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A importância da fibra na nutrição pet: Para além da digestibilidade
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A importância da fibra na nutrição pet: Para além da digestibilidade

Se o animal não as digere, quais são seus benefícios para a saúde dos pets?
As fibras são muito importantes para a saúde do sistema digestivo de cães e gatos. Elas ajudam a manter o intestino em equilíbrio e trazem vários benefícios para o organismo do animal, como o estímulo ao crescimento de bactérias benéficas, melhor controle da glicose no sangue, regulação do trânsito intestinal e fortalecimento da barreira de proteção do intestino.   Uma microbiota equilibrada
Uma microbiota equilibrada é fundamental para o bom funcionamento do intestino e impacta diretamente na saúde geral do animal. As fibras têm funções essenciais nesse quesito. Elas contribuem para o equilíbrio da microbiota — a comunidade de bactérias que vive no intestino — ajudando a manter as bactérias benéficas e a reduzir as indesejadas.
  Certos tipos de fibras funcionam como prebióticos, ou seja, servem de substrato para as bactérias saudáveis do intestino. Isso estimula o crescimento de microrganismos benéficos, como as Bifidobacterium spp. e Lactobacillus spp., e ao mesmo tempo, dificulta a proliferação de bactérias que podem ser patogênicas, como Clostridia e Escherichia coli.
  Fermentação de fibras e saúde intestinal   Quando as fibras são fermentadas pelas bactérias benéficas do intestino, elas produzem substâncias importantes chamadas ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). Um dos principais AGCC é o butirato, que serve como fonte de energia essencial para as células intestinais, ajudando a manter o intestino saudável e funcionando bem.   Controle glicêmico
A fibra ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, especialmente após as refeições, o que é útil para o manejo da hiperglicemia pós-prandial.
  As fibras solúveis formam um gel no intestino, aumentando a viscosidade do conteúdo digestivo. Isso é importante para o controle da glicose, pois retarda a chegada de açúcares como glicose, galactose e frutose ao intestino. Com isso, esses açúcares têm mais dificuldade em serem absorvidos pelas células do intestino, ajudando a evitar picos rápidos de glicose no sangue.
  Regulação do tempo de trânsito intestinal
A fibra também desempenha um papel importante na regulação do trânsito intestinal e na melhoria da consistência das fezes. A fibra insolúvel, como a celulose, aumenta o volume fecal, ajudando a evitar a constipação. Já a fibra solúvel retém água e pode amolecer as fezes, tornando-as mais fáceis de serem eliminadas.
  Alinhada à estratégia de melhoria da saúde intestinal do animal, um pilar fundamental na formulação da linha Bionatural é a presença de fontes de fibras insolúveis e solúveis, como fibra de cana-de-açúcar, fibra de mandioca, fibra de maçã e fibra de laranja, que favorecem a funcionalidade intestinal dos cães e gatos.
  Esses ingredientes são fontes de fibras provenientes de alimentos que se assemelham ao consumo humano, sendo oriundos de co-produtos com ótimo potencial nutricional e funcional. Por Ellen Freitas Marcena, Estudante de Medicina-Veterinária- USP/SP) - Embaixadora Special Dog Company. 
Fonte: Portal Pet Referências Bernaud, F. S. R., & Rodrigues, T. C.. (2013). Fibra alimentar: ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 57(6), 397–405. Moreno, A.A., Parker, V.J., Winston, J.A., et al. (2022). Dietary fiber aids in the management of canine and feline gastrointestinal disease. J. Am. Vet. Med. Assoc. National Research Council (NRC). Nutrient Requirements of Dogs and Cats. National Academies Press, 2006. Pinna, C., & Biagi, G. (2014). The Utilisation of Prebiotics and Synbiotics in Dogs. Italian Journal of Animal Science, 13(1). Roediger, W.E.W. (1980). Role of anaerobic bacteria in the metabolic welfare of the colonic mucosa in man. Gut, 21, 793–798. Swanson, K.S., Fahey, G.C. (2006). Prebiotic impacts on companion animals. In: Gibson, G.R., Rastall, R.A. (Eds.), Prebiotics: Development & Application. Chichester: John Wiley & Sons, Cap. 10. VETSMART. Estudo técnico sobre a linha Bionatural. Bionatural Prime, 05 set. 2024. PDF. Disponível em: https://www.bionaturalpet.com.br/assets/uploads/sobre/faca-o-download-do-nosso-03338-20240813110335.pdf Yvonne M. Cassidy, Emeir M. McSorley, Philip J. Allsopp, Effect of soluble dietary fibre on postprandial blood glucose response and its potential as a functional food ingredient, Journal of Functional Foods, Volume 46, 2018.

Proteína e alergias alimentares
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Proteína e alergias alimentares

Com que frequência os pets têm alergias alimentares?   Embora a prevalência mundial de alergias alimentares esteja aumentando entre as pessoas,1 esse tipo de alergia é considerado menos comum em cães e gatos. As alergias alimentares podem parecer mais comuns em pets, porque muitos outros problemas de saúde apresentam sintomas semelhantes.2-4

As estatísticas sobre a prevalência de alergia alimentar em pets podem se somar a essa percepção equivocada, pois os números variam de acordo com o motivo da consulta veterinária: apenas 1% dos gatos atendidos para um check-up geral de saúde foi diagnosticado com alergia alimentar, mas 21% dos gatos levados ao veterinário por conta de prurido cutâneo (coceira) tiveram o mesmo diagnóstico. 5,6     O que causa as alergias alimentares?   As alergias alimentares aparecem quando o sistema imunológico de cada animal individualmente responde a um alimento inofensivo como um 'invasor' nocivo. Essa resposta imune diferencia as alergias alimentares de intolerância alimentar ou de intoxicação alimentar — quadros que não envolvem o sistema imunológico.

Quando as alergias alimentares se desenvolvem, o fator desencadeante mais comum é uma proteína. Nenhuma proteína específica é hipoalergênica. Uma resposta alérgica é o resultado da reação imune de cada animal individualmente ao tamanho ou à estrutura de uma proteína, e tal reação é estimulada, em parte, pela exposição prévia à proteína.3, 7-9

Embora também haja relatos de que ingredientes como os grãos constituem uma das causas de alergias alimentares, estudos revelam que a parte proteica do grão, em geral, é responsável pelo desencadeamento da reação.10

Sendo assim, os grãos especificamente não estão entre os alérgenos alimentares mais relatados em cães ou gatos. Nos cães, os três principais alérgenos alimentares são proteínas da carne bovina, do leite e derivados ou da carne de frango.

Nos gatos, os alérgenos alimentares mais comumente relatados são provenientes da carne bovina, do frango ou do peixe.9     Qual o papel da nutrição em alergias alimentares?   O método diagnóstico considerado como o 'padrão-ouro' para os casos de alergia alimentar consiste em um teste de eliminação que combina uma fonte de proteína e uma fonte de carboidrato, as quais o pet não tenha sido exposto anteriormente.8 Estudos mostram que os testes alérgicos feitos com base em amostras de pele, sangue, saliva ou pelo não produzem resultados confiáveis. 11-14

A seleção de novas proteínas nem sempre é fácil. Novas fontes proteicas podem sofrer reação cruzada com o alérgeno original; além disso, muitos pets apresentam múltiplas hipersensibilidades alimentares.15,16 Além da necessidade de que as dietas sejam nutricionalmente completas e balanceadas, o ideal é que elas sejam fáceis de serem fornecidas durante um ensaio alimentar de 8 a 12 semanas ou possam ser usadas como uma dieta de manutenção a longo prazo.

A alimentação com dietas proteicas hidrolisadas pode oferecer uma estratégia conveniente, completa e balanceada do ponto de vista nutricional, para reduzir a alergenicidade dos alimentos.17-19   Como as proteínas hidrolisadas ajudam a controlar as alergias alimentares?   A hidrólise é um processo responsável pela degradação das proteínas em fragmentos menores. As proteínas 'hidrolisadas' são reduzidas a fragmentos muito pequenos. Esse processo altera o tamanho e a estrutura da proteína — fatores-chave na determinação da alergenicidade de uma proteína.

Em geral, as reações imunológicas adversas a um ingrediente alimentar exigem um alérgeno – tipicamente uma proteína – grande o suficiente para se ligar de forma cruzada com receptores na superfície de células imunes específicas. O tamanho e a estrutura alterados das proteínas hidrolisadas não fazem ligação cruzada com esses receptores da superfície celular e, portanto, não desencadeiam uma resposta imune.7  
Como um benefício adicional, as proteínas hidrolisadas possuem uma alta digestibilidade, o que pode reduzir as condições inflamatórias do intestino.20 Fonte: Purina Institute

Biscoitos assados utilizando plasma spray dried
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Biscoitos assados utilizando plasma spray dried

Introdução   O plasma spray dried (SDP) é um ingrediente rico em proteína utilizado em alimentos para pets, com propriedades funcionais de textura, aumento da palatabilidade e suporte à saúde sistêmica integral.   Objetivo   O objetivo do estudo foi avaliar como a inclusão de SDP impacta a textura e a palatabilidade de biscoitos assados utilizando glúten de trigo.   Metodologia   O estudo avaliou a palatabilidade e a textura de biscoitos assados utilizando 1% de SDP para substituir o glúten de trigo na fórmula Controle. O teste de palatabilidade foi conduzido com 20 cães durante 2 dias. Diferentes fontes de ingredientes e condições de processamento foram utilizadas em cada estudo, o que explica as diferenças na textura do produto final.

Os biscoitos assados foram preparados utilizando uma batedeira KitchenAid equipada com gancho para sovar massas, abertos manualmente até uma profundidade e tamanho definidos e, em seguida, assados até atingirem um nível de umidade inferior a 10%. Três lotes replicados de cada fórmula foram produzidos para análise em cada estudo.

A textura foi medida em um texturômetro TA.XT Plus utilizando uma ponte ajustável com uma sonda em formato de faca de ponta arredondada para o teste de flexão em 3 pontos. Biscoitos assados de 2 cm x 7 cm foram posicionados sobre o vão da ponte, espaçados a 2,5 cm, para medir a força máxima de quebra (dureza), fraturabilidade e rigidez, a fim de determinar a textura. Cinco biscoitos assados por tratamento foram analisados quanto à textura em cada lote replicado. Paquímetros digitais foram utilizados para medir as dimensões e o volume dos biscoitos.   Validação do conceito: fórmula de teste 
    Resultados: textura
    Resultados: palatabilidade
    Resumo   O SDP pode ser utilizado em formulações de biscoitos assados como auxiliar de processamento para influenciar a textura, dependendo da matriz de ingredientes, além de melhorar a palatabilidade. De modo geral, o SDP pode ser uma alternativa ao glúten de trigo para manter ou melhorar a qualidade do produto.   Por Joy Campbell e Angela Smith – APC
Fonte: All Pet Food Magazine

Além do alimento seco: aditivos funcionais no mercado pet food
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Além do alimento seco: aditivos funcionais no mercado pet food

Por Erika Stasieniuk

A resposta está na intersecção entre ciência nutricional, comportamento do consumidor e estratégia de mercado.   O que os tutores valorizam?   A crescente humanização dos animais de companhia transformou o olhar dos tutores sobre o alimento de seus pets. Hoje, eles não querem apenas saciar a fome, mas prevenir doenças, apoiar a saúde e promover bem-estar, espelhando as preocupações com a própria alimentação e saúde.
  Essa mudança de comportamento é confirmada por Hobbs Jr. e Anderson (2024), que investigaram as alegações de saúde que realmente agregam valor aos olhos do consumidor. Em um estudo com quase 1.600 alimentos secos para cães, os autores observaram que os tutores estão, sim, dispostos a pagar mais por benefícios específicos.
  A alegação de 'alívio de alergias', por exemplo, apresentou um prêmio de preço de até 22,7%. Alegações como 'saúde digestiva' e 'pele sensível' também mostraram correlação com maior valor percebido. Já termos genéricos como 'vitaminas e minerais' ou 'cuidado dental' foram associados a menor disposição de pagamento, indicando que são percebidos como atributos básicos e não diferenciais.
  Para a indústria, esses dados oferecem um direcionamento estratégico: alegações claras, específicas e com benefícios visíveis são mais valorizadas e podem justificar um posicionamento premium.   Aplicações de aditivos funcionais na nutrição de cães e gatos   Para que uma alegação funcional vá além do marketing, ela precisa estar respaldada por ingredientes com eficácia comprovada.
  Aditivos sempre integraram as formulações, seja com funções tecnológicas, sensoriais, nutricionais ou zootécnicas. Hoje, porém, seu papel vai além: tornaram-se também ferramentas estratégicas de diferenciação e valorização comercial.
  Prebióticos, antioxidantes naturais, ácidos graxos essenciais, entre outros, têm sido cada vez mais incorporados às formulações não apenas por sua funcionalidade técnica, mas também pelo apelo comercial que geram. Entre eles, destacam-se os ingredientes com efeito funcional sobre a saúde intestinal, como os mananoligossacarídeos (MOS), os frutoligossacarídeos (FOS) e a polpa de beterraba.
  De acordo com Singla e Chakkaravarthi (2017), prebióticos como inulina e FOS são fibras não digeríveis que servem de substrato para bactérias benéficas do intestino, como bifidobactérias e lactobacilos. Alguns estudos clássicos apontam seus benefícios:
  Equilíbrio da microbiota intestinal (Gibson e Roberfroid, 1995); Aumento da absorção de minerais como cálcio e magnésio (Scholz-Ahrens et al., 2007); Modulação da resposta imune (Lomax e Calder, 2009); Redução de compostos inflamatórios no cólon (Slavin, 2013).
  Os MOS são carboidratos funcionais extraídos da parede celular de leveduras, principalmente da Saccharomyces cerevisiae. Esses compostos atuam como aliados da saúde intestinal ao dificultar que bactérias patogênicas se fixem na mucosa. Isso acontece porque os MOS ocupam os sítios de ligação das células epiteliais, impedindo a adesão de microorganismos nocivos, mecanismo conhecido como exclusão competitiva. Além desse efeito protetor, os MOS estimulam células de defesa chamadas macrófagos, saturando os receptores de manose presentes nas glicoproteínas da superfície celular (Macari e Maiorka, 2000; Strickling et al., 2000).
  A polpa de beterraba, por sua vez, é uma fibra moderadamente fermentável, rica em fibras solúveis e insolúveis, ela contribui para o equilíbrio da microbiota, melhora a consistência das fezes e auxilia na regularidade do trânsito intestinal. Além disso, sua fermentação parcial no cólon gera ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o butirato, que servem como fonte de energia para os colonócitos e contribuem para a integridade da mucosa intestinal (Swanson et al., 2002).
  Logo, alegações como 'suporte à saúde digestiva' ou 'equilíbrio da flora intestinal' ganham consistência quando há ingredientes como inulina, FOS, MOS ou polpa de beterraba na formulação. Essa conexão entre funcionalidade e rótulo é essencial para gerar confiança e percepção de valor real.   Do ingrediente ao posicionamento de mercado   O desafio das marcas está em traduzir a complexidade técnica em mensagens claras, atrativas e acessíveis.
  Mais do que listar 'inulina' na composição, é possível destacar: 'fibra prebiótica natural da raiz de chicória, que favorece a saúde intestinal'.
  Essa abordagem educa o consumidor e fortalece a legitimidade da alegação funcional. Ingredientes funcionais não devem ser apenas listados, precisam ser transformados em diferenciais percebidos e valorizados.
  Outros exemplos relevantes:
  Ômega-3 (de óleo de peixe ou linhaça): associado à saúde da pele, brilho da pelagem e suporte articular; Vitamina E e selênio: antioxidantes naturais com ação sobre o sistema imunológico; Glucosamina e condroitina: frequentemente presentes em alimentos para cães idosos ou de raças grandes, sustentando a alegação de suporte às articulações.
  A eficácia comercial dessas promessas depende de três pilares:
  Do ingrediente funcional com base em evidência científica e na dosagem eficaz comprovada por estudos; Clareza e transparência na comunicação dos benefícios; Alinhamento entre proposta de valor e posicionamento de preço.   Oportunidades em um novo cenário   A busca por alimentos mais saudáveis, específicos e funcionais não é mais uma tendência: é o novo padrão do mercado pet food. 
  Em um mercado cada vez mais competitivo, as marcas que conseguem unir ciência, formulação e uma estratégia de comunicação eficazes estarão mais bem posicionadas para atender um consumidor cada vez mais exigente e bem informado.
  Prebióticos e outros aditivos funcionais, quando aplicados com conhecimento técnico e propósito definido, têm o potencial de transformar alimentos secos em verdadeiras ferramentas de saúde e bem-estar para cães e gatos. O mercado está aberto para marcas que oferecem mais do que nutrição, entregam confiança.
  A rotulagem ideal vai além de promessas atrativas: ela conquista o consumidor ao apresentar uma lista de ingredientes alinhada à ciência que sustenta cada alegação. Ao construir essa ponte entre formulação e comunicação transparente, a indústria avança em sua missão de promover uma vida mais longa e saudável para os cães e gatos. Por Marcos Borges S. Rosa, Marcela Lobo N. Lima e Erika Stasieniuk

Sobre os autores
Marcos Borges S. Rosa é Zootecnista, Pós-graduado em Nutrição de cães e gatos e Mestrando em Ciências Veterinárias pela UFU. Atua com atendimentos nutricionais para cães e gatos de forma presencial e online.  Contato: www.marcosnutripet.com | Instagram: @marcosbsrr
  Marcela Lobo N. Lima é médica veterinária, pós graduada em Nutrologia de Cães e Gatos pela Unyleya e atua como formuladora.  Contato: marcela.nasc21@hotmail.com | Instagram: @marcelanasc
  Erika Stasieniuk é Zootecnista, Doutora em Nutrição e Alimentação de Cães e Gatos pela UFMG, sócia-fundadora da SFA Consultoria e atua como consultora técnica no desenvolvimento de alimentos e ingredientes para cães e gatos.
Contato: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com | Instagram: @erikastasieniuk   Referências
Gibson, G. R., e Roberfroid, M. B. (1995). Dietary modulation of the human colonic microbiota: introducing the concept of prebiotics. The Journal of Nutrition, 125(6), 1401–1412. Hobbs Jr., L., e Anderson, A. (2024). Assessing Price Premiums of Health and Wellness Product Attributes in Pet Food: Implications for Product Positioning and Marketing Strategies. Lomax, A. R., e Calder, P. C. (2009). Prebiotics, immune function, infection and inflammation: a review of the evidence. British Journal of Nutrition, 101(5), 633–658. Singla, V.; Chakkaravarthi, S. (2017). Applications of prebiotics in food industry: A review. Food Science and Technology International 23(8) 649–667. DOI: 10.1177/1082013217721769. Macari, M.; Maiorka, A. Função gastrintestinal e seu impacto no rendimento avícola. In: CONFERÊNCIA APINCO'2000 DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 2000, Campinas. Scholz-Ahrens, K. E., et al. (2007). Prebiotics, probiotics, and synbiotics affect mineral absorption, bone mineral content, and bone structure. The Journal of Nutrition, 137(3 Suppl 2), 838S–846S. Slavin, J. (2013). Fiber and prebiotics: mechanisms and health benefits. Nutrients, 5(4), 1417–1435.Swanson, K. S., et al. (2002). Fruit and vegetable fiber fermentation by gut microflora from canines. Journal of Animal Science, 80(10), 2725–2734.

Novo Artigo Científico demonstra que o plasma spray dried contribui para um microbioma intestinal mais saudável em cães
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Novo Artigo Científico demonstra que o plasma spray dried contribui para um microbioma intestinal mais saudável em cães

A APC tem o prazer de anunciar a publicação de um estudo conduzido em parceria com o Departamento de Ciências Animais da University of Illinois, avaliando como o plasma spray dried incluído em alimentos secos apoia a saúde intestinal e a imunidade em cães. A saúde intestinal é amplamente reconhecida como um componente essencial do bem-estar sistêmico, por meio de vias como o eixo intestino-cérebro, e este novo artigo se soma às evidências sobre o papel do plasma no suporte a esse sistema. Os resultados mostram mudanças significativas nos perfis de metabólitos fecais, sugerindo um impacto benéfico no microbioma e um efeito positivo sobre a saúde intestinal.

Pesquisas anteriores em animais de laboratório já haviam relatado reduções na inflamação sistêmica, propriedades neuroprotetoras e mudanças benéficas na microbiota intestinal associadas ao uso de plasma. Estudos em outras espécies demonstraram melhorias sistêmicas, incluindo padrões que aumentam proporcionalmente ao nível de inclusão de plasma. O estudo em cães da University of Illinois amplia essa base, examinando a composição do microbioma e medidas relacionadas à inflamação em condições controladas.

'Entre diferentes espécies, continuamos observando um efeito sistêmico e positivo sobre a saúde intestinal', afirma Joy Campbell, Diretora Sênior de Serviços Técnicos Global para Pet Food da APC. 'Neste estudo com cães, observamos efeitos lineares relacionados ao nível de inclusão, o que demonstra potencial uso dessa tecnologia em alimentos, petiscos e suplementos funcionais comerciais para pets. Estamos muito satisfeitos em ver resultados tão positivos e impactantes neste estudo conduzido diretamente na espécie-alvo.'

Destaques da pesquisa incluem: 
  Desenho experimental com controles que reforçam a contribuição do plasma para a saúde intestinal  Estudo dos efeitos lineares da inclusão de plasma em dietas para cães  Resultados de digestibilidade de nutrientes, metabólitos fecais, microbioma e biomarcadores imunológicos relevantes para a saúde intestinal canina 
  O estudo completo, 'Effects of spray-dried plasma on nutrient digestibility, fecal metabolites, microbiota, and immune and inflammatory biomarkers in adult dogs', publicado no Journal of Animal Science, já está disponível em: https://academic.oup.com/jas/article-abstract/doi/10.1093/jas/skaf373/8313524 
. Para mais informações, visite www.apcpet.com. 

  Fonte: APC

Biocolina vegetal: Uma alternativa ao uso de cloreto de colina em alimentos para cães e gatos
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Biocolina vegetal: Uma alternativa ao uso de cloreto de colina em alimentos para cães e gatos

Por Erika Stasieniuk

Conhecida como vitamina B4, a colina é encontrada em praticamente todos os ingredientes utilizados na formulação de alimentos para cães e gatos, com maior disponibilidade nos produtos de origem animal, principalmente na farinha de vísceras de aves.

A classificação da colina como vitamina do complexo B é controversa, pois ela não participa do metabolismo como coenzima e é exigida em quantidades superiores às outras vitaminas do complexo B (Bertechini, 2013). Além disso, ao contrário das outras vitaminas do complexo B, a colina pode ser sintetizada no fígado pelos animais a partir do aminoácido serina, na presença de ácido fólico e vitamina B6, conforme destacado por Reis et al. (2012).

Considerando suas funções orgânicas, a colina não parece se encaixar perfeitamente na definição de vitamina, sugerindo que talvez ela deva ser considerada uma amina essencial (Bertechini, 2013).

A recomendação nutricional de colina para cães varia de 1.640 a 1.890g/1.000g de matéria seca de alimento. Enquanto para os gatos, a recomendação varia entre 2.400 e 3.200g/1.000g de matéria seca de alimento. Esses valores dependem da fase de vida e das necessidades energéticas de manutenção do animal, conforme FEDIAF (2021).

Essas recomendações geralmente são parcialmente atendidas pelos ingredientes utilizados na formulação dos alimentos. No entanto, dependendo da quantidade de ingredientes de origem animal, ainda pode ser necessário suplementar com cloreto de colina. Este sal composto é produzido por síntese química e amplamente utilizado na indústria de alimentos para animais.

De acordo com Leeson e Summers (2001), Combs Jr. (2008) e Rutz (2008), a forma em pó do cloreto de colina é altamente higroscópica e pode acelerar a degradação de outras vitaminas quando em contato com estas. Por outro lado, a forma líquida do cloreto de colina é altamente corrosiva, exigindo equipamentos especiais para manuseio e armazenamento (Mcdowell, 2000). Essas características tornam o manuseio do cloreto de colina na fábrica de alimentos ou premix desafiador, podendo comprometer sua pré-mistura com outros microingredientes e resultar na perda de vitaminas (Mallo e Paolella, 2017).

A colina é naturalmente encontrada nos alimentos, principalmente na forma de fosfatidilcolina. Essa substância é composta por dois ácidos graxos esterificados e a própria colina. Segundo Leeson & Summers (2001), Combs Jr (2008) e Rutz (2008), menos de 10% da colina presente nos alimentos é encontrada na forma livre ou como esfingomielina, que são análogos da fosfatidilcolina contendo esfingosina em vez de ácido graxo.

Além disso, a colina também está presente em plantas na forma de fosfatidilcolina, colina livre e esfingomielina. Atualmente, existem produtos naturais derivados de plantas selecionadas que possuem alto teor de colina na forma esterificada, oferecendo alta biodisponibilidade, o que pode ser uma importante alternativa ao uso de cloreto de colina sintético. 

Uma dessas fontes alternativas de colina, chamada de biocolina vegetal, são provenientes de extrato vegetais de plantas como Trachyspermum ammi, Citrullus colocynthis, Achyranthes aspera, Azadirachta indica, Acacia nilótica, Silybum marianum, Andrographis paniculata e Ocimum sanctum. Vale ressaltar que a composição das biocolinas vegetais comerciais disponíveis no mercado podem variar entre os seus fornecedores.

O fato de a biocolina vegetal apresentar baixa higroscopicidade é positivo, pois isso leva a menores perdas de vitaminas hidrossolúveis quando adicionada ao premix, comparado ao cloreto de colina. Isso se deve à diminuição do teor de água livre na mistura, resultando em um menor potencial reativo. Além disso, o excesso de água pode ocasionar problemas operacionais nas fábricas de alimentos para cães e gatos.

Embora haja poucos estudos em animais de companhia, a biocolina vegetal tem sido utilizada com sucesso em frangos de corte e galinhas poedeiras, demonstrando resultados favoráveis na conversão alimentar, produção e peso dos ovos (Chen, 2007; Calderano, 2015).

Em um estudo conduzido por Mallo e Paolella (2017) com 40 cães da raça beagle, foram avaliadas três dietas: uma com inclusão da fonte herbal de colina, outra com cloreto de colina e a terceira como controle negativo. Os resultados mostraram que não houve diferenças significativas na preferência dos cães pelas dietas, na qualidade e quantidade de fezes, nem no perfil proteico sanguíneo. No entanto, foi observada uma diminuição nos valores de triglicerídeos e HDL nas dietas com suplementação de colina em comparação ao controle negativo.

Já Mendoza-Martínez et al. (2022) realizaram um estudo com os seguintes tratamentos: dieta não suplementada (377 mg colina/kg), cloreto de colina (3.850 mg/kg equivalente a 2.000 mg de colina/kg de dieta), e biocolina vegetal ((200, 400 e 800 mg/kg) por 60 dias. Os resultados indicaram que a resposta foi semelhante com as duas fontes de colina, mas a biocolina vegetal demonstrou propriedades adicionais, como prevenção de doenças cardiovasculares e metabólicas, prevenção do câncer, resposta inflamatória e imune, além de influenciar o comportamento e processos cognitivos em cães.

Nascimento et al. (2022) concluíram que a biocolina vegetal avaliada pode substituir o cloreto de colina na nutrição de cães, pois não prejudicou o metabolismo lipídico e outras funções do organismo. Pelo contrário, observou-se melhora em algumas funções, especialmente pela redução significativa nas enzimas hepáticas, colesterol total e triglicerídeos.
  Por Erika Stasieniuk e Ludmila Barbi
  Erika Stasieniuk é Zootecnista e Doutora em Nutrição e Alimentação de cães e gatos pela UFMG. É sócia fundadora da SFA Consultoria que tem como objetivo ajudar as empresas de alimentos e ingredientes para cães e gatos a desenvolverem seus produtos e fabricarem um alimento seguro e de qualidade. Contato: erika_stasieniuk@sfa-consultoria.com

Ludmila Barbi T Bomcompagni é Médica Veterinária e Mestre em Nutrição e Alimentação de cães e gatos pela UFMG. É consultora nutricional pet food e atua como executiva de desenvolvimento de negócios na Celta Brasil, empresa especialista em aditivos adsorventes para o mercado de nutrição animal. Contato: ludmila.barbi@celtabrasil.com.br
  REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bertechini, A.G. Nutrição de Monogástricos – Lavras :Editora UFLA/FAEPE, p. 450, 2004.
Bertechini, A.G. Nutrição de monogástricos. Lavras: Ed. UFLA, 369p, 2013.
Calderano, A. A.; Nunes, R. V.; Rodrigueiro, R. J. B.; César, R. A. Replacement of choline chloride by a vegetal source of choline in diets for broilers. Ciência animal brasileira, v.16, n.1, p. 37-44, 2015.
Combs Jr. G.F. The Vitamins: Fundamental Aspects in Nutrition and Health. 3th ed. Cornell University, Division of Nutritional Sciences, 583p, 2008.
FEDIAF. The European pet food industry. Disponível em: https://europeanpetfood.org/self-regulation/nutritional-guidelines/, 2021.
Leeson, S.; Summers, J. COMMERCIAL POULTRY NUTRITION. 4 ed. Guelph: University Books, 2001
Mallo, G.D.; Paolella, M. Fuente Herbal de Colina em nutrición canina. Congresso Argentino de Nutrição Animal, Buenos Aires, 2017.
Mcdowell, L.R. Vitamins in animal and human nutrition, 2nd edição, Academic Press, 2000.
Mendoza-Martínez, G.D.; Hernández-García, P.A.; Plata-Pérez, F.X.; Martínez-García, J.A.; Lizarazo-Chaparro, A.C.; Martínez-Cortes, I.; Campillo-Navarro, M.; Lee-Rangel, H.A.; De la Torre-Hernández, M.E.; Gloria-Trujillo, A. Influence of a Polyherbal Choline Source in Dogs: BodyWeight Changes, Blood Metabolites, and Gene Expression, Animals, 12, 1313, 2022.
Nascimento, R.C.D.; Souza, C.M.M.; Bastos, T.S.; Kaelle, G.C.B.; Oliveira, S.G. D.; Félix, A.P. Effects of an Herbal Source of Choline on Diet Digestibility and Palatability, Blood Lipid Profile, Liver Morphology, and Cardiac Function in Dogs. Animals, 12, 2658, 2022.
Rutz, F. Absorção de vitaminas. In: MACARI, M.; FURLAN, R.L.; GONZALES, E. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. 2 ed. Jaboticabal: FUNEP/UNESP, p. 149-166, 2008.