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Estudo revela que 94% das dietas caseiras para cães não oferecem nutrição completa
Cães

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Estudo revela que 94% das dietas caseiras para cães não oferecem nutrição completa

Uma análise conduzida pelo Dog Aging Project, iniciativa científica de longo prazo liderada pela Universidade de Washington e pela Texas A&M University, revelou que apenas 6% das 1.726 dietas caseiras avaliadas tinham potencial para atender às necessidades nutricionais mínimas de cães adultos.
  O estudo, publicado no American Journal of Veterinary Research, reforça a preocupação crescente com a popularidade das refeições preparadas em casa, que muitas vezes não entregam o equilíbrio essencial de nutrientes para a saúde animal.
   'Como nosso estudo não incluiu a quantidade exata dos ingredientes, é possível que uma porcentagem ainda menor fosse realmente completa do ponto de vista nutricional', afirmou Janice O'Brien, co-autora do estudo e pesquisadora de doutorado no Virginia-Maryland College of Veterinary Medicine, da Virginia Tech.
  A pesquisa utilizou relatos fornecidos por tutores sobre ingredientes e métodos de preparo, incluindo dados do próprio Dog Aging Project, que reúne informações de mais de 50 mil cães. Todo o material foi analisado no Balance It, ferramenta alinhada às recomendações da Food and Drug Administration (FDA) e da Association of American Feed Control Officials (AAFCO), órgãos que regulam e definem os parâmetros de nutrição animal nos Estados Unidos.   Erros comuns em dietas caseiras elevam riscos nutricionais para cães
Os pesquisadores apontaram que alterações feitas pelos tutores, como trocar tipos de óleo, omitir ingredientes ou deixar de incluir suplementos obrigatórios, especialmente cálcio, comprometem diretamente o equilíbrio nutricional das dietas caseiras.
  Desajustes entre cálcio e fósforo podem gerar problemas ósseos e renais, e cães com doenças pré-existentes estão ainda mais expostos a riscos quando seguem dietas desbalanceadas. O grupo também reforçou a importância de evitar ingredientes perigosos, lembrando que alimentos como uvas são tóxicos para cães e que ossos inteiros representam ameaças sérias, já que fragmentos podem perfurar ou obstruir o trato gastrointestinal.   Alimentação caseira cresce, mas exige supervisão profissional
Embora a alimentação caseira continue crescendo em popularidade, especialmente entre tutores que buscam uma rotina mais natural e personalizada para seus pets, o estudo alerta que esse tipo de dieta exige acompanhamento profissional rigoroso.
  Os pesquisadores recomendam que qualquer tutor que opte por cozinhar para seu cão trabalhe diretamente com um médico veterinário ou nutricionista veterinário certificado, siga a receita exatamente como prescrita e, sempre que possível, envie amostras para análise laboratorial em programas de monitoramento nutricional.

  Fonte: Panorama Pet&Vet

Por que é tão comum que gatos tenham problemas urinários?
Gatos

5+ MIN

Por que é tão comum que gatos tenham problemas urinários?

Discretos por natureza, os gatos são especialistas em esconder sinais de dor e desconforto, o que torna os problemas urinários ainda mais perigosos quando não identificados precocemente.    Consideradas uma das queixas mais frequentes nos consultórios veterinários, as doenças do trato urinário inferior dos felinos afetam, principalmente, gatos adultos e estão diretamente ligadas a fatores como falta de hidratação, alimentação, ambiente e estresse crônico. Segundo a médica-veterinária Paolla Dias, do Hospital Veterinário Polipet, as particularidades do organismo dos gatos explicam, em parte, essa alta incidência.    'O sistema urinário dos felinos é extremamente sensível a alterações no consumo de água, na dieta e na rotina. Pequenos desequilíbrios já podem levar a inflamações, formação de cristais e até obstruções, que são quadros graves e potencialmente fatais', explica.   As doenças urinárias mais comuns em gatos   Entre os principais problemas estão a cistite idiopática felina (CIF), a formação de cristais e cálculos urinários e as obstruções uretrais — estas últimas mais comuns em gatos machos, por conta da anatomia da uretra, que é mais estreita. Os sinais clínicos costumam incluir esforço para urinar, idas frequentes à caixa de areia com pouco volume de urina, dor ao urinar, vocalização, presença de sangue, além de lambedura excessiva da região genital.    Em muitos casos, os tutores percebem mudanças comportamentais, como isolamento, apatia ou agressividade. 'É muito comum que os tutores achem que o gato está apenas com um problema comportamental ou 'birra' por estar urinando fora da caixa, quando, na verdade, ele está sentindo dor intensa', alerta Paolla.   A relação direta entre hidratação, alimentação e saúde urinária   A baixa ingestão de água é apontada como um dos principais gatilhos para problemas urinários em felinos.  Diferentemente dos cães, os gatos possuem baixa sensação de sede, uma herança de seus ancestrais desertícolas, que obtinham grande parte da água a partir das presas. Na rotina doméstica, quando a alimentação é baseada exclusivamente em ração seca, o consumo hídrico muitas vezes se torna insuficiente.    'A alimentação tem papel central na saúde do trato urinário. Dietas com baixo teor de umidade e desequilíbrio de minerais favorecem a formação de cristais e cálculos. Além disso, a urina mais concentrada aumenta a chance de inflamações', explica a profissional. Por isso, a combinação entre ração seca de qualidade e alimento úmido, além do estímulo constante à ingestão de água, é fortemente recomendada. Fontes de água corrente, potes espalhados pela casa e recipientes de vidro ou inox ajudam a aumentar o consumo.   O estresse como fator silencioso das doenças urinárias   Outro vilão frequente, e muitas vezes subestimado, é o estresse. Mudanças de ambiente, chegada de novos animais, ausência de enriquecimento ambiental, disputas por recursos, rotina instável e até ruídos constantes podem desencadear crises, especialmente nos casos de cistite idiopática felina.   'O estresse provoca alterações hormonais e neurológicas que afetam diretamente a bexiga do gato. Em muitos casos, não há infecção bacteriana, mas sim um processo inflamatório ligado ao desequilíbrio emocional do animal', afirma a médica-veterinária. Ambientes pouco estimulantes, com poucas opções de arranhadores, esconderijos, brinquedos e alturas, também favorecem o surgimento desses quadros, sobretudo em gatos que vivem exclusivamente dentro de casa.   Obstrução urinária é emergência veterinária   A obstrução da uretra é o quadro mais grave dentro das doenças urinárias felinas e ocorre, principalmente, em machos.  Nessa situação, o gato simplesmente não consegue eliminar a urina, o que pode causar intoxicação no organismo, insuficiência renal aguda e até levar à morte em poucas horas. 'A obstrução urinária é uma emergência absoluta. O tutor deve procurar atendimento imediato ao perceber que o gato faz força para urinar e não consegue, apresenta dor intensa ou está prostrado', alerta Paolla Dias.   Prevenção começa na rotina do tutor A boa notícia é que muitos problemas urinários podem ser prevenidos com cuidados simples no dia a dia.  Alimentação adequada ao perfil do animal, incentivo ao consumo de água, manejo correto da caixa de areia, enriquecimento ambiental e acompanhamento veterinário regular fazem toda a diferença. 'A prevenção é sempre o melhor caminho. Quando o problema é identificado no início, as chances de resposta ao tratamento são muito altas e evitam sequelas mais graves', reforça a profissional.   A recomendação geral é que cada gato tenha pelo menos uma caixa de areia, sempre limpa e posicionada em local tranquilo, além de acesso facilitado à água e alimento.  Mudanças na rotina devem ser feitas de forma gradual, respeitando o comportamento do animal.   Atenção aos sinais e acompanhamento contínuo Por serem silenciosas no início, as doenças urinárias exigem atenção redobrada dos tutores.  Qualquer alteração no padrão urinário, no comportamento ou no apetite deve ser investigada o quanto antes. O acompanhamento veterinário periódico, mesmo em gatos aparentemente saudáveis, é essencial para a detecção precoce de alterações e para manter a qualidade de vida dos felinos ao longo dos anos.   Fonte: Cães e Gatos

Nutrição de pets na velhice precisa mudar, alerta especialista
Sanidade

4+ MIN

Nutrição de pets na velhice precisa mudar, alerta especialista

A veterinária especialista em medicina esportiva e reabilitação Dr. Kelly Fishman alerta sobre como as necessidades nutricionais dos animais idosos estão mudando e por que as dietas sênior tradicionais podem não ser as mais adequadas. De acordo com a especialista, o envelhecimento varia conforme o porte do animal.    Cães de pequeno porte entram na meia-idade por volta dos 10 anos e se tornam idosos entre 11 e 13 anos. Já os cães grandes chegam à meia-idade aos sete anos e passam à fase sênior entre oito e 11 anos.  Os gatos seguem um padrão semelhante ao dos cães pequenos, tornando-se idosos por volta dos 11 a 13 anos.   Apesar de muitos tutores associarem o envelhecimento a doenças internas, a principal preocupação atualmente é a fragilidade física.  'Os cães começam a apresentar dificuldades de mobilidade: têm mais dificuldade para entrar no carro, subir e descer escadas, escorregam em pisos lisos e já não conseguem fazer caminhadas como antes. Internamente, muitas vezes, eles estão perfeitos', afirma a Dra. Kelly Fishman.   Com a maior longevidade, novas doenças também vêm sendo observadas. Um exemplo é a GOLPP — paralisia laríngea de início geriátrico associada à polineuropatia — comum em cães de grande porte, como labradores e golden retrievers.  'É uma doença que nós, veterinários, quase não víamos há cerca de 10 anos, mas que hoje observo com frequência nos meus pacientes de grande porte', relata a especialista.   A veterinária também faz um importante alerta sobre os alimentos formulados para pets idosos. Segundo ela, a redução de proteína nesses produtos pode ser prejudicial.  'Quando as pessoas acham que estão fazendo a coisa certa ao oferecer uma ração sênior, acabam reduzindo proteína e gordura. Ao mesmo tempo, esse cão idoso está perdendo músculo. Ele tem sarcopenia. Na prática, estão fazendo exatamente o oposto do que deveriam', explica.    De acordo com a especialista, cães idosos saudáveis podem precisar de até o dobro de proteína em relação aos adultos. Quando o assunto é suplementação articular, o destaque vai para os ácidos graxos ômega 3.  'Os ômega 3 têm comprovação científica muito sólida no auxílio à mobilidade de cães com artrite e também de gatos. É o suplemento número um que eu recomendo', afirma a Dra. Kelly.    Para pets sensíveis ao óleo de peixe, o mexilhão de lábios verdes, da Nova Zelândia, surge como alternativa natural. A nutricionista veterinária ressalta ainda que diferentes condições articulares exigem abordagens distintas.    Enquanto o ômega 3 é indicado para animais com artrite, o colágeno tipo 2 é mais apropriado para cães ativos sem doença articular, auxiliando na prevenção da inflamação da cartilagem.  Já o colágeno bovino pode beneficiar tanto articulações quanto a saúde da pele. O suporte à musculatura também é essencial na velhice. Ingredientes como o fortetropin, segundo a especialista, têm comprovação científica na preservação e no ganho de massa muscular em cães e gatos idosos, ajudando a minimizar a fragilidade.   Outro ponto de atenção destacado é a falta de regulação do mercado de suplementos para pets.  'Um suplemento pode dizer qualquer coisa. Eles podem fazer praticamente qualquer alegação. Ao mesmo tempo, nem sempre o que está no rótulo corresponde ao que realmente está no produto', alerta. Por fim, a veterinária defende que a classe veterinária esteja mais aberta ao diálogo sobre diferentes tipos de alimentação, além da ração tradicional.    'Como comunidade veterinária, eu espero que a gente não descarte tanto dietas frescas, congeladas, levemente cozidas ou liofilizadas. Muitas pessoas querem discutir alternativas além da ração, e é nosso papel aprender mais sobre o que devemos, de fato, oferecer aos nossos cães', conclui.   Fonte:  Cães & Gatos

"Porque é que o meu cão sofre de obstipação?" e outras perguntas de natureza gastrointestinal
Sanidade

3+ MIN

"Porque é que o meu cão sofre de obstipação?" e outras perguntas de natureza gastrointestinal

"O que define a obstipação?" e "Porque é que o meu cão tem obstipação?" são perguntas muitas vezes feitas pelos tutores de animais de companhia. No extremo oposto do espetro gastrointestinal (GI) encontra-se a diarreia, e ambas podem ser desagradáveis e ter muitas causas subjacentes. Ambos os problemas gastrointestinais podem causar letargia, edema e desconforto extremo em cães. Embora proporcionar ao seu cão uma alimentação nutricionalmente equilibrada e evitar uma gastroenterite (como comer algo do lixo, ingerir brinquedos ou restos de comida) possa minimizar os problemas gastrointestinais, a obstipação e a diarreia são condições comuns a que os tutores de animais de companhia devem estar atentos e saber quando é altura de consultar o veterinário. O seu veterinário pode ajudar a identificar a causa da obstipação ou diarreia do seu cão e a melhor forma de a tratar.   O que é a obstipação? A maioria dos cães tem um padrão diário habitual de movimentos intestinais. Provavelmente já conhece bem este padrão pelo número de sacos que o seu animal de companhia utiliza quando o leva a passear. Manter um registo dos hábitos normais do seu cão pode ajudá-lo a identificar quando existe algo errado. Antes de perguntar "Porque é que o meu cão sofre de obstipação?", deve saber identificar os sinais. A obstipação refere-se à eliminação pouco frequente ou difícil das fezes. As fezes são frequentemente duras e secas e podem conter sangue. Um cão que defeca ocasionalmente uma ou duas vezes menos do que o habitual geralmente não é motivo de alarme, mas se o seu cão não defecar há mais de um dia e mostrar sinais de esforço ou falta de apetite, contacte o seu veterinário.   Porque é que o meu cão sofre de obstipação?   A pergunta relativamente ao motivo pelo qual o seu cão sofre de obstipação pode ter muitas respostas. Um exame físico realizado pelo veterinário, bem como exames complementares como raio-X, podem ajudar a descobrir ou a excluir os seguintes problemas: Ingestão de corpos estranhos (roupa, brinquedos, ossos, pedras, erva, pelo, cabelo humano) Movimento intestinal lento Desidratação Bolas de pelo a bloquear o ânus Aumento da glândula prostática em cães machos Hérnias (quando uma lesão ou esforço empurra uma pequena parte de um órgão interno através do músculo que o envolve) Tumor ou massa no trato intestinal Sacos anais infetados ou impactados Efeito secundário de medicamentos Condições ortopédicas e neurológicas, como artrite, que afetam a capacidade do cão se agachar   Fonte: Hill's Pet

4 formas de ajudar o seu gato a manter o peso ideal
Gatos

3+ MIN

4 formas de ajudar o seu gato a manter o peso ideal

Aqui estão algumas dicas sobre como assegurar que o seu gato alcança o peso ideal e mantém um peso saudável durante toda a vida.   Acompanhe a perda de peso do seu gato
Perder peso pode promover a saúde do seu gato, mas apenas se o peso for perdido de forma saudável e controlada. Para assegurar que o seu gato está a perder peso a um ritmo saudável, certifique-se de que o pesa regularmente e avalia o seu índice de condição corporal. O veterinário ou a equipa clínica podem explicar-lhe o processo e indicar-lhe o índice de condição corporal do seu gato. O ideal é começar de duas em duas semanas e depois mensalmente. A maior parte das clínicas veterinárias têm uma balança disponível de utilização gratuita, mas se o seu gato não tiver problemas em pesar, também pode utilizar uma balança de casa de banho. Basta pesar-se com o gato ao colo e depois subtrair o seu peso para determinar o dele.   Inclua uma atividade saudável
Se lhe oferecer um alimento completo e equilibrado para redução de peso, saberá que o seu gato mantém uma alimentação saudável. No entanto, o programa de controlo de peso do seu gato não está completo sem uma quantidade saudável de atividade física. Certifique-se de que o seu gato realiza a atividade física de que necessita para se manter saudável. Jogar jogos com o seu gato reforça o vínculo e promove o exercício de forma estimulante.   Visite o veterinário com frequência
As visitas frequentes ao veterinário ajudam a assegurar que o programa de controlo de peso corre excecionalmente bem. O veterinário sabe qual é o peso ideal do seu gato, com que velocidade deve perder peso e que alimentos são melhores para cada fase do plano de controlo de peso. Também lhe pode dar dicas sobre como dividir a ingestão de alimento ao longo do dia para ajudar o gato a sentir-se saciado durante mais tempo.   Mantenha o peso ideal ao longo da vida
O plano de controlo de peso não deve ser temporário. Quando o seu gato alcançar o peso ideal, converse com o seu veterinário para decidir se mantém o mesmo alimento, talvez em numa quantidade superior, ou se deve mudar para algo diferente. Não se esqueça de continuar a fazer exercício e de pesar o seu gato todos os meses, para confirmar que não há oscilações. O seu gato pode aumentar ou voltar a aumentar o peso com maior facilidade do que os outros. A raça, a idade, a seleção do alimento, a saúde e uma grande variedade de fatores podem determinar com que rapidez um gato aumenta o peso e que tipo de nutrição é necessária para o controlar. Se considera que o seu gato pode precisar de um programa de controlo de peso, aconselhe-se com o veterinário.   Fonte: Hill's Pet


Sanidade

Sanidade <em>Salmonella </em>em pet food: como ocorre a contaminação e quais cuidados ajudam a prevenir riscos
 

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Salmonella em pet food: como ocorre a contaminação e quais cuidados ajudam a prevenir riscos  

A segurança dos alimentos destinados a cães e gatos é uma preocupação constante dentro da indústria e do atendimento veterinário. 
  Entre os microrganismos que podem representar risco nesse contexto está a Salmonella, bactéria amplamente conhecida por causar infecções alimentares em humanos e animais.
Embora a presença do patógeno em alimentos industrializados seja incomum quando boas práticas de fabricação são seguidas, a contaminação pode ocorrer em diferentes etapas da cadeia — desde a origem das matérias-primas até o armazenamento final do produto. 
  Por isso, compreender os fatores envolvidos e adotar medidas preventivas é fundamental para proteger a saúde dos animais e das pessoas que convivem com eles.   Como a Salmonella pode contaminar alimentos para cães e gatos
A Salmonella é um gênero de bactéria presente no ambiente, que pode ser encontrado em alimentos de origem animal e vegetal. 
  Na cadeia de produção da pet food, as principais fontes potenciais de contaminação incluem matérias-primas contaminadas, manipulação inadequada e falhas nos processos de controle sanitário.
  De acordo com o zootecnista João Marcel, o controle começa antes mesmo da fabricação do alimento. 
  'A prevenção da contaminação por Salmonella começa na escolha e no monitoramento das matérias-primas utilizadas na formulação do produto', afirma.
  Durante o processo industrial, a aplicação de temperaturas elevadas — como ocorre na extrusão das rações secas — contribui para reduzir significativamente a presença de microrganismos. 
  Ainda assim, existe a possibilidade de contaminação posterior, caso ocorram falhas nas etapas de manipulação, transporte ou armazenamento.
  'Mesmo após o processamento térmico, é essencial manter rigorosas práticas de higiene e controle sanitário para evitar recontaminações', explica João Marcel.
  Produtos crus ou minimamente processados, como dietas naturais cruas, podem apresentar risco maior de presença da bactéria se as matérias-primas não forem adequadamente controladas ou armazenadas.   Processos como extrusão utilizam altas temperaturas que ajudam a reduzir a presença de microrganismos (Foto: Reprodução)
Armazenamento e manejo também influenciam na segurança alimentar
Além da produção industrial, o armazenamento doméstico também exerce papel importante na prevenção da contaminação. 
  Embalagens abertas, recipientes mal higienizados ou exposição do alimento à umidade podem favorecer a proliferação de microrganismos.
  Segundo João Marcel, a forma como o alimento é armazenado após a compra faz diferença na preservação da qualidade do produto. 
  'Manter a ração em local seco, protegido da luz e bem fechado ajuda a preservar as características do alimento e reduzir o risco de contaminações', orienta.
  Outro ponto importante é evitar misturar alimento novo com restos antigos que permanecem no recipiente. Esse hábito pode favorecer deterioração e contaminação cruzada.
  Também é recomendado higienizar periodicamente potes e recipientes utilizados para armazenar o alimento dos animais, bem como respeitar o prazo de validade indicado pelo fabricante.
  Já no caso de alimentos úmidos ou dietas naturais, a conservação adequada sob refrigeração é essencial após a abertura da embalagem.   Sinais de que o alimento pode estar contaminado
Nem sempre a presença de Salmonella altera o aspecto do alimento, o que torna a contaminação difícil de identificar visualmente. 
  Ainda assim, algumas mudanças podem indicar que o produto sofreu deterioração ou armazenamento inadequado.
  Entre os sinais que merecem atenção estão o odor alterado, presença de mofo, mudança na textura ou aspecto incomum da ração. Embalagens violadas ou estufadas também podem indicar comprometimento do produto.
  'Qualquer alteração perceptível no alimento deve ser motivo para interromper o uso e buscar orientação adequada', ressalta o zootecnista. 
  Em casos de suspeita, é importante não oferecer o alimento ao animal e entrar em contato com o fabricante ou com um profissional da área para avaliação.   Sintomas de salmonelose em cães e gatos
A infecção causada por Salmonella, chamada salmonelose, pode provocar diferentes sinais clínicos em cães e gatos. 
  Em muitos casos, os animais podem ser portadores assintomáticos, mas alguns desenvolvem manifestações gastrointestinais.
  Entre os sinais comuns da condição estão diarreia, presença de muco ou sangue nas fezes, vômito, febre, apatia e redução do apetite. 
  Filhotes, animais idosos ou indivíduos com sistema imunológico comprometido podem apresentar maior risco de desenvolver quadros mais graves.
  João Marcel destaca que qualquer alteração digestiva persistente deve ser avaliada por um profissional. 
  'A presença de sintomas gastrointestinais deve sempre motivar a busca por atendimento veterinário para diagnóstico e manejo adequado', afirma.
  Além do impacto na saúde animal, a Salmonella também possui importância em saúde pública, pois pode ser transmitida entre animais e humanos por meio do contato com fezes ou alimentos contaminados.
  Por esse motivo, a higienização adequada das mãos após manipular alimentos ou utensílios utilizados pelos animais é uma medida importante de prevenção.   Embalagens comprometidas podem indicar risco de contaminação do produto (Foto: Reprodução)
FAQ sobre salmonella na pet food
A salmonella é comum em alimentos para pets?
A presença da bactéria é considerada incomum em produtos fabricados sob rigorosos controles sanitários, mas pode ocorrer caso haja falhas na cadeia de produção ou armazenamento.
  Animais sempre apresentam sintomas quando entram em contato com Salmonella?
Não. Alguns cães e gatos podem ser portadores assintomáticos, enquanto outros desenvolvem sinais gastrointestinais.
  Como reduzir o risco de contaminação na alimentação dos pets?
Armazenar o alimento corretamente, manter utensílios limpos, respeitar o prazo de validade e adquirir produtos de fabricantes que sigam boas práticas de produção são medidas importantes. Fonte: Cães e Gatos

Sanidade Segurança de alimentos pet: 10 pontos críticos para fortalecer o sistema nas fábricas

4+ MIN

Segurança de alimentos pet: 10 pontos críticos para fortalecer o sistema nas fábricas

Garantir a segurança de alimentos para animais de companhia exige mais do que protocolos bem escritos. 
  Na prática industrial, falhas costumam ocorrer na execução, especialmente quando há mudanças em formulações, equipamentos ou rotinas operacionais que não passam por reavaliações criteriosas.

A construção de um sistema robusto depende de três pilares: equipes bem treinadas e engajadas, procedimentos fundamentados em evidências científicas e revisão contínua dos processos produtivos. 
  Sem esses elementos, mesmo programas tecnicamente estruturados podem apresentar lacunas no chão de fábrica.
  A seguir, dez pontos considerados centrais para fortalecer programas de segurança em fábricas de alimentos para pets:
  Pessoas são a base do sistema
Mesmo o melhor programa não funciona sem uma equipe comprometida e tecnicamente preparada. 

O desempenho do sistema depende diretamente do engajamento e da capacidade dos profissionais responsáveis por executar os procedimentos operacionais padrão.
  Segurança de alimentos exige revisão contínua
O sistema não pode ser tratado como documento estático. Revisões devem ocorrer ao menos uma vez por ano e sempre que houver mudanças em equipamentos, fluxo de processo ou formulação. A atualização constante é essencial para garantir que as medidas preventivas permaneçam adequadas.
  Modificações estruturais aumentam o risco de patógenos
Alterações em estruturas físicas ou substituição de equipamentos estão entre os principais fatores associados ao surgimento de riscos sanitários. Intervenções em paredes, passagens ou áreas técnicas podem expor pontos previamente ocultos de contaminação. Por isso, recomenda-se higienização antes e depois das obras, além de protocolos rigorosos para equipes terceirizadas.
  Maior inclusão de proteínas requer revalidação
O aumento no uso de carnes frescas e farinhas de origem animal em formulações premium pode exigir reavaliação das etapas de controle de patógenos. Estudos de validação realizados com níveis menores de inclusão proteica podem não refletir o risco atual, especialmente quando há cargas microbianas superiores às inicialmente consideradas.
  Estudos internos são fundamentais
Estudos de desafio conduzidos internamente são importantes para correlacionar dados laboratoriais com a produção em escala industrial. Como plantas-piloto não reproduzem integralmente as condições de extrusoras comerciais, é necessário gerar dados próprios que comprovem equivalência em parâmetros como tempo, pressão e umidade.
  Controles preventivos não podem ser flexibilizados
Pressões por aumento de produtividade não devem comprometer parâmetros críticos de controle. Ajustes para ganho de eficiência devem ocorrer por meio de pesquisa e otimização de processos — como configuração de pré-condicionadores ou ajustes de velocidade — e não pela redução de medidas de segurança.

Avaliação externa amplia objetividade
Equipes internas podem perder a capacidade de identificar vulnerabilidades ao longo do tempo. A contratação de auditorias externas e certificações independentes é considerada estratégica para garantir avaliação imparcial de riscos.
  Cultura começa na liderança
A coerência entre discurso e prática da gestão é determinante para consolidar a cultura de segurança. Inconsistências no uso de equipamentos de proteção individual por parte de gestores, por exemplo, sinalizam fragilidade no alinhamento institucional.
  Treinamento deve ser acessível e contínuo
Programas de capacitação simples, atualizados e integrados à rotina operacional tendem a gerar maior adesão. Sistemas digitais com alertas automáticos de atualização de procedimentos podem reforçar a cultura de melhoria contínua, desde que complementados por treinamentos práticos.
  Verificação de fornecedores é inegociável
A consistência de ingredientes influencia diretamente a segurança e a estabilidade do processo. Variações regionais em matérias-primas, como trigo, podem afetar densidade, comportamento na extrusão e carga microbiana. Auditorias anuais, exigência de certificados de análise e comunicação transparente sobre mudanças de origem são medidas consideradas essenciais.   FAQ sobre segurança de alimentos pet
Por que mudanças estruturais aumentam o risco sanitário?
Porque podem expor áreas previamente contaminadas ou criar novos pontos de abrigo para patógenos.
  Com que frequência o sistema de segurança deve ser revisado?
Recomenda-se ao menos uma revisão anual completa, além de avaliações sempre que houver mudanças operacionais.
  Qual é o papel da liderança na segurança de alimentos?
A gestão deve demonstrar, na prática, o padrão de conduta esperado, fortalecendo a cultura organizacional. Fonte: Cães & Gatos