Atualmente, os alimentos para cães e gatos são classificados em três categorias: completos, coadjuvantes e específicos, podendo ser seco ou úmido. Dentro de cada uma delas, as empresas desenvolvem subcategorias para atender diferentes perfis de animais, como sêniores, atletas, obesos entre outras. Tem crescido de forma consistente a busca por alimentos alternativos, ingredientes funcionais e soluções mais sustentáveis. Esse movimento tem impulsionado pesquisas intensas para que os alimentos ofereçam não apenas nutrição adequada, mas também benefícios adicionais à saúde, maior qualidade de vida e menor impacto ambiental.

Para entregar tudo isso, a indústria já não depende apenas de equipamentos robustos ou somente formulações genéricas para cães e gatos. Agora, mais do que nunca, a empresa precisa estar conectada em tempo real a cada etapa do processo, com cada setor responsável pela elaboração daquele alimento. Assim, máquinas, sensores, softwares e pessoas precisam operar de forma integrada para que a produção seja ajustada ao processo e melhore continuamente. Com isso, ao combinar automação, dados e conhecimento técnico, uma fábrica automatizada transforma a produção em um processo dinâmico, inteligente e capaz de evoluir continuamente.

 

Inovação que se fabrica todos os dias

 

Um exemplo prático de como isso se aplica à produção de alimentos secos para cães e gatos está no ganho de precisão em cada etapa do processo, como extrusão, secagem e recobrimento. Um sistema automatizado permite:
 

  • Dosagem precisa e automática de microingredientes, especialmente em alimentos coadjuvantes, que exigem alto nível de precisão.
  • Controle automático e inclusão de carne fresca, farinhas e óleos.
  • Laboratórios altamente tecnificado permitindo análise de todos as matérias-primas no recebimento.
  • NIRs em linha com resultados just in time, permitindo ajustes imediatos quando necessário.
  • Minimização de variações que afetam digestibilidade e palatabilidade.
  • Rastreabilidade completa e digital, desde o recebimento até o produto acabado.
  • Indicadores automáticos de eficiência (OEE), ajudando a identificar gargalos e oportunidades de melhoria.
     

Na extrusão, etapa central na fabricação de kibbles, é profundamente otimizada com a automação:
 

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  • Controle de temperatura e pressão em cada zona do extrusor.
  • Controle de velocidade da rosca.
  • Adição de vapor e água conforme necessidade.
  • Maior consistência no cozimento, impactanto positivamente a digestibilidade, textura e durabilidade do kibble.
  • Densidade e expansão do kibble mais homogêneos, com melhor gelatinização do amido e redução de desperdícios.
  • Registro automático dos parâmetros do processo, garantindo rastreabilidade e padronização entre lotes.


A etapa de secagem é essencial para a retirada de água e o controle da atividade de água, fatores que contribuem diretamente para a segurança microbiológica do produto. Além disso, a umidade interfere na palatabilidade: cães tendem a preferir alimentos ligeiramente mais úmidos, enquanto gatos costumam aceitar melhor alimentos mais secos. Por isso, a integração de sensores e softwares inteligentes nos secadores é fundamental, evitando o sub ou super processamento e garantindo que cada lote atinja exatamente a umidade desejada. Esse controle preciso assegura estabilidade, segurança e a palatabilidade adequada ao perfil de cada espécie.
 

Outra etapa importante é o recobrimento, etapa sensível na fabricação de alimentos secos. Hoje, o mercado conta com sistemas de recobrimento muito mais modernos, como os equipamentos batelada com vácuo, que permitem uma aplicação altamente precisa dos ingredientes. Esse nível de controle influencia diretamente a palatabilidade, a estabilidade oxidativa e a aceitação final do produto, garantindo maior desempenho sensorial e qualidade ao alimento.
 

Além disso, a automação permite uma rastreabilidade muito mais robusta e acessível. Com sistemas integrados, é possível acompanhar cada lote, desde a matéria-prima até o produto acabado, o que garante:
 

  • Identificação rápida de não conformidades.
  • Respostas mais eficientes em casos de recall.
  • Maior transparência para o consumidor.
  • Histórico completo e auditável de cada etapa do processo.
     

Essa rastreabilidade é especialmente crítica na produção de alimentos coadjuvantes e terapêuticos, onde qualquer variação nutricional pode comprometer a eficácia do produto. Com controles digitalizados, a indústria assegura precisão, consistência e total segurança do lote ao consumo pelos cães e gatos.

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A importância da rotulagem

 

Outra etapa igualmente essencial é a elaboração da rotulagem do produto, fundamental para garantir que todas as informações obrigatórias estejam presentes e corretas, conforme a legislação de cada país.
 

Nessa etapa, é essencial envolver representantes de todas as áreas da cadeia produtiva, como: Regulatório, Garantia da Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos e Embalagem e Marketing. Essa integração assegura que a rotulagem e a embalagem sejam construídas de maneira segura, eficiente e sem retrabalhos, sendo compatível com a linha de envase e atraente para o consumidor final. A tecnologia também tem um papel cada vez mais relevante nesse processo. Atualmente, muitas empresas utilizam softwares especializados que realizam a conferência automática das descrições dos rótulos a cada versionamento, comparando informações, destacando inconsistências e reduzindo significativamente o risco de erros humanos. Essa automação traz maior segurança documental, agilidade na revisão e confiabilidade na aprovação final da rotulagem.
 

Outro assunto que ganha cada vez mais espaço dentro da indústria pet food e que impacta diretamente toda a cadeia produtiva é a sustentabilidade. Mais do que uma tendência, ela se tornou um pilar estratégico que orienta decisões desde a escolha de matérias-primas até o desenvolvimento de embalagens e o desenho dos processos industriais. Implementar sustentabilidade na indústria pet food é desafiador porque envolve equilibrar eficiência produtiva, custos, regulamentações e, ao mesmo tempo, atender às expectativas de consumidores cada vez mais atentos ao impacto ambiental dos produtos que compram. A cadeia é complexa: depende de ingredientes de origem animal e vegetal, exige grande volume de água e energia e utiliza embalagens com alta barreira, muitas vezes difíceis de reciclar.
 

Ainda assim, o setor tem avançado de forma consistente. Cada vez mais empresas incorporam matérias-primas inovadoras, como as chamadas super proteínas entre elas as farinhas de larvas de insetos que possuem pegada ambiental reduzida e excelente valor nutricional. Paralelamente, cresce o movimento interno de reduzir o consumo de água e energia, reaproveitar recursos, monitorar e mitigar emissões de CO₂ e desenvolver embalagens monomateriais 100% recicláveis, que facilitam a reinserção no ciclo produtivo e diminuem o impacto ambiental.
 

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Um passo ainda mais estratégico é a adoção da Avaliação do Ciclo de Vida (AVC), uma ferramenta que quantifica os impactos ambientais de um produto desde a origem dos ingredientes até o destino final. Empresas que já realizam esse estudo se destacam por tomar decisões baseadas em dados reais, identificando pontos críticos e direcionando esforços de forma assertiva, seja na escolha de matérias-primas, na eficiência dos processos ou na sustentabilidade das embalagens. A ACV é vista como uma das principais tendências para o futuro da indústria pet food, e um diferencial competitivo das organizações que realmente se comprometem com a redução de impactos ambientais em todas as etapas da cadeia.
 

Com isso, ao reunir inovação, responsabilidade e visão de longo prazo, a indústria Pet Food demonstra que sustentabilidade não é apenas um discurso, mas um caminho sem volta e uma oportunidade concreta de construir produtos melhores, processos mais eficientes e um futuro mais equilibrado para o planeta e para as próximas gerações. Isso mostro que o desafio de produzir alimentos para cães e gatos vai muito além da formulação ou da escolha dos ingredientes. Ele envolve uma cadeia complexa que depende de tecnologia, integração, controle rigoroso e inovação contínua.
 


Por Josiane Volpato e Juliana Soares Brazorotto
Fonte: All Pet Food Magazine

About the author

Josiane Volpato

Doutora em Zootecnia com ênfase em Nutrição de Cães e Gatos pela Universidade Estadual de Maringá – UEM, Paraná, Brasil. Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da mesma instituição. Sua pesquisa concentra-se na formulação e desenvolvimento de alimentos para cães e gatos, especificamente na qualidade de farinhas de subprodutos animais e gorduras animais como ingredientes de ração; palatabilidade de ingredientes e alimentos para cães e gatos; e digestibilidade e fermentação in vivo e in vitro.


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