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Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?
A base de insetos

7+ MIN

Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

Acontece que seu instinto de sentir nojo pode estar ultrapassado. Insetos não são mais apenas petiscos acidentais. Eles estão aparecendo como ingrediente principal em rações para cães. Ração à base de grilos. Receitas à base de larvas. E não, isso não é um experimento marginal. Ração para cães à base de insetos está se tornando uma opção legítima para donos de animais de estimação nos EUA e no Canadá.
  Mas será que é seguro? Será que o seu cão realmente receberá os nutrientes de que precisa? E, mais importante ainda, será que ele vai sequer comer?   O que é, de fato, a ração para cães à base de insetos?
Para que fique claro: você não está despejando um monte de grilos vivos na tigela do seu cachorro. A ração para cães à base de insetos utiliza grilos ou larvas como principal fonte de proteína, processados ​​e formulados para atender às necessidades nutricionais dos cães em diferentes fases da vida.
  Os filhotes precisam de cerca de 22% de proteína na dieta. Os adultos precisam de cerca de 18%. Proteína em excesso, acima de 30%, pode causar problemas. Os insetos são ricos em proteínas o suficiente para atingir essas metas, mas a alimentação ainda precisa ser balanceada com gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais. Um grilo sozinho não é uma refeição completa. Uma ração seca bem formulada à base de grilos pode ser.   A proteína de insetos é realmente segura?
Sim, com uma ressalva. Estudos sugerem que grilos e larvas fornecem proteína de alta qualidade que os cães conseguem digerir e com a qual se desenvolvem bem. Para a maioria dos cães, a proteína de insetos é uma alternativa viável à carne bovina, de frango ou de cordeiro.
  A ressalva? As pesquisas de longo prazo ainda estão em andamento. Ainda não temos décadas de dados sobre o que acontece quando os cães se alimentam com dietas à base de insetos durante toda a vida. Mas, com base no que sabemos agora, a proteína de insetos é geralmente segura e nutricionalmente adequada para cães saudáveis.
Por que as pessoas estão optando por alimentos à base de insetos?
O apelo vai além de simplesmente "funciona". Existem alguns motivos pelos quais a proteína de insetos está ganhando popularidade.
  É muito mais sustentável. A criação de insetos requer uma fração da água, da terra e dos recursos necessários para a criação de gado ou aves. Se o impacto ambiental é importante para você, esta é uma das fontes de proteína mais ecológicas disponíveis.
  Isso contorna as preocupações éticas. Alguns donos de animais de estimação não se sentem confortáveis ​​com as práticas convencionais de criação de animais. Os insetos oferecem uma maneira de alimentar seus cães sem apoiar esses sistemas.
  Funciona para cães com alergias. Cães alérgicos a carne bovina, frango ou peixe podem tolerar a proteína de insetos sem problemas. É uma proteína verdadeiramente nova — o que significa que a maioria dos cães nunca foi exposta a ela antes, reduzindo a probabilidade de desencadear uma reação.
  Resumindo, a ração para cães à base de insetos pode ser mais amigável ao planeta e menos agressiva para estômagos sensíveis.   As desvantagens que você precisa conhecer
A ração para cães à base de insetos não está isenta de desvantagens. Para começar, é cara e nem sempre fácil de encontrar. Muitas marcas só estão disponíveis online e são vendidas em embalagens menores, o que aumenta o custo em comparação com a ração tradicional.
  Seu cachorro também pode detestar. Cães têm preferências, e alguns vão rejeitar alimentos à base de insetos, não importa o quão nutritivos sejam. O paladar importa, e nem todos os cachorros vão gostar.
  Também existe uma preocupação potencial para cães com alergia a frutos do mar. As proteínas dos insetos compartilham algumas semelhanças com as proteínas dos frutos do mar, portanto, reações alérgicas são possíveis. Se o seu cão tem histórico de sensibilidade a frutos do mar, proceda com cautela e consulte o veterinário primeiro.
  Por fim, ainda estamos aprendendo sobre os riscos a longo prazo. Questões relacionadas à contaminação bacteriana, resistência a antibióticos e outros impactos na saúde ainda não foram totalmente respondidas. Isso não significa que o alimento seja inseguro — significa apenas que a pesquisa está em andamento.
Como mudar a alimentação do seu cão para uma dieta à base de insetos
Se você decidir experimentar, não troque a ração do seu cachorro de uma hora para outra. Mesmo cães saudáveis ​​podem ter problemas estomacais com mudanças repentinas na dieta. A abordagem mais segura é uma transição gradual ao longo de 5 a 7 dias.   Comece devagar: No primeiro dia, misture 25% de alimento à base de insetos com 75% da ração atual do seu cão.
  Aumente gradualmente: Nos próximos dias, aumente lentamente a proporção de alimentos à base de insetos até que seu cão esteja consumindo 100% deles.
  Fique atento às reações: Monitore a energia, a qualidade das fezes e o apetite do seu cão durante todo o período de transição.
  E antes de fazer qualquer alteração na dieta, especialmente se o seu cão tiver problemas de saúde ou histórico de sensibilidade alimentar, consulte primeiro o seu veterinário.   É adequado para o seu cão?
A proteína de insetos faz parte de uma categoria crescente de proteínas inovadoras que também inclui carne de veado, bisão e até mesmo jacaré. É particularmente útil para cães com alergias alimentares, mas tem um preço mais elevado.
  Se você está pensando em mudar para uma ração diferente, procure marcas que sigam as diretrizes da AAFCO ( Associação Americana de Oficiais de Controle de Alimentos para Animais ). Esses padrões garantem que o alimento atenda às necessidades nutricionais básicas dos cães. Faça a transição gradualmente. E converse com seu veterinário, principalmente se tiver alguma dúvida sobre as necessidades de saúde específicas do seu cão.
  Muitos cães se adaptam muito bem a dietas à base de insetos. É seguro, sustentável e, para alguns filhotes, resolve problemas que as proteínas tradicionais não conseguiam solucionar.   Conclusão
Alimentos para cães à base de insetos podem parecer estranhos à primeira vista, mas são uma opção legítima e aprovada por veterinários para muitos cães. Com a orientação adequada, uma introdução gradual e atenção à qualidade, seu cão pode desfrutar de uma dieta rica em proteínas e que também é benéfica para o planeta.

Experimentar algo novo não precisa ser arriscado. Às vezes, é apenas o próximo passo para descobrir o que funciona melhor para o seu cão e para o mundo em que ele vive.
  Fonte: dogster

O Papel da Inteligência Artificial na Comunicação entre Indústria de Pet Food e Consumidores
Tecnologia

6+ MIN

O Papel da Inteligência Artificial na Comunicação entre Indústria de Pet Food e Consumidores

Por Josiane Volpato

O mercado pet está em constante crescimento, demandando soluções que aliem inovação, qualidade nutricional e sustentabilidade e impulsionado a exigência dos tutores em relação à qualidade e transparência dos alimentos oferecidos. A inteligência artificial, já consolidada em áreas como saúde humana e agricultura, ganha espaço na nutrição animal. No pet food, a IA pode auxiliar desde o desenvolvimento de dietas mais precisas até a otimização de processos produtivos e da cadeia de suprimentos (Sudersanadas 2021; Tedeschi, 2022; Siad, 2023). De acordo com Zhang et al. (2023), a inteligência artificial tem avançado também como ferramenta para melhorar o bem-estar animal, com aplicações que vão desde monitoramento até suporte nutricional.

Nesse contexto, a IA surge como uma ferramenta estratégica, capaz de aproximar a indústria dos consumidores por meio de soluções digitais que fortalecem a confiança e personalizam a experiência de compra. A comunicação entre marcas e tutores, antes restrita a propagandas tradicionais e informações de rótulo, hoje é mediada por sistemas inteligentes que oferecem recomendações individualizadas, suporte em tempo real e análise de preferências. Essa mudança representa uma nova etapa na relação entre indústria e consumidor, trazendo benefícios para ambos os lados. Além disso, a IA permite que a indústria esteja mais conectada às demandas do mercado. Por meio da análise de dados de consumo, comentários em redes sociais e preferências de compra, é possível identificar tendências de forma mais rápida e precisa, trazendo vantagem competitiva para as empresas que adotam essas ferramentas (Tyler, 2021; Garcia et al. 2025; Petfood Forum News, 2025).

Portanto, a inteligência artificial surge como um pilar estratégico para o futuro da indústria de pet food. Mais do que uma tecnologia, trata-se de uma aliada para garantir qualidade, inovação, sustentabilidade e personalização em um setor que cresce e se torna cada vez mais exigente.
Aplicações da IA no Relacionamento com Tutores
A inteligência artificial fortalece o vínculo entre indústria e consumidores ao oferecer ferramentas digitais que orientam na escolha da dieta ideal para cada pet. Os chatbots baseados em IA permitem que tutores tenham acesso a informações a qualquer momento, sem a necessidade de contato humano imediato. Esses sistemas respondem dúvidas sobre ingredientes, indicam rações adequadas de acordo com idade, peso e porte do animal, e até lembram o tutor da hora de repor o alimento. O atendimento contínuo aumenta a conveniência e transmite segurança.

A IA também está presente em e-commerces e aplicativos, oferecendo recomendações de produtos com base em dados de perfil do pet e no histórico de compras. Isso reduz a indecisão do tutor diante da variedade de opções disponíveis e aumenta a assertividade na escolha da dieta mais adequada para o animal.

Ferramentas de IA conseguem processar milhares de comentários e avaliações em plataformas digitais, identificando padrões de preferência ou insatisfação. Esses insights ajudam a indústria a compreender melhor as demandas dos tutores, antecipar tendências de consumo e realizar ajustes em produtos ou estratégias de marketing. Uma das barreiras entre indústria e tutor é a linguagem técnica usada na formulação das rações. A IA pode atuar como um 'tradutor', explicando em termos simples a função de cada ingrediente. Dessa forma, o tutor entende que a presença de determinados componentes, como fibras ou antioxidantes, tem um papel funcional no bem-estar do animal, e não apenas um 'enchimento' (Klein e Martínez 2022; BSM PARTNERS, 2024; Yang et al. 2024).

O uso da IA no relacionamento com tutores gera benefícios tanto para a indústria quanto para os consumidores, para indústria gera mais fidelização, melhor posicionamento de marca, maior precisão em campanhas de marketing e desenvolvimento de produtos alinhados à demanda real do mercado. Para os tutores, reflete mais confiança, conveniência e segurança na escolha da ração, além da percepção de cuidado personalizado com seu animal de estimação.

Assim, a inteligência artificial está redefinindo o relacionamento entre tutores e a indústria de pet food. Ao oferecer ferramentas de atendimento inteligente, recomendações personalizadas, análise de feedback e clareza na comunicação, a IA fortalece a confiança, melhora a experiência de consumo e aproxima marcas e consumidores. Esse movimento representa não apenas uma inovação tecnológica, mas uma estratégia essencial para atender a um mercado cada vez mais exigente e orientado pela personalização.   Por Karla Gabriela Memare e Josiane Volpato
Fonte: All Pet Food Magazine

Referências
BSM PARTNERS. Understanding the Role of AI in Pet Nutrition: How Technology Is Shaping the Future of Pet Food. 2024. Disponível em: https://bsmpartners.net/insights/understanding-the-role-of-ai-in-pet-nutrition-how-technology-is-shaping-the-future-of-pet-food/ Garcia, R. G., Naas, I. A., Burbarelli, M. F. C., Caldara, F. R., Komiyama, C. M., Valentim, J. K., & Sgaviolo, S. (2025). Aplicações de inteligência artificial para otimização do bem-estar e sustentabilidade em sistemas de produção animal. In Nutrição animal: Novas perspectivas e avanços para a sustentabilidade e otimização dos sistemas de criação - Vol. 2 (pp. 8–34). Editora Científica. https://doi.org/10.37885/250619568

KLEIN, Katharina; MARTÍNEZ, Luis F. O impacto da antropomorfização na satisfação do cliente no comércio eletrônico: um estudo experimental no setor alimentício. Electronic Commerce Research, 16 maio 2022. DOI: https://doi.org/10.1007/s10660-022-09562-8. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9108695/. Acesso em: 4 set. 2025.

TYLER, J. Donos de animais de estimação mais jovens estão mais interessados em ração personalizada para cães. Pet Food Processing, 26 ago. 2021. Disponível em: https://www.petfoodprocessing.net/articles/15034-younger-pet-owners-more-interested-in-personalized-dog-food. Acesso em: 04 set. 2025.

Petfood Forum News. AI in pet food marketing: Strategies, challenges and future trends. Publicado em 6 de março de 2025. Disponível em: https://www.petfoodindustry.com/news-newsletters/petfood-forum-news/article/15739303/ai-in-pet-food-marketing-strategies-challenges-and-future-trends Petfood Industry. (2025). Pet food industry split on AI adoption; marketing emerges as top priority. Retrieved September 4, 2025, from https://www.petfoodindustry.com/pet-food-market/article/15753686/pet-food-industry-split-on-ai-adoption-marketing-emerges-as-top-priority SUDERSANADAS, Kavita. Application of artificial intelligence on nutrition assessment and management. European Journal of pharmaceutical and medical research, v. 8, n. 6, p. 170-174, 2021. TEDESCHI, Luis O. ASAS-NANP Symposium: Mathematical Modeling in Animal Nutrition: The progression of data analytics and artificial intelligence in support of sustainable development in animal science. Journal of Animal Science, v. 100, n. 6, p. skac111, 2022. SIAD, Oussama; BOUZID, Chaima. Biotech meets Artificial Intelligence to Enhance the Value of By-Products in Animal Nutrition. Biological Sciences, v. 3, n. 1, p. 353- 365, 2023. YANG, Zhongqi; KHATIBI, Elahe; NAGESH, Nitish; ABBASIAN, Mahyar; AZIMI, Iman; JAIN, Ramesh; RAHMANI, Amir M. ChatDiet: Empowering Personalized Nutrition-Oriented Food Recommender Chatbots through an LLM-Augmented Framework. arXiv, 18 fev. 2024. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2403.00781 Zhang, L., Guo, W., Lv, C., Guo, M., Yang, M., Fu, Q., & Liu, X. 2023. Avanços na tecnologia de inteligência artificial para melhorar o bem-estar animal: aplicações atuais e progresso da pesquisa. An. Res. One Health. 2(1):93–109. https://doi.org/10.1002/aro2.44

Alimentação pet e saúde comportamental
Nutrição

4+ MIN

Alimentação pet e saúde comportamental

O cuidado com a saúde comportamental de cães e gatos vem ganhando um novo espaço dentro da indústria pet. 
  De acordo com a Purina, mais de 70% dos cães e até 50% dos gatos sofrem com estresse ou ansiedade, números que ajudam a explicar por que algumas marcas estão indo além do desenvolvimento de produtos e investindo em conexões diretas com especialistas em comportamento animal.
  Essa mudança aponta para um novo entendimento: o bem-estar emocional dos pets precisa ser tratado como uma questão clínica, baseada em evidências científicas — e não apenas como um diferencial no rótulo de alimentos ou suplementos.   Saúde emocional também é biológica
Para o veterinário e especialista em comportamento, Dr. Ezra J. Ameis, fundador da Paw Priority, a indústria passa por uma evolução necessária. 
  Segundo ele, assim como dietas já consideram articulações, pele e saúde intestinal, o equilíbrio emocional também deve fazer parte do raciocínio nutricional básico.
  Isso envolve pensar no chamado eixo intestino-cérebro, evitando ingredientes ou desequilíbrios nutricionais que possam agravar quadros de ansiedade. 
  Aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas do complexo B e minerais têm impacto direto na produção de neurotransmissores e na resposta ao estresse.
  Problemas nutricionais, segundo o especialista, não se manifestam apenas na aparência do animal, mas também no comportamento. 
  Inflamações crônicas ou alterações no microbioma intestinal podem tornar cães e gatos mais reativos e sensíveis.
  Algumas marcas já começam a refletir essa nova abordagem. A Omni Pet, por exemplo, contratou um comportamentalista canino interno para oferecer consultas gratuitas a tutores. 
  A iniciativa surgiu após a empresa registrar um aumento de 600% nas vendas de seus petiscos voltados ao estresse e à ansiedade. 
  O serviço orienta tutores sobre temas como ansiedade de separação, medo de fogos, estresse em viagens e reatividade a ruídos.
  Já a Purina Pro Plan Veterinary firmou parceria com a plataforma Ease, especializada em atendimento comportamental veterinário online. 
  A iniciativa faz parte do programa Pro Plan Veterinary Support Mission, lançado em 2024, e busca enfrentar um desafio importante: apenas 0,07% dos veterinários nos Estados Unidos são especialistas certificados em comportamento, apesar de os problemas comportamentais serem uma das principais queixas dos tutores, e uma causa frequente de abandono e eutanásia.
  A plataforma permite que veterinários encaminhem casos comportamentais para avaliação especializada, enquanto tutores recebem planos estruturados com vídeos, orientações personalizadas e suporte contínuo.
Nutrição, suplementos e abordagem integrada
Na prática clínica, o tratamento do estresse e da ansiedade é sempre multifatorial. Dr. Ameis explica que o primeiro passo envolve segurança e ambiente, seguido por modificação comportamental. 
  A nutrição entra como base constante, enquanto suplementos atuam como ferramentas de apoio, com objetivos específicos.
  Segundo ele, produtos calmantes não devem ser apresentados como soluções milagrosas. As marcas que têm maior aceitação entre veterinários são aquelas que se posicionam como parte de um plano completo, que inclui treino, rotina adequada, exercício e, quando necessário, medicação.
  Embora existam ingredientes com respaldo científico, como determinados probióticos, L-teanina, peptídeos do leite e perfis específicos de ômega 3, o especialista reforça que qualidade, dose e espécie importam. 
  Estudos precisam ser feitos em cães e gatos, com cepas e concentrações comprovadas, e não apenas extrapolados de pesquisas em humanos.
  Para que veterinários confiem nesses produtos, transparência e dados claros são essenciais. Menos promessas exageradas e mais ciência aplicada.
  As iniciativas recentes de marcas como Omni Pet e Purina indicam que a indústria começa a entender que cuidar da saúde comportamental dos pets exige mais do que novas fórmulas — exige conexão com quem realmente trata o problema.
  FAQ sobre alimentação e saúde comportamental
Por que a saúde comportamental dos pets ganhou destaque na indústria?
Porque o estresse e a ansiedade afetam grande parte de cães e gatos e estão ligados a abandono, problemas de saúde e queda no bem-estar.
  Qual é a relação entre nutrição e comportamento animal?
Desequilíbrios nutricionais podem afetar o cérebro, o intestino e a produção de neurotransmissores, influenciando diretamente o comportamento.
  Por que parcerias com especialistas são importantes?
Elas garantem abordagens baseadas em ciência, tratamento adequado dos casos e uso mais responsável de alimentos e suplementos.

  Fonte: Cães & Gatos

Do boato à evidência: o que a ciência explica sobre a nutrição de gatos e cães
Nutrição

3+ MIN

Do boato à evidência: o que a ciência explica sobre a nutrição de gatos e cães

Alguns conceitos difundidos sobre como gatos e cães devem ser alimentados ainda geram dúvidas entre tutores e podem influenciar escolhas relacionadas ao bem-estar dos pets. 
  Um dos equívocos mais comuns é a comparação direta entre pets e seus ancestrais selvagens. 
  Após milhares de anos de domesticação, gatos e cães desenvolveram características fisiológicas, anatômicas e comportamentais próprias, que os diferenciam significativamente de lobos e felinos selvagens. 
  Por isso, decisões baseadas apenas nessa analogia não refletem as necessidades atuais dessas espécies.
  Outro ponto frequentemente levantado é a presença de carboidratos nos alimentos completos e balanceados para pets. 
  Como parte dessas formulações, esses macronutrientes contribuem para a oferta adequada de energia. 
  Condições de saúde como sobrepeso e obesidade, por exemplo, estão muito mais associadas ao consumo calórico total ao longo do dia do que ao tipo isolado de nutriente presente na dieta.
  As proteínas vegetais também geram muitas dúvidas. No entanto, quando escolhidas corretamente, podem ser fáceis de digerir e fornecer todos os aminoácidos essenciais que o animal precisa. 
  O mais importante é o equilíbrio nutricional do alimento como um todo, e não apenas a origem da proteína: animal ou vegetal.
  Para o Médico-Veterinário Dr. Luciano Trevizan, especialista em nutrição de gatos e cães e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), compreender esses pontos é essencial para apoiar escolhas responsáveis. 
  'A nutrição é um dos pilares da saúde dos pets. Muitos tutores ainda são influenciados por percepções que não refletem a realidade atual. Quando explicamos como os gatos e os cães evoluíram e quais são as suas necessidades hoje, abrimos espaço para decisões mais conscientes, que favoreçam, acima de tudo, a qualidade de vida dos animais', afirma.
  Os subprodutos de origem animal, por sua vez, são frequentemente mal interpretados. 
  Eles recebem esse nome por não serem comumente destinados ao consumo humano, mas são ingredientes seguros e nutritivos, que desempenham papel relevante na composição de dietas completas e equilibradas, além de contribuírem para cadeias produtivas mais eficientes e sustentáveis.
  Segundo Carla Pistori, Diretora de Assuntos Corporativos da Royal Canin Brasil, há um grande perigo quando a nutrição animal é discutida sob a ótica humana. 
  'Gatos e cães possuem necessidades nutricionais muito diferentes das nossas, por isso, a seleção dos ingredientes de nossos produtos é baseada em critérios rigorosos, como qualidade nutricional, digestibilidade, segurança e sustentabilidade – sempre com foco no que é recomendado para a saúde de cada pet que alimentamos', explica.   FAQ sobre nutrição de pets
Por que comparar pets aos seus ancestrais selvagens é considerado um equívoco?
Porque cães e gatos passaram por milhares de anos de domesticação e hoje possuem necessidades fisiológicas e nutricionais diferentes dos animais selvagens.
  Os carboidratos nos alimentos para pets estão ligados ao sobrepeso? Não diretamente. O sobrepeso está mais relacionado ao consumo calórico total do que a um nutriente isolado.
  Subprodutos de origem animal são prejudiciais à alimentação dos pets?
Não. Eles são seguros, nutritivos e importantes para dietas equilibradas e mais sustentáveis.

  Fonte: Cães & Gatos

Insetos no Pet Food: uma alternativa nutricional e sustentável
A base de insetos

4+ MIN

Insetos no Pet Food: uma alternativa nutricional e sustentável

O interesse na utilização de farinhas de insetos nas formulações de alimentos para cães e gatos, como fonte alternativa de proteínas e gorduras tem crescido significativamente.
  Esse fenômeno é impulsionado não apenas pelos benefícios nutricionais desses ingredientes, mas também pelo crescimento populacional de cães e gatos, a expansão do mercado pet e as limitações associadas às proteínas convencionais de origem animal que muitas vezes competem com a alimentação humana.
  Assim, a inclusão de insetos em formulações pode trazer benefícios nutricionais, melhorar a palatabilidade e promover o desenvolvimento sustentável do mercado de pet food.
  Nesse contexto, os insetos surgem como alternativa viável. Regulamentados no Brasil pela Instrução Normativa nº 10/2020 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), estão aprovadas para uso em dietas animais espécies como Hermetia illucens (mosca-soldado-negra), Tenebrio molitor (tenébrio comum), Zophobas morio (tenébrio gigante), Acheta domesticus (grilo doméstico), Gryllus assimilis (grilo preto), Nauphoeta cinerea (barata cinérea) e crisálidas desengorduradas.
  Além dos benefícios nutricionais, a formulação de pet foods à base de proteína de insetos pode promover o desenvolvimento sustentável deste mercado (Foto: Reprodução)   PERFIL NUTRICIONAL DOS INSETOS 
Os insetos apresentam características nutricionais vantajosas para cães e gatos, sendo capazes de atender às suas necessidades nutricionais.
  Esses ingredientes possuem um elevado teor de proteína de alto valor biológico, com um perfil de aminoácidos balanceado, que frequentemente se assemelha ou até supera o das fontes protéicas convencionais, como pode ser visto no gráfico. 
  Diversos autores conduziram estudos que evidenciam que a digestibilidade in vivo para alimentos à base de farinha da larva da mosca-soldado-negra (FLMSN), por exemplo, apresenta percentuais excelentes entre 73,4% e 83,9% (Bosch e Swanson, 2021), apresentando excelente digestibilidade.
   O perfil lipídico dos insetos é influenciado principalmente pelo ambiente em que são criados, pela espécie e pela composição da sua dieta. Na literatura é possível encontrar variações de 4 a 39% de extrato etéreo na matéria seca (MS). Sendo geralmente mais elevados nas larvas do que nos insetos adultos. 
  Segundo Kępińska-Pacelik et al., (2022), a larva da mosca soldado negra contém cerca de 40% de C12:0, um valor superior ao encontrado em fontes convencionais de proteína. 
  Além disso, ácidos monoinsaturados como o ácido oleico, são encontrados nos óleos extraídos de insetos, contribuindo para a estabilidade oxidativa. Já os ácidos graxos poli-insaturados, como os ômegas 3 e 6, são encontrados em larvas de tenébrios e de grilos, porém, as larvas de mosca-soldado-negra são a fonte mais significativa de ácido eicosapentaenoico – EPA e ácido docosahexaenóico – DHA, dois componentes essenciais para a manutenção da função neurológica e o equilíbrio do sistema imunológico. 
  Os insetos também são fontes de minerais essenciais, incluindo ferro, zinco, cobre, manganês e selênio. As lavas da mosca soldado-negra, por exemplo, possuem um exoesqueleto calcificado, proporcionando maiores teores de cálcio e fósforo (Kępińska-Pacelik et al., 2022), o que pode ser benéfico em uma formulação para cães e gatos em crescimento.    EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DOS EFEITOS BENÉFICOS PARA CÃES E GATOS
É possível encontrar na literatura estudos que evidenciam os benefícios da inclusão da farinha da larva da mosca-soldado-negra (FLMSN) nas dietas de cães e gatos, favorecendo a saúde e contribuindo para uma aplicação na clínica de pequenos animais.
  A proteína da larva da mosca-soldado-negra (LMSN) apresenta uma quantidade significativa de peptídeos de baixo peso molecular, um estudo cruzado desenvolvido por Carvalho et al., (2024), evidenciou como o uso da farinha desengordurada da LMSN em dietas para cães pode contribuir para promover a saúde cutânea. 
  Através do embasamento científico e do potencial benéfico em se ter a inclusão da farinha da larva da mosca-soldado-negra em formulações para cães e gatos, a Special Dog Company lançou no mês de julho de 2025 o primeiro produto brasileiro formulado com esse ingrediente, o Bionatural Sensitive. Fonte: Cães e Gatos
Por Viviane Priscila Moura, médica-veterinária, pós-graduada em clínica médica de cães e gatos e nutrição de pequenos animais e analista de comunicação científica sênior na Special Dog Company.


A base de insetos

A base de insetos Estudo aponta boa aceitação de alimentos úmidos à base de insetos por cães

3+ MIN

Estudo aponta boa aceitação de alimentos úmidos à base de insetos por cães

Ingredientes derivados de insetos vêm sendo explorados como fontes alternativas de proteína na nutrição pet.    Além do potencial funcional, essas matérias-primas têm despertado interesse da indústria por sua versatilidade em formulações úmidas e secas.
  Um estudo recente avaliou a aceitação de alimentos úmidos para cães contendo ingredientes à base de insetos comercializados sob as marcas PureeX e ProteinX, desenvolvidas pela Protix. 
  Os resultados indicaram que tanto a dieta totalmente à base de insetos quanto a formulação híbrida — combinando inseto e frango — foram prontamente consumidas pelos animais participantes.   Como o estudo foi conduzido
O ensaio incluiu 170 cães de pequeno e médio porte, todos domiciliados. Segundo o resumo técnico, essas categorias foram selecionadas por serem frequentemente consideradas mais seletivas em relação à alimentação.
  Foram avaliadas duas dietas. A primeira era composta exclusivamente por ingredientes derivados da larva de mosca-soldado-negra (Hermetia illucens), combinando PureeX — descrito como ingrediente minimamente processado — e ProteinX, uma farinha de inseto. 
  A segunda era uma formulação híbrida que unia os mesmos ingredientes de inseto a frango fresco.
  Cada responsável ofereceu uma das dietas por dois dias consecutivos e, em seguida, realizou a troca para a outra formulação por mais dois dias. 
  Durante o período do teste, os participantes não foram informados sobre a composição dos produtos.
  Ao final de cada etapa, os responsáveis avaliaram o consumo dos cães. Segundo o relatório, ambas as formulações foram consideradas altamente aceitas, sem diferença estatisticamente significativa na ingestão entre a dieta 100% inseto e a híbrida.   Avaliação comportamental e percepção sensorial
Além do volume consumido, o estudo analisou o comportamento dos cães antes, durante e após as refeições. 
  Entre as respostas associadas à aceitação positiva estavam abanar o rabo antes da oferta do alimento, consumir toda a porção e lamber os lábios após a refeição. Esses comportamentos foram registrados em ambas as dietas.
  Os responsáveis também avaliaram atributos sensoriais como textura, aroma e aparência. As duas formulações receberam nota média sete, em uma escala de zero a dez, para esses critérios.
  Quando questionados sobre recomendação, 82% afirmaram que indicariam a dieta totalmente à base de insetos, enquanto 81% disseram que recomendariam a formulação híbrida com frango.
  Segundo a fabricante, o PureeX é indicado para aplicações em alimentos úmidos e também pode ser incluído em formulações extrusadas secas, estando disponível nas versões fresca e congelada. Já o ProteinX é comercializado como ingrediente protéico em forma de farinha.   Proteína alternativa em expansão
Proteínas de insetos têm sido estudadas como alternativas às fontes tradicionais, com potencial para contribuir em formulações que buscam diversificação de ingredientes. 
Além do perfil nutricional, fabricantes destacam aspectos funcionais e de sustentabilidade como diferenciais desse tipo de matéria-prima.   FAQ sobre alimentos úmidos com proteína de inseto
Cães aceitam bem alimentos com proteína de inseto?
Segundo o estudo, tanto a formulação 100% inseto quanto a híbrida com frango foram prontamente consumidas.
  Houve diferença de consumo entre as dietas testadas?
Não. O relatório aponta que não foi observada diferença significativa na ingestão.
  Proteína de inseto pode substituir proteínas tradicionais?
Ela vem sendo estudada como fonte alternativa, mas a escolha da dieta deve sempre considerar orientação durante consulta veterinária. Fonte: Cães & Gatos

A base de insetos Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

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Ração para cães à base de insetos: segura, saudável ou simplesmente estranha?

Acontece que seu instinto de sentir nojo pode estar ultrapassado. Insetos não são mais apenas petiscos acidentais. Eles estão aparecendo como ingrediente principal em rações para cães. Ração à base de grilos. Receitas à base de larvas. E não, isso não é um experimento marginal. Ração para cães à base de insetos está se tornando uma opção legítima para donos de animais de estimação nos EUA e no Canadá.
  Mas será que é seguro? Será que o seu cão realmente receberá os nutrientes de que precisa? E, mais importante ainda, será que ele vai sequer comer?   O que é, de fato, a ração para cães à base de insetos?
Para que fique claro: você não está despejando um monte de grilos vivos na tigela do seu cachorro. A ração para cães à base de insetos utiliza grilos ou larvas como principal fonte de proteína, processados ​​e formulados para atender às necessidades nutricionais dos cães em diferentes fases da vida.
  Os filhotes precisam de cerca de 22% de proteína na dieta. Os adultos precisam de cerca de 18%. Proteína em excesso, acima de 30%, pode causar problemas. Os insetos são ricos em proteínas o suficiente para atingir essas metas, mas a alimentação ainda precisa ser balanceada com gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais. Um grilo sozinho não é uma refeição completa. Uma ração seca bem formulada à base de grilos pode ser.   A proteína de insetos é realmente segura?
Sim, com uma ressalva. Estudos sugerem que grilos e larvas fornecem proteína de alta qualidade que os cães conseguem digerir e com a qual se desenvolvem bem. Para a maioria dos cães, a proteína de insetos é uma alternativa viável à carne bovina, de frango ou de cordeiro.
  A ressalva? As pesquisas de longo prazo ainda estão em andamento. Ainda não temos décadas de dados sobre o que acontece quando os cães se alimentam com dietas à base de insetos durante toda a vida. Mas, com base no que sabemos agora, a proteína de insetos é geralmente segura e nutricionalmente adequada para cães saudáveis.
Por que as pessoas estão optando por alimentos à base de insetos?
O apelo vai além de simplesmente "funciona". Existem alguns motivos pelos quais a proteína de insetos está ganhando popularidade.
  É muito mais sustentável. A criação de insetos requer uma fração da água, da terra e dos recursos necessários para a criação de gado ou aves. Se o impacto ambiental é importante para você, esta é uma das fontes de proteína mais ecológicas disponíveis.
  Isso contorna as preocupações éticas. Alguns donos de animais de estimação não se sentem confortáveis ​​com as práticas convencionais de criação de animais. Os insetos oferecem uma maneira de alimentar seus cães sem apoiar esses sistemas.
  Funciona para cães com alergias. Cães alérgicos a carne bovina, frango ou peixe podem tolerar a proteína de insetos sem problemas. É uma proteína verdadeiramente nova — o que significa que a maioria dos cães nunca foi exposta a ela antes, reduzindo a probabilidade de desencadear uma reação.
  Resumindo, a ração para cães à base de insetos pode ser mais amigável ao planeta e menos agressiva para estômagos sensíveis.   As desvantagens que você precisa conhecer
A ração para cães à base de insetos não está isenta de desvantagens. Para começar, é cara e nem sempre fácil de encontrar. Muitas marcas só estão disponíveis online e são vendidas em embalagens menores, o que aumenta o custo em comparação com a ração tradicional.
  Seu cachorro também pode detestar. Cães têm preferências, e alguns vão rejeitar alimentos à base de insetos, não importa o quão nutritivos sejam. O paladar importa, e nem todos os cachorros vão gostar.
  Também existe uma preocupação potencial para cães com alergia a frutos do mar. As proteínas dos insetos compartilham algumas semelhanças com as proteínas dos frutos do mar, portanto, reações alérgicas são possíveis. Se o seu cão tem histórico de sensibilidade a frutos do mar, proceda com cautela e consulte o veterinário primeiro.
  Por fim, ainda estamos aprendendo sobre os riscos a longo prazo. Questões relacionadas à contaminação bacteriana, resistência a antibióticos e outros impactos na saúde ainda não foram totalmente respondidas. Isso não significa que o alimento seja inseguro — significa apenas que a pesquisa está em andamento.
Como mudar a alimentação do seu cão para uma dieta à base de insetos
Se você decidir experimentar, não troque a ração do seu cachorro de uma hora para outra. Mesmo cães saudáveis ​​podem ter problemas estomacais com mudanças repentinas na dieta. A abordagem mais segura é uma transição gradual ao longo de 5 a 7 dias.   Comece devagar: No primeiro dia, misture 25% de alimento à base de insetos com 75% da ração atual do seu cão.
  Aumente gradualmente: Nos próximos dias, aumente lentamente a proporção de alimentos à base de insetos até que seu cão esteja consumindo 100% deles.
  Fique atento às reações: Monitore a energia, a qualidade das fezes e o apetite do seu cão durante todo o período de transição.
  E antes de fazer qualquer alteração na dieta, especialmente se o seu cão tiver problemas de saúde ou histórico de sensibilidade alimentar, consulte primeiro o seu veterinário.   É adequado para o seu cão?
A proteína de insetos faz parte de uma categoria crescente de proteínas inovadoras que também inclui carne de veado, bisão e até mesmo jacaré. É particularmente útil para cães com alergias alimentares, mas tem um preço mais elevado.
  Se você está pensando em mudar para uma ração diferente, procure marcas que sigam as diretrizes da AAFCO ( Associação Americana de Oficiais de Controle de Alimentos para Animais ). Esses padrões garantem que o alimento atenda às necessidades nutricionais básicas dos cães. Faça a transição gradualmente. E converse com seu veterinário, principalmente se tiver alguma dúvida sobre as necessidades de saúde específicas do seu cão.
  Muitos cães se adaptam muito bem a dietas à base de insetos. É seguro, sustentável e, para alguns filhotes, resolve problemas que as proteínas tradicionais não conseguiam solucionar.   Conclusão
Alimentos para cães à base de insetos podem parecer estranhos à primeira vista, mas são uma opção legítima e aprovada por veterinários para muitos cães. Com a orientação adequada, uma introdução gradual e atenção à qualidade, seu cão pode desfrutar de uma dieta rica em proteínas e que também é benéfica para o planeta.

Experimentar algo novo não precisa ser arriscado. Às vezes, é apenas o próximo passo para descobrir o que funciona melhor para o seu cão e para o mundo em que ele vive.
  Fonte: dogster


Nutrição

Nutrição Nutrição de cães e gatos idosos: o que podemos prevenir?

7+ MIN

Nutrição de cães e gatos idosos: o que podemos prevenir?

A longevidade dos cães e gatos tem aumentado de forma constante e inegável nos últimos anos, estando vinculada a aspectos que compreendem tanto o indivíduo, por meio da seleção de raças, quanto a evolução da Medicina Veterinária como um todo. Diante desse cenário, a Medicina Veterinária preventiva tem ganhado destaque, acompanhando o crescimento do número de animais de companhia, e também a maior disponibilidade de bens e serviços veterinários para pequenos animais, especialmente na Ásia e na América Latina.   Apesar da senilidade, por si, não ser considerada uma doença, mas um estágio natural da vida, ela envolve alterações fisiológicas que devem ser identificadas, manejadas e, quando possível, prevenidas. Atualmente, gatos são considerados sênior a partir dos 10 anos de idade, enquanto para cães essa classificação varia conforme o porte e a raça, de forma que cães de grande porte atingem a senilidade mais cedo quando comparados aos cães de pequeno porte. Uma das possíveis justificativas que correlacionam o maior porte dos cães à menor expectativa de vida é o maior tempo de exposição do animal ao Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1 (IGF-1), que promove o crescimento, porém potencialmente também reduz a longevidade.
  Alterações na capacidade de digestão e, consequentemente, do uso adequado dos nutrientes fornecidos pelo alimento, podem acontecer com o passar dos anos. Estudos sugerem que a adição moderada de fibras, em especial as fibras solúveis, melhora o aproveitamento do alimento tanto em cães quanto em gatos. Além da fibra, outro macronutriente estudado na senilidade é a gordura, cuja digestibilidade não aparenta decair significativamente em cães, mas sim em gatos idosos, o que reforça a importância de monitorar o emagrecimento progressivo nessa espécie, à medida que a idade avança, como pilar fundamental do manejo nutricional.
  Outro ponto importante no manejo preventivo dos animais de companhia diz respeito à saúde renal. Observa-se redução na taxa de filtração glomerular (TGF), sobretudo em cães de raças menores, alteração observada até mesmo em humanos com o avançar da idade. Nos gatos, existe uma forte relação entre o desenvolvimento da doença renal crônica e a idade (acima de 12 anos) associada, principalmente, à inflamação intersticial, atrofia tubular e fibrose. Um diferencial é que a proteinúria é rara nos estágios iniciais das glomerulopatias. 
  O entendimento sobre a classificação da doença renal crônica nos cães e gatos idosos de acordo com a International Renal Interest Society (IRIS) é fundamental, uma vez que, nos casos de idade avançada, a perda de massa magra é esperada, seja decorrente de doença prévia ou não. Assim, torna-se essencial ponderar vantagens e desvantagens da restrição proteica nessa faixa etária. 
  Entretanto, o cuidado com a ingestão elevada de fósforo na senilidade é uma medida segura e amplamente atendida pela maioria dos alimentos comerciais de qualidade.
  A adição de nutracêuticos na dieta também é uma questão relevante. Estudos com EPA e DHA avaliaram sua capacidade anti-inflamatória e o potencial de auxiliar no controle de doenças crônicas, como cardiopatias, dermatopatias, doença renal crônica, osteoartrites e distúrbios comportamentais, que são afecções comuns em cães e gatos senis. 
  É importante ressaltar que os efeitos estão relacionados não apenas à quantidade correta de EPA e DHA presentes nos produtos, mas também à oferta contínua do nutracêutico para manutenção dos benefícios. 
  Ainda sobre os nutracêuticos, sabe-se que o dano oxidativo celular que ocorre naturalmente com a idade está relacionado ao surgimento e piora de diversas afecções crônicas. Dessa forma, a adição de antioxidantes no manejo dos pacientes idosos também oferece vantagens. 
  Um dos antioxidantes naturais mais utilizados é o alfa-tocoferol (vitamina E), que atua interrompendo a cascata de oxidação ao impedir a propagação dos danos causados por radicais livres nas membranas biológicas. Um estudo realizado em 2004 indicou que a inclusão aumentada da vitamina E na dieta eleva sua concentração sérica e reduz a quantidade de subprodutos reativos gerados com a oxidação de lipídeos (chamados alkenais), quando comparado ao grupo de cães que não recebeu a suplementação. 
  Tanto os ácidos graxos da família ômega-3 (EPA e DHA), quanto a vitamina E podem ser incorporados diretamente na formulação dos alimentos sênior ou administrados por via oral separadamente. 
  Além dos benefícios já citados, também apresentam resultados positivos no suporte da disfunção cognitiva secundária à idade.
  Por fim, manifestações clínicas da Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC) são prevalentes na população de animais idosos, chegando a 28% dos casos em cães de 12 anos e aumentando para 68% em cães acima de 15 anos, segundo a percepção dos responsáveis. 
  Essa preocupação também se estende aos gatos idosos, estudos que avaliaram gatos acima de 11 anos relatam possível diagnóstico de SDC em 35% dos casos. Nos felinos acima de 15 anos, mais de 50% demonstraram clínica da doença. 
  A atenção aos sinais iniciais da SDC é essencial, partindo de alterações mais sutis, como alterações de comportamento e no ciclo sono-vigília, incluindo a inversão da atividade do dia para noite, até manifestações de desorientação e comprometimento de funções básicas, como alimentação e defecação. A intervenção precoce pode garantir melhor resposta terapêutica, retardar a progressão da doença e até promover melhora clínica do paciente. 
  Entre as estratégias mais promissoras, destaca-se o fornecimento de fontes energéticas capazes de gerar corpos cetônicos, uma vez que a eficiência do cérebro em utilizar glicose como fonte de energia diminui com a idade. 
  Em contrapartida, o aproveitamento de corpos cetônicos pode ocorrer de sete a nove vezes mais. A inclusão de triglicerídeos de cadeia média (TCM) na dieta constitui uma fonte viável para a geração desses corpos cetônicos, que atravessam a barreira hematoencefálica e a membrana mitocondrial, gerando ATP por meio do ciclo de Krebs e da fosforilação. 
  Os óleos TCM são as formas concentradas dos ácidos octanóico e decanoico, geralmente derivados do óleo de coco ou do óleo de palmiste. A concentração desses ácidos no óleo bruto dessas fontes é baixa, em torno de no máximo 12%, o que inviabiliza a suplementação eficaz apenas com óleo de coco ou palmiste na dieta. 
  Dessa forma, a adição de TCMs na dieta deve ser feita pela administração calculada de óleos purificados de TCM ou pelo uso de dietas comerciais que já contenham essa inclusão na dose adequada [20,24]. A suplementação correta de TCM têm demonstrado melhora clínica significativa nos pacientes diagnosticados com SDC, principalmente nos estágios iniciais.
  O avanço da Medicina Veterinária tem garantido maior sobrevida para nossos cães e gatos, tornando essencial o entendimento sobre as afecções mais frequentes e suas estratégias de prevenção e tratamento. A nutrição adequada, sobretudo em quantidades e com fontes ideais de proteína e fibra, além da adição de nutracêuticos específicos, podem proporcionar qualidade de vida não só para o paciente, mas também para os responsáveis que acompanham o envelhecimento de seus animais. 
  Contudo, o cálculo adequado das doses e a escolha correta das fontes são fundamentais para garantir a eficácia e a segurança desses suplementos. Por Erika Pereira, Monique Paludetti e Thais Ximenes
Fonte: Cães e Gatos

Nutrição Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets

4+ MIN

Saúde e bem-estar impulsionam a premiunização dos alimentos para pets

No mercado de alimentos para pets, saúde deixou de ser um diferencial e passou a ocupar o centro da estratégia de produtos premium. 
  Tutores estão cada vez mais atentos à nutrição e buscam opções que tragam benefícios funcionais e contribuam para o bem-estar e a longevidade de seus animais.
  Esse movimento acompanha a constante evolução do setor, influenciada por mudanças no comportamento do consumidor, transformações na cadeia de suprimentos e novas demandas do mercado.   O que mudou no conceito de 'premium'
Durante muito tempo, o termo 'premium' esteve diretamente ligado ao preço. Um alimento era considerado premium por custar mais do que produtos básicos da mesma categoria. 
  No entanto, esse conceito começou a perder força à medida que marcas do varejo tradicional passaram a oferecer ingredientes e atributos semelhantes aos das linhas premium.
  A expansão das marcas próprias premium acelerou ainda mais esse processo, tornando o preço um critério menos determinante. 
  Hoje, o que define um produto premium é, sobretudo, o valor percebido — especialmente quando relacionado à saúde.   Saúde vira sinônimo de alimento premium
Segundo Sahiba Puri, gerente global de insights em pet care da Euromonitor, a saúde, incluindo a prevenção de problemas, tornou-se o principal pilar da premiumização. 
  Isso explica porque alegações funcionais e nutricionais aparecem em produtos de diferentes categorias e faixas de preço.
  Durante o Petfood Forum Asia 2025, Puri apresentou dados que mostram as principais alegações presentes em produtos pet vendidos online. 
  'Natural' e 'saudável' lideram o ranking, seguidas por claims mais específicos, como 'sem grãos', 'alto teor de proteína' e 'boa fonte de vitaminas'.   Reflexo de hábitos humanos
Essas alegações permanecem relativamente estáveis ao longo dos anos, o que indica familiaridade e satisfação dos tutores com os resultados percebidos. 
  Outro ponto relevante é que os claims mais valorizados em alimentos para pets refletem escolhas feitas pelos próprios consumidores em sua alimentação.
  Em pesquisas globais, a Euromonitor identificou que tutores de pets tendem a priorizar atributos de saúde e nutrição não apenas ao comprar ração, mas também ao escolher alimentos para si mesmos.
  O destaque para 'alto teor de proteína' exemplifica bem essa convergência entre alimentação humana e animal. 
  Claims como 'alto teor de carne' ou 'carne fresca' também funcionam como indicadores de qualidade nutricional para muitos tutores.
  Segundo especialistas do setor, há cerca de 20 anos, qualquer inclusão de carne fresca já era considerada premium. 
  Hoje, níveis em torno de 30% se tornaram padrão. Já dietas com mais de 50% ou 70% de carne fresca entram claramente na categoria premium, por envolverem formulações mais complexas e maior percepção de valor por parte do consumidor.
  Seja por meio de proteína elevada, carne fresca ou outros ingredientes funcionais, as alegações relacionadas à saúde devem continuar em alta. 
  Cada vez mais, os tutores enxergam a nutrição como base da saúde dos pets — e a saúde como o principal motor da premiunização no mercado.
  FAQ sobre saúde e premiunização dos alimentos pets
Por que a saúde se tornou central nos alimentos premium para pets?
Porque os tutores passaram a associar nutrição de qualidade à prevenção de doenças e ao bem-estar a longo prazo.
  O que hoje define um alimento pet como premium?
Mais do que o preço, pesam atributos como qualidade nutricional, ingredientes funcionais e benefícios à saúde.
Por que proteína e carne fresca são tão valorizadas?
Esses ingredientes refletem tendências da alimentação humana e são percebidos como sinônimo de qualidade e valor nutricional. Fonte: Cães & Gatos

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