Nesse contexto, fontes inorgânicas, como sulfatos, e fontes quelatadas, como proteinatos, apresentam comportamentos distintos durante a produção, o armazenamento e a digestão. Os minerais inorgânicos tendem a se dissociar mais facilmente, liberando íons suscetíveis a interações com componentes da dieta. Já os proteinatos estão associados a ligantes orgânicos, como aminoácidos e peptídeos, formando estruturas mais estáveis. Ainda assim, nem todos os minerais quelatados são equivalentes, pois o tipo de ligante e o processo de produção podem modificar a estabilidade da ligação e, consequentemente, sua funcionalidade.
Essa diferença torna-se especialmente importante durante a digestão. A biodisponibilidade não depende apenas da absorção intestinal, mas também da quantidade efetivamente retida e utilizada pelo organismo. Em gatos adultos, a comparação entre zinco fornecido como sulfato ou fonte quelatada mostrou que, embora a fonte inorgânica tenha produzido maior pico de absorção plasmática em determinadas condições, o mineral quelatado apresentou maior retenção. Assim, uma maior concentração plasmática após a ingestão não significa necessariamente melhor aproveitamento do nutriente.
Resultados semelhantes sobre a eficiência das fontes foram observados em cães em crescimento. Em um experimento com 24 filhotes acompanhados durante 150 dias, fontes inorgânicas foram comparadas com proteinatos fornecidos em 100%, 70% e 40% das recomendações de referência. A suplementação correspondente a 70% da recomendação foi suficiente para manter o status mineral, o desenvolvimento ósseo, a atividade antioxidante e o crescimento dentro da normalidade, reforçando que a eficiência da suplementação deve considerar não apenas a quantidade adicionada, mas também a capacidade de utilização da fonte pelo organismo.
Além da biodisponibilidade, evidências recentes sugerem que a fonte mineral pode influenciar o ambiente intestinal. Em cães adultos alimentados com dieta rica em fitato, a suplementação com proteinato ou sulfato de zinco não alterou a diversidade global da microbiota, mas modificou a abundância de grupos bacterianos específicos. O zinco orgânico foi associado à maior abundância de Firmicutes e menor abundância de Proteobacteria e Bacteroidetes. Apesar dessas alterações, não houve diferenças nos produtos finais da fermentação fecal, e os próprios autores destacam que as implicações dessas mudanças para a saúde dos cães ainda precisam ser esclarecidas.
Em gatos adultos, por sua vez, a substituição de fontes inorgânicas por microminerais orgânicos produziu alterações na microbiota e em indicadores relacionados à saúde intestinal. Após 28 dias, os animais que receberam fontes orgânicas apresentaram maior abundância de Bacteroidota, Lachnospiraceae e Prevotella, além de alterações na diversidade microbiana. Também foram observadas menores concentrações de marcadores pró-inflamatórios, incluindo TNF-α, IL-1β e MCP-1, em comparação com o grupo que recebeu exclusivamente fontes inorgânicas. Esses resultados ampliam a discussão sobre microminerais, indicando que seus efeitos podem ir além do atendimento das exigências nutricionais e envolver interações com a microbiota, o metabolismo e a resposta inflamatória.
Ao mesmo tempo, a escolha da fonte mineral pode influenciar a estabilidade do próprio alimento. Ferro e cobre, quando presentes em formas mais reativas, podem catalisar reações oxidativas, favorecendo a degradação de vitaminas, antioxidantes e lipídios. Em premixes, fontes inorgânicas na forma de sulfatos foram associadas a maiores perdas de acetato de retinol e colecalciferol durante o armazenamento, enquanto proteinatos favoreceram maior retenção dessas vitaminas.
Essa questão ganha ainda mais importância nos alimentos secos, nos quais a oxidação lipídica pode comprometer o odor, o sabor, o valor nutricional e a vida de prateleira. Em alimentos extrusados para gatos, fontes inorgânicas e proteinatos de ferro, cobre e zinco foram avaliados durante 365 dias. Na extrusão, ocorreram perdas de ácidos graxos e antioxidantes independentemente da fonte mineral, indicando que sua substituição, isoladamente, não evita os efeitos oxidativos do processamento térmico.
Durante o armazenamento, entretanto, as diferenças foram mais evidentes. Dietas contendo proteinatos apresentaram maior retenção de antioxidantes sintéticos e menores valores de peróxidos em comparação às suplementadas com minerais inorgânicos. Além disso, após 180 e 360 dias, os gatos demonstraram maior preferência pelas dietas contendo fontes orgânicas em relação às formulações equivalentes com fontes inorgânicas. Embora a palatabilidade seja multifatorial, a menor deterioração oxidativa pode contribuir para preservar as características sensoriais do alimento.
Dessa forma, a escolha da fonte mineral deixa de ser apenas uma decisão voltada ao atendimento das exigências nutricionais e passa a integrar uma estratégia mais ampla de formulação. As evidências disponíveis indicam que proteinatos podem favorecer a utilização mineral, modular aspectos da microbiota intestinal e reduzir a reatividade na matriz alimentar, contribuindo para a estabilidade dos nutrientes e a vida de prateleira. Entretanto, esses benefícios não devem ser generalizados para todos os minerais quelatados, pois diferenças de estrutura, ligante e processo de produção podem alterar significativamente seu desempenho.
As evidências apresentadas mostram que a escolha da fonte mineral pode impactar não apenas o aporte nutricional, mas também a utilização dos nutrientes pelo organismo e a estabilidade do alimento. Nesse contexto, o Bioplex®, linha de minerais orgânicos da Alltech na forma de proteinatos, foi desenvolvido para oferecer maior biodisponibilidade e eficiência nutricional, contribuindo para aspectos como pele e pelagem, desenvolvimento e suporte ao sistema imune.
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Fonte: Alltech
Fontes
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