03/03/2026
Veterinários clínicos deveriam conhecer o processo de fabricação de alimentos para pets e suas inovações
Por Candela Bonaura
É uma realidade que nossos pets, nossos pacientes, comem diariamente, e que, se não o fizessem, isso seria motivo de preocupação e angústia para toda a família e para nós, os médicos veterinários. Portanto, considero, a partir do meu humilde papel, que devemos nos envolver em conhecer mais sobre o processo de fabricação, matérias-primas, fabricantes, qualidade e inovação.
A dieta não é um acessório: é uma ferramenta clínica. Somos nós, médicos, que conhecemos a fisiologia de cada paciente ou o comportamento de uma doença, para que a dieta seja determinante na manutenção da saúde ou, muitas vezes, para que se torne o próprio tratamento, sendo crucial para preservar a qualidade de vida dos nossos pacientes.
Atualmente, a inovação permite otimizar processos e obter alimentos cada vez mais completos e funcionais. Isso significa que, além de nutrir e atender às necessidades energéticas, eles promovem saúde integral por meio da combinação de ações nutritivas e 'farmacológicas ou medicinais' de forma natural.
A inovação também permitiu identificar quais ingredientes não são adequados ou seguros e, portanto, devem ser retirados das formulações. Além disso, aproximou-nos de alternativas melhores e mais naturais. Saber mais e nos envolver nesse tema nos dá as ferramentas para distinguir entre propostas de marketing tentadoras de alimentos realmente seguros e de qualidade.
As fábricas modernas implementam automação desde a recepção das matérias-primas até a embalagem e o paletizado final. Assim, reduz-se o risco de erro humano e aumenta-se a velocidade de produção. São utilizados sensores para medir parâmetros críticos como umidade, temperatura, densidade, condições de secagem, entre outros. Já a inteligência artificial e o aprendizado de máquina permitem otimizar fórmulas, prever falhas e corrigi-las. No controle de qualidade, algumas fábricas já utilizam inspeção automática (com visão computacional, sensores, etc.) para detectar defeitos, contaminações e inconsistências em tamanho, densidade ou textura do alimento.A digitalização permite rastrear cada lote, desde a entrada das matérias-primas até o produto final, melhorando a rastreabilidade e ajudando a minimizar eventuais recolhimentos ou reclamações. Isso contribui para assegurar padrões de qualidade e segurança alimentar, essenciais para evitar contaminação, variabilidade nutricional ou falhas de produção.
Como médicos-veterinários de animais de companhia, devemos conhecer esse processo de digitalização, pois somos responsáveis por garantir consistência nutricional, qualidade, segurança alimentar, rastreabilidade e adequada prescrição de dietas especiais, além de assegurar transparência. Nem todas as fábricas ou fabricantes têm o mesmo nível tecnológico, já que isso requer grandes investimentos e equipe capacitada.
Conhecer esses processos permite:
Avaliar melhor a qualidade do alimento que prescrevemos ou recomendamos.
Compreender o quão 'seguro' pode ser um alimento comercial.
Acompanhar as mudanças na indústria e ter informações atualizadas sobre alimentos personalizados ou especializados.
Diagnosticar e oferecer tratamento com maior precisão, aumentando a capacidade de prescrever dietas terapêuticas e recomendar alimentos de alta qualidade e bem específicos.
Manejar doenças crônicas utilizando alimentos como tratamento primário — como obesidade, doenças gastrointestinais e dermatológicas.
Orientar tutores sobre qualidade, distinguir entre modismos e ciência, e reforçar a importância da nutrição.
Prevenir doenças promovendo, desde filhotes, dietas adequadas para evitar problemas futuros.
Em resumo
Essas mudanças são especialmente relevantes para os profissionais veterinários porque a digitalização na indústria pet food impacta diretamente a qualidade, segurança e confiabilidade dos alimentos que recomendamos a nossos pacientes.
Para receber capacitações em nutrição, alimentos e outros temas, não hesite em me contatar.
Por Dr. M. Candela Bonaura
Fonte: All Pet Food Magazine