com.br

Referências bibliográficas
BERTECHINI, A. G. Nutrição de monogástricos. 2. ed. Lavras: Editora UFLA, 2013.
CESAR, C. G. L. Efeitos da inclusão de farinha de inseto em alimento seco completo sobre variáveis de processamento, digestibilidade, palatabilidade, produtos de fermentação fecal e microbiota de gatos adultos. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Produção Animal) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, Pirassununga, 2024.
COMBS JR., G. F. The vitamins: fundamental aspects in nutrition and health. 3. ed. Burlington: Elsevier Academic Press, 2008.
FARINA, G.; KESSLER, A. M.; MAIORKA, A.; ROCHA, C. S. S.; VASCONCELLOS, R. S. Aspectos tecnológicos do uso de cloreto de colina em premixes vitamínicos. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS, 2017.
FERREIRA, W. M.; NETO, A. F. G. Nutrição animal: tópicos avançados. Belo Horizonte: FEPMVZ Editora, 2003.
FINARDI, G. L. F.; MARCHI, P. H.; SOUZA, J. M.; DIAS, L. S.; STASIENIUK, E. V. Z.; SILVEIRA, H.; BALIEIRO, J. C. C.; VENDRAMINI, T. H. A. Efeitos da inclusão de colina derivada de plantas em variáveis digestivas, hepáticas, lipídicas, fermentativas, microbiota fecal e palatabilidade em cães adultos. In: CONGRESSO CBNA PET, 25., 2026, São Paulo. Anais... São Paulo: CBNA, 2026.
JUAREZ, L. Efeitos da inclusão de colina de origem vegetal em variáveis digestivas, hepáticas, lipídicas, fermentativas, microbiota fecal, sérica e palatabilidade de gatos adultos. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Produção Animal) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, Pirassununga, 2026. Dados não publicados.
LEESON, S.; SUMMERS, J. D. Scott's nutrition of the chicken. 4. ed. Guelph: University Books, 2001.
LISBOA, M. M.; ALBINO, L. F. T.; ROSTAGNO, H. S. Aspectos tecnológicos relacionados ao uso de cloreto de colina em premixes vitamínicos. Revista Eletrônica Nutritime, v. 11, n. 4, p. 3607-3615, 2014.
MALLO, J. J.; PAOLELLA, M. Choline supplementation in pet nutrition: herbal sources as an alternative to choline chloride. In: PETFOOD FORUM, 2017.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D.; HERNÁNDEZ-MARTÍNEZ, C. A.; MARTÍNEZ-AYALA, A. L.; et al. Effect of the inclusion of herbal phosphatidylcholine on palatability, digestibility and metabolizable energy of the diet in dogs. Austral Journal of Veterinary Sciences, v. 53, p. 161-167, 2021.
MENDOZA-MARTÍNEZ, G. D. et al. Herbal choline as a substitute for choline chloride in dog foods: effects on digestibility, fecal traits and palatability. Animals, v. 12, n. 9, 2022.
NASCIMENTO, R. C. Avaliação de fonte herbal de colina como alternativa ao cloreto de colina na dieta para cães. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). National Nutrient Database for Standard Reference. Release 21. Beltsville, 2008.
RUTZ, F. Colina e seus metabólitos na nutrição animal. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL ACAV DE NUTRIÇÃO, 2008.

Por Erika Stasieniuk

Aditivos funcionais

05/10/2026

Óleo de Krill: um sistema biológico de entrega de ômega-3

De aplicação versátil, podendo ser incorporado a alimentos, petiscos ou cápsulas, o óleo de krill se destaca por sua biodisponibilidade. Enquanto as fontes convencionais fornecem ômega-3 predominantemente na forma de triglicerídeos, que dependem de processos de emulsificação e de hidrólise durante a digestão, o óleo de krill é naturalmente rico em fosfolipídios, que apresentam natureza anfipática, ou seja, possuem afinidade tanto com a água quanto com lipídios, característica que favorece sua absorção, digestão e dispersão.

Essa estrutura diferenciada também pode favorecer a incorporação dos ácidos eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA) às membranas celulares. Em estudo realizado com cães da raça Alaskan Husky, a suplementação com ômega-3 proveniente de óleo de krill resultou em maior incorporação de EPA e DHA em determinados tecidos quando comparada a uma fonte fornecida predominantemente na forma de triglicerídeos.

Além dos ácidos graxos ômega-3, o óleo de krill destaca-se pela presença natural de outros componentes de interesse nutricional, entre eles a colina, principalmente na forma de fosfatidilcolina, e a astaxantina, um carotenoide com potente atividade antioxidante.
Colina e fosfatidilcolina
A colina é um nutriente essencial envolvido em diversos processos fisiológicos. Como precursora do neurotransmissor acetilcolina, a colina está envolvida em processos relacionados à memória, cognição e controle muscular, além de participar da síntese de fosfolipídios essenciais à estrutura das membranas celulares.

No metabolismo hepático, a colina é necessária para a síntese de fosfatidilcolina, componente fundamental das lipoproteínas responsáveis pelo transporte de triglicerídeos para fora do fígado, contribuindo para o adequado metabolismo e mobilização de lipídios.

No óleo de krill, uma parcela relevante da colina encontra-se naturalmente na forma de fosfatidilcolina. Estudos realizados em cães indicam que a suplementação com fontes ricas em fosfatidilcolina pode aumentar as concentrações circulantes de colina e de seus metabólitos, como betaína e dimetilglicina.
Astaxantina e proteção antioxidante
A astaxantina é um carotenoide conhecido por sua excelente atividade antioxidante. Sua estrutura molecular permite interação com diferentes regiões da bicamada lipídica das membranas celulares, contribuindo para a proteção contra danos oxidativos, neutralizando o estresse oxidativo tanto no ambiente intracelular quanto extracelular.

Na nutrição de cães e gatos, o estresse oxidativo sistêmico está associado ao envelhecimento, ao declínio cognitivo e ao desenvolvimento de patologias inflamatórias, como a osteoartrite e as dermatopatias alérgicas. Nesse contexto, a presença natural de astaxantina no óleo de krill agrega um componente antioxidante à matriz nutricional, complementando a oferta de EPA, DHA, fosfolipídios e colina.
Sustentabilidade: um atributo cada vez mais relevante
Além dos aspectos nutricionais, a sustentabilidade da matéria-prima tornou-se um critério cada vez mais importante para a indústrias de pet food e para os tutores.

O krill antártico ocupa uma posição próxima à base da cadeia alimentar no ecossistema do Oceano Austral e se alimenta principalmente de fitoplâncton. Essa posição trófica também tende a limitar a bioacumulação de determinados contaminantes ambientais quando comparado a espécies marinhas de maior porte e níveis tróficos superiores.

A pesca do krill na Antártica é rigorosamente regulamentada pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica (CCAMLR), responsável pelo estabelecimento de medidas de conservação e limites de captura com os objetivos de preservar o ecossistema marinho antártico. Além da regulamentação da pesca, tecnologias avançadas de captura, como os sistemas de captura contínua por bombeamento, contribuem para reduzir drasticamente a captura acidental de outras espécies.
Uma matriz nutricional diferenciada
Mais do que uma fonte de ômega-3, o óleo de krill reúne, em uma única matriz, EPA e DHA associados a fosfolipídios, fosfatidilcolina e astaxantina.

Essa combinação diferencia o ingrediente das fontes convencionais de óleo marinho e amplia seu potencial de aplicação em produtos destinados à nutrição de cães e gatos, especialmente em formulações que buscam aliar ácidos graxos ômega-3, fosfolipídios e componentes antioxidantes.

Em um mercado cada vez mais orientado para ingredientes funcionais, evidência científica e sustentabilidade, compreender não apenas quanto ômega-3 um ingrediente mfornece, mas também a forma como esses nutrientes são apresentados ao organismo, pode ser um importante diferencial na formulação de produtos para a nutrição de pets. Por Carolina Vianni 
Fonte: Kilyos Nutrition

Palatabilizantes
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02/10/2026

 Como a migração de sabor influencia a palatabilidade da ração úmida para animais de estimação?  

Em formatos de matriz múltipla, como pedaços em molho (CIG, na sigla em inglês), um palatabilizante pode ser adicionado tanto aos pedaços quanto ao molho para realçar o sabor. No entanto, o efeito geralmente se estende além da matriz alvo, influenciando o perfil de sabor geral.   Entendendo a distribuição de sabores   Para melhor compreender como os palatabilizantes influenciam a percepção do sabor, seis palatabilizantes para ração úmida foram avaliados em um modelo de alimento para gatos com pedaços ao molho (CIG), gerando seis receitas que diferiam apenas no palatabilizante utilizado. Cada um dos palatabilizantes foi incluído em níveis iguais e aplicado somente à porção de molho das receitas.
  A espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) foi utilizada para comparar os pedaços, o molho e os produtos CIG completos antes da autoclavagem. Como a formulação dos pedaços permaneceu inalterada em todas as receitas, as amostras de pedaços apresentaram composição muito semelhante, como esperado. Os molhos, no entanto, continham cada um um palatabilizante diferente e, portanto, exibiram diferenças de composição claras. A análise dos produtos CIG completos mostrou um perfil intermediário, refletindo a contribuição de ambas as matrizes.
  Após a esterilização, os perfis de sabor do molho, dos pedaços e do produto final foram analisados ​​por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). Em seguida, foram realizados testes de alimentação para classificar os palatabilizantes de acordo com seu desempenho em palatabilidade. A análise OPLS-DA* mostrou que as amostras foram agrupadas de acordo com o desempenho em palatabilidade, e não pela matriz. Em outras palavras, os perfis de sabor característicos associados a palatabilizantes de alto desempenho estavam presentes tanto no molho quanto nos pedaços, apesar de os palatabilizantes terem sido adicionados apenas ao molho. Isso fornece fortes evidências de que compostos voláteis de sabor migram entre as matrizes durante o processamento e/ou armazenamento.   Criando palatabilidade além do molho   Embora ocorra migração de sabor entre o molho e os pedaços, o ponto de adição continua sendo crucial. Os palatabilizantes podem influenciar a estabilidade do gel, a textura dos pedaços e a aparência do produto, o que significa que sua localização tem implicações tanto funcionais quanto sensoriais. Uma avaliação criteriosa das interações com a matriz e das condições de processamento é, portanto, essencial para preservar a estrutura do produto e, ao mesmo tempo, otimizar a palatabilidade geral. Fonte: AFB International
  *Um gráfico de pontuação OPLS-DA (Análise Discriminante de Mínimos Quadrados Parciais Ortogonais) é uma visualização estatística usada para comparar perfis químicos complexos (compostos voláteis e semivoláteis) entre grupos predefinidos (alta e baixa palatabilidade).

Aditivos funcionais Levedura hidrolisada: a nova alternativa para a formulação de rações para pets

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Levedura hidrolisada: a nova alternativa para a formulação de rações para pets

As leveduras fazem parte da dieta humana desde, pelo menos, o Egito Antigo, quando já eram utilizadas para fermentar pão e vinho. Suas excepcionais propriedades fermentativas e nutricionais também tornam as leveduras nutrientes valiosos para os animais. Nem todas as leveduras são iguais. Existem cerca de 60 gêneros e aproximadamente 1.500 espécies de leveduras. Apenas algumas são utilizadas comercialmente. Saccharomyces cerevisiae é a principal levedura utilizada em alimentos, bebidas e panificação, bem como na nutrição animal.   Diferentes tipos de produtos à base de levedura
A levedura pode ser viva (probióticos) ou inativada. Existem diferentes tipos de produtos à base de levedura: leveduras inativadas de célula inteira, leveduras autolisadas, leveduras hidrolisadas e extratos de levedura, cada um com seu próprio processo de produção e propriedades nutricionais (figura 1). 
  Figura 1: Diferentes produtos à base de levedura e seus processos de produção.
  No caso das leveduras inativadas de célula inteira, as leveduras são inativadas por calor, mas não há etapa de lise. O produto final terá baixa digestibilidade e funcionalidade dos nutrientes. Para a levedura autolisada, as células de levedura são parcialmente lisadas por enzimas endógenas, o que aumenta a digestibilidade em comparação com uma levedura seca inativada comum. No entanto, esse processo de autólise é menos controlado que uma hidrólise.

A produção de levedura hidrolisada envolve a adição de enzimas especificamente selecionadas. Estas são escolhidas para orientar e controlar a lise, garantindo um nível específico de ingredientes funcionais e uma composição consistente do produto de lote para lote.

É por isso que a Lallemand tem se concentrado na triagem de diferentes biomassas de levedura para ração e na otimização de seus processos de produção, a fim de lançar no mercado uma levedura hidrolisada funcional projetada especificamente para ração animal: 'Yela Prosecure'.
 
Para criar esse produto, é aplicado um processo de hidrólise controlado com a adição de enzimas exógenas especificamente selecionadas à biomassa de levedura escolhida, garantindo alta digestibilidade dos nutrientes e funcionalidade, ao mesmo tempo em que proporciona confiabilidade em termos de qualidade e disponibilidade de volumes adequados.

A levedura hidrolisada Yela Prosecure é um ingrediente para ração que permite aos nutricionistas, 1) diversificar as fontes de proteína na dieta e, ao mesmo tempo, 2) conferir propriedades funcionais e melhorar a palatabilidade.
Modo de ação
O produto fornece nutrientes funcionais com dupla ação: no intestino delgado e no intestino grosso. No intestino delgado, a levedura hidrolisada fornece proteínas altamente digestíveis que oferecem um alto nível de aminoácidos livres digestíveis com uma cinética de absorção precoce e rápida.

Isso foi demonstrado por meio de estudos in vitro que compararam a cinética de digestibilidade do YelaProsecure com diferentes matérias-primas proteicas para ração (como farelo de soja, farinha de peixe e proteína de batata), bem como com outros tipos de produtos à base de levedura (fig. 2).

Essa vantagem está relacionada à especificidade do processo de produção, demonstrando a importância de uma hidrólise controlada que torna as proteínas mais acessíveis, uma vez que foram lisadas em aminoácidos funcionais livres e pequenos peptídeos que são prontamente e diretamente absorvidos.

Ao chegar ao intestino grosso, a parte restante da levedura hidrolisada consiste principalmente em carboidratos insolúveis fermentáveis, induzindo uma liberação tardia de energia que sustenta populações microbianas fibrolíticas, levando a uma melhoria na diversidade e atividade microbianas, com a liberação de valiosos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o butirato, e uma diminuição na produção de compostos microbianos proteolíticos, como a amônia.
  Figura 2: Cinética de digestão in vitro de diferentes matérias-primas proteicas  (resultados internos da Lallemand Animal Nutrition).
  Aumento da palatabilidade
Testes de palatabilidade em cães demonstraram o potencial do YelaProsecure para melhorar a palatabilidade de alimentos pet (figura 3), provavelmente devido ao alto teor natural de ácido glutâmico.   Figura 3: Avaliação de consumo com 40 cães adultos de porte médio, durante 4 dias. Dieta A: dieta controle com 1% de palatabilizante convencional no revestimento. Dieta B: dieta com YelaProsecure – o palatabilizante convencional foi substituído por 1% de YelaProsecure no revestimento. Os resultados demonstraram um consumo significativamente maior (P = 0,054) da dieta com 1% de YelaProsecure no revestimento.
Nutrientes de alta qualidade e altamente absorvíveis
A levedura é uma formidável fábrica de bioengenharia e uma fonte de nutrientes valiosos e moléculas funcionais. A levedura hidrolisada, produzida por meio de um processo de lise otimizado, permite que os formuladores aproveitem ao máximo essas propriedades nutricionais e funcionais.

Ela auxilia no bem-estar digestivo e melhora a palatabilidade dos alimentos para animais de estimação, ao mesmo tempo em que contribui para o equilíbrio proteico em um contexto de substituição parcial das fontes convencionais de proteína.
    
Para mais informações, por favor visite: www.lallemandanimalnutrition.com Fonte: Lallemand Animal Nutrition

Aditivos funcionais O papel da levedura na construção de sabores para pets

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O papel da levedura na construção de sabores para pets

Os benefícios da levedura
Com o avanço da biotecnologia, é possível produzir ingredientes seguros, sustentáveis e de alta qualidade a partir de leveduras, que também se destacam como alternativas proteicas diante da crescente demanda global. Além disso, atendem a tendências como produtos plant-based, naturais e sustentáveis.

A eficácia desses ingredientes depende diretamente do processo produtivo, desde a seleção das cepas até as condições de fermentação. Nesse contexto, a Biorigin utiliza tecnologia baseada na fermentação de Saccharomyces cerevisiae para desenvolver soluções que garantem qualidade, funcionalidade e consistência à indústria de pet food.   O que é palatabilidade na nutrição de pets
Assim como ocorre com os seres humanos, a apreciação da comida desempenha um papel importante na alimentação dos animais, garantindo que consumam a quantidade necessária de nutrientes.

A palatabilidade de um alimento envolve a combinação de diversos fatores, como textura, formato, odor, sabor e mouthfeel. Ela desempenha um papel fundamental na melhoria do sabor de alimentos destinados a dietas especiais, equilibrando a composição de nutrientes e de vitaminas essenciais com um sabor agradável aos animais.

Em outras palavras, a palatabilidade está relacionada ao quão apetitoso e desejável um alimento é. Afinal, cães e gatos têm suas preferências e podem rejeitar alimentos que não atendam aos seus gostos individuais.  
Por isso, a escolha adequada de ingredientes e realçadores de sabor na produção de alimentos para pets desempenha um papel essencial na diferenciação das marcas no mercado, aumentando as chances de aceitação pelos animais e, consequentemente, o sucesso do produto.
O papel do extrato de levedura na palatabilidade
Entre os realçadores naturais de sabor utilizados na alimentação pet, os extratos de levedura destacam-se pelo papel na estimulação do paladar de cães e gatos. Sua inclusão nas formulações contribui para tornar os alimentos mais atrativos, especialmente ao intensificar o sabor umami, conhecido como o quinto gosto básico e associado à percepção de 'saboroso'. Além disso, esses ingredientes favorecem a utilização de aminoácidos específicos e agregam notas de sabor que combinam nuances doces e salgadas.

Obtidos a partir do conteúdo intracelular solúvel das leveduras, os extratos de levedura constituem ingredientes funcionais ricos em peptídeos, aminoácidos, nucleotídeos e vitaminas do complexo B. Apresentam elevada digestibilidade, baixa alergenicidade e grande versatilidade de aplicação, podendo ser incorporados diretamente às formulações ou utilizados em revestimentos, em conjunto com palatabilizantes, em diferentes categorias de produtos, desde dietas secas extrusadas até soluções nutracêuticas.

Na indústria de alimentos para humanos, esses extratos são amplamente reconhecidos por sua capacidade de intensificar o sabor e mascarar notas indesejáveis, como amargor ou retrogostos metálicos. Esse mesmo princípio se aplica à nutrição pet, contribuindo para aprimorar o perfil sensorial dos alimentos, potencializar as características naturais dos ingredientes e suavizar sabores indesejados provenientes de componentes funcionais ou terapêuticos. Sob a ótica sensorial, são especialmente eficazes na valorização do umami, trazendo notas mais encorpadas, de caráter cárneo e maior persistência.

Esse aspecto é fundamental na alimentação de animais de estimação, pois a palatabilidade influencia diretamente a ingestão de nutrientes e a aceitação do produto. Entre os mecanismos responsáveis por esse efeito, destaca-se a interação sinérgica entre aminoácidos livres e nucleotídeos. Enquanto o glutamato isolado promove uma percepção umami mais suave, sua combinação com nucleotídeos intensifica significativamente a resposta gustativa, resultando em maior atratividade alimentar.

Pesquisa da Biorigin indica que cães e gatos demonstram preferência por alimentos com extrato de levedura em comparação aos que não o contêm. A taxa de consumo relativa para cães foi de 4:1 (ração testada vs. ração controle; Figura 1), enquanto para gatos foi de 2:1 (Figura 2), evidenciando a eficácia do ingrediente na aceitação alimentar. 

Esses ingredientes conferem ao alimento para animais de estimação notas carnudas, sem adição de carne à formulação. Seu uso como intensificador de sabor se deve ao perfil de aminoácidos livres, que o intensifica e prolonga na boca, conferindo uma nota umami.
 
  Figura 1. O PalaUp foi adicionado a uma ração premium para cães e avaliado em um teste de duas tigelas. Os resultados indicaram maior consumo relativo da dieta que contém PalaUp em comparação à dieta controle.   Figura 2. O PalaUp foi adicionado a uma ração premium para gatos e avaliado em um teste de duas tigelas. Os resultados indicaram maior consumo relativo da dieta que contém PalaUp em comparação à dieta controle.
  A palatabilidade é um fator essencial no desenvolvimento de alimentos para pets. No entanto, não se deve negligenciar os compostos bioativos e nutracêuticos. Ingredientes à base de levedura podem ser incorporados às formulações para promover a saúde intestinal e auxiliar no enfrentamento dos desafios do dia a dia, por meio de seus carboidratos funcionais.    Experiência alimentar e conexão emocional    A diversidade de sabores, texturas e formatos torna a alimentação dos pets mais atrativa e funcional, contribuindo para o prazer, o treinamento, o vínculo afetivo e a complementação nutricional. Esse movimento reflete a crescente humanização dos animais, com tutores em busca de qualidade, sabor e benefícios nos alimentos. Assim, produtos como snacks, toppers e alimentos úmidos vão além da nutrição, atuando também como formas de cuidado, afeto e conexão entre humanos e pets.

Dados mostram que 76% dos norte-americanos que compram petiscos para pets afirmam que esses produtos fortalecem o vínculo com seus animais de estimação¹. Enquanto 50% dos tutores brasileiros demonstram interesse em petiscos que entretenham seus animais².

O mercado de nutrição pet tem explorado diversas tendências para apoiar tutores na missão de manter seus animais entretidos, ativos e bem-comportados, sem renunciar à qualidade nutricional. A palatabilidade continua sendo um fator decisivo na escolha dos alimentos: para 37% dos tutores norte-americanos de gatos e cães, o sabor preferido do pet é o principal critério de compra³. 

Além do sabor, a saúde é um aspecto essencial no desenvolvimento de snacks para pets. Por isso, é fundamental que as fórmulas combinem ingredientes de alta qualidade com excelente palatabilidade. O alimento precisa agradar tanto ao paladar do pet quanto ao olhar e ao olfato do tutor, que busca opções saudáveis, saborosas e visualmente atraentes, reforçando o cuidado e o vínculo afetivo com seus animais de estimação. Por Thaila Putarov, Global Business Manager for Animal Nutrition & Health at Biorigin
Fonte: All Pet Food Magazine

Fontes
¹ Mintel - A year of innovation in pet food and products – 2024
² Mintel - Pet Food – Brazil – 2025
³ Mintel - Pet Food – US – 2025


Processo de fabrico

Extrusão

15/10/2026

Extrusoras para Pet Food: eficiência além do equipamento

Na produção de alimentos pet, a extrusão combina fatores como temperatura, pressão, umidade, tempo de residência e cisalhamento para transformar a mistura de ingredientes em um produto com características específicas de formato, densidade, expansão e textura. Para que esse processo seja estável, é necessário que a matéria-prima chegue à extrusora em condições adequadas e que os parâmetros estejam ajustados à formulação e ao produto fabricado.

Uma moagem com granulometria inadequada, uma mistura pouco homogênea ou variações na umidade podem alterar o comportamento da massa durante a extrusão. O condicionamento também tem papel importante, já que a distribuição de vapor, a temperatura e o tempo de residência influenciam a preparação do produto antes de sua entrada na extrusora.

As etapas posteriores também precisam acompanhar o desempenho do equipamento. Uma extrusora pode ter capacidade disponível, mas encontrar uma limitação no sistema de secagem ou resfriamento. Nesse caso, aumentar a alimentação não significa necessariamente aumentar a produção efetiva da fábrica. O resultado pode ser acúmulo de produto, dificuldade de controle ou necessidade de reduzir novamente a velocidade da linha.

Por isso, a capacidade nominal de uma extrusora não representa, sozinha, a capacidade real de produção. O desempenho da linha depende do equilíbrio entre seus diferentes equipamentos e das condições de operação. Pequenas perdas em várias etapas podem representar uma redução significativa na produtividade ao longo de um turno ou de um mês.

Outro ponto importante é a diversidade de formulações produzidas. Alterações na composição dos ingredientes podem modificar a absorção de água, o comportamento térmico e a resposta da massa ao processo. Assim, os parâmetros de operação precisam ser avaliados de acordo com as características de cada produto.

A produtividade também precisa ser analisada junto com a estabilidade. Aumentar a velocidade da extrusora sem considerar paradas, variações do produto e capacidade das demais etapas pode gerar um ganho apenas momentâneo. Uma operação eficiente é aquela que consegue manter um ritmo de produção consistente, dentro dos padrões de qualidade estabelecidos.

Uma avaliação integrada da fábrica permite identificar onde estão essas limitações. O Alimentec 360 considera equipamentos, processos e operação em conjunto, analisando pontos que podem afetar produtividade, estabilidade e qualidade. Entre eles estão alimentação, moagem, mistura, condicionamento, parâmetros de extrusão, secagem, resfriamento e ocorrências de parada.

A partir desse diagnóstico, podem ser identificadas oportunidades de ajustes de processo, configuração ou equipamentos. Em alguns casos, pequenas adequações são suficientes para melhorar o desempenho. Em outros, a análise pode indicar a necessidade de uma intervenção ou investimento maior. O importante é identificar primeiro a origem da restrição.

Na prática, esse tipo de análise pode contribuir para ganhos de produtividade de 5% a 10%, além de auxiliar na redução de paradas e na melhoria da estabilidade operacional e da qualidade do produto.
Antes de ampliar uma linha ou investir em uma nova extrusora, portanto, é importante entender quanto da capacidade instalada já está sendo aproveitada. No segmento de pet food, em que produtividade e padronização precisam caminhar juntas, olhar para o processo completo permite identificar oportunidades que podem passar despercebidas quando o equipamento é analisado de forma isolada.

Uma extrusora eficiente não é apenas aquela que produz mais. É aquela que trabalha de forma estável, integrada ao restante da linha e adequada às características do produto. Fonte: Alimentec

Embalagem

09/10/2026

Soluções integradas MULTIVAC para a indústria de pet food: eficiência, qualidade e competitividade da produção à embalagem

Nesse cenário, a integração dos equipamentos MULTIVAC entre processamento, embalagem, inspeção e automação tornou-se um diferencial competitivo fundamental. Empresas que investem em tecnologia conseguem aumentar a produtividade, garantir a qualidade dos produtos e reduzir custos operacionais, ao mesmo tempo em que fortalecem suas marcas perante o consumidor. As soluções apresentadas pela MULTIVAC para a indústria de pet food demonstram como essa abordagem integrada pode gerar valor em toda a cadeia produtiva.
 
A evolução do setor de alimentos para pets
Hoje, os consumidores esperam dos alimentos para cães, gatos e outras espécies os mesmos padrões de qualidade, segurança alimentar e conveniência encontrados nos alimentos destinados ao consumo humano. Essa tendência tem ampliado a procura por produtos úmidos, snacks funcionais, dietas especiais e alimentos premium. 

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com sustentabilidade, redução do desperdício e reciclabilidade das embalagens. Para atender a essas exigências, a MULTIVAC fornece processos capazes de preservar a qualidade do produto, aumentar sua vida útil e utilizar materiais mais sustentáveis sem comprometer a eficiência operacional. 
A importância da embalagem estratégica
Muito além da proteção do produto, a embalagem tornou-se uma ferramenta estratégica de diferenciação. Ela influencia a experiência do consumidor, valoriza a marca, facilita o transporte e contribui diretamente para a conservação dos alimentos.  
Tecnologias oferecidas pela MULTIVAC como embalagens a vácuo e sistemas com atmosfera modificada (MAP) permitem controlar com precisão as condições internas da embalagem, reduzindo a presença de oxigênio e prolongando a vida útil dos produtos. Essa característica é especialmente importante para alimentos úmidos, carnes cruas e snacks, que exigem condições específicas de conservação.

Outro fator relevante é a flexibilidade dos formatos. Embalagens termoformadas e bandejas, oferecem diferentes possibilidades de apresentação, permitindo que as marcas desenvolvam soluções alinhadas ao perfil do público-alvo e às características de cada produto. 

Além disso, a possibilidade de produzir embalagens unitárias e multipacks em uma mesma linha proporciona maior flexibilidade produtiva e reduz desperdícios, contribuindo para uma operação mais sustentável e rentável.
Linhas completas para máxima eficiência
A integração que a MULTIVAC fornece para os processos representa um dos principais avanços da indústria moderna de pet food. Em vez de operar com equipamentos isolados, fabricantes podem contar com nossas linhas completas que conectam processamento, dosagem, embalagem, rotulagem, inspeção e acondicionamento final.
Esse modelo reduz gargalos operacionais, simplifica a gestão da produção e aumenta a eficiência global dos equipamentos (OEE). Além disso, a integração minimiza falhas de comunicação entre processos, melhora a rastreabilidade e garante maior consistência dos resultados. 

Outro benefício importante é a escalabilidade. Linhas modulares MULTIVAC podem ser ampliadas conforme o crescimento do negócio ou adaptadas para novos produtos e formatos de embalagem, oferecendo maior segurança para investimentos de longo prazo. 
Controle de qualidade e segurança alimentar
A qualidade é um fator indispensável para o sucesso de qualquer fabricante de alimentos para pets. Por isso, os sistemas de inspeção MULTIVAC desempenham papel fundamental na prevenção de não conformidades.

Sistemas de inspeção por raios X, controladoras de peso e soluções de inspeção visual permitem monitorar continuamente os produtos durante o processo produtivo. 

Além de proteger o consumidor final, esses recursos reduzem perdas, fortalecem a reputação da marca e aumentam a confiabilidade da produção. 
Digitalização e suporte ao longo do ciclo de vida
A transformação digital também chegou às fábricas de pet food. Ferramentas inteligentes da MULTIVAC permitem monitorar indicadores de desempenho em tempo real, aumentar a transparência operacional e identificar oportunidades de melhoria contínua.

Soluções digitais da MULTIVAC Smart Services com monitoramento e assistência remota ajudam as empresas a maximizarem a disponibilidade dos equipamentos, reduzir paradas não programadas e otimizar custos de manutenção. Complementando essa estratégia, programas de pós-venda, contratos preventivos, treinamentos e suporte técnico especializado garantem maior segurança operacional durante todo o ciclo de vida dos sistemas instalados.
Preparando o futuro da indústria pet
O crescimento contínuo do mercado pet exige que fabricantes estejam preparados para responder rapidamente às mudanças de comportamento do consumidor. A combinação apresentada pela MULTIVAC entre automação, embalagem inteligente, sustentabilidade e digitalização tornou-se essencial para manter a competitividade.

Investir em soluções integradas MULTIVAC permite aumentar a produtividade, reduzir custos, fortalecer a qualidade e desenvolver produtos capazes de atender às expectativas de um mercado cada vez mais exigente. Mais do que uma tendência, trata-se de uma estratégia para construir operações eficientes, sustentáveis e preparadas para o futuro da indústria de alimentos para pets.   'O mercado de pet food exige cada vez mais eficiência, flexibilidade e qualidade. Na MULTIVAC, trabalhamos para entregar soluções integradas que conectam processamento, embalagem, inspeção e automação, ajudando nossos clientes a aumentar a produtividade e garantir a segurança dos produtos em toda a cadeia produtiva.'
Glauco Stella
Gerente de Vendas | MULTIVAC Brasil  Fonte: Multivac

Misturado

07/10/2026

Descarga em misturadores: menos retenção, menor risco de contaminação e menos paradas para manutenção

Em misturadores convencionais, a descarga geralmente ocorre por meio de comportas pneumáticas instaladas na parte inferior do equipamento. Embora seja uma solução amplamente utilizada na indústria, esses componentes acrescentam pontos de vedação e regiões que exigem atenção durante a limpeza e a manutenção.   Um novo conceito para a descarga   Uma alternativa é eliminar a necessidade de comportas e utilizar o próprio corpo do misturador para realizar a descarga do produto.
  Esse é o conceito aplicado no GIROMIX, misturador desenvolvido pela Inducompany. Durante a etapa de mistura, o tambor permanece parado enquanto um rotor de pás promove a movimentação e a homogeneização do produto.
  Ao término do ciclo, o próprio tambor realiza um giro completo de 360°. Esse movimento posiciona novamente a abertura utilizada na alimentação e permite que o produto seja descarregado pelo mesmo local por onde entrou.
  Após a descarga, o tambor retorna à posição inicial e o equipamento fica preparado para um novo ciclo.   Menos pontos críticos no processo   A eliminação das comportas de descarga simplifica a construção do equipamento e reduz componentes sujeitos a desgaste, problemas de vedação e intervenções de manutenção.
  O conceito também busca diminuir regiões de retenção de produto, um aspecto especialmente relevante em processos nos quais diferentes formulações passam pelo mesmo equipamento. Quanto menor a quantidade de produto residual entre os ciclos, menor o potencial de carregamento de material de uma formulação para outra.
  Além disso, reduzir pontos de difícil acesso pode contribuir para tornar os procedimentos de limpeza e inspeção mais simples.   Homogeneidade continua sendo fundamental   A solução de descarga precisa estar associada a um processo de mistura eficiente. No GIROMIX, a homogeneização é realizada por um rotor de pás, com Coeficiente de Variação (CV) inferior a 5% nas condições adequadas de processo.
  O objetivo é combinar uma mistura rápida e homogênea com um sistema de descarga que reduza a complexidade mecânica e os pontos críticos do equipamento.
  Disponível em capacidades de 500 a 10.000 litros, o GIROMIX foi desenvolvido para diferentes escalas de produção e aplicações na indústria de alimentação animal e Pet Food.
  O conceito de funcionamento e descarga do equipamento é protegido por patente e representa uma abordagem diferente para um ponto muitas vezes pouco discutido no processo de mistura: não apenas como obter uma mistura homogênea, mas também como retirar o produto do equipamento de forma eficiente, reduzindo retenções e simplificando a operação. Fonte: Inducompany

Segurança alimentar

28/09/2026

Biossegurança também faz parte da produção pet food  

A produção de Pet Food envolve uma cadeia ampla, que reúne fabricantes de alimentos e pré-misturas, fornecedores de ingredientes, laboratórios, veterinários, fabricantes de máquinas e equipamentos, distribuidores e profissionais especializados. Dentro dessa cadeia, laboratórios e setores responsáveis pelo controle de qualidade precisam adotar procedimentos que reduzam riscos de contaminação e assegurem maior confiabilidade às análises realizadas. A esterilização adequada dos materiais utilizados nessas rotinas, incluindo atividades de esterilização em laboratório veterinário, integra uma estratégia mais ampla de controle e padronização.
  A autoclave é um dos equipamentos utilizados nesse contexto por empregar vapor sob pressão para a esterilização de materiais compatíveis com o processo. Seu funcionamento permite estabelecer parâmetros controlados de temperatura, pressão e tempo, proporcionando maior repetibilidade entre os ciclos. Essa característica reduz a dependência de procedimentos manuais e contribui para uma rotina mais previsível, tornando o equipamento parte importante das práticas de biossegurança em laboratório de controle de qualidade.
  Outro aspecto relevante é a condução do processo de forma simples e segura. Sistemas que automatizam etapas do ciclo, como a despressurização, reduzem a necessidade de intervenção do operador e favorecem maior padronização operacional. Na linha de autoclaves SolidSteel, por exemplo, o sistema analógico inteligente foi desenvolvido para eliminar etapas manuais consideradas críticas durante a operação. A despressurização ocorre automaticamente e o vapor é liberado de maneira controlada por meio do pino de exaustão, contribuindo para maior estabilidade durante o ciclo.
  A padronização também depende da manutenção adequada do equipamento. Limpeza periódica, inspeções, manutenção preventiva e utilização correta ajudam a preservar o desempenho da autoclave e a garantir maior consistência nos ciclos de esterilização. Além disso, seguir os procedimentos recomendados reduz riscos de falhas decorrentes de uso inadequado.
  No ambiente de controle de qualidade da indústria Pet Food, essa atenção aos detalhes é fundamental. Materiais utilizados em análises e procedimentos laboratoriais precisam passar por processos compatíveis com sua finalidade e com os protocolos estabelecidos por cada operação. A escolha da autoclave deve considerar a aplicação, a capacidade necessária, os materiais a serem processados e os parâmetros definidos para cada procedimento. Dessa forma, tecnologia e protocolo atuam de forma complementar para fortalecer a confiabilidade dos resultados.
  A evolução da indústria Pet Food amplia a necessidade de soluções capazes de acompanhar operações cada vez mais profissionais e orientadas por dados. O crescimento da cadeia produtiva e a busca por maior eficiência tornam a confiabilidade dos processos um diferencial importante. Nesse cenário, equipamentos desenvolvidos para oferecer controle, repetibilidade e segurança operacional contribuem para uma infraestrutura mais preparada para as demandas atuais.
  Mais do que atender a uma necessidade específica de esterilização, a adoção de equipamentos adequados representa uma decisão relacionada à gestão de processos. Quando tecnologia, manutenção, operação correta e boas práticas trabalham de forma integrada, torna-se possível construir uma rotina mais organizada, segura e confiável.
  Para a SolidSteel, contribuir com essa realidade significa desenvolver equipamentos voltados à segurança, à padronização e à confiabilidade dos processos. Em uma indústria na qual cada etapa pode impactar a qualidade final, cuidar dos processos que acontecem antes, durante e depois das análises também é cuidar da qualidade.
  Biossegurança não deve ser vista como uma etapa isolada. Ela faz parte de uma cadeia de decisões que envolve equipamentos, procedimentos, manutenção e pessoas. Na indústria Pet Food, transformar esses elementos em processos mais controlados é um caminho para construir operações mais seguras, consistentes e confiáveis. Fonte: SolidSteel

Embalagem Uma análise de novos desenvolvimentos sustentáveis de materiais de embalagem para VFFS

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Uma análise de novos desenvolvimentos sustentáveis de materiais de embalagem para VFFS

Nos últimos anos, ocorreram inovações e novos desenvolvimentos no campo dos materiais de embalagem para aplicações em máquinas empacotadoras verticais do tipo VFFS (vertical form, fill, seal). Esses desenvolvimentos foram impulsionados pelos compromissos ambientais corporativos de grandes multinacionais e por requisitos de sustentabilidade e reciclagem específicos de cada país.
  Princípio de funcionamento de uma empacotadora VFFS: 1. Desbobinamento, 2. Formação, 3. Correias de tração do filme, 4. Selagem longitudinal, 5. Selagem horizontal, 6. Dosagem do produto, 7. Movimento do filme, 8. Corte, 9. Entrega da embalagem pronta 
Na América Latina, novas legislações sobre o tema vêm sendo implementadas. O Chile, por exemplo, tem estado na vanguarda da região com a Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor, conhecida como 'Lei REP'. Ela obriga empresas fabricantes e importadoras a organizar e financiar a gestão dos resíduos dos produtos que comercializam no país. Seu objetivo é incentivar a reciclagem, minimizar a geração de resíduos e promover a economia circular sob o princípio de que 'quem polui, paga'. Nos demais países da região, seguem-se caminhos semelhantes, cada um com suas particularidades.

Na Europa, a legislação avança, mas não sem contratempos, em grande parte relacionados à falta de conhecimento e de definições claras. Particularmente na Alemanha, há grande interesse por aplicações à base de papel. As embalagens que respeitam a proporção de 95% de papel podem aproveitar a infraestrutura existente de coleta e reciclagem. Nessa linha, foram desenvolvidos materiais com diversos tipos de barreiras de proteção contra umidade, gorduras etc. Essas soluções ficaram restritas a produtos secos, sem grande necessidade de proteção, como massas secas, farinhas, grãos e cereais. Nesse caso, propriedades inerentes ao papel, como sua capacidade isolante, sua tendência ao rasgo e sua falta de elasticidade, colocaram à prova a capacidade de adaptação dos fabricantes de máquinas e materiais.   Caso de sucesso   Quanto às soluções à base de polímeros, estas são, em geral, as mais adequadas aos interesses da indústria mundial de pet food. Oferecem as melhores propriedades de proteção ao produto, com impacto limitado na aparência da embalagem. Além disso, para diferentes exigências de barreira, já existem soluções à base de polímeros capazes de substituir até mesmo o alumínio como barreira ao oxigênio.

Nas soluções à base de polímeros, podemos distinguir duas correntes principais. 

Em primeiro lugar, estão aquelas que buscam utilizar monomateriais. Por exemplo, o uso de monofilmes ou laminados de um único tipo de polímero, como os à base de polietileno. Uma aplicação recente bem-sucedida no Brasil buscou manter as propriedades de uma camada externa com maior ponto de fusão, utilizando MDOPE (polietileno orientado), combinada a uma camada interna de polietileno com aditivos para reduzir o ponto de fusão. Nesse caso, surgiram desafios decorrentes dos coeficientes de atrito interno e externo do filme, que limitavam sua maquinabilidade, além de uma janela operacional muito estreita em relação às temperaturas de selagem. Por meio de trabalho conjunto com o fornecedor do filme, chegou-se a uma formulação que modificou os coeficientes de atrito, permitindo que o material fosse tracionado de forma eficaz pelas correias de tração, as quais precisaram ser modificadas para minimizar deslizamentos. A selagem pôde ser viabilizada graças a pressões de selagem monitoradas eletronicamente, geometrias e materiais especiais para os mordentes, além de tempos de selagem precisos.

Em segundo lugar, estão as soluções que buscam manter o laminado composto por polímeros da mesma família, como é o caso das poliolefinas, que permitem sua reciclagem em conjunto.

Uma aplicação típica é a utilização de camadas externas à base de polipropileno e camadas internas de polietileno. Aqui, as janelas de trabalho também se estreitam em comparação com um filme tradicional de PET/PE, mas geralmente são melhores do que nos monomateriais. O aspecto do filme também costuma ser melhor, com maior brilho, embora se deva considerar a maior tendência ao rasgo do polipropileno em comparação com o PET. Novamente, esses materiais exigem ajustes nas pressões, nos materiais dos mordentes e nos tempos de selagem, que não necessariamente são os mesmos utilizados em monomateriais.

Claramente, estamos diante de uma evolução permanente de novos materiais, que evidencia a necessidade de colaboração entre fabricantes de filme, fornecedores de equipamentos e marcas interessadas em aplicar essas novas tecnologias em prol da sustentabilidade.

Um capítulo à parte merece aquilo que, no fundo, é o maior obstáculo oculto do problema: a falta de infraestrutura em muitos países, especialmente na Ásia e na América Latina, para coletar e reciclar esses materiais. Isso transforma os esforços de governos e empresas em algo sem sentido. Apostamos que esse cenário mude e que consigamos colocar no mercado produtos sustentáveis que realmente contribuam para reduzir a pegada ambiental. Por Clivio Solutions
Fonte: All Pet Food Magazine

Packaging Circularidade sem comprometer o desempenho: Engenharia aplicada ao desenvolvimento de embalagens flexíveis para pet food

7+ MIN

Circularidade sem comprometer o desempenho: Engenharia aplicada ao desenvolvimento de embalagens flexíveis para pet food

Longe de serem objetivos concorrentes, circularidade e desempenho podem se reforçar mutuamente quando a embalagem é analisada como um sistema funcional integral, projetado para atender a requisitos técnicos específicos ao longo de toda a cadeia de valor, desde a embalagem até o consumo final.
Circularidade não é substituição: é redesenho
Ao falar sobre circularidade em embalagens flexíveis, diferentes ações possíveis geralmente são mencionadas: redução de espessura, redução de peso, incorporação de material reciclado, migração para estruturas de monomateriais, uso de processos mais eficientes ou menos desperdício. Todas essas são ferramentas válidas, mas insuficientes se aplicadas isoladamente.

Cada elemento que compõe uma embalagem flexível cumpre uma ou mais funções técnicas específicas. Portanto, qualquer modificação estrutural gera consequências técnicas que devem ser analisadas e compensadas. O erro mais frequente é tentar simplificar um pacote sem entender por que ele foi projetado assim em primeiro lugar.

No segmento pet food, onde o produto apresenta desafios particulares em termos de estabilidade, logística e uso, essa abordagem é especialmente crítica. O alimento para pets, especialmente o seco com alto teor de gordura, tem alta sensibilidade à oxidação, absorção de umidade e perda de aromas, fatores que impactam diretamente a aceitação do produto pelo consumidor final.
O ponto de partida: entender a função técnica da embalagem
Todo redesenho eficaz começa com um entendimento profundo da função principal da embalagem. Nesse tipo de produto, a embalagem desempenha um papel central na preservação da qualidade, da vida útil e da experiência do usuário.

Funções técnicas chave incluem:
  Barreira de oxigênio: essencial para prevenir a oxidação da gordura e a perda de palatabilidade.
  Barreira de vapor d'água: necessária para evitar formação de incrustações, degradação nutricional e desenvolvimento microbiano.
  Resistência mecânica: contra impactos, empilhamento e manuseio logístico intensivo.
  Integridade da selagem: essencial para assegurar a hermeticidade da embalagem e evitar entrada de ar durante toda a vida útil do produto.
  Funcionalidade de uso: contempla sistemas de abertura e fechamento que agregam praticidade ao consumidor e auxiliam na redução do desperdício do produto.
  O desempenho final da embalagem não depende de um único material, mas do equilíbrio entre essas funções. É justamente neste ponto que a inovação tecnológica desempenha um papel decisivo.
Proteção de Produto: Novas Arquiteturas para Desafios Antigos
Em termos de barreiras e proteção de produtos, avanços nas tecnologias de coextrusão possibilitaram o desenvolvimento de estruturas à base de polietileno com características funcionais avançadas capazes de reduzir significativamente a migração de gordura, a passagem de oxigênio e a troca de aromas. Essas soluções são suportadas por arquiteturas multicamadas, onde diferentes resinas cumprem funções específicas dentro da estrutura.

A incorporação de copolímeros barreira, como o EVOH, mesmo em pequenas proporções, possibilita alcançar níveis de proteção comparáveis aos das estruturas tradicionais multimateriais. Historicamente, materiais como BOPET ou BOPA eram usados para fornecer rigidez e barreira, mas precisam ser laminados com polietileno para obter selabilidade e resistência mecânica. Essas combinações, embora tecnicamente eficazes, apresentam limitações significativas do ponto de vista da reciclagem.

Hoje, as estruturas de polietileno multicamada possibilitam integrar barreira, resistência mecânica, vedação, óptica e funções de processabilidade no mesmo sistema, avançando para configurações mono-material mais compatíveis com esquemas de reciclagem mecânica e com as diretrizes de projeto para circularidade promovidas por muitas marcas globalmente.

Da mesma forma, o desenvolvimento de processos de orientação monoaxial (MDO- Machine Direction orientation) aplicados ao polietileno de alta densidade abriu caminho para a substituição de filmes tradicionalmente orientados, como o BOPP, mantendo níveis adequados de rigidez e favorecendo, mais uma vez, a circularidade da embalagem.
Resistência mecânica e integridade da selagem: além da espessura
A redução de espessura é frequentemente uma das primeiras estratégias consideradas ao falar de sustentabilidade. No entanto, reduzir micrômetros sem redesenhar a estrutura é uma receita certa para o fracasso. Nas embalagens pet food, a resistência a rasgos, perfurações e deformações é fundamental para garantir a integridade da embalagem durante toda a sua vida útil.

O fenômeno conhecido como dimpling, ou seja, a deformação do recipiente causada pela pressão da ração, especialmente nos sacos localizados no fundo do palete, requer estruturas capazes de absorver cargas sem comprometer a integridade do recipiente ou da vedação. Esses tipos de tensões nem sempre são reproduzidos em testes laboratoriais padrão, por isso é essencial considerar as condições reais de armazenamento e distribuição.

Isso significa não apenas filme robusto, mas também vedações confiáveis, capazes de suportar condições exigentes de empilhamento, transporte e manuseio. Por sua vez, durante o armazenamento e distribuição, o coeficiente de atrito da superfície externa torna-se relevante para garantir um armazenamento estável e seguro, evitando deslocamentos e colapsos de paletes.

Arquiteturas de coextrusão multicamada permitem que funções sejam redistribuídas entre camadas, incorporando resinas de engenharia onde são necessárias, compensando reduções de espessura e otimizando custos sem sacrificar desempenho.
Funcionalidade de uso e redução de resíduos
A circularidade não se limita ao material da embalagem, ela também envolve sua interação com o consumidor. Nesse sentido, sistemas de abertura controlada e fechamento reutilizável desempenham um papel fundamental na redução do desperdício de alimento, permitindo melhor conservação do produto após abertura e prolongando sua vida útil no ambiente doméstico.

Hoje existem diferentes soluções de fechamento frontais, perimetral ou tradicionais, além de sistemas de fácil abertura, projetados para melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a hermeticidade ou o upcycling da embalagem. Integrar essas funcionalidades desde o projeto inicial, e não como uma adição subsequente, é essencial para alcançar um equilíbrio entre usabilidade, desempenho técnico e sustentabilidade.
Conclusão: circularidade como disciplina de engenharia
Nesse contexto, é fundamental que as decisões relacionadas ao redesenho das embalagens sejam tomadas de maneira interdisciplinar. A experiência industrial mostra que os melhores resultados surgem quando áreas como desenvolvimento, qualidade, produção, compras e comercialização trabalham de forma coordenada, alinhando objetivos técnicos, comerciais e ambientais desde as etapas iniciais do projeto.

Também é essencial validar as mudanças propostas por meio de testes técnicos e testes em condições reais de uso. Testes de barreira, selagem, resistência mecânica, estabilidade de armazenamento e comportamento durante a distribuição permitem antecipar desvios e ajustar o projeto antes de sua implementação industrial. Essa abordagem preventiva reduz riscos operacionais e evita desvios de custos.

Avançar para embalagens mais circulares na indústria pet food não é uma questão de moda ou marketing. É, acima de tudo, um desafio técnico que exige julgamento, conhecimento e uma compreensão sistêmica da embalagem. Quando o redesenho é abordado sob uma perspectiva de engenharia, analisando funções, interações e consequências, é possível alcançar soluções que protejam adequadamente o produto, acompanhem as demandas logísticas e, ao mesmo tempo, estejam alinhadas aos princípios da economia circular.

A boa notícia é que as ferramentas tecnológicas já existem. A verdadeira diferença está em como eles são usados. Por Pablo Petinatti, Petropack
Fonte: All Pet Food Magazine


Veterinária

Bem-estar animal

24/08/2026

Saúde das Articulações dos Cães e Gatos: O Papel do Colágeno na Prevenção da Osteoartrite

A artrite ou osteoartrite é uma doença degenerativa, progressiva e irreversível da cartilagem articular, caracterizada por inflamação, dor e perda gradual da funcionalidade articular. Embora geralmente esteja associado ao envelhecimento, agora se reconhece que seu desenvolvimento é multifatorial e envolve fatores genéticos, nutricionais, metabólicos e mecânicos.
  Estima-se que aproximadamente 20% dos cães e mais de 60% dos gatos com mais de seis anos tenham algum grau de osteoartrite. Em animais geriátricos, a prevalência pode ultrapassar 80–90%, tornando-se uma das principais causas da diminuição da qualidade de vida.   Figura 1. Cartilagem articular normal (esquerda) versus cartilagem (direita) afetada pela osteoartrite.   A doença afeta principalmente as articulações sinoviais ou diartródiais, onde a cartilagem hialina cumpre a função de amortecer cargas mecânicas e permitir movimentos suaves e eficientes.   Colágeno: o principal componente estrutural da cartilagem   O colágeno é a proteína mais abundante do corpo, representando aproximadamente 25% de todas as proteínas do corpo. Embora mais de 28 tipos de colágeno tenham sido descritos, os tipos I, II e III representam 80-90% do total no corpo.
  Na cartilagem articular, o colágeno tipo II representa 90-95% do total de colágeno. Sua função é fornecer resistência mecânica, elasticidade e suporte estrutural, além de manter os proteoglicanos imobilizados dentro da matriz extracelular.
  A cartilagem saudável é composta principalmente por água, colágeno, proteoglicanos e glicosaminoglicanos, todos produzidos pelos condrócitos, as células especializadas responsáveis pela manutenção desse tecido. A saúde das articulações depende de um equilíbrio delicado entre a síntese e a degradação desses componentes. Quando esse equilíbrio é perdido, começa o processo degenerativo característico da osteoartrite.   Como a osteoartrite se desenvolve   A osteoartrite não aparece de repente; É o resultado de um processo crônico onde múltiplos fatores intervêm.
  Sobrecarga mecânica, excesso de peso corporal, alterações na conformação, traumas e certas predisposições genéticas geram uma resposta inflamatória persistente. Essa inflamação estimula a produção de citocinas, como IL-1, IL-6 e TNF-α, além de enzimas degradativas, conhecidas como metaloproteases. Essas moléculas destroem progressivamente o colágeno e os proteoglicanos na cartilagem, causando apoptose dos condrócitos e perda da capacidade regenerativa dos tecidos. Como resultado, dor, rigidez, diminuição da mobilidade e formação de osteófitos aparecem, estabelecendo um verdadeiro círculo vicioso entre inflamação, dor e deterioração funcional.   Figura 2. Cachorro com mobilidade articular limitada.   Estar acima do peso agrava significativamente esse processo porque o tecido adiposo produz substâncias biologicamente ativas, como a leptina, capazes de manter um estado inflamatório crônico de baixo grau.   Figura 3. Diagrama do impacto negativo do excesso de peso, obesidade (tecido adiposo) e citocinas inflamatórias na articulação. Ativação de enzimas (síntase de óxido nítrico e metaloproteinases) e suas consequências na articulação e nos ossos.
O intestino também está envolvido na saúde das articulações   Nos últimos anos, surgiu um novo conceito que está mudando a compreensão de inúmeras doenças crônicas: o eixo intestino-articulação.
A microbiota intestinal é um ecossistema complexo composto por bactérias, vírus e fungos que vivem em estreita relação com o hospedeiro. Quando há equilíbrio (eubiose), contribui para a manutenção da homeostase imunológica e metabólica. No entanto, situações como estresse, mudanças repentinas na dieta, obesidade ou o uso irracional de antibióticos orais e sistêmicos podem gerar desequilíbrios (disbiose), ou seja, uma alteração da composição normal da microbiota.
  A disbiose aumenta a permeabilidade intestinal e promove a liberação sistêmica de mediadores inflamatórios (citocinas pró-inflamatórias). Esses sinais inflamatórios podem alcançar tecidos distantes, incluindo articulações, ajudando a acelerar processos degenerativos.
  Figura 4. Diagrama do mecanismo de ação do colágeno nativo tipo II (tolerância oral) no nível intestinal.   Atualmente, há evidências crescentes de que a saúde intestinal deve ser considerada um componente crítico de qualquer estratégia moderna de prevenção da osteoartrite.   Colágeno   O interesse científico pelo colágeno aumentou significativamente devido ao surgimento de novas formas de suplementação com mecanismos de ação diferentes e complementares. O colágeno hidrolisado fornece aminoácidos bioativos e peptídeos que são usados pelos condrócitos para sintetizar novo colágeno e componentes da matriz extracelular. Em outras palavras, fornece os materiais necessários para apoiar os processos de reparo de tecidos.
  Por outro lado, o colágeno nativo não desnaturado do tipo II age por meio de um mecanismo completamente diferente.
  Colágeno Nativo Tipo II: Uma Estratégia Imunológico Inovadora O colágeno nativo mantém sua estrutura tridimensional intacta e preserva regiões específicas conhecidas como epítopos. Quando ingeridos, esses epítopos são reconhecidos por células especializadas do tecido mucoso e do tecido linfoide associado ao intestino, especialmente no nível das manchas de Peyer. Esse reconhecimento induz um fenômeno chamado tolerância imune oral.
  Por meio desse mecanismo, células reguladoras capazes de produzir interleucina 10 (IL-10), uma citocina com atividade anti-inflamatória potente, são geradas. Como consequência, a resposta imune direcionada contra o colágeno presente na cartilagem articular diminui, reduzindo a atividade das colagênases e metaloproteases responsáveis pela degradação dos tecidos.
  Figura 4. Diagrama do mecanismo de ação do colágeno nativo tipo II (tolerância oral) no nível intestinal.
Esse mecanismo torna o colágeno nativo uma ferramenta particularmente interessante do ponto de vista preventivo, pois age antes que o dano estrutural seja irreversível.
  A osteoartrite continua sendo uma doença sem cura definitiva, tanto na medicina veterinária quanto na humana. No entanto, o conhecimento atual permite a implementação de estratégias preventivas cada vez mais eficazes.
  A combinação de colágeno nativo tipo II não desnaturado com colágeno hidrolisado representa uma alternativa particularmente promissora. Enquanto o primeiro ajuda a modular a resposta imune, o segundo fornece os componentes necessários para a síntese e reparo da matriz cartilaginosa. Quando essa estratégia nutricional é complementada com controle do peso corporal, exercícios adequados e manutenção de uma microbiota intestinal saudável, é possível atrasar significativamente o aparecimento dos sinais clínicos da osteoartrite e melhorar a qualidade de vida de cães e gatos ao longo de toda a vida. Por Prof. Alejandro L. Soraci MV., Dr. Cs Vet., Ph.D - Investigador Principal do CONICET
Fonte: All Pet Food Magazine

Gatos

11/08/2026

Sabores esquecidos? A Ciência por Trás da Percepção Doce e Umami  em Felinos

Sabor doce e umami em gatos: são aromas esquecidos?
Estamos realmente seguros de quais são os sabores que nossos cães e gatos percebem? Historicamente, o desenvolvimento dos sabores na indústria de alimentos para pets tem sido tratado como uma "área cinzenta", onde tudo parece possível. É comum imaginar a palatabilidade como um prato cheio de flores onde uma nota evoca carne, outra frango grelhado e, nesse cenário ideal, assumimos que todas as opções vão fascinar tanto cães quanto gatos.

No entanto, diante da realidade do consumo de alimentos, a percepção do gosto humano e dos animais de estimação acaba sendo mundos completamente distantes. Essa lacuna sensorial explica a quantidade exagerada na oferta de aromatizantes, saborizantes e palatabilizantes e, ao mesmo tempo, tantas dúvidas sobre o impacto real das matérias-primas e do processamento térmico na palatabilidade final.
Vamos voltar à base evolutiva
Todas as espécies animais dependem dos sentidos químicos (olfato e paladar) para sobreviver. Evolutivamente, essa dupla quimiossensorial permitiu que os ancestrais dos nossos pets detectassem quando um alimento estava se decompondo ou qual planta continha toxinas potencialmente letais, guiando uma escolha alimentar adequada.

Embora a ciência geralmente considere os humanos como referência universal, as diferenças em relação aos carnívoros domésticos são esmagadoras. Um cachorro, por exemplo, possui uma capacidade olfativa tão desenvolvida que consegue detectar partículas de odor de uma pessoa enterrada a vários metros de profundidade na neve ou no solo, guiada por correntes térmicas sutis. Por sua vez, o gato é um detector químico de precisão, capaz de perceber notas de oxidação lipídica na comida em concentrações mínimas que escapam completamente do cheiro humano, reagindo negativamente a indícios sutis de rancificação.

Todos os vertebrados compartilham uma estrutura neurobiológica básica para perceber as cinco qualidades do sabor: doce, umami, amargo, ácido e salgado. Respostas comportamentais, como a rejeição imediata da amargura, sugerem que mecanismos moleculares subjacentes são conservados entre espécies para prevenir envenenamentos. No entanto, variações genéticas e funcionalidades dos receptores foram forjadas sob a pressão da estratégia alimentar de cada animal. Como Paul T. Young (1966) apontou, a seleção da dieta não é aleatória: ela é determinada pelas condições orgânicas do sujeito, sua experiência prévia, sua constituição corporal e, crucialmente, pela estimulação periférica dos receptores cefálicos.
A percepção do gosto doce no felino: um caminho fechado
O gato é um carnívoro rigoroso. Em seu nicho ecológico natural, sua dieta consiste quase exclusivamente em tecido animal. Essa especialização extrema resultou em adaptações fisiológicas e metabólicas únicas: eles não possuem amilase salivar, e possuem uma dentição modificada exclusivamente para rasgar a carne e possuem a pseudogenização do gene que codifica o regulador da glicoquinase (GCKR), um elemento-chave no metabolismo dos carboidratos.

Um pseudogene é, essencialmente, uma sequência de DNA que já foi um gene funcional, mas, devido a mutações acumuladas ao longo da evolução, perdeu a capacidade de codificar proteínas. Há mais de setenta anos, pesquisas pioneiras de Ronald Kare e Charles Carpenter mostraram que os gatos não conseguiam distinguir entre água pura e soluções de sacarose, glicose, frutose ou lactose.

Foi em 2005 que a equipe de Xia Li descobriu a raiz molecular dessa indiferença: os felinos não possuem uma subunidade funcional no receptor de paladar doce chamado TAS1R2. A pressão evolutiva de uma dieta livre de açúcares vegetais tornou esse receptor desnecessário, transformando-o em um pseudogene não funcional. Assim, os gatos não "esqueceram" o gosto doce; simplesmente, sua história evolutiva anulou esse canal sensorial.
Gosto umami  em gatos: A redefinição da carne
Ao contrário do doce,  o gosto umami  é o eixo guia da palatabilidade felina. Nos humanos, está associado ao glutamato monossódico e sua principal característica é que é potenciado sinergicamente quando combinado com nucleotídeos purinos. Em 1975, White e Boudreau mostraram que certos compostos químicos eram capazes de ativar neurologicamente felinos em baixas concentrações, ditando sua preferência ou evitação.

Essas respostas são ativadas principalmente por aminoácidos livres e bases púricas (5′-ribonucleotídeos), componentes abundantes nos tecidos animais que sinalizam a presença de proteínas e ácidos nucleicos de alta qualidade. No entanto, na nutrição felina, detalhes moleculares importam. Embora tanto cães quanto gatos possuam um  receptor umami heterodimérico estruturalmente intacto, TAS1R1/TAS1R3, a especificidade dos ligantes (moléculas que se encaixam no receptor) varia drasticamente entre as espécies (Jiang & Beauchamp, 2025).
A Revolução dos Testes In Vitro: O Módulo de Venus Flytrap
Devido à complexidade e aos altos custos dos  testes in vivo  com painéis para pets, avaliar a afinidade exata dos aromatizantes tornou-se desafiador. É aqui que ensaios funcionais baseados em células e a biotecnologia molecular estão transformando a indústria por meio de duas ferramentas-chave:
  Ensaios funcionais de células: culturas de células vivas modificadas para expressar os receptores do paladar do gato, permitindo que sua resposta biológica a diferentes estímulos seja medida com precisão.
  O módulo recombinante de Venus Flytrap (VFTM): é uma estrutura proteica presente na porção extracelular dos receptores da classe C. Ele recebe esse nome por sua semelhança com a planta carnívora Venus flytrap, já que possui dois lóbulos que se fecham e "aprisionam" o ligante (o aminoácido ou nucleótido). Esse fechamento molecular ativa o receptor e desencadeia o sinal nervoso de sabor.
  Por meio dessas  tecnologias in vitro, pesquisadores como Toda (2021) demonstraram que o receptor TAS1R1/TAS1R3 em felinos responde diretamente aos 5′-ribonucleotídeos (como o IMP), mas, ao contrário dos humanos, não é ativado principalmente pelo isolamento de L-glutamato.

Da mesma forma, McGrane (2023) identificou que onze aminoácidos L atuam como potentes coativos, se e somente se forem previamente combinados com um nucleotídeo purino. Curiosamente, L-glutamato e L-aspartato — os reis do  umami humano — nem sequer funcionam como potenciadores para o receptor do gato. Isso confirma que o que é intensamente umami para um humano pode ser insípido para um gato. As evidências de Belloi (2017) usando VFTM recombinante confirmaram que a inosina (IMP) tem a capacidade única de se ligar ao receptor felino mesmo na ausência de aminoácidos livres.
Descobertas e Insights do Setor
Embora registros eletrofisiológicos tradicionais em nervos gustativos (como a corda do tímpano) mostrem que certos estímulos são intensificados ao combinar nucleotídeos com aminoácidos específicos, como L-cisteína e L-prolina. A sintonia exata do receptor umami felino continua a revelar surpresas.

Não podemos descartar que as metodologias in vitro atuais  ainda não replicam 100% da fisiologia complexa do paladar nativo no animal vivo. No entanto, entender que o sabor doce é inexistente para o gato e que sua percepção do umami obedece a um código de barras molecular estritamente adaptado ao seu nicho carnívoro é a verdadeira chave para a formulação de palatabilizantes de última geração no mercado moderno de alimentos para pets. Por Niyired Orozco Giraldo
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
•    Belloir, C., Savistchenko, J., Neiers, F., Taylor, A. J., McGrane, S., & Briand, L. (2017). Caracterização biofísica e funcional do domínio N-terminal do receptor do gosto umami do gato T1R1, expresso em Escherichia coli. PLoS ONE, 12(10), e0187051. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0187051
•    Cao, J., Huang, S., Qian, J., Huang, J., Jin, L., Su, Z., Yang, J., & Liu, J. (2009). A evolução dos módulos de atrapadores de Vênus classe C do GPCR envolveu divergência funcional selecionada positiva. BMC Biologia Evolutiva, 9(1), 67. https://doi.org/10.1186/1471-2148-9-67
•    Jiang, P., & Beauchamp, G. K. (2025). Receptores do paladar e seus nichos ecológicos: gatos, cachorros e outros vertebrados. Sentidos Químicos, 50, 1–10. https://doi.org/10.1093/chemse/bjaf052
•    Kare, M. R. (1961). Aspectos comparativos do sentido do paladar. Em M. R. Kare & B. P. Halpern (Eds.), Aspectos fisiológicos e comportamentais do paladar (pp. 6–15). University of Chicago Press.
•    Kare, M. R. (1971). Estudo comparativo do paladar. Em L. M. Beidler (Ed.), Manual de Fisiologia Sensorial: Vol. IV. Sentidos químicos (pp. 278–292). Springer-Verlag.
•    Kumazawa, T., Nakamura, M., & Kurihara, K. (1991). Respostas dos nervos do gosto canino a substâncias umami. Fisiologia & Comportamento, 49(5), 875–881. https://doi.org/10.1016/0031-9384(91)90193-G
•    Li, X., Li, W., Wang, H., Cao, J., Maehashi, K., Huang, L., Bachmanov, A. A., Reed, DR., Legrand-Defretin, V., Beauchamp, G. K., et al. (2005). A pseudogenização de um gene receptor de doce explica a indiferença dos gatos em relação ao açúcar. PLoS Genetics, 1(1), 27–35. https://doi.org/10.1371/journal.pgen.0010027
•    McGrane, S. J., Gibbs, M., Hernangómez de Alvaro, C., Dunlop, N., Winnig, M., Klebansky, B., & Waller, D. (2023). Percepção e preferências do gosto do Umami (Felis catus), um carnívoro obrigatório. Sentidos Químicos, 48, bjad026. https://doi.org/10.1093/chemse/bjad026
•    Nakamura, M., & Kurihara, K. (1990). Inibição não específica pela amilorídea das respostas nervosas da corda do tímpano canino a vários sais: Existem canais específicos de Na+ nas membranas receptoras do paladar canino? Brain Research, 524(1), 42–48. https://doi.org/10.1016/0006-8993(90)90489-7
•    Toda, Y., Hayakawa, T., Itoigawa, A., Kurihara, Y., Nakagita, T., Hayashi, M., Ashino, R., Melin, A. D., Ishimaru, Y., Kawamura, S., et al. (2021). Evolução do sensor de paladar de glutamato de primatas a partir de um sensor de nucleotídeos. Current Biology, 31(20), 4675–4676. https://doi.org/10.1016/j.cub.2021.08.059
•    White, T., & Boudreau, J. (1975). Preferências de gosto do gato para compostos neurofisiologicamente ativos. Psicologia Fisiológica, 3(4), 405–410. https://doi.org/10.3758/BF03326851
•    Young, P. T. (1966). A organização hedônica e regulação do comportamento. Revisão Psicológica, 73(1), 59–80. https://doi.org/10.1037/h0022891

Bem-estar animal

24/07/2026

Dietas terapêuticas para cães e gatos: quando são indicadas e como auxiliam no tratamento  

A alimentação desempenha papel fundamental na saúde de cães e gatos e, em determinadas situações, torna-se uma importante aliada do tratamento. É o que acontece com as dietas terapêuticas, formuladas para atender às necessidades nutricionais de pacientes com doenças específicas e contribuir para uma melhor resposta clínica.
  Segundo o médico-veterinário e zootecnista Vinicius Freire Monay, esses alimentos podem ser comerciais, secos ou úmidos, ou ainda dietas naturais formuladas exclusivamente para cada paciente e seu objetivo vai muito além de fornecer nutrientes.

'Além de nutrir, sua composição deve ser cuidadosamente ajustada para auxiliar no manejo da doença e contribuir para uma melhor qualidade de vida', explica.
  As dietas terapêuticas são indicadas para condições como doença renal crônica, obesidade, diabetes, doenças do trato urinário, alergias alimentares, distúrbios gastrointestinais e algumas enfermidades hepáticas. Nessas situações, a alimentação passa a atuar como uma aliada do tratamento clínico.
  'Cada dieta é formulada com um objetivo específico, como controlar determinados nutrientes, favorecer o funcionamento de um órgão ou ajudar no controle dos sinais clínicos', destaca Monay.   A escolha da dieta deve ser individualizada
Embora existam alimentos desenvolvidos para diferentes enfermidades, a definição da dieta não depende apenas do diagnóstico.
  O médico-veterinário avalia fatores como fase da vida, peso, escore corporal, presença de outras doenças, uso de medicamentos, aceitação do alimento e até a rotina da família, garantindo que o plano alimentar seja adequado tanto ao paciente quanto à realidade dos responsáveis.
  'O objetivo é escolher uma alimentação que atenda às necessidades nutricionais do cão ou gato e, ao mesmo tempo, auxilie no manejo da doença, contribuindo para uma melhor resposta ao tratamento', afirma.
  Contudo, o profissional alerta que a adoção de uma dieta terapêutica sem orientação pode trazer riscos.
  Como cada formulação é desenvolvida para uma condição específica, utilizá-la de forma inadequada pode comprometer a saúde do animal e até retardar o diagnóstico correto.
  'Cada dieta terapêutica é formulada para uma doença específica e, quando utilizada de forma inadequada, pode não trazer benefícios e até prejudicar a saúde', ressalta.
Resultados dependem da doença e do acompanhamento
Os benefícios variam conforme a enfermidade tratada. Entre os sinais positivos mais comuns estão melhora do apetite, da disposição, da consistência das fezes, da pele e da pelagem, redução de vômitos e controle do peso.
  No entanto, a evolução não deve ser avaliada apenas pela percepção dos responsáveis.
  O acompanhamento clínico, aliado a exames quando necessários, é fundamental para verificar se a estratégia nutricional está surtindo efeito.
  Em problemas gastrointestinais, a resposta pode surgir em poucos dias, enquanto doenças crônicas, como insuficiência renal e obesidade, costumam exigir semanas ou meses de acompanhamento.
  A duração da dieta também varia. Em algumas enfermidades ela será permanente; em outras, poderá ser substituída de forma gradual conforme a evolução do paciente.
Sucesso depende da adesão ao tratamento
Para que a dieta terapêutica alcance os resultados esperados, ela deve ser seguida corretamente.
  Um dos maiores desafios, segundo Monay, é adaptar o tratamento à rotina da família e evitar que petiscos, restos de comida ou outros alimentos comprometam o equilíbrio nutricional planejado.
  O médico-veterinário também reforça que a melhora clínica não significa que a alimentação possa ser interrompida sem orientação profissional, já que, muitas vezes, a evolução positiva é consequência da própria dieta associada ao tratamento.
  'Hoje sabemos que uma dieta adequada pode contribuir para o controle de diversas doenças, melhorar a qualidade de vida e, em muitos casos, aumentar a expectativa de vida de cães e gatos', conclui.
  Por isso, o acompanhamento de médicos-veterinários e zootecnistas que atuam com nutrição clínica é essencial para garantir uma estratégia nutricional segura, eficaz e ajustada às necessidades e à evolução clínica de cada animal. Fonte: Cães&Gatos

Bem-estar animal

10/07/2026

Recusa de alimento em cães e gatos pode indicar doenças silenciosas e avançadas  

Quando um cão ou gato começa a rejeitar a própria alimentação, muitos responsáveis tendem a interpretar o comportamento como simples seletividade, desinteresse ou até manha. Na prática clínica, porém, a recusa alimentar é tratada como um dos indicadores mais importantes do estado geral de saúde do animal.
Em ambientes de atendimento veterinário de alta complexidade, esse sinal é observado com atenção especial. Profissionais relatam que a maneira como o animal se comporta diante da comida pode funcionar como uma espécie de 'linguagem clínica', capaz de apontar desde dores dentárias escondidas até alterações sistêmicas graves.
  A relevância do tema aumenta diante da alta frequência de doenças que interferem diretamente no apetite. De acordo com a American Veterinary Medical Association (AVMA), cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos a partir dos três anos apresentam algum grau de doença periodontal. Essa condição costuma provocar dor ao mastigar e, consequentemente, redução ou recusa da alimentação, muitas vezes sendo um dos primeiros sinais percebidos pelos responsáveis.
  'O erro mais comum é o responsável esperar o pet ficar dois ou três dias sem comer para procurar ajuda. Na medicina veterinária, trabalhamos com o conceito de que o apetite é o maior termômetro de saúde que o animal possui. Quando ele cessa totalmente, o organismo está gastando uma energia preciosa para tentar combater alguma disfunção interna, deixando a alimentação em segundo plano. Não é birra, é biologia', explica Carollina Marques, médica-veterinária na WeVets.   A recusa alimentar pode indicar diferentes tipos de alterações clínicas
Segundo a profissional, a forma como o animal reage à comida pode ajudar a identificar a origem do problema.
  Em alguns casos, o pet demonstra interesse pelo alimento, se aproxima, cheira, mas hesita ou até deixa a comida cair da boca. Esse padrão geralmente está ligado a dores na região oral ou facial, como abscessos, fraturas dentárias subgengivais, gengivites avançadas ou problemas na articulação temporomandibular. O apetite existe, mas o ato de mastigar provoca dor.
  Outro comportamento observado é a rejeição imediata. O animal cheira a comida e vira o rosto, muitas vezes com lambedura excessiva dos lábios ou salivação intensa. Esse quadro pode indicar náuseas metabólicas, comuns em casos de insuficiência renal ou hepática, quando há acúmulo de toxinas no organismo.
  Já a apatia alimentar é considerada o sinal mais preocupante. Nessa situação, o animal ignora completamente qualquer estímulo relacionado à comida, mantém-se isolado e apresenta prostração. Esse padrão pode estar associado a quadros graves, como febre alta, dores abdominais intensas, infecções sistêmicas ou doenças oncológicas.
Gatos exigem atenção redobrada diante do jejum prolongado
A tolerância ao jejum varia entre as espécies. Em cães saudáveis, a ausência de uma refeição já merece observação, enquanto a perda de duas refeições consecutivas ou períodos prolongados sem ingestão alimentar já indicam necessidade de avaliação veterinária.
  Nos gatos, o risco é maior. Por conta do metabolismo particular da espécie, longos períodos sem alimentação podem levar ao desenvolvimento da Lipidose Hepática Felina, uma doença grave e potencialmente fatal.
  O cenário se agrava em animais com sobrepeso. Dados da Association for Pet Obesity Prevention (APOP) indicam que mais de 60% dos gatos domésticos estão acima do peso ou obesos, o que aumenta a mobilização de gordura durante o jejum e eleva o risco de complicações hepáticas.
  'Os gatos são animais metabolicamente extremamente sensíveis ao jejum prolongado. A janela de intervenção eficaz nesses casos é muito estreita. Se um felino passa de 24 a 48 horas sem ingerir calorias, o risco de desenvolver uma falência hepática secundária é altíssimo, o que transforma o caso em uma urgência médica absoluta de UTI', reforça a veterinária.
  Além disso, estudos internacionais apontam que a Doença Renal Crônica afeta entre 30% e 40% dos gatos acima de 10 anos de idade, sendo a perda de apetite um dos sinais clínicos mais frequentes da enfermidade. 'Quando um animal deixa de comer, a pergunta não deve ser qual alimento oferecer, mas por que ele parou de comer. A resposta para essa pergunta é o que realmente define o prognóstico do paciente', conclui Carollina.   FAQ sobre recusa de alimento em cães e gatos
Quando a recusa alimentar em cães e gatos deve preocupar?
Quando o animal deixa de comer por mais de uma refeição ou apresenta outros sinais associados, como apatia, dor ou alterações comportamentais, é indicado buscar avaliação veterinária.
  A recusa de comida pode estar ligada a quais doenças?
Pode estar relacionada a doenças periodontais, problemas renais ou hepáticos, dores orais, infecções sistêmicas, febre, entre outras condições clínicas.
  Por que gatos são mais sensíveis ao jejum?
Porque o metabolismo felino é mais vulnerável a períodos prolongados sem alimentação, podendo levar rapidamente à Lipidose Hepática Felina, uma condição grave e potencialmente fatal. Fonte: Cães&Gatos

Bem-estar animal Microbiota e doenças em cães e gatos: pesquisadores defendem o uso rotineiro da dieta para garantir a saúde desses animais

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Microbiota e doenças em cães e gatos: pesquisadores defendem o uso rotineiro da dieta para garantir a saúde desses animais

Tanto em humanos quanto em animais de companhia, a microbiota intestinal — a comunidade de microrganismos que habitam o intestino — está intimamente ligada à saúde , e alterações em sua composição têm sido associadas a diversas doenças crônicas.
  Nesse sentido, em animais de estimação, o fator mais crucial e controlável que influencia a microbiota intestinal é a dieta do animal , cuja modulação exerce forte influência sobre sua saúde.
  Para abordar a literatura sobre esta área crucial, uma equipe de pesquisadores publicou uma revisão científica que oferece uma síntese abrangente do impacto dos componentes e formatos da dieta na microbiota intestinal de cães e gatos.
  Além disso, analisa como essas alterações estão associadas aos efeitos na saúde e como a dieta pode auxiliar no tratamento de doenças , além de examinar criticamente as limitações atuais e propor futuras linhas de pesquisa.
  A revisão começa detalhando a composição do microbioma intestinal em cães e gatos, bem como a função da microbiota intestinal em animais de companhia, destacando as funções metabólicas, de regulação imunológica, digestivas e de proteção da barreira intestinal (suprimindo a adesão de patógenos por meio da competição por nutrientes e sítios de adesão no intestino).
  Em seguida, a revisão se concentra nos componentes nutricionais e seu impacto na microbiota intestinal, bem como nos formatos dos alimentos e seus efeitos, e então lista extensivamente as ligações entre a microbiota intestinal e doenças em cães e gatos , além de intervenções dietéticas e manejo da saúde intestinal.
  A nutrição é um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em animais de estimação
A revisão científica conclui que a nutrição atua como moduladora e mediadora da saúde da microbiota intestinal e que "constitui um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em cães e gatos".
  Entre os vários exemplos destacados nas conclusões, os pesquisadores apontam que, em doenças do trato gastrointestinal, metabolismo, rins, fígado e sistema imunológico, a nutrição individualizada tem demonstrado repetidamente equilibrar a microbiota e promover respostas clínicas positivas.
  'Os resultados gerais corroboram a ideia de que a modulação dietética não é apenas uma forma de cuidado paliativo, mas também uma abordagem terapêutica primária para otimizar a atividade do eixo intestino-órgãos', enfatizam os pesquisadores.
  No entanto, os pesquisadores acreditam que, para maximizar a eficácia das intervenções relacionadas à dieta e à microbiota , é necessário superar diversas limitações, como o fato de os estudos existentes serem frequentemente limitados e de curta duração, e a literatura relevante apresentar uma distribuição desigual, com lacunas mais significativas em estudos focados em felinos.
  'Em última análise, o desenvolvimento de orientações nutricionais baseadas no microbioma revolucionaria a saúde dos animais de estimação por meio da prática veterinária terapêutica, de modo que a dieta se torne um meio rotineiro e baseado em evidências para garantir e manter a saúde a longo prazo de cães e gatos', enfatizam os pesquisadores.   ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS: UMA MELHORIA NA SAÚDE AO ALCANCE DA SUA PATA
Veterinários e tutores de animais de estimação têm cada vez mais opções, e de melhor qualidade, para cuidar da saúde e do bem-estar de cães e gatos. De fato, o suporte nutricional para animais de estimação, sejam eles saudáveis ​​ou doentes , com uma abordagem preventiva, é mais do que possível graças às fórmulas disponíveis no mercado.
  Assim, para abordar os aspectos preventivos e terapêuticos da nutrição destacados no estudo, o setor oferece diversas inovações. Por exemplo, o Grupo Trixder , através da sua marca Josera , oferece a gama Josera Help , que, juntamente com a Josera Super Premium (focada em animais saudáveis), promove a saúde de cães e gatos, neste caso direcionada a animais adultos doentes.
  Com todas as garantias de qualidade da Josera, a principal característica da linha Help são os seus benefícios nutricionais . Tudo isso oferecido em receitas adaptadas a doenças e fases da vida específicas.
  Na verdade, essas dietas veterinárias são focadas em diferentes aspectos que podem ser melhorados com a nutrição, como intolerâncias e alergias alimentares ou problemas digestivos, ou para ajudar cães ou gatos com patologias como insuficiência cardíaca crônica, insuficiência hepática crônica ou insuficiência renal crônica. Fonte: Animal's Health

Cães Microbiota intestinal e imunidade em filhotes: como o início da vida define a saúde futura
 

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Microbiota intestinal e imunidade em filhotes: como o início da vida define a saúde futura  

Entre esses fatores, a microbiota intestinal tem ganhado destaque como um dos principais moduladores da saúde, atuando diretamente na regulação das respostas imunológicas (Ji et al., 2023; Yang & Wu, 2023).   O início de tudo: colonização microbiana
A colonização do trato gastrointestinal tem início imediatamente após o nascimento. 
  Filhotes oriundos de parto vaginal entram em contato direto com a microbiota materna, enquanto aqueles nascidos por cesariana tendem a apresentar um perfil microbiano inicial distinto, geralmente com menor diversidade (Zakošek et al., 2020). 
  Evidências recentes indicam que microrganismos podem ser detectados em fases muito precoces da vida, influenciando diretamente o desenvolvimento inicial do hospedeiro (Bertero et al., 2024).
  Nesse contexto, o colostro e o leite materno desempenham papel central, atuando não apenas como fontes de nutrientes, mas também como veículos de imunoglobulinas, compostos bioativos e microrganismos benéficos que contribuem para o estabelecimento de uma microbiota intestinal equilibrada (Wilson & Swanson, 2024).
  Janela crítica de desenvolvimento
O período neonatal é frequentemente descrito como uma 'janela crítica'. Durante essa fase, a microbiota intestinal sofre rápidas mudanças em composição e diversidade, sendo fortemente influenciada por fatores como ambiente, manejo, uso de antimicrobianos e, principalmente, dieta (Woolley et al., 2025).
  Alterações nesse processo podem gerar efeitos duradouros, impactando não apenas a saúde intestinal, mas também o equilíbrio sistêmico ao longo da vida.   Intestino: um centro imunológico
O sistema imunológico de cães atinge sua maturidade por volta dos seis meses de idade, período acompanhado por mudanças marcantes na composição da microbiota intestinal (Masuoka et al., 2016). 
  Ao longo desse processo, observa-se que as comunidades microbianas variam significativamente com a idade, refletindo o desenvolvimento fisiológico do hospedeiro (Woolley et al., 2025).
  Nesse cenário, o intestino se consolida como um dos principais órgãos imunológicos do organismo, abrigando o tecido linfoide associado ao intestino (GALT), responsável por concentrar grande parte das células de defesa. 
A interação contínua entre os microrganismos intestinais e o sistema imune é essencial para o desenvolvimento e a regulação das respostas imunológicas, tanto inatas quanto adaptativas (Ji et al., 2023).
  Bactérias comensais desempenham papel central nesse processo, promovendo a maturação do sistema imune, estimulando a produção de imunoglobulina A (IgA) e contribuindo para o equilíbrio entre respostas inflamatórias e mecanismos de tolerância (Yang & Wu, 2023).
  Adicionalmente, metabólitos produzidos pela microbiota, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), atuam diretamente na manutenção da integridade da barreira intestinal e na modulação da resposta inflamatória, reforçando a relevância do eixo microbiota–imunidade para a saúde do hospedeiro (Ji et al., 2023). Por Vanessa R. Olszewski, Lais M. Antunes, Danieli Z. Cypriano e Ananda P. Felix
Fonte: Cães&Gatos
  REFERÊNCIAS: BERTERO, A. et al. Meconium microbiota in naturally delivered canine puppies. BMC Veterinary Research, v. 20, n. 1, p. 363, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12917-024-04225-2 BAMBERGER, T. et al. Mapping the canine microbiome: insights from the dog aging project. 2024. DOI: https://doi.org/10.1101/2024.12.02.625632 JI, Y.; YANG, Y.; WU, Z. Programming of metabolic and autoimmune diseases in canine and feline: linkage to the gut microbiome. Microbial Pathogenesis, v. 185, p. 106436, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.micpath.2023.106436 MASUOKA, H. et al. Transition of the intestinal microbiota of dogs with age. Bioscience of Microbiota, Food and Health, v. 36, p. 27–31, 2016. DOI: https://doi.org/10.12938/bmfh.BMFH-2016-021 NEU, J. Developmental aspects of maternal-fetal and infant gut microbiota and implications for long-term health. Maternal Health, Neonatology and Perinatology, v. 1, p. 6, 2015. PEREIRA, A. M.; CLEMENTE, A. Dogs' microbiome from tip to toe. Topics in Companion Animal Medicine, v. 45, p. 100584, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tcam.2021.100584 SCHMID, S. M.; TOLBERT, M. K. Harnessing the microbiome: probiotics, antibiotics and their role in canine and feline gastrointestinal disease. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 13–25, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4915 STAVROULAKI, E. M.; SUCHODOLSKI, J. S.; XENOULIS, P. G. Effects of antimicrobials on the gastrointestinal microbiota of dogs and cats. The Veterinary Journal, v. 291, p. 105929, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2022.105929 WILSON, S. M.; SWANSON, K. S. The influence of 'biotics' on the gut microbiome of dogs and cats. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 2–12, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4914 WOOLLEY, C. S. C. et al. The gut microbiota of Labrador retriever puppies: a longitudinal cohort study. Animal Microbiome, v. 7, p. 108, 2025. YANG, B. et al. Dietary modulation of the gut microbiota in dogs and cats and its role in disease management. Microorganisms, v. 13, n. 12, p. 2669, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms13122669 YANG, Q.; WU, Z. Gut probiotics and health of dogs and cats: benefits, applications, and underlying mechanisms. Microorganisms, v. 11, n. 10, p. 2452, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms11102452  


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Sustentabilidad

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14/10/2026

La huella invisible del pet food: cuando la falta de inteligencia de mercado también impacta al planeta

La industria pet food ha realizado avances importantes en materia de sostenibilidad. Los fabricantes, proveedores y retailers invierten cada vez más recursos para mejorar la eficiencia energética, reducir residuos, optimizar rutas logísticas y desarrollar alternativas de empaque con menor impacto ambiental.

Son iniciativas necesarias y valiosas. Sin embargo, existe una pregunta que rara vez aparece en las conversaciones del sector. ¿Cuánta huella genera una decisión equivocada? La pregunta puede parecer extraña, pero resulta cada vez más relevante en una industria que opera en entornos de creciente complejidad, donde las decisiones involucran inversiones multimillonarias, cadenas de suministro internacionales, capacidades industriales de largo plazo y consumidores cuyos hábitos evolucionan constantemente.

Cuando hablamos de sostenibilidad, solemos concentrarnos en lo que ocurre después de que una decisión ha sido tomada, es decir, lo que ocurre dentro de la planta, durante la distribución o en el punto de venta. Es mucho menos frecuente analizar lo que sucede antes.
Muchas de las huellas más costosas se generan en la sala de juntas
Existe una tendencia natural a asociar el impacto ambiental con la manufactura. Sin embargo, algunas de las decisiones con mayores consecuencias para el uso eficiente de recursos se toman mucho antes de que una planta produzca un solo kilogramo de alimento.

Una inversión sobredimensionada, una expansión basada en expectativas poco realistas o una lectura incorrecta del mercado pueden generar años de ineficiencias operativas difíciles de corregir posteriormente. Cuando esto ocurre, el problema ya no es solo financiero. También se traduce en recursos movilizados, capacidad instalada, inventarios y esfuerzos comerciales que terminan persiguiendo una oportunidad distinta a la que realmente existía.

La sostenibilidad suele medirse después de producir. Tal vez, parte de la conversación debería comenzar antes de invertir.

Pensemos en una empresa que decide ampliar la capacidad productiva para una categoría que aparentemente crecerá durante los próximos años. La decisión parece lógica. Sin embargo, si el crecimiento real se concentra en segmentos específicos, si existe la capacidad ociosa suficiente en el mercado o si la demanda evoluciona de forma distinta a la esperada, la consecuencia puede ser una inversión subutilizada durante años. Esto es muy común.

Lo mismo ocurre con los lanzamientos. Diversos estudios de productos de consumo masivo estiman que una proporción significativa de los nuevos productos no logra alcanzar los objetivos comerciales originalmente planteados. Detrás de cada uno de esos proyectos existieron materias primas, empaques, capacidad industrial, transporte, almacenamiento, tiempo ejecutivo y recursos financieros que fueron movilizados para capturar una oportunidad que terminó siendo menor a la prevista.

Normalmente, analizamos estos casos desde una perspectiva financiera. Sin embargo, también representan un uso ineficiente de recursos que pudo haberse evitado con una comprensión más profunda del mercado.
La industria tiene datos, pero no siempre tiene arquitectura
En este contexto, la mayoría de las empresas cuenta con información suficiente para entender su propio negocio: ventas, costos, clientes, inventarios, márgenes, eficiencia operativa y desempeño por canal. Aunque ese no suele ser el problema central.

El desafío aparece cuando la decisión requiere entender el sistema completo, es decir, cuando una empresa necesita saber si el crecimiento de una categoría proviene de mayor consumo real o solo de inflación; si el volumen adicional se está concentrando en pocos jugadores o está abriendo espacio para nuevos competidores; si una expansión regional justifica inversión propia o puede resolverse mediante la capacidad existente; si el canal que crece también captura valor, o solo desplaza volumen con menor rentabilidad. Ese tipo de respuestas rara vez vive en una sola base de datos. Suele estar fragmentado entre áreas comerciales, reportes de mercado, distribuidores, proveedores, plantas, clientes y conocimiento acumulado por equipos locales. Por eso, muchas decisiones no fallan por falta absoluta de información, sino por falta de una lectura integrada del mercado. La diferencia es enorme. Una empresa puede tener muchos datos y, aun así, no tener una arquitectura clara para decidir.
El verdadero costo de la incertidumbre
Durante años, la industria aprendió a medir toneladas, market share, ventas y productividad, indicadores fundamentales para administrar cualquier negocio. Sin embargo, existe un costo que pocas veces aparece en los tableros directivos: la incertidumbre.

La incertidumbre se manifiesta cuando una organización desarrolla más SKUs de los que el mercado realmente necesita. Asimismo, cuando invierte en categorías cuya rentabilidad futura fue sobreestimada; cuando tarda meses en identificar al socio industrial adecuado; cuando construye capacidades que terminan operando por debajo de su potencial, o cuando lanza productos cuya propuesta de valor nunca fue suficientemente validada.

Cada uno de estos errores genera costos visibles e invisibles. Los visibles aparecen en los estados financieros. Los invisibles aparecen en forma de recursos, tiempo, energía, transporte, materiales y esfuerzos que pudieron haberse destinado a oportunidades con mayor probabilidad de éxito.
La próxima ventaja competitiva será la calidad de las decisiones
Durante la historia de la industria pet food, las ventajas competitivas estuvieron asociadas a mejores plantas, mejores fórmulas, mejores procesos productivos y mejores redes de distribución.

Todos esos factores seguirán siendo importantes. Sin embargo, la próxima ventaja competitiva de la industria probablemente no provenga de una mejor planta o de una mejor fórmula, sino de una mejor comprensión del sistema.

Los mercados no funcionan en compartimentos aislados; las decisiones tampoco. Así como una inversión industrial afecta la estructura competitiva, un cambio en los canales modifica la rentabilidad. Por otro lado, la disponibilidad de capacidad productiva altera las barreras de entrada, mientras que la evolución del consumidor redefine categorías enteras.

El desafío consiste en comprender cómo interactúan estas variables antes de comprometer recursos. En mercados cada vez más complejos, los errores más costosos rara vez provienen de ejecutar mal una estrategia; con frecuencia provienen de haber interpretado mal la oportunidad desde el principio.
Optimizar decisiones reduce la huella y mejora nuestro negocio
La industria seguirá innovando en ingredientes, empaques y procesos. Sin embargo, algunas de las mayores oportunidades de mejora no están dentro de las plantas, sino antes de que una inversión, un lanzamiento o una expansión sean aprobados.

Las empresas que mejor comprendan el mercado, y no solo su negocio, serán las que asignen mejor sus recursos, cometan menos errores estratégicos y capturen más crecimiento. Por Iván Franco
Fuente: All Pet Food Magazine

Por Iván Franco

Entrevistas

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13/10/2026

Roberto Ortín, CEO de Alinatur — Estrategia, mercado y visión de futuro

Para comenzar, ¿podría contarnos brevemente sobre su recorrido profesional y su rol actual dentro de Alinatur?
Mi trayectoria ha estado siempre ligada a este sector. He tenido la oportunidad de acompañar a Alinatur en un momento de transformación real: pasar de ser una compañía con una base industrial sólida, con más de 65 años de historia, a convertirnos en el único fabricante 360 del sector pet food, con presencia en más de 80 países y una apuesta decidida por la innovación. Hoy mi responsabilidad es liderar la estrategia global del grupo: decidir dónde invertimos, cómo crecemos y cómo seguimos fortaleciendo nuestras cinco marcas en cada mercado en el que estamos presentes.
¿Cómo describiría hoy el posicionamiento de Alinatur dentro del mercado pet food, tanto a nivel local como regional?
Alinatur es hoy el único fabricante 360 del sector pet food: un grupo, cinco marcas, toda la experiencia pet food. Bravery, Amity, Plenty, Serrano y Yuggy responden a perfiles y necesidades de consumidor distintos, pero comparten un mismo control integral del proceso, desde la formulación hasta la fabricación.

Contamos con tres fábricas especializadas —seco, húmedo y snacks— que nos dan una capacidad y una flexibilidad poco habituales en el sector. Esa base industrial, junto con más de 65 años de experiencia, nos permite competir con marcas internacionales manteniendo algo que para nosotros es clave: la cercanía al cliente y la calidad de producto.
¿Cuáles son los principales pilares estratégicos que están impulsando el crecimiento de la compañía en esta etapa?
Trabajamos sobre cuatro pilares: innovación, internacionalización, capacidad productiva y fortalecimiento de marca. En innovación, seguimos desarrollando gamas más funcionales y adaptadas a lo que pide hoy el consumidor. En internacionalización, seguimos ganando peso en más de 80 países, con equipo propio especializado en comercio internacional. Y en capacidad productiva, estamos invirtiendo en nueva capacidad de húmedo y en logística, porque sabemos que ahí está buena parte de nuestro crecimiento futuro. Todo eso, sostenido por nuestras cinco marcas —Bravery, Amity, Plenty, Serrano y Yuggy—, cada una con una propuesta de valor y un posicionamiento cada vez más claros en el mercado.
Desde su perspectiva, ¿qué oportunidades existen hoy para empresas como Alinatur dentro del mercado pet food en la región?
Vivimos un momento muy interesante. La humanización de la mascota es una tendencia que no para de crecer, y eso se traduce en una demanda real de productos de mayor calidad, con mejores ingredientes y beneficios funcionales concretos —salud digestiva, piel y pelo, movilidad—. Para una compañía como Alinatur, con capacidad industrial propia y conocimiento técnico acumulado durante más de 65 años, esto es una oportunidad clara: podemos responder rápido a esas nuevas expectativas sin depender de terceros.   Desde el punto de vista productivo, ¿qué desafíos considera más relevantes actualmente en la fabricación de alimentos para mascotas?
El reto principal es mantener el equilibrio entre calidad, eficiencia y sostenibilidad al mismo tiempo. El consumidor exige cada vez más, y nosotros tenemos que garantizar seguridad alimentaria y trazabilidad completa en todas nuestras plantas. A eso se suma la volatilidad de las materias primas, que nos obliga a planificar con mucha más anticipación de la que necesitábamos hace unos años. Por eso estamos invirtiendo en ampliar nuestra capacidad productiva, especialmente en húmedo, y en reforzar la logística que sostiene todo ese crecimiento.
La industria está evolucionando rápidamente. ¿Qué cambios en tecnología, procesos o automatización están teniendo mayor impacto en sus operaciones?
Estamos avanzando mucho en automatización, digitalización de procesos y control de calidad. Estas herramientas nos permiten producir de forma más eficiente, pero sobre todo nos dan una trazabilidad mucho más completa, algo que hoy el mercado —y la normativa— nos exige. También nos ayudan a tomar decisiones más rápido, que es fundamental en un sector que cambia tan deprisa como este.
¿Cómo están respondiendo desde Alinatur a las nuevas demandas del consumidor, como mayor calidad, trazabilidad o ingredientes funcionales?
Respondemos con innovación constante en producto. Seleccionamos con mucho cuidado los ingredientes y desarrollamos recetas cada vez más funcionales, pensadas para necesidades reales de la mascota: salud digestiva, piel y pelo, movilidad, bienestar general. Y en paralelo seguimos reforzando nuestros sistemas de control y trazabilidad, porque la confianza del cliente se construye ahí, en la garantía de que lo que decimos en el pack es exactamente lo que hay dentro.
En un contexto competitivo, ¿cómo trabajan la diferenciación y el posicionamiento de sus productos en el mercado?
Nuestra diferenciación nace de combinar conocimiento nutricional, innovación y calidad real de producto. Cada marca del grupo tiene una propuesta de valor definida para un perfil de cliente distinto, y eso nos permite no competir únicamente en precio. Apostamos por ingredientes naturales, formulaciones avanzadas y una comunicación transparente con el cliente y el consumidor final. El objetivo siempre es aportar valor real, no solo estar presentes en el lineal.
Para cerrar, ¿qué visión tienen sobre la evolución del mercado pet food en los próximos años y el rol que busca ocupar Alinatur en ese escenario?
Creo que el sector va a seguir creciendo, impulsado por una preocupación cada vez mayor por la salud y el bienestar de las mascotas. Vamos a ver más demanda de productos especializados, funcionales y sostenibles. Alinatur quiere estar ahí como una de las compañías de referencia en Europa, apoyada en tres cosas: capacidad industrial —con la nueva capacidad de húmedo y logística que estamos desarrollando—, innovación constante, y una presencia internacional cada vez más fuerte. Queremos crecer, pero de forma responsable, aportando valor real a clientes, distribuidores y consumidores en todo el mundo. Por Roberto Ortín
Fuente: All Pet Food

Sustentabilidad

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13/10/2026

Del campo al bowl: un análisis para maximizar los impactos en sustentabilidad

Las empresas multinacionales que lideran la industria ya están trazando la cancha y estableciendo el estándar. Nestlé ha hecho compromisos públicos contundentes para reducir sus emisiones de gases de efecto invernadero y alcanzar cero emisiones netas, poniendo un peso enorme en el impulso a la agricultura regenerativa. Mars Petcare apunta a una reducción del 50 % de su huella de carbono a lo largo de toda su cadena y ha implementado metas agresivas para transformar sus empaques hacia economías circulares.
¿Por qué los gigantes de la categoría invierten tantos recursos en esto? 
Porque los consumidores están exigiendo mayor responsabilidad; los recursos naturales son finitos y la viabilidad financiera a largo plazo depende de la capacidad de adaptación.

Para entender cómo podemos maximizar nuestros impactos, exploremos la cadena de producción desde una perspectiva holística: del campo al bowl. Como he mencionado en otras ocasiones, la fábrica puede parecer un mundo mágico donde ingresan materias primas y nacen productos envasados con valor agregado, pero cada paso, dentro y fuera de esta magia, deja una huella ambiental que el área comercial, junto con otras operaciones, debe saber gestionar y comunicar.

El campo: adquisición de materias primas e ingredientes
El proceso de fabricación de alimentos para mascotas es complejo. La calidad del producto final depende, en gran medida, de la calidad de los ingredientes. Sin embargo, en el ecosistema actual, esa "calidad" también debe contemplar el origen y el impacto en el planeta. La agricultura y la ganadería representan, indiscutiblemente, la mayor parte de la huella de carbono de nuestra industria.
  Agricultura y ganadería regenerativa: debemos transicionar hacia proveedores que apliquen prácticas que mejoren la salud del suelo, optimicen el uso del agua y capturen carbono atmosférico.
  Sustentabilidad en proteínas: rediseñar la cadena de suministro para evitar el riesgo de deforestación en materias primas críticas y apostar por la obtención de fuentes 100 % certificadas o incluso, evaluar el uso de proteínas alternativas con menor carga ambiental.
  El proceso: operaciones y manufactura
Dentro de la planta de producción, cada etapa presenta grandes oportunidades. Muchas veces, las mejores ideas surgen de la observación cuidadosa y de la comprensión profunda del proceso productivo. Lo mejor de todo es que la innovación sustentable no siempre requiere presupuestos millonarios.
  Energía y gestión del agua: el cambio progresivo hacia fuentes de energía renovables en las plantas y la optimización radical en el uso del agua industrial son pasos fundamentales para descarbonizar la producción.
  Innovación de bajo esfuerzo y alto impacto: mejorar la digestibilidad del alimento permitirá reducir el desperdicio biológico de la mascota. Asimismo, en alimentos secos, monitorear y hacer más eficientes los parámetros de presión y temperatura durante la extrusión no solo es vital para la calidad del producto, sino que disminuye drásticamente el consumo energético.
  El empaque: la cara del producto
El empaquetado protege al alimento de la humedad, la luz y el oxígeno, y proporciona información vital al consumidor. Sin embargo, la dependencia histórica de plásticos multicapa representa un gran pasivo ambiental.
  Economía circular de los materiales: utilizar materiales de empaque más sustentables, como envases monomateriales reciclables o compostables, reduce el impacto ambiental y atrae a consumidores cada vez más conscientes. Esto no requiere modificar la fórmula del alimento, pero genera un impacto sumamente positivo en la imagen de marca.
  Eficiencia logística: desde el punto de vista logístico, mejorar el porcentaje de llenado o redimensionar empaques para que sean más eficientes pueden traer ahorros operativos a gran escala. Las cajas y los pallets optimizados se traducen en menos camiones en las rutas, lo que disminuye el gasto en combustibles fósiles y las emisiones. Así mismo, unirse a la revolución de la electromovilidad también aportará al esfuerzo mayor de sustentabilidad.
  El bowl: comercialización y marketing
Las áreas comerciales deben ser embajadoras honestas de la sustentabilidad de la marca. La elección del material de empaque y el diseño de la etiqueta son decisiones estratégicas, ya que representan el primer elemento de comunicación en las góndolas antes de llegar al bowl de la mascota.
  Marketing con sustancia: es vital que las áreas comerciales conozcan los detalles sobre el impacto ambiental de ciertos ingredientes clave e iniciativas operativas de la fábrica. Al comunicar estos esfuerzos con datos reales, la empresa fortalece su posición frente al mercado.
  Transparencia como ventaja competitiva: entender el proceso "del campo al bowl" permite al equipo de ventas responder con precisión a preguntas sobre los métodos de fabricación, orígenes y controles de calidad. Esta transparencia construye credibilidad, fomenta relaciones a largo plazo y nos aleja de los enormes riesgos reputacionales del greenwashing.   Un llamado a la acción en toda la cadena
La innovación orientada a la sustentabilidad es una estrategia ganadora a largo plazo en la industria de alimentos para mascotas. Al comprender a fondo la cadena de valor, el área comercial puede desatar una oleada de ideas creativas que mejoran los productos, optimizan los costos y satisfacen las nuevas demandas del mercado.

Sin embargo, alcanzar la meta de un modelo de negocio verdaderamente responsable no es una labor confinada al departamento de calidad o medio ambiente; es un esfuerzo sistémico que abarca desde las compras agrícolas hasta el petshop de barrio.

Cierro este artículo con una invitación genuina a todos los actores del ecosistema (fabricantes, proveedores de materias primas, veterinarios y retailers). Tomemos un momento para examinar nuestras propias operaciones: ¿Dónde podemos generar menos residuos? ¿Qué innovación silenciosa podemos implementar hoy mismo? 

El éxito sostenido de la industria requerirá que sepamos nutrir a nuestras mascotas con la misma pasión con la que preservamos el único planeta que tenemos para compartir con ellas. Por Felipe Martínez R.
Fuente: All Pet Food Magazine

Por Felipe Martínez R.

Novedades de la industria

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09/10/2026

VIII SINPET debate la aplicación de la ciencia en la clínica y en la industria de pet food

La propuesta es promover el intercambio entre profesionales de diferentes áreas, acercando el conocimiento producido en la investigación a las demandas de la industria de pet food y de la clínica. Según Luciano Trevizan, profesor de la UFRGS y coordinador del simposio, el objetivo es discutir cómo los resultados científicos pueden contribuir directamente a la salud de los animales y al desarrollo de soluciones nutricionales.

'El principal objetivo en este evento es que discutamos cómo la ciencia que se genera dentro de nuestros laboratorios y a través de la investigación puede transferirse para beneficio directo del animal o hacia la industria, para que se generen soluciones nutricionales para animales de compañía', explica.

En su octava edición, el SINPET mantiene una propuesta de educación continua, reuniendo a profesionales e investigadores de Brasil y del exterior para compartir conocimientos y discutir posibilidades de aplicación práctica de la ciencia. Realizado cada dos años, el simposio también tiene carácter itinerante, alternando su realización entre universidades de la región sur del país.
Programación estratégica para la nutrición de perros y gatos
A lo largo de los dos días, la agenda abordará diferentes aspectos de la nutrición de animales de compañía, con discusiones sobre salud intestinal, microbiota, ingredientes funcionales, digestibilidad, procesamiento de alimentos y nuevas tecnologías aplicadas a la investigación.

El primer día, 15 de octubre, la programación comenzará con una discusión sobre la aplicación de la ciencia en la práctica, a cargo de Luciano Trevizan. A continuación, Tânia Miltenburg, coordinadora de formulaciones de Royal Canin, abordará la transformación de las evidencias científicas en aplicaciones técnicas.

Entre los demás destacados se encuentran las presentaciones sobre el uso de polifenoles derivados de Acacia mearnsii en dietas para perros, métodos in vitro para determinar la digestibilidad total en perros y gatos y el potencial inmunomodulador del calostro. La agenda también contempla los desafíos científicos y regulatorios relacionados con el desarrollo de nuevos aditivos para la alimentación animal.

La salud intestinal tendrá un espacio relevante en las discusiones de la tarde, con presentaciones sobre microbioma, gastroenterología clínica y aplicaciones del microbiota fecal en la medicina de perros y gatos. La profesora Maria Chiara Sabetti, de la Universidad de Parma, en Italia, participará en actividades sobre evidencias científicas en formulación nutricional y protocolos clínicos para el trasplante de microbiota fecal.

El segundo día, 16 de octubre, la programación comenzará con un abordaje sobre el uso de la inteligencia artificial en la investigación en nutrición animal. Otros temas incluyen los riesgos asociados al transporte de materias primas, la conservación de dietas sin aditivos artificiales y la estabilidad de aminas biogénicas durante el proceso de extrusión.

Las tecnologías de envasado también estarán entre los temas discutidos, considerando la contribución de sus diferentes capas a la conservación de los alimentos. A continuación, la agenda avanzará hacia temas como nutrición y expectativa de vida de perros y gatos, proteínas unicelulares bacterianas, ingredientes funcionales y soluciones nutricionales orientadas a la salud intestinal.

El cierre científico contará con una presentación sobre los requerimientos nutricionales tras la adopción de nuevos métodos de estimación de aminoácidos, a cargo de Lucas Scarpim, de la Universidad Estadual Paulista (UNESP).
Integración entre investigación e industria
La diversidad de temas refuerza la propuesta del SINPET de acercar diferentes áreas del conocimiento y ampliar las posibilidades de aplicación de los resultados científicos en el desarrollo de alimentos y soluciones nutricionales para animales de compañía.

Para Luciano Trevizan, la reunión de profesionales de la industria y de la clínica favorece la discusión sobre cómo las innovaciones producidas en la investigación pueden llegar a la práctica y contribuir a una alimentación saludable para perros y gatos.

Dirigido a estudiantes y profesionales de Medicina Veterinaria, Zootecnia, Agronomía, Ingeniería de Alimentos y áreas relacionadas con la nutrición y el metabolismo de animales de compañía, el VIII SINPET tendrá una carga horaria de 16 horas. El evento se realizará de forma presencial en el Salón de Actos de la UFRGS, ubicado en Avenida Paulo Gama, 110, en Porto Alegre.

Más información sobre las inscripciones y la programación está disponible en el sitio web oficial de Funep. Fuente: All Pet Food


English Section

Sustainability

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14/10/2026

The Invisible Footprint of Pet Food: When the Lack of Market Intelligence Also Impacts the Planet

The pet food industry has made significant progress in sustainability. Manufacturers, suppliers, and retailers are investing increasing resources in improving energy efficiency, reducing waste, optimizing logistics routes, and developing packaging alternatives with lower environmental impact.

These are necessary and valuable initiatives. However, there is one question that rarely appears in industry conversations: How big is the footprint if we make wrong decisions? The question may seem unusual, but it is becoming increasingly relevant in an industry that operates in environments of growing complexity, where decisions involve multimillion-dollar investments, international supply chains, long-term industrial capabilities, and consumers whose habits are constantly evolving.

When we talk about sustainability, we tend to focus on what happens after a decision has been made, which is what happens inside the plant, during distribution, or at the point of sale. It is much less common to analyze what happens beforehand.
Many of the Costliest Footprints Are Generated in the Boardroom
There is a natural tendency to associate environmental impact with manufacturing. However, some of the decisions with the greatest consequences for the efficient use of resources are made long before a plant produces a single kilogram of food.

An oversized investment, an expansion based on unrealistic expectations, or an incorrect reading of the market can generate years of operational inefficiencies that are difficult to correct afterward. When this happens, the problem is no longer only financial. It also translates into resources mobilized, installed capacity, inventories, and commercial efforts that end up pursuing an opportunity different from the one that actually existed.

Sustainability is usually measured after production begins. Perhaps part of the conversation should start before the investment is made.

consider a company that has decided to expand production capacity for a category that is expected to grow over the next few years. The decision seems logical. However, if actual growth is concentrated in specific segments, if sufficient idle capacity already exists in the market, or if demand evolves differently than expected, the result may be an underutilized investment for years. This is very common.

The same happens with product launches. Many studies of consumer-packaged goods estimate that a significant proportion of new products fail to achieve the commercial objectives originally set for them. Behind those projects were raw materials, packaging, industrial capacity, transportation, storage, executive time, and financial resources that were mobilized to capture an opportunity that ultimately turned out to be smaller than anticipated.

We usually analyze these cases from a financial perspective. However, they also represent an inefficient use of resources that could have been avoided with a deeper understanding of the market.
There is Data, but Not Always Architecture
In this context, most companies have enough information to understand their own business: sales, costs, customers, inventories, margins, operational efficiency, and channel performance. Although that is not usually the central problem.

The challenge arises when a decision requires understanding the entire system—that is, when a company needs to know whether the growth of a category comes from greater real consumption or simply from inflation; whether additional volume is being concentrated among a few players or creating room for new competitors; whether a regional expansion justifies its own investment or can be addressed through existing capacity; whether the growing channel is also capturing value, or simply shifting volume with lower profitability. These types of answers rarely exist within a single database. They are usually fragmented across commercial teams, market reports, distributors, suppliers, plants, customers, and the knowledge accumulated by local teams. For that reason, many decisions do not fail because of an absolute lack of information, but because of a lack of an integrated reading of the market. The difference is substantial. A company may have a great deal of data but not a clear architecture for decision-making.
The Real Cost of Uncertainty
For years, the industry learned to measure tons, market share, sales, and productivity—fundamental indicators for managing any business. However, there is one cost that rarely appears on executive dashboards: uncertainty.

Uncertainty manifests itself when an organization develops more SKUs than the market actually needs. It also appears when a company invests in categories whose future profitability has been overestimated; when it takes months to identify the right manufacturing partner; when it builds capabilities that end up operating below their potential; or when it launches products whose value proposition was never sufficiently validated.

Each of these mistakes generates visible and invisible costs. The visible costs appear in financial statements. The invisible costs appear in the form of resources, time, energy, transportation, materials, and efforts that could have been allocated to opportunities with a higher chance of success.
The Next Competitive Advantage Will Be the Quality of Decisions
Throughout the history of the pet food industry, competitive advantages have been associated with better plants, better formulations, better production processes, and better distribution networks.

All these factors will continue to be important. However, the industry's next competitive advantage will probably not come from a better plant or a better formulation, but from a better understanding of the system.

Markets do not operate in isolation, and neither do decisions. Just as an industrial investment affects the competitive structure, a change in channels modifies profitability. Likewise, the availability of production capacity changes barriers to entry, while consumer evolution redefines entire categories.

The challenge is to understand how these variables interact before committing resources. In increasingly complex markets, the costliest mistakes rarely come from executing a strategy poorly; they often come from having misinterpreted the opportunity from the beginning.
Optimizing Decisions Reduces Footprint and Improves Our Business
The industry will continue innovating in ingredients, packaging, and processes. However, some of the greatest opportunities for improvement are not in the plants, but before an investment, a product launch, or an expansion is approved.

The companies that best understand the market—and not only their business—will be the ones that allocate resources more effectively, make fewer strategic mistakes, and capture more growth. By Iván Franco
Source: All Pet Food Magazine

Por Iván Franco

Sustainability

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13/10/2026

From Farm to Bowl: An Analysis to Maximize Sustainability Impacts

Multinational companies leading the industry are already leading the way and defining the standard. Nestlé has made strong public commitments to reducing greenhouse gas emissions and achieving net-zero emissions, emphasizing the advancement on regenerative agriculture. Mars Petcare aims to reduce its carbon footprint across its entire value chain by 50% and has implemented ambitious goals to transition its packaging toward circular economy models.
Why are category leaders investing so many resources in sustainability?
The answer is that consumers are demanding greater accountability. Natural resources are finite, and long-term financial viability depends on the ability to adapt.

To understand how we can maximize our impact, let us explore the production chain from a holistic perspective: from farm to bowl. As I have mentioned in previous articles, the factory may seem like a magical world where raw materials enter and value-added packaged products emerge. However, every step—both inside and outside that magic—leaves an environmental footprint that commercial teams, together with other business functions, must know how to manage and communicate.
The Farm: Sourcing Raw Material and Ingredients 
The pet food manufacturing process is complex. The quality of the final product depends largely on the quality of its ingredients. However, in today's context, quality must also take origin and environmental impact into account. Agriculture and livestock production undeniably account for the largest share of our industry's carbon footprint.
  Regenerative agriculture and livestock: We must transition toward suppliers that implement practices aimed at improving soil health, optimizing water use, and capturing atmospheric carbon.
  Protein sustainability: Supply chains should be redesigned to eliminate deforestation risks associated with critical raw materials while prioritizing 100% certified sources and evaluating alternative proteins with lower environmental impact.
  The Process: Operations and Manufacturing
Every stage presents significant opportunities within the production plant. In many cases, the best ideas emerge from careful observation and a deep understanding of the manufacturing process. Best of all, sustainable innovation does not always require multimillion-dollar investments.
  Energy and water management: The gradual transition to renewable energy sources and the optimization of industrial water use are essential steps toward decarbonizing production.
  Low-effort, high-impact innovation: Improving food digestibility can help reduce biological waste generated by pets. Likewise, in dry pet food production, monitoring and optimizing pressure and temperature parameters during extrusion is not only vital for product quality but can also significantly reduce energy consumption.   Packaging: The Product's Face 
Packaging protects pet food from moisture, light, and oxygen while providing consumers with essential information. However, the industry's historical dependence on multilayer plastics represents a major environmental liability.
  Material circularity: Using more sustainable packaging materials, such as recyclable mono-material solutions or compostable packaging, reduces environmental impact and appeals to increasingly eco-conscious consumers. This does not require changes to the food formulation, yet it can have a highly positive effect on brand perception.
  Logistics efficiency: From a logistical standpoint, improving fill rates and redesigning packaging dimensions for greater efficiency can generate large-scale operational savings. Optimized boxes and pallets translate into fewer trucks on the road, reducing fossil fuel consumption and emissions. Likewise, embracing the e-mobility revolution can further contribute to broader sustainability goals.
  The Bowl: Commercialization and Marketing
The commercial area must serve as an honest ambassador of a brand's sustainability efforts. Packaging material selection and label design are strategic decisions, as they represent the first communication touchpoint consumers encounter on store shelves before the product reaches the pet's bowl.
  Marketing with substance: It is essential for commercial teams to understand the environmental impact of key ingredients and the sustainability initiatives implemented within manufacturing operations. Communicating these efforts with real data strengthens the company's position in the marketplace.
  Transparency as a competitive advantage: Understanding the entire 'farm-to-bowl' process enables sales teams to answer questions accurately regarding manufacturing methods, ingredient origin, and quality controls. This transparency builds credibility, fosters long-term relationships, and distances brands from the significant reputational risks associated with greenwashing.   A Call to Action Across the Entire Value Chain
Sustainability-driven innovation is a winning long-term strategy for the pet food industry. By gaining a comprehensive understanding of the value chain, commercial teams can unlock a wave of creative ideas that improve products, optimize costs, and meet evolving market demands.

However, achieving the goal of a truly responsible business model is not a task confined to quality assurance or environmental departments. It is a systemic effort that spans the entire chain, from agricultural sourcing to the neighborhood pet store.

I would like to conclude this article with a genuine invitation to all stakeholders within the ecosystem—manufacturers, raw material suppliers, veterinarians, and retailers. Let us take a moment to examine our own operations: Where can we generate less waste? What silent innovation can we implement today?

The sustained success of our industry will depend on our ability to nourish pets with the same passion with which we preserve the only planet we have to share with them. By Felipe Martínez R.
Source: All Pet Food Magazine

Por Felipe Martínez R.

Food Security

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07/10/2026

What Ingredient Traceability Really Means From Raw Material to Finished Product  

In pet food manufacturing, quality, safety, and traceability are not separate considerations. They are interconnected commitments that begin long before an ingredient reaches a production facility. As pet food manufacturers, procurement professionals, and quality and regulatory teams face growing scrutiny over ingredient origins, the question of what traceability actually means in practice has become more important than ever. True ingredient traceability is not a label claim or a checkbox on an audit form. It is a documented, verifiable chain of knowledge that follows an ingredient from the field where it is grown to the bag or can in which it is sold.   What Does Full Ingredient Traceability Mean in Pet Food Supply Chains?
Full ingredient traceability in pet food supply chains means the ability to document and verify every step of an ingredient's journey, from the origin of the raw plant material through breeding, cultivation, harvesting, processing, and delivery to the finished product manufacturer. It encompasses chain-of-custody documentation, agricultural practice records, testing data, and quality controls applied consistently at each stage.
  For pet food manufacturers and their suppliers, traceability is not a single document or certification. It is a system. That system must account for how source crops are developed and selected, who grows them and under what standards, how they are harvested and transported, what testing occurs along the way, and how that information is preserved and made accessible when it matters most.
Regulatory frameworks and retail customers increasingly expect this level of documentation. Audit readiness, recall response capability, and country-of-origin verification all depend on whether a supplier's traceability program has been built into every step of the supply chain, or simply assembled at the point of sale.
  The distinction matters. A supplier who can answer the question "where did this ingredient come from?" with verified records, tested data, and documented practices offers a fundamentally different level of assurance than one who can only offer a certificate of analysis and a country of origin statement.   Why Traceability Starts Before the Ingredient Is Made
For specialty crop-derived ingredients, traceability does not begin at the extraction or processing stage. It begins with the plant itself.
  The Specialty Crop Improvement (SCI) process begins with bio-prospecting, a specific type of botanical research, to identify plants that naturally produce molecules with potential active or functional benefits. From there, plant breeders, plant biochemists, and analytical chemists use conventional breeding techniques to develop varieties of the plant, biochemically measuring each to determine the amount of a targeted molecule. The process repeats continuously until a variation is found that is high in the desired molecule and practical to grow agronomically. 
  This scientific foundation is what makes downstream traceability credible. When an ingredient supplier can trace not only where a crop was grown, but which plant variety was used, how it was bred to produce specific concentrations of target molecules, and which agricultural practices governed its cultivation, the traceability record becomes substantively more defensible.
  For procurement and quality teams evaluating ingredient suppliers, this upstream visibility is a meaningful differentiator. It answers questions that a basic certificate of analysis cannot: Is the plant material consistent? Is the source stable over time? Is the production system designed to minimize variability?   The Role of Vertical Integration in Supply Chain Transparency
One of the most practical indicators of meaningful traceability is whether an ingredient supplier controls multiple stages of the supply chain directly, rather than relying on third-party growers or brokers at key points in the process.
  Vertical integration, when a supplier controls every step of the supply chain from breeding and growing to harvesting and extraction, ensures consistent quality and efficacy in every batch of plant-based ingredients. Customers can expect the same efficacy every time they purchase plant-based ingredients. 
  For QA professionals, this matters for a specific reason: each handoff between independent parties in a supply chain is a point where documentation can be incomplete, where growing practices can deviate from stated standards, and where quality can vary in ways that are difficult to detect or trace back. The fewer of those handoffs, the stronger the chain of custody.
  A vertically integrated model allows a supplier to control every step of the process, from breeding proprietary plant lines to cultivating, harvesting, and extracting the desired compounds. This model ensures not only quality and consistency but also the ability to innovate and adapt sustainably. 
  For pet food manufacturers operating under regulatory scrutiny, vertical integration at the ingredient supplier level translates into more reliable documentation, more consistent quality testing results, and a more defensible audit trail.   Good Agricultural Practices and What They Mean for Ingredient Quality
The integrity of a specialty crop ingredient depends significantly on the agricultural practices used to grow the source crop. Because specialty crops are not commonly grown and harvested commercially, research agronomists and crop production specialists must develop tailored cropping systems. It can take years of field testing to develop machinery, pesticides, herbicides, and growing practices that ensure efficient, safe, and sustainable growing systems.
  Documented good agricultural practices (GAP) address how crops are treated during growth, what inputs are used, how harvest timing is managed for optimal molecular yield, and how post-harvest handling is controlled to prevent degradation or contamination. These records form a critical layer of the traceability file.
  By developing a perennial cropping system and planting genetically identical lines, a field production model can be established where fields are harvested on a predictable cycle, using good agricultural practices and a proprietary crop production process that ensures optimal yield with minimal environmental impact. 
  For regulatory professionals, GAP documentation is often a prerequisite for import compliance, residue testing review, and country-specific certification. For procurement teams, it is evidence that a supplier's quality claims are grounded in controlled, repeatable agricultural processes rather than variable open-market sourcing.   Traceability as a Foundation for Quality
Ingredient traceability in the pet food supply chain is a system, not a statement. For QA professionals, regulatory teams, and procurement decision-makers, the value of traceability lies in its depth: whether it can answer specific questions about origin, agricultural practice, processing conditions, and testing data with verifiable evidence at every stage from raw material to finished product.
  Specialty crop ingredients present a particular opportunity to establish this depth of transparency, precisely because they can be grown, bred, and processed within a controlled, science-driven system. When that system is designed with traceability as a foundational requirement rather than an afterthought, the result is an ingredient supply chain that supports compliance, reduces risk, and delivers consistency that manufacturers can rely on batch after batch. By Alicia Livesay, Digital Marketing Specialist at Kemin Industries
Source: Kemin Industries

Vegetable Origin

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05/10/2026

Plant-Based Phosphatidylcholine: A Natural Alternative to Choline Chloride in Dog and Cat Food

Plant-Based Sources: A Growing Alternative
Despite its nutritional effectiveness, choline chloride presents several technological limitations. It is a highly hygroscopic compound that promotes the degradation of water-soluble vitamins in premixes, as increased free moisture enhances its reactive potential (FARINA et al., 2017). Its use may also contribute to caking, compromising mix homogeneity and potentially leading to nutrient losses (LISBOA et al., 2014).

In response to these challenges, plant-based sources of choline have attracted growing interest in canine and feline nutrition. Phosphatidylcholine is the primary form of choline found in plant-derived raw materials (National Nutrient Database for Standard Reference, 2008) and has emerged as a potential alternative to choline chloride in dog and cat food formulations.
Phosphatidylcholine: Differences in Absorption and Metabolism
Beyond its technological advantages, the chemical form of choline may influence its absorption and utilization. When consumed in its free form or as a salt, such as choline chloride, its utilization may be limited since approximately two-thirds of ingested choline can be converted into trimethylamine by the intestinal microbiota before it is absorbed, potentially reducing its biological availability (LEESON; SUMMERS, 2001; COMBS JR., 2008; RUTZ, 2008).

Phosphatidylcholine, however, behaves differently in the gastrointestinal tract. Although it undergoes partial digestion by digestive enzymes, part of the molecule can also be absorbed without alteration, reducing its exposure to microbial metabolism in the intestine (COMBS JR., 2008). This characteristic may improve the body's utilization of choline, making plant-based choline sources an attractive alternative for supplementation.

In recent years, several studies have investigated the feasibility and safety of replacing choline chloride with plant-based choline sources in canine nutrition.
Scientific Evidence in Dogs: Safety and Effectiveness of Replacement
Nascimento (2020) evaluated healthy adult dogs fed with diets containing either 0.28% choline chloride or 0.14% plant-based choline. The results showed that replacing choline chloride did not affect nutrient digestibility, palatability, or fecal characteristics. In addition, dogs receiving the plant-based choline source exhibited lower serum concentrations of cholesterol and triglycerides, as well as lower liver enzyme markers, suggesting additional benefits for lipid metabolism and liver health.
  Mendoza-Martínez et al. (2021) also investigated whether dietary supplementation with choline derived from herbal sources, including Azadirachta indica—a plant known for its bitter taste—could interfere with diet palatability. Results demonstrated that including up to 400 mg/kg of plant-based choline did not affect food preference, nutrient digestibility, or fecal quality in dogs.

The same research group later demonstrated that supplementing diets with phosphatidylcholine (1.6%) and other methylated metabolites can completely replace choline chloride in dog diets (Mendoza-Martínez et al., 2022). The researchers adopted the conversion ratio proposed by Mallo and Paolella (2017), which states that one unit of plant-based choline can replace approximately five units of choline chloride.

More recently, FINARDI et al. (2026) evaluated the effects of the complete replacement of choline chloride with plant-based choline (CHOLMAX) in healthy adult dogs. The study compared a control diet containing choline chloride with two plant-based choline diets at different inclusion levels. The results showed that replacing choline chloride did not affect nutrient digestibility or diet palatability. Likewise, no changes were observed in intestinal fermentation metabolites or fecal microbiota diversity indices. However, intestinal microbial composition varied among diets, with changes observed at the phylum, family, and genus levels, particularly among Firmicutes, a group associated with fatty acid production and intestinal health. The authors concluded that plant-based choline is a safe and promising alternative for use in dog food.
New Perspectives for Feline Nutrition and the Pet Food Industry
In a pioneering study involving healthy adult cats, Juárez (unpublished data, 2026) evaluated three experimental diets: a control diet containing choline chloride, a diet in which choline chloride was completely replaced by plant-based choline (CHOLMAX), and a third diet containing 50% more plant-based choline (CHOLMAX) than the replacement diet. Preliminary results showed no differences in nutrient digestibility, diet palatability, or intestinal fermentation metabolites. 

On the other hand, changes were observed in the composition of the intestinal microbiota among treatments, including shifts in bacterial phyla, families, and genera. Among the findings, a reduction in the genus Helicobacter was observed in the groups receiving plant-based choline. According to Cesar (2024), certain species within this genus have been associated with inflammatory processes in the feline gastrointestinal tract. Although additional research is needed to clarify the underlying mechanisms, these findings suggest that plant-based choline may have a beneficial effect on maintaining intestinal microbiota balance in cats.

Plant-based choline therefore represents an attractive alternative for the pet food industry, combining technological and nutritional advantages. In addition to minimizing the technological challenges associated with choline chloride, plant-derived sources have demonstrated the potential to maintain nutritional performance while supporting animal health.

As demand continues to grow for naturally sourced ingredients and technologies that add value to pet food formulations, plant-based choline is emerging as a promising solution for the industry, combining technological, nutritional, and potentially functional benefits for dog and cat food. By Erika Stasieniuk and Hebert Silveira
Source: All Pet Food Magazine

About the authors
**Erika Stasieniuk is a zootechnician with a doctorate in canine and feline nutrition from UFMG. Holding more than 16 years of experience in dog and cat nutrition, she works in Research and Development, food formulation, premixes and nuclei. She is the founder of SFA Consultoria and works as technical consultant in the development of pet food and ingredients. Contact: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com | Instagram: @erikastasieniuk

***Hebert Silveira is agronomist with a doctorate in Animal Nutrition from Universidad de Lavras (UFLA). He is Technical Director at Natural BR Feed. Contact hebertsilveira@naturalbrfeed.com.br
References
 BERTECHINI, A. G. Nutrición de los monogástricos. 2. ed. Lavras: Editora UFLA, 2013.
CESAR, C. G. L. Efectos de la inclusión de harina de insectos en la comida seca completa sobre variables de procesamiento, digestibilidad, palatabilidad, productos de la fermentación fecal y microbiota de gatos adultos. Tesis (Máster en Nutrición y Producción Animal) – Facultad de Medicina Veterinaria y Ciencias Animales, Universidad de São Paulo, Pirassununga, 2024.
COMBS JR., G. F. Las vitaminas: aspectos fundamentales en nutrición y salud. 3ª ed. Burlington: Elsevier Academic Press, 2008.
FARINA, G.; KESSLER, A. M.; MAIORKA, A.; ROCHA, C. S. S.; VASCONCELLOS, R. S. Aspectos tecnológicos del uso del cloruro de colina en premezclas vitamínicas. En: SIMPOSIO SOBRE NUTRICIÓN DE PERROS Y GATOS, 2017.
FERREIRA, W. M.; NETO, A. F. G. Nutrición animal: temas avanzados. Belo Horizonte: FEPMVZ Editora, 2003.
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Por Erika Stasieniuk