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Transformando fornecedores em aliados de inovação na indústria pet food
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Transformando fornecedores em aliados de inovação na indústria pet food

Por Ludmila Barbi T. Bomcompagni

Matérias-primas como origem dos principais riscos   Nos últimos anos, muitos países registraram diversos episódios de recall em produtos destinados à alimentação animal, e a literatura científica confirma um padrão que o setor já conhece bem: a maioria das contaminações em pet food tem origem em matérias-primas mal monitoradas ou adquiridas sem histórico técnico adequado (Witaszak et al., 2020; Cheli et al., 2020). 
  A ocorrência crescente de micotoxinas como aflatoxinas, DON, fumonisinas e zearalenona, ou outros contaminantes em rações para cães e gatos demonstra que ingredientes agrícolas e subprodutos animais representam riscos concretos para a segurança e a qualidade do alimento (Witaszak et al., 2020). Esses dados reforçam algo essencial: não existe planta conectada sem fornecedor conectado.   Os limites do controle isolado nas fábricas   Quando um fabricante, especialmente industria menor, tenta construir um sistema de controle de qualidade isolado, sem colaboração técnica upstream, rapidamente encontra seus limites. Isso ocorre porque a variabilidade natural de ingredientes como milho, farinhas proteicas, subprodutos animais e óleos não pode ser completamente controlada apenas com inspeção no recebimento. 
  A literatura de segurança alimentar mostra que a especificação das matérias-primas é um dos pilares da prevenção de riscos, embora ainda seja negligenciada especialmente por fábricas menores (Cheli et al., 2020). Muitos fabricantes operam com descrições simplificadas das matérias-primas, sem limites analíticos, sem histórico estatístico e sem compreensão dos riscos específicos de cada origem ou safra.   O fornecedor como elo inteligente da cadeia   É justamente nesse ponto que o fornecedor se transforma não apenas em um vendedor de insumos, mas em verdadeiro elo inteligente da cadeia. Fornecedores tecnificados têm acesso a bancos de dados internos, análises por lote, curvas de variação, registros de safra, monitoramentos sazonais e processos industriais certificados. 
  Quando esses dados são compartilhados, o fabricante ganha acesso imediato a uma camada de inteligência que dificilmente conseguiria construir sozinho. E é essa troca estruturada de informações que caracteriza a planta verdadeiramente conectada, não apenas integrada internamente, mas estendida a toda a cadeia produtiva (Integrated Mycotoxin Management System, 2021; Aung & Chang, 2014).   Construção conjunta de especificações técnicas    A construção conjunta de especificações técnicas é um bom exemplo de como essa conexão muda o cenário. Especificações baseadas em dados históricos são significativamente mais eficazes na redução de desvios do que modelos genéricos aplicados a todas as origens (Cheli et al., 2020). 
  Um fornecedor preparado pode ajudar o fabricante a entender:
  a variabilidade natural dos ingredientes os limites de micotoxinas e outros contaminantes esperados por região as tendências de umidade e composição ao longo do ano os métodos analíticos adequados para cada risco
  Essa colaboração reduz rejeições desnecessárias, minimiza variações no processo e diminui custos de formulação.   Micotoxinas: um exemplo de parceria estratégica   No caso das micotoxinas, um dos contaminantes críticos para pet food, essa parceria se torna ainda mais estratégica. O BIOMIN Mycotoxin Survey e outros estudos demonstram que a ocorrência de aflatoxinas, DON e fumonisinas varia intensamente entre safras, regiões e condições climáticas, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e compartilhado (Cheli et al., 2020; Witaszak et al., 2020). Ou seja, um fabricante que analisa apenas o que chega à sua porta está sempre atrasado. Programas de monitoramento baseados em tendências sazonais são muito mais eficazes do que análises pontuais (Cheli et al., 2020). E quem melhor conhece essas tendências do que o próprio fornecedor, que acompanha desde o campo até o beneficiamento?   Rastreabilidade que nasce no fornecedor   A conectividade também se manifesta na rastreabilidade. Cada lote que chega à fábrica leva consigo uma história: origem, data de produção, tempo de estocagem, rota logística, análises laboratoriais e condições de processamento. 
  Quando o fornecedor disponibiliza esses dados de forma estruturada, seja por QR codes, relatórios digitais ou sistemas integrados,o fabricante passa a operar com velocidade e segurança muito superiores. A rastreabilidade upstream é um dos pontos mais frágeis da cadeia global de pet food, e a maneira mais eficiente de fortalecê-la é garantir que o fluxo de informações nasça no fornecedor (Aung & Chang, 2014).   Treinamento e capacitação como parte da conexão   Essa relação não se limita a documentos; ela se expande para a capacitação técnica. Muitos dos erros que levam pequenas fábricas a aceitar lotes irregulares são resultado de amostragem inadequada, interpretação errada de laudos ou desconhecimento dos riscos mais prováveis. Estudos mostram que treinamentos simples para equipes de recebimento já reduzem significativamente a entrada de matéria-prima fora de especificação (Integrated Mycotoxin Management System, 2021). 
  Quando o fornecedor oferece esse suporte, seja com treinamentos, consultorias ou visitas técnicas, ele está, na prática, elevando o nível de maturidade da planta, ajudando-a a operar como um sistema conectado mesmo sem grandes investimentos em tecnologia.   Ferramentas analíticas híbridas   Outro ponto em que a conectividade entre fornecedor e fabricante se traduz em inovação realista é o uso de ferramentas analíticas híbridas. Kits rápidos para triagem de micotoxinas, quando validados, apresentam boa correlação com métodos confirmatórios e são recomendados como parte de sistemas de triagem (Cheli et al., 2020). Pequenas fábricas podem adotar uma combinação eficiente: triagem rápida no recebimento, validação periódica em laboratório acreditado e relatórios analíticos contínuos fornecidos pelo parceiro upstream. Isso reduz desperdícios, acelera a tomada de decisão e permite uso mais inteligente dos recursos.   Conclusão   A literatura também evidencia que fábricas que operam com dados compartilhados de fornecedores têm melhor previsibilidade produtiva e menor variabilidade de custos (Integrated Mycotoxin Management System, 2021). 
  Quando fornecedor e fabricante operam como uma única rede de informações, a indústria ganha em segurança, previsibilidade, inovação e competitividade. O mercado global de pet food, cada vez mais exigente e sensível a riscos, depende exatamente dessa integração inteligente, que começa muito antes da linha de produção e termina no alimento seguro, rastreável e estável que chega ao comedouro. Por Ludmila Barbi Trindade Bomcompagni – All Pet Food
Fonte: All Pet Food Magazine
  Referências • Aung, M. M., & Chang, Y. S. (2014). Traceability in a food supply chain: Safety and quality perspectives. Food Control, 39, 172 184. https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2013.11.007 • Cheli, F., Campagnoli, A., Dell'Orto, V. (2020). Mycotoxin contamination management tools and efficient strategies in feed industry. Toxins, 12(8), 480. https://doi.org/10.3390/toxins12080480 • Witaszak, N., Waśkiewicz, A., Bocianowski, J., & Stępień, Ł. (2020). Contamination of Pet Food with Mycobiota and Fusarium Mycotoxins—Focus on Dogs and Cats. Toxins, 12(2), 130. https://doi.org/10.3390/toxins12020130 • Integrated Mycotoxin Management System in the Feed Supply Chain: Innovative Approaches. (2021). Toxins, 13(8), 572. https://doi.org/10.3390/toxins13080572

Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets
Bem-estar animal

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Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets

No mercado de alimentos para pets, saúde deixou de ser um diferencial e passou a ocupar o centro da estratégia de produtos premium. 
  Tutores estão cada vez mais atentos à nutrição e buscam opções que tragam benefícios funcionais e contribuam para o bem-estar e a longevidade de seus animais.
  Esse movimento acompanha a constante evolução do setor, influenciada por mudanças no comportamento do consumidor, transformações na cadeia de suprimentos e novas demandas do mercado.   O que mudou no conceito de 'premium'
Durante muito tempo, o termo 'premium' esteve diretamente ligado ao preço. Um alimento era considerado premium por custar mais do que produtos básicos da mesma categoria. 
  No entanto, esse conceito começou a perder força à medida que marcas do varejo tradicional passaram a oferecer ingredientes e atributos semelhantes aos das linhas premium.
  A expansão das marcas próprias premium acelerou ainda mais esse processo, tornando o preço um critério menos determinante. 
  Hoje, o que define um produto premium é, sobretudo, o valor percebido — especialmente quando relacionado à saúde.   Saúde vira sinônimo de alimento premium
Segundo Sahiba Puri, gerente global de insights em pet care da Euromonitor, a saúde, incluindo a prevenção de problemas, tornou-se o principal pilar da premiumização. 
  Isso explica porque alegações funcionais e nutricionais aparecem em produtos de diferentes categorias e faixas de preço.
  Durante o Petfood Forum Asia 2025, Puri apresentou dados que mostram as principais alegações presentes em produtos pet vendidos online. 
  'Natural' e 'saudável' lideram o ranking, seguidas por claims mais específicos, como 'sem grãos', 'alto teor de proteína' e 'boa fonte de vitaminas'.   Reflexo de hábitos humanos
Essas alegações permanecem relativamente estáveis ao longo dos anos, o que indica familiaridade e satisfação dos tutores com os resultados percebidos. 
  Outro ponto relevante é que os claims mais valorizados em alimentos para pets refletem escolhas feitas pelos próprios consumidores em sua alimentação.
  Em pesquisas globais, a Euromonitor identificou que tutores de pets tendem a priorizar atributos de saúde e nutrição não apenas ao comprar ração, mas também ao escolher alimentos para si mesmos.
  O destaque para 'alto teor de proteína' exemplifica bem essa convergência entre alimentação humana e animal. 
  Claims como 'alto teor de carne' ou 'carne fresca' também funcionam como indicadores de qualidade nutricional para muitos tutores.
  Segundo especialistas do setor, há cerca de 20 anos, qualquer inclusão de carne fresca já era considerada premium. 
  Hoje, níveis em torno de 30% se tornaram padrão. Já dietas com mais de 50% ou 70% de carne fresca entram claramente na categoria premium, por envolverem formulações mais complexas e maior percepção de valor por parte do consumidor.
  Seja por meio de proteína elevada, carne fresca ou outros ingredientes funcionais, as alegações relacionadas à saúde devem continuar em alta. 
  Cada vez mais, os tutores enxergam a nutrição como base da saúde dos pets — e a saúde como o principal motor da premiunização no mercado.
  FAQ sobre saúde e premiunização dos alimentos pets
Por que a saúde se tornou central nos alimentos premium para pets?
Porque os tutores passaram a associar nutrição de qualidade à prevenção de doenças e ao bem-estar a longo prazo.
  O que hoje define um alimento pet como premium?
Mais do que o preço, pesam atributos como qualidade nutricional, ingredientes funcionais e benefícios à saúde.
Por que proteína e carne fresca são tão valorizadas?
Esses ingredientes refletem tendências da alimentação humana e são percebidos como sinônimo de qualidade e valor nutricional. Fonte: Cães & Gatos

Nutrição de pets na velhice precisa mudar, alerta especialista
Bem-estar animal

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Nutrição de pets na velhice precisa mudar, alerta especialista

A veterinária especialista em medicina esportiva e reabilitação Dr. Kelly Fishman alerta sobre como as necessidades nutricionais dos animais idosos estão mudando e por que as dietas sênior tradicionais podem não ser as mais adequadas. De acordo com a especialista, o envelhecimento varia conforme o porte do animal.    Cães de pequeno porte entram na meia-idade por volta dos 10 anos e se tornam idosos entre 11 e 13 anos. Já os cães grandes chegam à meia-idade aos sete anos e passam à fase sênior entre oito e 11 anos.  Os gatos seguem um padrão semelhante ao dos cães pequenos, tornando-se idosos por volta dos 11 a 13 anos.   Apesar de muitos tutores associarem o envelhecimento a doenças internas, a principal preocupação atualmente é a fragilidade física.  'Os cães começam a apresentar dificuldades de mobilidade: têm mais dificuldade para entrar no carro, subir e descer escadas, escorregam em pisos lisos e já não conseguem fazer caminhadas como antes. Internamente, muitas vezes, eles estão perfeitos', afirma a Dra. Kelly Fishman.   Com a maior longevidade, novas doenças também vêm sendo observadas. Um exemplo é a GOLPP — paralisia laríngea de início geriátrico associada à polineuropatia — comum em cães de grande porte, como labradores e golden retrievers.  'É uma doença que nós, veterinários, quase não víamos há cerca de 10 anos, mas que hoje observo com frequência nos meus pacientes de grande porte', relata a especialista.   A veterinária também faz um importante alerta sobre os alimentos formulados para pets idosos. Segundo ela, a redução de proteína nesses produtos pode ser prejudicial.  'Quando as pessoas acham que estão fazendo a coisa certa ao oferecer uma ração sênior, acabam reduzindo proteína e gordura. Ao mesmo tempo, esse cão idoso está perdendo músculo. Ele tem sarcopenia. Na prática, estão fazendo exatamente o oposto do que deveriam', explica.    De acordo com a especialista, cães idosos saudáveis podem precisar de até o dobro de proteína em relação aos adultos. Quando o assunto é suplementação articular, o destaque vai para os ácidos graxos ômega 3.  'Os ômega 3 têm comprovação científica muito sólida no auxílio à mobilidade de cães com artrite e também de gatos. É o suplemento número um que eu recomendo', afirma a Dra. Kelly.    Para pets sensíveis ao óleo de peixe, o mexilhão de lábios verdes, da Nova Zelândia, surge como alternativa natural. A nutricionista veterinária ressalta ainda que diferentes condições articulares exigem abordagens distintas.    Enquanto o ômega 3 é indicado para animais com artrite, o colágeno tipo 2 é mais apropriado para cães ativos sem doença articular, auxiliando na prevenção da inflamação da cartilagem.  Já o colágeno bovino pode beneficiar tanto articulações quanto a saúde da pele. O suporte à musculatura também é essencial na velhice. Ingredientes como o fortetropin, segundo a especialista, têm comprovação científica na preservação e no ganho de massa muscular em cães e gatos idosos, ajudando a minimizar a fragilidade.   Outro ponto de atenção destacado é a falta de regulação do mercado de suplementos para pets.  'Um suplemento pode dizer qualquer coisa. Eles podem fazer praticamente qualquer alegação. Ao mesmo tempo, nem sempre o que está no rótulo corresponde ao que realmente está no produto', alerta. Por fim, a veterinária defende que a classe veterinária esteja mais aberta ao diálogo sobre diferentes tipos de alimentação, além da ração tradicional.    'Como comunidade veterinária, eu espero que a gente não descarte tanto dietas frescas, congeladas, levemente cozidas ou liofilizadas. Muitas pessoas querem discutir alternativas além da ração, e é nosso papel aprender mais sobre o que devemos, de fato, oferecer aos nossos cães', conclui.   Fonte:  Cães & Gatos

"Porque é que o meu cão sofre de obstipação?" e outras perguntas de natureza gastrointestinal
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"Porque é que o meu cão sofre de obstipação?" e outras perguntas de natureza gastrointestinal

"O que define a obstipação?" e "Porque é que o meu cão tem obstipação?" são perguntas muitas vezes feitas pelos tutores de animais de companhia. No extremo oposto do espetro gastrointestinal (GI) encontra-se a diarreia, e ambas podem ser desagradáveis e ter muitas causas subjacentes. Ambos os problemas gastrointestinais podem causar letargia, edema e desconforto extremo em cães. Embora proporcionar ao seu cão uma alimentação nutricionalmente equilibrada e evitar uma gastroenterite (como comer algo do lixo, ingerir brinquedos ou restos de comida) possa minimizar os problemas gastrointestinais, a obstipação e a diarreia são condições comuns a que os tutores de animais de companhia devem estar atentos e saber quando é altura de consultar o veterinário. O seu veterinário pode ajudar a identificar a causa da obstipação ou diarreia do seu cão e a melhor forma de a tratar.   O que é a obstipação? A maioria dos cães tem um padrão diário habitual de movimentos intestinais. Provavelmente já conhece bem este padrão pelo número de sacos que o seu animal de companhia utiliza quando o leva a passear. Manter um registo dos hábitos normais do seu cão pode ajudá-lo a identificar quando existe algo errado. Antes de perguntar "Porque é que o meu cão sofre de obstipação?", deve saber identificar os sinais. A obstipação refere-se à eliminação pouco frequente ou difícil das fezes. As fezes são frequentemente duras e secas e podem conter sangue. Um cão que defeca ocasionalmente uma ou duas vezes menos do que o habitual geralmente não é motivo de alarme, mas se o seu cão não defecar há mais de um dia e mostrar sinais de esforço ou falta de apetite, contacte o seu veterinário.   Porque é que o meu cão sofre de obstipação?   A pergunta relativamente ao motivo pelo qual o seu cão sofre de obstipação pode ter muitas respostas. Um exame físico realizado pelo veterinário, bem como exames complementares como raio-X, podem ajudar a descobrir ou a excluir os seguintes problemas: Ingestão de corpos estranhos (roupa, brinquedos, ossos, pedras, erva, pelo, cabelo humano) Movimento intestinal lento Desidratação Bolas de pelo a bloquear o ânus Aumento da glândula prostática em cães machos Hérnias (quando uma lesão ou esforço empurra uma pequena parte de um órgão interno através do músculo que o envolve) Tumor ou massa no trato intestinal Sacos anais infetados ou impactados Efeito secundário de medicamentos Condições ortopédicas e neurológicas, como artrite, que afetam a capacidade do cão se agachar   Fonte: Hill's Pet