A longevidade dos cães e gatos tem aumentado de forma constante e inegável nos últimos anos, estando vinculada a aspectos que compreendem tanto o indivíduo, por meio da seleção de raças, quanto a evolução da Medicina Veterinária como um todo. Diante desse cenário, a Medicina Veterinária preventiva tem ganhado destaque, acompanhando o crescimento do número de animais de companhia, e também a maior disponibilidade de bens e serviços veterinários para pequenos animais, especialmente na Ásia e na América Latina.
Apesar da senilidade, por si, não ser considerada uma doença, mas um estágio natural da vida, ela envolve alterações fisiológicas que devem ser identificadas, manejadas e, quando possível, prevenidas. Atualmente, gatos são considerados sênior a partir dos 10 anos de idade, enquanto para cães essa classificação varia conforme o porte e a raça, de forma que cães de grande porte atingem a senilidade mais cedo quando comparados aos cães de pequeno porte. Uma das possíveis justificativas que correlacionam o maior porte dos cães à menor expectativa de vida é o maior tempo de exposição do animal ao Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1 (IGF-1), que promove o crescimento, porém potencialmente também reduz a longevidade.
Alterações na capacidade de digestão e, consequentemente, do uso adequado dos nutrientes fornecidos pelo alimento, podem acontecer com o passar dos anos. Estudos sugerem que a adição moderada de fibras, em especial as fibras solúveis, melhora o aproveitamento do alimento tanto em cães quanto em gatos. Além da fibra, outro macronutriente estudado na senilidade é a gordura, cuja digestibilidade não aparenta decair significativamente em cães, mas sim em gatos idosos, o que reforça a importância de monitorar o emagrecimento progressivo nessa espécie, à medida que a idade avança, como pilar fundamental do manejo nutricional.
Outro ponto importante no manejo preventivo dos animais de companhia diz respeito à saúde renal. Observa-se redução na taxa de filtração glomerular (TGF), sobretudo em cães de raças menores, alteração observada até mesmo em humanos com o avançar da idade. Nos gatos, existe uma forte relação entre o desenvolvimento da doença renal crônica e a idade (acima de 12 anos) associada, principalmente, à inflamação intersticial, atrofia tubular e fibrose. Um diferencial é que a proteinúria é rara nos estágios iniciais das glomerulopatias.
O entendimento sobre a classificação da doença renal crônica nos cães e gatos idosos de acordo com a International Renal Interest Society (IRIS) é fundamental, uma vez que, nos casos de idade avançada, a perda de massa magra é esperada, seja decorrente de doença prévia ou não. Assim, torna-se essencial ponderar vantagens e desvantagens da restrição proteica nessa faixa etária.
Entretanto, o cuidado com a ingestão elevada de fósforo na senilidade é uma medida segura e amplamente atendida pela maioria dos alimentos comerciais de qualidade.
A adição de nutracêuticos na dieta também é uma questão relevante. Estudos com EPA e DHA avaliaram sua capacidade anti-inflamatória e o potencial de auxiliar no controle de doenças crônicas, como cardiopatias, dermatopatias, doença renal crônica, osteoartrites e distúrbios comportamentais, que são afecções comuns em cães e gatos senis.
É importante ressaltar que os efeitos estão relacionados não apenas à quantidade correta de EPA e DHA presentes nos produtos, mas também à oferta contínua do nutracêutico para manutenção dos benefícios.
Ainda sobre os nutracêuticos, sabe-se que o dano oxidativo celular que ocorre naturalmente com a idade está relacionado ao surgimento e piora de diversas afecções crônicas. Dessa forma, a adição de antioxidantes no manejo dos pacientes idosos também oferece vantagens.
Um dos antioxidantes naturais mais utilizados é o alfa-tocoferol (vitamina E), que atua interrompendo a cascata de oxidação ao impedir a propagação dos danos causados por radicais livres nas membranas biológicas. Um estudo realizado em 2004 indicou que a inclusão aumentada da vitamina E na dieta eleva sua concentração sérica e reduz a quantidade de subprodutos reativos gerados com a oxidação de lipídeos (chamados alkenais), quando comparado ao grupo de cães que não recebeu a suplementação.
Tanto os ácidos graxos da família ômega-3 (EPA e DHA), quanto a vitamina E podem ser incorporados diretamente na formulação dos alimentos sênior ou administrados por via oral separadamente.
Além dos benefícios já citados, também apresentam resultados positivos no suporte da disfunção cognitiva secundária à idade.
Por fim, manifestações clínicas da Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC) são prevalentes na população de animais idosos, chegando a 28% dos casos em cães de 12 anos e aumentando para 68% em cães acima de 15 anos, segundo a percepção dos responsáveis.
Essa preocupação também se estende aos gatos idosos, estudos que avaliaram gatos acima de 11 anos relatam possível diagnóstico de SDC em 35% dos casos. Nos felinos acima de 15 anos, mais de 50% demonstraram clínica da doença.
A atenção aos sinais iniciais da SDC é essencial, partindo de alterações mais sutis, como alterações de comportamento e no ciclo sono-vigília, incluindo a inversão da atividade do dia para noite, até manifestações de desorientação e comprometimento de funções básicas, como alimentação e defecação. A intervenção precoce pode garantir melhor resposta terapêutica, retardar a progressão da doença e até promover melhora clínica do paciente.
Entre as estratégias mais promissoras, destaca-se o fornecimento de fontes energéticas capazes de gerar corpos cetônicos, uma vez que a eficiência do cérebro em utilizar glicose como fonte de energia diminui com a idade.
Em contrapartida, o aproveitamento de corpos cetônicos pode ocorrer de sete a nove vezes mais. A inclusão de triglicerídeos de cadeia média (TCM) na dieta constitui uma fonte viável para a geração desses corpos cetônicos, que atravessam a barreira hematoencefálica e a membrana mitocondrial, gerando ATP por meio do ciclo de Krebs e da fosforilação.
Os óleos TCM são as formas concentradas dos ácidos octanóico e decanoico, geralmente derivados do óleo de coco ou do óleo de palmiste. A concentração desses ácidos no óleo bruto dessas fontes é baixa, em torno de no máximo 12%, o que inviabiliza a suplementação eficaz apenas com óleo de coco ou palmiste na dieta.
Dessa forma, a adição de TCMs na dieta deve ser feita pela administração calculada de óleos purificados de TCM ou pelo uso de dietas comerciais que já contenham essa inclusão na dose adequada [20,24]. A suplementação correta de TCM têm demonstrado melhora clínica significativa nos pacientes diagnosticados com SDC, principalmente nos estágios iniciais.
O avanço da Medicina Veterinária tem garantido maior sobrevida para nossos cães e gatos, tornando essencial o entendimento sobre as afecções mais frequentes e suas estratégias de prevenção e tratamento. A nutrição adequada, sobretudo em quantidades e com fontes ideais de proteína e fibra, além da adição de nutracêuticos específicos, podem proporcionar qualidade de vida não só para o paciente, mas também para os responsáveis que acompanham o envelhecimento de seus animais.
Contudo, o cálculo adequado das doses e a escolha correta das fontes são fundamentais para garantir a eficácia e a segurança desses suplementos.
Por Erika Pereira, Monique Paludetti e Thais Ximenes
Fonte: Cães e Gatos
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