SOBRE NÓS REVISTA

FORNECEDORES DA INDÚSTRIA ENTREVISTA DA INDÚSTRIA EVENTOS ALL PET FOOD TV

INFORMAÇÕES DE MERCADO Fabricantes de alimentos Nutrição e Formulação INGREDIENTES Processos e tecnologia Saúde e bem-estar TENDÊNCIAS

Publicidade

260x430 260x430

Vídeos


Informações de mercado

Notícias do setor

16/07/2026

Mercado de antioxidantes para pet food deve chegar a US$ 508 milhões  

O mercado global de antioxidantes para alimentos para animais de estimação deve atingir US$ 508,7 milhões (R$ 2.583,5 milhões) até 2033, ante US$ 295,8 milhões (R$ 1.502,3 milhões) registrados em 2024. A projeção é da Growth Market Reports, que estima uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 6,2% entre 2025 e 2033.
  Segundo o relatório, a expansão será impulsionada pelo aumento da população de animais de estimação, pela maior preocupação dos tutores com saúde e nutrição e pela demanda crescente por alimentos premium e naturais.
  Os antioxidantes são utilizados para prevenir a oxidação de gorduras e óleos presentes nas formulações, contribuindo para a preservação do frescor, sabor e valor nutricional dos produtos.
  De acordo com a consultoria, o avanço dos alimentos funcionais e das formulações com perfis nutricionais mais complexos tem ampliado a importância desses ingredientes na indústria de pet food. Produtos com maior teor de gordura e ingredientes especializados exigem sistemas antioxidantes mais eficientes para garantir estabilidade e vida útil.
  O relatório também destaca a crescente preferência dos consumidores por ingredientes naturais. Nesse cenário, alternativas como tocoferóis e extratos vegetais vêm ganhando espaço em substituição aos conservantes sintéticos.
  Para atender essa demanda, fabricantes têm investido no desenvolvimento de blends antioxidantes, tecnologias de encapsulamento e ingredientes de origem vegetal capazes de ampliar a proteção dos produtos e agregar benefícios funcionais à saúde animal.
  Entre os desafios para o crescimento do mercado estão as restrições regulatórias relacionadas aos antioxidantes sintéticos, os custos mais elevados das alternativas naturais e as oscilações no fornecimento de matérias-primas vegetais.
  O estudo cita entre os principais participantes do setor empresas como BASF, ADM, Cargill, Kemin Industries, DSM, DuPont, Nutreco, Camlin Fine Sciences, Perstorp Holding e Vitablend Nederland. Fonte: Panorama Pet&Vet

Notícias do setor

07/07/2026

MasterGroom Brasil celebra 10 anos como referência mundial em estética animal

O MasterGroom Brasil, consolidado como um dos principais campeonatos de banho e tosa animal do mundo, completa 10 anos em 2026. A edição comemorativa será realizada na PET South America, a principal feira de negócios do mercado pet da América Latina, entre os dias 12 e 14 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Ela promete reunir centenas de profissionais e grandes nomes da estética animal em uma programação especial para celebrar uma década de evolução do setor.

Criado com o propósito de valorizar o groomer e elevar os padrões das competições de tosa no Brasil, o MasterGroom transformou o cenário nacional da estética animal ao longo dos últimos 10 anos. O campeonato ajudou a profissionalizar o segmento, atrair investimentos da indústria e posicionar o país entre as principais referências mundiais na atividade.

Segundo Luiz Renato Marques, idealizador e coordenador técnico da competição, o diferencial do MasterGroom sempre foi colocar o profissional no centro da experiência. "Desde a primeira edição, nosso objetivo foi destacar o groomer e oferecer uma experiência diferenciada. Ao longo dessa trajetória, nos tornamos a maior competição das Américas e conquistamos o respeito dos maiores juízes e profissionais do mundo. Ver o Brasil cada vez mais reconhecido internacionalmente dentro do grooming é motivo de muito orgulho", afirma.

A trajetória do campeonato acompanha o crescimento do mercado pet brasileiro e da própria profissão de groomer. O evento passou de uma iniciativa pioneira para uma competição reconhecida internacionalmente, recebendo jurados de diversos países e atraindo profissionais de todo o território nacional. Atualmente, cerca de 700 competidores participam das disputas ao longo dos três dias de programação, distribuídos em dezenas de categorias que avaliam técnica, criatividade, acabamento e bem-estar animal.

Para marcar os 10 anos, a organização preparou uma série de ações comemorativas. Entre as novidades está um jantar de gala que reunirá competidores, juízes, ex-campeões e representantes da indústria para homenagear os profissionais e empresas que contribuíram para a construção da história do MasterGroom. A cerimônia também reconhecerá groomers que se destacaram ao longo da última década, além de integrantes da chamada "velha guarda" da estética animal brasileira.
Outra novidade será a criação de uma competição por equipes regionais, promovendo uma disputa inédita entre representantes de diferentes partes do país. O objetivo é reforçar o espírito de integração e valorizar a diversidade técnica presente no mercado brasileiro.

A programação contará ainda com transmissão ao vivo durante os três dias, ampliando o acesso para profissionais que querem acompanhar o campeonato tanto de outras cidades do Brasil quanto do exterior. O podcast Papo Pet  também retorna à arena para entrevistas em tempo real com vencedores e especialistas do setor.

Além das disputas, o MasterGroom se tornou uma vitrine para o desenvolvimento técnico da profissão. Nos últimos anos, o Brasil passou a ocupar posição de destaque em competições mundiais, contando com groomers reconhecidos e respeitados por especialistas de diversos países.

A competição é uma das atrações fixas da PET South America, que já está com o credenciamento para visitantes aberto no site da feira. Nesta edição, o evento adota um novo modelo com o objetivo de tornar a experiência ainda mais organizada e focada nos profissionais do setor. Até 27 de julho, o credenciamento de profissionais com atuação comprovada na área pode ser feito gratuitamente no site oficial da feira petsa.com.br. Após esse período, será necessário adquirir a entrada no mesmo canal.  Fonte: Serviço PET South America 2026
Data: 12 a 14 de agosto
Horário: das 11h às 20h 
Local: Distrito Anhembi
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo - SP, 02012-021
Site: https://www.petsa.com.br/ 

Sobre a Pet South America
A Pet South America é a mais importante feira de negócios do setor pet da América Latina. Apresenta as principais inovações e lançamentos da indústria para o mercado. É o momento de fazer networking, firmar novas parcerias e se atualizar sobre o setor. O encontro reúne anualmente grandes varejistas, distribuidores e profissionais de todo o Brasil, além de empresários estrangeiros.

Sobre a NürnbergMesse Brasil
A NürnbergMesse Brasil é uma das três maiores empresas organizadoras de eventos e exposições do país. Subsidiária do Grupo NürnbergMesse, promove os mais importantes encontros de negócios da América Latina, onde reúne fornecedores, distribuidores e revendedores de diversos segmentos da economia. O propósito da companhia é ajudar no desenvolvimento da indústria nacional e na relevância do Brasil no mercado externo. Entre os principais eventos promovidos no país estão a Expo Revestir, Haus Decor Show, PET South America, PET VET, FCE Pharma, FCE Cosmetique, Analitica Latin America, Glass South America, E-squadria Show, ABRAFATI SHOW, Construlev Expo, Catarina Aviation Show e BFSHOW.

Notícias do setor

30/06/2026

Pet South America e Pet Vet abrem credenciamento para visitantes

As feiras PET South America e PET VET Expo anunciam a abertura oficial do credenciamento de visitantes para a próxima edição, realizada entre 12 e 14 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Os eventos são pontos de encontro obrigatórios para grandes varejistas, distribuidores e profissionais de todo o Brasil, além de empresários estrangeiros, médicos-veterinários, gestores de clínicas, hospitais, laboratórios e acadêmicos que buscam atualização técnica rigorosa e oportunidades estratégicas nos mercados pet e veterinário.

Ao garantir o acesso antecipado, o visitante assegura sua participação em uma jornada completa de imersão. Enquanto a PET VET Expo apresenta o que há de mais moderno em equipamentos e aprofunda conteúdos clínicos e científicos voltados à prática de cuidados com os animais de estimação, a PET South America amplia o olhar para o varejo, inovação e comportamento de consumo, reunindo as principais marcas da indústria com lançamentos em acessórios, higiene, nutrição e produtos para o dia a dia. 

A programação contempla ainda conteúdos relevantes, tendências de mercado e oportunidades de conexão entre indústria, varejo e profissionais da área, refletindo a evolução e o dinamismo de um segmento em constante crescimento. Entre as novidades desta próxima edição, estão a ampliação do Pet Food Forum, que terá um dia completo de atividades, e a demonstração de cães de trabalho e agility em áreas dinâmicas projetadas para exibir a alta performance dos animais e o adestramento. 

Já consagradas, também estão confirmadas nos eventos as tradicionais rodadas de negócios nacionais e internacionais, e o Mastergroom, a maior competição de tosa do mundo, que em 2026 completa 10 anos em uma edição comemorativa. Na PET VET Expo, o Hospital Design volta ao pavilhão, assim como o Congresso Pet Vet, com conteúdo, inclusive, sobre animais exóticos. 

Para a edição de 2026, a PET South America passa a adotar um novo modelo de credenciamento para visitantes, com o objetivo de tornar a experiência ainda mais organizada e focada nos profissionais do setor. Até 27 de julho, o credenciamento de profissionais com atuação comprovada na área pode ser feito gratuitamente no site oficial da feira petsa.com.br. Após esse período, interessados em participar do evento poderão adquirir a sua entrada no mesmo canal. Já para a PET VET Expo, o acesso será realizado exclusivamente mediante aquisição de ingresso, disponível no site oficial do evento petvetexpo.com.br Fonte: Pet South America 
Serviço
PET South America e PET VET Expo
12 a 14 de agosto, das 11h às 20h 
Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo
credenciamento@nm-brasil.com.br
  Sobre a PET South America
A PET South America é a mais importante feira de negócios do setor pet da América Latina. Apresenta as principais inovações e lançamentos da indústria para o mercado. É o momento de fazer networking, firmar novas parcerias e se atualizar sobre o setor. O encontro reúne anualmente grandes varejistas, distribuidores e profissionais de todo o Brasil, além de empresários estrangeiros. 
  Sobre a PET VET Expo
A PET VET Expo é a principal feira de medicina veterinária da América Latina. É realizada simultaneamente à PET South America e traz todas as soluções, inovações, tecnologias e produtos focados na saúde, nutrição e bem-estar do animal. O acesso é exclusivo a veterinários e profissionais do mercado. O destaque no evento é o Congresso PET VET, que reúne apresentações e palestras dos mais renomados especialistas da área. O encontro é uma oportunidade para se atualizar, ficar por dentro das novas tecnologias e fazer networking com os principais representantes do segmento. 

Notícias do setor

25/06/2026

Exportações pet crescem 12% e ampliam presença global do Brasil  

As exportações brasileiras de produtos pet cresceram 12% em 2025, consolidando um movimento que vem ganhando força nos últimos anos e que tem levado cada vez mais empresas a buscar oportunidades fora do mercado doméstico. Em um cenário de desaceleração do ritmo de crescimento interno, a internacionalização passa a ser vista por fabricantes como uma importante estratégia para ampliar faturamento, diversificar mercados e fortalecer marcas.
  O avanço ocorre em paralelo ao aumento da presença brasileira em feiras internacionais e programas de promoção comercial. Um dos principais exemplos foi a Interzoo 2026, realizada em Nuremberg, na Alemanha, que contou com participação recorde de mais de 60 empresas brasileiras.
  Para Luiz Paulo Almeida, sócio da Commpazz, o interesse internacional pelos produtos brasileiros ficou evidente durante o evento. 'Devido à atual conjuntura comercial mundial, os compradores estão cada vez mais atentos a novos fornecedores e o Brasil entrou nesse radar. Com grande variedade de produtos e um mercado consolidado, o país soube captar a atenção nessa edição da Interzoo', afirma.
  Entre as categorias que mais despertaram interesse dos compradores internacionais estão areias sanitárias para gatos, cosméticos pet com ingredientes naturais, produtos sustentáveis e snacks naturais.   Brasil ganha visibilidade internacional
Além do número recorde de expositores, a presença brasileira chamou atenção pela forma como as empresas foram distribuídas ao longo dos pavilhões da feira.
  Segundo Almeida, diferentemente de edições anteriores, as marcas brasileiras não ficaram concentradas em uma única área, ampliando sua exposição aos visitantes internacionais.
  'As empresas brasileiras ficaram presentes em praticamente todos os pavilhões. Os compradores tinham a sensação de estar sempre em contato com um produto brasileiro em qualquer parte da feira. Isso transmite credibilidade e reforça a força do país no cenário internacional', explica.
  O executivo destaca ainda que a própria organização da Interzoo ampliou o protagonismo do Brasil na programação do evento, incluindo ações de networking, apresentações culturais e debates dedicados ao mercado pet nacional.   Tendência estrutural
Na avaliação do setor, o crescimento das exportações não representa um movimento pontual. O especialista indica que a indústria brasileira vem atuando no mercado internacional com cada vez mais força nos últimos cinco anos. O momento é muito propício para focar nas exportações, principalmente porque o mercado nacional vem ajustando suas taxas de crescimento e a inserção em mercados do Exterior surge como alternativa para diversificar fontes de receita.
  Para ele, a consolidação desse avanço dependerá da capacidade das empresas de desenvolver projetos estruturados e de longo prazo. 'Se tivermos uma visão de médio e longo prazo, a tendência é uma consolidação cada vez mais forte dos produtos brasileiros no exterior', acrescenta.
  Nos últimos anos, iniciativas como rodadas internacionais de negócios, missões comerciais e programas de apoio à exportação têm contribuído para aproximar fabricantes brasileiros de distribuidores e compradores de diferentes regiões do mundo.   Novos mercados entram no radar
Historicamente, a América do Sul foi a principal porta de entrada para empresas brasileiras interessadas em exportar. No entanto, esse cenário começa a se diversificar.
  Segundo Almeida, a participação crescente em eventos internacionais tem ampliado a visibilidade do setor em regiões antes menos exploradas. 'Quando uma empresa expõe no Oriente Médio ou na Ásia, novos mercados passam a conhecer os produtos brasileiros e novos compradores chegam à mesa de negociação', explica.
  Para empresas mais maduras, mercados fora do eixo tradicional Américas-Europa aparecem como as oportunidades mais promissoras. Já para organizações que estão iniciando sua jornada internacional, América do Sul, Estados Unidos e Europa continuam sendo os destinos mais recomendados.   PMEs ampliam presença
Outro movimento observado nos últimos anos é o aumento da participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior. De acordo com Almeida, programas desenvolvidos em parceria entre a Commpazz e a ApexBrasil têm contribuído para ampliar o acesso dessas empresas aos mercados internacionais.
  'Os últimos dois anos têm sido fantásticos para as pequenas e médias empresas que buscam exportar. Os compradores internacionais estão em busca de novidades e inovação, e muitas vezes encontram isso justamente nas PMEs', afirma.
  Além do apoio institucional, o executivo aponta que a reputação construída por grandes exportadores brasileiros tem ajudado a abrir portas para novos participantes. 'A marca Brasil contribui para que empresas iniciantes estabeleçam conexões mais rapidamente com potenciais clientes', destaca.
  Segundo ele, a continuidade da participação em feiras internacionais também tem papel decisivo para consolidar relacionamentos e gerar confiança junto aos compradores.
  Com crescimento consistente das exportações, maior visibilidade internacional e aumento da participação de empresas de diferentes portes, a internacionalização deixa de ser uma oportunidade pontual para se consolidar como um dos principais vetores de expansão da indústria pet brasileira. Fonte: Panorama Pet&Vet

Notícias do setor O verdadeiro tamanho do mercado de alimentos para pets na América Latina

5+ MIN

O verdadeiro tamanho do mercado de alimentos para pets na América Latina

No entanto, apesar do evidente crescimento do setor, ainda há uma discrepância notável entre os números circulando em relatórios internacionais e o real tamanho do mercado latino-americano.

Diversos estudos de empresas globais de consultoria não especializadas geralmente estimam o valor do mercado regional de alimentos para pets em uma faixa próxima de USD 10–11 bilhões. Esses números frequentemente aparecem em relatórios agregados de mercado, que utilizam bancos de dados internacionais e metodologias de pesquisa pouco específicas.

No entanto, ao analisar os dados operacionais da indústria com mais detalhes, essas estimativas tendem a subestimar significativamente o tamanho real do mercado. A principal razão é a fraqueza metodológica.

Muitos desses relatórios são construídos a partir de dados disponíveis no varejo moderno, comércio formal ou fontes secundárias limitadas, deixando de fora uma parte importante do consumo real que ocorre na América Latina.

Na região, o mercado de alimentos para pets não se limita a supermercados ou grandes redes. Uma proporção relevante das vendas ocorre em canais tradicionais, distribuidores regionais, veterinários independentes, lojas especializadas, lojas agrícolas, atacadistas e redes informais de distribuição. Além disso, existem inúmeros fabricantes locais e tercerizadas que produzem suas próprias marcas para varejistas ou distribuidores, que muitas vezes não aparecem em bancos de dados internacionais.

Quando essas partes do sistema são excluídas da análise, o resultado inevitável é uma subestimação do tamanho real do mercado, sendo um exemplo ilustrativo o México. Algumas fontes não especializadas geralmente estimam o mercado mexicano de alimentos para pets em aproximadamente USD 3,5 bilhões. No entanto, esse número é difícil de conciliar com a realidade operacional do setor. Por exemplo, uma única rede de varejo no país vende quase um terço desse valor sozinha, sugerindo que o tamanho total do mercado é consideravelmente maior quando todos os canais e participantes do setor são considerados. Esses tipos de discrepâncias também se tornam evidentes ao analisar a estrutura industrial do setor na região.

O Brasil, por exemplo, possui um dos maiores complexos de produção de alimentos para pets do mundo. O país abriga dezenas de plantas industriais operadas por fabricantes nacionais e internacionais que abastecem tanto o mercado interno quanto exportações para outros países da América Latina. Empresas brasileiras como PremieR, Adimax, BRF Pet ou Special Dog desenvolveram uma infraestrutura de produção altamente sofisticada, com capacidades que superam em muito as necessidades de vários mercados regionais.

Quando você soma os volumes estimados de produção e consumo dos principais mercados da região – incluindo Brasil, México, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Equador, América Central e outros países latino-americanos – a escala do mercado regional se torna muito mais evidente.

A análise conduzida pela Triplethree International, baseada em pesquisa de mercado primária, modelagem de consumo por espécie, análise da capacidade industrial e estrutura competitiva por marca, indica que o mercado latino-americano de alimentos para pets atingiu aproximadamente 9,25 milhões de toneladas em 2025.

Se considerar um preço médio regional aproximado de cerca de USD 3 por quilograma no nível do ponto de venda, o valor total do mercado regional é de cerca de USD 30 bilhões. Esse número coloca a América Latina como um dos mercados de alimentos para pets mais relevantes do mundo, superando em muito muitas das estimativas divulgadas em relatórios secundários.   Um mercado com potencial
Além do tamanho absoluto, o que realmente é interessante no mercado latino-americano é sua estrutura heterogênea e seu potencial de crescimento.

Diferentemente de mercados maduros como os Estados Unidos ou a Europa Ocidental, onde a ração para pets é altamente consolidada e dominada por um pequeno número de multinacionais, a América Latina mantém uma combinação única de grandes corporações globais e fabricantes regionais muito competitivos.

Empresas multinacionais como Mars, Nestlé Purina ou ADM coexistem com empresas locais que desenvolveram posições de liderança em mercados específicos. Em países como Brasil, Chile, Argentina ou Peru, várias empresas regionais conseguiram construir marcas sólidas e redes de distribuição que competem diretamente com grandes grupos internacionais.

Esse ecossistema industrial cria um ambiente altamente dinâmico, onde as cotas de mercado podem mudar rapidamente à medida que as preferências dos consumidores e as estratégias de expansão das empresas evoluem.

Outro fator que impulsiona o crescimento do mercado é a humanização dos pets, um fenômeno já observado em vários países da região. Cada vez mais famílias consideram cães e gatos como membros da família, o que implica uma maior disposição para investir em nutrição, saúde e bem-estar animal. Essa mudança cultural está impulsionando a expansão de segmentos de maior valor agregado, especialmente em categorias como alimentos funcionais, dietas especiais, nutrição premium e produtos veterinários.

Ao mesmo tempo, a expansão do varejo moderno, o crescimento do comércio eletrônico e a profissionalização do canal especializado estão transformando a forma como os consumidores acessam produtos para pets.

Juntos, esses fatores apontam para um mercado latino-americano que continuará crescendo de forma constante na próxima década, tanto em volume quanto em valor.   A importância de medir o mercado corretamente
Compreender o verdadeiro tamanho desse mercado é essencial para fabricantes, investidores e operadores do setor que buscam avaliar oportunidades de expansão na região.

Além dos números, o futuro da ração para pets na América Latina dependerá da capacidade das empresas de interpretar corretamente a complexidade do sistema de distribuição, a dinâmica competitiva local e as mudanças nas preferências dos consumidores.

Nesse contexto, ter estimativas baseadas em pesquisas diretas e modelos adaptados à realidade latino-americana é fundamental para entender para onde está caminhando um dos mercados de ração para pets mais dinâmicos e, ao mesmo tempo, menos compreendidos do mundo. Por Iván Franco
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Iván Franco

Notícias do setor Mercado pet amplia aposta em alimentos multifuncionais diante de consumidores mais exigentes
 

3+ MIN

Mercado pet amplia aposta em alimentos multifuncionais diante de consumidores mais exigentes  

A evolução do comportamento dos consumidores tem levado a indústria pet a ampliar investimentos em alimentos multifuncionais, em um movimento impulsionado pela busca por nutrição preventiva, longevidade e benefícios integrados para a saúde animal.
  Em reportagem do Pet Food Industry, executivos do setor destacaram como a humanização dos pets e a maior disposição dos tutores para investir em produtos premium vêm acelerando a demanda por soluções nutricionais mais completas.
  Segundo Isabella Alvarenga, gerente de Serviços Técnicos em Saúde Animal na IFF, a saúde digestiva deixou de ser um diferencial isolado e passou a ser encarada como expectativa básica por parte dos consumidores.
  'Tutores já partem do pressuposto de que a maioria dos alimentos deve oferecer algum benefício para a saúde digestiva. A busca agora é por múltiplos benefícios em um único produto', afirmou.   Nutrição funcional ganha espaço nas estratégias da indústria
O movimento aproxima o mercado pet de tendências já consolidadas na nutrição humana, com maior interesse por conceitos ligados à microbiota, imunidade, envelhecimento saudável e bem-estar sistêmico.
  De acordo com Danilo Souza, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da MBRF Pet, a transformação acompanha uma mudança estrutural na forma como consumidores enxergam a saúde dos animais.
  'Os pets estão assumindo o papel de membros da família, o que naturalmente eleva a expectativa de longevidade e qualidade de vida', afirmou.
  Segundo ele, cresce a busca por estratégias nutricionais voltadas à manutenção da saúde ao longo da vida dos animais, e não apenas à resolução de condições específicas.   Premiumização fortalece percepção de valor
A demanda por produtos multifuncionais também acompanha a expansão da premiumização no mercado pet, com consumidores mais dispostos a investir em produtos com benefícios claros e percepção de valor mais elevada.
  Além da funcionalidade, atributos como conveniência, palatabilidade e formatos adaptados à rotina dos tutores também ganham relevância na decisão de compra.
  Na avaliação de Isabella Alvarenga, formatos como toppers, suplementos em pó e petiscos funcionais se conectam à busca por praticidade e ao fortalecimento do vínculo entre tutores e animais.   Expansão ainda enfrenta desafios regulatórios e comerciais
Apesar da expansão, a categoria ainda enfrenta desafios ligados à educação do consumidor, custo de desenvolvimento e limitações regulatórias sobre comunicação de benefícios funcionais.
  Segundo os executivos ouvidos pela publicação, o desafio passa por comunicar conceitos técnicos de forma clara, sem comprometer respaldo científico ou esbarrar em restrições relacionadas a alegações terapêuticas.
  O avanço da categoria reforça a transformação do mercado pet em direção a soluções de maior valor agregado, inovação e estratégias ligadas à saúde preventiva. Fonte: Panorama Pet&Vet


Os nossos editores

Publicidade

260x430 260x430

Tendências

Inteligência artificial

12/06/2026

 Utilizando Inteligência Artificial para Prever a Palatabilidade de Alimentos para Animais de Estimação

POR QUE ISSO IMPORTA
A palatabilidade é um dos principais fatores de sucesso de um produto na área de alimentos para animais de estimação. No entanto, prevê-la continua sendo um desafio. O desenvolvimento ainda depende muito de testes iterativos em animais, que são demorados, dispendiosos e, muitas vezes, identificam falhas tardiamente no processo.
  Na AFB, estamos mudando essa abordagem usando inteligência artificial (IA) para prever os resultados de palatabilidade antes dos testes. Ao combinar dados históricos com conhecimento de formulação, ajudamos a transformar o desenvolvimento de um processo de tentativa e erro para um processo mais direcionado e eficiente.
  O DESAFIO
A palatabilidade resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo ingredientes, níveis de inclusão, sistemas de gordura, processamento e variabilidade animal. Essas interações são complexas e não lineares, o que dificulta a previsão dos resultados.
  Devido a essa complexidade, as abordagens tradicionais têm dificuldade em explorar o espaço de formulações de forma eficiente e em fornecer soluções de alto desempenho de forma consistente.   UMA NOVA ABORDAGEM: DOS TESTES À PREVISÃO
Em vez de nos basearmos apenas em experimentos, integramos dados de diferentes ensaios e formulações para identificar padrões e prever resultados.
  Nossos modelos transformam dados de entrada, como composição da receita, níveis de ingredientes e condições de processamento, em orientações claras: quais soluções têm maior probabilidade de sucesso e quais apresentam maior risco.     DOS DADOS ÀS DECISÕES
Nossa abordagem converte conjuntos de dados complexos em insights práticos que orientam o desenvolvimento. Em vez de focarmos apenas no desempenho, também consideramos a confiabilidade de cada resultado.
  Ao combinar desempenho com confiança, geramos uma priorização clara do que testar em seguida. Isso permite que as equipes se concentrem nas formulações mais promissoras e evitem testes desnecessários.
    O QUE ISTO PERMITE

Essa abordagem preditiva nos permite:
  Identificar soluções de alto potencial mais cedo Reduzir a carga experimental Concentre-se nos ingredientes de maior impacto. Melhorar a consistência dos resultados
  Na prática, grandes espaços experimentais podem ser reduzidos a um conjunto menor de candidatos de alta confiança, acelerando o desenvolvimento e melhorando os resultados.   UMA MANEIRA MAIS INTELIGENTE DE DESENVOLVER PALATANTES
A inteligência artificial não substitui a experiência — ela a aprimora. O conhecimento científico continua sendo fundamental para a interpretação e validação, enquanto os modelos preditivos ajudam a orientar as decisões e a reduzir a incerteza.
  Ao combinar dados, ciência e IA, possibilitamos uma abordagem mais eficiente e confiável para o desenvolvimento da palatabilidade. Fonte: AFB International

Sustentabilidade

23/04/2026

Uso excessivo de IA pode comprometer sustentabilidade no setor pet food  

O uso de inteligência artificial (IA) na indústria pet food tem crescido rapidamente, impulsionado pela busca por eficiência, inovação e vantagem competitiva. 
  No entanto, especialistas alertam que a adoção indiscriminada da tecnologia pode comprometer a credibilidade das estratégias de sustentabilidade — um tema cada vez mais relevante para responsáveis e empresas do setor.

Embora a IA ofereça benefícios importantes, como otimização de formulações e melhoria na cadeia produtiva, seu impacto ambiental e social ainda é pouco discutido de forma transparente.   Infraestrutura da IA traz impactos ambientais relevantes
Por trás das soluções digitais, existe uma infraestrutura robusta que demanda alto consumo de energia, água e espaço físico. 
  Data centers — essenciais para o funcionamento da IA — exigem grande quantidade de eletricidade, muitas vezes proveniente de fontes não renováveis, além de sistemas intensivos de resfriamento.
  Esse cenário pode gerar impactos como aumento das emissões de carbono, pressão sobre recursos hídricos e alterações no uso do solo. 
  Em algumas regiões, comunidades próximas a essas estruturas também enfrentam consequências indiretas, como competição por recursos naturais.
  Além disso, a cadeia produtiva da tecnologia envolve questões sociais, incluindo condições de trabalho na construção e manutenção de infraestrutura e na extração de minerais para equipamentos.   Benefícios existem, mas exigem uso estratégico
Apesar dos desafios, a inteligência artificial também pode contribuir para práticas mais sustentáveis quando aplicada de forma direcionada. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento ambiental, otimizar o uso de recursos e aumentar a eficiência produtiva.
  No setor pet food, isso se traduz em aplicações como:
  redução de desperdício de ingredientes por meio de formulações mais precisas; manutenção preditiva de equipamentos, evitando perdas e consumo excessivo de energia; otimização logística, com potencial de reduzir emissões no transporte.
  No entanto, esses benefícios dependem de um uso estratégico. Quando adotada apenas por tendência ou pressão de mercado, a IA pode não gerar ganhos reais suficientes para compensar seus impactos.   Pressão por inovação pode distorcer decisões
A rápida adoção da IA em diferentes setores criou um ambiente competitivo em que empresas sentem necessidade de implementar a tecnologia para não ficarem para trás. Esse movimento, muitas vezes guiado pelo chamado 'fear of missing out' (FOMO), pode levar a decisões pouco fundamentadas.
  Pesquisas indicam que a IA melhora desempenho em tarefas dentro de sua capacidade, aumentando velocidade e qualidade. Por outro lado, pode reduzir a precisão em atividades mais complexas, especialmente quando utilizada sem critério.
  No setor pet, esse cenário pode incentivar uma 'corrida pela inovação', em que a adoção da tecnologia também funciona como sinal de modernidade para consumidores e investidores — nem sempre acompanhada de benefícios concretos.   Sustentabilidade exige olhar para impactos invisíveis
Um dos principais desafios é que grande parte dos impactos ambientais da IA não aparece diretamente nas operações das empresas que utilizam a tecnologia. 
  Esses custos ficam concentrados em provedores de nuvem, produção de hardware e sistemas energéticos — o que dificulta sua mensuração nos relatórios corporativos.
  Esse fenômeno, conhecido como externalidade, pode levar a uma percepção distorcida dos benefícios da IA. Enquanto os ganhos operacionais são visíveis, os impactos ambientais e sociais ficam diluídos na cadeia.
  Para um setor que cada vez mais aposta na sustentabilidade como posicionamento, ignorar esses fatores pode representar um risco reputacional. 
  Responsáveis estão mais atentos ao ciclo completo dos produtos, incluindo aspectos que vão além da formulação e embalagem.   Caminho está no uso consciente da tecnologia
Especialistas apontam que o caminho não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em adotá-la de forma criteriosa. 
  Priorizar aplicações que tragam ganhos mensuráveis — ambientais e operacionais — e evitar implementações motivadas apenas por tendência pode ser a chave para equilibrar inovação e responsabilidade.
  Além disso, reconhecer e incorporar os impactos indiretos da tecnologia nas estratégias de sustentabilidade tende a se tornar cada vez mais necessário para empresas que desejam manter credibilidade junto ao mercado.   FAQ sobre uso de IA no setor de pet food
A inteligência artificial pode ser sustentável no setor pet food?
Sim, desde que seja utilizada com objetivos claros, como reduzir desperdícios e otimizar processos produtivos.
  Quais são os principais impactos ambientais da IA?
Consumo elevado de energia, uso intensivo de água e impactos associados à infraestrutura de data centers.
  Por que o uso excessivo de IA pode ser um problema?
Quando adotada sem estratégia, a tecnologia pode gerar impactos ambientais que não são compensados por benefícios reais, além de comprometer a credibilidade das empresas. Fonte: Cães & Gatos

Sustentabilidade

09/04/2026

Rações premium elevam emissões de gases de efeito estufa  

Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production, indica que rações premium para cães, especialmente as úmidas, cruas e com alto teor de carne, apresentam emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente superiores às da ração seca convencional. A pesquisa avaliou quase 1.000 produtos comerciais disponíveis no mercado do Reino Unido.
  De acordo com os pesquisadores, a produção de ingredientes para a alimentação canina no país responde por cerca de 1% das emissões totais de GEE. O levantamento também aponta que cães alimentados com dietas premium ricas em carne podem ter pegadas de carbono dietéticas maiores do que as de seus próprios tutores.   Cálculo da pegada de carbono
O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e Exeter (Inglaterra), que calcularam as emissões considerando os gases gerados durante a produção dos alimentos. As estimativas utilizaram informações de rotulagem de ingredientes e nutrientes, abrangendo rações secas, úmidas e cruas, além de opções à base de plantas e sem grãos.   Continua depois da publicidade
A análise revelou diferenças expressivas no impacto ambiental conforme a formulação e o método de processamento. Dietas com maior impacto podem emitir de 65 a mais de 160 vezes mais GEE do que aquelas com melhor desempenho ambiental.
  As rações secas convencionais, por utilizarem maior proporção de grãos e subprodutos, apresentaram o menor impacto, com emissões medianas inferiores a 1 kg de CO₂ equivalente por 1.000 calorias (kgCO₂eq/1.000 kcal). Em contrapartida, dietas úmidas e, sobretudo, cruas figuram entre as mais emissoras, com as cruas atingindo uma mediana de 4,7 kgCO₂eq/1.000 kcal.
  O maior impacto foi observado em dietas que incluem carne bovina, alcançando 25,36 kgCO₂eq, valor cerca de 70 vezes superior à média das rações secas.   Comparação com a alimentação humana
O estudo também comparou os impactos com diferentes padrões de alimentação humana. As emissões medianas para alimentar um cão de 20,1 kg com comida úmida ou crua superam as de uma dieta humana vegana, ficando abaixo apenas de dietas humanas muito ricas em carne. No caso de dietas cruas com cortes premium, o impacto pode exceder o de uma dieta humana carnívora.
  Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a população canina mundial fosse alimentada nos mesmos moldes e quantidades dos cães do Reino Unido, as emissões globais poderiam se equiparar às da aviação comercial mundial em um ano.   Papel dos ingredientes e desafios para o setor
O principal fator por trás das diferenças de emissão, segundo o estudo, é a substituição de subprodutos animais por cortes nobres de carne. Dietas premium, sem grãos ou cruas tendem a utilizar ingredientes que demandam mais recursos ambientais, enquanto rações secas convencionais aproveitam subprodutos, maximizando o uso do animal abatido.
  'Como cirurgião-veterinário que trabalha com sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de cães como 'lobos' carnívoros e o desejo de reduzir os danos ao meio ambiente', afirmou John Harvey, veterinário pesquisador da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. 'Nossa pesquisa mostra o quão grande e variável é o impacto climático da ração para cães', acrescenta.
  Para a indústria de pet food, Harvey aponta que o uso de cortes normalmente não consumidos por humanos e uma rotulagem clara podem ajudar a equilibrar saúde animal e redução da pegada ambiental, oferecendo informações mais transparentes para a tomada de decisão dos tutores. Fonte: Panorama Pet & Vet

Outros

07/04/2026

Gêmeos digitais na indústria de alimentos para pets: da simulação ao controle preditivo

O que são gêmeos digitais e em que usam atualmente?
Um gêmeo digital é uma réplica virtual dinâmica de um ativo físico, um processo ou um sistema de produção inteiro. Ao contrário de uma simulação estática, o gêmeo digital é continuamente alimentado com dados reais de sensores e sistemas de controle, permitindo que ele reflita o estado atual do processo e antecipe seu comportamento futuro.

Segundo a IBM, os  gêmeos digitais são atualmente usados na manufatura para melhorar a eficiência operacional, otimizar processos, reduzir falhas, acelerar o desenvolvimento de produtos e possibilitar manutenção preditiva. No campo industrial, sua aplicação abrange desde linhas de produção individuais até plantas completas, integrando variáveis de operação, consumo de energia, qualidade e desempenho de equipamentos, bem como no planejamento de plantas, testes virtuais de novos produtos, otimização de  layouts e controle de processos complexos, entre outros.
Da simulação à tomada de decisão preditiva
O avanço dos gêmeos digitais está intimamente ligado à convergência entre simulação de processos, sensores industriais, inteligência artificial e computação em nuvem. Essa integração permite que os fabricantes migrem de um modelo reativo, baseado em amostragem manual e ajustes subsequentes, para uma abordagem preditiva e preventiva.

De acordo com um artigo da StartUs Insights, o mercado de gêmeos digitais aplicados à manufatura pode atingir USD 714.000 milhões até 2032, impulsionado pela necessidade de otimizar processos complexos e reduzir ineficiências operacionais. O mesmo relatório indica que mais de 81% das empresas globais já estão explorando ativamente o metaverso industrial, e que 62% aumentaram seus investimentos nessas tecnologias no último ano.

Esses números refletem uma mudança estrutural: a simulação não se limita mais ao projeto, tornando-se uma ferramenta central para a gestão diária da planta.

O estudo Digital Twins applications in the food industry: a review identifica quatro principais abordagens para a aplicação dos digital twins na indústria alimentícia, definidas por sua função dentro do sistema de produção. Primeiro, gêmeos digitais com abordagem de previsão são usados para antecipar o comportamento futuro de processos ou equipamentos, com base na análise de dados históricos e condições atuais, permitindo que desvios, insuficiências ou falhas sejam previstos antes que ocorram. Segundo, modelos de simulação reativos permitem monitorar o processo em tempo real e responder de forma autônoma a desvios, ajustando variáveis operacionais e recomendando ações corretivas ou preventivas. Uma terceira abordagem é o comissionamento virtual, onde gêmeos digitais são usados para testar, validar e otimizar novas tecnologias, equipamentos ou configurações de plantas em um ambiente virtual antes de sua implementação física. Por fim, a abordagem de simulação baseada em sincronização mantém o gêmeo digital alinhado em tempo real ou quase em tempo real com o sistema físico, criando uma representação altamente precisa do processo, especialmente valiosa para analisar cenários, otimizar operações e melhorar a tomada de decisão em sistemas complexos.
Como os gêmeos digitais contribuem para a indústria de ração para pets?
Se focarmos estritamente na indústria de alimentos para pets, a variabilidade das matérias-primas é um dos principais fatores que impactam a qualidade final do produto. Ingredientes como cereais, farinhas proteicas, gorduras e subprodutos de origem animal apresentam flutuações naturais em umidade, teor proteico, gordura e granulometria.
De acordo com uma análise técnica publicada pela Haskell, essas variações afetam diretamente operações críticas como extrusão e secagem, influenciando atributos como textura, densidade, estabilidade nutricional e vida útil do produto. Métodos tradicionais de controle geralmente detectam essas variações quando o produto já foi fabricado, gerando retrabalho, desperdício e perdas de eficiência. Por outro lado, os gêmeos digitais permitem que você antecipe esses efeitos antes que impactem o produto final.

Em ração para pets, um gêmeo digital é construído a partir de modelos que representam o comportamento térmico, mecânico e dinâmico de cada operação de unidade: mistura, condicionamento, extrusão, secagem e resfriamento. Esses modelos são alimentados em tempo real com dados de sensores instalados na fábrica, como medições de umidade dos ingredientes, temperatura do canhão do extrusor, velocidade do parafuso, pressão, fluxo de ar e parâmetros do secador. Essa informação sincroniza o modelo virtual com o processo real, criando uma representação viva da planta em operação.

Em sistemas de controle em circuito fechado, os gêmeos digitais não apenas observam o processo, mas também preveem como uma variação da matéria-prima impactará o produto final e ajustam automaticamente os parâmetros operacionais para compensá-lo, mesmo antes do ingrediente entrar no extrusor.
Benefícios de sua implementação   A implementação dos gêmeos digitais traz benefícios concretos em múltiplos níveis. Primeiramente, melhora significativamente a consistência do produto, reduzindo a variabilidade de lote para lote, um fator chave para a confiança do consumidor e para a reputação da marca.
  Além disso, ao evitar a produção fora das especificações, diminui o desperdício de matérias-primas e energia. Essa abordagem também possibilita otimizar o consumo de energia e aumentar o desempenho sem comprometer a qualidade, impactando diretamente os custos operacionais.

Outro benefício estratégico é a aceleração do desenvolvimento de novos produtos. As formulações podem ser testadas virtualmente, avaliando seu comportamento no processo antes da realização dos testes físicos, o que reduz o tempo, riscos e custos associados aos testes industriais.

Além disso, há a possibilidade de integrar manutenção preditiva, usando gêmeos digitais para detectar desvios no desempenho dos equipamentos e antecipar falhas, evitando paradas não planejadas.
Gêmeos digitais, uma tecnologia chave para construir plantas verdadeiramente conectadas
A adoção dos gêmeos digitais marca um ponto de virada na forma como as fábricas de produção de ração para pets são gerenciadas. Não se trata mais apenas de automatizar, mas de entender o processo em profundidade, antecipar desvios e tomar decisões baseadas em dados reais e comparáveis.

Em um cenário onde eficiência, sustentabilidade e qualidade são cada vez mais decisivas, os gêmeos digitais são consolidados como uma ferramenta estratégica para fabricantes que buscam escalar, se diferenciar e construir plantas verdadeiramente conectadas e resilientes. Por Candelaria Carbajo – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
Gallagher, Nick (Actualizado el  17 de octubre del 2025) What is a Digital Twin? IBM
Prasser, David R. (July 21, 2025). Future of Manufacturing: 13 Trends Driving 2026-2035 Growth. StarUs Insights
Abdurrahman, Emadaldin Elfatih M. & Ferrari, Giovanna. (3 de abril de 2025). Digital Twin applications in the food industry: a review. Frontiers
Haskell. (19 de diciembre de 2025). A Process Engineering Perspective on Digital Twins in Pet Food Manufacturing.

Por Maria Candelaria Carbajo

Outros Mix feeding: a mistura de secos e úmidos no manejo nutricional de cães e gatos

6+ MIN

Mix feeding: a mistura de secos e úmidos no manejo nutricional de cães e gatos

Nas prateleiras de lojas especializadas no segmento pet é possível encontrar uma ampla variedade de alimentos para cães e gatos. Dentre eles, alternativas secas e úmidas, que podem ser utilizadas em conjunto ou separadas. 
  O mix feeding consiste na oferta dos dois formatos de alimento na rotina do animal, geralmente, misturando alimento seco e alimento úmido, seja ele em lata, sachê ou comida caseira. 

'Essa prática ganhou força porque une o melhor dos dois mundos: a praticidade do seco com a maior hidratação e palatabilidade do úmido. Em gatos, especialmente, o úmido ajuda a aumentar o consumo de água — algo muito relevante para saúde urinária', explica Carla Maion, médica-veterinária pós-graduada em Nutrição de cães e gatos. 
  Esse modelo também é adotado por muitos responsáveis pelos animais, graças à procura por mais variedade e qualidade sensorial na alimentação de cães e gatos. 
  Dentre as vantagens do mix feeding pode-se citar: maior ingestão de água, principalmente para gatos, melhora do apetite em animais mais seletivos e a possibilidade de fracionar adequadamente as calorias ao longo do dia e tornar a refeição mais atrativa.Já as desvantagens, segundo a especialista, surgem quando não há cálculo adequado das calorias ou quando as dietas não estão balanceadas, citando especificamente as dietas caseiras. 
  'O erro mais comum é o excesso calórico. Muitas vezes, o alimento úmido é incluído na alimentação como 'extra' e não substitui parte da ração. Outro ponto é que alguns alimentos úmidos são apenas complementares e não completos. Isso pode desbalancear a dieta se não houver atenção ao rótulo', cita.   Avaliar os rótulos é fundamental 
De modo geral, os alimentos secos são completos e balanceados para fornecer a nutrição adequada a cães e gatos. 
  No entanto, ao optar pelo mix feeding é essencial verificar se as opções escolhidas são adequadas para a fase de vida e o gasto energético atual do pet. 
  A veterinária explica que há muitas opções de alimentos secos e úmidos completos para manutenção nutricional e até versões indicadas como coadjuvantes em tratamentos de determinadas doenças. 
  'O ponto principal é conferir no rótulo se o alimento é completo e balanceado. Produtos chamados de 'topper' ou 'complementares' não devem substituir parte relevante da caloria sem orientação. Porém, podem ser oferecidos como veículos de água ou coberturas para aumentar o interesse pela refeição em casos de animais mais seletivos', pontua. 
  Também é importante calcular a necessidade calórica diária e dividir corretamente as quantias entre alimento seco e úmido. 
  Além disso, Maion esclarece que deve-se considerar a condição corporal, presença de doenças ou particularidades, rotina do responsável e comportamento alimentar do pet ao optar por esse tipo de dieta.   Quando implementar a técnica    Alguns animais podem se beneficiar mais com o mix feeding do que outros. Citando espécies, os felinos são os que mais aproveitam a técnica, especialmente devido às suas restrições com relação à hidratação. 
  'Eles naturalmente bebem pouca água, então o alimento úmido ajuda bastante. Já os cães também se adaptam bem, mas o impacto fisiológico do mix feeding costuma ser mais significativo nos felinos', explica a profissional. 
  Outro ponto importante é que os gatos não se adaptam tão bem a dietas caseiras como cães. Logo, na alimentação deles é indicado dar preferência aos sachês e alimentos enlatados em mousse.
  A mistura de secos e úmidos também pode ser uma ótima estratégia para aumentar a palatabilidade dos alimentos, mas exige atenção. 
  Carla explica que em casos como doença renal, alergias alimentares ou problemas urinários os dois alimentos precisam ser compatíveis com a condição clínica. 
  Já em dietas de eliminação, por exemplo, não se deve misturar alimentos diferentes, pois isso compromete o diagnóstico. 
  'O mix feeding deve ser evitado quando o responsável pelo animal não consegue controlar porções com precisão, quando não se adapta a rotina da família ou quando há a possibilidade de o alimento úmido ficar exposto por muito tempo', pontua.   Qualidade associada a porções corretas 
A partir do momento que o animal está ingerindo alimentos secos e úmidos em sua dieta ele já está realizando o mix feeding. No entanto, não é o formato que determina qualidade nutricional e, sim, a formulação de ambas as escolhas.
  De acordo com a especialista, a base dessa técnica é calcular as calorias diárias necessárias ao animal e dividi-las corretamente entre os dois alimentos. 
  'O úmido não pode ser 'acréscimo', ele deve substituir parte da ração. Também é importante incluir petiscos no cálculo total. O acompanhamento do peso e do escore corporal deve ser regular e eu geralmente peço retorno em três semanas para ver se tudo correu bem e como foram as mudanças naquela família', esclarece.
  Dessa forma, primeiramente, é indicado verificar se ambos os alimentos são completos e adequados para a fase de vida do animal. Em seguida, deve-se observar a densidade energética (quantas calorias por grama ou por lata). 
  Para definir as porções é preciso calcular a necessidade energética diária do pet e determinar a proporção entre alimento seco e úmido (por exemplo, 50% das calorias de cada). 
  Logo depois, segundo Maion, convertem-se as calorias em gramas de ração e quantidade de lata/sachê, conforme a informação do fabricante. Já os ajustes devem ser feitos conforme a resposta do pet e de acordo com a rotina da família. Também é fundamental deixar as quantidades bem claras para evitar erros. 
  Inclusive, todo o cálculo alimentar do animal deve ser definido junto com o médico-veterinário. 
  'A introdução do mix feeding deve ser gradual, substituindo pequenas quantidades do alimento atual ao longo de alguns dias (geralmente, entre quatro e cinco dias são suficientes). Em gatos mais sensíveis, a adaptação pode precisar de um período maior (de sete a 12 dias). Mudanças bruscas aumentam risco de êmese e disbiose e não são indicadas em nenhum momento, a não ser em casos de internação ou urgências', conclui. Fonte: Cães e Gatos

Sustentabilidade Estratégias para sustentabilidade no mercado pet food

4+ MIN

Estratégias para sustentabilidade no mercado pet food

O que torna um alimento para pets sustentável?
Atributos de soluções sustentáveis
  Minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e os animais Proteger os ecossistemas e as economias locais Reduzir a geração de resíduos
  Ao discutir sustentabilidade, consideramos uma série de questões ambientais, sociais e econômicas. O objetivo é atender às necessidades do presente sem limitar a capacidade das futuras gerações de suprir suas próprias necessidades. Embora não exista uma definição abrangente de ingrediente ou prática sustentável, podemos usar a tabela acima para orientar nossas decisões.
Uso de ingredientes sustentáveis
A sustentabilidade começa dentro da embalagem do alimento para pets. Cada vez mais, os ingredientes utilizados em alimentos para animais de companhia são obtidos por meio de métodos de produção sustentáveis, com o objetivo de minimizar impactos negativos sobre o equilíbrio ecológico, o meio ambiente e o bem-estar humano.
Abastecimento Sustentável e Agronomia
Fabricantes de alimentos para pets podem estabelecer parcerias com fornecedores que adotam práticas de abastecimento sustentável. A Kemin Industries é um dos fornecedores mais verticalmente integrados de ingredientes de origem vegetal. Ao longo de toda a cadeia produtiva, a empresa controla etapas como melhoramento genético, seleção de plantas, cultivo, colheita e extração de suas culturas especiais. As culturas de alecrim e hortelã-verde da Kemin são produzidas de acordo com alguns dos mais rigorosos padrões operacionais do mundo. Essas culturas são utilizadas na produção dos antioxidantes naturais da empresa.
Proteínas Sustentáveis
O uso de proteínas alternativas pode reduzir a dependência de fontes proteicas tradicionalmente destinadas à alimentação humana. Opções de proteínas de origem sustentável incluem certas variedades de peixes, nozes e sementes, que também fornecem ácidos graxos ômega-3 benéficos para pets. O uso de espécies invasoras como fonte proteica também pode trazer benefícios ambientais, ao contribuir para o controle dessas populações nos ecossistemas onde são removidas. Muitos fabricantes de alimentos para pets também vêm explorando proteínas de insetos, que representam uma fonte proteica para animais sem competir diretamente com a cadeia alimentar humana.
Produtos de Rendering Outra fonte de proteínas sustentáveis, frequentemente pouco reconhecida, são os produtos provenientes de rendering. O processo de rendering gera gorduras e proteínas valiosas, ricas em vitaminas e minerais importantes para os pets. O rendering pode ser considerado uma forma de reciclagem, pois aproveita cerca de 56 bilhões de libras de matérias-primas por ano nos Estados Unidos e no Canadá que, de outra forma, seriam descartadas em aterros sanitários.
Embalagens Sustentáveis
Grande parte do que consumimos vem embalado, e a maioria das embalagens plásticas pode levar de 10 a 1.000 anos para se decompor. No entanto, novas soluções inovadoras podem ser utilizadas para economizar espaço em aterros sanitários. Algumas soluções de embalagens sustentáveis na indústria de alimentos para pets incluem:
  Papelão, papel ou plástico reciclados Opções biodegradáveis inovadoras, como bioplásticos Recipientes reutilizáveis para transporte a granel
  A tendência de pequenas porções de alimento para pets embaladas individualmente não é tão sustentável quanto incluir múltiplas porções em uma única embalagem. Fabricantes de alimentos para pets podem otimizar os tamanhos de porção utilizando antioxidantes e ingredientes de segurança alimentar para ajudar a manter a vida útil de embalagens maiores de alimento para pets.
Certificações de Qualidade
A indústria de alimentos para pets é constantemente impactada por novas tendências e mudanças na percepção dos consumidores. Por isso, os consumidores estão atentos a práticas de 'greenwashing', quando empresas tentam parecer sustentáveis sem comprovação de práticas verificadas ou certificadas. Há uma variedade de certificações que os fabricantes de alimentos para pets podem utilizar para certificar como seus produtos são produzidos, incluindo:
  Certificações para ingredientes Frutos do mar sustentáveis (MSC – certificado – Marine Stewardship Council) Cultivo Sustentável (SCS Global) RSPO ou RTRS (Roundtable for Sustainable Palm Oil & Roundtable for Responsible Soy) Não OGM Orgânico USDA   Certificações dentro da produção e operações: Certificações de cadeia de suprimentos que avaliam rastreabilidade, integridade dos ingredientes e abastecimento ético e transparente Certificação de Bem-Estar Animal Energia renovável e emissões líquidas zero Embalagens sustentáveis e recicláveis Certificado vegano
Sustentabilidade na Kemin
A sustentabilidade é uma área-chave de foco na Kemin, conforme refletido em sua declaração de visão. Além de práticas agronômicas sustentáveis, a Kemin possui iniciativas de sustentabilidade voltadas para energia, resíduos, conservação e biodiversidade. Saiba mais sobre sustentabilidade na Kemin aqui: https://www.kemin.com/na/en-us/company/sustainability
  Fonte: Kemin Nutrisurance

Publicidade

260x430 260x430

Ingredientes

Proteínas

15/07/2026

Estudo indica que gatos aceitam e digerem bem dieta com carne cultivada  

A carne cultivada, produzida a partir de células animais em ambiente controlado, pode representar uma alternativa promissora para a nutrição felina. Um estudo recente publicado na revista científica Frontiers in Veterinary Science apontou que gatos domésticos aceitaram bem uma dieta completa formulada com esse ingrediente e apresentaram índices de digestibilidade semelhantes aos observados em uma alimentação convencional à base de frango.
A pesquisa foi conduzida em parceria com a Universidade de Ghent, na Bélgica, e avaliou a aceitação alimentar e a digestibilidade de uma dieta contendo carne cultivada produzida pela empresa Bene Meat. Durante o teste, nove em cada dez gatos consumiram o alimento de forma satisfatória, deixando menos sobras em comparação com uma dieta controle formulada com carne de frango destinada ao consumo humano.   Boa aceitação entre os felinos
Além da boa aceitação, os pesquisadores observaram que a digestibilidade das proteínas e gorduras foi comparável entre as duas dietas. Ao longo do período de avaliação, também não foram registradas alterações relevantes na condição corporal, na massa muscular ou na consistência das fezes dos animais.
  Segundo os autores, os resultados sugerem que a carne cultivada pode funcionar como um ingrediente nutricionalmente adequado, bem tolerado e palatável para gatos. No entanto, eles ressaltam que novas pesquisas serão necessárias para avaliar os efeitos do consumo a longo prazo e ampliar o conhecimento sobre o uso desse tipo de proteína na alimentação pet.

  Alternativa para o futuro da nutrição pet
O estudo surge em um momento em que a indústria pet busca alternativas para diversificar as fontes de proteína e reduzir impactos ambientais associados à produção convencional de carne. Como os gatos são carnívoros obrigatórios, qualquer nova fonte proteica destinada a esses animais precisa demonstrar não apenas segurança, mas também elevada aceitação e capacidade de fornecer nutrientes de forma eficiente.
  Embora a carne cultivada ainda enfrente desafios regulatórios e de escala produtiva em diversos mercados, os resultados da pesquisa representam um passo importante para o desenvolvimento de ingredientes inovadores voltados à nutrição animal. Especialistas acreditam que avanços tecnológicos e novas pesquisas poderão acelerar a adoção desse tipo de ingrediente nos próximos anos, especialmente em segmentos voltados à sustentabilidade e à inovação em pet food. Fonte: Cães&Gatos

Proteínas

14/07/2026

Reflexão sobre a proteína na nutrição de pets: desde fontes tradicionais a proteínas alternativas e funcionais

Nos últimos anos, a discussão sobre proteínas tem se expandido. Na indústria alimentícia, os termos "proteínas alternativas", "proteínas novas" e "proteínas funcionais" são cada vez mais usados. Grande parte desse interesse se deve a preocupações com a sustentabilidade e à previsão de que a demanda global por proteína aumentará em grande escala à medida que a população mundial atinga dez bilhões de pessoas até 2050 (FAO, 2022; OCDE-FAO, 2023).
  Assim, surge uma questão importante: é necessário ter novas fontes de proteína para alimentar nossos pets, ou devemos focar em melhorar o uso das fontes que já existem?
  A resposta não é preto no branco. Fontes tradicionais de proteína são nutricionalmente adequadas, enquanto tecnologias emergentes e ingredientes alternativos oferecem oportunidades para impulsionar a sustentabilidade, a funcionalidade e os resultados de saúde, além de impactar a microbiota intestinal.    Demanda Global de Proteína e o Debate sobre Sustentabilidade   A previsão para 2050 sugere que a demanda por proteína aumentará rapidamente à medida que a população mundial atingirá dez bilhões. Além disso, espera-se que a demanda por alimentos aumente 60% (FAO 2018; FAO 2022; Henchion et al., 2017). Ao mesmo tempo, a população global de animais de estimação continua a crescer, estimando novecentos milhões de cães e gatos no mundo todo, dos quais 60% estão concentrados na Europa, Estados Unidos, China e Brasil.
  Essas tendências levantaram preocupações se a pecuária tradicional sozinha será capaz de suprir as necessidades de proteína do futuro. Críticos apontam que alimentar animais de estimação com proteína de origem animal compete com a cadeia de suprimentos de alimentos e contribui para pressões ambientais, como uso do solo, emissões de gases de efeito estufa e consumo de água.
  No entanto, o cenário é mais complexo. Grande parte dos derivados animais usados em alimentos para pets vem de coprodutos obtidos de alimentos humanos, por exemplo, resíduos de órgãos, aparas ou processamento de peixes. Esses ingredientes representam uma forma eficiente de reciclagem de nutrientes na cadeia de suprimentos de alimentos (Boland et al., 2013).
  Avanços tecnológicos no processamento de alimentos estão melhorando a utilização de nutrientes, o que permite uma melhor recuperação de proteínas, peptídeos e compostos bioativos a partir de matérias-primas e subprodutos (Yuan et al., 2025). Melhorar o processamento e o uso das proteínas é tão importante quanto identificar novas fontes.   Necessidades de proteína em cães e gatos   Os requisitos de proteína em animais de companhia foram estabelecidos após décadas de estudos nutricionais. De acordo com a orientação da AAFCO (AAFCO 2026), a proteína mínima necessária para cães adultos é cerca de 18% em regime seco, enquanto filhotes precisam de 22,5%. Gatos, como carnívoros estritos, exigem uma ingestão maior, com um nível mínimo de 26%. 
  No entanto, dietas comerciais têm um nível mais alto de proteína. Algumas rações secas para cães contêm entre 22-32%, enquanto rações para gato contêm 30-40%. Como o teor de proteína está cada vez mais associado à percepção da qualidade da dieta, esses níveis refletem tanto as necessidades nutricionais quanto as expectativas dos consumidores.   Fontes convencionais de proteína continuam sendo a base   Graças ao seu perfil equilibrado de aminoácidos e alta digestibilidade, as proteínas de origem animal continuam sendo a base da nutrição dos pets. Ingredientes comuns são as farinhas de vísceras de frango, carne e cordeiro; proteínas de peixe; subprodutos de carne e órgãos. Esses ingredientes fornecem aminoácidos essenciais (lisina, metionina e taurina) e, dependendo dos ingredientes e do processamento, proporcionam aproximadamente 85-90% de digestibilidade.
  As proteínas vegetais também desempenham um papel essencial nas formulações modernas. Farelo de soja, proteína de ervilha, lentilhas e grão-de-bico fornecem aminoácidos e, ao mesmo tempo, flexibilidade e custo-benefício na formulação. 
  As inovações mais recentes no processamento de alimentos melhoraram a funcionalidade das proteínas vegetais. Fermentação, hidrólise enzimática e moagem avançada apresentam maior digestibilidade e redução dos fatores antinutricionais, como lectinas e inibidores de protease.
  Esses avanços destacam um ponto importante: inovação não exige novos ingredientes, mas melhora o processamento e o uso dos já existentes.   O Surgimento dos Ingredientes Frescos e Minimamente Processados   Nas décadas anteriores, o uso de carne fresca ou branca se espalhou na formulação de rações secas para pets. Hoje, muitos produtos premium incorporam frango, cordeiro ou peixe frescos em seu sistema proteico.
  Em alguns casos, esses ingredientes frescos são obtidos a partir de carne desossada mecanicamente (CMS) ou do sistema de recuperação de carne, no qual tecido muscular comestível é recuperado das carcaças após o primeiro corte. Esses ingredientes não apenas fornecem proteínas altamente digestíveis, mas também melhoram a palatabilidade e a percepção do consumidor.
  A comercialização de "ingredientes frescos" foi impulsionada pelo rápido crescimento dos formatos frescos e semi-cozidos. Estima-se que o mercado de alimentos frescos para pets nos Estados Unidos ultrapasse três bilhões de dólares e continua crescendo (Packaged Facts, 2023). Essa tendência ilustra como as expectativas estão influenciando cada vez mais a escolha de ingredientes e as estratégias de processamento na indústria de alimentos para pets.   O Crescimento de Proteínas Alternativas   Embora as proteínas convencionais possam dominar, muitas tecnologias emergentes estão atraindo atenção.
  Proteínas de insetos
Larvas de mosca-soldado negra, Tenebrio molitor e grilos estão sendo estudadas como fontes sustentáveis de proteína. A farinha de insetos normalmente contém entre 40 e 60% de proteína e pode ser produzida em áreas menores gastando menos recursos de terra e água, em comparação com a produção tradicional de gado (van Huis, 2021).
  As proteínas dos insetos contêm componentes bioativos, como peptídeos antimicrobianos e quitina, que impactam a função imunológica e a saúde intestinal (Gasco et al., 2020). No entanto, aumentar a produção e alcançar ampla aceitação dos consumidores continua sendo um desafio.
  Proteínas fermentadas
As tecnologias de fermentação representam um cenário promissor. A fermentação microbiana produz proteínas unicelulares por meio de leveduras, bactérias, fungos e microalgas cultivadas em diferentes substratos (Matassa et al., 2016). Além disso, fornecem perfis favoráveis de aminoácidos e requerem uma área de cultivo relativamente pequena.
  Métodos tradicionais, como a fermentação do koji com o fungo Aspergillus oryzae, transformam substratos vegetais em ingredientes mais digeríveis e nutritivos (Yuan et al., 2025). Avanços na biotecnologia permitem que bactérias geneticamente modificadas produzam peptídeos ou proteínas com propriedades funcionais específicas.
  Cultura celular
A agricultura celular representa uma das abordagens tecnológicas mais ambiciosas na produção de proteínas. Eventualmente, ao cultivar células animais em ambientes monitorados, será possível produzir carne sem recorrer à criação tradicional de gado (Post, 2012). Embora pareça promissor, essa tecnologia está em estágios iniciais, especialmente em aplicações de ração para pets, e enfrenta desafios em custos, consumo de energia e estrutura regulatória.   Proteínas e o microbioma intestinal   Uma das áreas mais empolgantes da nutrição e da saúde proteica é o microbioma intestinal.
  A microbiota intestinal é essencial para a digestão, função imunológica e saúde metabólica dos pets. A dieta, assim como as fontes de proteína e a digestibilidade, impactam significativamente a comunidade microbiana do trato gastrointestinal (Handl et al., 2013).
  Proteínas altamente digeríveis reduzem a quantidade de nitrogênio não direcionado no cólon, diminuindo a produção de subprodutos fermentados indesejados, como amônia ou aminas biogênicas.
  Em vez disso, certos peptídeos ou aminoácidos servem como substratos para algumas comunidades. Eles contribuem para a produção de ácidos graxos de cadeia curta e outros metabólitos que apoiam a saúde intestinal (Sandri et al., 2017).   Principais lições   Frequentemente, o debate sobre proteínas alternativas é enquadrado em seu uso como substituto das fontes tradicionais. Na realidade, o futuro da proteína na nutrição animal será mais integrado. Diversas conclusões importantes emergem desse debate:
  Fontes tradicionais de proteína ainda são nutricionalmente eficientes. Proteínas de origem animal e vegetal continuam sendo uma fonte confiável de aminoácidos e continuarão sendo essenciais na ração para pets.
  Proteínas alternativas diversificam ferramentas; insetos, fermentação microbiana e agricultura celular complementarão os sistemas existentes.

  Tecnologias de processamento e avanços em fermentação, modificação enzimática e recuperação de ingredientes podem melhorar o uso de nutrientes, reduzir fatores antinutricionais e aumentar o valor funcional dos ingredientes proteicos.
  As expectativas do consumidor remodelam os sistemas proteicos. A produção de ração fresca, semiprocessada e rica em proteínas mostra como as tendências do mercado influenciam a seleção e as tecnologias de processamento de nutrientes.
  O objetivo não deve ser substituir fontes tradicionais por alternativas, mas desenvolver ecossistemas diferentes e eficientes que apoiem a sustentabilidade, a nutrição e a saúde dos pets. A questão principal não está nas proteínas que escolhemos, mas sim em como usá-las com sabedoria. Por Juan Gomez-Basauri, Ph.D. – MAGELLAN LLC
Fonte: All Pet Food Magazine
  Referências
AAFCO 2026. Association of America Feed Control Officials. Official Publication Boland, M., Rae, A., Vereijken, J., Meuwissen, M. P. M., Fischer, A. R. H., van Boekel, M. A. J. S., Rutherfurd, S. M., Gruppen, H., Moughan, P. J., & Hendriks, W. H. (2013). The future supply of animal-derived protein for human consumption. Trends in Food Science and Technology, 29(1), 62-73.https://doi.org/10.1016/j.tifs.2012.07.002 FAO. 2018. The future of food and agriculture – Alternative pathways to 2050. Summary version. Rome. 60 pp. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.https://openknowledge.fao.org/handle/20.500.14283/i8429en FAO. 2022. The future of food and agriculture – Drivers and triggers for transformation. The Future of Food and Agriculture, no. 3. Rome.https://doi.org/10.4060/cc0959en Gasco, L., Gabriele Acuti, Paolo Bani, Antonella Dalle Zotte, Pier Paolo Danieli, Anna De Angelis, Riccardo Fortina, Rosaria Marino, Giuliana Parisi, Giovanni Piccolo, Luciano Pinotti, Aldo Prandini, Achille Schiavone, Genciana Terova, Francesca Tulli & Alessandra Roncarati (2020) Insect and fish by-products as sustainable alternatives to conventional animal proteins in animal nutrition, Italian Journal of Animal Science, 19:1, 360-372.https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/1828051x.2020.1743209 Handl S., German AJ, Holden SL, Dowd SE, Steiner JM, Heilmann RM, Grant RW, Swanson KS, Suchodolski JS. Faecal microbiota in lean and obese dogs. FEMS Microbiol Ecol. 2013 May;84(2):332-43. Epub 2013 Jan 24. PMID: 23301868.https://doi.org/10.1111/1574-6941.12067 Henchion, M. Hayes M, Mullen AM, Fenelon M, Tiwari B. Future Protein Supply and Demand: Strategies and Factors Influencing a Sustainable Equilibrium. Foods. 2017 Jul 20;6(7):53.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5532560/ Matassa, S., Boon N, Pikaar I, Verstraete W. Microbial protein: future sustainable food supply route with low environmental footprint. Microb Biotechnol. 2016 Sep;9(5):568-75. Epub 2016 Jul 8.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4993174/pdf/MBT2-9-568.pdf OECD/FAO 2023. OECD-FAO Agricultural Outlook 2023-2032, OECD Publishing, Paris.https://doi.org/10.1787/08801ab7-en. Post MJ. Cultured meat from stem cells: challenges and prospects. Meat Sci. 2012 Nov;92(3):297-301. doi: 10.1016/j.meatsci.2012.04.008. Epub 2012 Apr 11. PMID: 22543115.https://doi.org/10.1016/j.meatsci.2012.04.008 Sandri, M., Dal Monego S, Conte G, Sgorlon S, Stefanon B. Raw meat-based diet influences fecal microbiome and end products of fermentation in healthy dogs. BMC Vet Res. BMC Vet Res 2017; 13 (1):65.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5331737/ van Huis, A. Prospects of insects as food and feed. Org. Agr. 11, 301–308 (2021).https://doi.org/10.1007/s13165-020-00290-7 Yuan, Yi, Xinyao Wei, Yuhong Mao, Yuxue Zheng, Ni He, Yuan Guo, Ming Wu, Joseph Dumpler, Bing Li, Xu Chen, Xixi Cai, Jianping Wu, Yongqi Tian, Sihan Xie, Jeyamkondan Subbiah, Shaoyun Wang. Innovative Food Processing Technologies Promoting Efficient Utilization of Nutrients in Staple Food Crops, Engineering, Volume 50, 2025, Pages 229-244.https://doi.org/10.1016/j.eng.2025.04.014

Por Dr. Juan Gómez Basauri

Aditivos funcionais

13/07/2026

Além da Fibra: O Papel dos Frutooligossacarídeos de Cadeia Curta na Nutrição Funcional em Pet Food

Paralelamente, o avanço do conhecimento sobre a microbiota intestinal ampliou o papel das fibras prebióticas na nutrição animal. Mais do que contribuir para o trânsito intestinal, esses ingredientes passaram a ser reconhecidos por sua capacidade de modular seletivamente a microbiota, tornando-se componentes estratégicos no desenvolvimento de alimentos funcionais para cães e gatos.
Entre os prebióticos disponíveis, os frutooligossacarídeos de cadeia curta (sc-FOS) despertam interesse da indústria pet food.   Muito além do conceito de fibra
Embora frequentemente agrupadas na mesma categoria, nem todas as fibras prebióticas apresentam o mesmo comportamento fisiológico. A estrutura molecular influencia diretamente a velocidade de fermentação, a seletividade para bactérias benéficas e a produção de metabólitos de interesse nutricional.
Os frutooligossacarídeos de cadeia curta (sc-FOS) são fibras prebióticas solúveis pertencentes à família dos frutanos e produzidos por processo enzimático a partir da sacarose. Seu perfil fermentativo e sua versatilidade de aplicação tornam esse ingrediente uma alternativa de interesse para diferentes categorias de alimentos destinados a cães e gatos.

Por não serem hidrolisados pelas enzimas digestivas do estômago e do intestino delgado, os sc-FOS chegam intactos ao intestino grosso, onde são seletivamente fermentados pela microbiota intestinal. Esse processo favorece o crescimento de bactérias benéficas, especialmente dos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus, estimulando a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como acetato, propionato e butirato, metabólitos associados à manutenção da integridade da mucosa intestinal, ao equilíbrio do ambiente intestinal e à saúde digestiva.   Características que despertam o interesse da indústria
Além dos benefícios associados à modulação da microbiota intestinal, os sc-FOS apresentam características tecnológicas que atendem às necessidades da indústria pet food.
Ingredientes comerciais à base de sc-FOS podem apresentar elevado teor de fibra prebiótica e ser utilizados em baixas taxas de inclusão, conforme recomendação do fabricante, favorecendo sua incorporação em diferentes formulações.

Outro diferencial importante é a sua estabilidade durante o processamento industrial, o sc-FOS apresentam estabilidade sob as condições normalmente empregadas nos processos de extrusão e pasteurização, possibilitando sua aplicação em diferentes categorias de produtos, incluindo alimentos secos, alimentos úmidos, petiscos, suplementos nutricionais e dietas de suporte nutricional.
 
Perspectivas para a nutrição pet
O avanço do conhecimento sobre a microbiota intestinal modificou a forma como a saúde digestiva é abordada na nutrição de pet food. Atualmente, a microbiota é reconhecida como um importante modulador da homeostase intestinal, influenciando processos relacionados à digestão, à integridade da barreira intestinal, ao metabolismo e à resposta imunológica.

Esse entendimento amplia o interesse por ingredientes capazes de modular seletivamente a microbiota e contribuir para formulações nutricionalmente mais funcionais. Nesse contexto, os frutooligossacarídeos de cadeia curta representam uma alternativa que reúne características de interesse tanto do ponto de vista biológico quanto tecnológico.
Novas perspectivas para formulações pet
O avanço da ciência demonstra que o conceito de fibra evoluiu significativamente na nutrição pet. Mais do que contribuir para o trânsito intestinal, as fibras prebióticas passaram a desempenhar papel importante na modulação da microbiota e no desenvolvimento de formulações mais funcionais.

Nesse cenário, os frutooligossacarídeos de cadeia curta representam uma alternativa consistente para a indústria pet food. Sua rápida fermentação pela microbiota intestinal, associada à estabilidade durante o processamento industrial e à versatilidade de aplicação em diferentes categorias de alimentos, reforça seu potencial como ingrediente para formulações que buscam aliar funcionalidade nutricional e viabilidade tecnológica. O time de especialistas da Barentz, distribuidora global em soluções de ingredientes especiais, fica à disposição para esta e outras possibilidades de desenvolvimento de novos projetos junto a indústria: info-an.br@barentz.com | (11) 2974-7474.
  Por Heloisa Brunetto, Account Executive da divisão de Animal Nutrition da Barentz no Brasil
Fonte: Barentz

Proteínas

08/07/2026

 A matriz proteica: equilibrando nutrição, realidade operacional e demandas dos consumidores 

Hoje, à medida que os pets se humanizam e se elevam ao status de membros da família, a fiscalização sobre os ingredientes em suas refeições nunca foi tão intensa.  Por isso, nesta edição, quis adotar uma abordagem diferente dos meus artigos anteriores e decidi escrever sobre o componente mais analisado, caro e dinâmico de qualquer fórmula de ração para pets: a proteína.

O verdadeiro valor de uma mercadoria não é mais ditado apenas pelo seu preço por tonelada, passando a ser definido por uma matriz complexa de eficácia nutricional, atratividade comercial e fabricabilidade. O universo dos ingredientes está crescendo rapidamente, introduzindo proteínas alternativas, extratos funcionais e novos aditivos.  No entanto, para realmente entender como diferentes ingredientes agregam valor, precisamos examinar como o cardápio de opções, incluindo diferentes fontes de proteína, se complementa em três eixos: nutrição, tendências de consumo e gestão operacional da fábrica.   Nutrição: Como suplementar proteína?
Do ponto de vista estritamente nutricional, um pet não precisa de ingredientes específicos, mas de nutrientes específicos. O objetivo de qualquer formulador é oferecer um perfil completo e equilibrado de aminoácidos, junto com alta digestibilidade e biodisponibilidade (e palatabilidade... porque se o pet não consumir o produto, todo o esforço terá sido em vão).  Alcançar isso raramente é feito de forma eficiente com uma única fonte de proteína.  Na verdade, a formulação consiste em complementar diferentes ingredientes.

Fontes tradicionais de proteína animal, como frango, cordeiro, peixe e carne, há muito tempo são a base da indústria, oferecendo alta densidade proteica e excelente palatabilidade.  No entanto, geralmente se complementam e também oferecem opções vegetais como ervilhas, soja, batatas ou farinha de glúten de milho.

Por que misturá-los?  Porque o que falta a um ingrediente, outro fornece.  Por exemplo, uma proteína vegetal pode ser altamente digestível e reduzir o teor total de cinzas da fórmula, mas pode ser limitada em aminoácidos essenciais como metionina ou precursores de taurina.  Ao combinar estrategicamente esse tipo de proteína com uma fonte marinha, como farinha de salmão ou um extrato funcional como levedura, o formulador pode preencher essa lacuna de aminoácidos mantendo um certo preço e objetivo funcional.

Além disso, o surgimento de proteínas alternativas, como insetos, proteínas unicelulares e até carnes cultivadas, está mudando o cenário das formulações.  Esses ingredientes não são apenas novidades: podem oferecer benefícios funcionais, como propriedades hipoalergênicas ou altos níveis de peptídeos antimicrobianos. Eles desempenham um papel importante dentro de uma fórmula como aditivos funcionais que enriquecem o perfil nutricional e o verdadeiro valor do produto final.   A Iniciativa de Marketing: Premiumização e Rótulos Limpos 
Enquanto os formuladores focam em aminoácidos, digestibilidade, biodisponibilidade e palatabilidade, os departamentos de marketing e consumidores focam na lista de ingredientes e nas alegações do produto.  Nos segmentos de alto valor de hoje, as tendências de comunicação influenciam profundamente o design de produtos, às vezes causando conflito com a lógica tradicional de formulação.

A demanda por produtos de "etiqueta limpa" e dietas com poucos ingredientes é um exemplo claro.  Segmentos de maior valor exigem listas de ingredientes mais curtas, impulsionadas pela percepção do consumidor de que menos ingredientes equivalem a um produto mais natural, saudável e transparente.  Isso representa um grande desafio: como alcançar um perfil de aminoácidos perfeitamente equilibrado quando o briefing de marketing restringe você a uma única fonte de proteína e um único carboidrato?

Essa restrição empurrou a indústria para novas proteínas.  Esses novos ingredientes, como coelho, canguru, javali, arenque, cervo e pato, têm preços premium e cumprem dupla função.  Por um lado, são muito eficazes para pets com suspeita de sensibilidade alimentar ou alergias; por outro, oferecem uma narrativa poderosa para marketing e comunicação.  Uma proteína inovadora diferencia instantaneamente uma marca em uma prateleira saturada, transmitindo exclusividade e qualidade premium.

No entanto, o verdadeiro valor aqui também depende da rastreabilidade da origem. Os consumidores valorizam saber que o coelho foi obtido de forma sustentável ou que o salmão é selvagem.
Rastreabilidade evoluiu de uma palavra da moda na cadeia de suprimentos para se tornar uma exigência inegociável do consumidor e um pilar fundamental da proposta de valor de uma marca.  A história por trás do ingrediente agora é tão importante quanto o próprio ingrediente.   Realidade operacional: desafios na produção 
Uma receita pode parecer perfeita no papel (ou no Excel) e brilhar em grupos focais com os consumidores, mas deve ser possível fabricá-la dentro do processo existente. Gerenciar proteínas diversas e inovadoras em uma fábrica de alto volume cria uma série de desafios que questionam o conceito de "valor verdadeiro".

Um dos desafios mais persistentes é o gerenciamento da variabilidade natural das matérias-primas, especialmente as farinhas de subprodutos animais.  Por exemplo, as farinhas de carne e osso podem variar muito de lote para lote, dependendo do processo de processamento e da origem.  Um problema clássico na fábrica é a variação de cor; por exemplo, se um lote específico de farinha de carne e osso tiver uma concentração maior de sangue, ele ficará visivelmente mais escuro.  Mesmo que o produto seja totalmente seguro e nutricionalmente correto, essa inconsistência visual pode gerar reclamações dos consumidores.  Os tutores de pets esperam uniformidade absoluta e um lote escuro pode ser interpretado como ração queimada e fora de especificação.  Para gerenciar isso, são necessárias especificações rigorosas de fornecedores, técnicas avançadas de mistura e, às vezes, o uso (relutante) de corantes para padronizar a aparência final.

Independentemente da cor, diferentes proteínas se comportam de forma diferente durante a extrusão.  Proteínas vegetais geralmente requerem energias mecânicas específicas e entradas de umidade diferentes das proteínas animais. Altos níveis de carne fresca, embora muito atraentes no rótulo dos ingredientes, introduzem grandes quantidades de água na fórmula, que deve ser controlada para que a ração se expanda corretamente e possa ser seca até um nível seguro de umidade.   Conclusão: Redefinindo o Verdadeiro Valor    O universo dos ingredientes na ração para pets certamente está crescendo, mas o "verdadeiro valor" não é encontrado apenas adicionando a proteína mais nova e moderna a uma fórmula.  O verdadeiro valor é alcançado na interseção de três disciplinas distintas.

Requer a capacidade do formulador de misturar perfis complementares de aminoácidos em busca da saúde ideal dos animais; exige a visão da equipe de marketing para selecionar ingredientes que respondam à demanda do consumidor por transparência e sustentabilidade; E, crucialmente, depende da expertise da fábrica para lidar com as realidades físicas, variações e desafios organolépticos do processamento de matérias-primas em larga escala.


À medida que a indústria continua inovando além do preço, as marcas que tiverem sucesso serão aquelas que dominarão essa matriz complexa, garantindo que cada matéria-prima justifique seu lugar na tigela do pet: nutricionalmente, comercialmente e operacionalmente. Por Felipe Martínez R.
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Felipe Martínez R.

Proteínas Farinha de larva de mosca-soldado-negro: uma fonte proteica sustentável e funcional para alimentos pet

9+ MIN

Farinha de larva de mosca-soldado-negro: uma fonte proteica sustentável e funcional para alimentos pet

Um novo cenário para proteínas na indústria pet food   A indústria pet food tem buscado alternativas que atendam simultaneamente aos requisitos nutricionais, tecnológicos e ambientais, promovendo inovação sem comprometer a qualidade dos produtos finais.
  Entre as principais tendências, destaca-se a substituição parcial ou total de fontes proteicas tradicionais, como farinha de vísceras de aves, farinha de carne e ossos, farinha de peixe e farelo de soja, por ingredientes mais sustentáveis e com menor impacto ambiental. Nesse contexto, a farinha de larva de mosca-soldado-negro (Hermetia illucens) tem ganhado destaque como uma solução promissora para os desafios atuais da cadeia produtiva.
  A produção desse ingrediente está diretamente relacionada à capacidade das larvas de converter resíduos orgânicos em biomassa de alto valor nutricional. Esse processo, conhecido como bioconversão, permite o aproveitamento de subprodutos agroindustriais, reduzindo desperdícios e contribuindo para modelos de economia circular. Dessa forma, a farinha de BSF não apenas atende às demandas nutricionais, mas também se insere em uma estratégia mais ampla de sustentabilidade no setor pet food.
  Do ponto de vista nutricional, a farinha de BSF apresenta teor proteico variável, geralmente entre 35% e 60%, dependendo do substrato utilizado na criação das larvas e do processamento industrial aplicado. Embora esse teor seja considerado intermediário em comparação a algumas fontes convencionais, o ingrediente se destaca pela qualidade de sua proteína e pelo perfil de aminoácidos, adequado às exigências nutricionais de cães e gatos.
  Além disso, a farinha de BSF possui elevado teor lipídico, com destaque para o ácido láurico, um ácido graxo de cadeia média associado a propriedades antimicrobianas e potenciais benefícios à saúde intestinal. Essa composição lipídica diferenciada pode contribuir não apenas para o valor energético das dietas, mas também para efeitos funcionais importantes no organismo dos animais.     Estudos recentes também indicam benefícios adicionais associados ao uso da farinha de BSF em dietas extrusadas, incluindo melhorias na integridade da pele, na qualidade da pelagem e na resposta antioxidante. Esses efeitos estão possivelmente relacionados à presença de compostos bioativos e à qualidade dos nutrientes presentes no ingrediente.
  Outro ponto relevante é a presença de minerais, como cálcio e fósforo, em níveis significativos, além de aminoácidos essenciais como metionina e tirosina. A maior concentração de tirosina, em particular, tem sido destacada como um diferencial da farinha de BSF, reforçando seu potencial nutricional em formulações completas.
  Adicionalmente, a farinha de BSF contém compostos com potencial ação prebiótica e antibacteriana, que podem contribuir para a modulação da microbiota intestinal e para a manutenção da saúde digestiva. Esse conjunto de características torna o ingrediente atrativo não apenas como fonte de proteína, mas também como componente funcional em dietas para cães e gatos.
  Por se tratar de uma proteína alternativa e ainda pouco utilizada em larga escala, a farinha de BSF também apresenta potencial aplicação em dietas hipoalergênicas, sendo uma opção interessante para animais com sensibilidades alimentares a proteínas convencionais, como frango, carne bovina ou soja.   Digestibilidade: o ponto crítico da formulação para um futuro sustentável na alimentação pet   A digestibilidade é um dos principais critérios para avaliação da qualidade de novos ingredientes na nutrição animal. Nesse aspecto, a farinha de BSF apresenta resultados consistentes, com coeficientes de digestibilidade da proteína semelhantes aos observados em dietas formuladas com ingredientes tradicionais.
  Estudos indicam que níveis de inclusão variando entre 5% e 20% resultam em digestibilidade aparente da proteína na faixa de 83% a 84%, valores compatíveis com aqueles observados em dietas convencionais. Esses resultados demonstram que o ingrediente é eficientemente aproveitado pelo organismo dos animais, sem comprometer a qualidade fecal.

Além da fração proteica, a digestibilidade lipídica da farinha de BSF também merece destaque, sendo frequentemente elevada devido à presença de ácidos graxos de cadeia média, que apresentam maior facilidade de digestão e absorção quando comparados aos ácidos graxos de cadeia longa.
  A presença de quitina, um polissacarídeo estrutural do exoesqueleto das larvas, representa outro aspecto importante do ponto de vista nutricional. A quitina pode atuar como fibra funcional, contribuindo para a modulação da microbiota intestinal e para a formação de fezes com melhor consistência. No entanto, seu efeito depende diretamente do nível de inclusão e do processamento do ingrediente, podendo, em concentrações elevadas, interferir na digestibilidade dos nutrientes.
  Dessa forma, o uso da farinha de BSF requer um balanceamento adequado na formulação das dietas, de modo a maximizar seus benefícios funcionais sem comprometer o aproveitamento nutricional.     Palatabilidade e aceitação pelos animais    Outro fator determinante para a aplicação prática do ingrediente é a palatabilidade. A aceitação do alimento pelos animais é um dos principais indicadores de sucesso comercial, especialmente em dietas para gatos, que apresentam comportamento alimentar mais seletivo.
  De modo geral, a inclusão da farinha de BSF não compromete a ingestão, sendo observada boa aceitação tanto em cães quanto em gatos. No entanto, estudos indicam que esse fator é fortemente dependente do nível de inclusão.
  Níveis mais baixos de substituição, como 3%, mantêm ingestão semelhante à dieta controle e podem até estimular o interesse inicial dos animais pelo alimento. Em contrapartida, níveis mais elevados, como 6%, tendem a reduzir a ingestão e a preferência. Esse efeito pode estar associado à composição lipídica das larvas, especialmente ao maior teor de ácidos graxos de cadeia média, que podem influenciar a percepção sensorial do alimento.
  Assim, a definição do nível de inclusão adequado é essencial para garantir a aceitação do produto final, sendo a inclusão moderada a estratégia mais indicada para formulações comerciais.
  Além dos aspectos nutricionais e funcionais, a farinha de BSF apresenta vantagens ambientais significativas quando comparada às fontes proteicas tradicionais. Sua produção demanda menor uso de recursos naturais, como água e área agrícola, além de resultar em menores emissões de gases de efeito estufa.
  A capacidade das larvas de converter resíduos orgânicos em proteína de alto valor permite o aproveitamento de subprodutos que, de outra forma, seriam descartados, contribuindo para a redução do impacto ambiental da cadeia produtiva.
  Outro ponto importante é a eficiência produtiva. A criação de insetos apresenta melhor conversão alimentar e menor necessidade de insumos quando comparada à pecuária convencional, tornando-se uma alternativa viável para sistemas de produção mais sustentáveis.

Esse conjunto de características posiciona a farinha de BSF como um ingrediente alinhado às principais tendências globais da indústria pet food, que buscam integrar desempenho nutricional, inovação e responsabilidade ambiental.
  Em conclusão, a farinha de larva de mosca-soldado-negro se consolida como um ingrediente estratégico para a indústria pet food, reunindo qualidade nutricional, funcionalidade e benefícios ambientais. Sua utilização permite o desenvolvimento de dietas mais sustentáveis sem comprometer digestibilidade, qualidade fecal ou aceitação pelos animais, representando uma solução promissora para o futuro da nutrição de cães e gatos.
  Por Bruna Cavalari Santello; Laura Cicília Cassol da Silva; Douglas Melo de Souza; Lorenna Nicole Araújo Santos; Josiane Aparecida Volpato
Fonte: All Pet Food Magazine
  Referências
ABD EL-WAHAB, A.; y demás. La harina de larvas de insecto (Hermetia illucens) como fuente sostenible de proteína para el alimento canino y su impacto en la digestibilidad de los nutrientes y la calidad fecal. Animals, Basilea, vol. 11, n. 9, p. 2525, 2021. BOSCH, G.; VERVOORT, J. J. M.; HENDRIKS, W. H. Digeribilidad in vitro y fermentabilidad de insectos seleccionados para alimentos para perros. Ciencia y Tecnología de Piensos Animales, v.221, p.174–184, 2016.  CARDOSO, R. K. N. UNIVERSIDAD FEDERAL DE BAHÍA (UFBA). Evaluación nutricional de la harina de larva de mosca soldado negra en dietas extruidas para perros y efecto en la salud intestinal. Salvador: Repositório da UFBA, 20 (tesis/tesis). 2 de julio de 2024. CARVALHO, L. C.; y demás. Posible uso de harina de insectos en la dieta de perros y gatos. Caderno de Ciências Agrárias-UFMG, 2016. DE ANDRADE, G. C.; y demás. Alimentos alternativos para la formulación de dietas para perros y gatos. Animal Science, v. 35, n. 2, p. 45-56, 2025. FREEL, T. A.; MCCOMB, A.; KOUTSOS, E. A. Digestibilidad y seguridad de larvas secas de harina y aceite de larvas de mosca soldado negra en perros. Journal of Animal Science, vol. 99, n.3, 15 fev. 2021. GONÇALVES, C. A.; RIBEIRO, G. B.; AFONSO, M. V. R. Evaluación del conocimiento poblacional sobre la cría y manejo de perros y gatos. Veterinária Notícias (Online), v.1, n.1, p.1-11, 2022. KWAKERNAAK, C.; y demás. Digestibilidad aparente de nutrientes, energía metabolizable y aparente digestibilidad de aminoácidos ileales de la harina comercial parcialmente desgrasada de Hermetia illucens para gallinas ponedoras. Journal of Insects as Food and Feed, p. 1–12, 8 dez. 2023. LAYNE, C.A. Mi perro está en teleterapia conmigo: El impacto de un perro mascota en la sesión de teleterapia de su dueño, 2023. 154p. (Tese de Doutorado em Community Care and Counseling). Universidad Liberty, Lynchburg, VA, 2023. Liu, X.; et al. Cambios dinámicos en la composición de nutrientes a lo largo de todo el ciclo vital de la mosca soldado negra. PLOS ONE, v. 12, n. 8, e0182601, 2017. Lu, S.; et al. "Composición nutricional de las larvas de mosca soldado negra (Hermetia illucens L.) y sus posibles usos como fuentes alternativas de proteína en dietas animales: una revisión." Insectos vol. 13,9 831. 13 sep. 2022. VALDÉS, F. V.; y demás. Insectos como alimento para mascotas de compañía y exóticas: una tendencia actual. Animals, v. 12, n. 11, p. 1450, 3 jun. 2022. Hyuck Kim, y demás. Evaluación de larvas de mosca soldado negra criadas en diferentes sustratos orgánicos en cuanto a la digestibilidad y palatabilidad de los nutrientes en gatos. J Anim Sci Technol 2025; 67(2):477-488.
PENAZZI, L.; y demás. Digeribilidad in vivo e in vitro de un alimento completo extruido que contiene harina larva de mosca soldado negra (Hermetia illucens) como fuente de proteína. Fronteras en la Ciencia Veterinaria, vol. 8, 11 jun. 2021.  Silva Carvalho, R. et al. Efecto de alimentar una dieta basada en harina de larvas de mosca soldado negra sobre la función de la barrera cutánea canina, la defensa antioxidante orgánica y la bioquímica sanguínea. 2024. Archivos de Nutrição Animal, 78 (2), 159–176.

Por Josiane Volpato

A base de insetos Proteína de insetos na alimentação pet: uma nova fronteira nutricional

6+ MIN

Proteína de insetos na alimentação pet: uma nova fronteira nutricional

A proteína de insetos vem ganhando espaço nas principais discussões globais sobre nutrição animal. Em feiras internacionais, centros de pesquisa e portfólios de grandes empresas, deixou de ser tratada como uma possibilidade distante e passou a ocupar posição estratégica entre os ingredientes de nova geração. No segmento pet, esse movimento é particularmente relevante. Cães e gatos vivem por mais tempo, os tutores estão mais atentos à qualidade das formulações e a indústria busca matérias-primas capazes de combinar desempenho nutricional, segurança, funcionalidade e menor impacto ambiental.

Entre as espécies estudadas, a mosca soldado-negro, ou black soldier fly, tornou-se uma das mais promissoras. Seu principal valor está na fase larval. Em cerca de duas semanas, as larvas atingem o ponto de colheita e convertem coprodutos orgânicos selecionados em biomassa rica em proteína, gordura e minerais. A mosca adulta não pica, não morde e tem função essencialmente reprodutiva. O interesse industrial, portanto, concentra-se na capacidade das larvas de transformar fluxos orgânicos em ingredientes de alto valor para nutrição animal.

Do ponto de vista nutricional, a farinha integral de BSF apresenta, em média, cerca de 50% de proteína bruta. A versão desengordurada, frequentemente utilizada em formulações premium, pode superar 65% de proteína. Além do teor proteico, destaca-se o perfil de aminoácidos, competitivo em relação a fontes tradicionais de origem animal e superior ao de diversas proteínas vegetais. Esse conjunto explica o interesse crescente de formuladores que buscam fontes proteicas consistentes, rastreáveis e com boa aplicabilidade industrial.

A relevância da BSF, contudo, não se limita à proteína. A fração lipídica da larva contém ácido láurico, um ácido graxo de cadeia média associado a propriedades antimicrobianas. Em alimentos para cães e gatos, esse componente pode contribuir para estratégias nutricionais voltadas à saúde intestinal, ao suporte imunológico e à integridade da pele. Por isso, a BSF vem sendo avaliada com especial atenção em formulações destinadas a animais com sensibilidade digestiva ou cutânea.

Outro componente de interesse é a quitina, presente no exoesqueleto dos insetos. Ela atua como fibra funcional e pode exercer efeito prebiótico, influenciando positivamente a microbiota intestinal. Estudos recentes investigam seus efeitos sobre produção de compostos fecais, marcadores imunológicos e função de barreira cutânea. No Brasil, pesquisas apresentadas na 10ª edição do Prêmio de Pesquisa PremieRpet, em 2024, avaliaram dietas com farinha de BSF para beagles, considerando parâmetros relacionados à microbiota, imunidade e saúde da pele.

A característica de proteína nova também amplia o potencial da BSF no mercado pet. Para a maioria dos cães e gatos, trata-se de uma fonte pouco familiar ao organismo. Esse fator torna o ingrediente relevante para dietas de exclusão e para formulações voltadas a animais com sensibilidades alimentares ou dermatológicas. Em mercados mais maduros, a farinha de inseto já aparece em produtos posicionados em linhas premium, especialmente nas categorias associadas a pele sensível, digestibilidade e bem-estar gastrointestinal.

A digestibilidade reforça esse posicionamento técnico. Diferentes estudos com cães, gatos, aves e peixes indicam bons coeficientes de aproveitamento da proteína de BSF, frequentemente acima de 85%. A fração lipídica também apresenta elevada utilização pelo organismo, com resultados que em alguns trabalhos superam 90%. Para nutricionistas e formuladores, esse é um ponto central: não basta que o ingrediente contenha nutrientes, é necessário que eles sejam efetivamente disponíveis para o animal.

A sustentabilidade é outro eixo fundamental. No caso da BSF, o argumento ambiental está diretamente ligado à eficiência produtiva. A criação das larvas pode demandar menos área, menos água e gerar menor emissão de gases de efeito estufa em comparação com diversas fontes tradicionais de proteína animal. Além disso, seu modelo produtivo permite a bioconversão de coprodutos provenientes de cadeias como fruticultura, cereais, cervejarias e agroindústria. O resultado é a transformação de materiais de menor valor em proteína, gordura e fertilizante orgânico.

Esse modelo se conecta à lógica de economia circular, cada vez mais presente nas estratégias globais de alimentos. A BSF permite reduzir perdas, agregar valor a resíduos e diversificar a matriz de ingredientes da nutrição animal. Para o setor pet, que cresce em sofisticação e exigência, essa combinação de eficiência, rastreabilidade e funcionalidade representa uma oportunidade relevante.

Grandes empresas internacionais já se movimentaram nessa direção. A Tyson Foods adquiriu participação na holandesa Protix em 2023 e anunciou planos para desenvolver produção de proteína de insetos nos Estados Unidos. A ADM firmou parceria com a francesa Innovafeed para implantação de uma unidade em Illinois. A Cargill mantém acordo de longo prazo com a Innovafeed para fornecimento de farinha de insetos voltada à aquicultura. A Bunge, por meio da Bunge Ventures, investiu na Nutrition Technologies, especializada em ingredientes derivados de BSF.

No varejo, marcas internacionais como Purina e Hill's já exploram produtos com proteína de insetos em mercados específicos. No Brasil, empresas como Special Dog e Raguife também passaram a incorporar farinha de BSF em linhas para cães, sinalizando que o ingrediente começa a avançar da inovação conceitual para a aplicação comercial.

O Brasil reúne condições particularmente favoráveis para participar desse mercado. A disponibilidade de coprodutos agroindustriais, o clima adequado, a escala na produção de alimentos e a maturidade crescente da cadeia pet criam um ambiente propício para o desenvolvimento de uma indústria nacional competitiva. Para que esse potencial se concretize, será essencial avançar em padronização, segurança regulatória, rastreabilidade, controle de qualidade e comunicação técnica.

A proteína de insetos já não pertence apenas ao campo das promessas. No caso da BSF, trata-se de uma matéria-prima com base técnica, aplicação prática e relevância estratégica para o futuro da nutrição pet. Sua adoção dependerá da capacidade da indústria de demonstrar, com consistência, seus benefícios nutricionais, funcionais e ambientais. O caminho, no entanto, já está aberto. Por Matheus Machado y Bruno Leme
Fonte: Aboissa

Sobre os autores
Matheus Machado é especialista em Animal Profat na Aboissa, maior corretora de commodities do Brasil. Bruno Leme é fundador da Insy Nutrition, biotech brasileira especializada na produção de larvas de mosca soldado-negro.


Processo de fabrico

Automação

30/06/2026

Valor estratégico na indústria de alimentos para pets

Hoje, o valor real de uma matéria-prima é construído a partir de múltiplos fatores que vão além de seu custo ou composição química. A rastreabilidade da origem e a capacidade de preservar suas propriedades durante o armazenamento e a produção tornaram-se variáveis determinantes para os fabricantes de alimentos para pets.

Nesse cenário, a relação entre ingredientes e tecnologia de processo ganha relevância crescente, pois a qualidade de uma matéria-prima depende não apenas de sua origem, mas também de como ela é gerenciada dentro da planta de produção.
Novos ingredientes, novas demandas para a indústria
A evolução do mercado pet food está impulsionando uma diversificação sem precedentes nos tipos de ingredientes usados nas formulações. Além das matérias-primas tradicionais, novas fontes de proteína, compostos funcionais e aditivos especializados estão sendo adicionados para atender a demandas nutricionais cada vez mais específicas.

Essa expansão do universo dos ingredientes introduz novos desafios para as plantas de produção. Cada matéria-prima possui características físicas particulares que influenciam seu comportamento durante o armazenamento, transporte e dosagem.
Quando o comportamento físico do ingrediente se torna crítico
Além do perfil nutricional, as matérias-primas usadas na indústria de alimentos para pets apresentam comportamentos físicos muito diversos. Variáveis, como tamanho das partículas, umidade, densidade a granel ou tendência de compactação, podem afetar significativamente o comportamento dos ingredientes nos sistemas de manuseio dos sólidos.

Ingredientes como farinhas de origem animal e vegetal, subprodutos proteicos, farinha de peixe ou alguns concentrados geralmente apresentam problemas de fluxo, gerando fenómenos como compactação, formação de arcos ou zonas mortas dentro de silos e/ou células de armazenamento.

Quando isso acontece, as consequências podem ir além de uma simples interrupção do processo de produção. A retenção prolongada do material armazenado pode levar à degradação dos ingredientes, contaminação cruzada entre lotes ou perda de rastreabilidade na cadeia de produção. 

Em outras palavras, uma matéria-prima de alta qualidade pode perder parte de seu valor se não for gerenciada corretamente dentro da planta.
O Impacto do Armazenamento na Qualidade dos Ingredientes
Um dos aspectos menos visíveis na cadeia de valor pet food é o impacto que os sistemas de armazenamento e recuperação de matéria-prima têm na qualidade final do ingrediente.
Em muitos casos, silos tradicionais apresentam limitações no manuseio de matérias-primas com baixa fluidez. A formação de pontes internas ou túneis pode impedir o fluxo uniforme do produto, gerando áreas onde a matéria-prima permanece retida por longos períodos.

No caso de armazéns planos organizados em células, também existem desafios relevantes do ponto de vista operacional e de qualidade. A ausência de sistemas automatizados de extração dificulta o gerenciamento eficiente do fluxo de materiais, aumentando o risco de manuseio excessivo e, consequentemente, contaminação do produto. Da mesma forma, a impossibilidade de garantir uma rotação correta sob os critérios FIFO (First In, First Out) pode levar à permanência prolongada de certos lotes. Além disso, está o risco operacional associado ao armazenamento em altura, onde a pressão exercida pelo próprio material pode gerar compactação ou esmagamento, afetando as características físicas da matéria-prima e seu desempenho subsequente no processo.

Esse fenômeno não afeta apenas a eficiência operacional, mas também compromete a rotação correta do produto armazenado. Quando um fluxo controlado sob os princípios do FIFO não é garantido, é possível que matérias-primas mais antigas permaneçam no sistema enquanto novos lotes entram no processo de produção.

Para uma indústria que exige altos padrões de qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar, essas situações representam um desafio significativo.
Tecnologia para preservar o valor dos ingredientes
Diante desses desafios, a engenharia de processos e as tecnologias de manuseio de materiais desempenham um papel fundamental na preservação do valor real das matérias-primas dentro da planta.

Entre essas soluções estão os sistemas de extração desenvolvidos pela Laidig Systems, projetados para trabalhar com materiais e produtos de baixo fluxo que tendem a se compactar durante o armazenamento. Esses sistemas permitem que a matéria-prima armazenada seja recuperada de forma progressiva e uniforme, favorecendo sua rotação adequada.
 
Esse tipo de tecnologia contribui para manter condições de armazenamento mais estáveis, reduzindo a retenção e garantindo que os ingredientes sejam usados dentro de parâmetros controlados de tempo e qualidade.

Além disso, a automação do processo de descarga elimina a necessidade de intervenções manuais dentro dos silos, melhorando significativamente as condições de segurança operacional na planta.
Quando a Engenharia Passa a Fazer parte da Qualidade
A gestão eficiente da matéria-prima não depende apenas da qualidade do ingrediente ou do design dos equipamentos individuais. Ela exige uma visão abrangente que inclua toda a cadeia de gestão dentro da planta: desde a recepção inicial até sua incorporação nas etapas de mistura ou processamento.

Nesse contexto, as soluções de engenharia industrial possibilitam integrar sistemas de armazenamento, transporte interno, dosagem e controle de processos em uma arquitetura de produção coerente e eficiente.

Na Clivio Solutions, trabalhamos no desenvolvimento e implementação de soluções de engenharia para o manuseio eficiente de matérias-primas, adaptando tecnologias internacionais às necessidades específicas de cada planta. O objetivo é garantir que as matérias-primas mantenham sua qualidade, rastreabilidade e funcionalidade durante todo o processo de produção.
O verdadeiro valor da matéria-prima
A evolução do setor de ração para pets mostra que o conceito de valor associado aos ingredientes está mudando. Hoje, uma matéria-prima não é avaliada apenas por seu preço ou composição nutricional, mas também por sua capacidade de se integrar de forma eficiente em sistemas de produção cada vez mais sofisticados.

Nesse novo cenário, ingredientes, tecnologia e processos fazem parte do mesmo ecossistema industrial. A forma como uma planta gerencia suas matérias-primas pode influenciar diretamente a qualidade do produto final, a estabilidade do processo e a confiabilidade da cadeia de suprimentos.

Por essa razão, o verdadeiro valor de uma matéria-prima não está apenas em sua origem ou formulação, mas também na capacidade da indústria de preservá-la ao longo de todo o processo de produção. Por Clivio Solutions
Fonte: All Pet Food Magazine

Embalagem

23/06/2026

O papel da embalagem na nova geração de ingredientes pet food

Essa mudança não afeta apenas o desenvolvimento de produtos, mas também os processos industriais atrelados a ele. Quando as matérias-primas se tornam mais complexas e valiosas, cada etapa da produção deve garantir seu correto manuseio, preservação e rastreabilidade. 

Nesse contexto, o ensacamento e o fim de linha estão assumindo um papel cada vez mais estratégico nas fábricas de produção. 
Novos ingredientes, novos desafios de manuseio
As formulações atuais de alimentos para pets integram ingredientes com características físicas muito diversas: proteínas vegetais, farinhas funcionais, misturas com diferentes granulometrias ou ingredientes desidratados com alto valor nutricional. 

Essas matérias-primas podem se comportar de forma muito diferente durante o manuseio e processamento, o que torna necessário adaptar soluções de ensacamento. Entre os fatores mais relevantes estão: 
  Variações na densidade global do produto. Presença de partículas finas ou poeira durante o preenchimento. Ingredientes frágeis ou sensíveis ao manuseio.
  Nesses casos, o sistema de dosagem e pesagem deve garantir um fluxo controlado e manuseio cuidadoso do produto, evitando perdas, quebras ou segregações que possam afetar a qualidade final. 

Ter equipamentos capazes de se adaptar a essas características é essencial para manter a eficiência do processo e proteger a integridade do produto. 
Pesagem da precisão: proteção do valor do produto
À medida que as formulações incorporam ingredientes de maior valor agregado, a precisão no processo de ensacamento torna-se crítica. 

Mesmo pequenas variações de peso podem representar perdas econômicas significativas ao trabalhar com matérias-primas de alto custo ou misturas nutricionais muito compactas. Portanto, as linhas de embalagem devem integrar sistemas dinâmicos de pesagem e controle digital para manter alta precisão mesmo em produção em alta velocidade. 

Nessa área, a PAYPER se estabeleceu como uma das líderes mundiais em pesagem dinâmica de produtos sólidos a granel. Todas as suas máquinas automáticas de embalagem possuem o novo sistema de controle de pesagem MSX, desenvolvido para garantir níveis excepcionais de precisão em processos industriais exigentes.

Esse sistema permite otimizar a dosagem do produto, reduzir a variabilidade entre os sacos e maximizar o uso da matéria-prima, fatores especialmente relevantes ao trabalhar com ingredientes de alto valor. 
Controle de Qualidade e Segurança do Produto
A qualidade e segurança dos alimentos são prioridades máximas no setor pet food, onde os padrões de produção estão cada vez mais próximos dos da indústria alimentícia. 

Por esse motivo, as linhas de ensacamento atuais podem incorporar diferentes sistemas de inspeção e controle, como detectores de metais, pesadores de verificação ou sistemas automáticos de rejeição. Essas soluções possibilitam identificar possíveis desvios durante o processo e garantir que apenas sacos que atendam a todos os parâmetros de qualidade continuem na linha de produção. 

No caso do PAYPER, essas tecnologias podem ser integradas a linhas completas de fim de linha, que vão desde dosagem e pesagem até embalagem, paletização e proteção final de pallets. Essa abordagem abrangente permite otimizar a coordenação entre equipes e garantir operações fluidas e eficientes em toda a linha. 
Automação e Controle Avançados de Linhas
À medida que as fábricas aumentam em capacidade e complexidade, a gestão da linha de ensacamento exige ferramentas avançadas de controle e monitoramento. 

Nesse contexto, a PAYPER desenvolveu o Pulsar, a plataforma digital completa projetada para centralizar o gerenciamento de toda a linha de ensacamento. Essa ferramenta permite monitorar a operação dos equipamentos, analisar dados de produção e otimizar a configuração da linha de forma simples e intuitiva. 

Graças a esse sistema, os fabricantes podem obter uma visão global do processo, identificar possíveis desvios e melhorar a eficiência operacional.

Além disso, o Pulsar também facilita a gestão de manutenção e o acesso a informações técnicas essenciais, permitindo que você antecipe incidentes potenciais e planeje intervenções antes que ocorram períodos de inatividade não planejados. 
Serviço técnico e continuidade operacional
Em instalações de alta produção, a continuidade operacional é um fator crítico. Qualquer paralisação inesperada pode ter impacto direto na eficiência da usina e na capacidade de fornecimento. 

Por essa razão, contar com um serviço técnico especializado e ferramentas de manutenção preditiva tornou-se um elemento fundamental para os fabricantes.

Soluções digitais como o Pulsar possibilitam gerenciar o status dos equipamentos, consultar peças de reposição e facilitar tarefas de manutenção, ajudando a reduzir o tempo de inatividade e melhorar a disponibilidade da linha. 

Essa abordagem combina tecnologia com suporte técnico especializado para garantir que as instalações operem com máxima confiabilidade.
Embalar diante dos novos desafios do mercado pet food
A evolução da indústria pet exige soluções cada vez mais precisas, flexíveis e automatizadas. Nesse contexto, a experiência no design e otimização de sistemas de embalagem torna-se um fator chave para responder a novas demandas do mercado.

Em um ambiente onde os ingredientes são cada vez mais inovadores e têm maior valor agregado, embalar não é mais apenas uma etapa logística, mas uma parte essencial do valor do produto. Garantir precisão, controle de qualidade, rastreabilidade e uma apresentação final correta permite preservar esse valor desde a produção até a distribuição.

Essa evolução, cada vez mais ligada à eficiência operacional e otimização da produção, também está muito presente nos principais encontros internacionais do setor. Nesse contexto, a PAYPER participa ativamente de feiras como Interpack (estande 12C06), Fenagra (estande C19) e Foro Mascotas (D6-B), onde apresenta suas soluções e estabelece contato direto com os principais players do setor.

Além disso, a empresa fortalece sua presença internacional em mercados-chave, como América Central e Brasil, onde possui uma estrutura local para oferecer um serviço próximo adaptado às necessidades específicas do setor. Por PAYPER
Fonte: All Pet Food Magazine

Laboratório

03/06/2026

O custo invisível da matéria-prima barata: o que realmente impacta a rentabilidade 

Na prática, o preço unitário raramente reflete o custo total de utilização de um ingrediente. Fatores como estabilidade, padronização, desempenho tecnológico e confiabilidade da cadeia de fornecimento exercem influência direta na eficiência industrial e na consistência do produto final. Ignorar essas variáveis pode gerar uma série de custos invisíveis que, ao longo do tempo, comprometem a rentabilidade da operação.   O limite da comparação baseada apenas em preço
Tradicionalmente, muitos processos de compra ainda se baseiam em comparações diretas de preço por quilo. Essa abordagem parte do princípio de que ingredientes equivalentes podem ser avaliados apenas pelo valor de aquisição. No entanto, matérias-primas aparentemente semelhantes podem apresentar diferenças relevantes em parâmetros como granulometria, teor de umidade, pureza, concentração do composto ativo ou comportamento funcional na formulação.

Essas diferenças frequentemente passam despercebidas na negociação comercial, mas tornam-se evidentes durante a produção. Quando um ingrediente apresenta variações entre lotes, a operação industrial precisa se adaptar constantemente para manter a estabilidade do processo. Ajustes de temperatura, pressão, umidade ou taxa de inclusão passam a ser necessários para compensar variações não previstas na formulação original.   Variabilidade: um dos principais custos invisíveis
A variabilidade é um dos principais custos ocultos associados a matérias-primas de menor preço. Em linhas de extrusão, por exemplo, pequenas diferenças na capacidade de absorção de água ou no comportamento físico de um ingrediente podem alterar a expansão do kibble, a textura do produto ou a densidade final. Esses efeitos exigem correções operacionais frequentes e reduzem a previsibilidade da produção.

Outro impacto comum está relacionado ao rendimento industrial. Ingredientes com menor padronização podem aumentar a formação de finos, reduzir a durabilidade do pellet ou gerar maior quantidade de material fora de especificação. Em alguns casos, isso implica reprocessamento ou descarte parcial da produção, aumentando o consumo de energia e reduzindo a eficiência da linha.   Quando o ingrediente mais barato exige maior inclusão
Exemplos desse fenômeno são frequentes na indústria. Fontes proteicas com menor digestibilidade podem exigir maior inclusão para atingir o mesmo nível nutricional, reduzindo a economia inicialmente percebida. Ingredientes minerais com menor concentração do composto ativo também podem demandar taxas mais altas de inclusão para fornecer o mesmo aporte nutricional. Da mesma forma, extratos funcionais ou aditivos tecnológicos que não apresentam padronização adequada podem oferecer desempenho inconsistente, exigindo ajustes frequentes na formulação ou na operação industrial.

Em casos mais evidentes, essas variações podem impactar a performance do produto final — seja na palatabilidade, na aparência ou na consistência do alimento — levando tutores a perceberem queda na qualidade e afetando diretamente a satisfação e a confiança na marca.   O custo técnico da formulação corretiva
Além dos impactos diretos no processo produtivo, existe também um custo técnico frequentemente subestimado: o tempo dedicado à formulação corretiva. Quando matérias-primas apresentam grande variabilidade, equipes de pesquisa, desenvolvimento e qualidade precisam investir mais horas em análises adicionais, testes internos e ajustes de especificação. Esse esforço raramente é contabilizado como parte do custo do ingrediente, mas representa uma alocação significativa de recursos especializados.   Rastreabilidade e segurança da cadeia de suprimentos
Outro fator cada vez mais relevante é a rastreabilidade da matéria-prima. A indústria de pet food enfrenta exigências crescentes relacionadas à transparência da cadeia de suprimentos, segurança alimentar e conformidade regulatória. Ingredientes com origem pouco clara ou documentação técnica limitada podem gerar dificuldades em auditorias, questionamentos regulatórios e incertezas na padronização de especificações.

Nesse contexto, a confiabilidade do fornecedor e o controle da cadeia produtiva passam a ter papel estratégico. Consistência entre lotes, disponibilidade de dados analíticos e clareza sobre a origem da matéria-prima contribuem para reduzir riscos operacionais e garantir maior previsibilidade no desempenho da formulação.   Redefinindo o conceito de valor
Essa realidade reforça a necessidade de ampliar o conceito de valor aplicado aos ingredientes utilizados na indústria de pet food. Durante muito tempo, o preço de aquisição foi considerado o principal critério de escolha. Hoje, torna-se cada vez mais evidente que o valor real de uma matéria-prima está diretamente ligado à sua capacidade de entregar estabilidade, funcionalidade e segurança ao longo de todo o processo produtivo.

Quando um ingrediente apresenta comportamento consistente, permite que a formulação seja executada com maior precisão e reduz a necessidade de ajustes operacionais. O resultado são linhas de produção mais estáveis, melhor aproveitamento da capacidade industrial e maior previsibilidade na qualidade do produto final.   Uma nova pergunta para a indústria
Diante desse cenário, cresce a importância de avaliar o custo total associado ao uso de um ingrediente — e não apenas o valor pago por ele. Em vez de perguntar quanto custa um ingrediente por quilo, talvez a pergunta mais relevante para a indústria seja: quanto custa a variabilidade que ele pode trazer ao processo?

Empresas que adotam essa visão mais ampla conseguem estruturar cadeias de suprimento mais estáveis, reduzir riscos operacionais e construir processos produtivos mais eficientes. No longo prazo, essa abordagem contribui para margens mais previsíveis e para o fortalecimento da confiança nas marcas. Por Ludmila Barbi Trindade Bomcompagni – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine

Por Ludmila Barbi T. Bomcompagni

Segurança alimentar

24/04/2026

Estação de Garantia da Qualidade  

Desenvolvida em colaboração com a Extru-Tech, líder reconhecida em tecnologia de extrusão, nossa Estação de Garantia de Qualidade (QAS) representa um avanço significativo na forma como os fabricantes realizam e documentam as verificações de qualidade durante o processo.
  O QAS é um sistema semiautomatizado de medição e geração de relatórios que combina tecnologia de visão de ponta com um excelente design para orientar os operadores ao longo do processo de medição da densidade do produto e das dimensões das peças. Esses são dois dos indicadores de qualidade mais críticos para produtos alimentícios extrudados e rações para animais de estimação. Ele transforma um processo que, historicamente, dependia de medições manuais, técnicas individuais e registros em papel, tornando-o consistente, eficiente e com resultados imediatamente aplicáveis.   Implementação da tecnologia de visão
No centro da capacidade de medição dimensional do QAS está uma câmera de profundidade de nível industrial que leva imagens de alta precisão para o chão de fábrica. A equipe de desenvolvimento realizou extensos testes de precisão antes de encontrar uma solução que medisse com exatidão a partir da distância necessária e incorporasse um filtro infravermelho adequado ao ambiente operacional da estação.
  O software da estação utiliza as bibliotecas RealSense existentes da Intel, proporcionando uma base de software estável e com amplo suporte. A câmera se conecta e se comunica exclusivamente por Ethernet.
  A tecnologia de visão oferece resultados em duas frentes simultaneamente: As imagens do sensor de cores capturam uma imagem visual da amostra do produto Os sensores infravermelhos duplos fornecem dados detalhados, permitindo a medição dimensional precisa de cada peça individual do produto
O software da estação processa então esses dados combinados para identificar cada peça individualmente e calcular suas dimensões e valores de cor automaticamente, em questão de segundos.
  Além das dimensões, a câmera captura a cor do produto e inclui uma imagem da ração diretamente no relatório de qualidade, proporcionando aos operadores e gerentes de qualidade um registro visual, além dos dados numéricos.   Medição da densidade
A densidade aparente é um indicador de qualidade fundamental para produtos extrudados e é notoriamente sensível às técnicas de medição. O QAS resolve essa questão com uma abordagem específica: uma distância de queda consistente e um método padronizado para limpar o recipiente estão integrados ao processo da estação, garantindo que as medições de densidade sejam repetíveis entre operadores, turnos e instalações.   Integração perfeita ao seu processo de qualidade
O QAS foi projetado para se integrar às suas operações atuais.
  A estação pode operar no modo autônomo, no qual os operadores inserem manualmente as informações sobre o pedido e o produto, ou pode integrar-se diretamente a uma linha de produção por meio de uma conexão com o PLC para obter esses dados automaticamente. Após a medição das amostras, os resultados são enviados para o banco de dados e, opcionalmente, de volta ao PLC. O operador da extrusora verifica imediatamente, diretamente na máquina, se a amostra atende às especificações.   Recursos adicionais   Orientação integrada para o operador: as instruções exibidas na tela orientam o operador em cada etapa do processo de medição, reduzindo o tempo de treinamento e garantindo que o procedimento seja seguido corretamente em todas as ocasiões.
  Gerenciamento de verificações de balança: As verificações de balança são solicitadas na tela em intervalos adequados, e os resultados são registrados no banco de dados e incluídos no relatório da web.
  Visibilidade de tendências: os gráficos exibidos no aplicativo mostram aos operadores se as medições apresentam tendência de alta ou de baixa ao longo do tempo, permitindo ajustes proativos.
  Lembretes de verificação programados: Um cronômetro na tela e um banner alertam o operador quando é hora de realizar a próxima verificação de qualidade. Isso garante a consistência dos intervalos de amostragem sem depender do operador para controlar o tempo manualmente.
  Capacidade para várias linhas: Uma única estação QAS pode dar suporte a até 4 linhas de produção, tornando-a uma solução escalável para instalações de diversos tamanhos.
  Relatórios acessíveis: Relatórios de qualidade estão disponíveis através de um navegador da web na mesma rede e podem ser exportados para o Excel. Isso torna os dados acessíveis a gerentes de qualidade, supervisores e a equipe de liderança sem a necessidade de software especializado ou intervenção do departamento de TI.   Conclusão
A garantia da qualidade sempre foi essencial na fabricação de alimentos e rações para animais de estimação. O que está mudando é o padrão de como isso é feito. Os processos manuais, dependentes do operador e baseados em papel estão dando lugar a sistemas mais inteligentes, consistentes e conectados.
  A Estação de Garantia de Qualidade, desenvolvida em parceria com a Extru-Tech, foi projetada especificamente para esse momento. Ela oferece a precisão, a consistência e a visibilidade em tempo real que a fabricação moderna exige.
  Quer saber mais sobre o QAS ou agendar uma demonstração? Entre em contato conosco para começarmos a conversar. Fonte: NorthWind

Segurança alimentar <em>Salmonella </em>em pet food: como ocorre a contaminação e quais cuidados ajudam a prevenir riscos
 

5+ MIN

Salmonella em pet food: como ocorre a contaminação e quais cuidados ajudam a prevenir riscos  

A segurança dos alimentos destinados a cães e gatos é uma preocupação constante dentro da indústria e do atendimento veterinário. 
  Entre os microrganismos que podem representar risco nesse contexto está a Salmonella, bactéria amplamente conhecida por causar infecções alimentares em humanos e animais.
Embora a presença do patógeno em alimentos industrializados seja incomum quando boas práticas de fabricação são seguidas, a contaminação pode ocorrer em diferentes etapas da cadeia — desde a origem das matérias-primas até o armazenamento final do produto. 
  Por isso, compreender os fatores envolvidos e adotar medidas preventivas é fundamental para proteger a saúde dos animais e das pessoas que convivem com eles.   Como a Salmonella pode contaminar alimentos para cães e gatos
A Salmonella é um gênero de bactéria presente no ambiente, que pode ser encontrado em alimentos de origem animal e vegetal. 
  Na cadeia de produção da pet food, as principais fontes potenciais de contaminação incluem matérias-primas contaminadas, manipulação inadequada e falhas nos processos de controle sanitário.
  De acordo com o zootecnista João Marcel, o controle começa antes mesmo da fabricação do alimento. 
  'A prevenção da contaminação por Salmonella começa na escolha e no monitoramento das matérias-primas utilizadas na formulação do produto', afirma.
  Durante o processo industrial, a aplicação de temperaturas elevadas — como ocorre na extrusão das rações secas — contribui para reduzir significativamente a presença de microrganismos. 
  Ainda assim, existe a possibilidade de contaminação posterior, caso ocorram falhas nas etapas de manipulação, transporte ou armazenamento.
  'Mesmo após o processamento térmico, é essencial manter rigorosas práticas de higiene e controle sanitário para evitar recontaminações', explica João Marcel.
  Produtos crus ou minimamente processados, como dietas naturais cruas, podem apresentar risco maior de presença da bactéria se as matérias-primas não forem adequadamente controladas ou armazenadas.   Processos como extrusão utilizam altas temperaturas que ajudam a reduzir a presença de microrganismos (Foto: Reprodução)
Armazenamento e manejo também influenciam na segurança alimentar
Além da produção industrial, o armazenamento doméstico também exerce papel importante na prevenção da contaminação. 
  Embalagens abertas, recipientes mal higienizados ou exposição do alimento à umidade podem favorecer a proliferação de microrganismos.
  Segundo João Marcel, a forma como o alimento é armazenado após a compra faz diferença na preservação da qualidade do produto. 
  'Manter a ração em local seco, protegido da luz e bem fechado ajuda a preservar as características do alimento e reduzir o risco de contaminações', orienta.
  Outro ponto importante é evitar misturar alimento novo com restos antigos que permanecem no recipiente. Esse hábito pode favorecer deterioração e contaminação cruzada.
  Também é recomendado higienizar periodicamente potes e recipientes utilizados para armazenar o alimento dos animais, bem como respeitar o prazo de validade indicado pelo fabricante.
  Já no caso de alimentos úmidos ou dietas naturais, a conservação adequada sob refrigeração é essencial após a abertura da embalagem.   Sinais de que o alimento pode estar contaminado
Nem sempre a presença de Salmonella altera o aspecto do alimento, o que torna a contaminação difícil de identificar visualmente. 
  Ainda assim, algumas mudanças podem indicar que o produto sofreu deterioração ou armazenamento inadequado.
  Entre os sinais que merecem atenção estão o odor alterado, presença de mofo, mudança na textura ou aspecto incomum da ração. Embalagens violadas ou estufadas também podem indicar comprometimento do produto.
  'Qualquer alteração perceptível no alimento deve ser motivo para interromper o uso e buscar orientação adequada', ressalta o zootecnista. 
  Em casos de suspeita, é importante não oferecer o alimento ao animal e entrar em contato com o fabricante ou com um profissional da área para avaliação.   Sintomas de salmonelose em cães e gatos
A infecção causada por Salmonella, chamada salmonelose, pode provocar diferentes sinais clínicos em cães e gatos. 
  Em muitos casos, os animais podem ser portadores assintomáticos, mas alguns desenvolvem manifestações gastrointestinais.
  Entre os sinais comuns da condição estão diarreia, presença de muco ou sangue nas fezes, vômito, febre, apatia e redução do apetite. 
  Filhotes, animais idosos ou indivíduos com sistema imunológico comprometido podem apresentar maior risco de desenvolver quadros mais graves.
  João Marcel destaca que qualquer alteração digestiva persistente deve ser avaliada por um profissional. 
  'A presença de sintomas gastrointestinais deve sempre motivar a busca por atendimento veterinário para diagnóstico e manejo adequado', afirma.
  Além do impacto na saúde animal, a Salmonella também possui importância em saúde pública, pois pode ser transmitida entre animais e humanos por meio do contato com fezes ou alimentos contaminados.
  Por esse motivo, a higienização adequada das mãos após manipular alimentos ou utensílios utilizados pelos animais é uma medida importante de prevenção.   Embalagens comprometidas podem indicar risco de contaminação do produto (Foto: Reprodução)
FAQ sobre salmonella na pet food
A salmonella é comum em alimentos para pets?
A presença da bactéria é considerada incomum em produtos fabricados sob rigorosos controles sanitários, mas pode ocorrer caso haja falhas na cadeia de produção ou armazenamento.
  Animais sempre apresentam sintomas quando entram em contato com Salmonella?
Não. Alguns cães e gatos podem ser portadores assintomáticos, enquanto outros desenvolvem sinais gastrointestinais.
  Como reduzir o risco de contaminação na alimentação dos pets?
Armazenar o alimento corretamente, manter utensílios limpos, respeitar o prazo de validade e adquirir produtos de fabricantes que sigam boas práticas de produção são medidas importantes. Fonte: Cães e Gatos

Segurança alimentar Segurança de alimentos pet: 10 pontos críticos para fortalecer o sistema nas fábricas

4+ MIN

Segurança de alimentos pet: 10 pontos críticos para fortalecer o sistema nas fábricas

Garantir a segurança de alimentos para animais de companhia exige mais do que protocolos bem escritos. 
  Na prática industrial, falhas costumam ocorrer na execução, especialmente quando há mudanças em formulações, equipamentos ou rotinas operacionais que não passam por reavaliações criteriosas.

A construção de um sistema robusto depende de três pilares: equipes bem treinadas e engajadas, procedimentos fundamentados em evidências científicas e revisão contínua dos processos produtivos. 
  Sem esses elementos, mesmo programas tecnicamente estruturados podem apresentar lacunas no chão de fábrica.
  A seguir, dez pontos considerados centrais para fortalecer programas de segurança em fábricas de alimentos para pets:
  Pessoas são a base do sistema
Mesmo o melhor programa não funciona sem uma equipe comprometida e tecnicamente preparada. 

O desempenho do sistema depende diretamente do engajamento e da capacidade dos profissionais responsáveis por executar os procedimentos operacionais padrão.
  Segurança de alimentos exige revisão contínua
O sistema não pode ser tratado como documento estático. Revisões devem ocorrer ao menos uma vez por ano e sempre que houver mudanças em equipamentos, fluxo de processo ou formulação. A atualização constante é essencial para garantir que as medidas preventivas permaneçam adequadas.
  Modificações estruturais aumentam o risco de patógenos
Alterações em estruturas físicas ou substituição de equipamentos estão entre os principais fatores associados ao surgimento de riscos sanitários. Intervenções em paredes, passagens ou áreas técnicas podem expor pontos previamente ocultos de contaminação. Por isso, recomenda-se higienização antes e depois das obras, além de protocolos rigorosos para equipes terceirizadas.
  Maior inclusão de proteínas requer revalidação
O aumento no uso de carnes frescas e farinhas de origem animal em formulações premium pode exigir reavaliação das etapas de controle de patógenos. Estudos de validação realizados com níveis menores de inclusão proteica podem não refletir o risco atual, especialmente quando há cargas microbianas superiores às inicialmente consideradas.
  Estudos internos são fundamentais
Estudos de desafio conduzidos internamente são importantes para correlacionar dados laboratoriais com a produção em escala industrial. Como plantas-piloto não reproduzem integralmente as condições de extrusoras comerciais, é necessário gerar dados próprios que comprovem equivalência em parâmetros como tempo, pressão e umidade.
  Controles preventivos não podem ser flexibilizados
Pressões por aumento de produtividade não devem comprometer parâmetros críticos de controle. Ajustes para ganho de eficiência devem ocorrer por meio de pesquisa e otimização de processos — como configuração de pré-condicionadores ou ajustes de velocidade — e não pela redução de medidas de segurança.

Avaliação externa amplia objetividade
Equipes internas podem perder a capacidade de identificar vulnerabilidades ao longo do tempo. A contratação de auditorias externas e certificações independentes é considerada estratégica para garantir avaliação imparcial de riscos.
  Cultura começa na liderança
A coerência entre discurso e prática da gestão é determinante para consolidar a cultura de segurança. Inconsistências no uso de equipamentos de proteção individual por parte de gestores, por exemplo, sinalizam fragilidade no alinhamento institucional.
  Treinamento deve ser acessível e contínuo
Programas de capacitação simples, atualizados e integrados à rotina operacional tendem a gerar maior adesão. Sistemas digitais com alertas automáticos de atualização de procedimentos podem reforçar a cultura de melhoria contínua, desde que complementados por treinamentos práticos.
  Verificação de fornecedores é inegociável
A consistência de ingredientes influencia diretamente a segurança e a estabilidade do processo. Variações regionais em matérias-primas, como trigo, podem afetar densidade, comportamento na extrusão e carga microbiana. Auditorias anuais, exigência de certificados de análise e comunicação transparente sobre mudanças de origem são medidas consideradas essenciais.   FAQ sobre segurança de alimentos pet
Por que mudanças estruturais aumentam o risco sanitário?
Porque podem expor áreas previamente contaminadas ou criar novos pontos de abrigo para patógenos.
  Com que frequência o sistema de segurança deve ser revisado?
Recomenda-se ao menos uma revisão anual completa, além de avaliações sempre que houver mudanças operacionais.
  Qual é o papel da liderança na segurança de alimentos?
A gestão deve demonstrar, na prática, o padrão de conduta esperado, fortalecendo a cultura organizacional. Fonte: Cães & Gatos


Veterinária

Bem-estar animal

10/07/2026

Recusa de alimento em cães e gatos pode indicar doenças silenciosas e avançadas  

Quando um cão ou gato começa a rejeitar a própria alimentação, muitos responsáveis tendem a interpretar o comportamento como simples seletividade, desinteresse ou até manha. Na prática clínica, porém, a recusa alimentar é tratada como um dos indicadores mais importantes do estado geral de saúde do animal.
Em ambientes de atendimento veterinário de alta complexidade, esse sinal é observado com atenção especial. Profissionais relatam que a maneira como o animal se comporta diante da comida pode funcionar como uma espécie de 'linguagem clínica', capaz de apontar desde dores dentárias escondidas até alterações sistêmicas graves.
  A relevância do tema aumenta diante da alta frequência de doenças que interferem diretamente no apetite. De acordo com a American Veterinary Medical Association (AVMA), cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos a partir dos três anos apresentam algum grau de doença periodontal. Essa condição costuma provocar dor ao mastigar e, consequentemente, redução ou recusa da alimentação, muitas vezes sendo um dos primeiros sinais percebidos pelos responsáveis.
  'O erro mais comum é o responsável esperar o pet ficar dois ou três dias sem comer para procurar ajuda. Na medicina veterinária, trabalhamos com o conceito de que o apetite é o maior termômetro de saúde que o animal possui. Quando ele cessa totalmente, o organismo está gastando uma energia preciosa para tentar combater alguma disfunção interna, deixando a alimentação em segundo plano. Não é birra, é biologia', explica Carollina Marques, médica-veterinária na WeVets.   A recusa alimentar pode indicar diferentes tipos de alterações clínicas
Segundo a profissional, a forma como o animal reage à comida pode ajudar a identificar a origem do problema.
  Em alguns casos, o pet demonstra interesse pelo alimento, se aproxima, cheira, mas hesita ou até deixa a comida cair da boca. Esse padrão geralmente está ligado a dores na região oral ou facial, como abscessos, fraturas dentárias subgengivais, gengivites avançadas ou problemas na articulação temporomandibular. O apetite existe, mas o ato de mastigar provoca dor.
  Outro comportamento observado é a rejeição imediata. O animal cheira a comida e vira o rosto, muitas vezes com lambedura excessiva dos lábios ou salivação intensa. Esse quadro pode indicar náuseas metabólicas, comuns em casos de insuficiência renal ou hepática, quando há acúmulo de toxinas no organismo.
  Já a apatia alimentar é considerada o sinal mais preocupante. Nessa situação, o animal ignora completamente qualquer estímulo relacionado à comida, mantém-se isolado e apresenta prostração. Esse padrão pode estar associado a quadros graves, como febre alta, dores abdominais intensas, infecções sistêmicas ou doenças oncológicas.
Gatos exigem atenção redobrada diante do jejum prolongado
A tolerância ao jejum varia entre as espécies. Em cães saudáveis, a ausência de uma refeição já merece observação, enquanto a perda de duas refeições consecutivas ou períodos prolongados sem ingestão alimentar já indicam necessidade de avaliação veterinária.
  Nos gatos, o risco é maior. Por conta do metabolismo particular da espécie, longos períodos sem alimentação podem levar ao desenvolvimento da Lipidose Hepática Felina, uma doença grave e potencialmente fatal.
  O cenário se agrava em animais com sobrepeso. Dados da Association for Pet Obesity Prevention (APOP) indicam que mais de 60% dos gatos domésticos estão acima do peso ou obesos, o que aumenta a mobilização de gordura durante o jejum e eleva o risco de complicações hepáticas.
  'Os gatos são animais metabolicamente extremamente sensíveis ao jejum prolongado. A janela de intervenção eficaz nesses casos é muito estreita. Se um felino passa de 24 a 48 horas sem ingerir calorias, o risco de desenvolver uma falência hepática secundária é altíssimo, o que transforma o caso em uma urgência médica absoluta de UTI', reforça a veterinária.
  Além disso, estudos internacionais apontam que a Doença Renal Crônica afeta entre 30% e 40% dos gatos acima de 10 anos de idade, sendo a perda de apetite um dos sinais clínicos mais frequentes da enfermidade. 'Quando um animal deixa de comer, a pergunta não deve ser qual alimento oferecer, mas por que ele parou de comer. A resposta para essa pergunta é o que realmente define o prognóstico do paciente', conclui Carollina.   FAQ sobre recusa de alimento em cães e gatos
Quando a recusa alimentar em cães e gatos deve preocupar?
Quando o animal deixa de comer por mais de uma refeição ou apresenta outros sinais associados, como apatia, dor ou alterações comportamentais, é indicado buscar avaliação veterinária.
  A recusa de comida pode estar ligada a quais doenças?
Pode estar relacionada a doenças periodontais, problemas renais ou hepáticos, dores orais, infecções sistêmicas, febre, entre outras condições clínicas.
  Por que gatos são mais sensíveis ao jejum?
Porque o metabolismo felino é mais vulnerável a períodos prolongados sem alimentação, podendo levar rapidamente à Lipidose Hepática Felina, uma condição grave e potencialmente fatal. Fonte: Cães&Gatos

Bem-estar animal

03/07/2026

Microbiota e doenças em cães e gatos: pesquisadores defendem o uso rotineiro da dieta para garantir a saúde desses animais

Tanto em humanos quanto em animais de companhia, a microbiota intestinal — a comunidade de microrganismos que habitam o intestino — está intimamente ligada à saúde , e alterações em sua composição têm sido associadas a diversas doenças crônicas.
  Nesse sentido, em animais de estimação, o fator mais crucial e controlável que influencia a microbiota intestinal é a dieta do animal , cuja modulação exerce forte influência sobre sua saúde.
  Para abordar a literatura sobre esta área crucial, uma equipe de pesquisadores publicou uma revisão científica que oferece uma síntese abrangente do impacto dos componentes e formatos da dieta na microbiota intestinal de cães e gatos.
  Além disso, analisa como essas alterações estão associadas aos efeitos na saúde e como a dieta pode auxiliar no tratamento de doenças , além de examinar criticamente as limitações atuais e propor futuras linhas de pesquisa.
  A revisão começa detalhando a composição do microbioma intestinal em cães e gatos, bem como a função da microbiota intestinal em animais de companhia, destacando as funções metabólicas, de regulação imunológica, digestivas e de proteção da barreira intestinal (suprimindo a adesão de patógenos por meio da competição por nutrientes e sítios de adesão no intestino).
  Em seguida, a revisão se concentra nos componentes nutricionais e seu impacto na microbiota intestinal, bem como nos formatos dos alimentos e seus efeitos, e então lista extensivamente as ligações entre a microbiota intestinal e doenças em cães e gatos , além de intervenções dietéticas e manejo da saúde intestinal.
  A nutrição é um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em animais de estimação
A revisão científica conclui que a nutrição atua como moduladora e mediadora da saúde da microbiota intestinal e que "constitui um pilar fundamental na prevenção e no tratamento de doenças em cães e gatos".
  Entre os vários exemplos destacados nas conclusões, os pesquisadores apontam que, em doenças do trato gastrointestinal, metabolismo, rins, fígado e sistema imunológico, a nutrição individualizada tem demonstrado repetidamente equilibrar a microbiota e promover respostas clínicas positivas.
  'Os resultados gerais corroboram a ideia de que a modulação dietética não é apenas uma forma de cuidado paliativo, mas também uma abordagem terapêutica primária para otimizar a atividade do eixo intestino-órgãos', enfatizam os pesquisadores.
  No entanto, os pesquisadores acreditam que, para maximizar a eficácia das intervenções relacionadas à dieta e à microbiota , é necessário superar diversas limitações, como o fato de os estudos existentes serem frequentemente limitados e de curta duração, e a literatura relevante apresentar uma distribuição desigual, com lacunas mais significativas em estudos focados em felinos.
  'Em última análise, o desenvolvimento de orientações nutricionais baseadas no microbioma revolucionaria a saúde dos animais de estimação por meio da prática veterinária terapêutica, de modo que a dieta se torne um meio rotineiro e baseado em evidências para garantir e manter a saúde a longo prazo de cães e gatos', enfatizam os pesquisadores.   ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS: UMA MELHORIA NA SAÚDE AO ALCANCE DA SUA PATA
Veterinários e tutores de animais de estimação têm cada vez mais opções, e de melhor qualidade, para cuidar da saúde e do bem-estar de cães e gatos. De fato, o suporte nutricional para animais de estimação, sejam eles saudáveis ​​ou doentes , com uma abordagem preventiva, é mais do que possível graças às fórmulas disponíveis no mercado.
  Assim, para abordar os aspectos preventivos e terapêuticos da nutrição destacados no estudo, o setor oferece diversas inovações. Por exemplo, o Grupo Trixder , através da sua marca Josera , oferece a gama Josera Help , que, juntamente com a Josera Super Premium (focada em animais saudáveis), promove a saúde de cães e gatos, neste caso direcionada a animais adultos doentes.
  Com todas as garantias de qualidade da Josera, a principal característica da linha Help são os seus benefícios nutricionais . Tudo isso oferecido em receitas adaptadas a doenças e fases da vida específicas.
  Na verdade, essas dietas veterinárias são focadas em diferentes aspectos que podem ser melhorados com a nutrição, como intolerâncias e alergias alimentares ou problemas digestivos, ou para ajudar cães ou gatos com patologias como insuficiência cardíaca crônica, insuficiência hepática crônica ou insuficiência renal crônica. Fonte: Animal's Health

Cães

26/06/2026

Microbiota intestinal e imunidade em filhotes: como o início da vida define a saúde futura  

Entre esses fatores, a microbiota intestinal tem ganhado destaque como um dos principais moduladores da saúde, atuando diretamente na regulação das respostas imunológicas (Ji et al., 2023; Yang & Wu, 2023).   O início de tudo: colonização microbiana
A colonização do trato gastrointestinal tem início imediatamente após o nascimento. 
  Filhotes oriundos de parto vaginal entram em contato direto com a microbiota materna, enquanto aqueles nascidos por cesariana tendem a apresentar um perfil microbiano inicial distinto, geralmente com menor diversidade (Zakošek et al., 2020). 
  Evidências recentes indicam que microrganismos podem ser detectados em fases muito precoces da vida, influenciando diretamente o desenvolvimento inicial do hospedeiro (Bertero et al., 2024).
  Nesse contexto, o colostro e o leite materno desempenham papel central, atuando não apenas como fontes de nutrientes, mas também como veículos de imunoglobulinas, compostos bioativos e microrganismos benéficos que contribuem para o estabelecimento de uma microbiota intestinal equilibrada (Wilson & Swanson, 2024).
  Janela crítica de desenvolvimento
O período neonatal é frequentemente descrito como uma 'janela crítica'. Durante essa fase, a microbiota intestinal sofre rápidas mudanças em composição e diversidade, sendo fortemente influenciada por fatores como ambiente, manejo, uso de antimicrobianos e, principalmente, dieta (Woolley et al., 2025).
  Alterações nesse processo podem gerar efeitos duradouros, impactando não apenas a saúde intestinal, mas também o equilíbrio sistêmico ao longo da vida.   Intestino: um centro imunológico
O sistema imunológico de cães atinge sua maturidade por volta dos seis meses de idade, período acompanhado por mudanças marcantes na composição da microbiota intestinal (Masuoka et al., 2016). 
  Ao longo desse processo, observa-se que as comunidades microbianas variam significativamente com a idade, refletindo o desenvolvimento fisiológico do hospedeiro (Woolley et al., 2025).
  Nesse cenário, o intestino se consolida como um dos principais órgãos imunológicos do organismo, abrigando o tecido linfoide associado ao intestino (GALT), responsável por concentrar grande parte das células de defesa. 
A interação contínua entre os microrganismos intestinais e o sistema imune é essencial para o desenvolvimento e a regulação das respostas imunológicas, tanto inatas quanto adaptativas (Ji et al., 2023).
  Bactérias comensais desempenham papel central nesse processo, promovendo a maturação do sistema imune, estimulando a produção de imunoglobulina A (IgA) e contribuindo para o equilíbrio entre respostas inflamatórias e mecanismos de tolerância (Yang & Wu, 2023).
  Adicionalmente, metabólitos produzidos pela microbiota, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), atuam diretamente na manutenção da integridade da barreira intestinal e na modulação da resposta inflamatória, reforçando a relevância do eixo microbiota–imunidade para a saúde do hospedeiro (Ji et al., 2023). Por Vanessa R. Olszewski, Lais M. Antunes, Danieli Z. Cypriano e Ananda P. Felix
Fonte: Cães&Gatos
  REFERÊNCIAS: BERTERO, A. et al. Meconium microbiota in naturally delivered canine puppies. BMC Veterinary Research, v. 20, n. 1, p. 363, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12917-024-04225-2 BAMBERGER, T. et al. Mapping the canine microbiome: insights from the dog aging project. 2024. DOI: https://doi.org/10.1101/2024.12.02.625632 JI, Y.; YANG, Y.; WU, Z. Programming of metabolic and autoimmune diseases in canine and feline: linkage to the gut microbiome. Microbial Pathogenesis, v. 185, p. 106436, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.micpath.2023.106436 MASUOKA, H. et al. Transition of the intestinal microbiota of dogs with age. Bioscience of Microbiota, Food and Health, v. 36, p. 27–31, 2016. DOI: https://doi.org/10.12938/bmfh.BMFH-2016-021 NEU, J. Developmental aspects of maternal-fetal and infant gut microbiota and implications for long-term health. Maternal Health, Neonatology and Perinatology, v. 1, p. 6, 2015. PEREIRA, A. M.; CLEMENTE, A. Dogs' microbiome from tip to toe. Topics in Companion Animal Medicine, v. 45, p. 100584, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tcam.2021.100584 SCHMID, S. M.; TOLBERT, M. K. Harnessing the microbiome: probiotics, antibiotics and their role in canine and feline gastrointestinal disease. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 13–25, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4915 STAVROULAKI, E. M.; SUCHODOLSKI, J. S.; XENOULIS, P. G. Effects of antimicrobials on the gastrointestinal microbiota of dogs and cats. The Veterinary Journal, v. 291, p. 105929, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2022.105929 WILSON, S. M.; SWANSON, K. S. The influence of 'biotics' on the gut microbiome of dogs and cats. Veterinary Record, v. 195, supl. 2, p. 2–12, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/vetr.4914 WOOLLEY, C. S. C. et al. The gut microbiota of Labrador retriever puppies: a longitudinal cohort study. Animal Microbiome, v. 7, p. 108, 2025. YANG, B. et al. Dietary modulation of the gut microbiota in dogs and cats and its role in disease management. Microorganisms, v. 13, n. 12, p. 2669, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms13122669 YANG, Q.; WU, Z. Gut probiotics and health of dogs and cats: benefits, applications, and underlying mechanisms. Microorganisms, v. 11, n. 10, p. 2452, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/microorganisms11102452  

Bem-estar animal

18/05/2026

Bem-estar animal influencia mais do que sustentabilidade na escolha de pet food, aponta estudo  

O bem-estar animal tem se mostrado um fator mais determinante do que a sustentabilidade nas decisões de compra de alimentos para pets. 
  É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Colorado State University e publicado na revista Frontiers in Veterinary Science.
Segundo a análise, embora consumidores considerem ambos os aspectos importantes, o tratamento dado aos animais utilizados na produção dos alimentos exerce maior influência no momento da escolha.   Bem-estar animal tem maior peso na decisão de compra
De acordo com o estudo, 81,1% dos entrevistados consideram o bem-estar animal 'muito' ou 'extremamente' importante ao escolher um alimento para seus pets. 
Já a sustentabilidade ambiental aparece logo atrás, com 70,1%.
  Apesar da proximidade, o impacto do bem-estar animal é significativamente maior na decisão final de compra.
  Esse comportamento está relacionado ao vínculo emocional que responsáveis têm com seus animais, o que tende a ampliar a empatia também em relação a outros animais.   Conexão emocional amplia impacto do tema
Durante discussões do setor, como no Pet Summit 2026, especialistas destacaram que a percepção dos consumidores vai além da distinção entre animais de companhia e de produção.
  A representante da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, Maral Cavner, e a diretora de serviços veterinários da entidade, Ashley Eisenback, reforçaram que essa conexão emocional explica o maior peso do bem-estar animal.
  'Não há muita diferença quando você olha nos olhos de cada um desses animais', afirmou Eisenback, ao comparar animais de companhia e aqueles utilizados na cadeia produtiva.    Sustentabilidade segue relevante, mas enfrenta barreiras
Apesar de importante, a sustentabilidade ambiental tende a ser impactada por fatores práticos no momento da compra, como preço, preferência do animal e necessidades médicas.
  Ainda assim, especialistas destacam que bem-estar animal e sustentabilidade estão diretamente conectados, especialmente considerando o impacto da indústria de alimentos para pets.
  Segundo Cavner, cães e gatos representam uma parcela significativa do consumo dentro do sistema alimentar global.   Consumidores demonstram intenção de mudança
O estudo também aponta que há disposição dos consumidores em mudar de marca com base em critérios éticos.
  Dados apresentados no Pet Summit indicam que 90% dos entrevistados afirmam que considerariam trocar de marca caso soubessem que outra empresa utiliza práticas mais responsáveis no tratamento animal.
  Por outro lado, a falta de informação ainda é um obstáculo: mais de 60% dos participantes desconhecem certificações relacionadas a bem-estar animal ou sustentabilidade.
  Entre aqueles que conhecem, no entanto, esses selos têm influência direta na decisão de compra.   Comunicação pode ser diferencial competitivo
Os resultados reforçam que comunicar práticas relacionadas ao bem-estar animal pode ser uma estratégia relevante para empresas do setor, não apenas do ponto de vista ético, mas também comercial.
  A combinação entre informação, transparência e conexão emocional tende a ser um fator-chave para influenciar o comportamento do consumidor.   FAQ sobre escolha de pet food
O que pesa mais na escolha de pet food?
Segundo o estudo, o bem-estar animal tem maior influência do que a sustentabilidade.
  A sustentabilidade não é importante?
É relevante, mas pode ser impactada por fatores como preço e preferência do animal.
  Consumidores mudariam de marca por esse motivo?
Sim. A maioria afirma que consideraria trocar por produtos com melhores práticas de bem-estar animal. Fonte: Cães & Gatos

Bem-estar animal Perigo invisível aos olhos: micotoxinas no pet food
 

6+ MIN

Perigo invisível aos olhos: micotoxinas no pet food  

Recentemente, as micotoxinas voltaram a ser foco das discussões no pet food. O motivo é a aprovação da portaria SDA/MAPA nº 1.412 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que define novos limites máximos de micotoxinas em produtos destinados à alimentação de cães e gatos.
  Mas, afinal, o que muda com essa nova portaria e o que são as micotoxinas? Para responder esses questionamentos conversamos com a médica-veterinária mestre e doutora em Nutrição de cães e gatos e membro do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBNA PET) e da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos (SBNutriPet), Luciana Domingues de Oliveira. 

'A portaria nº 1.412, de 3 de outubro de 2025, determina de forma inédita os limites máximos de aflatoxinas B1 e de aflatoxinas totais (somatória das aflatoxinas B1, B2, G1 e G2) em produtos destinados à alimentação de cães e gatos. Essa mudança é positiva e aumenta a segurança de alimentos para as espécies, trazendo também mais segurança aos responsáveis que preferem usar rações e produtos industrializados na alimentação de seus animais', explica.
  Ainda segundo a profissional, a existência de limites claros e fiscalizáveis permite um controle de qualidade mais rigoroso por parte da indústria e dos órgãos de fiscalização, reduzindo os riscos de doenças e óbitos em pets causados pelo consumo de alimentos contaminados.   Entendo as micotoxinas    Basicamente, as micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos filamentosos. 
  Luciana esclarece que elas podem contaminar alimentos usados tanto para alimentação humana, quanto animal, quando esses microrganismos estão na presença de condições adequadas de umidade e calor. 
  'Parte das micotoxinas são resistentes ao processamento térmico e podem estar presentes mesmo em produtos industrializados. Os principais fungos produtores de micotoxinas em alimentos para cães e gatos são os gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium', pontua.
  Esses fungos estão presentes em diferentes alimentos, como milho, trigo, cevada, aveia, amendoim, nozes, castanhas, café, frutas secas e produtos derivados, como suco de maçã.
  Com isso, as rações podem conter micotoxinas devido ao uso de ingredientes que contenham essas substâncias ou porque o processamento não foi adequado e a ração acabou retendo mais umidade que o ideal.
  'As micotoxinas mais comuns encontradas em alimentos para pets são aflatoxinas, fumonisinas, ocratoxina A, zearalenona e deoxinivalenol (DON)', informa a especialista.    Perigos envolvidos 
A contaminação por micotoxinas pode tornar os alimentos verdadeiros vilões para a saúde de cães e gatos. 
  Conforme relata Oliveira, os riscos da ingestão vão desde problemas agudos e crônicos até óbito em casos mais graves. Dentre eles estão: 
  Sintomas gastrointestinais agudos: náuseas, vômitos e diarreia; Sintomas neurológicos agudos: tremores musculares, convulsões, ataxia, fraqueza, agitação ou depressão e letargia;  Outros sintomas agudos: temperatura corporal alterada, aumento da frequência cardíaca e respiratória e salivação excessiva; Sintomas crônicos: hepatopatias, câncer, redução da imunidade, perda de peso, diminuição do crescimento, hemorragias, etc.    Controle no processo de produção    Para evitar que os alimentos sejam contaminados pelas micotoxinas é preciso realizar um controle multimodal, que acontece em diferentes pontos do processo de produção. 
  A médica-veterinária explica que tudo começa com a qualidade dos fornecedores de matérias-primas. Também é importante analisar cada novo lote de insumos. Para isso é indicado testar todos os lotes de ingredientes que têm potencial de contaminação por micotoxinas antes da descarga.
  'Deve-se, ainda, controlar o processo de produção através da mensuração contínua da umidade e atividade de água dos alimentos durante sua produção. Já quando o produto final estiver pronto, é necessário garantir teores adequados de umidade, atividade de água e temperatura durante o envase dos alimentos. Assim, evita-se a formação de gotículas de água dentro da embalagem', afirma. 
  Inclusive, a embalagem é uma peça-chave para prevenir as contaminações. Dessa forma, é fundamental que não apresente furos, que permitam o surgimento de umidade enquanto o produto está na prateleira das lojas. 
  Outro ponto que faz parte da prevenção às micotoxinas é o uso dos antifúngicos nos alimentos para pets. De acordo com a especialista, alguns antifúngicos utilizados para essa finalidade são: propionato de cálcio, ácido propiônico, ácido cítrico e ácido sórbico. 
  Também há os adsorventes de micotoxinas, que podem ser usados sozinhos ou em associação aos antifúngicos. 
  'Dentre esses, temos os adsorventes inorgânicos, que incluem principalmente os aluminossilicatos como argilas e zeólitas, e os orgânicos, que são mais recentes e produzidos à base de algas ou leveduras modificadas', cita.   Cuidados com o armazenamento
O armazenamento adequado dos alimentos para pets é uma ação indispensável quando se fala em prevenção de micotoxinas. 
  Oliveira recomenda a realização de ações para orientar os responsáveis pelos animais sobre a importância de manter os alimentos em condições ideais de acondicionamento e longe de umidade e do calor. 
  'As micotoxinas podem surgir nas rações quando existe um ambiente que permita o crescimento de fungos. Isso ocorre em condições ambientais como temperaturas elevadas (entre 20ºC e 30ºC) e alta umidade, que são situações muito comuns em países tropicais como o Brasil, principalmente, depois que as pessoas abrem a embalagem e não a mantém em ambiente seco, fresco e arejado como recomendado pelos fabricantes', explica.
  Logo, as embalagens devem sempre ficar fechadas e armazenadas em ambiente seco, fresco, arejado e longe de umidade e da luz solar direta. 
  Também é importante que as rações sejam conservadas em suas embalagens originais, pois existe um trabalho dos fabricantes em desenvolver pacotes que ajudem a manter a qualidade dos seus alimentos. 
  'Quando retiramos os alimentos de suas embalagens originais, além do fabricante não poder garantir a qualidade dos alimentos, caso haja qualquer problema com a ração, o consumidor não terá as informações necessárias para fazer a solicitação de troca ou reclamação, como número de lote, data de fabricação e data de validade', finaliza.

Bem-estar animal Transformando fornecedores em aliados de inovação na indústria pet food

6+ MIN

Transformando fornecedores em aliados de inovação na indústria pet food

Matérias-primas como origem dos principais riscos   Nos últimos anos, muitos países registraram diversos episódios de recall em produtos destinados à alimentação animal, e a literatura científica confirma um padrão que o setor já conhece bem: a maioria das contaminações em pet food tem origem em matérias-primas mal monitoradas ou adquiridas sem histórico técnico adequado (Witaszak et al., 2020; Cheli et al., 2020). 
  A ocorrência crescente de micotoxinas como aflatoxinas, DON, fumonisinas e zearalenona, ou outros contaminantes em rações para cães e gatos demonstra que ingredientes agrícolas e subprodutos animais representam riscos concretos para a segurança e a qualidade do alimento (Witaszak et al., 2020). Esses dados reforçam algo essencial: não existe planta conectada sem fornecedor conectado.   Os limites do controle isolado nas fábricas   Quando um fabricante, especialmente industria menor, tenta construir um sistema de controle de qualidade isolado, sem colaboração técnica upstream, rapidamente encontra seus limites. Isso ocorre porque a variabilidade natural de ingredientes como milho, farinhas proteicas, subprodutos animais e óleos não pode ser completamente controlada apenas com inspeção no recebimento. 
  A literatura de segurança alimentar mostra que a especificação das matérias-primas é um dos pilares da prevenção de riscos, embora ainda seja negligenciada especialmente por fábricas menores (Cheli et al., 2020). Muitos fabricantes operam com descrições simplificadas das matérias-primas, sem limites analíticos, sem histórico estatístico e sem compreensão dos riscos específicos de cada origem ou safra.   O fornecedor como elo inteligente da cadeia   É justamente nesse ponto que o fornecedor se transforma não apenas em um vendedor de insumos, mas em verdadeiro elo inteligente da cadeia. Fornecedores tecnificados têm acesso a bancos de dados internos, análises por lote, curvas de variação, registros de safra, monitoramentos sazonais e processos industriais certificados. 
  Quando esses dados são compartilhados, o fabricante ganha acesso imediato a uma camada de inteligência que dificilmente conseguiria construir sozinho. E é essa troca estruturada de informações que caracteriza a planta verdadeiramente conectada, não apenas integrada internamente, mas estendida a toda a cadeia produtiva (Integrated Mycotoxin Management System, 2021; Aung & Chang, 2014).   Construção conjunta de especificações técnicas    A construção conjunta de especificações técnicas é um bom exemplo de como essa conexão muda o cenário. Especificações baseadas em dados históricos são significativamente mais eficazes na redução de desvios do que modelos genéricos aplicados a todas as origens (Cheli et al., 2020). 
  Um fornecedor preparado pode ajudar o fabricante a entender:
  a variabilidade natural dos ingredientes os limites de micotoxinas e outros contaminantes esperados por região as tendências de umidade e composição ao longo do ano os métodos analíticos adequados para cada risco
  Essa colaboração reduz rejeições desnecessárias, minimiza variações no processo e diminui custos de formulação.   Micotoxinas: um exemplo de parceria estratégica   No caso das micotoxinas, um dos contaminantes críticos para pet food, essa parceria se torna ainda mais estratégica. O BIOMIN Mycotoxin Survey e outros estudos demonstram que a ocorrência de aflatoxinas, DON e fumonisinas varia intensamente entre safras, regiões e condições climáticas, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e compartilhado (Cheli et al., 2020; Witaszak et al., 2020). Ou seja, um fabricante que analisa apenas o que chega à sua porta está sempre atrasado. Programas de monitoramento baseados em tendências sazonais são muito mais eficazes do que análises pontuais (Cheli et al., 2020). E quem melhor conhece essas tendências do que o próprio fornecedor, que acompanha desde o campo até o beneficiamento?   Rastreabilidade que nasce no fornecedor   A conectividade também se manifesta na rastreabilidade. Cada lote que chega à fábrica leva consigo uma história: origem, data de produção, tempo de estocagem, rota logística, análises laboratoriais e condições de processamento. 
  Quando o fornecedor disponibiliza esses dados de forma estruturada, seja por QR codes, relatórios digitais ou sistemas integrados,o fabricante passa a operar com velocidade e segurança muito superiores. A rastreabilidade upstream é um dos pontos mais frágeis da cadeia global de pet food, e a maneira mais eficiente de fortalecê-la é garantir que o fluxo de informações nasça no fornecedor (Aung & Chang, 2014).   Treinamento e capacitação como parte da conexão   Essa relação não se limita a documentos; ela se expande para a capacitação técnica. Muitos dos erros que levam pequenas fábricas a aceitar lotes irregulares são resultado de amostragem inadequada, interpretação errada de laudos ou desconhecimento dos riscos mais prováveis. Estudos mostram que treinamentos simples para equipes de recebimento já reduzem significativamente a entrada de matéria-prima fora de especificação (Integrated Mycotoxin Management System, 2021). 
  Quando o fornecedor oferece esse suporte, seja com treinamentos, consultorias ou visitas técnicas, ele está, na prática, elevando o nível de maturidade da planta, ajudando-a a operar como um sistema conectado mesmo sem grandes investimentos em tecnologia.   Ferramentas analíticas híbridas   Outro ponto em que a conectividade entre fornecedor e fabricante se traduz em inovação realista é o uso de ferramentas analíticas híbridas. Kits rápidos para triagem de micotoxinas, quando validados, apresentam boa correlação com métodos confirmatórios e são recomendados como parte de sistemas de triagem (Cheli et al., 2020). Pequenas fábricas podem adotar uma combinação eficiente: triagem rápida no recebimento, validação periódica em laboratório acreditado e relatórios analíticos contínuos fornecidos pelo parceiro upstream. Isso reduz desperdícios, acelera a tomada de decisão e permite uso mais inteligente dos recursos.   Conclusão   A literatura também evidencia que fábricas que operam com dados compartilhados de fornecedores têm melhor previsibilidade produtiva e menor variabilidade de custos (Integrated Mycotoxin Management System, 2021). 
  Quando fornecedor e fabricante operam como uma única rede de informações, a indústria ganha em segurança, previsibilidade, inovação e competitividade. O mercado global de pet food, cada vez mais exigente e sensível a riscos, depende exatamente dessa integração inteligente, que começa muito antes da linha de produção e termina no alimento seguro, rastreável e estável que chega ao comedouro. Por Ludmila Barbi Trindade Bomcompagni – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine
  Referências • Aung, M. M., & Chang, Y. S. (2014). Traceability in a food supply chain: Safety and quality perspectives. Food Control, 39, 172 184. https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2013.11.007 • Cheli, F., Campagnoli, A., Dell'Orto, V. (2020). Mycotoxin contamination management tools and efficient strategies in feed industry. Toxins, 12(8), 480. https://doi.org/10.3390/toxins12080480 • Witaszak, N., Waśkiewicz, A., Bocianowski, J., & Stępień, Ł. (2020). Contamination of Pet Food with Mycobiota and Fusarium Mycotoxins—Focus on Dogs and Cats. Toxins, 12(2), 130. https://doi.org/10.3390/toxins12020130 • Integrated Mycotoxin Management System in the Feed Supply Chain: Innovative Approaches. (2021). Toxins, 13(8), 572. https://doi.org/10.3390/toxins13080572

Por Ludmila Barbi T. Bomcompagni


Sección en español

Proteínas

2 min de lectura

15/07/2026

Un estudio indica que los gatos aceptan y digieren bien una dieta con carne cultivada

La carne cultivada, producida a partir de células animales en un entorno controlado, podría representar una alternativa prometedora para la nutrición felina. Un estudio reciente publicado en la revista científica Frontiers in Veterinary Science indicó que los gatos domésticos aceptaron fácilmente una dieta completa formulada con este ingrediente y mostraron índices de digestibilidad similares a los observados en una dieta convencional a base de pollo.
  La investigación se llevó a cabo en colaboración con la Universidad de Gante en Bélgica y evaluó la aceptación y digestibilidad de una dieta que contenía carne cultivada producida por la empresa Bene Meat. Durante la prueba, nueve de cada diez gatos consumieron el alimento satisfactoriamente, dejando menos sobras en comparación con una dieta de control formulada con carne de pollo destinada al consumo humano.

  Buena aceptación entre los felinos
Además de una buena aceptación, los investigadores observaron que la digestibilidad de las proteínas y las grasas era comparable entre ambas dietas. Durante todo el período de evaluación, no se registraron cambios relevantes en la condición corporal, la masa muscular ni la consistencia de las heces de los animales.
  Según los autores, los resultados sugieren que la carne cultivada puede funcionar como un ingrediente nutricionalmente adecuado, bien tolerado y apetitoso para los gatos. Sin embargo, destacan que se necesitarán más investigaciones para evaluar los efectos a largo plazo de su consumo y ampliar el conocimiento sobre el uso de este tipo de proteína en la alimentación de mascotas.

  Una alternativa para el futuro de la nutrición de las mascotas
El estudio se publica en un momento en que la industria de las mascotas busca alternativas para diversificar las fuentes de proteínas y reducir el impacto ambiental asociado a la producción convencional de carne. Dado que los gatos son carnívoros estrictos, cualquier nueva fuente de proteínas destinada a estos animales debe demostrar no solo seguridad, sino también una alta palatabilidad y la capacidad de aportar nutrientes de manera eficiente.
  Aunque la carne cultivada aún enfrenta desafíos regulatorios y de escala de producción en varios mercados, los resultados de la investigación representan un paso importante hacia el desarrollo de ingredientes innovadores para la nutrición animal. Los expertos creen que los avances tecnológicos y las nuevas investigaciones podrían acelerar la adopción de este tipo de ingrediente en los próximos años, especialmente en segmentos centrados en la sostenibilidad y la innovación en la alimentación para mascotas. Fuente: Cães&Gatos

Otros microingredientes

3 min de lectura

14/07/2026

Toppers para Pet Food: la nueva forma de personalizar, cautivar y diferenciar

Los compradores de alimento para mascotas buscan hoy más que nutrición básica: desean ofrecer variedad, indulgencia y una experiencia de consumo más cercana a la alimentación humana, sin comprometer la conveniencia ni el costo. Esta necesidad genera una disyuntiva comercial: adquirir múltiples formatos de alimento con diferentes sabores o personalizar una base alimenticia estándar mediante soluciones sensoriales que permitan diversificar la oferta de manera eficiente.

La premiumización del segmento Pet Food está fuertemente vinculada con atributos como sabor, aroma, textura, aporte nutricional y apariencia. En este escenario, los toppers permiten transformar la rutina alimentaria en una experiencia más atractiva para perros y gatos, al tiempo que ofrecen a las marcas una vía práctica para diferenciar productos, reforzar el posicionamiento prémium y estimular la recompra.

Desde una perspectiva técnica, los toppers funcionan como sistemas de mejora sensorial diseñados para optimizar la aceptación del alimento. Su aplicación puede contribuir a reforzar notas aromáticas específicas, intensificar la percepción de sabor, mejorar la experiencia organoléptica y apoyar la consistencia del desempeño palatable del producto terminado.

Dependiendo de su formato, estos productos pueden incorporarse en la fase final del proceso productivo o aplicarse directamente al momento del consumo. Esta flexibilidad abre oportunidades para fabricantes industriales, marcas privadas, distribuidores y consumidores finales, ya que permite adaptar una base alimenticia a diferentes perfiles de sabor, etapas de vida o preferencias de consumo.
Callizo Aromas: creando soluciones para personalización y experiencia de consumo
Callizo Aromas ha desarrollado una línea integral de toppers orientada a maximizar la experiencia de consumo en alimentos para mascotas. Esta propuesta combina conocimiento técnico en aromas y palatabilidad con una visión comercial enfocada en innovación, diferenciación y creación de valor para la categoría Pet Food.

Dentro de su portafolio, Callizo ofrece una amplia variedad de perfiles sensoriales que incluyen notas cárnicas como res, costilla, cordero y atún; combinaciones tradicionales como carne con vegetales y pollo con vegetales; y perfiles culinarios más complejos como carne mechada, pollo rostizado y parrillada. Asimismo, cuenta con sabores lácteos que permiten atender preferencias asociadas a diferentes etapas de crecimiento y necesidades del mercado.

Además de los toppers clásicos, Callizo Aromas cuenta con la línea Zoagravy que pueden aplicarse en la fase final de fabricación del alimento o adicionarse al momento de servir. Al mezclarse con una pequeña cantidad de agua, estos productos generan una apariencia de salsa suculenta, elevando la percepción de indulgencia y acercando el producto a una experiencia similar a la comida preparada para consumo humano.

La línea también incluye toppers en hojuelas altamente palatables, diseñados para utilizarse como complemento del alimento o consumirse como snacks. Este formato amplía las posibilidades de uso y permite a las marcas desarrollar conceptos de producto más dinámicos, orientados tanto a la recompensa como al enriquecimiento de la rutina alimentaria.

Los toppers representan una herramienta de alto potencial para dinamizar portafolios, crear extensiones de línea y responder rápidamente a tendencias de mercado sin requerir reformulaciones complejas del alimento base. Para las marcas, esto se traduce en mayor agilidad comercial, diferenciación en anaquel y una propuesta de valor centrada en variedad, experiencia y personalización. Con estas soluciones, la División de Mascotas de Callizo Aromas reafirma su compromiso de desarrollar ingredientes funcionales y sensoriales que contribuyan a mejorar la aceptación, el desempeño y la experiencia de consumo en alimentos para perros y gatos. Fuente: Callizo Aromas

Proteínas

10 min de lectura

14/07/2026

Reflexión sobre las proteínas en la nutrición de mascotas: desde fuentes tradicionales hacia proteínas alternativas y funcionales

Durante los últimos años, la discusión sobre las proteínas se ha ido expandiendo. En la industria de alimentos, los términos 'proteínas alternativas, 'proteínas noveles' y 'proteínas funcionales' se utilizan cada vez más. Gran parte de este interés se debe a las preocupaciones por la sostenibilidad y a la predicción de que la demanda global de proteínas aumentará a gran escala a medida que la población mundial alcance los diez mil millones de personas en 2050 (FAO, 2022; OECD-FAO, 2023).
  Así nace una pregunta importante: ¿es necesario contar con nuevas fuentes de proteínas para alimentar a nuestras mascotas, o bien deberíamos enfocarnos en mejorar el uso de las fuentes que ya existen?
  La respuesta no es blanco o negro. Las fuentes de proteínas tradicionales son nutricionalmente sólidas, mientras que las tecnologías emergentes y los ingredientes alternativos ofrecen oportunidades para potenciar la sostenibilidad, la funcionalidad y los resultados en la salud, así como impacta en la microbiota intestinal.    Demanda global de proteínas y el debate sobre la sostenibilidad   El pronóstico para 2050 sugiere que la demanda de proteínas incrementará rápidamente a medida que la población mundial alcance los diez mil millones. Además, se espera que la demanda de alimentos aumente un 60 % (FAO 2018; FAO 2022; Henchion et al., 2017). Al mismo tiempo, la población mundial de mascotas continúa expandiéndose, estimando novecientos millones de perros y gatos en todo el mundo, de los cuales el 60 % se concentra en Europa, Estados Unidos, China y Brasil.
  Estas tendencias elevaron la preocupación sobre si la producción ganadera tradicional por sí sola podrá cumplir con las necesidades de las proteínas del futuro. Las críticas señalan que alimentar a las mascotas con proteínas derivadas de animales compite con la cadena de suministro de alimentaria y contribuye a las presiones ambientales, como el uso de la tierra, las emisiones de gas invernadero y el consumo de agua.
  Sin embargo, el escenario es más complejo. Una gran parte de los derivados de animales utilizados en pet food provienen de coproductos renderizados de los alimentos para humanos, por ejemplo, los residuos del procesamiento de órganos, recortes o peces. Estos ingredientes representan una forma eficiente del reciclado de nutrientes en la cadena de suministro de alimentos (Boland et al., 2013).
  Los avances tecnológicos en el procesamiento de alimentos están mejorando el aprovechamiento de nutrientes, que permite una mejor recuperación de proteínas, péptidos y compuestos bioactivos de la materia prima y los subproductos (Yuan et al., 2025). La mejora sobre el procesamiento y el uso de las proteínas es tan importante como la identificación de nuevas fuentes.   Requerimientos de proteínas en perros y gatos   Los requerimientos de proteínas en animales de compañía fueron establecidos tras décadas de estudio nutricional. Según la guía de la AAFCO (AAFCO 2026), el mínimo de proteínas requerido para perros adultos es aproximadamente 18 % en una base seca, mientras que los cachorros necesitan un 22,5 %. Los gatos, como carnívoros obligatorios, requieren una mayor ingesta, con un nivel mínimo de 26%. 
  No obstante, las dietas comerciales tienen un nivel más alto de proteína. Algunos alimentos secos para perros contienen entre 22-32 %, mientras que el de gatos tienen un 30-40 %. Debido a que el contenido de proteínas está cada vez más asociado con la calidad percibida de la dieta, estos niveles reflejan tanto las necesidades nutricionales como las expectativas de los consumidores.   Las fuentes de proteínas convencionales continúan siendo la base   Gracias a su perfil equilibrado de aminoácidos y su alta digestibilidad, las proteínas derivadas de animales continúan siendo la base de la nutrición de mascotas. Los ingredientes comunes son las harinas de pollo, carne, cordero y pescado; las proteínas de pescado; la carne y los subproductos de órganos. Estos ingredientes aportan aminoácidos esenciales (lisina, metionina y taurina) y, según los ingredientes y el procesamiento, brindan una digestibilidad cercana al 85-90 %.
  Las proteínas vegetales también tienen un rol esencial en las formulaciones modernas. La harina de soja, la proteína de arveja, las lentejas y los garbanzos aportan aminoácidos y, a la vez, flexibilidad y rentabilidad en la formulación. 
  Las últimas innovaciones en el procesado de alimentos han mejorado la funcionalidad de las proteínas vegetales. La fermentación, la hidrólisis enzimática y la molienda avanzada han aumentado la digestibilidad y reducido los factores antinutricionales, como las lectinas y los inhibidores de proteasa.
  Estos desarrollos destacan un punto importante: para innovar no se necesitan nuevos ingredientes, sino mejorar el procesado y el uso de los que ya existen.   El auge de los ingredientes cárnicos frescos y mínimamente procesados   En las décadas anteriores, el uso de la carne fresca o carne blanca se ha extendido en la formulación de pet food seco. Hoy en día, muchos productos prémium incorporan pollo fresco, cordero o pescado en su sistema proteico.
  En algunos casos, estos ingredientes frescos se obtienen de la carne deshuesada mecánicamente (MDM, por sus siglas en inglés) o del sistema de recuperación de carne, en el que se recupera el tejido muscular comestible de las carcasas después del primer corte. Estos ingredientes no solo brindan proteínas de alta digestión, sino que mejoran la palatabilidad y la percepción del consumidor.
  El marketing de 'ingredientes frescos' ha sido reforzado por el rápido crecimiento de los formatos frescos y semicocidos. Se calcula que el mercado de alimentos frescos para mascotas en Estados Unidos supera los tres mil millones de dólares y continúa creciendo (Packaged Facts, 2023). Esta tendencia ilustra cómo las expectativas influyen cada vez más en la elección de los ingredientes y las estrategias de procesado en la industria pet food.   El crecimiento de las proteínas alternativas   Aunque dominen las proteínas convencionales, muchas tecnologías emergentes llaman la atención.
  Proteínas de insectos
Las larvas de mosca soldado negra, el Tenebrio molitor y los grillos están siendo estudiados como fuentes de proteínas sustentables. La harina de insectos suele contener entre 40 y 60 % de proteína y se puede producir en cantidades pequeñas de tierra y agua, en comparación con la producción ganadera tradicional (van Huis, 2021).
  Las proteínas de insectos contienen componentes bioactivos, como péptidos antimicrobianos y quitina, que impactan en la función inmune y la salud intestinal (Gasco et al., 2020). Sin embargo, ampliar la producción y lograr una amplia aceptación por parte de los consumidores siguen siendo un reto.   Proteínas fermentadas
Las tecnologías de fermentación representan un escenario prometedor. La fermentación microbiana produce proteínas unicelulares a través de la levadura, las bacterias, los hongos y las microalgas cultivadas en distintos sustratos (Matassa et al., 2016). Además, aportan perfiles de aminoácidos favorables y requieren una superficie de cultivo relativamente reducida.
  Los métodos tradicionales, como la fermentación koji con el hongo Aspergillus oryzae, transforman los sustratos vegetales en ingredientes más digeribles y nutritivos (Yuan et al., 2025). Los avances en biotecnología permiten que las bacterias modificadas genéticamente produzcan péptidos o proteínas con propiedades funcionales específicas.   Cultivo celular
La agricultura celular representa uno de los enfoques tecnológicos más ambiciosos en la producción de proteínas. Con el tiempo, mediante el cultivo de células de animales en ambientes monitoreados, será posible producir carne sin recurrir a la ganadería tradicional (Post, 2012). Aunque suena prometedor, esta tecnología se encuentra en la etapa inicial, en especial, en las aplicaciones de pet food, y enfrenta desafíos en los costos, el uso de energía y el marco regulatorio.
Las proteínas y el microbioma intestinal   Una de las áreas más emocionantes de la nutrición y la salud proteica es el microbioma intestinal.
  La microbiota intestinal es esencial para la digestión, la función inmune y la salud metabólica de las mascotas. La dieta, también las fuentes de proteínas y la digestibilidad, impactan significativamente en la comunidad microbiana del tracto gastrointestinal (Handl et al., 2013).
  Las proteínas altamente digeribles reducen la cantidad de nitrógeno no dirigido en el colon, reduciendo la producción de subproductos fermentados no deseados, como el amoníaco o las aminas biógenas.
  En cambio, ciertos péptidos o aminoácidos sirven como sustratos para algunas comunidades. Contribuyen a la producción de ácidos grasos de cadena corta y otros metabolitos que ayudan a la salud intestinal (Sandri et al., 2017).   Conclusiones clave   A menudo, el debate sobre las proteínas alternativas se enmarca en su uso como reemplazo de las fuentes tradicionales. En realidad, el futuro de las proteínas en la nutrición de mascotas será más integrado. De este debate se desprenden varias conclusiones clave:
  Las fuentes de proteínas tradicionales aún son nutricionalmente eficientes. Las proteínas de origen animal y vegetal siguen aportando una fuente fiable de aminoácidos y seguirán siendo fundamentales en los alimentos para mascotas.
  Las proteínas alternativas diversifican las herramientas; los insectos, la fermentación microbiana y la agricultura celular serán un complemento para los sistemas existentes.
  Las tecnologías de procesamiento y los avances en fermentación, modificación enzimática y recuperación de ingredientes pueden mejorar el uso de nutrientes, reducir factores antinutricionales y aumentar el valor funcional de los ingredientes proteicos.
  Las expectativas de los consumidores reformulan los sistemas proteicos. La producción de alimento para mascotas fresco, semiprocesado y con altos niveles de proteínas muestras como las tendencias de mercado influyen en la selección de nutrientes y las tecnologías de procesado.
  El objetivo no debería ser reemplazar las fuentes tradicionales con las alternativas, sino desarrollar ecosistemas diferentes y eficientes que apoyen la sostenibilidad, la nutrición y la salud de las mascotas. La pregunta clave no se encuentra en las proteínas que elegimos, sino en cómo usarlas de manera inteligente. Por Juan Gómez-Basauri, Ph.D. – MAGELLAN LLC
Fuente: All Pet Food Magazine   Referencias
AAFCO 2026. Association of America Feed Control Officials. Official Publication Boland, M., Rae, A., Vereijken, J., Meuwissen, M. P. M., Fischer, A. R. H., van Boekel, M. A. J. S., Rutherfurd, S. M., Gruppen, H., Moughan, P. J., & Hendriks, W. H. (2013). The future supply of animal-derived protein for human consumption. Trends in Food Science and Technology, 29(1), 62-73.https://doi.org/10.1016/j.tifs.2012.07.002 FAO. 2018. The future of food and agriculture – Alternative pathways to 2050. Summary version. Rome. 60 pp. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.https://openknowledge.fao.org/handle/20.500.14283/i8429en FAO. 2022. The future of food and agriculture – Drivers and triggers for transformation. The Future of Food and Agriculture, no. 3. Rome.https://doi.org/10.4060/cc0959en Gasco, L., Gabriele Acuti, Paolo Bani, Antonella Dalle Zotte, Pier Paolo Danieli, Anna De Angelis, Riccardo Fortina, Rosaria Marino, Giuliana Parisi, Giovanni Piccolo, Luciano Pinotti, Aldo Prandini, Achille Schiavone, Genciana Terova, Francesca Tulli & Alessandra Roncarati (2020) Insect and fish by-products as sustainable alternatives to conventional animal proteins in animal nutrition, Italian Journal of Animal Science, 19:1, 360-372.https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/1828051x.2020.1743209 Handl S., German AJ, Holden SL, Dowd SE, Steiner JM, Heilmann RM, Grant RW, Swanson KS, Suchodolski JS. Faecal microbiota in lean and obese dogs. FEMS Microbiol Ecol. 2013 May;84(2):332-43. Epub 2013 Jan 24. PMID: 23301868.https://doi.org/10.1111/1574-6941.12067 Henchion, M. Hayes M, Mullen AM, Fenelon M, Tiwari B. Future Protein Supply and Demand: Strategies and Factors Influencing a Sustainable Equilibrium. Foods. 2017 Jul 20;6(7):53.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5532560/ Matassa, S., Boon N, Pikaar I, Verstraete W. Microbial protein: future sustainable food supply route with low environmental footprint. Microb Biotechnol. 2016 Sep;9(5):568-75. Epub 2016 Jul 8.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4993174/pdf/MBT2-9-568.pdf OECD/FAO 2023. OECD-FAO Agricultural Outlook 2023-2032, OECD Publishing, Paris.https://doi.org/10.1787/08801ab7-en. Post MJ. Cultured meat from stem cells: challenges and prospects. Meat Sci. 2012 Nov;92(3):297-301. doi: 10.1016/j.meatsci.2012.04.008. Epub 2012 Apr 11. PMID: 22543115.https://doi.org/10.1016/j.meatsci.2012.04.008 Sandri, M., Dal Monego S, Conte G, Sgorlon S, Stefanon B. Raw meat-based diet influences fecal microbiome and end products of fermentation in healthy dogs. BMC Vet Res. BMC Vet Res 2017; 13 (1):65.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5331737/ van Huis, A. Prospects of insects as food and feed. Org. Agr. 11, 301–308 (2021).https://doi.org/10.1007/s13165-020-00290-7 Yuan, Yi, Xinyao Wei, Yuhong Mao, Yuxue Zheng, Ni He, Yuan Guo, Ming Wu, Joseph Dumpler, Bing Li, Xu Chen, Xixi Cai, Jianping Wu, Yongqi Tian, Sihan Xie, Jeyamkondan Subbiah, Shaoyun Wang. Innovative Food Processing Technologies Promoting Efficient Utilization of Nutrients in Staple Food Crops, Engineering, Volume 50, 2025, Pages 229-244.https://doi.org/10.1016/j.eng.2025.04.014
 

Por Dr. Juan Gómez Basauri

Alimentos húmedos

4 min de lectura

13/07/2026

Muchos no lo saben: aumentar la comida húmeda en verano ayuda a evitar la deshidratación en gatos  

Por eso, dejarles simplemente un cuenco de agua lleno a diario no siempre es suficiente. En muchos casos, es recomendable añadir 'extras' de hidratación, como incrementar la proporción de alimento húmedo frente al pienso seco. De este modo, aumentan su ingesta total de agua sin necesidad de que beban más directamente del bebedero.
  Los gatos tienden a la deshidratación por su propia naturaleza, ya que descienden del gato salvaje del desierto, un felino que habitaba regiones áridas donde el acceso al agua era limitado. Por ello, evolucionaron para obtener gran parte de la hidratación a través de las presas que cazaban.
  Este rasgo se mantiene en los gatos domésticos actuales, que no siempre sienten la necesidad de beber con la frecuencia que deberían, incluso cuando se alimentan con pienso seco, cuya humedad es apenas del 8-10 %. Como resultado, una ligera deshidratación puede ser relativamente frecuente en nuestros pequeños felinos.
  Aunque esta tendencia sea natural, no debe subestimarse. La deshidratación afecta al correcto funcionamiento de los órganos vitales y puede favorecer problemas renales y urinarios, además de provocar mala circulación, letargo, pérdida de apetito y debilidad. En los casos más graves, puede derivar en una disfunción orgánica que ponga en riesgo la vida del animal.
  Por eso, reconocer los primeros signos de deshidratación en gatos es fundamental para actuar a tiempo, especialmente en verano, cuando son más vulnerables al calor. Estos signos incluyen:
  Encías secas o pegajosas. Menor elasticidad cutánea Letargo o falta de energía. Pérdida de apetito. Ojos hundidos. Reducción de la producción de orina y la frecuencia de micción.
  Hidratación en verano: por qué el alimento húmedo ayuda a tu gato
Como hemos comentado, los gatos tienen una tendencia natural a beber menos agua de la que realmente necesitan, una herencia de sus antepasados salvajes. Aunque no pierden tantos líquidos como los humanos a través del sudor, sí lo hacen en pequeñas cantidades mediante las almohadillas de las patas, la respiración y otros procesos fisiológicos.
  En verano, estas necesidades de hidratación aumentan, pero la mayoría de gatos no compensan este incremento bebiendo más agua. Por eso, incluir alimento o snacks húmedos en su dieta puede ser una gran ayuda para mejorar su hidratación durante los meses de más calor.
  El alimento húmedo presenta varias ventajas. La principal es su alto contenido en agua, que contribuye a la hidratación de forma indirecta. Además, es un alimento completo, con todos los nutrientes esenciales en sus proporciones adecuadas, igual que el pienso seco, pero con un mayor aporte hídrico.
  Su textura y aroma también resultan más apetecibles, lo que ayuda a estimular el apetito en gatos que comen menos debido al calor. Por otro lado, su consumo favorece la salud urinaria, ya que una mayor ingesta de líquidos produce una orina más diluida, lo que ayuda a reducir el riesgo de formación de cristales o cálculos.   Cómo aumentar la hidratación de tu gato: trucos muy efectivos
Ya hemos comentado que una de las formas más eficaces de aumentar el consumo de agua en los gatos es incluir alimento húmedo en su dieta. En estos casos, es importante reducir ligeramente la cantidad de pienso seco para evitar un exceso de calorías que pueda favorecer el sobrepeso. De esta manera, se incrementa la ingesta de humedad sin desequilibrar su alimentación, lo que repercute positivamente en su salud.
  Otra estrategia muy útil es el uso de fuentes de agua para gatos. El agua en movimiento suele resultarles más atractiva, ya que la perciben como más fresca y limpia, además de estimular su curiosidad natural. También ayuda disponer de varios recipientes de agua repartidos por la casa y asegurarse de que siempre estén limpios, frescos y disponibles.
  Además, algunos snacks húmedos, como sopas específicas para gatos o leche formulada para ellos, pueden contribuir a aumentar su ingesta total de líquidos de forma sencilla y apetecible.
  Por último, es importante tener en cuenta que, aunque todos los gatos son más vulnerables a la deshidratación en verano, existen grupos de riesgo especialmente sensibles: los gatos de edad avanzada, las gatas gestantes y aquellos con enfermedades renales, trastornos urinarios o diabetes. En estos casos, cobra aún más importancia reforzar la hidratación mediante alimento húmedo, pudiendo incluso añadir un poco de agua extra a su comida para aumentar aún más su aporte hídrico.
  Muchos no lo saben: aumentar la comida húmeda en verano ayuda a evitar la deshidratación en gatos - Cómo aumentar la hidratación de tu gato: trucos muy efectivos  Fuente: Experto Animal


English Section

Proteins

8 min reading

14/07/2026

Rethinking Protein in Pet Nutrition: From Traditional Sources to Alternative and Functional Proteins

In recent years, however, the discussion around protein has expanded significantly. Terms such as 'alternative proteins', 'novel proteins', and 'functional proteins' are increasingly used across the food and pet food industries. Much of this interest is driven by sustainability concerns and projections that global demand for protein will increase substantially as the human population approaches 10 billion by 2050 (FAO, 2022; OECD-FAO, 2023).
  This raises an important question: do we truly need entirely new protein sources to feed our pets, or should we focus on improving how we utilize the protein sources we already have?
  The answer likely lies somewhere in between. Traditional protein sources remain nutritionally robust, while emerging technologies and alternative ingredients offer opportunities to improve sustainability, functionality, and health outcomes—including effects on the gut microbiome.
Global Protein Demand and the Sustainability Debate   Projections toward 2050 suggest that global protein demand will rise sharply as the world population approaches 10 billion, with food demand expected to increase by about 60% (FAO 2018; FAO 2022; Henchion et al., 2017). At the same time, the global pet population continues to expand, with an estimated 900 million dogs and cats worldwide. Approximately 60% of these animals are concentrated in Europe, the United States, China, and Brazil.
  These trends have raised concerns about whether traditional livestock production alone can meet future protein needs. Critics often argue that feeding animal-derived proteins to pets competes with the human food supply and contributes to environmental pressures, such as land use, greenhouse gas emissions, and water consumption.
  However, the picture is more nuanced. A significant portion of animal-derived ingredients used in pet foods originates from rendered co-products of the human food system, including organ meats, trimmings, and fish processing residues. These ingredients represent an efficient form of nutrient recycling within the food supply chain (Boland et al., 2013).
  Advances in food processing technologies are also improving nutrient utilization, enabling greater recovery of proteins, peptides, and bioactive compounds from raw materials and by-products (Yuan et al., 2025). Improving how proteins are processed and utilized may therefore be as important as identifying entirely new protein sources.   Protein Requirements in Dogs and Cats   Protein requirements in companion animals are well established through decades of nutritional research. According to AAFCO guidelines (AAFCO 2026), the minimum protein requirement for adult dogs is approximately 18% on a dry matter basis, while growing puppies require 22.5%. Cats, as obligate carnivores, require higher protein intake, with minimum levels of 26% dry matter.
  In commercial diets, however, protein levels are typically higher. Many dry dog foods contain 22–32% protein, while cat foods often range from 30–40% protein. These levels reflect both nutritional needs and consumer expectations, as protein content has increasingly become associated with perceived diet quality.   Traditional Protein Sources: Still the Foundation   Animal-derived proteins remain central to pet nutrition because of their balanced amino acid profiles and high digestibility. Common ingredients include chicken meals, beef and lamb meals, fish meals, fish protein concentrations, and meat or organ by-products. These ingredients supply essential amino acids, such as lysine, methionine, and taurine and typically exhibit digestibility values around 85–90%, although digestibility can vary depending on the specific ingredient and processing conditions.
  Plant proteins also play a significant role in modern formulations. Ingredients such as soybean meals, pea protein, lentils, and chickpeas contribute valuable amino acids while offering flexibility and cost efficiency in formulation.
  Recent innovations in food processing have further improved plant protein functionality. Technologies such as fermentation, enzymatic hydrolysis, and advanced milling can increase digestibility while reducing anti-nutritional factors such as lectins and protease inhibitors (Yuan et al., 2025).
  These developments highlight an important point: innovation does not always require entirely new ingredients—sometimes it involves improving how existing ingredients are processed and utilized.   The Rise of Fresh and Minimally Processed Meat Ingredients   Over the past decade, the use of fresh meat or poultry has expanded significantly in dry pet food formulations. Many premium kibble products now incorporate fresh chicken, beef, or fish as part of their protein systems.
  In many cases, these fresh ingredients originate from mechanically deboned meat (MDM) or automated meat recovery (AMR) processes, which efficiently recover edible muscle tissue from carcasses after primary cuts have been removed. These ingredients provide highly digestible protein while improving palatability and consumer perception.
  Marketing narratives around 'fresh' ingredients have also been reinforced by the rapid growth of fresh and lightly cooked pet food formats. The fresh pet food market in the United States alone is estimated to exceed USD 3 billion and continues to grow (Packaged Facts, 2023). This trend illustrates how consumer expectations increasingly influence ingredient selection and processing strategies in the pet food industry.   The Rise of Alternative Proteins   While traditional proteins remain dominant, several emerging protein technologies are gaining attention.
  Insect Proteins
Insects, such as black soldier fly larvae, mealworms, and crickets are being explored as sustainable protein sources. Insect meals typically contain 40–65% protein and can be produced using relatively small amounts of land and water compared with conventional livestock production (van Huis, 2021).
  Insect proteins may contain bioactive compounds such as antimicrobial peptides and chitin that could influence immune function and gut health (Gasco et al., 2020). However, scaling production and achieving widespread consumer acceptance remain challenges.   Fermentation-Derived Proteins
Fermentation technologies represent another promising pathway. Microbial fermentation can produce single-cell proteins (SCP) using yeast, bacteria, fungi, or microalgae grown on various substrates (Matassa et al., 2016). These proteins can provide favorable amino acid profiles while requiring relatively small land footprints.
  Traditional fermentation methods—such as koji fermentation using Aspergillus oryzae—can also transform plant substrates into more digestible and nutritionally enhanced ingredients (Yuan et al., 2025). Advances in biotechnology now allow engineered microbes to produce specific peptides or proteins with targeted functional properties.   Cell-Cultured Proteins
Cellular agriculture represents one of the most technologically ambitious approaches to protein production. By culturing animal cells in controlled environments, it may eventually be possible to produce meat without traditional livestock production (Post, 2012). Although promising, this technology is still in its early stages—particularly for pet food applications—and faces challenges related to cost, energy use, and regulatory frameworks.   Protein and the Gut Microbiome
One of the most exciting areas linking protein nutrition and health is the gut microbiome.
  The gut microbiota plays a central role in digestion, immune function, and metabolic health in companion animals. Diet composition—including protein source and digestibility—can significantly influence microbial communities in the gastrointestinal tract (Handl et al., 2013).
  Highly digestible proteins reduce the amount of undigested nitrogen reaching the colon, minimizing the production of undesirable fermentation by-products, such as ammonia or biogenic amines.
  Conversely, certain peptides and amino acids may serve as substrates for beneficial microbial populations, contributing to the production of short-chain fatty acids and other metabolites that support intestinal health (Sandri et al., 2017).   Key Takeaways   The conversation around alternative proteins often frames the issue as a replacement of traditional proteins. Actually, the future of protein in pet nutrition will likely be more integrated and from this discussion, several key insights emerge:
  Traditional protein sources remain nutritionally efficient. Animal and plant proteins continue to provide reliable amino acid nutrition and will remain foundational ingredients in pet food.
  Alternative proteins expand the toolbox; insects, microbial fermentation, and cellular agriculture may complement existing protein systems.
  Processing technology and advances in fermentation, enzymatic modification, and ingredient recovery can improve nutrient utilization, reduce anti-nutritional factors, and enhance the functional value of protein ingredients.
  Consumer expectations are reshaping protein systems. The growth of fresh, minimally processed, and high-protein pet foods illustrates how market trends increasingly influence ingredient selection and processing technologies.
  Ultimately, the goal should not be to replace traditional proteins with alternatives but to develop a diverse and efficient protein ecosystem that supports sustainability, nutrition, and pet health. The key question is not only which proteins we choose, but how intelligently we use them. By Juan Gómez-Basauri, Ph.D. - MAGELLAN LLC
Source: All Pet Food Magazine   References
AAFCO 2026. Association of America Feed Control Officials. Official Publication Boland, M., Rae, A., Vereijken, J., Meuwissen, M. P. M., Fischer, A. R. H., van Boekel, M. A. J. S., Rutherfurd, S. M., Gruppen, H., Moughan, P. J., & Hendriks, W. H. (2013). The future supply of animal-derived protein for human consumption. Trends in Food Science and Technology, 29(1), 62-73.https://doi.org/10.1016/j.tifs.2012.07.002 FAO. 2018. The future of food and agriculture – Alternative pathways to 2050. Summary version. Rome. 60 pp. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.https://openknowledge.fao.org/handle/20.500.14283/i8429en FAO. 2022. The future of food and agriculture – Drivers and triggers for transformation. The Future of Food and Agriculture, no. 3. Rome.https://doi.org/10.4060/cc0959en Gasco, L., Gabriele Acuti, Paolo Bani, Antonella Dalle Zotte, Pier Paolo Danieli, Anna De Angelis, Riccardo Fortina, Rosaria Marino, Giuliana Parisi, Giovanni Piccolo, Luciano Pinotti, Aldo Prandini, Achille Schiavone, Genciana Terova, Francesca Tulli & Alessandra Roncarati (2020) Insect and fish by-products as sustainable alternatives to conventional animal proteins in animal nutrition, Italian Journal of Animal Science, 19:1, 360-372.https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/1828051x.2020.1743209 Handl S., German AJ, Holden SL, Dowd SE, Steiner JM, Heilmann RM, Grant RW, Swanson KS, Suchodolski JS. Faecal microbiota in lean and obese dogs. FEMS Microbiol Ecol. 2013 May;84(2):332-43. Epub 2013 Jan 24. PMID: 23301868.https://doi.org/10.1111/1574-6941.12067 Henchion, M. Hayes M, Mullen AM, Fenelon M, Tiwari B. Future Protein Supply and Demand: Strategies and Factors Influencing a Sustainable Equilibrium. Foods. 2017 Jul 20;6(7):53.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5532560/ Matassa, S., Boon N, Pikaar I, Verstraete W. Microbial protein: future sustainable food supply route with low environmental footprint. Microb Biotechnol. 2016 Sep;9(5):568-75. Epub 2016 Jul 8.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4993174/pdf/MBT2-9-568.pdf OECD/FAO 2023. OECD-FAO Agricultural Outlook 2023-2032, OECD Publishing, Paris.https://doi.org/10.1787/08801ab7-en. Post MJ. Cultured meat from stem cells: challenges and prospects. Meat Sci. 2012 Nov;92(3):297-301. doi: 10.1016/j.meatsci.2012.04.008. Epub 2012 Apr 11. PMID: 22543115.https://doi.org/10.1016/j.meatsci.2012.04.008 Sandri, M., Dal Monego S, Conte G, Sgorlon S, Stefanon B. Raw meat-based diet influences fecal microbiome and end products of fermentation in healthy dogs. BMC Vet Res. BMC Vet Res 2017; 13 (1):65.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5331737/ van Huis, A. Prospects of insects as food and feed. Org. Agr. 11, 301–308 (2021).https://doi.org/10.1007/s13165-020-00290-7 Yuan, Yi, Xinyao Wei, Yuhong Mao, Yuxue Zheng, Ni He, Yuan Guo, Ming Wu, Joseph Dumpler, Bing Li, Xu Chen, Xixi Cai, Jianping Wu, Yongqi Tian, Sihan Xie, Jeyamkondan Subbiah, Shaoyun Wang. Innovative Food Processing Technologies Promoting Efficient Utilization of Nutrients in Staple Food Crops, Engineering, Volume 50, 2025, Pages 229-244.https://doi.org/10.1016/j.eng.2025.04.014

Industry News

2 min reading

10/07/2026

Premier Tech Expands Facility in Mexico, Fuelling Growth in Latin America  

A strategic investment in a growing market
This investment reinforces Premier Tech's position in a strategic market where key industries continue to modernize.
  'Latin America is a high-priority region for Premier Tech, particularly in industries such as pet food and agribusiness, where production volumes are increasing and companies are investing in automation and efficiency, traceability, as well as operational reliability,' said Simon Roy, president and chief operating officer of Premier Tech Systems and Automation. 'This new site will allow us to foster long-term partnerships with our customers.'
  A larger facility to better support customers
The expanded site strengthens Premier Tech's integrated end-of-line offering, improving access to expert support, specialized training, advanced testing, and long-term lifecycle support, with a solution-oriented approach combining engineering expertise and customer focus.
  The facility is now 50% larger than before, totaling 1,500 m². Enhanced infrastructure, improved safety, and team-focused amenities ensure seamless operation while prioritizing the well-being of Premier Tech team members.
  'This new facility enhances our ability to support local customers, accelerate the adoption of advanced automation solutions, and expand our service capabilities, engineering expertise, and lifecycle services,' said Alexandre Molion, vice president — Latin America for Premier Tech Systems and Automation.   Building long-term momentum in Mexico
This milestone also highlights the value of the collaborative institutional support accompanying Premier Tech's growth in Mexico.
  'Premier Tech is a leading company that fully embodies the expertise, innovation and ability of Québec businesses to transform their industries, both at home and internationally. At the Québec Government Office in Mexico City, we are proud to work with the experts from Investissement Québec International to support ambitious companies like Premier Tech in their growth, diversification and expansion efforts in the Mexican market,' said Stéphanie Allard-Gomez, Québec's Delegate General in Mexico City. Source: Premier Tech

News

3 min reading

09/07/2026

Champion Petfoods Unveils $32M CAD Global Innovation and Discovery Centre  

Champion Petfoods announced the grand opening of its $32 million CAD Global Innovation and Discovery Centre, a state-of-the-art pilot facility located at its award-winning NorthStar Kitchen in Acheson, Alberta. This significant investment, made by parent company Mars, reinforces Champion's long-standing commitment to advancing Biologically Appropriate pet nutrition and solidifies its leadership in the global pet food industry.
  The new state-of-the-art Centre strengthens Champion's ability to develop, evaluate and refine new recipes, proprietary technologies and product concepts, serving innovation worldwide across all markets where Champion operates. Working in a nimble, small-footprint environment, the company's scientists, nutritionists, veterinarians and product developers can conduct controlled development work on nutrient-rich, market-specific recipes and new technologies for its acclaimed ORIJEN and ACANA brands before scaling them to its high-volume production Kitchens. This investment is part of a broader commitment, which includes an additional $15 million CAD planned for Champion's Canadian facilities over the next five years to enhance production, packaging and sustainability. This builds on the $591 million CAD invested over the past ten years to establish best-in-class pet food manufacturing in Canada.
  'The Global Innovation and Discovery Centre is a direct reflection of our BAFRINO mandate: our promise to craft food that is Biologically Appropriate, made with a variety of fresh, raw ingredients and to be never outdone,' said Stacey Osborn, President of Champion Petfoods. 'This facility empowers our Associates to push the boundaries of pet nutrition, developing nutrient-rich foods with the speed, safety and scientific rigour that pet lovers expect from us. It's an investment in the future of nutrition for cats and dogs and in our deep-rooted Canadian heritage.'
  The Centre reinforces Champion's commitment to its Alberta roots by leveraging the region's world-class agricultural network. By sourcing fresh ingredients regionally and nationally, Champion ensures its recipes are rich in nutritional value while supporting the local economy. The Centre also seeks to further Champion's sustainable upcycling efforts by enhancing the nutritional value of its ingredients through proprietary expertise. From freezing fish at the source to extracting oils, Champion uses ingredients and processing approaches to produce fresh kibble and freeze-dried recipes that deliver high-quality nutrition for dogs and cats.
  A cornerstone of Champion's innovation strategy is a strong partnership with leading academic institutions. Champion collaborates with scientists and veterinarians from the University of Calgary and the University of Guelph to pioneer evidence-based pet nutrition. To advance the entire industry, many of the findings from these university-led studies will be open-sourced, providing foundational knowledge for the future of pet health.
  'At Champion Petfoods, true innovation is driven by an uncompromising commitment to rigorous research and the high-quality ingredients,' said Jeff Johnston, Senior Vice President, Research, Innovation and Product Development at Champion Petfoods. 'This Global Innovation and Discovery Centre uniquely positions us to pioneer breakthrough recipes and proprietary technologies. By bridging evidence-based science with our world-class regional ingredient sourcing, we have the agility to rapidly test and perfect nutrient-dense foods that continue to set the global standard for pet health and nutrition.'
  By turning breakthrough science and discovery into tangible products in Parkland County, Champion Petfoods is helping to elevate Alberta as a premier global hub for pet nutrition innovation. Source: PETS+

Interviews

3 min reading

08/07/2026

Jerry Frankl on Innovation, Growth and APC’s Commitment to Customers

As President & CEO of APC, Frankl combines deep industry knowledge with a strong commitment to delivering value and supporting customer success. In this interview, he reflects on his professional journey, the evolution of APC, and the opportunities and challenges shaping the future of the animal nutrition industry.
APC has grown into a global reference in specialty ingredients. When you look at the company today, what evolution makes you most proud? And what keeps you ambitious?
What makes me most proud is how APC has grown from its early focus on plasma technology into a global leader in functional proteins. Since our founding in 1981, we have stayed committed to understanding how these ingredients can support animal health and performance, and that commitment has led to more than 700 peer reviewed studies.

Today, we are not only delivering high quality ingredients, but also providing insights backed by research, technical expertise, and real-world application.

What keeps me ambitious is the opportunity ahead. There is still so much to learn about how nutrition can support animal health, productivity, and sustainability. Our mission is to help animals thrive, and that continues to drive our investment in innovation and continuous improvement.
Many multinational companies talk about 'being close to the market.' For APC, what does regional presence truly mean in practice, especially in Latin America?
For APC, being close to the market means more than having a presence in the region. It means having the right people on the ground who understand local production systems, customer priorities, and day-to-day challenges.

In Latin America, this shows up in how our team works alongside customers, building relationships and staying engaged in their operations. That proximity allows us to respond quickly, offer practical support, and anticipate needs before they become challenges.

It also reflects how we operate as a company. We take ownership, stay connected, and focus on delivering real outcomes for our partners.
How is APC adapting its solutions to meet the specific needs and dynamics of customers across Latin America?
Latin America is a diverse region, and each market has its own set of needs and opportunities. Our approach is to listen first and then adapt.

We work closely with customers to understand their goals, whether that is improving performance, managing health challenges, or optimizing costs. From there, we apply our knowledge and research to help tailor solutions that fit their systems and conditions.

Our continued investment in research and development plays a key role here. With a strong scientific foundation, we are able to bring practical solutions that are supported by data, while still being flexible enough to meet local needs.
Latin America is a region of both volatility and opportunity. What makes it strategically attractive for APC at this moment in time?
Volatility is part of the reality in Latin America, but it is also a region with strong potential. Animal protein production continues to grow, and there is a clear focus on improving efficiency, animal health, and overall performance.

What makes the region especially attractive right now is the combination of that growth and the need for more advanced, functional solutions. Producers are looking for ways to do more with less, and that aligns well with what we offer.

As a global company with operations across multiple regions, we are able to bring both scale and local understanding to support our partners in Latin America as they continue to grow.
If we revisit this conversation in five years, what would success in Latin America look like for APC?
Success for APC in Latin America would mean being seen as a trusted partner that customers rely on, not just for products, but for support, insight, and long-term collaboration.

It would mean continuing to build on the strong team we already have in the region, while adding even more depth and expertise locally. Strong local teams are essential to staying close to our customers and supporting them in meaningful ways.

Most importantly, success would be measured by the impact we have in helping our customers improve performance, support animal health, and operate more efficiently. 

Ultimately, our success is reflected in the success and growth of our customers.
  With more than four decades of experience and a strong commitment to functional nutrition, APC continues to invest in solutions that support animal health, productivity and sustainable growth across the animal nutrition industry. Find out more at: www.apcproteins.com  
  By Jerry Frankl
Source: All Pet Food