Mudanças fisiológicas, alterações metabólicas e maior predisposição a determinadas doenças tornam o acompanhamento veterinário, a nutrição adequada e a identificação precoce de sinais clínicos ainda mais importantes nessa fase da vida. Assim, o desafio não é apenas fazer com que os pets tenham uma vida mais longeva, mas garantir que esses anos adicionais sejam vividos com saúde e bem-estar.
Estamos acostumados a reconhecer o envelhecimento dos gatos e cães quando ele se torna visível. Pelos brancos, redução do ritmo, alterações na visão ou na audição parecem funcionar como sinais de que uma nova fase começou. Mas e se, quando esses sinais aparecem, já estivermos olhando para um processo que começou há algum tempo?
Essa é uma mudança de perspectiva que precisamos fazer quando falamos sobre longevidade saudável dos animais. Especialmente agora, quando uma grande geração de gatos e cães acolhidos durante a pandemia de COVID-19 começa a chegar à meia-idade.
Esse período, que se inicia geralmente entre 6 e 8 anos para gatos e entre 5 e 7 anos para cães, é uma fase importante para olhar para a saúde a longo prazo. É quando os animais ainda podem parecer plenamente saudáveis, ativos e dispostos, enquanto algumas mudanças relacionadas ao envelhecimento começam a ocorrer de forma silenciosa.
Uma pesquisa recente encomendada pela ROYAL CANIN® e conduzida pela Censuswide com 1.000 responsáveis por gatos e cães no Brasil mostra como essa percepção influencia o cuidado. Metade dos entrevistados (50%) evita pensar ou conversar sobre o envelhecimento de seus animais. Mais de um terço (34,3%) pensa no assunto somente quando surgem problemas de saúde, enquanto 35,2% não adota cuidados preventivos porque o animal aparenta estar bem e não apresenta sinais visíveis.
Esses dados mostram uma lógica de cuidado ainda muito reativa. Se não há um problema aparente, não parece haver urgência. Só que, quando falamos em longevidade saudável, justamente o período em que o animal parece estar bem pode representar uma das melhores oportunidades para agir.
Não se trata de antecipar doenças ou transformar o envelhecimento em motivo de preocupação. Trata-se de reconhecer que envelhecer é um processo, e não um acontecimento que começa no dia em que o animal apresenta o primeiro sinal visível.
A ciência veterinária tem ampliado essa discussão ao diferenciar expectativa de vida de longevidade saudável, ou healthspan: o período vivido com saúde antes do surgimento de doenças crônicas ou limitações funcionais. Não podemos impedir que gatos e cães envelheçam, mas podemos olhar de maneira mais cuidadosa para os fatores que contribuem para a qualidade de vida ao longo desse processo.
É aí que a prevenção ganha importância. Acompanhamento veterinário regular, manutenção do peso saudável, atividade física, observação atenta da rotina e nutrição adequada fazem parte de uma abordagem contínua de cuidado. Nenhum desses fatores deve ser analisado de forma isolada. A escolha da nutrição, por exemplo, deve acompanhar as necessidades individuais de cada animal, considerando seu estágio de vida, condição corporal, rotina, características específicas e predisposição a doenças, sempre com orientação do Médico-Veterinário.
A própria percepção dos responsáveis aponta para esse caminho: 35,2% mencionaram a nutrição específica entre os fatores de maior impacto na qualidade de vida durante a maturidade, enquanto 34,1% destacaram os check-ups regulares. Na prática, esses dois fatores se complementam e contribuem para os cuidados preventivos.
Esses dados indicam que precisamos avançar de uma visão de cuidado baseada na resposta para uma visão baseada na antecipação. A nutrição pode fazer parte dessa estratégia, não apenas depois que uma doença é diagnosticada, mas como um dos elementos de um cuidado contínuo e individualizado.
Nesse contexto, o papel da indústria de alimentos para pets vai além do desenvolvimento de produtos fundamentados em ciência e evidências. É essencial também investir na educação de médicos-veterinários e responsáveis pelos pets, traduzindo o conhecimento científico em informações acessíveis, confiáveis e aplicáveis à prática clínica e às decisões do dia a dia.
Esse papel educativo torna-se ainda mais relevante diante da crescente disseminação, especialmente nas redes sociais, de informações equivocadas e afirmações sem respaldo científico que colocam em dúvida a qualidade, a segurança e os benefícios dos alimentos industrializados para cães e gatos. Enfrentar esse cenário exige um esforço contínuo para ampliar o acesso à informação de qualidade, esclarecer mitos e promover uma compreensão mais ampla sobre como esses alimentos são desenvolvidos, formulados e avaliados com base em critérios científicos e nutricionais. Ao apoiar a capacitação de médicos-veterinários para atuarem como fontes confiáveis de informação e os responsáveis na construção de escolhas mais conscientes, a indústria contribui para fortalecer a confiança na nutrição baseada em ciência e, sobretudo, para promover a saúde, o bem-estar e a longevidade dos pets.
Essa educação pode acontecer em diferentes momentos: nas consultas veterinárias, em conteúdos digitais, em materiais educativos, nos pontos de venda e também na comunicação das marcas. O objetivo não deve ser criar temor, mas ampliar a percepção sobre uma fase da vida que ainda passa despercebida.
Precisamos, portanto, mudar a pergunta.
Em vez de esperar 'quando meu pet vai começar a envelhecer?', talvez devêssemos perguntar: 'o que posso fazer hoje para ajudá-lo a envelhecer com mais saúde e qualidade de vida?'
Essa mudança parece simples, mas representa uma transformação importante na forma como pensamos o cuidado. A meia-idade não deve ser um intervalo invisível entre a fase adulta e a velhice. É uma oportunidade de observar, prevenir e ajustar os cuidados às novas necessidades de cada animal.
Médicos-Veterinários, indústria e responsáveis têm papéis complementares nessa transformação. Quanto mais cedo incorporarmos uma visão preventiva à rotina, maiores serão as oportunidades de proporcionar a gatos e cães não apenas mais anos de vida, mas mais vida saudável em cada ano. Porque, quando o assunto é longevidade, esperar os sinais aparecerem pode significar esperar demais.
Por Priscila Rizelo, Médica-Veterinária e Gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil
Fonte: Royal Canin
Referências
Censuswide. Pesquisa encomendada pela ROYAL CANIN® com 19.012 responsáveis por gatos e cães em 18 mercados, incluindo 1.000 participantes no Brasil. Dados coletados entre 17 e 24 de março de 2026.
Mars Petcare. The State of the Pet Nation Report 2021.
Moniot, D.; Allaway, D.; Bermingham, E.; Dowgray, N.; Gruen, M.; Hoummady, S.; McKenzie, B.; Olby, N. J.; Schoeman, T. Aging is modifiable: current perspectives on healthy aging in companion dogs and cats. Royal Canin Research Center et al.
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Eventos
Pet Fair South East Asia
28 a 30 Outubro, 2026
Bangkok, Tailandia
https://petfair-sea.com/
China International Pet Show (CIPS 2026)
12 a 15 Novembro, 2026
Guangzhou, China
https://en.cipscom.com/
All Pet Food Day
25 Novembro, 2026
Guayaquil, Ecuador
https://allpetfood.net/allpetfoodday2026
Feira SuperPet 2027
13 a 15 Abril, 2027
Campinas, São Paulo
https://feirasuperpet.com.br/
ZOOMARK 2027
11 a 13 Maio, 2027
Fair District
https://www.zoomark.it/en/
Fenagra 2027
11 a 13 Maio, 2027
São Paulo, Brasil
https://www.fenagra.com.br/
PET South America 2027
11 a 13 Agosto, 2027
São Paulo Expo, Brasil
https://petsa.com.br/
Pet Fair Asia 2027
18 a 22 Agosto, 2027
Shanghái, China
https://en.petfairasia.com/exhibition/pfa.html
VICTAM 2027
14 a 16 Setembro, 2027
São Paulo, Brasil
https://victamlatam.com/pt-br/


