A recuperação do mercado pet argentino começa a abrir espaço para expansão do varejo, maior variedade de produtos e avanço das categorias premium, mesmo com o poder de compra das famílias ainda pressionado. A flexibilização das importações desde 2024 ampliou a oferta de acessórios e brinquedos, enquanto alimentos naturais e úmidos ganharam participação nas vendas.
 

A inflação, que chegou a 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, desacelerou, mas continua afetando o consumo. Em julho de 2026, a inflação interanual estava em 33,8%, segundo o INDEC, com alta mensal de 2,1%.
 

Para Sebastián Dates, diretor-geral da Câmara Argentina de Empresas de Nutrição Animal (CAENA), o cenário atual traz maior previsibilidade para empresas e consumidores. 'Os salários, porém, ainda não acompanharam integralmente a recuperação, mantendo restrições ao poder de compra', destaca.
 

Varejo amplia presença e oferta


A Argentina tem entre 75% e 80% dos lares com animais de companhia, segundo estimativas citadas no levantamento, e o mercado pet movimenta mais de US$ 3,2 bilhões por ano, de acordo com a Kantar.
 

A retomada também aparece na expansão das redes especializadas. A Puppis possui 42 lojas na Argentina, enquanto a Natural Life mantém presença em Buenos Aires, na província e em cidades como Mar del Plata, Mendoza e Rosário.
 

A abertura parcial às importações ajudou principalmente categorias como acessórios e brinquedos, ampliando a variedade disponível no varejo.

 

Nutrição premium ganha espaço


A mudança no mix de consumo aparece com mais clareza na alimentação. Na Puppis, os alimentos naturais passaram de 4% para 9% do volume total de vendas ao longo do ano. Os alimentos úmidos também apresentaram crescimento.
 

A Natural Life identifica movimento semelhante em produtos de maior valor agregado e associados à saúde preventiva. Em 2025, suas vendas cresceram em um dígito em valores corrigidos pela inflação.
 

A comparação regional indica espaço adicional para premiumização. Na operação da Puppis na Colômbia, os alimentos naturais representam 25% das vendas, enquanto produtos congelados e úmidos têm maior penetração que na Argentina.

 

E-commerce cresce, mas lojas físicas lideram


O comércio eletrônico argentino ganhou escala, impulsionado por plataformas como Mercado Livre e PedidosYa, mas ainda apresenta desempenho inferior ao varejo físico no segmento pet, segundo executivos ouvidos pela GlobalPETS.
 

Dados da Câmara Argentina de Comércio Eletrônico (CACE) mostram que as vendas online cresceram 55% em valor em 2025, chegando a ARS 34 trilhões. O número de compradores alcançou 25,1 milhões, enquanto as unidades vendidas avançaram 28%, para 645 milhões.
 

No primeiro semestre de 2026, o comércio eletrônico registrou alta de 28% no volume de negócios, com crescimento de 21% nos pedidos e de 22% nas unidades vendidas.


Fonte: Panorama Pet&Vet


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