Nos últimos anos, ocorreram inovações e novos desenvolvimentos no campo dos materiais de embalagem para aplicações em máquinas empacotadoras verticais do tipo VFFS (vertical form, fill, seal). Esses desenvolvimentos foram impulsionados pelos compromissos ambientais corporativos de grandes multinacionais e por requisitos de sustentabilidade e reciclagem específicos de cada país.
 

Princípio de funcionamento de uma empacotadora VFFS: 1. Desbobinamento, 2. Formação, 3. Correias de tração do filme, 4. Selagem longitudinal, 5. Selagem horizontal, 6. Dosagem do produto, 7. Movimento do filme, 8. Corte, 9. Entrega da embalagem pronta 


Na América Latina, novas legislações sobre o tema vêm sendo implementadas. O Chile, por exemplo, tem estado na vanguarda da região com a Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor, conhecida como 'Lei REP'. Ela obriga empresas fabricantes e importadoras a organizar e financiar a gestão dos resíduos dos produtos que comercializam no país. Seu objetivo é incentivar a reciclagem, minimizar a geração de resíduos e promover a economia circular sob o princípio de que 'quem polui, paga'. Nos demais países da região, seguem-se caminhos semelhantes, cada um com suas particularidades.

Na Europa, a legislação avança, mas não sem contratempos, em grande parte relacionados à falta de conhecimento e de definições claras. Particularmente na Alemanha, há grande interesse por aplicações à base de papel. As embalagens que respeitam a proporção de 95% de papel podem aproveitar a infraestrutura existente de coleta e reciclagem. Nessa linha, foram desenvolvidos materiais com diversos tipos de barreiras de proteção contra umidade, gorduras etc. Essas soluções ficaram restritas a produtos secos, sem grande necessidade de proteção, como massas secas, farinhas, grãos e cereais. Nesse caso, propriedades inerentes ao papel, como sua capacidade isolante, sua tendência ao rasgo e sua falta de elasticidade, colocaram à prova a capacidade de adaptação dos fabricantes de máquinas e materiais.

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Caso de sucesso

 

Quanto às soluções à base de polímeros, estas são, em geral, as mais adequadas aos interesses da indústria mundial de pet food. Oferecem as melhores propriedades de proteção ao produto, com impacto limitado na aparência da embalagem. Além disso, para diferentes exigências de barreira, já existem soluções à base de polímeros capazes de substituir até mesmo o alumínio como barreira ao oxigênio.

Nas soluções à base de polímeros, podemos distinguir duas correntes principais. 

Em primeiro lugar, estão aquelas que buscam utilizar monomateriais. Por exemplo, o uso de monofilmes ou laminados de um único tipo de polímero, como os à base de polietileno. Uma aplicação recente bem-sucedida no Brasil buscou manter as propriedades de uma camada externa com maior ponto de fusão, utilizando MDOPE (polietileno orientado), combinada a uma camada interna de polietileno com aditivos para reduzir o ponto de fusão. Nesse caso, surgiram desafios decorrentes dos coeficientes de atrito interno e externo do filme, que limitavam sua maquinabilidade, além de uma janela operacional muito estreita em relação às temperaturas de selagem. Por meio de trabalho conjunto com o fornecedor do filme, chegou-se a uma formulação que modificou os coeficientes de atrito, permitindo que o material fosse tracionado de forma eficaz pelas correias de tração, as quais precisaram ser modificadas para minimizar deslizamentos. A selagem pôde ser viabilizada graças a pressões de selagem monitoradas eletronicamente, geometrias e materiais especiais para os mordentes, além de tempos de selagem precisos.

Em segundo lugar, estão as soluções que buscam manter o laminado composto por polímeros da mesma família, como é o caso das poliolefinas, que permitem sua reciclagem em conjunto.

Uma aplicação típica é a utilização de camadas externas à base de polipropileno e camadas internas de polietileno. Aqui, as janelas de trabalho também se estreitam em comparação com um filme tradicional de PET/PE, mas geralmente são melhores do que nos monomateriais. O aspecto do filme também costuma ser melhor, com maior brilho, embora se deva considerar a maior tendência ao rasgo do polipropileno em comparação com o PET. Novamente, esses materiais exigem ajustes nas pressões, nos materiais dos mordentes e nos tempos de selagem, que não necessariamente são os mesmos utilizados em monomateriais.

Claramente, estamos diante de uma evolução permanente de novos materiais, que evidencia a necessidade de colaboração entre fabricantes de filme, fornecedores de equipamentos e marcas interessadas em aplicar essas novas tecnologias em prol da sustentabilidade.

Um capítulo à parte merece aquilo que, no fundo, é o maior obstáculo oculto do problema: a falta de infraestrutura em muitos países, especialmente na Ásia e na América Latina, para coletar e reciclar esses materiais. Isso transforma os esforços de governos e empresas em algo sem sentido. Apostamos que esse cenário mude e que consigamos colocar no mercado produtos sustentáveis que realmente contribuam para reduzir a pegada ambiental.



Por Clivio Solutions
Fonte: All Pet Food Magazine


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