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Ingredientes premium impulsionam avanço da nutrição pet
 
Nutrição

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Ingredientes premium impulsionam avanço da nutrição pet  

Em plena expansão, o mercado pet food na América Latina pode gerar um volume de cerca de US$40 bilhões, de acordo com um estudo da Triplethree International. 
  Acompanhando esse crescimento, o Brasil tem se destacado por sua forte capacidade produtiva. Contando com empresas que operam em larga escala, o país se consolida como um dos principais polos globais de produção de alimentos para pets do mundo. É dentro deste mercado que os ingredientes premium ganham um espaço de destaque. 
'Contendo nutrientes melhores, eles geram alta digestibilidade, têm maior densidade nutricional e controle de qualidade mais rigoroso', explica Marjorrie Augusto de Souza, médica-veterinária e professora de nutrição animal do Arnaldo Centro Universitário, de Belo Horizonte. 
  Escolhidos por cuidadores que buscam mais longevidade e saúde para seus pets, as dietas premium utilizam, principalmente, proteínas de origem animal, como carne de frango, boi e porco, além de cordeiro, peixe, ovos, farinhas de vísceras e de carne e ossos. 
  Em alguns casos, os alimentos seletos incluem proteínas vegetais, como farelos de glúten, de milho e de trigo, e proteínas alternativas, que vêm da ervilha, da lentilha e dos insetos. 
  'Essas proteínas possuem alto valor biológico, são mais fáceis de digerir e melhor aproveitadas pelo organismo. Isso ajuda a manter a massa muscular, eleva a condição corporal e reduz o volume de alimento ingerido e do odor das fezes', diz Marjorrie. 
  'Temos também outros ótimos ingredientes premium, como prebióticos frutooligossacarídeos e mananoligossacarídeos, fibras e antioxidantes naturais, que ajudam no equilíbrio intestinal, promovem a modulação da microbiota, reduzem o estresse oxidativo e fortalecem a imunidade e a saúde da pele e da pelagem', completa.
Ascensão do segmento premium
Com o crescimento deste mercado, a preocupação com uma maior seleção de ingredientes tem sido bastante observada nas indústrias de pet food. 
  'É comum agora que os ingredientes usados dentro da nutrição premium usem menos corantes artificiais e conservantes artificiais, sejam funcionais e nutracêuticos', conta a médica-veterinária. 
  Todo esse investimento tem sido justificado por estudos que comprovam que os animais alimentados com dietas de qualidade elevada podem apresentar melhor digestão, fezes de melhor qualidade, além do progresso da microbiota intestinal, da pele, da pelagem e da condição corporal. 
  Apesar das comprovações, ainda existem mitos quando falamos de ingredientes premium. 
  'É comum achar que subprodutos são sempre ruins quando muitos têm bom valor nutricional. As vísceras, por exemplo, são altamente nutritivas, ricas em vitaminas e minerais. Também existe a ideia de que proteína vegetal é inferior, o que nem sempre é verdade. Se for associada a proteína animal, é possível manter o perfil de aminoácidos necessário à síntese proteica do animal', explica a docente.     A importância da prescrição adequada
Enquanto a indústria tem buscado mais transparência nos rótulos, preocupação com sustentabilidade e produtos específicos às demandas dos animais, o médico-veterinário surge com um papel importante: ajudar o responsável a escolher a melhor alimentação, interpretando os rótulos com base em critérios técnicos e não apenas em marketing. 
  'Indicar dieta conforme espécie, idade e condição clínica do animal, e educar os cuidadores também faz parte do papel do profissional da veterinária', conclui Marjorrie.    FAQ sobre ingredientes premium 
Quais são os principais benefícios de dietas com maior qualidade?
Esses alimentos ajudam a melhorar a digestão e a microbiota intestinal, e ainda favorecem a saúde da pele, da pelagem e a manutenção da massa muscular. 
  O que caracteriza um ingrediente premium na alimentação de cães e gatos?
É aquele com maior qualidade nutricional, alta digestibilidade e controle rigoroso de qualidade. 
  Proteínas vegetais e subprodutos são sempre inferiores nas dietas premium?
Não. Subprodutos, como vísceras, podem ser altamente nutritivos, ricos em vitaminas e minerais. Já as proteínas vegetais, quando associadas às de origem animal, podem garantir o perfil adequado de aminoácidos necessário para o organismo do animal. Fonte:  Cães & Gatos

Alimentação inadequada ainda atinge 70% dos filhotes de cães e gatos no Brasil
 
Nutrição

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Alimentação inadequada ainda atinge 70% dos filhotes de cães e gatos no Brasil  

Todos os anos, cerca de 15 milhões de pets nascem no Brasil, segundo estimativas de mercado. 
  Apesar desse número expressivo, ainda é comum que filhotes recebam alimentação destinada a animais adultos, prática que pode comprometer o crescimento e o bem-estar.
Esse período inicial é considerado determinante para o desenvolvimento do organismo, já que envolve mudanças intensas e demandas nutricionais específicas. 
  Por isso, o manejo alimentar adequado desde os primeiros meses é essencial para garantir uma evolução equilibrada.
  Nesse cenário, empresas especializadas em nutrição, como a ROYAL CANIN®, reforçam a importância de uma alimentação formulada especificamente para cada fase da vida, considerando porte, idade e necessidades individuais dos animais.
  Além disso, problemas relacionados à nutrição podem gerar impactos duradouros. A obesidade, por exemplo, já afeta mais de 50% dos cães e gatos no mundo. 
  Estudos indicam que cães com sobrepeso podem viver, em média, até 2,5 anos a menos, enquanto gatos podem ter redução de cerca de 1,9 anos na expectativa de vida.   Nutrição adequada deve considerar as necessidades dos filhotes
Durante a fase de crescimento, cães e gatos apresentam exigências nutricionais diferentes dos animais adultos. 
  O sistema digestivo ainda está em desenvolvimento, e a capacidade gástrica é reduzida, o que exige refeições menores e mais frequentes ao longo do dia.
  Outro fator importante é a dentição. A presença de dentes de leite pode dificultar a mastigação, tornando fundamental a escolha de alimentos apropriados para essa fase.
  Nutrientes específicos, como o DHA (ômega-3) e proteínas de alta qualidade, desempenham papel importante no desenvolvimento cognitivo e cerebral dos filhotes.   Combinação de alimentos pode favorecer adaptação alimentar
A prática de combinar alimentos secos e úmidos, conhecida como alimentação mista, pode contribuir para uma melhor adaptação alimentar dos filhotes. 
  Essa estratégia ajuda a estimular diferentes experiências sensoriais e pode reduzir a recusa alimentar no futuro.
  Os alimentos úmidos, disponíveis em diferentes texturas como patê, mousse, pedaços ao molho ou em gelatina, também favorecem a ingestão de água, especialmente durante o período de desmame.   Fase inicial exige atenção à imunidade e ao acompanhamento profissional
Entre a 4ª e a 12ª semana de vida, os filhotes passam por um período de maior vulnerabilidade imunológica, quando a proteção recebida da mãe diminui e o sistema de defesa ainda está em formação.
  Nesse momento, uma nutrição equilibrada pode contribuir para apoiar as defesas naturais do organismo, especialmente com a presença de nutrientes antioxidantes, como as vitaminas E e C.
  O acompanhamento veterinário também é indispensável para monitorar o crescimento, orientar a alimentação e garantir que o calendário vacinal e de vermifugação esteja em dia.   Ambiente e rotina influenciam diretamente o bem-estar
Além da alimentação, o ambiente e a rotina exercem papel importante no desenvolvimento físico e comportamental dos filhotes. 
  Estímulos positivos, brincadeiras e atividades contribuem para o equilíbrio emocional e ajudam a manter o peso saudável.
  Após a castração, por exemplo, a necessidade energética pode reduzir entre 20% e 30%, aumentando a predisposição ao ganho de peso. 
  Nesse cenário, alimentos com menor densidade calórica e maior teor de umidade podem ser aliados na manutenção da saúde.
  Promover um início de vida saudável é um dos principais fatores para garantir qualidade de vida a longo prazo. 
  A adoção de cuidados desde cedo, aliada a uma nutrição adequada, tem impacto direto no bem-estar de cães e gatos.   FAQ sobre alimentação inadequada para filhotes
Filhotes podem consumir ração de adultos?
Não é recomendado, pois filhotes têm necessidades nutricionais específicas que não são atendidas por alimentos destinados a animais adultos.   Quantas vezes por dia um filhote deve se alimentar?
Geralmente, refeições menores e mais frequentes são indicadas, mas a recomendação deve ser ajustada com orientação veterinária.   A alimentação influencia na imunidade do filhote?
Sim. Uma nutrição equilibrada contribui para o desenvolvimento do sistema imunológico, especialmente nos primeiros meses de vida. Fonte: Cães & Gatos

Food toppers avançam com pets exigentes e mais seletivos
 
Nutrição

3+ MIN

Food toppers avançam com pets exigentes e mais seletivos  

Os food toppers, complementos alimentares usados para enriquecer a dieta de cães e gatos, vêm ganhando relevância global graças ao comportamento mais seletivo dos donos e dos pets. Levantamento da Loops aponta que 48% dos tutores em seis países já utilizam esses produtos, indicando consolidação gradual da categoria no mercado pet.
  A pesquisa, que envolveu 2.486 entrevistados nos Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Reino Unido e França, revela maior adesão entre donos de cães. Metade relata que insere os toppers na rotina nutricional de seus animais, sendo 14% de forma regular e 36%, ocasional. Entre tutores de gatos, o índice chega a 40%, com predominância de uso esporádico.
  Apesar da adesão ainda parcial, o potencial de crescimento é significativo. Segundo o levantamento, 87% dos tutores afirmam que comprariam toppers com benefícios à saúde, enquanto 78% demonstram interesse em produtos que melhorem o sabor da alimentação. A América Latina destaca-se pela maior abertura a essas soluções.   Paladar exigente impulsiona categoria
Os dados indicam que a seletividade alimentar é um dos principais motores da categoria. Entre os pets que recebem toppers, 48% são considerados exigentes, percentual superior ao observado na média geral. O comportamento é mais evidente entre gatos, que tendem a preferir texturas cremosas e formatos como purês e sticks líquidos.
  Entre os formatos disponíveis, os toppers úmidos lideram a preferência, com destaque para molhos e gelatinas (42%) e caldos e sopas (41%). Na sequência aparecem versões em pó (27%), liofilizadas (25%) e em flocos (20%). Há diferenças regionais. Enquanto América Latina e Europa concentram maior uso de produtos cremosos, a América do Norte apresenta maior adesão a formatos úmidos.   Nutrição e bem-estar como drivers
Além da palatabilidade, os toppers têm sido utilizados como ferramenta nutricional. Metade dos tutores afirma que o principal objetivo é adicionar nutrientes à dieta dos pets. Outros 44% destacam o enriquecimento ambiental e o suporte ao bem-estar mental, enquanto 35% utilizam os produtos para diversificar a alimentação.
  Há ainda aplicações específicas, como estímulo ao apetite de animais seletivos (28%), apoio à saúde dental (25%) e suporte a condições clínicas (21%), evidenciando a multifuncionalidade da categoria dentro da rotina alimentar.   Falta de informação ainda limita expansão
Entre os tutores que não utilizam toppers, o principal entrave é o desconhecimento: 40% afirmam não conhecer o produto. Na América Latina, esse índice chega a 55%. Outros fatores incluem preferência por manter a dieta tradicional (31%) e percepção de custo elevado (20%).
  Segundo o estudo, a barreira de conhecimento supera questões financeiras, indicando que o avanço do segmento depende de maior disseminação de informações sobre benefícios, segurança e nutrição.
  Mesmo com esses desafios, a percepção geral sobre os toppers é positiva. O interesse cresce significativamente quando os produtos são associados a benefícios à saúde, sinalizando um caminho de expansão alinhado à humanização dos pets e à busca por soluções mais completas de nutrição e bem-estar. Fonte: Panorama Pet&Vet

Probióticos x prebióticos x simbióticos
 
Nutrição

5+ MIN

Probióticos x prebióticos x simbióticos  

Diarreias agudas, enteropatias crônicas e gastroenterites são condições comuns na clínica médica de pequenos animais. Por afetarem o sistema gastrointestinal, muitas vezes, requerem o uso de produtos que possam ajudar a recompor a microbiota intestinal. 
  Dentre eles, é recorrente a prescrição de probióticos, prebióticos ou simbióticos, mas ainda existem muitas dúvidas quanto a diferença entre essas três alternativas, que possuem finalidade parecida, mas não são iguais. 

Segundo a médica-veterinária especializada em Gastroenterologia, Cuidados Intensivos e Emergências, membro da Equipe FeroGastro e diretora da Associação Brasileira de Gastroenterologia Animal (ABRAGA), Larissa Nonato, estes produtos possuem variadas indicações. 
  'Eles são recomendados para manutenção do bem-estar do animal. Podem ser usados como terapias adjuvantes em quadros de diarreia (gastroenterite), mudanças alimentares (adaptação intestinal) e outros estímulos para a imunidade em qualquer doença crônica. Inclusive, há evidências recentes de probióticos com ação positiva no tratamento de doença oral, prurido, convulsões e outras alterações, a princípio, muito longe dos intestinos', relata. 
  Além disso, Larissa comenta que nos últimos anos os estudos da microbiota intestinal foram melhorando consideravelmente. Dessa forma, hoje é possível entender as particularidades da microbiota do cão e do gato, e também as diferenças entre filhotes e adultos. Com isso, os produtos indicados para auxiliar o seu bom funcionamento vêm sendo aprimorados.   As diferenças na prática  
Não é difícil de entender a função dos probióticos, prebióticos e simbióticos. A especialista esclarece que os probióticos contém bactérias consideradas desejadas para a microbiota intestinal, sendo esses microrganismos responsáveis por regular a imunidade e a qualidade da saúde dos intestinos.
  Os probióticos começaram a ser fornecidos aos animais no início dos anos 70 com o Lactobacillus acidophilus. Eles são mais comuns e eficientemente usados em ocasiões estressantes, como o período de desmame, durante mudanças na alimentação, em falhas na ingestão do colostro e após tratamentos com antibióticos, por exemplo. 
  'Já os prebióticos são elementos que nutrem e alimentam a microbiota. Ou seja, fornecem substrato para a microbiota presente nos intestinos. Geralmente, são compostos por ou açúcares de baixa caloria', cita.
  Basicamente, os prebióticos exercem um efeito osmótico no trato gastrointestinal, enquanto não são fermentados. Os mais utilizados em animais são os mananoligossacarídeos (MOS), os frutooligossacarídeos (FOS) e os galactooligossacarídeos (GOS). 
  Por outro lado, os simbióticos são produtos que contém probióticos e prebióticos na mesma formulação, sendo considerados mais completos.
  'Geralmente, o mesmo paciente pode receber tanto um prebiótico, quanto um probiótico ou um simbiótico. Qual alternativa escolher depende da demanda daquele animal e da praticidade para o manejo', afirma Nonato.  
  Inclusive, o uso de prebióticos em associação aos probióticos apresenta ações benéficas superiores aos antibióticos promotores de crescimento. Dentre os principais motivos para isso estão o fato de não serem metabolizados ou absorvidos durante a passagem pelo trato digestivo superior, servirem como substrato a uma ou mais bactérias intestinais benéficas e possuírem a capacidade de alterar a microbiota intestinal de maneira favorável.   Como prescrever
De acordo com a especialista, uma grande vantagem dessas soluções é que elas podem ser utilizadas desde o desmame de cães e gatos, pois após este período os animais passarão a ter uma microbiota intestinal mais definida.
  Com relação às contraindicações, até o momento não existem evidências científicas que não indiquem o seu uso. Porém, há maior confirmação de eficácia do papel terapêutico dos prebióticos em comparação aos probióticos.
  No que diz respeito às apresentações, como hoje existem opções em pó, pasta e comprimido, Larissa informa que não há indicações quanto a qual é a melhor. 
  'Os produtos mais tradicionais e estudados na saúde humana são aqueles em apresentações em pó ou em cápsulas. Contudo, na Medicina Veterinária a apresentação mais popular é a pasta oral, que facilita a administração em casa devido a maior palatabilidade', cita. 
  Outro ponto importante é que não há evidências apontando para o melhor horário ou a necessidade de jejum para que os probióticos, prebióticos e simbióticos tenham mais eficácia.
  'Os estudos são heterogêneos e os resultados são variados. Portanto, fica a critério do médico-veterinário a indicação de um horário para administrar o produto. Entretanto, acredita-se que o período noturno, especialmente após a refeição, seja o momento mais adequado para que os probióticos permaneçam mais tempo no trajeto da luz gastrointestinal (oro-fecal). Porém, tudo isso é apenas uma teoria', conclui. Fonte: Cães e Gatos

Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina
Nutrição

7+ MIN

Inovação, tecnologia e nutrição: o uso de petiscos funcionais no manejo da osteoartrite canina

A osteoartrite (OA) é uma doença articular crônica, de caráter progressivo e degenerativo, frequentemente diagnosticada em cães de raças grandes, obesos, idosos, bem como naqueles com predisposição genética, como os Labradores Retrievers e os Pastores Alemães. Os sinais clínicos mais comumente observados incluem dor articular, limitação de movimento, crepitação e inflamação, resultando em restrição da atividade física e recusa à realização de atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, comprometendo significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais acometidos.

Dentre as opções de tratamento convencionais, estão incluídas as cirurgias das articulações afetadas e o controle da dor com administração de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), cujos benefícios clínicos em termos de analgesia e melhora funcional são amplamente reconhecidos. No entanto, o uso prolongado desses medicamentos pode ser associado a eventos adversos relevantes, incluindo toxicidade renal e hepática, bem como complicações gastrointestinais. Além disso, a eficácia terapêutica depende não apenas da farmacodinâmica do princípio ativo, mas também da adesão ao tratamento, que está diretamente ligada à palatabilidade e facilidade de administração do medicamento. Diante dessas limitações, cresce o interesse por tratamentos complementares e menos invasivos, como a utilização de nutracêuticos e suplementos alimentares.

Os nutracêuticos são produtos bioativos com potencial terapêutico, amplamente utilizados no manejo da OA em cães. Entre os compostos estudados como alternativas terapêuticas destacam-se a glucosamina, o sulfato de condroitina, o colágeno tipo II não desnaturado, os ácidos graxos ômega-3 e os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD). Esses agentes são utilizados com o objetivo de modular processos inflamatórios, estimular a regeneração e manutenção da cartilagem articular, reduzir a dor e melhorar a função locomotora.

Diante desse cenário, os petiscos funcionais surgem como um veículo eficaz para a administração desses compostos, sobretudo porque oferecem maior aceitação pelos cães e facilitam o manejo por parte dos tutores, já que regularmente são oferecidos como reforços positivos em treinamentos e/ou como expressões de afeto dos tutores para com seus animais de estimação. Estudos como o de Costa et al. (2025), ao avaliarem a aceitação de diferentes formas farmacêuticas para administração de medicamentos de uso contínuo em cães, com base na percepção dos tutores, demonstraram elevada taxa de aceitação para o biscoito funcional (95%) e para a pasta palatável (90%), seguidos pelo sachê em pó (75%), suspensão oral (60%) e cápsula (35%). As apresentações associadas diretamente à alimentação exibiram desempenho superior em termos de adesão, ao passo que cápsulas apresentaram menor aceitabilidade, sobretudo entre cães de pequeno porte. A palatabilidade elevada, característica natural dos petiscos, contribui para uma adesão terapêutica superior quando comparada à suplementação tradicional em cápsulas ou pós, que frequentemente é rejeitada pelos animais ou esquecida pelos tutores. Outro benefício relevante está na padronização das doses: cada unidade do petisco pode ser formulada para conter concentrações exatas de bioativos, garantindo precisão na ingestão e facilitando o acompanhamento terapêutico. 

Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e processamento de petiscos funcionais enfrenta também desafios e exige atenção a aspectos tecnológicos e nutricionais uma vez que a eficácia dos bioativos depende fortemente dos ingredientes utilizados e do processamento utilizado ao longo da sua fabricação.

A matriz alimentar do petisco pode influenciar positivamente ou negativamente a biodisponibilidade dos nutrientes. Formulações com teores adequados de lipídios, por exemplo, auxiliam na absorção de compostos lipossolúveis como EPA e DHA. Da mesma forma, ingredientes funcionais adicionais (fibras fermentáveis, prebióticos, antioxidantes) podem exercer efeitos complementares à função articular e inflamatória.

Muitos compostos utilizados no manejo da OA são sensíveis ao calor, oxidação e umidade, ou seja, diferentes métodos de fabricação influenciam diretamente a integridade, a estabilidade e a biodisponibilidade dos ingredientes nutracêuticos adicionados. 

A extrusão, principal método na indústria pet food, expõe os ingredientes a altas temperaturas e pressões que podem degradar compostos essenciais para a eficácia terapêutica. O assamento prolongado, por sua vez, intensifica reações de Maillard e oxidação lipídica, reduzindo a funcionalidade de ativos sensíveis. A moldagem a frio surge como uma alternativa atraente, mas apresenta limitações relacionadas à vida útil, segurança microbiológica e custos operacionais. Dessa forma, o desafio está em adaptar tecnologias tradicionais de fabricação para minimizar a degradação dos bioativos, sem prejudicar textura, palatabilidade e segurança.

Para minimizar perdas funcionais, a indústria adota tecnologias como microencapsulação, coating pós-processamento e controle rigoroso de atividade de água e oxidação. Fábricas modernas utilizam extrusoras de baixa temperatura, linhas híbridas de produção, NIR em linha para monitoramento contínuo e embalagens inteligentes que prolongam a vida útil dos nutracêuticos. A modelagem computacional também otimiza parâmetros industriais, garantindo maior preservação dos ativos.

As inovações industriais aplicadas às fábricas de pet food têm desempenhado papel central na viabilização dos petiscos terapêuticos destinados ao manejo da osteoartrite. A integração entre tecnologia avançada, processos industriais otimizados e saúde animal garante não apenas a estabilidade dos compostos bioativos como também a eficácia dos mesmos, representando uma estratégia nutricional segura, prática e altamente aderente para tutores e profissionais veterinários, contribuindo de maneira significativa para o controle da dor, inflamação e progressão da doença.

Esse movimento acompanha o crescimento acelerado do mercado pet premium, impulsionado por tutores que procuram soluções de saúde preventiva e produtos com maior valor agregado. 

Dessa forma, os petiscos funcionais deixam de ser apenas snacks palatáveis e passam a ocupar posição estratégica como parte de tratamentos complementares, enquanto as fábricas beneficiam-se de tecnologias que promovem eficiência operacional, redução de perdas e inovação contínua, tornando-se protagonista no desenvolvimento de soluções nutricionais mais sustentáveis, rastreáveis e personalizadas. Por Flávia Lavach
Fonte: All Pet Food Magazine
Referências bibliográficas
ALEXANDRU, C. B.; SORANA, D.; ADRIAN, M. The science of snacks: a review of dog treats. Frontiers in Animal Science, v. 5, 2024.
COSTA, M. B. F.; CHAMELETE, M. O.; MARTINEZ, M. S. de S. S.; ANDRADE, T. U. de. Palatability test of different pharmaceutical forms for administration of continuous-use medications in dogs: evaluation by owners. Observatório de la Economia Latinoamericana, [S. l.], v. 23, n. 9, p. e11390, 2025.
DE GODOY, M. R. C. et al. In vitro disappearance characteristics of selected categories of commercially available dog treats. Journal of Nutritional Science, v. 3, p, 47, 2014. 
GAMBLE, L. J. et al. Pharmacokinetics, Safety, and Clinical Efficacy of Cannabidiol Treatment in Osteoarthritic Dogs. Frontiers Veterinary Science, v. 23, p. 5-16, 2023.
KHAN, S. A. e MCLEAN, M. K. 2012. Toxicology of frequently encountered nonsteroidal anti inflammatory drugs in dogs and cats. Veterinary Clinics North America Small Animal Practice , v. 42(2), p. 289-306, 2012.
KIM, J. et al. Effect of microencapsulation on viability of probiotic in functional dog treats. Veterinary Research Communications, v. 43, n. 2, p. 91-101, 2019.
MATA, F. e DORMER, L. The efficacy of neutraceuticals to alleviate dog osteoarthritis symptoms, a meta analysis of case-control trials. Veterinary Archive Science, v. 93, p. 351-360, 2023.
OBA, P. et al. Nutrient and Maillard reaction product concentrations of commercially available pet foods and treats. Journal of Animal Science, v. 100, p. 11, 2022.
 

Conectando nutrientes sensíveis para uma nutrição de precisão
Nutrição

4+ MIN

Conectando nutrientes sensíveis para uma nutrição de precisão

Por Armando Enriquez de la Fuente Blanquet

Um ponto importante e frequentemente subestimado é: como a digitalização pode melhorar a parte nutricional dos micronutrientes da ração para pets, mesmo quando esses nem sempre são vistos como "tecnologia". Ao ter controle preciso dos parâmetros de extrusão (temperatura, umidade, pressão, tempo de cozimento), a qualidade de nutrientes sensíveis , como vitaminas, minerais e aminoácidos, pode ser melhor preservada, prevenindo sua degradação pelo calor ou pela umidade excessiva. A consistência entre os lotes também ajuda a garantir níveis homogêneos de micronutrientes. O controle durante o processo permite verificar a densidade, umidade, tamanho e formato da ração, o que influencia a digestibilidade, textura, absorção de nutrientes e palatabilidade; Fatores-chave quando falamos de dietas específicas (alta digestibilidade, controle de peso, saúde digestiva). Rastreabilidade e registro digital facilitam auditorias nutricionais, controle de fórmulas, conformidade com normas e/ou regulamentos, e documentação dos micronutrientes por lote; especialmente importante diante das demandas por transparência, qualidade, saúde animal ou dietas especiais. Com dados históricos e suporte analítico, os fabricantes podem otimizar receitas para eficiência nutricional e de custos. Por exemplo, otimizar a combinação de ingredientes, fontes de proteína, aditivos, vitaminas, minerais, para alcançar melhor equilíbrio nutricional sem sacrificar economia ou escalabilidade. 

Além disso, vitaminas e minerais traço (zinco, ferro, cobre, manganês, selênio, iodo, entre outros) desempenham papéis essenciais no metabolismo energético, saúde imunológica, desenvolvimento ósseo e muscular, integridade da pele e da pelagem, regulação da oxidação celular, reprodução, crescimento, etc.

Os micronutrientes, por outro lado, enfrentam desafios tecnológicos durante a fabricação de alimentos: 
  Sensibilidade ao calor, umidade e oxigênio: As vitaminas são altamente termolábeis e podem se degradar durante a extrusão e secagem. É essencial usar produtos com tecnologias de microencapsulamento que protejam as vitaminas das altas temperaturas e reduzam a oxidação e as interações químicas com minerais.
  Interações químicas: os minerais traço podem oxidar ou inativar vitaminas se não forem adequadamente protegidos (por exemplo, ferro e cobre). O uso de minerais quelados e/ou em formas orgânicas não só proporciona maior biodisponibilidade e estabilidade dos oligoelementos durante o processo térmico, mas também reduz a interação negativa com outros nutrientes.
  Dificuldade em dosar pequenas quantidades: os pré-misturados são aplicados em microdoses, então uma pequena variação afeta o valor nutricional do lote. Hoje estamos falando de mistura inteligente, onde o software de controle monitora os tempos ótimos, velocidade de mistura, sequência de incorporação e homogeneidade final, para garantir uma distribuição uniforme de vitaminas e minerais.
  Problemas de distribuição na mistura: a homogeneidade deve ser muito alta para garantir que cada ração contenha a mesma proporção de nutrientes. Fabricantes de pré-misturas produzem misturas precisas e consistentes que minimizam erros de dosagem, garantem consistência de lote para lote e facilitam o registro e auditoria nutricional.
Esses desafios estão impulsionando uma forte demanda por tecnologias avançadas de formulação, automação inteligente e sistemas de monitoramento digital. A incorporação precisa de vitaminas e oligoelementos não depende mais apenas do conhecimento nutricional, mas hoje exige processos automatizados, sensores inteligentes, controle digital e manutenção preditiva. Assim, a planta de ração para pets se torna um ambiente onde a inovação nos ingredientes se combina com a transformação tecnológica para garantir produtos mais seguros, estáveis, nutritivos e confiáveis. 
Conclusão 
A digitalização das plantas de ração para pets não é uma tendência do futuro distante, é uma realidade com várias conquistas concretas já implementadas. Automação, sensores, controle digital, IA e tecnologias de análise de dados estão transformando a forma como a ração para pets é produzida, melhorando eficiência, qualidade, consistência, rastreabilidade, sustentabilidade e flexibilidade.
  Por MVZ Armando Enriquez de la Fuente Blanquet
Fonte: All Pet Food Magazine

Alimentação úmida no verão: como os sachês podem reforçar a hidratação de cães e gatos
Alimento úmido

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Alimentação úmida no verão: como os sachês podem reforçar a hidratação de cães e gatos

Com a elevação das temperaturas, a hidratação de cães e gatos se torna um ponto central na rotina de cuidados. 
  O calor intenso pode provocar cansaço, redução do apetite e menor disposição, além de aumentar o risco de desidratação — especialmente em animais que já consomem pouca água espontaneamente.
  Nesse cenário, o chamado mix feeding, prática que combina alimento seco e alimento úmido, surge como uma estratégia nutricional capaz de colaborar com a ingestão diária de líquidos.
  A inclusão de sachês na rotina pode ser uma aliada importante para atravessar o verão com mais conforto e equilíbrio.
  De acordo com a médica-veterinária Viviane Moura, da Special Dog Company, o alimento úmido contribui diretamente para esse reforço hídrico. 
  'O alimento úmido possui alto teor de umidade e ajuda a aumentar a ingestão diária de líquidos por meio do alimento, especialmente para pets que bebem pouca água espontaneamente', explica.   Por que o calor exige atenção redobrada à hidratação?
Durante o verão, cães e gatos podem perder mais líquidos por conta da temperatura elevada. Essa perda, quando não compensada, pode levar à desidratação, condição que afeta o funcionamento adequado do organismo.
  Entre os sinais que merecem atenção estão apatia, diminuição do apetite, mucosas mais secas e menor disposição para atividades rotineiras. 
  Em gatos, o desafio costuma ser ainda maior, já que muitos apresentam naturalmente baixo consumo voluntário de água.
  A hidratação adequada favorece o equilíbrio das funções fisiológicas, auxilia na digestão, contribui para o bom funcionamento do trato urinário e impacta diretamente o bem-estar geral. 
  Por isso, além da oferta constante de água fresca, estratégias complementares podem fazer diferença na rotina.   Como o mix feeding contribui para o consumo de líquidos
O alimento úmido se destaca pelo elevado teor de umidade. Ao ser associado ao alimento seco, ele aumenta o volume total de líquidos ingeridos ao longo do dia, já que parte dessa água está incorporada à própria refeição.
  Outro benefício relevante é a maior atratividade da comida. A combinação de texturas, aromas e sabores pode estimular o interesse pela alimentação — algo especialmente importante quando o calor reduz o apetite.
  Segundo a especialista, ao contribuir para uma ingestão hídrica mais consistente, o alimento úmido também oferece suporte ao trato urinário e ao funcionamento equilibrado do organismo. 
  Com isso, o animal tende a manter melhor disposição e conforto mesmo em períodos de temperaturas elevadas.   Cuidados ao incluir sachês na rotina alimentar
Apesar dos benefícios, a adoção do mix feeding deve ser feita com planejamento. A inclusão de alimento úmido exige ajuste proporcional da quantidade de alimento seco para evitar excesso calórico e manter a dieta balanceada.
  Cada animal possui necessidades específicas, que variam conforme idade, porte, condição corporal e nível de atividade. 
  Por isso, o ideal é que o responsável conte com orientação profissional durante a consulta veterinária para definir a melhor combinação entre alimento seco e úmido.
  É importante reforçar que os sachês não substituem a oferta de água fresca. Eles atuam como complemento na estratégia de hidratação, mas o acesso constante à água limpa e renovada continua sendo indispensável.
  Além da alimentação, outras medidas ajudam a proteger cães e gatos do impacto do calor: evitar passeios nos horários mais quentes do dia, oferecer ambientes ventilados e observar sinais de desconforto térmico fazem parte dos cuidados essenciais.
  Com um portfólio voltado à nutrição de cães e gatos, a Special Dog Company disponibiliza opções de alimentos úmidos desenvolvidos para complementar a rotina alimentar. 
  Mais do que uma tendência, o mix feeding pode ser entendido como uma estratégia nutricional que, quando bem orientada, contribui para o bem-estar durante o verão.   FAQ sobre sachês e hidratação dos pets
Sachê substitui a água no verão?
Não. O alimento úmido ajuda a aumentar a ingestão de líquidos, mas não substitui a necessidade de água fresca e limpa sempre disponível.
  Posso oferecer sachê todos os dias?
Sim, desde que a quantidade seja ajustada corretamente para manter a dieta equilibrada. A orientação profissional é recomendada.
  O mix feeding é indicado para todos os cães e gatos?
A estratégia pode ser adotada na maioria dos casos, mas deve respeitar as necessidades individuais de cada animal, avaliadas durante consulta veterinária. Fonte: Cães & Gatos

Nutrição de cães e gatos idosos: o que podemos prevenir?
Nutrição

7+ MIN

Nutrição de cães e gatos idosos: o que podemos prevenir?

A longevidade dos cães e gatos tem aumentado de forma constante e inegável nos últimos anos, estando vinculada a aspectos que compreendem tanto o indivíduo, por meio da seleção de raças, quanto a evolução da Medicina Veterinária como um todo. Diante desse cenário, a Medicina Veterinária preventiva tem ganhado destaque, acompanhando o crescimento do número de animais de companhia, e também a maior disponibilidade de bens e serviços veterinários para pequenos animais, especialmente na Ásia e na América Latina.   Apesar da senilidade, por si, não ser considerada uma doença, mas um estágio natural da vida, ela envolve alterações fisiológicas que devem ser identificadas, manejadas e, quando possível, prevenidas. Atualmente, gatos são considerados sênior a partir dos 10 anos de idade, enquanto para cães essa classificação varia conforme o porte e a raça, de forma que cães de grande porte atingem a senilidade mais cedo quando comparados aos cães de pequeno porte. Uma das possíveis justificativas que correlacionam o maior porte dos cães à menor expectativa de vida é o maior tempo de exposição do animal ao Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1 (IGF-1), que promove o crescimento, porém potencialmente também reduz a longevidade.
  Alterações na capacidade de digestão e, consequentemente, do uso adequado dos nutrientes fornecidos pelo alimento, podem acontecer com o passar dos anos. Estudos sugerem que a adição moderada de fibras, em especial as fibras solúveis, melhora o aproveitamento do alimento tanto em cães quanto em gatos. Além da fibra, outro macronutriente estudado na senilidade é a gordura, cuja digestibilidade não aparenta decair significativamente em cães, mas sim em gatos idosos, o que reforça a importância de monitorar o emagrecimento progressivo nessa espécie, à medida que a idade avança, como pilar fundamental do manejo nutricional.
  Outro ponto importante no manejo preventivo dos animais de companhia diz respeito à saúde renal. Observa-se redução na taxa de filtração glomerular (TGF), sobretudo em cães de raças menores, alteração observada até mesmo em humanos com o avançar da idade. Nos gatos, existe uma forte relação entre o desenvolvimento da doença renal crônica e a idade (acima de 12 anos) associada, principalmente, à inflamação intersticial, atrofia tubular e fibrose. Um diferencial é que a proteinúria é rara nos estágios iniciais das glomerulopatias. 
  O entendimento sobre a classificação da doença renal crônica nos cães e gatos idosos de acordo com a International Renal Interest Society (IRIS) é fundamental, uma vez que, nos casos de idade avançada, a perda de massa magra é esperada, seja decorrente de doença prévia ou não. Assim, torna-se essencial ponderar vantagens e desvantagens da restrição proteica nessa faixa etária. 
  Entretanto, o cuidado com a ingestão elevada de fósforo na senilidade é uma medida segura e amplamente atendida pela maioria dos alimentos comerciais de qualidade.
  A adição de nutracêuticos na dieta também é uma questão relevante. Estudos com EPA e DHA avaliaram sua capacidade anti-inflamatória e o potencial de auxiliar no controle de doenças crônicas, como cardiopatias, dermatopatias, doença renal crônica, osteoartrites e distúrbios comportamentais, que são afecções comuns em cães e gatos senis. 
  É importante ressaltar que os efeitos estão relacionados não apenas à quantidade correta de EPA e DHA presentes nos produtos, mas também à oferta contínua do nutracêutico para manutenção dos benefícios. 
  Ainda sobre os nutracêuticos, sabe-se que o dano oxidativo celular que ocorre naturalmente com a idade está relacionado ao surgimento e piora de diversas afecções crônicas. Dessa forma, a adição de antioxidantes no manejo dos pacientes idosos também oferece vantagens. 
  Um dos antioxidantes naturais mais utilizados é o alfa-tocoferol (vitamina E), que atua interrompendo a cascata de oxidação ao impedir a propagação dos danos causados por radicais livres nas membranas biológicas. Um estudo realizado em 2004 indicou que a inclusão aumentada da vitamina E na dieta eleva sua concentração sérica e reduz a quantidade de subprodutos reativos gerados com a oxidação de lipídeos (chamados alkenais), quando comparado ao grupo de cães que não recebeu a suplementação. 
  Tanto os ácidos graxos da família ômega-3 (EPA e DHA), quanto a vitamina E podem ser incorporados diretamente na formulação dos alimentos sênior ou administrados por via oral separadamente. 
  Além dos benefícios já citados, também apresentam resultados positivos no suporte da disfunção cognitiva secundária à idade.
  Por fim, manifestações clínicas da Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC) são prevalentes na população de animais idosos, chegando a 28% dos casos em cães de 12 anos e aumentando para 68% em cães acima de 15 anos, segundo a percepção dos responsáveis. 
  Essa preocupação também se estende aos gatos idosos, estudos que avaliaram gatos acima de 11 anos relatam possível diagnóstico de SDC em 35% dos casos. Nos felinos acima de 15 anos, mais de 50% demonstraram clínica da doença. 
  A atenção aos sinais iniciais da SDC é essencial, partindo de alterações mais sutis, como alterações de comportamento e no ciclo sono-vigília, incluindo a inversão da atividade do dia para noite, até manifestações de desorientação e comprometimento de funções básicas, como alimentação e defecação. A intervenção precoce pode garantir melhor resposta terapêutica, retardar a progressão da doença e até promover melhora clínica do paciente. 
  Entre as estratégias mais promissoras, destaca-se o fornecimento de fontes energéticas capazes de gerar corpos cetônicos, uma vez que a eficiência do cérebro em utilizar glicose como fonte de energia diminui com a idade. 
  Em contrapartida, o aproveitamento de corpos cetônicos pode ocorrer de sete a nove vezes mais. A inclusão de triglicerídeos de cadeia média (TCM) na dieta constitui uma fonte viável para a geração desses corpos cetônicos, que atravessam a barreira hematoencefálica e a membrana mitocondrial, gerando ATP por meio do ciclo de Krebs e da fosforilação. 
  Os óleos TCM são as formas concentradas dos ácidos octanóico e decanoico, geralmente derivados do óleo de coco ou do óleo de palmiste. A concentração desses ácidos no óleo bruto dessas fontes é baixa, em torno de no máximo 12%, o que inviabiliza a suplementação eficaz apenas com óleo de coco ou palmiste na dieta. 
  Dessa forma, a adição de TCMs na dieta deve ser feita pela administração calculada de óleos purificados de TCM ou pelo uso de dietas comerciais que já contenham essa inclusão na dose adequada [20,24]. A suplementação correta de TCM têm demonstrado melhora clínica significativa nos pacientes diagnosticados com SDC, principalmente nos estágios iniciais.
  O avanço da Medicina Veterinária tem garantido maior sobrevida para nossos cães e gatos, tornando essencial o entendimento sobre as afecções mais frequentes e suas estratégias de prevenção e tratamento. A nutrição adequada, sobretudo em quantidades e com fontes ideais de proteína e fibra, além da adição de nutracêuticos específicos, podem proporcionar qualidade de vida não só para o paciente, mas também para os responsáveis que acompanham o envelhecimento de seus animais. 
  Contudo, o cálculo adequado das doses e a escolha correta das fontes são fundamentais para garantir a eficácia e a segurança desses suplementos. Por Erika Pereira, Monique Paludetti e Thais Ximenes
Fonte: Cães e Gatos

Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets
Nutrição

4+ MIN

Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets

No mercado de alimentos para pets, saúde deixou de ser um diferencial e passou a ocupar o centro da estratégia de produtos premium. 
  Tutores estão cada vez mais atentos à nutrição e buscam opções que tragam benefícios funcionais e contribuam para o bem-estar e a longevidade de seus animais.
  Esse movimento acompanha a constante evolução do setor, influenciada por mudanças no comportamento do consumidor, transformações na cadeia de suprimentos e novas demandas do mercado.   O que mudou no conceito de 'premium'
Durante muito tempo, o termo 'premium' esteve diretamente ligado ao preço. Um alimento era considerado premium por custar mais do que produtos básicos da mesma categoria. 
  No entanto, esse conceito começou a perder força à medida que marcas do varejo tradicional passaram a oferecer ingredientes e atributos semelhantes aos das linhas premium.
  A expansão das marcas próprias premium acelerou ainda mais esse processo, tornando o preço um critério menos determinante. 
  Hoje, o que define um produto premium é, sobretudo, o valor percebido — especialmente quando relacionado à saúde.   Saúde vira sinônimo de alimento premium
Segundo Sahiba Puri, gerente global de insights em pet care da Euromonitor, a saúde, incluindo a prevenção de problemas, tornou-se o principal pilar da premiumização. 
  Isso explica porque alegações funcionais e nutricionais aparecem em produtos de diferentes categorias e faixas de preço.
  Durante o Petfood Forum Asia 2025, Puri apresentou dados que mostram as principais alegações presentes em produtos pet vendidos online. 
  'Natural' e 'saudável' lideram o ranking, seguidas por claims mais específicos, como 'sem grãos', 'alto teor de proteína' e 'boa fonte de vitaminas'.   Reflexo de hábitos humanos
Essas alegações permanecem relativamente estáveis ao longo dos anos, o que indica familiaridade e satisfação dos tutores com os resultados percebidos. 
  Outro ponto relevante é que os claims mais valorizados em alimentos para pets refletem escolhas feitas pelos próprios consumidores em sua alimentação.
  Em pesquisas globais, a Euromonitor identificou que tutores de pets tendem a priorizar atributos de saúde e nutrição não apenas ao comprar ração, mas também ao escolher alimentos para si mesmos.
  O destaque para 'alto teor de proteína' exemplifica bem essa convergência entre alimentação humana e animal. 
  Claims como 'alto teor de carne' ou 'carne fresca' também funcionam como indicadores de qualidade nutricional para muitos tutores.
  Segundo especialistas do setor, há cerca de 20 anos, qualquer inclusão de carne fresca já era considerada premium. 
  Hoje, níveis em torno de 30% se tornaram padrão. Já dietas com mais de 50% ou 70% de carne fresca entram claramente na categoria premium, por envolverem formulações mais complexas e maior percepção de valor por parte do consumidor.
  Seja por meio de proteína elevada, carne fresca ou outros ingredientes funcionais, as alegações relacionadas à saúde devem continuar em alta. 
  Cada vez mais, os tutores enxergam a nutrição como base da saúde dos pets — e a saúde como o principal motor da premiunização no mercado.
  FAQ sobre saúde e premiunização dos alimentos pets
Por que a saúde se tornou central nos alimentos premium para pets?
Porque os tutores passaram a associar nutrição de qualidade à prevenção de doenças e ao bem-estar a longo prazo.
  O que hoje define um alimento pet como premium?
Mais do que o preço, pesam atributos como qualidade nutricional, ingredientes funcionais e benefícios à saúde.
Por que proteína e carne fresca são tão valorizadas?
Esses ingredientes refletem tendências da alimentação humana e são percebidos como sinônimo de qualidade e valor nutricional. Fonte: Cães & Gatos

Alimentação pet e saúde comportamental
Nutrição

4+ MIN

Alimentação pet e saúde comportamental

O cuidado com a saúde comportamental de cães e gatos vem ganhando um novo espaço dentro da indústria pet. 
  De acordo com a Purina, mais de 70% dos cães e até 50% dos gatos sofrem com estresse ou ansiedade, números que ajudam a explicar por que algumas marcas estão indo além do desenvolvimento de produtos e investindo em conexões diretas com especialistas em comportamento animal.
  Essa mudança aponta para um novo entendimento: o bem-estar emocional dos pets precisa ser tratado como uma questão clínica, baseada em evidências científicas — e não apenas como um diferencial no rótulo de alimentos ou suplementos.   Saúde emocional também é biológica
Para o veterinário e especialista em comportamento, Dr. Ezra J. Ameis, fundador da Paw Priority, a indústria passa por uma evolução necessária. 
  Segundo ele, assim como dietas já consideram articulações, pele e saúde intestinal, o equilíbrio emocional também deve fazer parte do raciocínio nutricional básico.
  Isso envolve pensar no chamado eixo intestino-cérebro, evitando ingredientes ou desequilíbrios nutricionais que possam agravar quadros de ansiedade. 
  Aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas do complexo B e minerais têm impacto direto na produção de neurotransmissores e na resposta ao estresse.
  Problemas nutricionais, segundo o especialista, não se manifestam apenas na aparência do animal, mas também no comportamento. 
  Inflamações crônicas ou alterações no microbioma intestinal podem tornar cães e gatos mais reativos e sensíveis.
  Algumas marcas já começam a refletir essa nova abordagem. A Omni Pet, por exemplo, contratou um comportamentalista canino interno para oferecer consultas gratuitas a tutores. 
  A iniciativa surgiu após a empresa registrar um aumento de 600% nas vendas de seus petiscos voltados ao estresse e à ansiedade. 
  O serviço orienta tutores sobre temas como ansiedade de separação, medo de fogos, estresse em viagens e reatividade a ruídos.
  Já a Purina Pro Plan Veterinary firmou parceria com a plataforma Ease, especializada em atendimento comportamental veterinário online. 
  A iniciativa faz parte do programa Pro Plan Veterinary Support Mission, lançado em 2024, e busca enfrentar um desafio importante: apenas 0,07% dos veterinários nos Estados Unidos são especialistas certificados em comportamento, apesar de os problemas comportamentais serem uma das principais queixas dos tutores, e uma causa frequente de abandono e eutanásia.
  A plataforma permite que veterinários encaminhem casos comportamentais para avaliação especializada, enquanto tutores recebem planos estruturados com vídeos, orientações personalizadas e suporte contínuo.
Nutrição, suplementos e abordagem integrada
Na prática clínica, o tratamento do estresse e da ansiedade é sempre multifatorial. Dr. Ameis explica que o primeiro passo envolve segurança e ambiente, seguido por modificação comportamental. 
  A nutrição entra como base constante, enquanto suplementos atuam como ferramentas de apoio, com objetivos específicos.
  Segundo ele, produtos calmantes não devem ser apresentados como soluções milagrosas. As marcas que têm maior aceitação entre veterinários são aquelas que se posicionam como parte de um plano completo, que inclui treino, rotina adequada, exercício e, quando necessário, medicação.
  Embora existam ingredientes com respaldo científico, como determinados probióticos, L-teanina, peptídeos do leite e perfis específicos de ômega 3, o especialista reforça que qualidade, dose e espécie importam. 
  Estudos precisam ser feitos em cães e gatos, com cepas e concentrações comprovadas, e não apenas extrapolados de pesquisas em humanos.
  Para que veterinários confiem nesses produtos, transparência e dados claros são essenciais. Menos promessas exageradas e mais ciência aplicada.
  As iniciativas recentes de marcas como Omni Pet e Purina indicam que a indústria começa a entender que cuidar da saúde comportamental dos pets exige mais do que novas fórmulas — exige conexão com quem realmente trata o problema.
  FAQ sobre alimentação e saúde comportamental
Por que a saúde comportamental dos pets ganhou destaque na indústria?
Porque o estresse e a ansiedade afetam grande parte de cães e gatos e estão ligados a abandono, problemas de saúde e queda no bem-estar.
  Qual é a relação entre nutrição e comportamento animal?
Desequilíbrios nutricionais podem afetar o cérebro, o intestino e a produção de neurotransmissores, influenciando diretamente o comportamento.
  Por que parcerias com especialistas são importantes?
Elas garantem abordagens baseadas em ciência, tratamento adequado dos casos e uso mais responsável de alimentos e suplementos.

  Fonte: Cães & Gatos

Do boato à evidência: o que a ciência explica sobre a nutrição de gatos e cães
Nutrição

3+ MIN

Do boato à evidência: o que a ciência explica sobre a nutrição de gatos e cães

Alguns conceitos difundidos sobre como gatos e cães devem ser alimentados ainda geram dúvidas entre tutores e podem influenciar escolhas relacionadas ao bem-estar dos pets. 
  Um dos equívocos mais comuns é a comparação direta entre pets e seus ancestrais selvagens. 
  Após milhares de anos de domesticação, gatos e cães desenvolveram características fisiológicas, anatômicas e comportamentais próprias, que os diferenciam significativamente de lobos e felinos selvagens. 
  Por isso, decisões baseadas apenas nessa analogia não refletem as necessidades atuais dessas espécies.
  Outro ponto frequentemente levantado é a presença de carboidratos nos alimentos completos e balanceados para pets. 
  Como parte dessas formulações, esses macronutrientes contribuem para a oferta adequada de energia. 
  Condições de saúde como sobrepeso e obesidade, por exemplo, estão muito mais associadas ao consumo calórico total ao longo do dia do que ao tipo isolado de nutriente presente na dieta.
  As proteínas vegetais também geram muitas dúvidas. No entanto, quando escolhidas corretamente, podem ser fáceis de digerir e fornecer todos os aminoácidos essenciais que o animal precisa. 
  O mais importante é o equilíbrio nutricional do alimento como um todo, e não apenas a origem da proteína: animal ou vegetal.
  Para o Médico-Veterinário Dr. Luciano Trevizan, especialista em nutrição de gatos e cães e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), compreender esses pontos é essencial para apoiar escolhas responsáveis. 
  'A nutrição é um dos pilares da saúde dos pets. Muitos tutores ainda são influenciados por percepções que não refletem a realidade atual. Quando explicamos como os gatos e os cães evoluíram e quais são as suas necessidades hoje, abrimos espaço para decisões mais conscientes, que favoreçam, acima de tudo, a qualidade de vida dos animais', afirma.
  Os subprodutos de origem animal, por sua vez, são frequentemente mal interpretados. 
  Eles recebem esse nome por não serem comumente destinados ao consumo humano, mas são ingredientes seguros e nutritivos, que desempenham papel relevante na composição de dietas completas e equilibradas, além de contribuírem para cadeias produtivas mais eficientes e sustentáveis.
  Segundo Carla Pistori, Diretora de Assuntos Corporativos da Royal Canin Brasil, há um grande perigo quando a nutrição animal é discutida sob a ótica humana. 
  'Gatos e cães possuem necessidades nutricionais muito diferentes das nossas, por isso, a seleção dos ingredientes de nossos produtos é baseada em critérios rigorosos, como qualidade nutricional, digestibilidade, segurança e sustentabilidade – sempre com foco no que é recomendado para a saúde de cada pet que alimentamos', explica.   FAQ sobre nutrição de pets
Por que comparar pets aos seus ancestrais selvagens é considerado um equívoco?
Porque cães e gatos passaram por milhares de anos de domesticação e hoje possuem necessidades fisiológicas e nutricionais diferentes dos animais selvagens.
  Os carboidratos nos alimentos para pets estão ligados ao sobrepeso? Não diretamente. O sobrepeso está mais relacionado ao consumo calórico total do que a um nutriente isolado.
  Subprodutos de origem animal são prejudiciais à alimentação dos pets?
Não. Eles são seguros, nutritivos e importantes para dietas equilibradas e mais sustentáveis.

  Fonte: Cães & Gatos

Inovações em alimentos para cães e gatos: Petiscos e Águas Palatáveis
Nutrição

6+ MIN

Inovações em alimentos para cães e gatos: Petiscos e Águas Palatáveis

Por Josiane Volpato

A nutrição de cães e gatos avança ano após anos, sempre impulsionada por avanços tecnológicos e pelo crescente interesse de seus donos em oferecer uma alimentação mais saudável, funcional e prazerosa para seus animais de estimação. Como resultado, a indústria de Petfood juntamente com seus profissionais, veterinários e zootecnistas tem investido cada vez mais em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novos produtos que vão além do alimento tradicional, buscando atender às necessidades específicas dos animais e às expectativas do consumidor que busca constantemente por novos produtos. 
  Assim, entre as inovações do mercado Petfood, que mais têm se destacado são os petiscos cremosos e as águas palatáveis, que surgem como alternativas diferenciadas para complementar a dieta de cães e gatos, que são especialmente formuladas para atender às necessidades específicas dos cães e gatos, além de fornecerem nutrientes e hidratação de forma saborosa.   O que são petiscos cremosos e águas palatáveis?   Os petiscos cremosos consistem em preparações semissólidas, de textura macia e consistência semelhante a um creme, geralmente acondicionados em sachês ou bisnagas. São desenvolvidos para serem altamente palatáveis, ou seja, extremamente saborosos e atrativos ao olfato e paladar dos animais. Embora não sejam alimentos completos do ponto de vista nutricional, esses petiscos podem conter ingredientes funcionais, como vitaminas, minerais, aminoácidos essenciais e até compostos bioativos, oferecendo benefícios específicos à saúde dos pets.
  As águas palatáveis, por sua vez, são líquidos saborizados e enriquecidos com nutrientes, pensados especialmente para estimular o consumo de água pelos animais, algo particularmente relevante no caso dos gatos, que naturalmente tendem a ingerir menos líquidos ao longo do dia. Além do sabor, essas águas podem conter eletrólitos, vitaminas e outros aditivos benéficos, promovendo tanto a hidratação quanto a suplementação de nutrientes.   Os petiscos cremosos ou as águas palatáveis oferecem vários benefícios nutricionais e funcionais para os cães e gatos, nos quais podemos destacar:
  Hidratação otimizada: Um dos maiores desafios na nutrição felina é estimular o consumo adequado de água, uma vez que a baixa ingestão hídrica está diretamente associada a problemas do trato urinário, como a formação de cristais e cálculos renais. As águas palatáveis, ao tornarem o ato de beber água mais atrativo, ajudam a prevenir essas doenças e a manter o bom funcionamento do sistema urinário e renal. Em cães, principalmente em períodos de calor ou durante o exercício físico, o incentivo à hidratação também é crucial.
  Suplementação nutricional direcionada: Tanto os petiscos cremosos quanto as águas palatáveis podem ser formulados com nutrientes específicos para atender a demandas particulares, como suporte ao sistema imunológico, manutenção da saúde articular, fortalecimento de pelagem e pele, entre outros. Esses produtos podem funcionar como veículos práticos para suplementar vitaminas e minerais em animais que têm dificuldade em consumir comprimidos ou cápsulas.
  Alta palatabilidade: A atratividade desses produtos é uma de suas maiores qualidades. Os aromas e sabores são cuidadosamente desenvolvidos para agradar o paladar exigente dos pets, o que pode ser especialmente útil em situações como pós-operatórios, enfermidades ou períodos de inapetência, quando o animal está com o apetite reduzido.
  Praticidade e conveniência: A rotina dos tutores nem sempre permite preparações caseiras ou administração de suplementos em formatos tradicionais. Os petiscos cremosos e águas palatáveis são fáceis de oferecer, não exigem preparo e podem ser incorporados à alimentação diária de forma simples e sem alterações significativas na rotina dos cuidados com o pet.
  Além dos benefícios mencionados, esses produtos inovadores podem desempenhar um papel crucial em diversas aplicações na nutrição de cães e gatos. As águas palatáveis são particularmente úteis na suplementação de nutrientes essenciais que podem estar ausentes na dieta regular dos animais devido à baixa ingestão. Além disso, essas soluções podem ser valiosas na recuperação pós-cirúrgica, auxiliando na regeneração dos animais ao fornecer nutrientes fundamentais. Outra aplicação significativa inclui o gerenciamento de doenças, como condições renais ou hepáticas, onde esses produtos podem ser utilizados para atender às necessidades nutricionais específicas e promover uma melhor qualidade de vida para os pets.
  Entretanto, para as indústrias, a produção desses novos produtos pode trazer alguns desafios, como regulamentação, normas, controle de qualidade e estrutura adequada dentro do layout da fábrica. Outro ponto importante está relacionado a aceitação pelos animais, cães e gatos possuem preferências distintas, e a aceitação de sabores, aromas e texturas pode variar de forma significativa. Por isso, são necessários estudos sensoriais e testes de palatabilidade rigorosos antes do lançamento dos produtos no mercado.
  No entanto, como o mercado de Petfood busca constante inovação, a indústria juntamente com seus profissionais em nutrição de cães e gatos tem pesquisado o desenvolvimento de novos produtos alimentícios para animais de estimação, como qualidade e métodos de processamento para melhorar as propriedades sensoriais, incluindo odores, sabores e propriedades texturais.
  Assim, as oportunidades para a indústria de nutrição de cães e gatos mostra ser bem significativas devido a inovação e o desenvolvimento de novas soluções nutricionais para cães e gatos, com benefícios que incluem hidratação, suplementação nutricional, palatabilidade e conveniência, fornecendo aos consumidores uma gama mais ampla de opções no mercado que visam atender às diversas necessidades nutricionais dos animais de estimação ao mesmo tempo em que melhoram a palatabilidade e os benefícios à saúde. A tendência é que, nos próximos anos, essa categoria continue crescendo e se diversificando, acompanhando a evolução do mercado pet e contribuindo para uma vida mais saudável para os nossos animais de estimação. Por Josiane Volpato, Shirley Souza, Lorenna Nicole Araújo
Fonte: All Pet Food Magazine


Referências
Watson, PE, Thomas, DG, Bermingham, EN, Schreurs, NM e Parker, ME (2023). Palatability Factors for Dogs and Cats — What This Means for Pet Food Development. Animals, 13, 1134. 10.3390/ani13071134 Araujo, JA, & Milgram, NW (2004). A new cognitive palatability assessment protocol for dogs. Journal of Animal Science, 82, 2200–2206. 10.2527/2004.8272200x Aldrich, GC e Koppel, K. (2015). Palatability assessment of pet foods: a review of standard testing techniques and interpretation of results with a primary focus on limitations. Animais, 5, 43–55. 10.3390/ani5010043  Zanghi BM, Gerheart L, Gardner CL. Effects of a nutrient-enriched water on water intake and indices of hydration in healthy domestic cats fed a dry kibble diet. Am J Vet Res. 2018 Jul;79(7):733-744. doi: 10.2460/ajvr.79.7.733. PMID: 29943634.

Da boca ao intestino: a jornada da nutrição e saúde sistêmica dos pets
Nutrição

12+ MIN

Da boca ao intestino: a jornada da nutrição e saúde sistêmica dos pets

Como a nutrição impacta na saúde intestinal e oral dos pets
  Nos últimos anos, os animais de estimação passaram a ocupar um espaço cada vez mais significativo na vida das pessoas. Com a redução nas taxas de natalidade, o adiamento da maternidade e da paternidade e o aumento da expectativa de vida, muitos tutores passaram a enxergar seus pets como verdadeiros membros da família, o conhecido fenômeno da humanização dos animais de companhia. Essa mudança de comportamento tem impulsionado uma nova forma de cuidado, mais atenta, personalizada e preventiva.   Hoje, os chamados 'pais de pet' estão mais informados e exigentes, buscando produtos e serviços que promovam não apenas o bem-estar imediato, mas também a saúde a longo prazo de seus animais. Dentro desse contexto, temas como saúde bucal e intestinal ganham relevância estratégica, especialmente ao considerarmos o desenvolvimento de produtos nutricionais para animais de companhia.   Para que os alimentos sejam plenamente aproveitados e seus benefícios nutricionais otimizados, é essencial garantir a saúde ao longo de todo o percurso digestivo, que se inicia na boca. Por isso, garantir a saúde bucal dos pets é o primeiro passo para uma nutrição eficiente e para o bem-estar. Uma boa alimentação só é plenamente aproveitada quando há equilíbrio entre as funções orais e intestinais.   A saúde oral dos pets vai muito além da estética ou do mau hálito. Problemas como acúmulo de tártaro, gengivite e perda de dentes comprometem a mastigação, dificultam a ingestão adequada dos alimentos e reduzem a eficiência digestiva. A mastigação adequada não apenas facilita a ingestão dos alimentos, mas também inicia a quebra mecânica e enzimática dos nutrientes.   Em cães e gatos, embora a mastigação seja menos prolongada do que em humanos, ela ainda desempenha papel importante na preparação do alimento para o trato gastrointestinal. Além disso, infecções bucais não tratadas podem desencadear doenças sistêmicas, afetando órgãos vitais como coração e rins.   Segundo especialistas da Universidade de Medicina Veterinária de Cornell, entre 50% e 90% dos gatos com mais de 4 anos apresentam algum tipo de doença dentária, um dado que reforça a necessidade de cuidados preventivos desde cedo.   Mas a jornada da nutrição não termina na boca. O intestino é o grande responsável por transformar o alimento ingerido em energia, imunidade e vitalidade. É nele que ocorre a absorção dos nutrientes essenciais, a defesa contra agentes patogênicos e a regulação do sistema imunológico por meio da microbiota intestinal.   O intestino grosso, por sua vez, é responsável pela fermentação de fibras, formação das fezes e manutenção da microbiota, um ecossistema de micro-organismos que influencia diretamente a imunidade, o metabolismo e até o comportamento dos pets.   Essa conexão entre boca e intestino tem impulsionado uma tendência cada vez mais forte de integrar soluções nutricionais que promovam a saúde oral e digestiva dos pets. Nos Estados Unidos, por exemplo, 53% dos tutores que compram alimentos ou petiscos para seus animais desejam ver benefícios voltados à digestão saudável nos produtos¹, um reflexo da crescente conscientização sobre a importância da saúde digestiva e da busca por produtos com funcionalidade comprovada.   Portanto, cuidar de forma integrada da saúde bucal e intestinal é essencial para garantir que os pets aproveitem ao máximo os nutrientes da dieta, mantenham uma microbiota equilibrada e tenham uma vida mais saudável, ativa e longeva.   Ao longo deste artigo, vamos explorar como a indústria pet pode se beneficiar de ingredientes funcionais, como a levedura, para promover uma nutrição estratégica e completa, que respeita a fisiologia dos cães e gatos e contribui para uma saúde sistêmica duradoura. Prepare-se para descobrir como ciência, nutrição e cuidado se unem para transformar a saúde dos pets.   A IMPORTÂNCIA DA NUTRIÇÃO DE PETS
  A nutrição de animais de companhia passou por uma verdadeira revolução nas últimas décadas. De um modelo focado apenas em saciedade e palatabilidade, evoluiu para uma abordagem funcional, estratégica e baseada em ciência. Esse avanço acompanha a transformação do papel dos pets na sociedade e tem impacto direto na saúde e longevidade dos animais.   Uma nutrição adequada é capaz de promover uma série de benefícios que vão muito além da manutenção do peso ou da saciedade. Ela contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, melhora a qualidade da pelagem e da pele, favorece a digestibilidade dos alimentos, auxilia na prevenção de doenças crônicas como obesidade, diabetes e problemas articulares, e ainda impacta positivamente o comportamento e a vitalidade dos pets.   Dietas formuladas com ingredientes funcionais e balanceadas de acordo com a fase da vida e condição clínica do animal podem melhorar a resposta inflamatória, reduzir o estresse oxidativo e promover uma microbiota intestinal equilibrada, fatores que, juntos, resultam em uma vida mais longa, ativa e saudável.   Para compreender esse impacto, é essencial diferenciar dois conceitos fundamentais: alimentar e nutrir. Alimentar refere-se ao ato de fornecer comida ao animal, ou seja, o consumo físico de ingredientes. Já nutrir é garantir que o alimento ingerido seja transformado em energia, tecidos, defesas e funções vitais.   É a nutrição que garante que os nutrientes sejam absorvidos, metabolizados e utilizados de forma eficiente. Essa distinção é fundamental, pois evidencia que não basta alimentar, é preciso nutrir com propósito e qualidade.   Para nutrir adequadamente, é necessário compreender os ingredientes que compõem a dieta e como eles interagem com o organismo do animal. A escolha e o uso correto de aditivos nutricionais, como fibras fermentáveis, prebióticos, probióticos, antioxidantes e leveduras funcionais, são essenciais para promover saúde e bem-estar.   Esses ingredientes atuam diretamente na modulação da microbiota, na integridade da mucosa intestinal e na resposta imunológica, contribuindo para um trato gastrointestinal saudável, que é fundamental para a absorção eficiente dos nutrientes e para a saúde sistêmica do pet.   Essa base nutricional sólida também se conecta diretamente à saúde bucal e intestinal. Um intestino saudável contribui para uma microbiota oral mais equilibrada, reduzindo a formação de placa bacteriana e inflamações gengivais. Por outro lado, uma boa mastigação e saúde oral favorecem a digestão e a absorção de nutrientes. Essa conexão entre os dois sistemas tem impulsionado o desenvolvimento de soluções nutricionais integradas.   Diante disso, quais são as oportunidades no mercado de alimentos para pets?   OPORTUNIDADES DO MERCADO PET
  A crescente humanização dos animais de companhia tem transformado profundamente o mercado pet. Com tutores cada vez mais atentos à saúde e ao bem-estar de seus pets, surgem novas demandas por produtos que vão além da nutrição básica, exigindo soluções funcionais, preventivas e personalizadas. Esse movimento abre espaço para inovações que atendam às expectativas dos 'pais de pet' e respeitem a fisiologia dos animais.   1. Nutrição funcional como diferencial competitivo
A busca por alimentos que promovam benefícios específicos, como suporte imunológico, saúde digestiva, controle de peso e longevidade, tem impulsionado o crescimento de categorias como rações premium, super premium e suplementos nutricionais.   Ingredientes funcionais como leveduras, prebióticos, probióticos, antioxidantes e fibras fermentáveis estão cada vez mais presentes nas formulações, agregando valor e posicionando os produtos como aliados da saúde.   Segundo pesquisas de mercado, 53% dos tutores nos Estados Unidos desejam ver benefícios digestivos nos alimentos e petiscos que compram¹. Esse dado reflete uma tendência global de valorização da saúde intestinal como base para o bem-estar sistêmico, e reforça a importância de desenvolver produtos que atuem 'da boca ao intestino'.   2. Saúde bucal e intestinal como pilares de inovação
A interdependência entre saúde oral e digestiva abre oportunidades para soluções integradas. Investir em produtos que promovam a saúde digestiva e, como consequência, a saúde bucal, é uma tendência forte e valorizada pelos tutores.   Afinal, um animal com o intestino saudável apresenta diversos sinais de bem-estar, como imunidade fortalecida, pele e pelagem saudáveis e até melhorias no comportamento. Essa percepção tem impulsionado o crescimento de categorias como alimentos funcionais, suplementos e petiscos com alegações específicas de saúde.   Produtos que atuam na redução de placa bacteriana, controle de tártaro e equilíbrio da microbiota oral podem ser combinados com ingredientes que favorecem a digestão e a absorção de nutrientes. O uso de prebióticos e probióticos em alimentos para pets está em expansão, pois esses ingredientes ajudam a equilibrar a flora intestinal e a melhorar a digestão. Cerca de 20% dos lançamentos globais de petiscos para cães e gatos destacam benefícios para a saúde digestiva².   Paralelamente, a saúde oral também ganhou relevância: 19% dos lançamentos de alimentos para cães destacaram alegações de prevenção de tártaro e problemas dentários, enquanto 9% dos lançamentos para gatos trouxeram esse benefício². Além disso, 31% dos consumidores afirmam ter comprado produtos de cuidado dental/oral para seus pets nos últimos 12 meses³.   Esses dados refletem uma tendência crescente: o interesse por alimentos que não apenas nutrem, mas também oferecem benefícios adicionais à saúde, como suporte digestivo, imunológico e oral.   Na China, por exemplo, 33% dos tutores afirmam que estariam dispostos a pagar mais por produtos enriquecidos com ingredientes funcionais¹, evidenciando uma oportunidade clara de crescimento e diferenciação no mercado global.   Esses ingredientes oferecem uma abordagem completa, que respeita a fisiologia dos pets e atende às expectativas dos tutores por produtos com funcionalidade comprovada.   3. Segmentação e personalização como estratégia de crescimento
Com o avanço da ciência nutricional e o acesso a dados sobre comportamento e saúde dos pets, cresce a oportunidade de desenvolver produtos segmentados por idade, porte, raça, estilo de vida e condições clínicas. Essa personalização permite atender nichos específicos, como pets idosos, com sensibilidades digestivas ou predisposição a doenças bucais, e fortalece a conexão entre marca e consumidor.   Esse cenário mostra que o mercado pet está em plena expansão, e que a nutrição funcional, especialmente aquela que atua de forma integrada na saúde bucal e intestinal, representa uma das principais oportunidades de inovação e diferenciação para a indústria.   Thaila Cristina Putarov, Gerente Global de Negócios de Nutrição e Saúde Animal da Biorigin, compartilha insights valiosos sobre o mercado pet: 'O mercado pet está cada vez mais orientado por escolhas conscientes e pela busca por soluções que promovam saúde de forma integral. Na Biorigin, acreditamos que ingredientes naturais e funcionais, como a levedura, são fundamentais para atender às expectativas dos tutores e agregar valor às formulações da indústria de nutrição animal.'   As tendências do mercado mostram a necessidade de soluções nutricionais inovadoras, e a Biorigin se destaca como o parceiro ideal para apoiar a indústria de nutrição animal, promovendo saúde e bem-estar de cães e gatos com ingredientes de origem natural, respaldados por ciência e alinhados às demandas do consumidor moderno.   A LEVEDURA DA BIORIGIN COMO ALIADA NA SAÚDE INTESTINAL E ORAL DE PETS
  Com mais de 20 anos de experiência, a Biorigin desenvolve ingredientes de origem natural voltados para atender às necessidades do mercado de alimentos para cães e gatos.   Para garantir o bem-estar e a saúde dos pets, com foco especial na saúde bucal e intestinal, oferecemos soluções inovadoras, desenvolvidas com qualidade e expertise:   Extraído da levedura Saccharomyces cerevisiae por um processo que preserva a estrutura da molécula, o MACROGARD possui alta bioatividade e concentração mínima de 60% de beta-glucanas. Principais benefícios:   Fortalece o sistema imunológico; Eficaz para a saúde oral dos pets com problemas periodontais de ocorrência natural, confira o estudo; Melhora a resposta vacinal em filhotes; Auxilia na saúde das articulações; Contribui para o metabolismo de animais obesos, como na redução dos níveis de glicose.
  Obtido a partir da parede celular da levedura por meio de um processo de produção primária de cultura pura, o ACTIVEMOS apresenta alta concentração de compostos funcionais. Rico em mananoligossacarídeos (MOS), atua como substrato para a microbiota intestinal, estimulando a produção de ácidos graxos de cadeia curta, essenciais para a saúde digestiva. Principais benefícios:   Estímulo ao crescimento de bactérias benéficas; Equilíbrio da microbiota intestinal por meio da aglutinação de patógenos; Preservação da integridade da barreira intestinal, promovendo mais saúde e bem-estar.
  'Na Biorigin, unimos biotecnologia, inovação e ingredientes de origem natural para desenvolver soluções que atendem às demandas do mercado pet. Nossos produtos à base de levedura contribuem de forma comprovada para a saúde intestinal, imunológica e oral dos animais, promovendo bem-estar e qualidade de vida com segurança e eficácia.' João Koch, Gerente Técnico Global Feed da Biorigin.   Para mais informações sobre a Biorigin e nossas soluções de origem natural à base de leveduras e extratos de levedura, acesse o nosso site.
  Fonte: Biorigin Referências
¹ Mintel – A year of innovation in pet food, 2025
² Mintel – Patent insights: revolutionise the future of pet food
³ Mintel – Global Consumer – March 2025 – The Holistic Consumer
4 Universidade de Medicina Veterinária de Cornell

Adsorvente de odor: como utilizá-los de forma estratégica em produtos pet food
Formulação

7+ MIN

Adsorvente de odor: como utilizá-los de forma estratégica em produtos pet food

Por Ludmila Barbi T. Bomcompagni

Dentre as opções de adsorventes de odor utilizados em pet food atualmente, três se destacam por estarem frequentemente presentes em diversas marcas e categorias de alimentos para pets: a zeólita, a bentonita e o extrato de yucca, cada um com suas próprias características e modos de ação. Conhecer melhor cada um deles pode ser muito importante na otimização do desenvolvimento de um produto e sua estratégia de posicionamento no mercado.
  A zeólita com benefícios comprovados para pet food são as do tipo clinoptilolita. Ela é um mineral natural cristalino, com uma estrutura cheia de cavidades formadas por ligações químicas, o que confirma uma grande área superficial e alta capacidade de adsorção. Uma das propriedades mais importantes da zeólita é sua maior capacidade de adsorção por troca catiônica (CTC) comparado a todos outros adsorventes de odor utilizados. A troca catiônica é um processo pelo qual os íons presentes na superfície da zeólita são trocados por outros presentes na solução circundante. Sua estrutura contém espaços vazios que podem ser preenchidos por íons, água e outras moléculas. Isso confere à zeólita uma alta capacidade de adsorção de íons, especialmente de cátions. Quando adicionada aos alimentos para cães e gatos, a zeólita pode adsorver compostos em formas de cátions presentes na digestão, entre eles amônia, responsáveis pelo odor indesejado nas fezes. Além disso, a capacidade da zeólita de absorver umidade melhora a formatação das fezes dos animais, e também pode ajudar a prolongar o shelf-life dos alimentos, evitando a deterioração por alta umidade e contaminação por toxinas uma vez que ela também é um adsorvente de micotoxinas.
  A bentonita, uma argila constituída essencialmente de minerais do grupo das esmectitas e mortmorilonita. É conhecida por sua grande capacidade de inchar quando misturada com água, pois possui uma estrutura química lamelar com carga superficial entre 0,2 e 0,6 por fórmula unitária, e apresentam afastamento das lamelas quando em presença de água, agindo como uma esponja. Assim, quando adicionada à ração animal, a bentonita é capaz de absorver a umidade presente nas fezes com muita eficiência. O mecanismo de ação da bentonita em relação à redução de odor, envolve sua capacidade de adsorção também ligando à compostos, como a amônia, por troca catiônica, secundária à sua ação de inchamento. No entanto, é importante notar que a eficácia da bentonita especificamente à redução de odor fecal de cães e gatos, ainda não é bem elucidada, e sua eficiência pode variar dependendo de vários fatores, incluindo a sua pureza, tipo e finalidade de sua inclusão na fórmula. 
  O extrato de yucca é extraído da planta Yucca schidigera comumente encontrada em desertos e tem como um dos componentes a saponina, que vem sendo estudada em animais de companhia a algumas décadas. Um dos mecanismos pelos quais o extrato de yucca diminui o odor das excretas é pela inibição da urease, enzima que converte a ureia, produto do metabolismo do nitrogênio, em amônia. Assim, quanto menor a ação da urease, menor quantidade de amônia presente nas fezes, e consequente redução do odor fecal. Uma outra hipótese, diz sobre a ação dos glicocomponentes, a parte solúvel em água do extrato de yucca, que possuem afinidade pela amônia e transformá-las em nitrato e nitrito.
  A tabela abaixo mostra a comparação das principais propriedades e benefício de cada adsorvente de odor descrito.     De acordo com a tabela, a zeólita possui maior capacidade de troca iônica, maior remoção de nitrogênio amoniacal e capacidade de remoção de água ligeiramente inferior, pois a bentonita, por ser lamelar, incha e consegue absorver mais água. Levando em consideração as propriedades físico-químicas dos aditivos, podemos inferir que a zeólita tem maior eficiência em remover amônia por sua maior capacidade por troca catiônica comparado aos demais aditivos avaliados para o odor fecal.

No desempenho de testes in vivo, encontramos diversos estudos que avaliaram a inclusão de zeólita clinoptilolita e extrato de yucca em diferentes níveis de inclusão em dietas para cães e para gatos, e que também compararam esses dois aditivos entre si. Para a bentonita, não foi encontrado nenhum estudo de suporte à avaliação de inclusão em diferentes níveis, dificultando a compreensão de qual seria o nível ótimo de utilização para a redução de odor fecal em alimentos para animais de estimação. Por esse motivo, produtos que usam a bentonita como aditivo, normalmente são de categoria econômica ou Standart, a utilizam para melhoria do escore fecal e não visando redução de odor.

Em um estudo Maia et al. (2010) que avaliou o odor fecal de cães em diferentes níveis de zeólita de 0,50; 0,75 e 1,00% e YSE na concentração de 125, 250 ou 375 ppm na dieta de cães saudáveis. As dietas com zeólita nos níveis de 0,75 e 1,00%, respectivamente, tiveram melhor classificação na análise sensorial, que indicam significativa redução no odor do material avaliado. Dessa forma, os níveis de 0,75 e 1,0% do aditivo zeólita proporciona substancial redução no odor das fezes na análise sensorial. Esse resultado é consequência da alta capacidade de troca catiônica e adsorção de gases da zeólita, que adsorveu os gases normalmente produzidos durante a digestão, carreando-os para fora do trato gástrico intestinal do animal sem liberá-los para o meio ambiente. 

Roque et al. (2011), adicionaram a um alimento comercial as mesmas concentrações de zeólita e extrato de yucca para gatos. A dieta com 1,0% de zeólita foi considerada semelhante ao controle e inferior quando comparada aos demais tratamentos. Em contrapartida as doses 0,5 e 0,75% de zeólita apresentaram, melhores valores de odor fecal que a dieta controle. 

Na prática, vemos com maior frequência a utilização da zeólita nas formulações de alimentos de categoria high e super premium, justificada pelos estudos de avaliação aqui mencionados e pela sua eficiência na remoção de odor e ajuste de escore fecal, sendo a primeira escolha para produtos de alto valor agregado. O extrato de Yucca possui ação sobre o odor fecal como foi demonstrado, e por ter um nível de inclusão ótimo entre 0,0125% e 0,035%, ele costuma estar presente em alimentos desde as categorias Standart à super premium, uma vez que o nível de inclusão menor pode reduzir pressão de custo da fórmula. Porém se faz necessário uma avaliação detalhada, pois o extrato de Yucca chega a custar até mais de 10 vezes o valor da zeólita clinoptilolita. 

Com certa frequência, nos deparamos com alimentos comerciais que utilizam zeólita com extrato de yucca na fórmula para pets. Ao usar esses aditivos juntos em rações para cães e gatos, os fabricantes visam oferecer uma abordagem abrangente para o bem-estar digestivo e geral dos animais. A zeólita ajuda a controlar o odor das fezes, e em associação com o extrato de yucca, podem promover efeitos benéficos a saúde intestinal, contribuindo para o conforto e a saúde a longo prazo dos animais de estimação.     Por Ludmila Barbi Trindade Bomcompagni